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Graduado em biblioteconomia e documentação pela Universidade de São Paulo e estudante de Administração pública na Universidade Federal de Ouro Preto. Especialista em utilização do Drupal no gerenciamento de conteúdos. Nas horas vagas, gosta de gerenciar o RABCI e ainda arruma tempo para jogar bola com o Iuri


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Nasceu em Lisboa. Mestre em Ciências Documentais pela Universidade de Évora, integra o quadro da Biblioteca Nacional de Portugal, na Área de Música. Tem desenvolvido a sua investigação no âmbito da biblioteconomia e arquivologia musical, com particular incidência nos aspectos normativos. É editora do blogue sobre documentação musical Paper Music e autora do blogue A biblioteca de Jacinto. Ainda vai arranjando tempo para estudar na Academia de Amadores de Música e para cantar no Grupo Vocal Arsis. Adquiriu o hobbie de cozinhar quando estava a escrever a dissertação e nunca mais o perdeu. Até hoje ninguém se queixou...


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Jimmy Wales no Brasil
Moreno Barros | 11.11.2008


jimmy-wales

Jimmy Wales, o fundador do Wikipedia, está aqui no Brasil participando de uma série de eventos, e ontem eu, Tiago Murakami, Cauê Araújo e Gerlandy Leão fomos prestigiar.

Não dá pra nem pra assimilar direito, mas o cara é o promotor da maior enciclopédia do mundo, idéia que está diretamente relacionada com os preceitos da biblioteconomia, levantando a bandeira de todas as questões de acesso à informação, construção do conhecimento, participação colaborativa, democratização da informação, etc.

Tem alguns textos falando sobre o debate de ontem, vale mencionar:

O embate entre o mundo acadêmico formal e o processo de aprendizado na internet elevou o tom da discussão no debate. Gilson Schwartz, professor da USP (Universidade de São Paulo), questionou a validade das informações presentes da Wikipédia e da obtenção de dados pela rede.

“Será que esse processo é de aquisição de conhecimento mesmo ou é só a difusão de algo que não passa por um critério que ainda existe na universidade, que é passar por uma avaliação, pela crítica de seus pares?”, disse. “É a mesma coisa ler algo de um físico especializado ou de um ‘zé mané’ blogueiro?” A fala do professor sofreu vaias da platéia e os gritos de “Jimmy, Jimmy”.

Os desafios e oportunidades para produções colaborativas de conhecimentos livres no Brasil foi o tema de debate no Centro Cultural São Paulo, que contou também com a participação de Gilberto Dimenstein, Gilson Schwartz, Karen Worcman, Ladislau Dowbor, Lala Deheinzelin, Reinaldo Pamponet e Renato Rovai.

Eu fiz anotações de alguns pontos importantes. Não dá pra destrinchar todos, mas vejamos:

# acesso ao conhecimento deve ser encarado como um direito humano fundamental
# todos os valores estão sendo transportados para o que é intangível

Direitos autorais, pirataria

#direito autoral está caminhando na direção errada; certifique que a legislação atenda o direito das pessoas de compartilharem
# a base jurídica está no Séx. XIX
# professores autores se preocupam com seus livros, mas obrigam os alunos a tirar xerox
# livros grátis representam um consumo que não reduz o estoque
# o conhecimento é base do enriquecimento (Lawrence Lessig)
# o livro é reprodutível ao infinito (mais fácil de se concretizer no mundo digital)
# uma pessoa que consegue ler um livro inteiro na tela do computador, merece a cópia digital
# pirataria muitas vezes se trata de pessoas que querem ter acesso ao conhecimento. Isso não é legítimo?

Wikipedia

# por que o Wikipedia tem incidência baixa na produção acadêmica? (possíveis respostas: 1. não é respeitado; 2. é pouco estudada, apesar de ser um fenômeno da web)

Educação

# a academia diz que o que vale é revisão por pares, p2p
# será que a universidade e a educação não está perdendo sua relevância?
# formatos e modelos pedagógicos risíveis
# a educação tem como base formar quadros para preencher demandas existentes. Qual é o papel da educação?

Autonomia, sustentabilidade

# a tecnologia em si não necessariamente é um processo de construção do conhecimento
# explosão de aprendizagem informal, o que não reduz o valor do aprendizado formal
# a gente nunca teve a oportunidade de tantas pessoas mostrarem o que sabem

Modelo de negócio

# vender informação para pessoas é um modelo de negócios extremamente raro (exemplo, Wall Street Journal)
# o site, ou blog, ou twitter de uma biblioteca na internet não deve ser uma fonte de renda e sim um mecanismo promocional

Futuro

# democratização da informação não representa transformação social
# estamos na fase do pós-conceito…de refletir sobre aquilo que vai ser, repensando os pré-conceitos e os conceitos

Rolou um atrito entre a defesa dos cânones colaborativos acadêmicos, e o processo da Wikipedia ou de produção em blogs (Cláudia, a questão da relevância: é ou não é relevante, e quem vai julgar?).

Sobre colaboração acadêmica, a defesa foi sobre o método p2p, de que muitos dos conceitos utilizados pelas comunidades colaborativas na web, tem suas raízes na comunicação científico-acadêmica. E que na academia, o processo peer to peer, tem seu valor.

Daí eu me pergunto, como é o processo de publicação em uma revista como a Ciência da Informação por exemplo? Eu submeto meu artigo e ele é avaliado por uma comissão de pares, algo em torno de 5 pessoas. Isso é avaliação p2p? Isso é o suficiente para garantir que meu trabalho tem relevância para a área e garantir o status de ser publicado em um periódicos qualis A?

A outra questão importante, é sobre a irrelevância da wikipedia para a academia. Os professores repudiam wikipedia, repudiam o copiar-colar, mas o que quer dizer tudo isso? Será que a didática não deveria estimular melhores questionamento que não fossem completamente preenchidos por simples verbetes na wikipedia? E será que somente o conhecimento produzido em centros de excelência elitistas é relevante?

Muito do que foi discutido ontem me fez lembrar uma palestra do Ken Robinson no TED, onde ele diz que o modelo de educação global é o de formar professores universitários. Tá errado, tudo errado.

Update:


WikiBrasil – Mutirão de conhecimentos livres 1/4 from Web Radio TV CCSP on Vimeo.

jimmy wales brasil

Posts relacionados:

  1. A contribuição dos Tesauros na Organização do Conhecimento

Autor: Moreno Barros | Categoria: Fontes de informacao Formação Geral

8 comentários sobre “Jimmy Wales no Brasil”

  1. Tiago Murakami disse:

    Vale o registro da frase mais engraçada de ontem: “Deus morreu, Marx morreu e eu não estou me sentindo muito bem”.


  2. Alexandre disse:

    (…) os professores repudiam wikipedia, repudiam o copiar-colar (…)

    Esses professores são os mesmos que falam pro aluno ir na biblioteca e fazer um “copiar-colar” da Enciclopédia Barsa.


  3. Paula Carina de Araújo disse:

    Obrigada por compartilharem informações tão relevantes com os leitores do Bibliotecários sem fronteira. As ferramentas de colaboração precisam ser disseminadas, divulgadas, afinal são excelentes para serem utilizadas em unidades de informação e em todos os lugaresm onde o compartilhamento de informações e conhecimentos são colocados como prioridades.


  4. Tudor Mendez disse:

    Muito boa informação, a foto com vcs babando no Jimmy(olha a inveja kkkk) e tudo mais. Quero saber quem é Wikipedista aqui hein!!! Eu sou com muito orgulho(ando até em falta devido ao tempo corrido do dia-a-dia).


  5. Carolina disse:

    Caro Moreno,

    Produzo o conteúdo do site oficial do WikiBrasil e gostaria de entrar em contato com vc diretamente. Vc poderia me escrever, por favor? Obrigada!
    Carolina


  6. Bibliotecários Sem Fronteiras - Biblioteconomia Pop » » O WikiBrasil e seus temas na visão de um bibliotecário disse:

    [...] WikiBrasil na noite de 10 de novembro, no Centro Cultural São Paulo. No dia seguinte, ele publicou um post no blog Bibliotecários sem Fronteiras sobre o evento. Lá, destacou os principais temas abordados durante a discussão e também deu sua opinião sobre [...]


  7. André CE disse:

    Muito relevante as informações expostas. É foda que o cademicismo não queira admitir que as propostas de construção e disseminação da informação que defedem estão falindo. É como diz Ken Robinson de forma não generalizada: “Não devemos considerar os professores universitários como os pináculos do desenvolvimento humano. Eles são uma forma de vida como outra qualquer, levando em conta, um diferencial que lhes são peculiares, eles vivem em suas cabeças!”.

    Parabéns Moreno.


  8. Bibliotecários Sem Fronteiras - Biblioteconomia Pop » » Melhores posts de 2008 disse:

    [...] # Jimmy Wales no Brasil [...]


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Boa noite! Já postei uma vez meu pedido aqui; ms gostaria de reforçá-lo e pra isto estou novamente a pedir. Sou graduada em Secretariado Executivo Bilíngüe e exerço a função auxiliar de biblioteca há mais de 15 anos. Amo a área que trabalho e além de amar preciso muito do curso biblioteconomia. Sendo assim - alguém desta maravilhosa sala sabe se já há aprovação de Biblioteconomia a Distância? Informem-me por favor se tiverem notícias a respeito! abraço

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Legal! Concordo com o Hamilton, a foto foi manipulada para tirar alguns "adereços". Um Off Topic de uma desatwittada: Tiago e demais colaboradores: estou atrás de um texto do Jackson Medeiros propondo acabar com a biblioteconomia por ser inútil. Aparentemente o texto foi tão polêmico que ele tirou do seu site. Podem verificar se o texto sumiu mesmo no vácuo digital? Obrigado!


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