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E-books para bibliotecas – curso a distância

ebooks biblioteca

Só se fala deles: e-books. O mesmo trabalho, um novo suporte. E os bibliotecários querendo saber como integrar esse recurso aos seus serviços e acervos.

O livro em papel não morreu, nem morrerá, fiquem tranquilos. Embora essa discussão pra gente não faça sentido, justamente porque se trata apenas de mais um formato, por outro lado, temos a responsabilidade da guarda e atender a demanda dos usuários, então é importante que estejamos atentos às mudanças de padrões tecnológicos (a escrita sendo a primeira tecnologia, os ebooks a mais recente). O que os bibliotecários não podem fazer é argumentar que não estão preparados para a mudança.

Já escrevi algumas coisas sobre ebooks, vocês podem ler aqui:
Alguma biblioteca brasileira já faz *empréstimo* de ebooks?
O que os bibliotecários precisam saber sobre ebooks?

Daí, o pessoal da ExtraLibris e eu decidimos criar um curso online pra oferecer uma visão introdutória ao universo dos livros eletrônicos, apresentando as alternativas disponíveis em termos de formatos, dispositivos e fornecedores no Brasil e no exterior, provendo aos participantes os conhecimentos necessários para avaliar, planejar e implementar o uso de e-books em sua biblioteca.

Vai ser mais um boa oportunidade de trocar experiências e trabalharmos juntos para preparar o terreno para os livros eletrônicos.

No site da ExtraLibris vocês encontram todas as informações sobre o curso a distância, que começa dia 28 de abril.

OBJETIVO
O curso tem como objetivo aportar conhecimentos teóricos e práticos sobre a implementação e uso de livros eletrônicos em bibliotecas, que permitam ao profissional preparar-se para introduzir ou otimizar esse tipo de recurso em seu acervo.

Ao final do curso, os participantes deverão conhecer e estar familiarizados com:
Formatos de e-books e dispositivos de leitura disponíveis no mercado brasileiro e internacional;
Principais modelos para aquisição e assinatura de e-books;
Critérios para avaliação e comparação de coleções eletrônicas e interfaces de acesso;
Estratégias para a disseminação e promoção do catálogo de e-books na biblioteca;
Tendências futuras na área dos livros eletrônicos em relação ãs bibliotecas.

INSTRUTOR
Moreno Barros
Bibliotecário do centro de tecnologia da UFRJ. Mestre em Ciência da Informação. Têm longa experiência em projetos de digitalização e curadoria digital. Participou de editais públicos de fomento e processos de aquisição de livros eletrônicos. É um dos editores do blog Bibliotecários Sem Fronteiras, foi organizador do primeiro BiblioCamp e já ministrou dezenas de palestras e cursos sobre cultura digital em bibliotecas e universidades ao redor do país.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Módulo I – Introdução aos e-books
Definição e conceitos dos e-book
Principais formatos de publicação
E-readers e outros dispositivos de leitura
Vantagens e desvantagens para os usuários e a biblioteca

Módulo II – Tipos de e-books e fontes de aquisição
Mercado editorial de e-books
Modelos de negócio para aquisição de e-books
Repositórios de livros eletrônicos e fontes de acesso aberto
Fornecedores ativos no Brasil e no exterior (distribuidores, agregadores, editoras, etc.)

Módulo III – Critérios de avaliação de e-books
Critérios de avaliação para aquisição de e-books
Comparação de plataformas e interfaces de acesso
Avaliação de necessidades dos usuários
Boas práticas de negociação com fornecedores

Módulo IV – Como implementar o uso dos e-books com sucesso
Acesso local e remoto aos e-books
Empréstimo de e-books e e-readers
Otimização do uso de e-books nas bibliotecas e em sala de aula
Estratégias para promoção do acervo eletrônico (usando as ferramentas disponíveis na biblioteca)

Módulo V – Desafios e novas tendências
Principais desafios para a implementação de e-books
Questões éticas no uso dos e-books
Tendências futuras dos e-books em relação às bibliotecas
Revisão dos temas abordados

METODOLOGIA
O curso requer aproximadamente 6 horas de participação por semana, no horário de sua preferência. Não há sessões ao vivo, e todas as atividades estão disponíveis para consulta no site do curso. Espera-se dos participantes que leiam os textos recomendados, assistam ao conteúdo online das aulas, participem ativamente das discussões nos fóruns, e completem as tarefas e atividades propostas para a semana. As aulas em vídeo e outros materiais de apoio de cada módulo serão liberados para acesso no início de cada semana. O instrutor irá monitorar regularmente as discussões nos fóruns, propor novos tópicos de discussão e responder a perguntas individuais e do grupo.

AVALIAÇÃO
O curso é totalmente online. Cada módulo conta com tarefas e exercícios para fixação de conteúdo dos conceitos apresentados e discutidos em aula que vão sendo computados continuamente no decorrer do curso. O aluno tem permissão de cópia do material didático escrito.

CARGA HORÁRIA
40 Horas

O curso tem carga horária de 40 horas que poderão ser desenvolvidas em até 60 dias corridos, a partir da data de início do curo. O curso fica disponível 24 horas, 7 dias da semana. Você pode acessar o conteúdo em qualquer hora ou lugar, no seu tempo disponível, sem horários fixos, de forma simples e prática. Após o encerramento do curso, o aluno poderá acessar o conteúdo do curso por mais 30 dias.

PERÍODO DE INSCRIÇÕES
24/03/2014 a 26/04/2014

PERÍODO DE REALIZAÇÃO
De 28/04/2014 a 20/06/2014

VALORES
PROMOCIONAL (PESSOA FÍSICA)
R$ 249*
* O valor promocional é para estudantes e profissionais que se inscrevem com CPF e pagam através do PagSeguro.
* O valor pode ser parcelado no cartão em até 12x com adicional ou no boleto bancário, através do Pagseguro.
* O curso inicia no dia 28/04/2014, portanto, se o pagamento for feito através de Boleto Bancário, o banco pode demorar até 2 dias úteis para processar o pagamento. Desta forma, pode haver um atraso pra aqueles que pagarem por boleto depois do dia 25/04/2014. Assim que o pagamento for liberado pelo banco, a matrícula é liberada no sistema automaticamente.

OFICIAL (PESSOA JURÍDICA)
A ExtraLibris pratica valores promocionais para democratizar o acesso a formação para estudantes e profissionais liberais que queiram investir por contra própria em sua formação. Para consultar o valor integral de cada curso com a emissão de notas fiscas ou notas de empenho para pessoa jurídica entre em contato com a empresa responsável no email: caruso@personates.com

VAGAS
60 (mínimo 20 inscritos)

TIPO DE CURSO
Ensino a distância (EAD) / Moodle : extralibris.com

CERTIFICADO
Serão emitidos certificados para os alunos que tiverem o aproveitamento mínimo de 70%. Consta no certificado: a carga horária do curso, os conteúdos ministrados, a marca da ExtraLibris e assinatura tanto do professor quanto do organizador do curso. Os certificados serão enviados para o e-mail do aluno ao fim do curso.

CONTATO
contato@extralibris.org

Outras informações sobre a ExtraLibris e a plataforma você encontra clicando aqui.

pergamum

Qual é o futuro do catálogo das bibliotecas?

Catálogos de biblioteca não são esteticamente atraentes (embora gosto e bunda…), mas o problema mais crítico é que, em muitos casos, eles são impossíveis de usar, especialmente para as pessoas que tentam usá-los pela primeira vez. Daí a necessidade constante de oferecer treinamentos aos usuários sobre o uso do catálogo e demais recursos da biblioteca, como a minha e muitas outras bibliotecas fazem.

Murakami já divagou sobre o catálogo, eu tive algumas ideias sobre a interface dos OPACs, e o próprio conceito de catálogo 2.0 já vem sendo abordado há algum tempo, mas nenhuma proposta que eu conheça envolve diretamente o design a partir da demanda dos usuários. Na evolução do catálogo sob a ótica do usuário temos muito a aprender com o Google em termos de usabilidade e apresentação dos resultados de busca. Claro que como um sistema de recuperação o Google funciona de maneira diferente, porque a representação de páginas web não é feita da mesma maneira como nós descrevemos registros bibliográficos (e o investimento em user experience é infinitamente maior, porque o produto deles afinal são os usuários).

A discussão técnica entre bibliotecários deveria sugerir um catálogo de biblioteca que altera seu foco sobre a informação bibliográfica (metadados) para o foco no desempenho da busca realizada pelo usuário em relação ao item de biblioteca. O catálogo funcionaria mais como uma ferramenta que auxilia as pessoas a realizar suas tarefas, e os dados bibliográficos existiriam silenciosamente em segundo plano, expostos somente quando necessário (mais necessário em uma biblioteca acadêmica do que em uma biblioteca pública, por exemplo).

Um outro aspecto é que os vendedores de software estão cada vez mais aprimorando e cobrando caro por sistemas de “discovery e delivery” (Primo da ExLibris, Chamo da VTLS, por ex), quando na verdade os usuários estão encontrando seus caminhos em sistemas de busca abertos (Google Scholar, por ex). Nesse sentido, a segunda discussão técnica deveria sugerir que as bibliotecas não devem investir em novas ferramentas de descoberta, porque o benefício para os usuários é marginal. Em vez disso, poderíamos nos concentrar em melhorar a entrega dos materiais comprados e licenciados para usuários, permitindo que os metadados sejam rastreados e anexados pelos sistemas que os usuários costumam utilizar (google, facebook e wikipedia, por exemplo).

Entendo que existe uma resistência por parte da classe em liberar seus dados, já que delegar essa função a outros players pode eliminar nosso status de guardiões. Mas se isso já é feito sem qualquer problema com os atuais provedores de software de bibliotecas (Pergamum, Sophia, Aleph, etc), pagando caro por isso, e os resultados, em termos de aceitação e apreciação estética por parte dos usuários não são satisfatórios, temos que repensar e redesenhar a maneira que nós oferecemos nossos serviços e produtos para o acesso à informação bibliográfica (e em paralelo, no curto prazo, cobrar dessas empresas que contratem designers front end, porque a interface é pífia).

Muita coisa ainda precisa ser discutida, mas por enquanto, tomando o texto da Mariana Mathias como partida, gostaria de me concentrar nos aspectos estéticos e de design dos catálogos, sob a ótica do usuário final. Assim como eu fiz anteriormente na compilação dos melhores design e usabilidade de sites de biblioteca (que aliás sofrem a maioria do mal de não contar com um catálogo que seja integrado ao próprio site ou que junte as coleções de ebooks, de periódicos e de livros), percorri alguns sites e sistemas de apresentação de livros (catálogos de bibliotecas ou não) que operando no modelo de “estante virtual” com ênfase nas capas dos livros, representam um salto qualitativo enorme na perspectiva estética de busca e recuperação.

Quando teremos catálogos de biblioteca que se pareçam com os exemplos abaixo?

Bibliotecas fora de moda

Por R$138 (mais o frete) você pode ter um capinha de iphone que parece ter sido tirada de uma biblioteca que não respeita a privacidade de seus usuários.

Por mais que eu adore a ideia de que as pessoas estariam pegando emprestado um livro de Shakespeare quase semanalmente (em 2014! Ele está disponível na internet) e, pessoalmente, gostar da iconografia dessas fichas antigas, é sempre intrigante vê-los por aí apropriados como um objeto da moda.

Kate Spade lançou uma coleção que celebra a “sagacidade literária” e um monte de itens com temática de biblioteca, o que deve significar que, pelo menos em algum lugar, as bibliotecas são vistas como algo que vale a pena investir.

Curiosamente, as assinaturas na ficha do livro são nomes de funcionários da Kate Spade. Hester Sunshine é um blogueiro da Kate Spade. Erin Graves trabalha no marketing, assim como Noura Barnes, Sophia Smith e Wendy Chan. Julie Ly é do RP e Suzanne Schloot trabalha no marketing de mídia social. Outras pessoas possuem assinaturas que são difíceis de ler (jogada inteligente) ou nomes que são demasiado gerais para rastrear.

Então, isso é legal e um monte de gente compartilhou a capinha no facebook. Ao mesmo tempo, isso meio que fetichiza a biblioteca (e faz dinheiro para os criadores do produto) sem realmente passar qualquer desse entusiasmo à própria biblioteca.

Eu tenho sentimentos semelhantes sobre as chamadas Pequenas Bibliotecas Livres. Eu gosto delas. Elas são divertidas e uma ideia elegante para as pessoas conseguirem outras pessoas interessadas em leitura e no poder de construção de uma comunidade em torno de livros. Eu sou a favor de ambas as coisas. Mas já que elas são chamadas de bibliotecas, as pessoas olham para mim e meus colegas de trabalho e dizem: “Ei, você curtiu essas bibliotecas? Não acha que deveria ter pensado nisso antes?” E minha resposta, que eu tento oferecer sem soar mal humorada, é que eu amo essas coisas, mas eu não sei por que elas são chamadas bibliotecas, em vez de estantes comunitárias, que é o que realmente elas são.

Exceto que eu sei por quê. Porque a palavra biblioteca é evocativa de um monte de coisas, de agora se estendendo profundamente no passado. Tem seriedade e vem com um monte de associações que você pode de certa forma obter gratuitamente, ligando as suas coisas com bibliotecas. Exceto que as bibliotecas têm um custo. E o trabalho exigido para mantê-las em funcionamento (o que é muito mais do que manter uma estante abastecida) é complicado, às vezes ingrato e sob o ataque de pessoas que acham que de alguma forma as bibliotecas não estão na moda o suficiente, não são maneiras ou atuais o suficiente, que o nosso dia passou. Então, sinta-se livre para deixar de me enviar esta capa de iPhone, por mais que eu tenha achado bacana, e pense sobre o porquê de as pessoas adorarem esse tipo de coisa e ao mesmo tempo não darem a mínima para as bibliotecas de sua cidade.

[tradução de unfashionable libraries]

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Biblioteca Parque Estadual – Rio de Janeiro

Mais uma grande biblioteca pública do país reabriu suas portas, depois de longos anos fechadas, e taí. Nada melhor do que um projeto inovador para oxigenar a crença pública nas bibliotecas.

Todas as informações da biblioteca podem ser encontradas no site, que também ficou da hora: bibliotecasparque.org.br

[fotos encontradas livremente na internet, preguiça de conceder créditos]

Poster Caterina_Newcastle web

Como criar um poster para conferências e congressos

Paula Macedo, que é bibliotecária e/ arquiteta de informação compartilhou nas interwebs o poster que apresentará no IA SUMMIT, e eu me recordei que foram poucas as vezes, nos congressos que participei, que vi um poster tão decente e tão bem desenhado quanto o dela.

poster congresso

Como a maioria dos pesquisadores e pessoas que apresentam trabalhos em eventos, não sou designer, nem trabalho com UX (como a Paula), então o que podemos fazer para impedir ou minimizar o impacto dos nossos posters com padrão de apresentação sofrível?

Pois bem, um poster de grande formato nada mais é do que um grande pedaço de papel (ou monitor de tv) que serve para comunicar a sua pesquisa em uma conferência, geralmente composto de um título curto, uma introdução para a questão de pesquisa, uma visão geral de sua (nova) abordagem, os resultados relevantes em forma gráfica, alguma discussão esclarecedora dos resultados acima mencionados, uma lista de artigos previamente publicados que foram importantes para sua pesquisa e um breve reconhecimento da ajuda e apoio financeiro que você recebeu. Se todo o texto for mantido a um mínimo, uma pessoa pode (deve ser capaz de) ler totalmente o seu poster em menos de 5 minutos.

Embora você possa ​​comunicar todos os itens acima através de uma palestra de 15 minutos na mesma conferência, apresentar um poster permite que você interaja mais pessoalmente com as pessoas que estão interessadas em seu tópico. Posters também são úteis porque eles normalmente podem ser vistos mesmo quando você não está nas dependências do congresso, e até depois do término do evento, se você encontrar um bom prego e local onde possa pendurá-lo. Além disso, apresentar um poster é bastante recomendado se você não sabe falar bem em público (evidência bastante comum nos congressos, de diferentes áreas).

O melhor conselho que eu posso dar a quem está criando um poster pela primeira vez é descrever as circunstâncias em que um cartaz será visto: algum espaço ou sala quente, barulhenta, congestionada e com má iluminação. As sessões de pôsteres são muitas vezes concomitante com as palestras principais e ou até os coffee breaks, de modo que os participantes estão muitas vezes mais preocupados com a comida do que os trabalhos dos colegas. Mas pode piorar. Os organizadores dos eventos invariavelmente situam seu poster entre dois outros que são infinitamente mais interessantes e melhor elaborados, e em algum momento você será obrigado a permanecer ereto ao lado do seu poster, aguardando que uma comissão avaliadora julgue a qualidade do seu trabalho. Por causa de todas essas situações, o poster precisa ser visualmente interessante se ​​você quiser atrair apreciadores ou telespectadores.

Se você é um posteiro de primeira viagem é de bom grado gastar alguns minutos navegando por posters disponíveis online, só para ver a diversidade de layouts que as pessoas têm usado. Além de uma pesquisa no Google Images (tente pôster congresso, por exemplo), navegue pela coleção de posters da Faculty of 1000 ou do PhD posters. Mas não imite tudo que você vê – a maioria dos posters na internet são horríveis e alguns são possíveis crimes contra a humanidade. Parte do problema é que a maioria das pessoas que acabam em disciplinas que exigem posters (hard sciences, engenharias, saúde, etc) nunca são devidamente treinadas na maioria dos conceitos básicos de tipografia, escolha de cores e layout de página. Independentemente da causa, evite modelar seu design do poster sobre outros já publicados na internet (veja abaixo alguns posters que eu selecionei como exemplos de design e concepção, e esses sim, podem servir de modelo).

Ao contrário de um artigo, um poster pode adotar uma variedade de layouts, que usam como base gráficos e fotografias. Na verdade, você provavelmente não quer que seu poster se pareça com qualquer outro poster na sala. Enquanto você manter o espaço em branco suficiente, os alinhamentos de coluna de forma lógica e fornecer pistas claras para seus leitores sobre como eles devem percorrer os elementos de seu poster, você pode e deve ser criativo. Como esse aqui abaixo:

poster conferencia

Que seções incluir e o que eles devem conter?

Título: deve transmitir brevemente o “problema”, a abordagem experimental e o sistema em questão (ex. organismo, planeta, serviço, biblioteca, etc). Precisa ser atraente, a fim de cativar transeuntes desligados [aproximadamente 1-2 linhas]

Resumo: não inclua um resumo em um poster. Se por algum motivo você for forçado a incluir um resumo no seu poster, obedeça a essas regras. Mas saiba que o poster é um resumo de sua pesquisa, por isso é um desperdício de espaço ter um resumo do resumo. Mas é comum a confusão sobre isso: se você for apresentar seu poster em um evento, provavelmente será solicitado a enviar um resumo. Mas esse resumo é para inclusão nos anais ou catálogo do congresso e não para aparecer espremido no poster.

Introdução: faça com que o visualizador se interesse no problema ou questão usando o mínimo de informação conceitual e definições. Rapidamente coloque a sua questão no contexto da literatura primária publicada, então apresente uma nova hipótese interessante. Em seguida você pode descrever (brevemente) a abordagem experimental que testou sua hipótese. Ao contrário de um artigo, a introdução de um poster é um lugar apropriado para colocar uma fotografia ou ilustração que comunica algum aspecto de sua pergunta de pesquisa [cerca de 200 palavras].

Materiais e métodos: Faça uma breve descrição dos equipamentos e procedimento experimental, mas não com o detalhamento usado para um artigo. Utilize figuras e fluxogramas para ilustrar o delineamento experimental. Se possível, inclua uma fotografia ou desenho rotulado do organismo ou da configuração. Mencione as análises estatísticas que foram usadas ​​e como isso lhe permitiu abordar hipótese [cerca de 200 palavras]

Resultados: Em primeiro lugar, mencione se o seu procedimento experimental efetivamente funcionou (por exemplo, “90% das aves sobreviveram…”). No mesmo parágrafo, descreva brevemente os resultados qualitativos e descritivos (por exemplo, “as aves sobreviventes apresentaram letargia e tiveram dificuldade em localizar sementes”). Para dar um tom mais pessoal ao seu poster, no segundo parágrafo, comece a apresentação da análise de dados que aborda mais especificamente a sua hipótese. Utilize gráficos ou imagens como apoio. Forneça legendas autoexplicativas para as figuras (ou seja, capazes de transmitir alguma ideia para o leitor mesmo que ele ignore todas as outras seções, o que eles normalmente fazem). Você pode também incluir tabelas com legendas, mas opte por figuras sempre que possível. Esta é sempre a maior seção (exceto se você não possui dados). [cerca de 200 palavras, sem contar as legendas das figuras]

Conclusões: Relembre o leitor do resultado maior e rapidamente indique se sua hipótese foi confirmada. Tente convencer o visitante o por que esse resultado é interessante. Afirme a relevância de seus resultados com outros trabalhos publicados e a aplicação no mundo real. Indique as direções futuras. [cerca de 200 palavras]

Literatura citada: siga o formato descrito por sua área de pesquisa (a polícia bibliográfica de algumas conferências vai encontrar até mesmo as pequenas infrações, fique atento). Procure citar sempre outros trabalhos acadêmicos e publicações de periódicos científicos reconhecidos. [5-10 citações]

Agradecimentos: agradeça indivíduos por contribuições específicas (consultoria estatística, assistência laboratorial, comentários sobre as versões anteriores do poster, etc). Mencione quem concedeu financiamento. Não se exceda nos títulos das pessoas (João da Silva pode funcionar melhor do que Dr. Silva). Também inclua nesta seção divulgações explícitas para quaisquer conflitos de interesse e de compromisso. [cerca de 40 palavras]

Mais informações: se você mandou bem, alguns visitantes vão querer saber mais sobre a sua pesquisa e você pode usar esta seção para fornecer seu endereço de e-mail, o endereço do site, ou talvez uma URL, onde eles podem baixar uma versão em PDF do poster ou dados relevantes. Apenas certifique-se de editar a URL (não precisa ser azulada ou sublinhada. Utilize um encurtador).

Alguns dias antes da apresentação solicite que algumas pessoas critiquem seu poster, preferencialmente quando você não estiver presente (se você estiver por perto elas vão dizer “está muito bom!”). Peça-lhes para deixar as suas sugestões anotadas, levando-os a comentar sobre o conteúdo, contagem de palavras, o fluxo da ideia, a clareza das figuras, o tamanho da fonte, ortografia, etc. Você pode imprimir uma versão em miniatura de seu poster. Se você tiver acesso a um projetor, exiba o seu cartaz em uma tela grande e peça às pessoas para indicar na tela suas sugestões (mais uma vez, você deve estar em outro lugar, elas podem deixar post-its colados).

Outra maneira de solicitar comentários é converter o poster a um JPG e postá-lo no Twitter, Facebook ou no grupo Pimp My Poster do Flickr, e depois esperar pelas sugestões (“queridos amigos, por favor, me ajudem a tornar meu poster menos horrível. Comentários serão apreciados”).

SOFTWARES DE EDIÇÃO
Posters exigem visualização e impressão em grande formato, então você precisará de um programa específico para isso. A melhor saída é encontrar algum amigo designer que fará o processo de criação em softwares gráficos como Corel, Photoshop, Illustrator, Inkscape. Você pode tentar um software exclusivo para confecção de posters, como PosterGenius, Scribus ou até mesmo LaTeX, mas todos são bastante complicados.

Por sorte, a maioria das conferências hoje em dia solicita apenas a versão digital do poster, já que a apresentação deles é feita (horizontal ou verticalmente, verifique antes com a organização do evento) em telas de tv ou monitores de muitas polegadas. Sendo assim, a maneira mais simples é confeccionar o poster no próprio Power Point, Keynote ou Draw.

TEMPLATES
Você pode buscar por templates na internet ou utilizar os modelos abaixo (Microsoft PPT). Basta ajustar as dimensões na área de configuração do Power Point para que você tenha um modelo do tamanho que deseja (as conferências geralmente especificam o tamanho dos posters). Depois que o tamanho for corrigido, basta substituir o “blá, blá, blá” com seu próprio texto, adicionar alguns gráficos e está feito.

Aqui você encontra 5 tipos diferentes de templates, horizontais e verticais. Cada um deles evidencia melhor uma determinada área, alguns com três, outros com mais colunas. Escolha aquele que melhor se adequa ao conteúdo que você pretende apresentar. Clique sobre as imagens para baixar o arquivo template do Power Point.

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O QUE FAZER E O QUE NÃO FAZER
Algumas referências interessantes:
Como fazer um pôster para um Congresso
Como fazer um pôster científico
Preparando um pôster para conferência
Designing conference posters
Michael Barton’s poster tips
Conference posters
Speaking guidelines

INSPIRAÇÃO
Alguns posters que humilham a humanidade científica no quesito design:

Todos os posters acima criação do português Osvaldo Branquinho

Projeto acima de Cátia Costa

[tradução adaptada do post original de Colin Purrington "Designing conference posters"]

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Novas tecnologias e marketing digital em bibliotecas

Um vídeos, três coisas:
modelo de aplicação de tecnologias em bibliotecas;
estratégias de aplicação de tecnologias e marketing em biblioteca;
como gerenciar o BSF é parecido com a gestão de uma biblioteca.

Na comemoração do dia do bibliotecário eu tive o privilégio de ser convidado para uma palestra na câmara dos deputados. Há muito tempo venho oferecendo palestras ao redor do país, sempre atendendo prontamente aos convites, nunca pensando em uma possibilidade de grana extra, e compartilhando o máximo daquilo que eu acredito em relação ao trabalho em bibliotecas.

O vídeo diz melhor, mas se eu pudesse resumir esse discurso que foi sendo moldado ao longo dos anos, e que se assemelha imensamente ao próprio escopo desse blog, eu diria que minha fala sempre foi motivacional em direção a uma biblioteconomia do possível. Porque na vida real a gente trabalha com o impossível, nos tornamos bons na ausência completa de recursos, mas nada impede que sejamos capazes de pensar, propor e desenvolver uma biblioteconomia próxima do ideal, que sejamos capazes de identificar as melhores práticas e verificar de que maneira podemos fazer uso delas, que sejamos capazes de criticar serviços e produtos ruins mas com enorme potencial de aplicação.

Esse vídeo aí acima é um encerramento do meu ciclo de apresentações públicas. É necessário voltar para a biblioteca e descobrir e testar coisas novas, antes de voltar a falar. A gente se vê por aí :)