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Divulgando a profissão

Os bibliotecários estão em alta! A Universal acaba de divulgar um seriado novo chamado ‘The Librarians’ onde os personagens principais são bibliotecários que protegem antigos tesouros do mundo que estão guardados na Biblioteca Pública Metropolitana de Nova York.

Ainda falando sobre bibliotecários e bibliotecas, esses dias o BSF compartilhou no Facebook esse texto que amei, falando sobre ‘Como é trabalhar numa biblioteca’. Resolvi então aproveitar a deixa para trazer aqui para o blog um vídeo que fiz falando sobre a profissão, graduação e tudo mais. Várias pessoas já haviam me pedido para falar sobre o que eu fazia e como havia sido minha formação, até que achei que era hora e decidi gravar falando apenas disso.

É um vídeo despretensioso, apenas para divulgar um pouco e explicar parte de nosso universo. Nada sério, nada formal. A vida de bibliotecário não é fácil, já ouvi incontáveis vezes: ‘precisa de ensino superior para ser bibliotecário?’; ‘qualquer um faz o que você faz’; ‘você só fica aí sentada no Facebook e coloca os livros no lugar’. E mais infinitas coisas que com certeza não são novidade para nenhum de vocês. Grande parte do que ouço vem dos próprios alunos que eu auxilio no dia a dia, o que acaba sendo mais chato ainda. Mas levo na brincadeira e sempre explico que essa é uma profissão que precisa sim de formação superior e que o trabalho vai muito além do que é visto.

Acredito que para essa situação mudar precisamos cada vez mais falar sobre o que fazemos e mostrar o quão legal é esse universo. Ver seriados, filmes e textos divulgando profissão me deixa muito feliz! Ok, nos seriados e filmes tudo é fantasiado, mas só de ter um bibliotecário ali já acho bacana.

Esse vídeo que fiz circulou entre os alunos do colégio que trabalho e, para minha surpresa, vários vieram conversar e dizer que curtiram e entenderam melhor o que faço.

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E-books: a era dos folhetins voltou?

Há alguns meses, um dos escritores brasileiros que mais curto, o Ricardo Lísias, lançou seu novo livro, porém esse novo livro foi publicado à moda antiga: a cada semana ou quinzena, ele disponibilizava um trecho da obra, num total de cinco números, exatamente como eram publicados os folhetins de outrora em jornais e revistas.

Naquela época, se você não comprasse o jornal daquele dia teria que ir em uma biblioteca ou mesmo nas distribuidoras de jornais para adquirir a publicação inteira.

Agora o e-book fica sempre disponível na estante virtual, bastando você ir até o site da Amazon, Apple, Google Play, Kobo, Livraria Cultura ou da Saraiva, e comprar cada capítulo por R$1,99.

É muita vantagem, não é mesmo?

Mas como sou um chato, estou me perguntando se esse folhetim algum dia será reunido em papel (ou em formato eletrônico) e publicado como alguns clássicos da literatura que surgiram neste formato (veja aqui alguns).

Minha resposta é não, e por isso minha preocupação, pois fico pensando em como dar acesso a esse tipo de publicação nas bibliotecas públicas, escolares e mesmo nas universitárias onde há cursos de Letras.

Nesse momento em que o mercado editorial se modifica de forma mais veloz que essas instituições aqui no Brasil, corre-se o risco de os serviços públicos de informação não disponibilizarem à comunidade de leitores, obras que podem se tornar novos clássicos ou mesmo vir a fazer parte do cânone de determinados gêneros literários, ou não.

O livro do Lísias é comercializado pela editora e-galaxia, que se autodenomina “espaço cultural especializado em e-books”, que além do folhetim já tem uma série de contos denominada “Formas Breves”, com vários autores conhecidos publicados e também edita em parceria com a Editora Mombak a série  “Latitudes” que já tem 5 obras de autores de fora do circuito tradicional (RJ, SP, MG, RS). A maioria destas obras foram lançadas somente em formato digital, e mesmo as que já tem edição em papel, estas são tiragens limitadas e locais de difícil acesso.

Claro que, amanhã ou depois de amanhã, as bibliotecas finalmente comecem a disponibilizar e-books e esse problema seja resolvido, mas é uma questão que desde já deveríamos nos aprofundar (dois colegas certamente já pensaram coisa semelhante: o Moreno Barros que acabou de postar sobre o tema e-book e a Liliana Giusti Serra que lançou recentemente a obra Livro digital e bibliotecas).

Para finalizar, se eu estivesse à frente do desenvolvimento de coleções de uma biblioteca pública ou comunitária interessada em promover novas experiências literárias aos meus leitores, eu ficaria muito chateado em não poder disponibilizar vários dos títulos publicados pela e-galaxia, e na verdade, estou muito chateado, pois adquiri os livros abaixo e não sei quando poderei dizer para algum colega: olha, vá até o site da biblioteca que você poderá ler ele, pois é sensacional.

Mas ao menos eles são bem baratos e para quem tem um pouco de grana e um smartphone, tablet ou e-reader pode adquiri-los.

 

Delegado Tobias – Ricardo Lísias – e-galáxia
Uma história detetivesca envolvendo ficção e realidade. Um dos textos mais divertidos do autor.20.DelegadoTobias1Serie

 

Palavras que devoram lágrimas – Roberto Menezes- Latitude
O autor é um jovem paraibano e a obra retrata os pensamentos de uma mulher que se separou de um homem que é político. A coisa não terminou bem, pois o sujeito é retratado como um traste…..


 

Paixão Insone – Ronaldo Monte – Latitude
O autor é alagoano e a obra  conta a história de Helena, que em meio a solidão busca ternura em meio a ambiente conturbado e violento de uma grande cidade,

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Ebooks em bibliotecas – pergunte ao Moreno

Fui convidado pela organização da Semana de Biblioteconomia da USP a confeccionar um vídeo que seria projetado durante o evento. Eles compilaram algumas perguntas sobre o futuro dos livros, ebooks, e eu respondi:

Fim dos livros?

Uso de ebooks em bibliotecas

Gestão de coleções de ebooks; ebooks em bibliotecas escolares; ebooks em bibliotecas públicas; pirataria de ebooks

lei de universalização das bibliotecas; redes sociais em bibliotecas

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Sobre fantasmas, livros e tigres

Toda biblioteca tem ou teve uma sala 7? A pergunta há anos me intriga, desde que a sala 7 da biblioteca onde trabalho deixou de existir, mas continuou existindo. Era a sala do “processamento técnico” na época em que comecei a trabalhar, o lugar para onde os usuários eram enviados à procura de livros supostamente não catalogados. “Deve estar na sala 7, vai na sala 7″. Reformamos nossas instalações duas vezes, botamos abaixo a sala 7, mas os funcionários antigos continuaram mandando usuários pra lá por muitos anos. Ainda hoje, quase 20 anos depois da extinção da sala com essa numeração, ainda me aparecem usuários perguntando pela sala 7, só que de outras bibliotecas. Curioso.

Bibliotecas guardam pequenos segredos. Como os bilhetinhos oferecendo ou solicitando préstimos sexuais que às vezes são encontrados entre as páginas de um livro. Os autores das mensagens contam que a sorte as leve até um parceiro potencial, como se os livros fossem garrafas jogadas no mar? Ou existiria um método para determinar que tipo de livro tem mais chances de chegar às mãos da mulher tatuada certa ou do homem peludo com as dimensões adequadas? E se um desses bilhete for encontrado daqui a 25 anos pelo filho de quem o colocou lá? As indagações são tantas que dizem haver grupos de pesquisa estudando estratégias de busca para encontrar os livros bilhetados.

Especula-se nos círculos acadêmicos sobre a não comprovada existência do livro sem fim, também conhecido como livro travado. Trata-se uma uma obra que ninguém jamais conseguiu terminar de ler, porque todos param na página 54, segundo algumas fontes, 62 em versões mais modernas, e não conseguem ir adiante. Como ninguém chegou até o fim, ninguém sabe como termina. Dizem que os espertinhos que tentaram começar a leitura pelo final não viveram para contar o que leram.

Os livros que mudam de cor são um tormento na vida dos usuários. Ontem o livro de capa verde estava lá no cantinho dele. Hoje não está mais. Sumiu? Foi emprestado? Não, mudou de cor. Menos travessos, mas igualmente surpreendentes, são os livros que suspiram quando são manuseados, principalmente quando acariciamos suas capas. O fenômeno já foi observado por muitos bibliotecários e encadernadores, mas continua assustando mortalmente leitores desavisados.

Um estudante de música comprou um disco raro num sebo e resolveu, inspirado por velhos filmes de terror, tocá-lo ao contrário. E ouviu, nitidamente, uma voz anunciando: ” o grande Deus Pã morreu“. O disco teria sido doado a uma biblioteca pelo colega de apartamento do rapaz, depois que ele sumiu. Alguns estudantes tentaram localizar o disco, mas era uma gravação obscura e ninguém sabia como procurar. A bibliotecária disse que se quisessem ouvir ao contrário todos os 6784 discos do acervo, seria um prazer ajudá-los, mas que havia uma boa chance do tal disco ter sido descartado. A história se espalhou e despertou curiosidade entre os amantes do bizarro. Encontrar o disco virou uma espécie de jogo, baseado em procurar nomes de músicos que soam bem quando lidos ao contrário, fazer anagramas de títulos de óperas ou encontrar palíndromos. Os adeptos da brincadeira tendem a se tornar obsessivos, o que levou alguns de seus colegas a imaginar que estão a caminho de criar uma seita. Mas há quem se recorde do boato sobre a morte de Paul McCartney nos anos sessenta e defenda que os malucos que afirmaram ter ouvido “Paul is dead” num disco da banda na verdade ouviram “Pan is dead“. Mas que a frase só pode ser ouvida por flautistas que tenham ouvido absoluto.

Professores sisudos criticam essas bobagens, para eles fundadas em velhas superstições pagãs, e conclamam os alunos que não têm o que fazer a se dedicarem a atividades mais produtivas, como resgatar do depósito de livros não catalogados de uma das bibliotecas da universidade um esquecido volume da Enciclopédia Britânica que teria um verbete sobre uma cidade que nunca existiu. Outros docentes avisam, preocupados, que é melhor deixar isso pra lá.

E que dizer dos registros fantasmas, que não remetem a nada no acervo? Criados por bibliotecários entediados, cansados de catalogar sempre as mesmas coisas, segundos os céticos. Materializações dos desejos dos leitores, ou de acadêmicos que morreram antes de concluir a tese, de acordo com espíritos mais poéticos. O contrário também pode acontecer, para aflição dos picaretas acadêmicos que praticam ficção curricular. Já foram encontrados nas bibliotecas digitais trabalhos falsos dando existência real a itens inventados do currículo Lattes. A característica mais temível desses textos são os grosseiros erros conceituais  e as ilustrações ferozmente pornográficas que envergonham até o mais tosco dos picaretas. Ninguém sabe quem é o criador dessas abominações. Os bibliotecários acolhem as reclamações dos autores ofendidos com solidárias exclamações: ” que horror, não? Não há mais respeito na nossa sociedade, o mundo está perdido mesmo“.

Outros mistérios são tão soturnos que nem chegam a se espalhar entre os usuários, como o do vírus maldito, uma página que surge em resposta a uma busca qualquer no banco de dados e mostra a face da morte.

A moça dos óculos quebrados pode ser vista entre as estantes poucos minutos antes do fechamento da biblioteca, trocando angustiadamente os livros de lugar. Suas roupas têm manchas de sangue fresco e as lentes dos óculos estão partidas. Quando alguém a vê e vai alertar os funcionários sobre a estranha perdida entre as estantes, não a encontram mais. E ninguém a vê sair, assim como não a viram entrar.

Em muitas bibliotecas já aconteceu o seguinte fato, com pequenas variantes: um funcionário volta para pegar um objeto esquecido depois que a biblioteca fechou e escuta, arrepiado, os sons familiares do carrinho sendo empurrado e dos livros sendo guardados nas estantes. Os funcionários mais corajosos acendem as luzes para ver se  sobrou alguém andando por lá, mas nunca há ninguém, nem mesmo a moça dos óculos quebrados. Como em toda biblioteca sempre há uma senhora que guardava livros e faleceu há algum tempo, normalmente a culpa recai sobre o fantasma dessa dedicada funcionária. Lenda criada para desestimular os alunos que fazem a gente reabrir a biblioteca porque esqueceram suas bolsas? Talvez.

Tradicionalmente, bibliotecários adoram acolher e criar gatos nas bibliotecas. Eu mesma jå fiz isso, gatos e bibliotecários têm um elo tão forte quanto os cães e os caçadores. Mas pouca gente sabe que, em sua mesa numa sala 7 qualquer, a estagiária tímida e decepcionada em seu primeiro trabalho sonha com um tigre.

Algumas dessas histórias foram completamente inventadas por mim. Outras de fato aconteceram e boa parte delas são referências literárias. A vocês a tarefa de descobrir.

foto: José Estorniolo Filho. Palais Idéal.

 

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Como obter acesso a artigos científicos sem pagar nada

Um dos posts mais visitados no BSF é Como obter acesso a artigos científicos, onde eu mostrei como é possível garantir acesso aos artigos de forma legal, mesmo sem ter acesso ao Portal Capes, que é o grande fornecedor brasileiro desses materiais.

Agora eu vou mostrar como conseguir os artigos científicos de modo ILEGAL. Preparei esse vídeo com as duas modalidades mais simples, vocês podem assistir:

Além do Sci-Hub e do #icanhazpdf existe uma série de outros sistemas que funcionam como vpns ou proxy para burlar o acesso que é garantido somente via ip, modalidade de restrição de acesso comum nas universidades.

Entre os bibliotecários existem comunidades fechadas de intercâmbio de artigos, exatamente como é feito nas modalidades anteriores de compartilhamento entre bibliotecas, mas desta vez funcionando de maneira muito mais rápida e conveniente. Um bibliotecário parceiro pode solicitar um artigo ou parte de livro, e os membros da comunidades oferecem o material por email, caso tenham acesso a ele. Esses grupos envolvem bibliotecários e pesquisadores do mundo inteiro, mas por questões éticas e de segurança, preocupação especial entre os bibliotecários americanos, essas comunidades não são divulgadas e difíceis de achar.

Um questionamento comum é como que práticas de burla dos sistemas tradicionais de compartilhamento entre bibliotecas (no Brasil em particular o COMUT) podem prejudicar o desenvolvimento futuro das coleções de periódicos nas bibliotecas, uma vez que elas dependem do volume e estatísticas de uso para avaliar e garantir que o acesso às coleções seja mantido. Se todos passarem a contornar o COMUT porque ele é lento e caro (e de fato é) ou o Portal Capes porque não contempla os artigos requisitados (obviamente o portal não garante acesso a todos os artigos do universo) o temor é que essa tática acabe por prejudicar os próprios usuários, já que as bibliotecas não terão como avaliar o desempenho de uso das assinaturas que estabelecem com as editoras científicas, e uma das partes ou ambas decidirá terminar o acordo de acesso aos materiais.

Se estes serviços passam a ser entendidos como irrelevantes face à possibilidade de intercâmbio em tempo real via Twitter por exemplo, os recursos e investimentos destinados às bibliotecas para tal se tornam difíceis de justificar. Claro que as bibliotecas precisam reconhecer suas incapacidade de oferecer serviços adequados à tecnologia disponível no mundo de hoje e não querer ficar sempre justificando seu status de gatekeeper oferecendo serviços de merda (empréstimo entre bibliotecas que demora dias, que custa caro, exige visita in loco à biblioteca e que o usuário recebe no final uma cópia xerocada do artigo impresso). O grande problema na conjuntura atual da publicação científica circunscrita aos interesses de editoras acadêmicas com fins lucrativos é que alguma biblioteca ou grande consórcio de bibliotecas sempre precisará servir de base para que todos os membros da comunidade online possam conseguir almoçar de graça. Isto é, mesmo que em princípio estejamos preocupados em atender os usuários da maneira menos penosa possível, eles poderão ser penalizados no final. Mas de alguma forma ou outra, quem está pagando por isso somos nós mesmos, os financiadores das pesquisas realizadas em instituições públicas.

No meu caso particular como bibliotecário, eu tento alinhar a desobediência civil com a prestação de serviços adequada à demanda real dos usuários, o que qualquer código de ética profissional razoável em última instância absolveria. Claro que esses sistemas de burla de acesso aos artigos infringem contratos estabelecidos entre bibliotecas e editoras e direitos dos autores, mas não creio que possam ser entendidos como uma espécie de pirataria. Na minha longa experiência trabalhando no auxílio à outras áreas, no implemento da pesquisa científica, não encontrei ninguém que estivesse mutuamente interessado em obter acesso à temas de pesquisa e vender réplicas de artigos de 15 laudas em banquinhas na esquina.

Posso conversar ad nauseamente sobre pirataria de artigos científicos, boicote à editores científicos com fins lucrativos e transgressão das modalidades tradicionais de empréstimo entre bibliotecas e comutação bibliográfica, ou podemos apenas nos manter firmes dentro da perspectiva de desobedecer certas barreiras de acesso à produção científica simplesmente porque tecnicamente isso é possível.

Se a solução for combater fogo com fogo, então as bibliotecas precisam correr atrás do prejuízo técnico, resultado de anos destinados ao desenvolvimento de coleções, mas pouquíssimo investimento aplicado aos melhores mecanismos sobre como essas coleções são usufruidas pelo público.

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Criando (e melhorando) o hábito de ler

Há alguns dias fui convidada por Moreno Barros para ser colaboradora aqui no blog. A proposta era trazer para cá um pouco do trabalho que já realizo fora: vídeos com resenhas de livros e assuntos literários. O objetivo é trazer para o universo bibliotecário algumas dicas de livros que podem inclusive ajudar na avaliação de aquisições.

Aproveitei o dia de hoje para começar por aqui. Hoje é Dia nacional do Livro, e achei que nada mais justo do que começar com um vídeo que fiz há algum tempo com algumas dicas de leitura e como começar a criar esse hábito.

Pelo que vejo no meu dia a dia a leitura é algo crescente no mundo atual, não só pelas novas ferramentas que nos ajudam a ler como e onde quisermos, mas também pela ampla divulgação que canais e blogs têm feito. Ler está na moda, ainda bem!

Então é isso, estou bem feliz por estar aqui também. Em breve volto com outros vídeos e alguns textos.

Eleições 2014 e o desenvolvimento de competências em informação

midia[1]Nunca se falou tanto em informação como nas eleições de 2014. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Tudo! Principalmente pelas fontes de informação usadas pelas pessoas para a escolha do seu candidato. Mas isso por si só já daria um bom estudo sociológico e político.  Entretanto, o mais triste é ver que as pessoas não sabem de onde vem a informação e vão atrás “apenas” do que a mídia divulga. E sabemos que muitas vezes os meios de comunicação mascaram a informação  de acordo com seus interesses e rios de informações falsas são transmitidos e replicados pela televisão, mídias sociais e bate-papos (ou seriam bate-bocas) nos barzinhos, cafés e esquinas das terras tupiniquins. Não basta mais só desenvolver a competência em debater, discutir, dirigir… É preciso também ser competente em informação.

O termo Competência em informação (information literacy) é algo que surgiu na década de 70 nos Estados Unidos e vem ganhando novos significados, finalidades e está ampliando sua abrangência frente às diferentes habilidades e necessidades no uso de informação, conhecimentos em fontes, recursos, suportes de informação para aplicação na compreensão e disseminação da informação visando à construção e compartilhamento do conhecimento.

A ALA (2000), Caregnato (2000), Dudziak (2003), Campello (2003), IFLA (2008), UNESCO (2008), Vitorino e Piantola (2009), Belluzzo (2010), Gasque (2013) são algumas referências nacionais e internacionais que apresentam reflexões, discussões e diretrizes sobre competência em informação.

Mas o que isso tem a ver com as eleições e atual movimento político do nosso país? É premente observar que a IFLA responsabiliza os bibliotecários ao propor que devemos planejar e implementar ações que desenvolvam a competência nas pessoas. “O desenvolvimento da competência em informação deve ter um lugar durante toda a vida dos cidadãos e, especialmente, em seu período de educação, momento em que os bibliotecários, como parte da comunidade de aprendizagem e como especialistas na gestão da informação, devem ou deveriam assumir o papel principal no ensino das habilidades em informação” (IFLA, 2008, p. 4).

Porém, eu vou além, defendo que pensar e planejar ações que visam desenvolver a competência (CONHECIMENTO + HABILIDADE + ATITUDE) em informação deve ser de responsabilidade dos bibliotecários em conjunto com seus pares, entidades de classe, educadores e outros profissionais afins. Desta forma, a população estaria preparada para saber buscar/usar/avaliar/selecionar uma informação em tantas fontes e recursos disponíveis para poder interpretar, sintetizar, resumir, construir novos conhecimentos e mudar o contexto em que vivem e as mudanças que desejam para sua vida, sua família, seu bairro e seu país.

Neste bojo, se apresenta a necessidade da aprendizagem contínua que Dudziak (2003), Gasque (2013) e outros pesquisadores defendem baseados nos quatro pilares da Educação para o século XXI “aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer, aprender a ser” publicadas no relatório “Educação: Um tesouro a descobrir” organizado por Jacques Delors (1996) a pedido da UNESCO.

Mas por que as pessoas precisam saber buscar/usar/ avaliar/selecionar uma informação?  Para ter o PODER. Simples assim. O poder de conhecer para fazer escolhas. O poder de avaliar para discernir o que é verdade e o que é falso. O poder de saber para ter argumentos. Desde antes do tempo do “guaraná de rolha” se ouve por aí que “informação é poder”. Vários autores da Ciência da Informação tratam disso no livro “Informação, conhecimento e poder: mudança tecnológica e inovação social” organizado por Maria Lucia Maciel e Sarita Albagli (2011) demarcados pela “Sociedade da Informação e do Conhecimento”.

Escritores, médicos, pensadores, filósofos, sociólogos, administradores, professores, jornalistas também retratam a importância do PODER e da INFORMAÇÃO. Gilberto Diemstein uma vez falou em uma palestra “Só existe opção quando se tem informação… Ninguém pode dizer que é livre para tomar o sorvete que quiser se conhecer apenas o sabor limão”. Na mesma linha John Naisbitt  defende que “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”. Conan Doyle dizia “É um erro terrível teorizar antes de termos informação”. E pra finalizar Peter Drucker afirma que “O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores desses recursos são as pessoas”.

É nesta conjectura estratégica que enquanto cidadãos precisamos estar atentos. É necessário conhecer e buscar a informação em FONTES FIDEDIGNAS E CONFIÁVEIS baseadas nos FATOS e na HISTÓRIA para votar e eleger nossos representantes políticos. Afinal de contas, somos responsáveis não somente por quem votamos, mas em acompanhar e cobrar as ações propostas depois da eleição também. Daí a importância do PODER e de buscar informações confiáveis antes, durante e depois das eleições.

Por isso, nós bibliotecários temos uma responsabilidade grande em desenvolver ações em nossas escolas, universidades, comunidades, instituições, etc. para que as pessoas desenvolvam as competências em informação necessárias para refletir, decidir, escolher seus representantes nestas eleições, mas baseados em fontes de informação e fatos verídicos que permeiam a história política do país e devem sedimentar nossas escolhas. Afinal de contas, o PODER está em nossas mãos (ou dedos nas urnas).

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Biblioteconomia Pop

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