Todos os post de Moreno Barros

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A beleza dos periódicos científicos e acadêmicos

Recebi ontem a notícia do lançamento da Rebecin, uma nova revista da área de informação, e não pude evitar de comparar o lançamento dessa revista acadêmica com o relançamento de uma revista da grande mídia, a New Yorker, que passou por reformulação no seu design e política de acesso aos artigos. A mudança do site da New Yorker destaca um consenso crescente na indústria editorial conforme revistas e jornais se ajustam a um público que se deslocou para a internet, e cada vez mais consome conteúdo por meio de redes sociais e dispositivos móveis.

Algumas poucas discussões em torno do design gráfico de periódicos estão sendo travadas, e giram em torno da evolução do formato tradicional do artigo acadêmico em relação a seus três elementos-chave: apresentação, conteúdo e contexto (ou o modelo leitura-descoberta-extensão). Uma questão pontual é a supressão do PDF em favor do HTML, onde de um lado estão os benefícios da visibilidade em larga escala na web e de outro a cultura enraizada dos pesquisadores de baixar e imprimir os artigos.

Me peguei avaliando apenas a questão estética da apresentação do material dos dois veículos de comunicação citados acima, desconsiderando o caráter acadêmico de um e comercial de outro. Afinal, por que as revistas acadêmico científicas são tão feias comparadas com revistas de banca de jornal? Isso vale tanto para a versão impressa como digital. E não tem nada a ver com uma revista acadêmica específica, muito menos com o OJS/SEER. Tem a ver com apelo visual na leitura do documento digital (ou que venha a ser impresso). Poucas revistas fogem do tradicional “duas colunas verticiais, times new roman 12″, sem mencionar todo o aspecto de dispersão online dos artigos, que tem seu potencial atrapalhado pelas interfaces ruins onde estão abrigados. Pouco tem a ver também com a oferta de plataformas para publicação de conteúdo (no caso comum brasileiro, meu voto seria ter o SEER funcionando apenas para controle de submissão e revisão de pares, e o WordPress com seus milhares de temas grátis funcionando em paralelo para a publicação dos artigos propriamente).

Em termos comparativos, muitas revistas de grande circulação e periódicos científicos conseguem manter o aspecto sóbrio e formal de suas publicações, sem se prender ao modelo quadrado acadêmico. Muitos editores científicos argumentam que o que privilegiam é o conteúdo de suas edições, mas novamente me pergunto que tipo de esforço e investimento é necessário para explorar melhores formas de apresentar artigos de revistas online e com isso enriquecer seu conteúdo.

Novos visualizadores de artigos estão explorando outras maneiras de interagir com conteúdo de pesquisa na web, os melhores exemplos sendo eLife Lens e PubReader. Alguns anos atrás a Elsevier inaugurou o projeto que redesenhou a interface de apresentação de seus artigos, The Article of the future. O mesmo exemplo foi seguido pela JSTOR, que já oferece design responsivo, e demais bases de dados. A PubMed por exemplo já oferece seus artigos em formato epub.

As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental. Escolha a sua revista acadêmica preferida e compare com essas:

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plos

carbono

new yorker

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Bancos em formato de livros em Londres

Cinquenta bancos em formato de livro foram instalados em diferentes locais de Londres como parte do projeto Livros sobre a cidade de incentivo à leitura e comemoração da herança literária da cidade.

A lista completa dos livros que inspiraram cada banco, e dos artistas que os criaram, pode ser encontrada no site do projeto. A primeira imagem abaixo é inspirada em Mary Poppins. Vocês conseguem identificar as demais?

Há quatro roteiros que podem ser seguidos e os visitantes podem fazer download de mapas e questionários para responderem ao longo de cada trilha.

Ao final do projeto em outubro os bancos serão leiloados e a renda revertida para a organização do projeto, a National Literacy Trust. Para nós que não moramos em Londres é possível seguir os bancos no Instagram, Facebook e Twitter.

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Altmetrics: redes sociais como métricas alternativas para medir o impacto científico

Todos nós bibliotecários conhecemos os métodos bibliométricos que servem para avaliar a qualidade das revistas científicas e o desempenho dos pesquisadores e professores. Com a crescente do chamado “big data” e de políticas cada vez mais restritivas que associam publicações e citações à cargos e salários nas universidades, surgiu nos últimos anos uma corrida por métodos mais sofisticados e abertos capazes de medir a reputação dos acadêmicos.

Altmetrics, ou métricas alternativas, podem ajudar nesse processo, fornecendo análise da produção acadêmica praticamente em tempo real. Com as altmetrics é possível medir a influência do produto de pesquisa a medida que o impacto ocorre, ao passo que as citações tradicionais levam algum tempo para acumular até estabelecer o real valor de um determinado artigo ou autor. Altmetrics não são métricas de citação, é verdade, mas podem complementar e reforçar a presença e reputação de um pesquisador acadêmico. Nesse sentido, elas podem ajudar os pesquisadores, financiadores e administradores a compreender e otimizar os diferentes tipos de impacto científico que melhor se adaptam às suas metas específicas.

O conceito mais importante das altmetrics é a ideia de “tipos de impacto”, uma maneira de entender os distintos padrões na disseminação de produtos acadêmicos. Além da contagem de citações, padrão único da excelência acadêmica, altmetrics medem compartilhamentos em redes sociais, posts de blogs, apresentações de slides, vídeos, conjuntos de dados e outras formas de comunicação científica, condizentes com o ambiente atual de comunicação sustentado pela internet. Estas métricas alternativas podem quantificar um tipo diferente de envolvimento do leitor com a literatura científica: se um leitor salva um artigo para a sua biblioteca pessoal online (delicious, pocket, delicious, kindle app, etc) ou/e, em seguida, compartilha o link do artigo no facebook e twitter, ou escreve um post de blog sobre o assunto, isso pode indicar que este artigo é mais atraente do que aquele que foi simplesmente baixado para o computador, em caráter pessoal e individual. Além disso, em muitos periódicos online e bases de dados científicas os comentários são agora permitidos, e sem dúvida, estes tipos de interações agregam algum valor ao artigo original.

Há muitas maneiras de classificar altmetrics, aqui está um quadro bastante completo criado pela Plum Analytics que indica as métricas atualmente passíveis de serem aplicadas. Em suma, podemos pensar em um classificação altmetrics desse tipo:

Uso – downloads, visualizações, empréstimo de livros e periódicos, empréstimo entre bibliotecas
Captura – favoritos, salvar, gestores de referência online (Mendeley, Zoreto, EndNote)
Menções – blogs, notícias, artigos da Wikipédia, comentários, opiniões
Redes sociais – tweets, curtidas, compartilhamentos, avaliações (Twitter, Facebook, LinkedIn, Academia.edu)
Softwares – utilização e distribuição de dados (GitHub, FigShare)

Existem hoje várias ferramentas (públicas e privadas) que permitem coletar o amplo impacto da pesquisa científica. As principais são Altmetric, ImpactStory e PlumX. Vocês podem testar e avaliar. Mas a melhor maneira de entender o processo é ver as altmetrics em funcionamento. Aqui estão dois exemplos, um da revista Nature (imagem abaixo. Reparem no quadro de atenção online e o número de menções, e o quadro de menções em blogs e no twitter) e outro da PLOS One.

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Muitos trabalhos sobre altmetrics foram publicados ao longo dos últimos 2 anos, mas o panorama sobre o tema ainda não é perfeitamente claro ou consensual. As primeiras pesquisas sobre altmetrics têm concentrado principalmente em verificar se algumas dessas métricas (1) são tipos distintos de indicadores que mostram diferentes tipos de impacto, geralmente usando métodos estatísticos, e (2) se correlacionam com citações futuras. Não cabe aqui discutir, por enquanto, os prós e contras das altmetrics. Mas está aí para quem quiser ver um crescente corpo de pesquisa sobre altmetrics. Vale mencionar:

Altmetrics, Altmétricas, Altmetrias: novas perspectivas na visibilidade e no impacto das pesquisas científicas, de Sibele Fausto

Altmetria: métricas de produção científica para além das citações, de Fabio Gouveia

Introdução à altmetria: métricas alternativas da comunicação científica, de Iara Vidal e Carlos Marcondes

Uso de indicadores altmetrics na avaliação de periódicos científicos brasileiros em ciência da informação, de Andrea Gonçalves e Nanci Oddone

Cientometria 2.0, visibilidade e citação: uma incursão altmétrica em artigos de periódicos da ciência da informação, de Ronaldo Araujo

O QUE OS BIBLIOTECÁRIOS TEM A VER COM ISSO?

Com as altmetrics surgindo em toda parte (como nos artigos da PLoS ONE e Elsevier), os bibliotecários podem auxiliar professores e pesquisadores, contextualizando altmetrics dentro do cenário das métricas de citação tradicionais e mostrando como começar a utiliza-las.

Assim como todas as tendências e novidades, os bibliotecários não podem ignorar as altmetrics, ainda mais considerando que elas estão transformando-se em componentes adicionais dos produtos que nós compramos e ferramentas que recomendamos. Os bibliotecários precisam avaliar o potencial das altmetrics para apoiar adequadamente os pesquisadores, especialmente a geração mais jovem.

Os pesquisadores estão percebendo os botões altmetrics, emblemas e pontuação incorporados em artigos e perguntando o que são, se devem prestar atenção a eles, e como usá-los. Há uma oportunidade aqui aos bibliotecários para fornecer orientação e competências aos usuários.

Os bibliotecários que trabalham em ambientes de pesquisa terão de manter-se atualizados com as altmetrics para avaliar o impacto da literatura necessária para a sua coleção, e para direcionar os pesquisadores até as revistas de alto impacto para publicação. A mudança em direção à publicação de acesso aberto também tornará as altmetrics uma ferramenta valiosa para os bibliotecários na avaliação do impacto e da qualidade dessas publicações.

Em determinado momento, os bibliotecários responsáveis por repositórios e catálogos das bibliotecas universitárias terão de avaliar se é conveniente incluir dispositivos altmetrics a fim de incentivar os depositantes a enviar mais material e fornecer insights para o desenvolvimento de coleções. A Ex Libris, que fornece o softwares de biblioteca Aleph e Primo, adicionou um plugin Altmetric que qualquer cliente pode baixar e instalá-lo no catálogo, em que seus usuários serão capazes de ver o ranking e pontuação de todos os artigos correspondentes no sistema, através de uma nova aba “métricas” na página de detalhes do item.

Além disso, alguns bibliotecários estão envolvidos diretamente com departamentos de pesquisa, fornecendo suporte na concessão e obtenção de subvenções e fomento, acompanhando com a administração central a medição de desempenho e avaliação da qualidade das diversas atividades realizadas na universidade. Bibliotecários podem aconselhar sobre a compra de produtos e ferramentas que utilizam altmetrics e sobre a forma de apresentar a pesquisa realizada nas instituições em que trabalham usando altmetrics.

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O livro das árvores de Manuel Lima: visualizando ramos do conhecimento

O livro das árvores é o livro mais bonito em que coloquei minhas mãozinhas nos últimos anos e não bastasse a beleza visual para enfeitar a mesa da sala, é muito bem pesquisado e serve de referência para qualquer pessoa interessada em visualizações do conhecimento.

O livro é uma curadoria do português Manuel Lima e apresenta a história de visualizações hierárquicas, descrevendo a importância das árvores como metáforas para a vida e o conhecimento (“árvore do conhecimento” e “ramos” da ciência).

Para os bibliotecários e profissionais das correlatas, o maior impacto dessas árvores se dá no reino da taxonomia, como representações visuais de conceitos abstratos religiosos, científicos, artísticos e tudo mais.

Traz uma linha do tempo com mais de 800 anos de história dos diagramas de árvores, a partir de suas raízes nos manuscritos iluminados dos mosteiros medievais até o ressurgimento atual como meio de visualização de dados. Não é um livro sobre visualização de dados, não entra em detalhes sobre as técnicas atuais, e o autor argumenta que os diagramas de árvores possuem uma história muito mais longa de representações visuais do que apenas a visualização da informação.

É lindão. E o livro está disponível na Livraria Cultura e no Amazon e tem algumas páginas disponíveis para consulta no link abaixo.

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Leituras fundamentais para um bibliotecário

Edson Nery da Fonseca foi o segundo que veio a falecer dentre aqueles que considero como os fundamentais da crítica BBBB (bibliografia básica bibliotecária brasileira). Antes dele, Rubens Borba de Moraes. Isso significa que o legado está aí e permanecerá, mas todos os demais grandes autores brasileiros da área estão vivos e produtivos.

Como a biblioteconomia nacional é relativamente jovem, não produz em larga escala e as opiniões dificilmente mudam, é fácil identificar os grandes textos que constituem o núcleo duro da área, e seria perfeitamente possível para um bibliotecário aplicado ler essa produção ao longo de seu período formativo.

Quando ministrei a disciplina introdução à biblioteconomia (em algumas escolas chamada fundamentos da biblioteconomia) um dos objetivos era fazer com que os alunos, a maior parte deles sem saber ainda o que estavam fazendo no curso, reconhecessem os discursos prevalecentes da área e identificar essas correntes por intermédio de seus locutores, os grandes autores vivos.

Esse mapeamento da bibliografia fundamental bibliotecária já foi feito aqui anteriormente pelo Tiago, em duas ocasiões, Livros que influenciaram a biblioteconomia e Livros importantes para um bibiotecário.

Listei então os livros e textos que, para mim, constituem a bibliografia básica ou introdutória da biblioteconomia brasileira (incluído alguns poucos autores estrangeiros que foram bem traduzidos ao português). A maior parte dos livros está esgotada em suas tiragens, encontráveis apenas em bibliotecas e sebos. Algumas obras monumentais certamente ficaram de fora por descuido ou desconhecimento meu. Segue:

LIVROS FUNDAMENTAIS DA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo. Sociedade e Biblioteconomia. São Paulo: Polis, 1997.
BUTLER, Pierce. Introdução à ciência da Biblioteconomia. Rio de Janeiro: Lidador, 1971.
CASTRO, Augusto Cesar. História da biblioteconomia brasileira: perspectiva histórica. Brasília: Thesaurus, 2000.
CYSNE, Fátima Portela. Biblioteconomia: dimensão social e educativa. Fortaleza: EUFC, 1993.
FONSECA, Edson Nery da. A biblioteconomia brasileira no contexto mundial. Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro , 1979
FONSECA, Edson Nery da. Introdução à Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2007.
LE COADIC, Yves-François. A Ciência da Informação. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2004.
MCGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória. Brasília: Briquet de lemos, 1999.
MILANESI, Luis. Biblioteca. São Paulo : Ateliê, 2002.
MILANESI, Luis. O que é biblioteca. São Paulo : Brasiliense, 1984. [Coleção Primeiros Passos]
MORAES, Rubens Borba de. O problema das bibliotecas brasileiras
ORTEGA Y GASSET, J. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de Lemos, 2005.
RANGANATHAN, Shiyali Ramamrita. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.
SILVA, Waldeck Carneiro da. A miséria da biblioteca escolar. São Paulo : Cortez, 2003.
SOUZA, Francisco das Chagas. Biblioteconomia, educação e sociedade. Florianópolis UFSC, 1993. 104 p.

TEXTOS FUNDAMENTAIS DA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA

+ Biblioquê?

BARBARA, Vanessa. Leitor de livraria
FONSECA, Edson Nery. Tudo o que no mundo existe começa e acaba em livro
GARRIDO, Isadora. Por que escolhi biblioteconomia?
LEMOS, Briquet de. Cinquenta anos de sonhos e esperanças
MEY, Eliane Serrão Alves. A biblioteconomia envergonhada
SOUZA, Francisco das Chagas de. A escola de biblioteconomia e a ancoragem da profissão de bibliotecário
CUNHA, Murilo Bastos da. O bibliotecário brasileiro na atualidade

+ Práxis bibliotecária

CASTRO, César. Profissional da informação: perfil e atitudes desejadas
FONSECA, Edson Nery. Receita de bibliotecário
GARRIDO, Isadora. Tipos de Bibliotecários – O que faz um bibliotecário?
JAMBEIRO, Othon. A informação e suas profissões: a sobrevivência ao alcance de todos
MILANESI, Luis. A formação do informador
MEY, Eliane. O que fazem os bibliotecários?
ROBREDO, Jaime. Documentação de hoje e de amanhã (Livro)
TARGINO, Maria das Graças. Praxis bibliotecária

+ Epistemologia da biblioteconomia

ANDRADE, METCHKO, SOLLA. Algumas considerações acerca da situação epistemológica da Biblioteconomia
ARAÚJO, Eliany Alvarenga. A subjetividade enclausurada: o discurso científico na Biblioteconomia
VIEIRA, Anna de Soledade. Repensando a biblioteconomia

+ Elementos histórico-sociais das bibliotecas e da biblioteconomia

SERRAI, Alfredo. História da biblioteca como evolução de uma idéia e de um sistema
BURKE, Peter. Problemas causados por Gutenberg: a explosão da informação nos primórdios da Europa moderna
LIVRO: BATTLE, Mathew. A conturbada história das bibliotecas.
LIVRO: BAÉZ, Fernando. História universal da destruição dos livros

+ Legislação e Instituições biblioteconômicas

DIAS, Eduardo Ense. Ensino e pesquisa em ciência da informação
JOB, Ivone. Marcos históricos e legais do desenvolvimento da profissão de bibliotecário no Brasil
MUELLER, Suzana. O ensino de biblioteconomia no Brasil
SANTOS, Jussara. A Estrutura da Carreira em Biblioteconomia: contribuição à Classificação Brasileira de Ocupações
SILVA, Jonathas Carvalho. Perspectivas históricas da biblioteca escolar no Brasil e análise da lei 12.244/10
SOUZA, Victor Roberto Corrêa de. O acesso à informação na legislação brasileira
SPUDEIT, Daniela. Sindicatos de bibliotecários: história e atuação

+ Bibliotecas públicas

LEMOS, Briquet de. A biblioteca pública em face da demanda social brasileira
MIRANDA, Antonio. A missão da biblioteca pública no Brasil
PINHEIRO, Ricardo Queiróz. Biblioteca Pública: teimosia ou prioridade?
SOUZA, Francisco das Chagas de. Biblioteca serve para que? Bibliotecário faz o que?

+ As 5 Leis de Ranganathan

CAMPOS, Maria Luiza de Almeida. As cinco leis da biblioteconomia e o exercício profissional
CARUSO, Fabino. Reescrevendo as Leis de Ranganathan
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. A modernidade das cinco leis de Ranganathan
TARGINO, Maria das Graças. Ranganathan continua em cena

+ Relações biblio x bibliografia x documentação x ci

DIAS, Eduardo Wense. Biblioteconomia e ciência da informação:natureza e relações
FONSECA, Edson Nery da. Ciência da Informação e prática bibliotecária
LOUREIRO, JANNUZZI. Profissional da informação: um conceito em construção
ORTEGA, Cristina. Relações históricas entre Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação
SAMBAQUY, Lydia. Da Biblioteconomia à lnformática
ZAHER, Celia, GOMES, Hagar Espanha. Da Bibliografia à Ciência da Informação: um histórico e uma posição

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O que causa o cheiro de livros novos e velhos?

Todo mundo está familiarizado com o cheiro de livros antigos, o perfume estranhamente inebriante que assombra bibliotecas e sebos. Da mesma forma, quem não gosta de folhear as páginas de um livro recém-adquirido e respirar o aroma fresco de papel novo e tinta recém-impressa? Tal como acontece com todos os aromas, as origens podem ser traçadas a um número de constituintes químicos, e permitir o exame dos processos e compostos que podem contribuir para as duas causas.

Quanto ao cheiro de livros novos, é realmente muito difícil identificar compostos específicos, por várias razões. Em primeiro lugar, parece haver uma escassez de pesquisa sobre o assunto – para ser justo, é compreensível que o tópico não esteja exatamente no alto da lista de prioridades científicas. Em segundo lugar, a variação dos produtos químicos utilizados para a fabricação de livros também significa que se trata de um aroma que varia de livro para livro. Adicione a isso o fato de que existem literalmente centenas de compostos envolvidos, e torna-se mais claro por que ele foge da atribuição a uma pequena seleção de produtos químicos.

É provável que a maior parte do “cheiro de livro novo” possa ser atribuído a três fontes principais: o próprio papel (e os produtos químicos utilizados na sua fabricação), as tintas utilizadas para imprimir o livro, e a cola utilizada no processo de encadernação de livros.

O fabricação de papel requer a utilização de produtos químicos em várias fases. Grandes quantidades de papel são feitas de polpa de madeira (mas ele também pode ser feito a partir de algodão e tecidos) – produtos químicos tais como hidróxido de sódio, muitas vezes referido como “soda cáustica”, podem ser adicionados para aumentar o pH e fazer com que as fibras na polpa inchem. As fibras são, em seguida, branqueadas com um número de outras substâncias químicas, incluindo peróxido de hidrogênio; em seguida, são misturadas com grandes quantidades de água. Esta água vai conter aditivos para modificar as propriedades do papel – por exemplo, AKD (dímero de alquilceteno) é comumente usado como um “agente de cola” para melhorar a resistência do papel à água.

Muitos outros produtos químicos também são utilizados – esta é apenas uma visão geral sobre o processo. O resultado disso é que alguns destes produtos químicos podem contribuir, através de suas reações ou não, para a liberação de compostos orgânicos voláteis (COV) para a atmosfera, os odores que podemos detectar. O mesmo é válido para os produtos químicos utilizados nas tintas, e as colas utilizadas nos livros. Um número de diferentes colas são usadas ​​para encadernação de livros, muitas das quais são baseadas em orgânicos dos “co-polímeros” – grandes números de pequenas moléculas quimicamente interligadas.

Como dito, as diferenças de papel, adesivos e tintas utilizadas influenciam o “cheiro novo livro”, por isso nem todos os novos livros cheiram igual – talvez a razão porque nenhuma pesquisa ainda tentou definir conclusivamente o aroma.

Um aroma que tem tido muito mais pesquisas realizadas em torno dele, no entanto, é o de livros antigos. Há uma razão para isso, já que tem sido investigado como um potencial método para avaliar a condição de livros antigos, através do monitoramento das concentrações de compostos orgânicos diferentes que eles emitem. Como um resultado, nós podemos ter um pouco mais de certeza sobre alguns dos diversos compostos que contribuem para o aroma.

Geralmente, é a degradação química de compostos dentro do papel que leva à produção do “cheiro de livro antigo”. O papel contém, entre outras substâncias, celulose, e quantidades menores de lignina. Ambos são originários das árvores a partir do qual o papel é feito; papéis finos contêm menos lignina do que, por exemplo, papel de jornal. Em árvores, a lignina ajuda as fibras de celulose a se unirem, mantendo a madeira dura; também é responsável pelo processo de amarelado no papel com a idade, já que as reações de oxidação causam a decompor-se em ácidos, que, em seguida, ajudam a quebrar a celulose.

O cheiro de livro velho é derivado dessa degradação química. Documentos modernos de alta qualidade serão objetos de processamento químico para remoção da lignina, mas a quebra de celulose no papel ainda pode ocorrer (embora a um ritmo muito mais lento) devido à presença de ácidos nos arredores. Estas reações, referidas geralmente como “hidrólise ácida”, produzem uma ampla gama de compostos orgânicos voláteis, muitos dos quais podem contribuir para o cheiro de livros antigos. Um número selecionado de compostos tiveram suas contribuições identificadas: benzaldeído adiciona um aroma de amêndoas; vanilina adiciona um aroma de baunilha; etilbenzeno e tolueno comunicam cheiros doces; e 2-etilhexanol tem um contributo ligeiramente floral. Outros aldeídos e álcoois produzidos por essas reações têm baixos limiares de odor e também contribuem.

Outros compostos emitidos foram marcados como úteis para determinar a extensão da degradação de livros antigos. O furfural é um desses compostos, mostrado abaixo. Ele também pode ser usado para determinar a idade e composição de livros, com livros publicados após os meados dos anos 1800 que emitem mais furfural, e a sua emissão geralmente aumentando com o ano de publicação relativa aos livros antigos compostos por algodão ou papel de linho.

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Assim, em conclusão, como acontece com muitos aromas, não podemos apontar um composto específico, ou a família de compostos, e afirmar categoricamente que ele é a causa do cheiro. No entanto, podemos identificar potenciais contribuintes, e, em particular, no caso do cheiro de livro velho, foram sugeridas uma série de compostos. Se alguém é capaz de fornecer mais informações sobre o “cheiro de livro novo” e suas origens, seria ótimo para incluir alguns detalhes mais específicos, mas eu suspeito que as grandes variações no processo de produção do livro fazem deste um pedido difícil.

No meio tempo, se você é incapaz de resistir ao cheiro de livro novo ou velho, vai gostar de saber que uma empresa tem produzido uma série de aerossóis destinados a replicá-los, embora eles já não parecem estar disponíveis para compra. Alternativamente, se você mesma quiser cheirar como um livro, parece que o aroma também está disponível em forma de perfume.

[tradução de What Causes the Smell of New & Old Books?]

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E-books para bibliotecas – curso a distância

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Só se fala deles: e-books. O mesmo trabalho, um novo suporte. E os bibliotecários querendo saber como integrar esse recurso aos seus serviços e acervos.

O livro em papel não morreu, nem morrerá, fiquem tranquilos. Embora essa discussão pra gente não faça sentido, justamente porque se trata apenas de mais um formato, por outro lado, temos a responsabilidade da guarda e atender a demanda dos usuários, então é importante que estejamos atentos às mudanças de padrões tecnológicos (a escrita sendo a primeira tecnologia, os ebooks a mais recente). O que os bibliotecários não podem fazer é argumentar que não estão preparados para a mudança.

Já escrevi algumas coisas sobre ebooks, vocês podem ler aqui:
Alguma biblioteca brasileira já faz *empréstimo* de ebooks?
O que os bibliotecários precisam saber sobre ebooks?

Daí, o pessoal da ExtraLibris e eu decidimos criar um curso online pra oferecer uma visão introdutória ao universo dos livros eletrônicos, apresentando as alternativas disponíveis em termos de formatos, dispositivos e fornecedores no Brasil e no exterior, provendo aos participantes os conhecimentos necessários para avaliar, planejar e implementar o uso de e-books em sua biblioteca.

Vai ser mais um boa oportunidade de trocar experiências e trabalharmos juntos para preparar o terreno para os livros eletrônicos.

No site da ExtraLibris vocês encontram todas as informações sobre o curso a distância, que começa dia 28 de abril.

OBJETIVO
O curso tem como objetivo aportar conhecimentos teóricos e práticos sobre a implementação e uso de livros eletrônicos em bibliotecas, que permitam ao profissional preparar-se para introduzir ou otimizar esse tipo de recurso em seu acervo.

Ao final do curso, os participantes deverão conhecer e estar familiarizados com:
Formatos de e-books e dispositivos de leitura disponíveis no mercado brasileiro e internacional;
Principais modelos para aquisição e assinatura de e-books;
Critérios para avaliação e comparação de coleções eletrônicas e interfaces de acesso;
Estratégias para a disseminação e promoção do catálogo de e-books na biblioteca;
Tendências futuras na área dos livros eletrônicos em relação ãs bibliotecas.

INSTRUTOR
Moreno Barros
Bibliotecário do centro de tecnologia da UFRJ. Mestre em Ciência da Informação. Têm longa experiência em projetos de digitalização e curadoria digital. Participou de editais públicos de fomento e processos de aquisição de livros eletrônicos. É um dos editores do blog Bibliotecários Sem Fronteiras, foi organizador do primeiro BiblioCamp e já ministrou dezenas de palestras e cursos sobre cultura digital em bibliotecas e universidades ao redor do país.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Módulo I – Introdução aos e-books
Definição e conceitos dos e-book
Principais formatos de publicação
E-readers e outros dispositivos de leitura
Vantagens e desvantagens para os usuários e a biblioteca

Módulo II – Tipos de e-books e fontes de aquisição
Mercado editorial de e-books
Modelos de negócio para aquisição de e-books
Repositórios de livros eletrônicos e fontes de acesso aberto
Fornecedores ativos no Brasil e no exterior (distribuidores, agregadores, editoras, etc.)

Módulo III – Critérios de avaliação de e-books
Critérios de avaliação para aquisição de e-books
Comparação de plataformas e interfaces de acesso
Avaliação de necessidades dos usuários
Boas práticas de negociação com fornecedores

Módulo IV – Como implementar o uso dos e-books com sucesso
Acesso local e remoto aos e-books
Empréstimo de e-books e e-readers
Otimização do uso de e-books nas bibliotecas e em sala de aula
Estratégias para promoção do acervo eletrônico (usando as ferramentas disponíveis na biblioteca)

Módulo V – Desafios e novas tendências
Principais desafios para a implementação de e-books
Questões éticas no uso dos e-books
Tendências futuras dos e-books em relação às bibliotecas
Revisão dos temas abordados

METODOLOGIA
O curso requer aproximadamente 6 horas de participação por semana, no horário de sua preferência. Não há sessões ao vivo, e todas as atividades estão disponíveis para consulta no site do curso. Espera-se dos participantes que leiam os textos recomendados, assistam ao conteúdo online das aulas, participem ativamente das discussões nos fóruns, e completem as tarefas e atividades propostas para a semana. As aulas em vídeo e outros materiais de apoio de cada módulo serão liberados para acesso no início de cada semana. O instrutor irá monitorar regularmente as discussões nos fóruns, propor novos tópicos de discussão e responder a perguntas individuais e do grupo.

AVALIAÇÃO
O curso é totalmente online. Cada módulo conta com tarefas e exercícios para fixação de conteúdo dos conceitos apresentados e discutidos em aula que vão sendo computados continuamente no decorrer do curso. O aluno tem permissão de cópia do material didático escrito.

CARGA HORÁRIA
40 Horas

O curso tem carga horária de 40 horas que poderão ser desenvolvidas em até 60 dias corridos, a partir da data de início do curo. O curso fica disponível 24 horas, 7 dias da semana. Você pode acessar o conteúdo em qualquer hora ou lugar, no seu tempo disponível, sem horários fixos, de forma simples e prática. Após o encerramento do curso, o aluno poderá acessar o conteúdo do curso por mais 30 dias.

PERÍODO DE INSCRIÇÕES
24/03/2014 a 26/04/2014

PERÍODO DE REALIZAÇÃO
De 28/04/2014 a 20/06/2014

VALORES
PROMOCIONAL (PESSOA FÍSICA)
R$ 249*
* O valor promocional é para estudantes e profissionais que se inscrevem com CPF e pagam através do PagSeguro.
* O valor pode ser parcelado no cartão em até 12x com adicional ou no boleto bancário, através do Pagseguro.
* O curso inicia no dia 28/04/2014, portanto, se o pagamento for feito através de Boleto Bancário, o banco pode demorar até 2 dias úteis para processar o pagamento. Desta forma, pode haver um atraso pra aqueles que pagarem por boleto depois do dia 25/04/2014. Assim que o pagamento for liberado pelo banco, a matrícula é liberada no sistema automaticamente.

OFICIAL (PESSOA JURÍDICA)
A ExtraLibris pratica valores promocionais para democratizar o acesso a formação para estudantes e profissionais liberais que queiram investir por contra própria em sua formação. Para consultar o valor integral de cada curso com a emissão de notas fiscas ou notas de empenho para pessoa jurídica entre em contato com a empresa responsável no email: caruso@personates.com

VAGAS
60 (mínimo 20 inscritos)

TIPO DE CURSO
Ensino a distância (EAD) / Moodle : extralibris.com

CERTIFICADO
Serão emitidos certificados para os alunos que tiverem o aproveitamento mínimo de 70%. Consta no certificado: a carga horária do curso, os conteúdos ministrados, a marca da ExtraLibris e assinatura tanto do professor quanto do organizador do curso. Os certificados serão enviados para o e-mail do aluno ao fim do curso.

CONTATO
contato@extralibris.org

Outras informações sobre a ExtraLibris e a plataforma você encontra clicando aqui.