Lista com todas as revistas científicas de biblioteconomia e ciência da informação – atualização 2016

Atualizando a lista do Murilo, da Dora e tentando acompanhar a profusão de periódicos vinculados aos programas de pós-graduação em ciência da informação e correlatas. Serve pra quem quer seguir as publicações na área e pra quem deseja submeter artigos. Ao lado do nome está a classificação conforme webqualis/sucupira.

Analisando em Ciência da Informação (RACin) B5
AtoZ B5
Biblionline B1
Biblioteca Escolas em Revista
Bibliotecas Universitárias
Biblos B3
Brazilian Journal of Information Science B1
Cadernos BAD B2
Ciência da Informação B1
Ciência da Informação em revista
Conhecimento em ação
CRB-8 Digital B5
Datagramazero B1
Em Questão B1
Encontros Bibli B1
Folha de rosto
InCID B1
Informação@Profissões
Informação & Informação B1
Informação & Sociedade A1
Informação & Tecnologia
Liinc em Revista B1
Múltiplos Olhares
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia B1
PontodeAcesso B1
Revista ACB B2
RBBD Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação B1
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação B1
Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação B1
Perspectivas em Ciência da Informação A1
Perspectivas em Gestão & Conhecimento
Rebecin
Transinformação A1

Bibliotecária escritora

Há algum tempo decidi que além da minha contribuição aqui no BSF e do meu canal próprio no Youtube eu iria também divulgar as bibliotecas, livros, leitura e vida acadêmica de outra forma: escrevendo ficção.

Entre meus trabalhos, dois contos estão disponíveis. Um sobre uma biblioteca lendária e fantástica, e outro sobre um jovem acadêmico que passa por um episódio misterioso durante uma viagem.

“O véu”, o conto sobre esse jovem acadêmico, está essa semana de graça na Amazon. Se alguém ficou curioso sobre uma bibliotecária escritora, é a oportunidade!

Presente certeiro

As festas de fim de ano estão aí. É amigo secreto do trabalho, da família, do grupo de amigos e aquele monte de presentes que a gente nunca faz ideia do que comprar. Para ajudar na escolha e facilitar a vida, fiz uma lista de livros bacanas e diferentes e também algumas outras dicas para sair dos sabonetes e caixas de chocolate!

 

Como eu faço para organizar um acervo de DVDs?

Trabalhando há mais de 30 anos numa biblioteca com acervo de documentos audiovisuais, já respondi alegremente a essa pergunta incontáveis vezes, só que antigamente me perguntavam sobre acervos de vídeos. Antes de começar a longa e maçante resposta ou de convidar o colega para me fazer uma visitinha, costumo perguntar:

DVDs do quê? Filmes?

Sim, porque faz toda a diferença. DVD é apenas o suporte no qual podem ser gravados filmes, fotos, textos, partituras, música, o diabo. E o suporte é o menor dos problemas de quem precisa organizar filmes, fotos ou diabos.

Mas o DVD não está acabando? Sim, mas isso é outra história. Além do mais, em bibliotecas as coisas costumam demorar mais tanto para chegar quanto para acabar.

Enfim, para organizar um acervo de filmes em DVD, vídeo ou mesmo película, primeiro é precisa saber por quem e para que esse acervo vai ser usado. Uma coleção de filmes de ficção montada para entreter público geral numa biblioteca pública provavelmente não será tratada da mesma forma que vídeos de cirurgias num escola de medicina. O mesmo vale para qualquer outro tipo de acervo, mas penso, sem ter como provar, que vale intensamente mais para acervos audiovisuais.

Em segundo lugar, é necessário ter gravado na mente em letras de fogo que um filme não é um livro, portanto não deve ser tratado como se o fosse.

Que dados eu devo colocar na catalogação?

Uma das dúvidas mais frequentes é sobre catalogação, essa eterna praga. Um jeito simples de começar é pensar no que nós mesmos queremos saber quando escolhemos um filme para assistir. Esquecer um pouquinho os manuais de catalogação e examinar boas bases de dados como a Internet Movie Database (IMDB), catálogos de mostras de cinema, dicionários e sites oficiais de filmes e outras fontes de informação especializadas.

Pensem em trabalhar, no mínimo, com as seguintes informações:

Título original
Título no Brasil
País de produção
Empresa ou instituição produtora
Ano de produção
Equipe realizadora
Idioma dos diálogos (explicitando se originais ou dublados) e das legendas
Descrição física: duração, suporte, cromia etc.
Resumo
Assunto
Gênero

A partir daí, melhorem ou simplifiquem a coisa, equilibrando o que o usuário precisa (ideal) e que vocês conseguem efetivamente dar conta de fazer (dura realidade), não esquecendo dessas dicas básicas aí na sequência.

Informação importante pro usuário tem que ser dada, mesmo que não apareça naquela edição de DVD que vocês estão catalogando. Pesquisem. Esqueçam a velha besteira de “catalogar o item em mãos” e lembrem que existe uma obra cinematográfica registrada nesse suporte. Essa dica vale muito especialmente para títulos de filmes, data e país de produção.

A equipe realizadora de um longa comercial pode ser uma verdadeira multidão com funções nem sempre inteligíveis. É preciso selecionar com cuidado quem vai ser mencionado na catalogação. Analisar os nomes em destaque na capa do DVD ou registrar os primeiros que aparecem nos créditos nem sempre funciona, porque a capa foi feita para vender, não para informar, e os créditos nem sempre seguem a ordem de importância do sujeito na produção. Nada de transcrever literalmente parte dos créditos em seu idioma original e sem saber o que significa “casting”, “production design” ou “second unit diretor” e qual é o grau de responsabilidade desses indivíduos no resultado final da coisa. Fazer isso não é informar seu usuário, é se livrar de um problema de catalogação seguindo uma regra furada. Não tem jeito, precisa entender um pouco a linguagem do documento tratado.

Minha sugestão, que geralmente funciona para filmes de cinema, mas não necessariamente para óperas, videoarte ou telenovelas: Direção, Produção; Produção executiva; Direção de produção; Roteiro; Argumento; Fotografia ou Cinematografia; Montagem ou Edição; Som; Desenho de produção; Figurinos; Cenografia; Animação; Música; Câmera; Efeitos especiais.

Quem precisar ser mais detalhista, porque atende usuários exigentes, pode registrar a tropa toda. Caso contrário, o que está em negrito deve bastar.

Quem usa formato MARC pode botar o diretor e mais um ou dois nomes da área de responsabilidade, para não poluir visualmente o registro. Os demais podem ser registrados no campo 700 (se for visível para o usuário e permitir a indicação da função do indivíduo) ou no campo 508 (Notas de créditos). Solução ruinzinha, mas o que dá para esperar do Querido MARC? Bom mesmo seria ter um campo indexado para a equipe realizadora ou poder definir um campo para cada função importante. Exagero? Bem, vejam  o que faz a IMDB, por exemplo. À propósito, quem quiser ter uma boa experiência de catalogação de filmes, experimente inserir um registro lá.

Resumo bom é aquele feito por alguém que assistiu ao filme todo, ou seja, se puder faça você mesmo. Se não for possível, tente ao menos checar minimamente o conteúdo do filme para ver se resumo copiado não contém bobagens ou erros. O resumo de um filme atualmente em cartaz na cidade de São Paulo, publicado na programação de um órgão de imprensa, diz o seguinte:

Enquanto Kate e Geoff organizam a festa de aniversário que deve celebrar os 45 anos do casamento deles, uma carta anuncia que o corpo do primeiro grande amor de Kate foi encontrado congelado nos Alpes suíços.

Só que o corpo encontrado é o do grande amor do marido, não da Kate e o erro besta poderia ser evitado simplesmente assistindo a um trailer de dois minutos.

Filmes, em geral, são sobre alguma coisa, portanto são passíveis de indexação por assunto. Não se pode ter medo de atribuir descritores de assuntos a obras de arte intimidadoras como Terra em transe, por exemplo, por mais que pareça difícil. E não vale usar o velho truque bibliotecário de sair pela tangente indexando obras de ficção pela forma, mais termos geográficos e cronológicos. Maldição eterna aos que ousarem indexar o citado Terra em transe como “Cinema – Brasil – Século 20”. Que o seu exemplar do AACR2 entre em combustão espontânea feito um filme de nitrato!

O gênero é uma das formas de busca mais populares para filmes de ficção, mas os intrépidos indexadores de filmes precisam estar muito conscientes do abacaxi que têm em mãos, pelos seguintes motivos: as listas de gêneros que rodam por aí são bem ruins e contêm termos vagos e difíceis de definir; nem todo filme tem gênero, enquanto outros se encaixam facilmente em mais de um; as distribuidoras de filmes em DVD ou sites de filmes atribuem gêneros por critérios comerciais que nem sempre podem ser levados a sério; embora a ideia de gênero muitas vezes se misture um pouco com a de assunto nas listas de gêneros (Guerra, Crime etc), não podemos esquecer que, para efeitos de indexação, são coisas diferentes.

E como classificar o acervo?

Se você quiser que seu usuário tenha acesso direto ao acervo, ou pelo menos aos estojos, classifique da forma que for mais prática e viável, não esquecendo que nenhum esquema de classificação existente há 200 anos vai funcionar muito bem, e aquele que você inventar também não.

Vejam o exemplo simpático de organização da biblioteca Méjanes, em Aix-en-Provence:

DSCN8564 (800x600)

DSCN8562 - Copia (800x625)

DSCN8561 - Copia (800x600)

Se a coleção, por razões de conservação ou falta de espaço for de acesso fechado, um sistema qualquer de numeração sequencial será a melhor opção.

Acervo de DVDs da Biblioteca da ECA
Acervo de DVDs da Biblioteca da ECA

Empresto os originais, faço uma cópia para circulação ou não empresto?

Depende. O custo – e o o consumo de espaço – de duplicar sistematicamente um acervo só se justifica se forem materiais raros ou muito difíceis de substituir, ou exemplares únicos produzidos na própria instituição. É precisa estabelecer uma política para isso, incluindo quando comprar mais de um exemplar, quais itens copiar, quais manter restritos ao uso local etc. A legislação brasileira de direitos autorais não permite a realização de cópias, portanto, um pouco de cuidado com isso.

Emprestar DVDs é um ótimo serviço para se oferecer aos usuários e, em nome disso, neuroses em relação à conservação do material precisam ser deixadas de lado. DVDs riscam facilmente, e quem administra o acervo precisa saber conviver com inevitáveis perdas por desgaste natural e consequentes despesas com reposição. Campanhas educativas de usuários e um bom monitoramento da circulação do material, incluindo examinar os disquinhos na entrada e na saída, ajudam bastante. Recomendo o uso de estojos com luvas para evitar a quebra do miolo central dos DVDs provocada pelo sistema assassino de encaixe dos estojos comuns, mas não sei se ainda é possível encontrar fornecedores para esse tipo de material.

No meu blog sobre documentação audiovisual e no Manual de catalogação de filmes da Biblioteca da ECA há mais informações sobre “o que fazer” com um acervo de filmes. Também tenho apresentações sobre o tema:

Catalogação de filmes

Indexação e resumo

No mais, estou disponível para trocar ideias, me escrevam ou me liguem na Biblioteca da ECA/USP.

 

imagem destacada: acervo de DVDs da Openbare Bibliotheek Amsterdam.

O menino que tinha medo de tarefa

Publiquei esta semana o meu segundo livro infantil: O menino que tinha medo de tarefa (ilustrações de Paulo Ricardo). 

O livro nasceu numa situação real de conflito. Como ajudar seu filho de 4 anos a fazer uma tarefa escolar? Meu filho estava chorando sem querer fazer aquilo e eu o entendi rapidamente. Afinal, quem gosta de ter que parar de brincar para fazer uma tarefa, mesmo que seja apenas para colorir ou traçar pontos?

Perguntei se ele estava com medo da tarefa e contei como ele não tinha medo de vampiro nem de lobisomem, então poderia vencer uma tarefa também.  Contei a história várias vezes, claro, e melhorei ao ponto de publicar em livro.

Publiquei apenas na Amazon pois queria uma oportunidade para conhecer melhor o mercado de ebooks. A Amazon oferece 70% do preço de capa para livros exclusivos, e 30% para os que não são. Optei pela exclusividade para não ter tanto trabalho em colocar em outras plataformas e acabar perdendo o controle. E também acho o kindle bem fácil de usar e instalar. Ainda está muito no início para tirar alguma conclusão, mas espero escrever mais sobre publicar na Amazon depois.

O livro é para ser contado por mães, pais e professoras para as crianças a qualquer momento, não apenas na hora da temível tarefa. É uma história que pode ser contada de várias formas e quem gosta de fazer caras, bocas e vozes tem um prato cheio. Mas também pode ser lida pela criança. Meus filhos, que hoje estão com 9 e 7, leram e gostaram da leitura. As ilustrações ajudam muito a compreender a história, por isso creio que crianças em fase de alfabetização também vão curtir passar as páginas do tablet/smartphone.

Gostei muito do resultado final. Espero que o livro possa cumprir sua função artística literária de ajudar a humanidade a melhorar. Se ajudar os adultos a lerem para suas crianças já terá cumprido esse papel.

Sinopse

  

O menino que tinha medo de tarefa é uma fábula sobre coragem, superação e perspicácia. O menino não temia nenhum monstro, porém morria de medo de uma simples tarefa. Quando os monstros descobrem isso, começa uma verdadeira batalha no quarto do menino. Ele então terá a oportunidade de mostrar sua força diante do seu maior medo.

É uma leitura para se divertir em família. Indicada para todas as idades, especialmente os primeiros anos escolares em que as tarefas se apresentam como uma obrigação na vida das crianças que, por serem crianças, querem apenas descobrir o mundo com sua curiosidade.

Okubo para o Movers and Shakers, votem!

O Movers & Shakers do Library Journal é uma premiação dessas “funcionário do mês”, ou melhor ainda, de bibliotecários escolhidos por seus colegas como os que mais “sacudiram e inovaram” o cenário das bibliotecas e da profissão no último ano. Eu sempre acompanhei a eleição e acho uma boa apresentação americana do que considero tarefa das mais difíceis na nossa área: identificar talentos e mapear as boas práticas.

De uns anos pra cá eles passaram a aceitar indicações internacionais, e a Soraia Magalhães foi a primeira representante do Brasil a receber a premiação. Para o ano de 2015 a Soraia e eu achamos que seria legal reforçar o reconhecimento de um colega, que há muito vêm contribuindo para a área: William Okubo.

Acho difícil algum colega de profissão não conhecê-lo, mas se por alguma razão este for o caso, William já foi bibliotecário de referência nos ônibus-bibliotecas de SP, participou da criação da Associação de Profissionais da Informação (ABRINFO) e largou recentemente a Biblioteca Mario de Andrade, onde trabalhou por muitos anos, para acompanhar projetos culturais voltados a jovens carentes. Agora ele faz o acompanhamento desses projetos financiados pelas leis de fomento à cultura da cidade de São Paulo, em especial do Programa VAI. O trabalho também inclui sua colaboração nas discussões para implantação de novos projetos e editais de fomento na mesma área, além dar continuidade na organização da informação e conhecimento produzidos nos 10 anos de Programa. Toda essa experiência foi compartilhado em sua apresentação no BiblioCamp, uma das melhores do dia. Ele também foi homenageado recentemente pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo na sessão solene em comemoração do Jubileu de Ouro dos 50 anos da Regulamentação da Profissão de Bibliotecário.

Além de tudo isso, da atuação profissional exemplar e ser uma da figuras mais atuantes do cenário nacional, William conecta pessoas, e pra mim essa é a principal contribuição dele para uma área que, embora pequena, possui mais desconexões do que união.

Neste ano de 2015 talvez o Cristian Santos tenha sido o bibliotecário que mais sacudiu e inovou, mas meus votos vão para William Okubo pelo conjunto da obra.

Para fazer a indicação é necessário preencher este formulário. As perguntas estão em inglês mas são simples. Existem dois campos principais, nominee (a pessoa nomeada, William) e nominator (quem está nomeando, você). Basta preencher os campos indicados, com nome, endereço, etc. Eu deixo abaixo uma cola que vocês podem usar pra dar o voto ao William. A votação encerra na sexta-feira, dia 6/11. Então façam logo esse gesto de reconhecimento profissional.