Altmetrics: redes sociais como métricas alternativas para medir o impacto científico

Todos nós bibliotecários conhecemos os métodos bibliométricos que servem para avaliar a qualidade das revistas científicas e o desempenho dos pesquisadores e professores. Com a crescente do chamado “big data” e de políticas cada vez mais restritivas que associam publicações e citações à cargos e salários nas universidades, surgiu nos últimos anos uma corrida por métodos mais sofisticados e abertos capazes de medir a reputação dos acadêmicos.

Altmetrics, ou métricas alternativas, podem ajudar nesse processo, fornecendo análise da produção acadêmica praticamente em tempo real. Com as altmetrics é possível medir a influência do produto de pesquisa a medida que o impacto ocorre, ao passo que as citações tradicionais levam algum tempo para acumular até estabelecer o real valor de um determinado artigo ou autor. Altmetrics não são métricas de citação, é verdade, mas podem complementar e reforçar a presença e reputação de um pesquisador acadêmico. Nesse sentido, elas podem ajudar os pesquisadores, financiadores e administradores a compreender e otimizar os diferentes tipos de impacto científico que melhor se adaptam às suas metas específicas.

O conceito mais importante das altmetrics é a ideia de “tipos de impacto”, uma maneira de entender os distintos padrões na disseminação de produtos acadêmicos. Além da contagem de citações, padrão único da excelência acadêmica, altmetrics medem compartilhamentos em redes sociais, posts de blogs, apresentações de slides, vídeos, conjuntos de dados e outras formas de comunicação científica, condizentes com o ambiente atual de comunicação sustentado pela internet. Estas métricas alternativas podem quantificar um tipo diferente de envolvimento do leitor com a literatura científica: se um leitor salva um artigo para a sua biblioteca pessoal online (delicious, pocket, delicious, kindle app, etc) ou/e, em seguida, compartilha o link do artigo no facebook e twitter, ou escreve um post de blog sobre o assunto, isso pode indicar que este artigo é mais atraente do que aquele que foi simplesmente baixado para o computador, em caráter pessoal e individual. Além disso, em muitos periódicos online e bases de dados científicas os comentários são agora permitidos, e sem dúvida, estes tipos de interações agregam algum valor ao artigo original.

Há muitas maneiras de classificar altmetrics, aqui está um quadro bastante completo criado pela Plum Analytics que indica as métricas atualmente passíveis de serem aplicadas. Em suma, podemos pensar em um classificação altmetrics desse tipo:

Uso – downloads, visualizações, empréstimo de livros e periódicos, empréstimo entre bibliotecas
Captura – favoritos, salvar, gestores de referência online (Mendeley, Zoreto, EndNote)
Menções – blogs, notícias, artigos da Wikipédia, comentários, opiniões
Redes sociais – tweets, curtidas, compartilhamentos, avaliações (Twitter, Facebook, LinkedIn, Academia.edu)
Softwares – utilização e distribuição de dados (GitHub, FigShare)

Existem hoje várias ferramentas (públicas e privadas) que permitem coletar o amplo impacto da pesquisa científica. As principais são Altmetric, ImpactStory e PlumX. Vocês podem testar e avaliar. Mas a melhor maneira de entender o processo é ver as altmetrics em funcionamento. Aqui estão dois exemplos, um da revista Nature (imagem abaixo. Reparem no quadro de atenção online e o número de menções, e o quadro de menções em blogs e no twitter) e outro da PLOS One.

altmetrics

Muitos trabalhos sobre altmetrics foram publicados ao longo dos últimos 2 anos, mas o panorama sobre o tema ainda não é perfeitamente claro ou consensual. As primeiras pesquisas sobre altmetrics têm concentrado principalmente em verificar se algumas dessas métricas (1) são tipos distintos de indicadores que mostram diferentes tipos de impacto, geralmente usando métodos estatísticos, e (2) se correlacionam com citações futuras. Não cabe aqui discutir, por enquanto, os prós e contras das altmetrics. Mas está aí para quem quiser ver um crescente corpo de pesquisa sobre altmetrics. Vale mencionar:

Altmetrics, Altmétricas, Altmetrias: novas perspectivas na visibilidade e no impacto das pesquisas científicas, de Sibele Fausto

Altmetria: métricas de produção científica para além das citações, de Fabio Gouveia

Introdução à altmetria: métricas alternativas da comunicação científica, de Iara Vidal e Carlos Marcondes

Uso de indicadores altmetrics na avaliação de periódicos científicos brasileiros em ciência da informação, de Andrea Gonçalves e Nanci Oddone

Cientometria 2.0, visibilidade e citação: uma incursão altmétrica em artigos de periódicos da ciência da informação, de Ronaldo Araujo

O QUE OS BIBLIOTECÁRIOS TEM A VER COM ISSO?

Com as altmetrics surgindo em toda parte (como nos artigos da PLoS ONE e Elsevier), os bibliotecários podem auxiliar professores e pesquisadores, contextualizando altmetrics dentro do cenário das métricas de citação tradicionais e mostrando como começar a utiliza-las.

Assim como todas as tendências e novidades, os bibliotecários não podem ignorar as altmetrics, ainda mais considerando que elas estão transformando-se em componentes adicionais dos produtos que nós compramos e ferramentas que recomendamos. Os bibliotecários precisam avaliar o potencial das altmetrics para apoiar adequadamente os pesquisadores, especialmente a geração mais jovem.

Os pesquisadores estão percebendo os botões altmetrics, emblemas e pontuação incorporados em artigos e perguntando o que são, se devem prestar atenção a eles, e como usá-los. Há uma oportunidade aqui aos bibliotecários para fornecer orientação e competências aos usuários.

Os bibliotecários que trabalham em ambientes de pesquisa terão de manter-se atualizados com as altmetrics para avaliar o impacto da literatura necessária para a sua coleção, e para direcionar os pesquisadores até as revistas de alto impacto para publicação. A mudança em direção à publicação de acesso aberto também tornará as altmetrics uma ferramenta valiosa para os bibliotecários na avaliação do impacto e da qualidade dessas publicações.

Em determinado momento, os bibliotecários responsáveis por repositórios e catálogos das bibliotecas universitárias terão de avaliar se é conveniente incluir dispositivos altmetrics a fim de incentivar os depositantes a enviar mais material e fornecer insights para o desenvolvimento de coleções. A Ex Libris, que fornece o softwares de biblioteca Aleph e Primo, adicionou um plugin Altmetric que qualquer cliente pode baixar e instalá-lo no catálogo, em que seus usuários serão capazes de ver o ranking e pontuação de todos os artigos correspondentes no sistema, através de uma nova aba “métricas” na página de detalhes do item.

Além disso, alguns bibliotecários estão envolvidos diretamente com departamentos de pesquisa, fornecendo suporte na concessão e obtenção de subvenções e fomento, acompanhando com a administração central a medição de desempenho e avaliação da qualidade das diversas atividades realizadas na universidade. Bibliotecários podem aconselhar sobre a compra de produtos e ferramentas que utilizam altmetrics e sobre a forma de apresentar a pesquisa realizada nas instituições em que trabalham usando altmetrics.

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