page-numbers

Identificadores de fragmento e DOIs

Antes do conteúdo (ou quase tudo nessa vida) se tornar digital, nós utilizávamos números de página para descrever uma seção específica de um livro ou documentos longos (antes disso, os manuscritos antigos usavam o folio). Os números das páginas migraram para os livros eletrônicos, e leitores como o Kindle oferecem algum tipo de suporte à paginação e sequência de páginas.

folio

Para conteúdo na web, podemos usar o identificador de fragmento #, por exemplo, https://en.wikipedia.org/wiki/Fragment_identifier#Proposals para visualizar uma seção específica de uma página web. Como a ligação a este fragmento é tratada depende do tipo MIME do documento, e será, por exemplo, feita de formas diferentes para uma página de texto e um vídeo – YouTube entende minutos e segundos em um vídeo como identificador de fragmento, por exemplo, https://www.youtube.com/watch?v=0UNRZEsLxKc#t=54m52s. Identificadores de fragmento não são úteis apenas para linkar a uma subseção de um documento, mas, claro, também para a navegação dentro de um documento.

Tudo isso é, naturalmente, muito relevante para o conteúdo acadêmico, que normalmente é muito mais estruturado, com a maioria dos artigos de periódicos seguindo o formato IMRD – introdução, métodos, resultados e discussão – geralmente com seções adicionais, tais como resumo, referências, etc. Uma abordagem para a ligação de figuras e tabelas dentro de artigos acadêmicos é o uso de componentes DOIs, por exemplo, DOIs específicos para partes de um documento maior. A editora PLOS vêm utilizando-os por um longo tempo, o número de componentes DOIs está aumentando, mas a maioria dos artigos de periódicos acadêmicos ainda não utilizam componentes DOIs. E embora os componentes DOIs sejam um grande conceito para conteúdo como figuras (nos permitindo descrever o tipo MIME e outros metadados relevantes), eles provavelmente não são a melhor ferramenta de ligação para uma seção ou parágrafo de um documento acadêmico.

Acontece que já temos uma ferramenta para isso, visto que o servidor proxy DOI encaminha identificadores de fragmentos. Podemos, portanto, usar um DOI com um identificador de fragmento para:

Seção de resultados: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0103437#s2
Referências específicas: http://dx.doi.org/10.12688/f1000research.4263.1#ref-7
Decisão editorial: http://dx.doi.org/10.7554/eLife.00471#decision-letter

Obviamente, isso só funciona se o DOI é resolvido para o texto completo, e não uma página de destino. E a maneira como os identificadores de fragmentos são nomeados e implementados é uma decisão do editor, o resolvedor DOI não possui nenhuma informação sobre eles. Esses links específicos são particularmente úteis para as discussões de um artigo, seja no Twitter ou em um fórum de discussão. Parece que, pelo menos, o encurtador de links do Twitter mantém o identificador de fragmento (o link para a carta de decisão da eLife é encurtado para http://t.co/URWaYmGHnY). Esse tipo de vinculação funciona particularmente bem se o editor está usando um sistema refinado de identificadores de fragmentos. A editora PeerJ por exemplo, permite ligações a um parágrafo específico – por exemplo, http://dx.doi.org/10.7717/peerj.500#p-15 – e permite que os usuários façam perguntas ao lado daquela seção.

Todos exemplos acima usam o tipo MIME texto/html, pois esse é o que os DOIs de exemplo resolvem por padrão. Não sei se e como os editores têm implementado identificadores de fragmentos de outros formatos, como PDF ou ePub, e o que acontece se você combinar identificadores de fragmentos com negociação de conteúdo. O serviço shortDOI também trabalha com identificadores de fragmentos: http://doi.org/pxd#decision-letter. Outra questão interessante seria como identificadores de fragmentos são tratados pelos conjuntos de dados. Normalmente DOIs separados são atribuídos para vários conjuntos de dados relacionados, mas poderia também haver um lugar para identificadores de fragmentos, bem como, por exemplo, para especificar um subconjunto através de um intervalo de datas. A solução depende de novo sobre o tipo de conteúdo, e o popular texto/csv infelizmente não é bem adequado para isto, enquanto o JSON – usando JSON Pointer – funcionaria bem.

Além disso, manusear o identificador de fragmento é uma opção do cliente e o identificador de fragmento não é enviado para o servidor. O Acrobat Reader, por exemplo, suporta o identificador de fragmento #page=. Também há uma RFC7111 para identificadores de fragmento para o tipo de mídia texto/csv – browsers no futuro podem aceitar algo como http://example.com/data.csv#linha=5-7.

via Martin Fenner

jcr

Qual é um bom fator de impacto?

Não há um número de FI bom ou certo. Para saber se uma revista possui “bom” fator de impacto, basta compará-la com outras revistas dentro de sua categoria de assunto. Quanto maior o fator de impacto, mais bem classificada a revista é. Ou seja, o fator de impacto é apenas um cálculo que permite classificar as revistas em um ranking. Ele pode ser visualizado por meio do Journal Citation Reports.

Abaixo está a tabela 2012 para as revistas da categoria “Information Science & Library Science”, classificadas por fator de impacto (embora seja possível visualizar no JCR outras medidas como o número total de citações, FI de 5 anos, meia-vida e Eigenfactor):

ci if

Atenção: o FI não foi concebido para comparação entre disciplinas. Isso ocorre porque cada disciplina tem um tamanho distinto e diferentes comportamentos de citação (por exemplo, os matemáticos tendem a citar menos, os biólogos tendem a citar mais. A revista PLoS biology, periódico com maior fator de impacto na categoria biologia, tem um FI 2012 de 12.690. Já o Journal of the American Mathematical Society, o periódico com maior fator de impacto na categoria matemática, tem um FI 2012 de 3.567). Veja a tabela com os maiores rankings, dentre todas as categorias combinadas da edição “ciências”:

fator de impacto

A tabela abaixo oferece algum contexto, em termos de quantas revistas atingem os vários níveis de classificação. Ela mostra o número e a porcentagem de revistas as quais foram atribuídas fatores de impacto em 2012, que variam em uma escala de 1 a 30, para ambos os períodos de um ano e cinco anos. Como mostrado, apenas 21 títulos de revistas, ou 0,2% das revistas monitorados pelo JCR, tem um fator de impacto 30 referente ao ano 2012. Apenas 158 revistas têm um fator de impacto 2012 igual ou superior a 10, que representa 1,9% das revitas no topo do ranking do fator de impacto. 8217 revistas têm um fator de impacto 2012 abaixo de 10.

JCR impact factor

Ao calcular o fator de impacto de uma revista se leva em conta o número total de citações recebidas por esta publicação em um determinado ano, englobando os dois anos anteriores, e então dividindo-o pelo número de itens “citáveis” publicados por esta revista naqueles dois anos predecessores (a Thomson Reuters, empresa responsável pela confecção do fator de impacto também oferece uma escala de 5 anos, mas o fator de impacto em escala de 2 anos é o mais decisivo).

FI = (citações recebidas em 2013 para artigos publicados em 2012 + 2011) / (nº de artigos “citáveis​​”, publicados em 2012 + 2011)

O Journal Citation Reports abrange cerca de 10 mil revistas em ciência e tecnologia e cerca de 3 mil periódicos em ciências sociais. É um grande banco de dados, mas ainda cobre apenas uma fração das revistas de pesquisa do mundo. Se uma revista não está no banco de dados JCR (como é o caso de muitas revistas brasileiras, em diversas áreas do conhecimento), não só todas as citações a ela não são computadas pelo FI, mas também são perdidas todas as citações em artigos publicados nesta revista concedidos a periódicos pertencentes à base do JCR. Outro problema é que em função da cobertura ter sido criado nos EUA, o JCR tem um viés de língua inglesa bastante influente.

Contagens de citações surgiram na década de 20 do século passado e foram usadas ​​principalmente por bibliotecários acadêmicos que queriam economizar dinheiro e espaço nas estantes, descobrindo quais periódicos representavam o melhor investimento em cada área. Este método teve um sucesso modesto, mas não ganhou muita força até os anos sessenta. Em 1955, Eugene Garfield publicou um artigo na revista Science, onde discutiu pela primeira vez a idéia de um Fator de Impacto com base em citações. Em 1964, ele e seus parceiros publicaram o Science Citation Index (SCI). Mais ou menos no mesmo período, Irving H. Sherman e Garfield criaram o JIF (Journal Impact Factor), com a intenção de usá-lo para selecionar revistas para o SCI.

Não é necessário enfatizar que o FI deve ser apenas um dos indicadores a serem considerados na avaliação de periódicos. Tanto é que nem todas as áreas do conhecimento da CAPES utilizam o indicador FI para estabelecer o Qualis de suas revistas e muitas áreas o utilizam apenas como um dos indicadores, mas não o único.  

O FI (e por extensão o Qualis) vêm há alguns anos sofrendo críticas em relação a funcionar como medida de avaliação da produção de pesquisadores (brasileiros) pelos órgãos de fomento, e nesse sentido as altmetrics aparecem como substituto óbvio capaz de avaliar a qualidade das publicações e pesquisadores.

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A beleza dos periódicos científicos e acadêmicos

Recebi ontem a notícia do lançamento da Rebecin, uma nova revista da área de informação, e não pude evitar de comparar o lançamento dessa revista acadêmica com o relançamento de uma revista da grande mídia, a New Yorker, que passou por reformulação no seu design e política de acesso aos artigos. A mudança do site da New Yorker destaca um consenso crescente na indústria editorial conforme revistas e jornais se ajustam a um público que se deslocou para a internet, e cada vez mais consome conteúdo por meio de redes sociais e dispositivos móveis.

Algumas poucas discussões acerca do design gráfico de periódicos estão sendo travadas, e giram em torno da evolução do formato tradicional do artigo acadêmico em relação a seus três elementos-chave: apresentação, conteúdo e contexto (ou o modelo leitura-descoberta-extensão). Uma questão pontual é a supressão do PDF em favor do HTML, onde de um lado estão os benefícios da visibilidade em larga escala na web e de outro a cultura enraizada dos pesquisadores de baixar e imprimir os artigos.

Me peguei avaliando apenas a questão estética da apresentação do material dos dois veículos de comunicação citados acima, desconsiderando o caráter acadêmico de um e comercial de outro. Afinal, por que as revistas acadêmico científicas são tão feias comparadas com revistas de banca de jornal?

Isso vale tanto para a versão impressa como digital. E não tem nada a ver com uma revista acadêmica específica, muito menos com o OJS/SEER. Tem a ver com apelo visual na leitura do documento digital (ou que venha a ser impresso). Poucas revistas fogem do tradicional “duas colunas verticiais, times new roman 12″, sem mencionar todo o aspecto de dispersão online dos artigos, que tem seu potencial atrapalhado pelas interfaces ruins onde estão abrigados. Pouco tem a ver também com a oferta de plataformas para publicação de conteúdo (no caso comum brasileiro, meu voto seria ter o SEER funcionando apenas para controle de submissão e revisão de pares, e o WordPress com seus milhares de temas grátis funcionando em paralelo para a publicação dos artigos propriamente).

Em termos comparativos, muitas revistas de grande circulação e periódicos científicos conseguem manter o aspecto sóbrio e formal de suas publicações, sem se prender ao modelo quadrado acadêmico. Muitos editores científicos argumentam que o que privilegiam é o conteúdo de suas edições, mas novamente me pergunto que tipo de esforço e investimento é necessário para explorar melhores formas de apresentar artigos de revistas online e com isso enriquecer seu conteúdo.

Novos visualizadores de artigos estão explorando outras maneiras de interagir com conteúdo de pesquisa na web, os melhores exemplos sendo eLife Lens e PubReader. Alguns anos atrás a Elsevier inaugurou o projeto que redesenhou a interface de apresentação de seus artigos, The Article of the future. O mesmo exemplo foi seguido pela JSTOR, que já oferece design responsivo, e demais bases de dados. A PubMed por exemplo já oferece seus artigos em formato epub.

As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental. Escolha a sua revista acadêmica preferida e compare com essas:

stanfor medicine

plos

carbono

new yorker

altmetrics.org/manifesto/ via www.wordle.net
by AJ Cann

Altmetrics: por que se importar?

Na semana passada Moreno e Andréa falaram um pouco sobre as altmetrics: o que são, que possibilidades e desafios oferecem, o que nós bibliotecários temos a ver com isso. Quero acrescentar meus dois centavos nesta conversa, vamos lá?

A altmetrics ou altmetria foi o tema da minha dissertação de mestrado, que está disponível aqui para quem quiser ler e comentar (para ir direto ao ponto, podem ler só os capítulos 4-8). Minha maior motivação para escolher falar disso foi justamente a vontade de apresentar e contribuir para a discussão sobre a área aqui no Brasil.

Mas por que nós deveríamos nos importar com a altmetria? Como o Moreno bem disse, “o panorama sobre o tema ainda não é perfeitamente claro ou consensual”. Uma das coisas que constatei na minha pesquisa é que, por enquanto, ninguém sabe muito bem para que servem as métricas alternativas, ou o que exatamente elas medem. E muita gente no meio acadêmico ainda torce o nariz para as redes sociais – bater papo no Twitter, escrever blog, nada disso contribui para construir uma carreira acadêmica séria. E aí? Vale a pena conhecer, estudar, discutir e divulgar a altmetria? Eu acho que sim, e quero compartilhar com vocês algumas razões para isso.

Razões teóricas

Parte da proposta da altmetria é valorizar outros impactos além da citação, outros produtos além do artigo científico, outros públicos além do acadêmico. Sim, o volume de dados altmétricos gerados para um determinado artigo ainda é, no geral, muito baixo; mas o fato é que as pessoas estão, sim, interagindo com documentos científicos online. Quem são estas pessoas, quais são suas motivações? O fato de não sabermos ainda exatamente o que significa(m) a(s) altmetria(s) não deve ser motivo para descartá-la(s), pelo contrário – é um convite para explorar um campo ainda desconhecido.

Razões práticas

Muitos de nós, bibliotecários, estamos envolvidos na criação e manutenção de repositórios institucionais. Adotar ferramentas de compartilhamento e monitorar a interação dos usuários com seus produtos nas redes sociais pode ser importante para demonstrar diferentes usos e possíveis impactos dos produtos de pesquisa da sua instituição. Este artigo (em inglês) mostra como o uso da altmetria em RIs pode ser valioso para autores e administradores.

A altmetria também pode ser benéfica para o pesquisador individual – e isso vale tanto para os nossos usuários quanto para nós mesmos. Jason Priem e Heather Piwowar, fundadores do ImpactStory, dão 10 motivos para incluir dados altmétricos no seu currículo. Eu acrescento mais um à lista – motivação pessoal. Quem já trabalhou com pesquisa (ou escreveu um TCC) sabe como pode ser desanimador pensar que só a sua banca vai ler aquela coisa linda que você passou semanas/meses/anos escrevendo. Mas quem disse que tem que ser assim? Você pode colocar seu trabalho online em sites como o Figshare (que dá um DOI para cada item postado) e criar seu perfil no ImpactStory para acompanhar quem, onde e o que estão falando sobre o seu trabalho. Claro que nada disso dará muito resultado se você não contar pra ninguém. Divulgue seu trabalho nas redes, envolva-se com as pessoas que se interessam pelas coisas que te interessam, participe da conversa. Os resultados podem te surpreender…

Razões políticas

O surgimento da altmetria não é um acontecimento isolado: ela é parte da reação à crise do sistema de comunicação científica. Um de seus marcos iniciais, o texto Altmetrics: a manifesto, deixa claro um posicionamento crítico à hegemonia do fator de impacto na avaliação da produção científica. Esta crítica também está expressa na San Francisco Declaration on Research Assessment (Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Pesquisa, conhecida pela sigla DORA), que traz entre suas recomendações o estímulo à utilização de uma variedade de métricas e indicadores na avaliação de impacto.

As métricas alternativas podem ser especialmente benéficas para países periféricos como o Brasil, ajudando a demonstrar de forma mais completa os impactos da pesquisa realizada por aqui. Mas esses benefícios não são automáticos. A Andréa já comentou sobre alguns dos desafios técnicos e econômicos que precisamos enfrentar nesta área, como o custo para utilização das ferramentas do Altmetric.com e a adoção do DOI e/ou outros identificadores que permitam o acompanhamento adequado dos produtos de pesquisa na web. O argentino Juan Pablo Alperin é bastante enfático ao afirmar que é preciso um esforço consciente e deliberado para aproximar a altmetria dos pesquisadores de países periféricos, evitando os erros que já cometemos em relação ao fator de impacto (ver Ask Not What Altmetrics Can Do for You, But What Altmetrics Can Do for Developing Countries; e Altmetrics could enable scholarship from developing countries to receive due recognition).

Precisamos de mais estudos sobre altmetria e suas possibilidades, e de ferramentas que atendam às nossas necessidades específicas – revelando a qualidade e o impacto das nossas pesquisas, para além das bases internacionais. Acredito que nós bibliotecários podemos contribuir muito para mudar este jogo. Mãos à obra!


P.S.: Tive a honra de ser entrevistada pelo SciCast Podcast, falando um pouco sobre Biblioteconomia, Ciência da Informação, e, claro, altmetria. Ouçam, comentem, critiquem :)

 

bibliotecario

Bancos em formato de livros em Londres

Cinquenta bancos em formato de livro foram instalados em diferentes locais de Londres como parte do projeto Livros sobre a cidade de incentivo à leitura e comemoração da herança literária da cidade.

A lista completa dos livros que inspiraram cada banco, e dos artistas que os criaram, pode ser encontrada no site do projeto. A primeira imagem abaixo é inspirada em Mary Poppins. Vocês conseguem identificar as demais?

Há quatro roteiros que podem ser seguidos e os visitantes podem fazer download de mapas e questionários para responderem ao longo de cada trilha.

Ao final do projeto em outubro os bancos serão leiloados e a renda revertida para a organização do projeto, a National Literacy Trust. Para nós que não moramos em Londres é possível seguir os bancos no Instagram, Facebook e Twitter.

mary poppins

clarice bean

sissou

Alt-Metric-2012-Literature-Review-II

Altmetrics: pode ser?

Quando estudamos o surgimento dos periódicos, aquela história do Journal des sçavans, percebemos que as revistas científicas foram criadas para suprir a falta de canais de comunicação entre os pesquisadores, que já contavam com uma comunidade de pares para discutir e selecionar o que lhes parecia mais relevante em suas áreas. Atualmente, o cenário da comunicação científica é praticamente o oposto, dado o inesgotável número de revistas científicas e outros canais de comunicação acadêmica.

Porém, da mesma forma, a comunidade de pares continua sendo fundamental para discutir e selecionar o que merece ser lido. Ou melhor, nesses nossos tempos, o que merece ser curtido, seguido, postado, retuitado, compartilhado.

Os pesquisadores de hoje se comunicam através do Twitter, do Facebook, e de redes sociais acadêmicas que cumprem um papel cada vez mais importante para a construção da ciência. Para dar conta dessa tendência de citações online, fora dos padrões tradicionais de citação de artigos, surgira as altmetrics, sobre as quais o Moreno já falou um pouco aqui.

E seria tudo muito lindo para os pesquisadores e as revistas científicas, um novo caminho, uma alternativa à tirania do fator de impacto, não fosse por um pequeno detalhe: os nossos pesquisadores e as nossas revistas  científicas ainda não estão preparados para produzir esses tipos de métricas.

O Moreno já falou no post dele sobre as dificuldades dos pesquisadores em entender e gerar essas métricas, e como os bibliotecários podem ajudar toda uma geração (ou várias) de pesquisadores a mostrar o valor da sua produção sob a ótica das altmetrics.

E do outro lado estão as revistas científicas, de onde essas métricas deveriam ser extraídas. Se todos os nossos pesquisadores publicassem somente na Nature, PLOS One ou Elsevier, não haveria problema, já que essas publicações já conseguem integrar APIs de medição de atenção online e produzir métricas a nível de artigo, usando o Altmetric, uma das principais ferramentas que coletam dados para a produção dessas métricas.

Os resultados de uma recente pesquisa que apresentei no 4o. Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria sobre os  periódicos científicos brasileiros na área de Ciência da Informação, mostram que somente quatro publicações são rastreadas pelo Altmetric. E a quantidade de menções registradas em redes sociais e acadêmicas é ainda muito baixa.

Vão dizer: “Claro! Porque as nossas revistas não são citadas!”. Mas não é tão simples assim.

Para usar as ferramentas do Altmetric, é necessário pelo menos (1) pagar uma assinatura anual pelo serviço, que custa de 11.000 a 19.000 reais, e (2) prover um DOI ou outro identificador único para que o API retorne todos os dados de menção a um documento, coisa que poucas revistas científicas publicadas no Brasil tem, sendo a grande maioria da coleção SciELO.

Isso é só um exemplo dos desafios econômicos e técnicos que ainda teremos que enfrentar para ver resultados concretos da aplicação das altmetrics no Brasil.

Mas o Altmetric é somente uma das ferramentas que produzem métricas alternativas. E com seu crescimento já passou a oferecer acesso gratuito a algumas funcionalidades a pesquisadores e bibliotecários. A cada dia surgem novas opções de serviços de altmetrics, e certamente haverá iniciativas voltadas para os países periféricos, cuja ciência segue clamando por uma forma alternativa de provar o seu reconhecimento.

Vamos ver.

Estatísticas do catálogo a partir dos registros MARC

Em muitas situações, é necessário conseguir fazer estatísticas do catálogo, ou mesmo, é desejável fazer um levantamento para entender melhor a sua coleção. Este post vai mostrar uma estratégia para que se possa conseguir estatísticas de maneira bem simples.

1º Passo: Conseguir os registros MARC

Conseguir uma cópia do seu catálogo em formato MARC. A maioria dos bons sistemas hoje exporta em formato MARC. Mesmo sistemas que não exportem em MARC podem ser usados neste caso, mas terá que entender como o sistema exporta e como conseguir extrair dados.

2º Passo: Baixar e instalar o MarcEdit

O MarcEdit é um editor de registros MARC bem eficiente, pode ser baixado em: http://marcedit.reeset.net/

3º Passo: Extrair dados

O MarcEdit tem uma ferramenta para transformar registros em CSV. O caminho para acessar é Tools > Export > Export Tab Delimited Records

Aqui acredito que explicar a lógica é mais importante do que dar uma receita pronta. Os passos para exportação são: escolher o arquivo MARC de origem, escolher o nome e caminho do arquivo de destino, escolher quais campos serão exportados e como serão exportados.
Para escolher quais estatísticas podem ser feitas no catálogo, primeiramente temos que pensar o que pode se agrupado. Se pensarmos por exemplo no campo título, não é possível fazer nenhum tipo de estatística usando ele, mas ele por ser útil para criar um gráfico de rede, por exemplo. Há também campos repetitivos, que você escolhe o separador e o MarcEdit coloca todos os campos em uma só coluna. Mas aqui como vamos ficar só nas estatísticas mais simples, vamos pensar em campos que pode ter valores repetidos, por exemplo, o ano de publicação. O campo normalmente do ano de publicação é o 260c. O resultado dessa exportação é um arquivo de texto como:

260c
1985
1987
2000
2013
2012
1985
1987

É bem simples lidar com esse tipo de dado, encarando cada um dos registros como uma linha. Mas precisamos tomar um cuidado aqui. Ao utilizar os campos abaixo de 900, estaremos fazendo estatísticas dos registros. Caso precise fazer estatísticas dos exemplares, terá que escolher os campos em que os exemplares são registrados, normalmente algum 9XX ou para ter uma maior precisão, deverá conseguir filtrar os registros que não tenham exemplares.

Também é possível combinar dados, tornando seu gráfico mais complexo. É possível, por exemplo, combinar o ano de publicação com o idioma da publicação (no exemplo, imaginamos que o valor está no campo 041a, apesar de saber que este não é o campo mais indicado para este valor), ficaria algo assim (é recomendável escolher o tab como separador):

260c -> 041a
1987 -> por
1985 -> por
2014 -> eng

4º passo: Tratar os dados

Este é um passo opcional, mas te permitirá verificar a qualidade dos dados de seu catálogo, além de deixar o gráfico mais correto. Em muitos casos, poderá haver problemas como erros de digitação, capitalização ou outras questões que podem influenciar o gráfico que você precisa gerar, para identificar rapidamente erros, recomendamos o software OpenRefine ( http://openrefine.org/ )
Por exemplo, caso queria fazer um gráfico por editora, temos os dados:

260b

EDUSP
EDUSP – USP
EDUSP/USP
Edusp

O OpenRefine ajuda a identificar dados semelhantes e permite correção em grandes lotes. Facilita muito a vida.

5º passo: Sumarizar e criar gráficos

Há duas ótimas ferramentas para sumarizar e criar gráficos. A primeira é o Excel, utilizando as tabelas dinâmicas. E recomendo uma segunda, mais fácil, chamada Tableau Public. Ele tem uma limitação na versão gratuita de somente salvar online e de maneira publica seu dado, mas é uma ferramenta bastante completa. Nos dois casos, é possível fazer diversos tipos de gráficos e combinar tipos de dados e fazer gráficos mais complexos.

Caso tenha alguma dúvida, pode entrar em contato comigo que ajudo na medida do possível: trmurakami EM gmail.com

Biblioteconomia Pop

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