Tim O’Reilly o manager do influente grupo O’Reilly (edição de livros, revistas, websites, weblogs, da safari online, organização de conferências, formação, etc.), e cuja editora, criada há cerca de três décadas já lançou para o mercado mais de um milhar de títulos (maioria com várias edições, entre os quais o 1º livro sobre a web) centrados nas área da informática, Internet e afins; escreveu há uns dias no seu blogue O’Reilly Radar um post sobre o problema da falta de cooperação entre os diversos projectos de digitalização (e posterior disponibilização/comercialização), a grande escala, de livros.
Isto veio a propósito do gatinhar inicial do “Live Search Books” da Microsoft há duas semanas. Um projecto que tem outros congéneres mais antigos (Google Book Search, OCA-Yahoo, Amazon, …)
O’Reilly divide estes projectos em dois segmentos: a digitalização e a posterior disponibilização/comercialização dos livros, e expressa que mesmo que cada projecto não faculte ou partilhe com os outros os seus documentos digitais os motores de pesquisa tornar-se-ão tão potentes que conseguirão aceder aos livros dos outros projectos (se é que na actualidade já não o podem fazer). No outro aspecto considera que o facto de a digitalização de livros estar a ser implementado de forma individualista é algo que traz mais prejuízos que benefícios aos respectivos projectos.
Problemas que este ponto levanta:
- muitos livros são digitalizados de forma duplicada, ou triplicada; o que implica custos e tempo despendidos desnecessários (se cada projecto divulgasse regularmente um índice actualizado de obras digitalizadas poderia tornar mais racional e eficaz o trabalho de cada um)
- alguns projectos têm processos de digitalização de melhor qualidade que outros
- sobretudo no que concerne aos livros antigos e raros num projecto é digitalizado um livro em melhor estado, noutro projectos o mesmo em pior estado.
- algumas colecções ou obras em vários volumes são digitalizadas de forma incompleta (uma parte num projecto, outra noutro, sem uma agregação final)
-…
Claro que se podem percepcionar aspectos positivos como o facto de não se instituir uma monopolização destes serviços, e daí os utilizadores/clientes poderem subscrever o serviço que mais lhe convém (tendo em conta o volume e tipo de acervo, custos, aplicações associadas, opções de acesso, etc.), e daí as próprias empresas optimizarem o melhor possível o seu produto.
Tim O´Reilly, conhecido por ser uma pessoa com um espírito profundamente aberto, e de ser um acérrimo defensor da permuta de conhecimento, e de aplicações informáticas e tecnológicas (organizou a primeira conferência que deu ao movimento de software livre a sua designação), acha que este tipo de posturas, sobretudo por parte dos três gigantes da Internet (Microsoft, Yahoo e Google), contribui de sobremaneira para desvirtuar o sentido da rede, de uma comunidade global para um conjunto de ilhas isoladas e fortificadas. Deste modo o factor que mais tem impulsionado a Internet, o infindo intercâmbio entre as diversas partes, mitiga-se e influirá de modo negativo no seu futuro desenvolvimento.
Mais importante que constituir repositórios de livros digitais, infindos armazéns digitais de documentos, é a criação de múltiplos serviços de acesso a esses livros, de facilitar e tornar mais rápida e eficiente a pesquisa nos seus conteúdos, de correlacionar os conteúdos e matérias dos diversos livros, e mesmo com outros tipos de documentos digitais ou não, de estruturá-los (e de modo flexível) nas suas áreas disciplinares e de conhecimentos que abrangem.
Mas Tim O´Reilly também foi o homem que criou o primeiro site comercial na web e gere a “Safari Books Online” (repositório com mais 4 mil livros técnicos online, em texto integral) e compreende bem que este tipo de serviços de busca especializada (neste caso de livros) evidencia-se como um essencial serviço no futuro imediato das empresas de Internet e software, movimentando muito capital. Não é por acaso que o “Google Book Search” é até ao momento o projecto de maior investimento da Google.
A Microsoft e a Google são cada vez mais concorrentes directos em inúmeros serviços. A sua filosofia é marcadamente diferente e sempre que se aventuram numa nova área preferem erguer uma novo projecto do que se agregarem ao projecto da que lá se estabeleceu primeiro. Pelo facto de ao Google ser uma empresa mais recente as maiores queixas têm provido da Microsoft. Neste caso, da pesquisa em livros, será o inverso. O Google Search Book (GBS) é um projecto precedente, que teve origem em finais de 2004 com o Google Print. Até esse momento apenas existia uma miríade projectos de circunscrita dimensão. O GBS teve o condão de agregar vários deles e de se constituir como o primeiro grande projecto, e que acima de tudo configura um ritmo produção diária muito superior ao outros projectos. Mas a Microsoft e outros preferiam criar projectos paralelos, o que não se afigura no meu juízo a melhor opção.
É sabido que 4/5 dos lucros da Microsoft provêm do sistema operativo Windows e do Office. Contudo, pelo facto de a Google estar a ter boa receptividade com os seus “Docs & Spreadsheets” e o pressuposto que mais tarde ou mais cedo surgirá com sistema operativo próprio; bem como por outro lado o facto de os negócios da Internet e da web, em particular, estarem a evoluir a um ritmo muito acentuado, induzem a Microsoft a apostar mais assertivamente nestas áreas, e fá-lo mais uma vez de modo exclusivo, intentando monopolizar certos nichos de mercado.
Mas este exclusivismo é também realizado pela Google em serviços como os usenet groups (que alberga milhões de páginas), ou mais recente o “You Tube”. O Yahoo também não permite que outros motores de busca indexem por exemplo o Flickr.
Depois colocam-se uma série de questões de foro mais técnico:
- a rápida evolução das técnicas de digitalização ir tornar rapidamente obsoletas muitas das digitalizações actuais
- algumas digitalizações seriam desnecessárias pois já existem em formato electrónico (pdf , doc,…) nos editores ( que na maioria dos casos as poderiam ceder)
- os direitos de autor dos livros têm como enfoque a publicação impressa e constata-se uma certa desajuste ao “novo” formato electrónico
- persiste uma certa nebulosidade concernente ao problema do respeito de direitos de autores dos diversos projectos de digitalização, até porque alguns livros possuem parte de acesso público e outras de acesso protegido, ou em alguns países esses livros já “venceram” os direitos de autor e noutros ainda não, etc
Entre outros aspectos este projectos vão permitir que muitos livros cujo acesso em formato papel se revela muito difícil (edições reduzidas, esgotamento da edições, edições restritas a alguns países ou regiões, etc.) possam ter um acesso (quase) universal. Ou seja possam “ressuscitar” depois de quase extintos.
Relativamente ao facto de O’Reilly defender que os motores de pesquisa tornar-se-ão tão potentes que conseguirão aceder aos livros dos outros projectos, é um facto indubitável, contudo o facto de um motor de pesquisa conseguir aceder a tal documento não implica ter direito de o disponibilizar aos seus utilizadores. Ou até de não lhe interessar tal.





Essa é uma briga que vai longe… mas eu ainda bato na mesma tecla: eu não gosto do livro digitalizado pois é algo extremamente difícil de se usar. Só serve para preservação a meu ver.
Mesmo se tratando de um negócio, será que ele será lucrativo? Eu acho que não.. Mas o futuro nem sempre é lógico e essa briga ainda vai dar o que falar…
Sou obrigado a concordar com o Tiago.
Acho que a digitalização de teses, dissertações, trabalhos acadêmicos em geral é praticamente uma obrigação. Ocupa menos espaço, possibilita maior acesso etc etc.
MAS… livros digitalizados? Pra ler? Não me serve, tenho centenas de livros em pdf e nunca consegui ler mais de uma página. Não dá mesmo…
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