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Ebooks em bibliotecas – pergunte ao Moreno

Fui convidado pela organização da Semana de Biblioteconomia da USP a confeccionar um vídeo que seria projetado durante o evento. Eles compilaram algumas perguntas sobre o futuro dos livros, ebooks, e eu respondi:

Fim dos livros?

Uso de ebooks em bibliotecas

Gestão de coleções de ebooks; ebooks em bibliotecas escolares; ebooks em bibliotecas públicas; pirataria de ebooks

lei de universalização das bibliotecas; redes sociais em bibliotecas

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Sobre fantasmas, livros e tigres

Toda biblioteca tem ou teve uma sala 7? A pergunta há anos me intriga, desde que a sala 7 da biblioteca onde trabalho deixou de existir, mas continuou existindo. Era a sala do “processamento técnico” na época em que comecei a trabalhar, o lugar para onde os usuários eram enviados à procura de livros supostamente não catalogados. “Deve estar na sala 7, vai na sala 7″. Reformamos nossas instalações duas vezes, botamos abaixo a sala 7, mas os funcionários antigos continuaram mandando usuários pra lá por muitos anos. Ainda hoje, quase 20 anos depois da extinção da sala com essa numeração, ainda me aparecem usuários perguntando pela sala 7, só que de outras bibliotecas. Curioso.

Bibliotecas guardam pequenos segredos. Como os bilhetinhos oferecendo ou solicitando préstimos sexuais que às vezes são encontrados entre as páginas de um livro. Os autores das mensagens contam que a sorte as leve até um parceiro potencial, como se os livros fossem garrafas jogadas no mar? Ou existiria um método para determinar que tipo de livro tem mais chances de chegar às mãos da mulher tatuada certa ou do homem peludo com as dimensões adequadas? E se um desses bilhete for encontrado daqui a 25 anos pelo filho de quem o colocou lá? As indagações são tantas que dizem haver grupos de pesquisa estudando estratégias de busca para encontrar os livros bilhetados.

Especula-se nos círculos acadêmicos sobre a não comprovada existência do livro sem fim, também conhecido como livro travado. Trata-se uma uma obra que ninguém jamais conseguiu terminar de ler, porque todos param na página 54, segundo algumas fontes, 62 em versões mais modernas, e não conseguem ir adiante. Como ninguém chegou até o fim, ninguém sabe como termina. Dizem que os espertinhos que tentaram começar a leitura pelo final não viveram para contar o que leram.

Os livros que mudam de cor são um tormento na vida dos usuários. Ontem o livro de capa verde estava lá no cantinho dele. Hoje não está mais. Sumiu? Foi emprestado? Não, mudou de cor. Menos travessos, mas igualmente surpreendentes, são os livros que suspiram quando são manuseados, principalmente quando acariciamos suas capas. O fenômeno já foi observado por muitos bibliotecários e encadernadores, mas continua assustando mortalmente leitores desavisados.

Um estudante de música comprou um disco raro num sebo e resolveu, inspirado por velhos filmes de terror, tocá-lo ao contrário. E ouviu, nitidamente, uma voz anunciando: ” o grande Deus Pã morreu“. O disco teria sido doado a uma biblioteca pelo colega de apartamento do rapaz, depois que ele sumiu. Alguns estudantes tentaram localizar o disco, mas era uma gravação obscura e ninguém sabia como procurar. A bibliotecária disse que se quisessem ouvir ao contrário todos os 6784 discos do acervo, seria um prazer ajudá-los, mas que havia uma boa chance do tal disco ter sido descartado. A história se espalhou e despertou curiosidade entre os amantes do bizarro. Encontrar o disco virou uma espécie de jogo, baseado em procurar nomes de músicos que soam bem quando lidos ao contrário, fazer anagramas de títulos de óperas ou encontrar palíndromos. Os adeptos da brincadeira tendem a se tornar obsessivos, o que levou alguns de seus colegas a imaginar que estão a caminho de criar uma seita. Mas há quem se recorde do boato sobre a morte de Paul McCartney nos anos sessenta e defenda que os malucos que afirmaram ter ouvido “Paul is dead” num disco da banda na verdade ouviram “Pan is dead“. Mas que a frase só pode ser ouvida por flautistas que tenham ouvido absoluto.

Professores sisudos criticam essas bobagens, para eles fundadas em velhas superstições pagãs, e conclamam os alunos que não têm o que fazer a se dedicarem a atividades mais produtivas, como resgatar do depósito de livros não catalogados de uma das bibliotecas da universidade um esquecido volume da Enciclopédia Britânica que teria um verbete sobre uma cidade que nunca existiu. Outros docentes avisam, preocupados, que é melhor deixar isso pra lá.

E que dizer dos registros fantasmas, que não remetem a nada no acervo? Criados por bibliotecários entediados, cansados de catalogar sempre as mesmas coisas, segundos os céticos. Materializações dos desejos dos leitores, ou de acadêmicos que morreram antes de concluir a tese, de acordo com espíritos mais poéticos. O contrário também pode acontecer, para aflição dos picaretas acadêmicos que praticam ficção curricular. Já foram encontrados nas bibliotecas digitais trabalhos falsos dando existência real a itens inventados do currículo Lattes. A característica mais temível desses textos são os grosseiros erros conceituais  e as ilustrações ferozmente pornográficas que envergonham até o mais tosco dos picaretas. Ninguém sabe quem é o criador dessas abominações. Os bibliotecários acolhem as reclamações dos autores ofendidos com solidárias exclamações: ” que horror, não? Não há mais respeito na nossa sociedade, o mundo está perdido mesmo“.

Outros mistérios são tão soturnos que nem chegam a se espalhar entre os usuários, como o do vírus maldito, uma página que surge em resposta a uma busca qualquer no banco de dados e mostra a face da morte.

A moça dos óculos quebrados pode ser vista entre as estantes poucos minutos antes do fechamento da biblioteca, trocando angustiadamente os livros de lugar. Suas roupas têm manchas de sangue fresco e as lentes dos óculos estão partidas. Quando alguém a vê e vai alertar os funcionários sobre a estranha perdida entre as estantes, não a encontram mais. E ninguém a vê sair, assim como não a viram entrar.

Em muitas bibliotecas já aconteceu o seguinte fato, com pequenas variantes: um funcionário volta para pegar um objeto esquecido depois que a biblioteca fechou e escuta, arrepiado, os sons familiares do carrinho sendo empurrado e dos livros sendo guardados nas estantes. Os funcionários mais corajosos acendem as luzes para ver se  sobrou alguém andando por lá, mas nunca há ninguém, nem mesmo a moça dos óculos quebrados. Como em toda biblioteca sempre há uma senhora que guardava livros e faleceu há algum tempo, normalmente a culpa recai sobre o fantasma dessa dedicada funcionária. Lenda criada para desestimular os alunos que fazem a gente reabrir a biblioteca porque esqueceram suas bolsas? Talvez.

Tradicionalmente, bibliotecários adoram acolher e criar gatos nas bibliotecas. Eu mesma jå fiz isso, gatos e bibliotecários têm um elo tão forte quanto os cães e os caçadores. Mas pouca gente sabe que, em sua mesa numa sala 7 qualquer, a estagiária tímida e decepcionada em seu primeiro trabalho sonha com um tigre.

Algumas dessas histórias foram completamente inventadas por mim. Outras de fato aconteceram e boa parte delas são referências literárias. A vocês a tarefa de descobrir.

foto: José Estorniolo Filho. Palais Idéal.

 

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Como obter acesso a artigos científicos sem pagar nada

Um dos posts mais visitados no BSF é Como obter acesso a artigos científicos, onde eu mostrei como é possível garantir acesso aos artigos de forma legal, mesmo sem ter acesso ao Portal Capes, que é o grande fornecedor brasileiro desses materiais.

Agora eu vou mostrar como conseguir os artigos científicos de modo ILEGAL. Preparei esse vídeo com as duas modalidades mais simples, vocês podem assistir:

Além do Sci-Hub e do #icanhazpdf existe uma série de outros sistemas que funcionam como vpns ou proxy para burlar o acesso que é garantido somente via ip, modalidade de restrição de acesso comum nas universidades.

Entre os bibliotecários existem comunidades fechadas de intercâmbio de artigos, exatamente como é feito nas modalidades anteriores de compartilhamento entre bibliotecas, mas desta vez funcionando de maneira muito mais rápida e conveniente. Um bibliotecário parceiro pode solicitar um artigo ou parte de livro, e os membros da comunidades oferecem o material por email, caso tenham acesso a ele. Esses grupos envolvem bibliotecários e pesquisadores do mundo inteiro, mas por questões éticas e de segurança, preocupação especial entre os bibliotecários americanos, essas comunidades não são divulgadas e difíceis de achar.

Um questionamento comum é como que práticas de burla dos sistemas tradicionais de compartilhamento entre bibliotecas (no Brasil em particular o COMUT) podem prejudicar o desenvolvimento futuro das coleções de periódicos nas bibliotecas, uma vez que elas dependem do volume e estatísticas de uso para avaliar e garantir que o acesso às coleções seja mantido. Se todos passarem a contornar o COMUT porque ele é lento e caro (e de fato é) ou o Portal Capes porque não contempla os artigos requisitados (obviamente o portal não garante acesso a todos os artigos do universo) o temor é que essa tática acabe por prejudicar os próprios usuários, já que as bibliotecas não terão como avaliar o desempenho de uso das assinaturas que estabelecem com as editoras científicas, e uma das partes ou ambas decidirá terminar o acordo de acesso aos materiais.

Se estes serviços passam a ser entendidos como irrelevantes face à possibilidade de intercâmbio em tempo real via Twitter por exemplo, os recursos e investimentos destinados às bibliotecas para tal se tornam difíceis de justificar. Claro que as bibliotecas precisam reconhecer suas incapacidade de oferecer serviços adequados à tecnologia disponível no mundo de hoje e não querer ficar sempre justificando seu status de gatekeeper oferecendo serviços de merda (empréstimo entre bibliotecas que demora dias, que custa caro, exige visita in loco à biblioteca e que o usuário recebe no final uma cópia xerocada do artigo impresso). O grande problema na conjuntura atual da publicação científica circunscrita aos interesses de editoras acadêmicas com fins lucrativos é que alguma biblioteca ou grande consórcio de bibliotecas sempre precisará servir de base para que todos os membros da comunidade online possam conseguir almoçar de graça. Isto é, mesmo que em princípio estejamos preocupados em atender os usuários da maneira menos penosa possível, eles poderão ser penalizados no final. Mas de alguma forma ou outra, quem está pagando por isso somos nós mesmos, os financiadores das pesquisas realizadas em instituições públicas.

No meu caso particular como bibliotecário, eu tento alinhar a desobediência civil com a prestação de serviços adequada à demanda real dos usuários, o que qualquer código de ética profissional razoável em última instância absolveria. Claro que esses sistemas de burla de acesso aos artigos infringem contratos estabelecidos entre bibliotecas e editoras e direitos dos autores, mas não creio que possam ser entendidos como uma espécie de pirataria. Na minha longa experiência trabalhando no auxílio à outras áreas, no implemento da pesquisa científica, não encontrei ninguém que estivesse mutuamente interessado em obter acesso à temas de pesquisa e vender réplicas de artigos de 15 laudas em banquinhas na esquina.

Posso conversar ad nauseamente sobre pirataria de artigos científicos, boicote à editores científicos com fins lucrativos e transgressão das modalidades tradicionais de empréstimo entre bibliotecas e comutação bibliográfica, ou podemos apenas nos manter firmes dentro da perspectiva de desobedecer certas barreiras de acesso à produção científica simplesmente porque tecnicamente isso é possível.

Se a solução for combater fogo com fogo, então as bibliotecas precisam correr atrás do prejuízo técnico, resultado de anos destinados ao desenvolvimento de coleções, mas pouquíssimo investimento aplicado aos melhores mecanismos sobre como essas coleções são usufruidas pelo público.

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Criando (e melhorando) o hábito de ler

Há alguns dias fui convidada por Moreno Barros para ser colaboradora aqui no blog. A proposta era trazer para cá um pouco do trabalho que já realizo fora: vídeos com resenhas de livros e assuntos literários. O objetivo é trazer para o universo bibliotecário algumas dicas de livros que podem inclusive ajudar na avaliação de aquisições.

Aproveitei o dia de hoje para começar por aqui. Hoje é Dia nacional do Livro, e achei que nada mais justo do que começar com um vídeo que fiz há algum tempo com algumas dicas de leitura e como começar a criar esse hábito.

Pelo que vejo no meu dia a dia a leitura é algo crescente no mundo atual, não só pelas novas ferramentas que nos ajudam a ler como e onde quisermos, mas também pela ampla divulgação que canais e blogs têm feito. Ler está na moda, ainda bem!

Então é isso, estou bem feliz por estar aqui também. Em breve volto com outros vídeos e alguns textos.

Eleições 2014 e o desenvolvimento de competências em informação

midia[1]Nunca se falou tanto em informação como nas eleições de 2014. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Tudo! Principalmente pelas fontes de informação usadas pelas pessoas para a escolha do seu candidato. Mas isso por si só já daria um bom estudo sociológico e político.  Entretanto, o mais triste é ver que as pessoas não sabem de onde vem a informação e vão atrás “apenas” do que a mídia divulga. E sabemos que muitas vezes os meios de comunicação mascaram a informação  de acordo com seus interesses e rios de informações falsas são transmitidos e replicados pela televisão, mídias sociais e bate-papos (ou seriam bate-bocas) nos barzinhos, cafés e esquinas das terras tupiniquins. Não basta mais só desenvolver a competência em debater, discutir, dirigir… É preciso também ser competente em informação.

O termo Competência em informação (information literacy) é algo que surgiu na década de 70 nos Estados Unidos e vem ganhando novos significados, finalidades e está ampliando sua abrangência frente às diferentes habilidades e necessidades no uso de informação, conhecimentos em fontes, recursos, suportes de informação para aplicação na compreensão e disseminação da informação visando à construção e compartilhamento do conhecimento.

A ALA (2000), Caregnato (2000), Dudziak (2003), Campello (2003), IFLA (2008), UNESCO (2008), Vitorino e Piantola (2009), Belluzzo (2010), Gasque (2013) são algumas referências nacionais e internacionais que apresentam reflexões, discussões e diretrizes sobre competência em informação.

Mas o que isso tem a ver com as eleições e atual movimento político do nosso país? É premente observar que a IFLA responsabiliza os bibliotecários ao propor que devemos planejar e implementar ações que desenvolvam a competência nas pessoas. “O desenvolvimento da competência em informação deve ter um lugar durante toda a vida dos cidadãos e, especialmente, em seu período de educação, momento em que os bibliotecários, como parte da comunidade de aprendizagem e como especialistas na gestão da informação, devem ou deveriam assumir o papel principal no ensino das habilidades em informação” (IFLA, 2008, p. 4).

Porém, eu vou além, defendo que pensar e planejar ações que visam desenvolver a competência (CONHECIMENTO + HABILIDADE + ATITUDE) em informação deve ser de responsabilidade dos bibliotecários em conjunto com seus pares, entidades de classe, educadores e outros profissionais afins. Desta forma, a população estaria preparada para saber buscar/usar/avaliar/selecionar uma informação em tantas fontes e recursos disponíveis para poder interpretar, sintetizar, resumir, construir novos conhecimentos e mudar o contexto em que vivem e as mudanças que desejam para sua vida, sua família, seu bairro e seu país.

Neste bojo, se apresenta a necessidade da aprendizagem contínua que Dudziak (2003), Gasque (2013) e outros pesquisadores defendem baseados nos quatro pilares da Educação para o século XXI “aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer, aprender a ser” publicadas no relatório “Educação: Um tesouro a descobrir” organizado por Jacques Delors (1996) a pedido da UNESCO.

Mas por que as pessoas precisam saber buscar/usar/ avaliar/selecionar uma informação?  Para ter o PODER. Simples assim. O poder de conhecer para fazer escolhas. O poder de avaliar para discernir o que é verdade e o que é falso. O poder de saber para ter argumentos. Desde antes do tempo do “guaraná de rolha” se ouve por aí que “informação é poder”. Vários autores da Ciência da Informação tratam disso no livro “Informação, conhecimento e poder: mudança tecnológica e inovação social” organizado por Maria Lucia Maciel e Sarita Albagli (2011) demarcados pela “Sociedade da Informação e do Conhecimento”.

Escritores, médicos, pensadores, filósofos, sociólogos, administradores, professores, jornalistas também retratam a importância do PODER e da INFORMAÇÃO. Gilberto Diemstein uma vez falou em uma palestra “Só existe opção quando se tem informação… Ninguém pode dizer que é livre para tomar o sorvete que quiser se conhecer apenas o sabor limão”. Na mesma linha John Naisbitt  defende que “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”. Conan Doyle dizia “É um erro terrível teorizar antes de termos informação”. E pra finalizar Peter Drucker afirma que “O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores desses recursos são as pessoas”.

É nesta conjectura estratégica que enquanto cidadãos precisamos estar atentos. É necessário conhecer e buscar a informação em FONTES FIDEDIGNAS E CONFIÁVEIS baseadas nos FATOS e na HISTÓRIA para votar e eleger nossos representantes políticos. Afinal de contas, somos responsáveis não somente por quem votamos, mas em acompanhar e cobrar as ações propostas depois da eleição também. Daí a importância do PODER e de buscar informações confiáveis antes, durante e depois das eleições.

Por isso, nós bibliotecários temos uma responsabilidade grande em desenvolver ações em nossas escolas, universidades, comunidades, instituições, etc. para que as pessoas desenvolvam as competências em informação necessárias para refletir, decidir, escolher seus representantes nestas eleições, mas baseados em fontes de informação e fatos verídicos que permeiam a história política do país e devem sedimentar nossas escolhas. Afinal de contas, o PODER está em nossas mãos (ou dedos nas urnas).

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Ebooks em bibliotecas: curso em Porto Alegre e Florianópolis

colegas de trabalho, algum tempo atrás em perguntei no facebook: alguma biblioteca no Brasil faz empréstimo de ebooks? E naquele momento as respostas foram insatisfatórias. Hoje, ainda bem, já é possível encontrar alguns exemplos de bibliotecas que emprestam ebooks (com controle de empréstimo, mesmo) e não só isso, uma profusão de empresas e serviços de comercialização e distribuição de livros eletrônicos para bibliotecas, em território nacional.

Apesar do avanço em curto espaço de tempo, ainda estamos engatinhando nesse processo de desenvolver coleções em um novo formato e o que tenho ouvido muito por aí é: “ebooks na biblioteca? legal! mas não sei por onde começar :(”

Por isso decidi compilar tudo o que eu sabia, aprendendo na prática, lendo na internet, acertando e errando, compartilhando com os colegas, sobre o que os bibliotecário precisam fazer para implantar e implementar empréstimo de ebooks em suas bibliotecas.

Tendo já realizado curso online junto da Andréa Gonçalves em parceria com a ExtraLibris e outros dois cursos presenciais bastante proveitosos no Rio, chegou a vez de ir pra região Sul mostrar algumas dessas novidades e trocar ainda mais novas e boas ideias. Vejo vocês lá! Segue a divulgação:

Curso presencial ebooks em bibliotecas
em Porto Alegre, dia 22 de novembro
promoção da ARB – Associação Rio-Grandense de Bibliotecários
em Florianópolis, dia 6 de dezembro
promoção da ACB – Associação Catarinense de Bibliotecários

Ementa: Este minicurso apresenta os e-books e os e-readers, mostrando como eles podem funcionar nas bibliotecas, explorando questões que vão desde o formato de arquivo, aparatos de leitura, contratos de assinatura e o impacto dos livros eletrônicas para as bibliotecas tanto agora como no futuro.

Programa
Introdução aos E-books e aos E-readers
> Definição e contexto;
> Características do livro eletrônico;
> Vantagens e desafios do livro eletrônico;
> Formatos e softwares de e-books;
> E-readers e aparatos portáteis de leitura.

Disponibilidade e publicação de e-books
> Tipos de e-books;
> Modelos de publicação de e-books;
> Livrarias online de e-books;
>Repositórios online de e-books;
> E-books didáticos e contratos com a editora.

E-books em bibliotecas
> Plataformas de e-books para bibliotecas;
> Serviços de assinaturas de e-books;
> Adoção de e-books em bibliotecas infantis, escolares, públicas e universitárias;
> Critérios para aquisição de plataformas de e-books;
> Legislação sobre e-books;
> Ética no uso de e-books

Para se inscrever no curso de Porto Alegre, basta preencher esta ficha de inscrição aqui.

Para inscrição no curso de Florianópolis, basta preencher esta ficha de inscrição aqui.

Valores PoA:
Estudante (da graduação e do técnico): R$80,00
Estudante associado: R$50,00
Profissional: R$150,00
Profissional associado: R$90,00
Técnico: R$120,00
Técnico associado: R$100,00

Valores Floripa:
Estudante: R$100,00
Estudante associado: R$50,00
Profissional: R$150,00
Profissional associado: R$75,00

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Infanto-juvenil da #zuera e por que ler os clássicos

É assim que começa Odisseia de Homero segundo João Vítor, infanto-juvenil da #zuera lindamente ilustrado com colagens de fotos “stock”. João Vitor fica de recuperação e sua tarefa final é fazer uma resenha da Odisseia. Só que em vez de pegar a versão correta do livro na biblioteca, adaptada para jovens, ele pega a versão original completa. Altas aventuras e muitas confusões.

Legal do livro e moral da história é perceber como que a versão adaptada pelo próprio João se torna tão interessante quanto o original e a forçação de barra que é (na história do livro, não intencional) obrigar crianças a ler os clássicos, quando estes livros estão completamente desconexos da realidade delas.

Em algum momento entre o ensino fundamental e médio, uma das leituras exigidas para a aula de português foi Dom Casmurro. Comecei a ler e não entendia por que aquele livro era tão especial e considerado um clássico, e odiava ter que fazer redações e apresentações sobre demais livros. Este foi praticamente o caso com todos os outros romances intragáveis que li durante a escola (Auto da barca do inferno, O cortiço, A cidade e as serras, Vidas secas, etc), o que me fez, naquele momento, odiar a leitura, e por consequência, bibliotecas. Por muito tempo, então, eu não li um único livro por prazer. Porém, um pouco mais velho e capaz de absorver e entender mais sobre o mundo, finalmente compreendi a importância de ler os clássicos, e particularmente Machado de Assis e sua representação da cidade onde viveu e vivo hoje. Obrigar as crianças a ler na escola é uma tentativa justa de abrir suas mentes para a literatura. No entanto, como eu estava sendo forçado a ler livros que não entendia, há alguns anos, isso me fez não querer realmente lê-los novamente. Imagino que isso tenha acontecido com muitos de vocês.

Claro que vai ter gente argumentando que seu gosto pela leitura e bibliotecas surgiu a partir de uma ou outra dessas obrigações, e pedagogos e acadêmicos vão discutir em favor da introdução de certos referenciais linguísticos e culturais tão cedo quanto possível, obrigatoriamente ou não. O ponto é que me reconheci na versão de João Vitor e admiro o potencial criativo de uma criança de 12 anos adaptar à sua própria realidade um épico milenar e um cânone ocidental.

Bibliotecários também vão se reconhecer em inúmeras situações do livro, a começar pelo usuário que não sabe a diferença entre as versões de um mesmo título. Mas antes a comédia da vida bibliotecária fosse só preenchida por usuários sui generis. Quem não lembra daquela história tragicômica que Edson Nery contava quando queria criticar a formação dos bibliotecários: “Telefonei para a biblioteca do D.A.S.P., em Brasília, e perguntei se havia alguma edição de “Política”, de Aristóteles. “Só o senhor dizendo o sobrenome do autor”, respondeu a bibliotecária, “porque no nosso catálogo os autores aparecem pelos sobrenomes”. Risos.

Todo bibliotecário com experiência em atender público deve ter umas 2 ou 3 boas histórias para contar: o livro da capa amarela, o usuário fedorento, aquele que sempre é o último a sair, o que tem fixação pela bibliotecária, e por aí vai. Estou tentando convencer William e Marina a escrever um livro de causos e contos da rotina de bibliotecas, quem sabe não sai.

E ainda bem que melhorou muito nossa capacidade de rir de nós mesmos e encarar o processo de referência como algo que requer muito além de habilidades técnicas. Reflexo disso é a profusão de páginas de humor bibliotecário que quase sempre giram em torno das vergonhas alheias e nossas próprias. Fiquem com a Bibliotecária Mal Humorada.

A Odisseia de Homero (segundo João Vítor), jovial e engraçado, de Gustavo Piqueira , publicado pela Editora Gaivota, disponível na Livraria Cultura e na Livraria da Travessa

Biblioteconomia Pop

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