altmetrics.org/manifesto/ via www.wordle.net
by AJ Cann

Altmetrics: por que se importar?

Na semana passada Moreno e Andréa falaram um pouco sobre as altmetrics: o que são, que possibilidades e desafios oferecem, o que nós bibliotecários temos a ver com isso. Quero acrescentar meus dois centavos nesta conversa, vamos lá?

A altmetrics ou altmetria foi o tema da minha dissertação de mestrado, que está disponível aqui para quem quiser ler e comentar (para ir direto ao ponto, podem ler só os capítulos 4-8). Minha maior motivação para escolher falar disso foi justamente a vontade de apresentar e contribuir para a discussão sobre a área aqui no Brasil.

Mas por que nós deveríamos nos importar com a altmetria? Como o Moreno bem disse, “o panorama sobre o tema ainda não é perfeitamente claro ou consensual”. Uma das coisas que constatei na minha pesquisa é que, por enquanto, ninguém sabe muito bem para que servem as métricas alternativas, ou o que exatamente elas medem. E muita gente no meio acadêmico ainda torce o nariz para as redes sociais – bater papo no Twitter, escrever blog, nada disso contribui para construir uma carreira acadêmica séria. E aí? Vale a pena conhecer, estudar, discutir e divulgar a altmetria? Eu acho que sim, e quero compartilhar com vocês algumas razões para isso.

Razões teóricas

Parte da proposta da altmetria é valorizar outros impactos além da citação, outros produtos além do artigo científico, outros públicos além do acadêmico. Sim, o volume de dados altmétricos gerados para um determinado artigo ainda é, no geral, muito baixo; mas o fato é que as pessoas estão, sim, interagindo com documentos científicos online. Quem são estas pessoas, quais são suas motivações? O fato de não sabermos ainda exatamente o que significa(m) a(s) altmetria(s) não deve ser motivo para descartá-la(s), pelo contrário – é um convite para explorar um campo ainda desconhecido.

Razões práticas

Muitos de nós, bibliotecários, estamos envolvidos na criação e manutenção de repositórios institucionais. Adotar ferramentas de compartilhamento e monitorar a interação dos usuários com seus produtos nas redes sociais pode ser importante para demonstrar diferentes usos e possíveis impactos dos produtos de pesquisa da sua instituição. Este artigo (em inglês) mostra como o uso da altmetria em RIs pode ser valioso para autores e administradores.

A altmetria também pode ser benéfica para o pesquisador individual – e isso vale tanto para os nossos usuários quanto para nós mesmos. Jason Priem e Heather Piwowar, fundadores do ImpactStory, dão 10 motivos para incluir dados altmétricos no seu currículo. Eu acrescento mais um à lista - motivação pessoal. Quem já trabalhou com pesquisa (ou escreveu um TCC) sabe como pode ser desanimador pensar que só a sua banca vai ler aquela coisa linda que você passou semanas/meses/anos escrevendo. Mas quem disse que tem que ser assim? Você pode colocar seu trabalho online em sites como o Figshare (que dá um DOI para cada item postado) e criar seu perfil no ImpactStory para acompanhar quem, onde e o que estão falando sobre o seu trabalho. Claro que nada disso dará muito resultado se você não contar pra ninguém. Divulgue seu trabalho nas redes, envolva-se com as pessoas que se interessam pelas coisas que te interessam, participe da conversa. Os resultados podem te surpreender…

Razões políticas

O surgimento da altmetria não é um acontecimento isolado: ela é parte da reação à crise do sistema de comunicação científica. Um de seus marcos iniciais, o texto Altmetrics: a manifesto, deixa claro um posicionamento crítico à hegemonia do fator de impacto na avaliação da produção científica. Esta crítica também está expressa na San Francisco Declaration on Research Assessment (Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Pesquisa, conhecida pela sigla DORA), que traz entre suas recomendações o estímulo à utilização de uma variedade de métricas e indicadores na avaliação de impacto.

As métricas alternativas podem ser especialmente benéficas para países periféricos como o Brasil, ajudando a demonstrar de forma mais completa os impactos da pesquisa realizada por aqui. Mas esses benefícios não são automáticos. A Andréa já comentou sobre alguns dos desafios técnicos e econômicos que precisamos enfrentar nesta área, como o custo para utilização das ferramentas do Altmetric.com e a adoção do DOI e/ou outros identificadores que permitam o acompanhamento adequado dos produtos de pesquisa na web. O argentino Juan Pablo Alperin é bastante enfático ao afirmar que é preciso um esforço consciente e deliberado para aproximar a altmetria dos pesquisadores de países periféricos, evitando os erros que já cometemos em relação ao fator de impacto (ver Ask Not What Altmetrics Can Do for You, But What Altmetrics Can Do for Developing Countries; e Altmetrics could enable scholarship from developing countries to receive due recognition).

Precisamos de mais estudos sobre altmetria e suas possibilidades, e de ferramentas que atendam às nossas necessidades específicas – revelando a qualidade e o impacto das nossas pesquisas, para além das bases internacionais. Acredito que nós bibliotecários podemos contribuir muito para mudar este jogo. Mãos à obra!


P.S.: Tive a honra de ser entrevistada pelo SciCast Podcast, falando um pouco sobre Biblioteconomia, Ciência da Informação, e, claro, altmetria. Ouçam, comentem, critiquem :)

 

bibliotecario

Bancos em formato de livros em Londres

Cinquenta bancos em formato de livro foram instalados em diferentes locais de Londres como parte do projeto Livros sobre a cidade de incentivo à leitura e comemoração da herança literária da cidade.

A lista completa dos livros que inspiraram cada banco, e dos artistas que os criaram, pode ser encontrada no site do projeto. A primeira imagem abaixo é inspirada em Mary Poppins. Vocês conseguem identificar as demais?

Há quatro roteiros que podem ser seguidos e os visitantes podem fazer download de mapas e questionários para responderem ao longo de cada trilha.

Ao final do projeto em outubro os bancos serão leiloados e a renda revertida para a organização do projeto, a National Literacy Trust. Para nós que não moramos em Londres é possível seguir os bancos no Instagram, Facebook e Twitter.

mary poppins

clarice bean

sissou

Alt-Metric-2012-Literature-Review-II

Altmetrics: pode ser?

Quando estudamos o surgimento dos periódicos, aquela história do Journal des sçavans, percebemos que as revistas científicas foram criadas para suprir a falta de canais de comunicação entre os pesquisadores, que já contavam com uma comunidade de pares para discutir e selecionar o que lhes parecia mais relevante em suas áreas. Atualmente, o cenário da comunicação científica é praticamente o oposto, dado o inesgotável número de revistas científicas e outros canais de comunicação acadêmica.

Porém, da mesma forma, a comunidade de pares continua sendo fundamental para discutir e selecionar o que merece ser lido. Ou melhor, nesses nossos tempos, o que merece ser curtido, seguido, postado, retuitado, compartilhado.

Os pesquisadores de hoje se comunicam através do Twitter, do Facebook, e de redes sociais acadêmicas que cumprem um papel cada vez mais importante para a construção da ciência. Para dar conta dessa tendência de citações online, fora dos padrões tradicionais de citação de artigos, surgira as altmetrics, sobre as quais o Moreno já falou um pouco aqui.

E seria tudo muito lindo para os pesquisadores e as revistas científicas, um novo caminho, uma alternativa à tirania do fator de impacto, não fosse por um pequeno detalhe: os nossos pesquisadores e as nossas revistas  científicas ainda não estão preparados para produzir esses tipos de métricas.

O Moreno já falou no post dele sobre as dificuldades dos pesquisadores em entender e gerar essas métricas, e como os bibliotecários podem ajudar toda uma geração (ou várias) de pesquisadores a mostrar o valor da sua produção sob a ótica das altmetrics.

E do outro lado estão as revistas científicas, de onde essas métricas deveriam ser extraídas. Se todos os nossos pesquisadores publicassem somente na Nature, PLOS One ou Elsevier, não haveria problema, já que essas publicações já conseguem integrar APIs de medição de atenção online e produzir métricas a nível de artigo, usando o Altmetric, uma das principais ferramentas que coletam dados para a produção dessas métricas.

Os resultados de uma recente pesquisa que apresentei no 4o. Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria sobre os  periódicos científicos brasileiros na área de Ciência da Informação, mostram que somente quatro publicações são rastreadas pelo Altmetric. E a quantidade de menções registradas em redes sociais e acadêmicas é ainda muito baixa.

Vão dizer: “Claro! Porque as nossas revistas não são citadas!”. Mas não é tão simples assim.

Para usar as ferramentas do Altmetric, é necessário pelo menos (1) pagar uma assinatura anual pelo serviço, que custa de 11.000 a 19.000 reais, e (2) prover um DOI ou outro identificador único para que o API retorne todos os dados de menção a um documento, coisa que poucas revistas científicas publicadas no Brasil tem, sendo a grande maioria da coleção SciELO.

Isso é só um exemplo dos desafios econômicos e técnicos que ainda teremos que enfrentar para ver resultados concretos da aplicação das altmetrics no Brasil.

Mas o Altmetric é somente uma das ferramentas que produzem métricas alternativas. E com seu crescimento já passou a oferecer acesso gratuito a algumas funcionalidades a pesquisadores e bibliotecários. A cada dia surgem novas opções de serviços de altmetrics, e certamente haverá iniciativas voltadas para os países periféricos, cuja ciência segue clamando por uma forma alternativa de provar o seu reconhecimento.

Vamos ver.

Estatísticas do catálogo a partir dos registros MARC

Em muitas situações, é necessário conseguir fazer estatísticas do catálogo, ou mesmo, é desejável fazer um levantamento para entender melhor a sua coleção. Este post vai mostrar uma estratégia para que se possa conseguir estatísticas de maneira bem simples.

1º Passo: Conseguir os registros MARC

Conseguir uma cópia do seu catálogo em formato MARC. A maioria dos bons sistemas hoje exporta em formato MARC. Mesmo sistemas que não exportem em MARC podem ser usados neste caso, mas terá que entender como o sistema exporta e como conseguir extrair dados.

2º Passo: Baixar e instalar o MarcEdit

O MarcEdit é um editor de registros MARC bem eficiente, pode ser baixado em: http://marcedit.reeset.net/

3º Passo: Extrair dados

O MarcEdit tem uma ferramenta para transformar registros em CSV. O caminho para acessar é Tools > Export > Export Tab Delimited Records

Aqui acredito que explicar a lógica é mais importante do que dar uma receita pronta. Os passos para exportação são: escolher o arquivo MARC de origem, escolher o nome e caminho do arquivo de destino, escolher quais campos serão exportados e como serão exportados.
Para escolher quais estatísticas podem ser feitas no catálogo, primeiramente temos que pensar o que pode se agrupado. Se pensarmos por exemplo no campo título, não é possível fazer nenhum tipo de estatística usando ele, mas ele por ser útil para criar um gráfico de rede, por exemplo. Há também campos repetitivos, que você escolhe o separador e o MarcEdit coloca todos os campos em uma só coluna. Mas aqui como vamos ficar só nas estatísticas mais simples, vamos pensar em campos que pode ter valores repetidos, por exemplo, o ano de publicação. O campo normalmente do ano de publicação é o 260c. O resultado dessa exportação é um arquivo de texto como:

260c
1985
1987
2000
2013
2012
1985
1987

É bem simples lidar com esse tipo de dado, encarando cada um dos registros como uma linha. Mas precisamos tomar um cuidado aqui. Ao utilizar os campos abaixo de 900, estaremos fazendo estatísticas dos registros. Caso precise fazer estatísticas dos exemplares, terá que escolher os campos em que os exemplares são registrados, normalmente algum 9XX ou para ter uma maior precisão, deverá conseguir filtrar os registros que não tenham exemplares.

Também é possível combinar dados, tornando seu gráfico mais complexo. É possível, por exemplo, combinar o ano de publicação com o idioma da publicação (no exemplo, imaginamos que o valor está no campo 041a, apesar de saber que este não é o campo mais indicado para este valor), ficaria algo assim (é recomendável escolher o tab como separador):

260c -> 041a
1987 -> por
1985 -> por
2014 -> eng

4º passo: Tratar os dados

Este é um passo opcional, mas te permitirá verificar a qualidade dos dados de seu catálogo, além de deixar o gráfico mais correto. Em muitos casos, poderá haver problemas como erros de digitação, capitalização ou outras questões que podem influenciar o gráfico que você precisa gerar, para identificar rapidamente erros, recomendamos o software OpenRefine ( http://openrefine.org/ )
Por exemplo, caso queria fazer um gráfico por editora, temos os dados:

260b

EDUSP
EDUSP – USP
EDUSP/USP
Edusp

O OpenRefine ajuda a identificar dados semelhantes e permite correção em grandes lotes. Facilita muito a vida.

5º passo: Sumarizar e criar gráficos

Há duas ótimas ferramentas para sumarizar e criar gráficos. A primeira é o Excel, utilizando as tabelas dinâmicas. E recomendo uma segunda, mais fácil, chamada Tableau Public. Ele tem uma limitação na versão gratuita de somente salvar online e de maneira publica seu dado, mas é uma ferramenta bastante completa. Nos dois casos, é possível fazer diversos tipos de gráficos e combinar tipos de dados e fazer gráficos mais complexos.

Caso tenha alguma dúvida, pode entrar em contato comigo que ajudo na medida do possível: trmurakami EM gmail.com

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O livro das árvores de Manuel Lima: visualizando ramos do conhecimento

O livro das árvores é o livro mais bonito em que coloquei minhas mãozinhas nos últimos anos e não bastasse a beleza visual para enfeitar a mesa da sala, é muito bem pesquisado e serve de referência para qualquer pessoa interessada em visualizações do conhecimento.

O livro é uma curadoria do português Manuel Lima e apresenta a história de visualizações hierárquicas, descrevendo a importância das árvores como metáforas para a vida e o conhecimento (“árvore do conhecimento” e “ramos” da ciência).

Para os bibliotecários e profissionais das correlatas, o maior impacto dessas árvores se dá no reino da taxonomia, como representações visuais de conceitos abstratos religiosos, científicos, artísticos e tudo mais.

Traz uma linha do tempo com mais de 800 anos de história dos diagramas de árvores, a partir de suas raízes nos manuscritos iluminados dos mosteiros medievais até o ressurgimento atual como meio de visualização de dados. Não é um livro sobre visualização de dados, não entra em detalhes sobre as técnicas atuais, e o autor argumenta que os diagramas de árvores possuem uma história muito mais longa de representações visuais do que apenas a visualização da informação.

É lindão. E o livro está disponível na Livraria Cultura e no Amazon e tem algumas páginas disponíveis para consulta no link abaixo.

DSpace_logo

DSPACE 4: Vale a pena migrar?

Já faz um tempinho que saiu a versão 4 do DSPACE. Uma nova versão normalmente traz diversas melhorias, porém também é necessário considerar que o DSPACE é um sistema de difícil atualização por conta das customizações necessárias. Este post vai tentar ajudar a refletir sobre a atualização para esta nova versão.

Novidades

Confiram o Release Notes completo. Destes, destaco:

  1. Índices agora estão integrados ao Discovery como padrão: Na versão 3, os índices eram gerados pelo Lucene e a busca usava o Discovery. A argumentação é que o Discovery é mais rápido e ainda fica mais fácil para gerenciar.
  2. Importação utilizando diversos formatos de metadados em lote, como por exemplo bibtex, csv, tsv, endnote e RIS
  3. JSPUI: O JSPUI é a interface que recebeu a maior quantidade de melhorias, como a adaptação ao Bootstrap, processo de submissão que permite uma consulta prévia a bases como a Crossref e PUBMED para importação de parte dos metadados, e interface do SHERPA para exibir a política da revista durante o processo de submissão
  4. Melhoria na ferramenta de EMBARGO
  5. Melhorias para a indexação correta no Google Scholar

O JSPUI já está completamente traduzido, numa tradução que iniciei e foi corrigida e completada pela equipe do IBICT.

Correções

Agora os módulos OAI e SWORD estão funcionando corretamente. Mas versões anteriores apresentavam problemas que foram agora corrigidos.

JSPUI vs. XMLUI

Até a versão 3, é notório que o XMLUI era a interface mais completa do DSpace. Na versão 4, o JSPUI incorporou todas as funcionalidades do XMLUI e ainda trouxe as funcionalidades novas já mencionadas. Neste momento, com todas as funcionalidades e pela facilidade em se trabalhar no desenvolvimento em JSP, eu recomendo a escolha do JSPUI. Mas é claro que esta escolha tem que ser feita levando em consideração a característica da equipe que irá trabalhar no repositório.

Dublin Core

Nesta versão, foi adicionado um novo esquema de metadados Dublin Core, o dcterms. Fiz um gráfico para mostrar as diferenças e semelhanças entre os dois esquemas:

Dublin Core Dspace 4

Para migração de versão, não é necessário usar o novo esquema, dá para optar em manter somente os metadados já definidos.

O processo de migração

Se você vai iniciar um novo projeto, já recomendo optar pelo DSPACE 4.
Mas como a maioria dos casos é de atualização, a recomendação é seguir a documentação.
É importante lembrar que alguns comandos mudaram e é necessário se adaptar. A única consideração importante é que o discovery considera a tabela coluna discoverable da tabela item na indexação. (perdi uma semana para descobrir isso, e impacta diretamente em quantos registros são indexados.)

Lista de discussão

Ainda tem dúvida, poste ela na lista de discussão DSPACE-Brasil que sua dúvida poderá também ser a dúvida de outros participantes da lista, fomentando uma discussão interessante.

Links úteis

Documentação da versão 4
Bootstrap
All About DSpace 4 – Improved Interfaces for Man & Machine

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Qual sua experiência inesquecível na biblioteca?

No dia do bibliotecário escrevi a experiência mais emocionante que tive como bibliotecário, quando auxiliei um senhor a encontrar a nomeação do filho no diário oficial. Ele ficou tão feliz que eu senti que o meu fazer diário é a coisa mais importante do mundo.

Lancei a pergunta no facebook: qual a sua experiência mais emocionante na biblioteconomia? Aquela que ainda hoje você lembra com um palpitar diferente no coração?

Bibliotecários e bibliotecárias participaram e responderam sobre suas boas lembranças na profissão.

Interessante notar como 100% das experiências tratam simplesmente de ajudar uma outra pessoa. Será que nascemos ou nos tornamos bibliotecários? Creio que pessoas profundamente egoístas ou possessivas tenham dificuldades na nossa profissão. Fico imaginando que já cheguei a emprestar livros particulares para usuários da biblioteca (com o coração na mão, claro, mas devolveram :D). Uma característica que considero comum em bibliotecários é o altruísmo puro e simples de ajudar sem esperar na em troca. Claro que somos pagos para isso, estamos na biblioteca para ajudar, porém nem todos são vocacionados para isso.

As experiências relatadas aqui, como numa técnica do incidente crítico diferente, mostram que todos precisam de ajuda em maior ou menor grau.

Nelson, empreendedor da biblio, mostrou como um bibliotecário é fundamental para a inovação

A uns 2 anos atrás uma pessoa procurou ajuda na biblioteca publica registrar uma invenção. Expliquei todos os passos, a quem procurar, e como proteger a sua idéia. Um ano e meio depois a pessoa voltou para agradecer e dizer que ja havia encontrado uma indústria para produzir a sua idéia. Esta oportunidade de acreditar nos sonhos das pessoas e velos realizados é incrível.

Aline Costa contou sobre uma atividade que, creio, todos os bibliotecários já passaram que é ajudar na alfabetização e no incentivo à leitura para crianças.

“Sem dúvida nenhuma foi quando eu levava a Biblioteca nas zonas rurais de uma cidade do interior mineiro. As crianças ficavam ansiosas esperando o dia que eu iria lá. Trabalho super gratificante!!!”

Lucélia Mara Serra também vai nesse sentido, mas voltado a educação de adultos.

“Em um curso de pesquisa científica ter em sua maioria agricultores que não sabiam nem pegar no mouse. Ensinei informática básica e pude tranquilamente mostrar o que é ciência depois. Quando lembro que pude mudar a vida deles, me emociono.”

Rai Lima contou um pouco sobre a rotina de bibliotecas jurídicas, e lembrou de trabalhar com pessoas que gostam de ler

“Gustavo Henn, todos os dias, sempre que consigo realizar a pesquisa solicitada pelo usuário. Ontem mesmo um amigo estava há tempos em busca de uma resolução do CNDU, que já tinha perdido as esperanças. Qdo avisei que tinha enviado para que já tinha enviado para o e-mail dele a grata surpresa aliada ao muito obrigada e a certeza de saber que se resolve é td de bom!!!! Mas… a lembrança da biblioteca da AABB sempre cheia em pleno domingo com leitores ávidos por mais literatura de boa qualidade é o que mais me emociona. Por eles a biblioteca funcionária 24h.”

Tiago Marçal Murakami me encheu de orgulho ao compartilhar esse pequeno roteiro de filme, mostrando como profissionais podem ser fundamentais exemplos para os jovens.

“Trabalhava no CEU Butantã e tinha um menino que ia todo dia na Biblioteca, o Marquinhos. Ele ia, algumas vezes com o seu irmão mais velho e ficava a tarde toda na biblioteca. Um dia ele apareceu de manhã, ele falou que não tinha aula. No dia seguinte, apareceu de manhã de novo. Questionei e ele falou que abandonou a escola por causa de uns meninos que queriam pegar ele. Todo dia que ele aparecia lá eu enchia ele para que ele voltasse a estudar, que era importante para ele. Ele ia para jogar no computador, as vezes jogava xadrez comigo e eu comecei a dar alguns livros para ele e ele curtiu. Dai eu fui trabalhar em outra biblioteca, em São Bernardo do Campo. Como São Bernardo é longe, ia todo dia muito cedo para lá. Um dia encontrei o Marquinhos no ônibus bem cedo. Me disse que tinha me ouvido e tinha voltado a estudar, e agora estava indo trabalhar. É um tipo de coisa muito boa de se ouvir.”

Moreno Barros mostra como o espaço biblioteca pode servir às pessoas muito além do que livros, e sim dignidade.

“sempre que chegava um gringo na BU eu era intimado a interagir. um deles queria simplesmente autorização para colar um cartaz no mural da bbteca. o cartaz era sobre cursos de inglês que ele tava tentando dar pra pagar as despesas (não era um gringo play, era um inglês fudido de meia idade que veio pro brasil em um outro trabalho que não deu certo e tava tentando a sorte antes de voltar duro). ele perguntou se podia usar as salas de estudo da bbteca para estudar e lecionar. eu falei que não tinha problema algum. meses depois ele apareceu para agradecer e se despedir. disse que tava indo voltar pra sua família, que não via a filha há muitos meses e que graças as aulas ele conseguiu juntar a grana da passagem e zerar o investimento perdido vindo pra cá. tem outra tb de um cara que apareceu na cartografia da BN querendo um mapa antigo do Rio para provar que ele não precisava pagar o laudêmio da Marinha, se não ele teria que vender a casa para poder pagar as dívidas. conseguimos um mapa e ele ganhou o processo.”

Lucio Dias Cara conta como a nossa profissão além de ganha-pão é muito gratificante por proporcionar o crescimento intelectual das pessoas e oportunidades de filhos ensinarem algo aos pais,

“tinha um estágio na Fundaj para pagar as farras de sexta no bar do Bigode e os lanches do Beloto todo mês (os bibliotecários pernambucanos entenderão) pois bem comecei a fazer pesquisas no estágio pra gente de outros países por e-mail, o cara mandava as páginas que ele queria saber do conteúdo nas obras raras para ver se estava de acordo com outros livros mais novos… O ponto chave disso tudo, quando eu comecei a ver que estava no caminho certo foi quando um menino de 12 anos chegou com seu pai na biblioteca, logo perguntei que livro ele queria pois o acervo era fechado, o menino insistiu para ir nas estantes e eu deixei, ele pegou um livro de história e sentou com seu pai, eles passaram horas lá e depois voltaram algumas vezes. Certo dia fiquei curioso pra saber o que tanto eles faziam e o menino simplesmente me disse que lia para o seu pai que era analfabeto. Nesses tempos aqui na UFPB tive o privilégio de conhecer 2 caras gente boa pacas. Um pai e o seu filho, galera carente que chegou na universidade com suor e lágrimas. O filho cursa direito e o pai vendo seu filho na universidade fez vestibular pra filosofia e os dois estudam juntos na biblioteca. É por essas e outras que nossa profissão é gratificante.”

Amanda Luna nos lembra que na hora H o conhecimento técnico faz toda diferença para uma aprovação

“Ajudar um aluno a concluir uma dissertação, ajudando a normalizar(apenas) e o mesmo voltar na biblioteca, te chamar só pra dizer ” você salvou a minha vida”, não teve preço! ahahahahahha”

Alba Monteiro Coelho Silveira entrega que todo bibliotecário tem um pouco de ator

“Quando trabalhei numa biblioteca infantil e as crianças bem pequenas faziam um grande barulho e eu comecei a contar uma estorinha dos três porquinhos e eles foram se calando e AREGALAVAM OS OLHOS A CADA PARTE DA HISTÓRIA!”

Adriana Quincoses me emocionou mostrando em poucas linhas como a memória registrada é fundamental para a vida de todos.

“Há dois anos orientei uma pessoa a pesquisar no google sobre o próprio nome . Ele não tinha intimidade com a internet então fiz a pesquisa e seus olhinhos brilharam pois na pesquisa apareceram vários títulos que ele escreveu e não lembrava mais. Me senti muito bem em proporcionar minutos de alegria para o professor Lepargneur 87 anos!”

Vanessa Ribeiro conta que a relação de confiança entre o bibliotecário e o leitor nasce de várias formas

“Ao longo da vida presenciamos muitas lembranças. Mas a sensação única de saber que vc incentivou a leitura. Isso não tem preço. Trabalho em uma escola e tem uma menina de 7 anos que não queria pegar livro pq era chato e doia seus olhos. Sentei ela no meu colo e conversamos muito. Liguei para a mãe e falei pra mãe dela o que houve. No outro dia ela me abraçou e disse que iria ler. Pq ela não queria me decepcionar. Até chorei. Tem prazer maior.”

Sheila Alves contagiou seus amigos com tanto amor pela profissão e trouxe novos membros para a biblioteconomia

“Meus olhos brilham ao lembrar do quanto disseminei meu amor a esta linda profissão a ponto de incentivar, agora colegas de profissão, a entrar nesta área..mesmo quando pareciam esmorecer eu lhes mostrava sempre o lado bom…hoje são excelentes profissionais outros ainda estão no preparo, mas já tem um olhar diferente de nossa amada profissão né Paloma Santos, Ingrid Zahlouth e Josiel Queiroz e tantos tantos outros que passaram a valorizar nossa profissão pelo simples fato de eu exerce com amor cada gesto!”

Gracy Martins faz o moinho girar ao ver um aluno seguir o seu próprio caminho

“Quando entrei pela primeira vez na sala de aula, alguns anos mais tarde do que deveria, com dois filhos e em meio aos conflitos pessoais da época, senti uma emoção indescritível. A sala não tinha quase ninguém ainda e ali vi meus sonhos e esperanças se renovando. A biblioteconomia mudou minha vida, abriu novos caminhos e decidi que queria ser professora para participar da mudança de vida de outras pessoas. A vida continuou e eu, muito mais rápido do que eu poderia imaginar, me tornei professora. E a primeira vez que um aluno entrou na minha sala contando que tinha passado no mestrado, me agradeceu e emocionado narrou sua história e o quanto sua vida tinha mudado a partir dali, senti uma emoção imensa e tive certeza que aquele era meu caminho. Eu estava, na lei da gratidão, devolvendo à vida o que ela me proporcionara. E depois muitos outros alunos compartilharam comigo as boas mudanças do curso/carreira em suas vidas. E essa é sempre uma gratificante e grande emoção.”

Irma De Oliveira Souza agradece à biblioteconomia por ter mudado a sua vida.

“Quando estava no mestrado e ouvi uma professora me dizer que retirava tudo o que já havia dito e pensado ao meu respeito, pois eu era especial e deveria seguir carreira docente, pois já havia me revelado mais que bibliotecária. Nesse dia meu coração bateu tão forte que achei que teria um treco. A Biblioteconomia mudou minha vida em muitos aspectos e hoje quando entro em sala de aula e defendo o fazer e ser bibliotecário o faço com o maior amor que alguém pode sentir e nesta relação existe: gratidão, reconhecimento e um desejo enorme de mudança!”

Por fim, Moreno mostra que os bibliotecários também contribuem para a preservação das espécies ao salvar uma Coruja (símbolo da biblioteconomia) que queria ler um pouco.

e teve aquele dia que uma coruja entrou na biblioteca, ficou acuada embaixo de uma estante. arrumamos uma missão de resgate para devôlve-la a seu habitat natural em paz

E sua experiência, leitor bibliotecário, quer compartilhar com a gente?

Biblioteconomia Pop

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