Leia Mulheres!

No início de 2014, a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014), que consistia em incentivar a leitura de mais escritoras. Há algum tempo atrás, o colega William Okubo escreveu aqui no BSF um post sobre literatura de escritoras brasileiras, selecionando alguns livros.

Entendendo que o mercado editorial ainda é muito restrito e as mulheres não possuem a mesma visibilidade que os autores homens, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques decidiram trazer a ideia da Joanna para a Blooks livraria, criando um clube do livro chamado #leiamulheres.

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Encontro do dia 24 de março, na Blooks Livraria.

O encontro é aberto à todos e a intenção é realizar mediações mensais, acompanhando leituras de obras escritas por mulheres, de clássicas a contemporâneas. Acredito que este é o tipo de ação cultural que centros de leitura podem replicar ou ainda facilitar, sempre que possível.

O próximo encontro será na Blooks da Frei Caneca novamente dia 22 de abril e o próximo livro será Reze pelas mulheres roubadas, de Jennifer Clement. Esse clube do livro já possui uma página no facebook, que será atualizada com mais informações sobre os próximos encontros.

Desde a primeira vez que li o título do projeto jamais entendi como imperativo, mas como um convite mesmo a uma forma mais consciente de leitura. Enfim, acessem a página no FB, sejam bem vindos aos encontros e inspirem-se.

Lao Tsé bibliotecário?

Lao.Tse

Lao Tsé: “Lao” significa criança; “Tsé”, velho, maduro, sábio. Nascido na China no final do século VII a. C., diz-se que seria oficial da dinastia Zhou encarregado de compilar documentos históricos.

Outras fontes relatam que ele teria sido contemporâneo de Confúcio considerado outro grande mestre da filosofia chinesa. E os dois teriam se encontrado quando Lao Tsé trabalhava como arquivista, ou compilador de documentos, na Biblioteca Imperial da dinastia Zhou. De acordo com essas histórias, eles discutiram durante meses e Lao Tsé teria influenciado o pensamento confucionista.

Diante do deterioramento da situação pública chinesa, a perda de poder da dinastia Zhou, Lao Tsé decidiu retirar-se da China cavalgando um búfalo preto e, no desfiladeiro Han Gu, o guarda da fronteira desejou que aquele sábio não saísse da China sem antes deixar algo escrito: até então, eles eram divulgados apenas com a palavra falada. Naquela ocasião, Lao Tsé teria escrito o Tao-te King, cujo título é traduzido por “O livro do caminho e da virtude” ou “Livro clássico do sentido e da vida”. Depois disso, Lao Tsé teria ido em direção ao oeste e não voltou a ser registrada a sua aparição.

Tao-te King, é considerada a obra basilar da filosofia taoísta, e um dos livros mais traduzidos, juntamente com a bíblia. O taoísmo clássico inspirou um movimento intelectual chamado xuanxue (aprendendo com o misterioso), que dominou a elite chinesa e a alta cultura dos séculos 3 ao 6 de nossa era. Dessa forma, Lao Tsé influenciou não apenas o pensamento filosófico, mas a literatura, a caligrafia, a pintura, a música chinesas.

 

A imagem de Lao Tsé e algumas informações foram retiradas da coluna Ser e Ter da revista Performance Líder e trata-se de um recorte da obra do italiano  E. Montariello, exposto na Biblioteca Humanitas – na qual também sou bibliotecária!

Qual é a diferença entre bibliometria, cientometria, infometria, webmetria e altmetria?

Bibliometria – “A aplicação da matemática e métodos estatísticos para livros e outras mídias de comunicação” (Pritchard, 1969, p 349). Esta é a área original de estudo que abrange livros e publicações em geral. O termo “bibliometria” foi proposto pela primeira vez por Otlet (1934; cf. Rousseau, 2014).

Cientometria – “Os métodos quantitativos da pesquisa sobre o desenvolvimento da ciência como um processo informacional” (Nalimov e Mulcjenko, 1971, p. 2). Este campo concentra-se especificamente sobre a ciência (e as ciências sociais e humanas).

Infometria – “O estudo da aplicação de métodos matemáticos para os objetos da ciência da informação” (Nacke, 1979, p 220). Talvez o campo mais geral que abrange todos os tipos de informações, independentemente da forma ou de origem (Egghe, L. & Rousseau, 1988).

Webmetria – “O estudo dos aspectos quantitativos da construção e utilização de recursos de informação, estruturas e tecnologias na Web baseado em abordagens bibliométricas e infométricas (Björneborn & Ingwersen, 2004, p 1,217; Thelwall & Vaughan, 2004). Este campo refere-se principalmente a análise de páginas da web, como se fossem documentos.

Altmetria – “O estudo e uso de medidas de impacto acadêmico com base na atividade em ferramentas e ambientes on-line” (Priem, 2014, p 266). Também chamado de cientometria 2.0, este campo substitui citações de periódicos com impactos em ferramentas de redes sociais, tais como visualizações, downloads, “curtidas”, blogs, Twitter, Mendelay, CiteULike.

Referência:
MINGERS, John, LEYDESDORFF, Loet. A Review of Theory and Practice in Scientometrics. arXiv:1501.05462 (2015).

O que faz um bibliotecário?

Nunca deixa de me surpreender quantos artigos de jornais e revistas eu vejo quase todos os meses proclamando que “a biblioteca é mais do que apenas livros.”

Isso vale para as bibliotecas públicas. Jornais e revistas não parecem reconhecer bibliotecas universitárias, bibliotecas especiais ou bibliotecas escolares.

Eu não vejo a mesma quantidade de artigos reconhecendo que os bibliotecários fazem mais do que só sentar-se em torno de livros e passam o dia inteiro lendo, mas isso é outro equívoco de longa data.

As bibliotecas têm sido mais do que livros por mais de um século. Toda nova tecnologia de informação ou entretenimento torna-se uma nova parte das coleções de bibliotecas.

Mas as bibliotecas têm sido sempre mais do que as suas coleções, também. Há uma abundância de bibliotecas sem livros. O único requisito para que algo seja uma biblioteca é que tenha bibliotecários.

Nem todo mundo que trabalha em uma biblioteca é um bibliotecário. Os bibliotecários devem ter um diploma em biblioteconomia. Bibliotecários de referência e bibliotecários infantis trabalham diretamente com o público. O mesmo vale para os bibliotecários que trabalham em bibliotecas volantes/circulantes.

Bibliotecários catalogadores e administradores, entre outros, trabalham nos bastidores. Mas todos os bibliotecários cumprem serviço público, mesmo que o público nunca os veja.

Aqui estão algumas coisas que os profissionais bibliotecários fazem após 4 anos de faculdade:

+ Preparar e manter políticas que determinam o que é adicionado à coleção, incluindo bases de dados online
+ Escolher e negociar com os fornecedores que comercializam itens para a coleção
+ Determinar quais materiais serão aceitos como doação e reconhecê-los para efeitos de contabilidade
+ Analisar como os usuários utilizam a coleção e demais serviços
+ Determinar quais materiais obsoletos ou não utilizados devem ser removidos da coleção
+ Descrever cada item da coleção em um registro de catalogação para que as pessoas possam encontrá-lo
+ Manter os sistemas de computador sem os quais as bibliotecas não podem funcionar
+ Manter equipamentos de reprodução para todas as gravações de áudio e vídeo, incluindo formatos obsoletos para o conteúdo que não está disponível em formatos mais recentes
+ Aprender a usar a nova tecnologia emergente, a fim de ser capaz de ensinar os usuários
+ Responder às perguntas dos usuários, que podem ser fáceis de responder ou exigir considerável pesquisa
+ Ajudar os leitores de ficção ou literatura a encontrar o que ler em seguida
+ Emprestar materiais de outras bibliotecas para usuários que precisam de algo que a biblioteca não possui
+ Planejar e administrar aulas, seminários, concertos, grupos de leitura, noites de jogos e outros programas
+ Preparar descrições de cargos para as posições em aberto e contratar as pessoas certas
+ Treinar e supervisionar os profissionais associados que trabalham na biblioteca
+ Preparar orçamentos a fim de alocar recursos para manter tudo funcionando
+ Trabalhar dentro da comunidade para promover a biblioteca e seus serviços
+ Manter-se atualizado com a literatura de bibliotecas (que não é tão divertido quanto a leitura de livros!), a fim de acompanhar as contantes mudanças

Esta nem é uma lista exaustiva.

Infelizmente, os bibliotecários devem assumir o papel de defender a existência da biblioteca. Muitas pessoas pensam que o Google é capaz de responder a qualquer pergunta. Não é.

Apenas os materiais impressos ou bancos de dados proprietários caros oferecem respostas completas para algumas perguntas. É preciso um bibliotecário para navegar através de um mar de informações e ajudar usuários a encontrar o que é mais útil para suas necessidades individuais.

Ultimamente, algumas pessoas sugeriram que uma vez que um Kindle ou outro e-reader podem conter tantos livros, coleções de bibliotecas não são necessárias. Mas como, então, que alguém seria capaz de ler a maioria dos livros, que não foram digitalizados e disponibilizados para os leitores?

Associações de bibliotecários trabalham em questões que são maiores do que uma única biblioteca ou sistema de bibliotecas. Bibliotecários defendem vigorosamente a liberdade intelectual, a igualdade de acesso à informação para todos, e do conceito de domínio público na lei de direitos autorais.

Ser um bibliotecário é um trabalho sério – uma profissão séria. A biblioteconomia realiza serviços para o público que nenhuma outra profissão pode fazer.

David Guion, What do librarians do?

Metendo a cara nos livros #bookfacefriday

Toda sexta-feira é dia do hashtag #bookfacefriday que foi criado pela NYPL e se espalhou por muitas e muitas bibliotecas. Quem quer entrar na brincadeira? Amanhã é dia, convidem os usuários e publiquem suas fotos.

Santa Clara City librarian or Johnny Cash. You decide. #BookFaceFriday

A photo posted by The New York Public Library (@nypl) on

"Shhhhhhh," he whispered. "Use your library voice." #magazine #bookface #BookFaceFriday

A photo posted by The New York Public Library (@nypl) on

We wanted to get in on #bookfacefriday, too!

A photo posted by Sesame Street (@sesamestreet) on

En vanlig fredag med koal… kollegorna. #bookfacefriday #sakerbibliotekariergör #lidingö #bibliotek

A photo posted by Lidingö stadsbibliotek (@lidingobibblan) on

#bookfacefriday

A photo posted by Jon (@helldriver666) on

Lauren has some #bookface advice for Women's History Month. #bookfacefriday #womenshistorymonth #behavingisoverrated

A photo posted by Cheshire Library (@cheshirelibrary) on

ANBEFALING: 24-årige Niviaq Korneliussen debuterede i efteråret stærkt med den eksperimentelle roman ”HOMO Sapienne”, som hun er nomineret til Nordisk Råds Litteraturpris for. Hun skriver upoleret, originalt, sansemættet og blander det litterære og poetiske med det mundtlige, emails, sms-korrespondancer og hashtags. Vi følger fem unge, der fortæller hver deres historie flettet ind mellem hinanden med fokus på køn, (homo)seksualitet, weekendens fester, musik og som underlægning den grønlandske identitet set i forhold til kolonimagten Danmark; al vreden og mindreværdet. #NiviaqKorneliussen #HOMOsapienne #milikpublishing #NordiskRådsLitteraturpris #homolitteratur #Grønland #gentoftehovedbibliotek #genbib #bookface #bookfacefriday

A photo posted by Gentofte Hovedbibliotek (@gentoftebibliotekerne) on

It's a miracle! #bookfacefriday #mediatheek #hogeschoolrotterdam #wdka #books #libraries #anthonbeeke

A photo posted by Hogeschool R'dam Mediatheek (@hrmediatheek) on

Our first attempt at #BookFaceFriday. More next week! #tgif

A photo posted by McCracken Co. Public Library (@mclibdotnet) on

Camisetas para bibliotecários

Se você quer dizer ao mundo que é bibliotecário, vista a camisa.

Diretórios acadêmicos, associações e organizações de evento costumam criar e vender algumas dessas camisetas que celebram e divulgam a profissão. Mas ou elas são difíceis de comprar ou não são tão bonitas assim.

Isso mudou com a T-shirts Mural, uma lojinha online criada pela bibliotecária Fabíola Bezerra. Vejam só, boas, bonitas e baratas:

Datagramazero: um presente

Comecei a pesquisar sobre periódicos científicos e Open Access em 2008, assim que comecei o curso de biblioteconomia. Tudo pra mim era novo, mas a discussão naquela época já era antiga. Ao longo do curso, tendo feito 2 iniciações científicas, peguei certa intimidade com os periódicos da área. Mas desde antes de entrar na biblioteconomia, eu já conhecia o Datagramazero. Não tem como fugir: é um periódico pioneiro e muito prestigiado na nossa área.

São 15 anos de publicações, com 474 artigos interdisciplinares, mas com um foco imprescindível em Ciência da Informação, Conhecimento, Sociedade da Informação, Inovação e Gestão. A revista é um referencial de valor inestimável para a área de Biblioteconomia como um todo e também para as Ciências Sociais Aplicadas no Brasil.

No entanto, eu e – imagino que – outros pesquisadores sempre tivemos que utilizar certos truques para pesquisar na revista: ou se conhece o periódico muito bem e se tem uma memória muito boa acompanhando cada publicação, ou realizamos um truque de pesquisa via Google usando “site:dgz.org.br” + “palavra chave” para que possamos recuperar todas as páginas indexadas com o conteúdo desejado. Ainda assim, pessoalmente também não considero esse último um método de pesquisa ideal em termos de eficiência.

Já em 2011 eu pensava em criar uma plataforma, no WordPress mesmo, para que a revista pudesse contar com um sistema de busca, mas na época eu estava muito ocupada com outras coisas que eram prioridade para mim (TCC, mestrado), não tive tempo e sequer sabia como faria isso. Ano passado na pós, tive uma disciplina de Gestão de Conteúdo que abordava exatamente esse projeto que eu tinha em mente e a ideia foi voltando, aos poucos.

Este ano preciso entregar o meu TCC da pós e esbarrei novamente nessa limitação. Também comecei a trabalhar com taxonomia e tudo foi se organizando a ponto de eu começar, em janeiro desse ano, um projeto de plataforma de redirecionamento para a revista. É em WordPress e tudo o que fiz até então foi redirecionar, na medida do possível, todos os artigos da Datagramazero desde 1999 até os dias de hoje. Terminei sexta passada.

Essa é a primeira fase do projeto, mas ainda existem muitas melhorias a serem feitas. A normalização das palavras-chave, por exemplo, não foi feita. A intenção com a fase dois do projeto é de posteriormente criar uma estrutura de categorização que permita que o usuário recupere artigos por área temática de estudo, mantendo também as tags (palavras-chave utilizadas em todos os artigos). A partir daí será feito o estudo das palavras-chaves para a criação da taxonomia do site – que estou começando, aos poucos, agora.

Minha intenção ao fazer esse projeto foi ultrapassar essa limitação para continuar o meu TCC e beneficiar também a comunidade científica como um todo, que utiliza a revista como fonte para suas pesquisas e levantamento de referências.

Caso encontrem erros e inconsistências, sugestões e correções são bem vindas.

Espero que esta plataforma possa ajudar outros pesquisadores!