Comunidade

Bibliotecas como comunidades de aprendizagem e espaços de trabalho coletivo

Uma das tendências na educação que tem despertado muito interesse atualmente é a aprendizagem por projetos. Iniciativas como a famosa Escola da Ponte, em Portugal, ou as brasileiras: Projeto Âncora (Cotia/SP) e a escola municipal Amorim Lima (São Paulo), entre tantas outras, vêm revolucionando o conceito de espaço de aprendizado. São escolas sem paredes, sem aulas, sem currículo, onde os alunos aprendem de acordo com projetos propostos por eles mesmos, com professores convidados para facilitar a aprendizagem. A ausência de séries e de diferenciação por idades, possibilita que alunos mais experientes ensinem os novos, numa constante colaboração, onde a figura do mestre e a participação dos alunos são totalmente ressignificadas.

Paralelamente, as tendências mais avançadas da gestão de pessoas no mercado corporativo têm reconhecido o valor da colaboração e da criatividade, no lugar dos conceitos velhos e batidos de competição e produtividade. Espaços de coworking se espalham pelas cidades, geralmente associados ao empreendedorismo.

E nossas bibliotecas, em especial as públicas e comunitárias? O que estão fazendo com essas novas conjunturas?

Na teoria, poucos discordam do fato de que a biblioteca como santuário do silêncio é um conceito ultrapassado. Mas quantas de nossas instituições realmente projetam espaços apropriados para o encontro, para a troca, para a cooperação?

Nesse aspecto, temos muito o que aprender com os modelos acima. Que tal seria uma biblioteca que funcionasse facilitadora das atividades de aprendizado em suas comunidades? Que, para além da curadoria de conteúdos para usuários específicos, servisse como curadoria e ambiente para experimentações diversas? Que, reunindo as pessoas interessadas em um mesmo tema, possibilitasse os espaços e recursos para que, juntas, elas desenvolvessem seus estudos?

A promoção de grupos de estudos livres, na biblioteca, que envolvesse o planejamento, divulgação, suporte para a realização dos encontros e inclusive o registro desses estudos e o encaminhamento desse material em produtos, como publicações, gravações em áudio ou vídeo, com os resultados práticos dessas pesquisas.

Não é difícil imaginar a miríade de interesses que surgem em qualquer aglomerado humano e as possibilidades de desenvolvimento de quaisquer deles. Talvez seja difícil vencer o preconceito com alguns desses interesses, ou a inércia do profissional, mas as possibilidades são inegáveis, em em todos ambientes.

Uma biblioteca comunitária em uma favela tem uma riqueza tão grande de questões e sonhos para trabalhar como qualquer biblioteca universitária, ou escritório de multinacional (provavelmente muito mais!).

Temas para estudo não faltam: a polêmica da novela pode formar um grupo para a discussão de ética, o hip-hop desperta um interesse natural por música e por poesia, o funk facilmente formaria um grupo de dança. Grupos de culinária poderiam trocar receitas e promover jantares. Professores poderiam ser convidados, trazendo uma nova perspectiva para cada assunto.

No grupo de construção civil, convidados poderiam ensinar técnicas de bioconstrução, como aproveitamento da água da chuva e do calor do sol, geração de energia sustentável, etc. O laboratório poderia ser as próprias moradias dos participantes. O grupo de culinária poderia aprender mais sobre alimentação saudável, autonomia alimentar, hortas coletivas. As possibilidades são infinitas.

Por que a biblioteca seria o espaço ideal para incubar essas iniciativas?

Essa pergunta poderia ser feita de outra forma: Que outro espaço poderia ser melhor que uma biblioteca para essas atividades? Bibliotecas precisam conhecer as comunidades que atendem. Precisam saber de suas preferências, desejos e sonhos. Bibliotecas são centros de informação com profissionais capazes de providenciar os recursos necessários para cada atividade de estudo. Bibliotecas se preocupam com o empoderamento das pessoas, têm por missão a promoção da autonomia e da cidadania.

Colaboração e comunidades de aprendizagem não são conceitos novos em bibliotecas. Algumas há tempos vêm inovando nessa direção, como as bibliotecas parque.  Vamos junto(s)?

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Simplificar ou não?, eis a questão

Segunda-feira passada recebi pelo Twitter a notícia de que uma escritora mudaria a obra de Machado de Assis para facilitar a leitura.

Os comentários que li foram todos divididos. Curiosamente, quem se colocava fervorosamente contra a simplificação da obra eram pessoas que são da área de Letras, especificamente. Bibliófilos (pessoas de várias áreas) se colocavam à favor da alteração da obra. Argumentos de ambos lados com argumentações bastante apaixonadas. E muita gente, como eu, ficou bem dividida.

O primeiro questionamento que tive foi entre a diferenciação entre adaptação e simplificação, pois sim, são processos diferentes. Adaptação é uma modificação do enredo da história como um todo ou em partes e envolve criação. Na simplificação a história pode não mudar, mas o vocabulário muda – algumas pessoas defendem que não há mérito nem valor literário nenhum nessa troca de palavras. Algumas pessoas consideram a simplificação um atentado, um crime contra a nossa língua pátria. Não sei porque, isso me soa como um exagero, mas vá lá.

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Li também “se vocês são contra a simplificação, também são contra a tradução?”. Considero tradução como um trabalho de adaptação mesmo porque nem todo o vocábulo de um idioma para outro é plenamente traduzível. Às vezes são necessárias interpretações e isso é ligeiramente diferente, pois trata-se de dois códigos (idiomas) diferentes. No caso da simplificação, o idioma é o mesmo. Impossível discordar que haverá, inegavelmente, um empobrecimento de vocabulário com a simplificação da obra.

Mas ao mesmo tempo, ainda falamos como na época que “O alienista” foi lançado?

A linguagem é viva, o idioma muda, o contexto de tudo também. Sinto-me dividida pois entendo que com a simplificação o contexto da história como um todo invariavelmente será deturpado – pois sim, linguagem é parte do contexto histórico, cultural, social, etc. A obra simplificada continuará levando o nome do autor, como se não tivesse sido alterada. Isso também não me parece certo – mesmo póstumo, mesmo em domínio público, não se sabe se essa é a vontade do autor. Caso seja feita a simplificação, acredito que deva levar o nome de quem alterou a obra.

Bm4bRttCMAAHCLPPor outro lado, usam para se referir à simplificação palavras como: mutilação, ode à preguiça, desrespeito, entre outras nada ou pouco amistosas. Pessoalmente, desconfio de absolutos: absolutamente ruim ou bom. Prefiro entender perspectivas, olhares e quanto mais múltiplos, melhor se pode chegar a um consenso ou a um entendimento. Como bibliotecária, entendo como prioridade o acesso à leitura. Sou sempre favorável à pluralidade de fontes – mas tudo depende também do modo como isso é feito.

Sabemos que o problema de falta de leitura – ou pouca leitura – no país é estrutural e sabemos que não é colocando clássicos no vestibular que alguém vai se interessar por leitura. E talvez nem mesmo com uma boa simplificação porque simplesmente não podemos forçar ninguém a ler nada. A leitura deve ser propagada por meio da apreciação e do entusiasmo, jamais por obrigação – simplesmente por esse não ser o melhor modo. E entre ver uma pessoa se interessando por quadrinhos ao invés da leitura de um clássico, vou sempre apoiá-la na decisão do que for  mais interessante pra ela.  Prefiro alguém lendo quadrinhos do que não lendo absolutamente nada.

“Mas aí você vai estar nivelando por baixo ou optando pelo menos pior”. Excelência é uma pretensão reservada – e efetivamente alcançada – por poucos. Qualquer pessoa que diga que “entende Shakespeare” é um embuste, mesmo sendo um especialista. As pessoas – qualquer pessoa – devem ler, fruir e consumir o que melhor lhes aprouver, sem restrições, sem pautas. Como bibliotecária, é isso o que eu defendo. Anything goes. Isso não é diminuir nada, nem ninguém: uma obra não substituirá a outra em absoluto. Pelo contrário: é dar mais uma opção de leitura e fruição. Então, por que não?

Essa discussão se assemelha àquela do “ah, mas os livros são muito melhores que os filmes”. Precisamos parar com esse tipo de pensamento infrutífero e começar a questionar: as pessoas estão lendo livros? Estão vendo filmes? Se sim, por que? Como? Que tipos de comunidades estão sendo criadas em torno de determinada fruição? Etc. A discussão não devia ser levada para o sentido de “bom” ou “ruim”, mas sim levantar mais questionamentos sobre os hábitos de fruição e de engajamento das pessoas. Ou da falta deles – que é onde efetivamente deveríamos agir. Não?

Como bibliotecários, como vocês se sentem em relação a isso?

Seleção de matérias e artigos relacionados com o tema:

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Por que leitores brasileiros preferem livrarias a bibliotecas?

Quando criança, eu não tinha o hábito de frequentar bibliotecas. Até porque elas não existiam no meu bairro, ou nas redondezas onde eu morava. Mas eu amava ler! Adorava bancas de jornal e livrarias, que eram os lugares onde eu encontrava livros e revistas e podia saciar minha sede de leitura. Depois descobri a biblioteca da escola e passava alguns recreios lá dentro, já que não podia levar os livros pra casa. Lembro de uma excursão da escola à Biblioteca Pública Municipal do Rio de Janeiro, que era muito longe da minha casa. Só me restava comprar os livros mesmo. Passeios a livrarias eram – e ainda são – os meus favoritos!

Foi só depois que me mudei para o Canadá que passei a frequentar bibliotecas públicas e me apaixonei. Tantos livros, tantos recursos disponíveis gratuitamente para o público! Sou frequentadora assídua e sempre trago pra casa mais livros do que posso ler dentro do prazo de entrega.

Como expatriada, comecei a questionar sobre os hábitos de leitura dos brasileiros, em especial sobre o uso de bibliotecas públicas. Depois de muita pesquisa, vi que há sim várias bibliotecas públicas em todo o Brasil. Sim, são escassas, e talvez o acervo não seja o dos mais atraentes ou relevantes, mas o recurso está lá. A pergunta então era: será que o povo usa?

No ano passado, em março, fui ao Rio de Janeiro visitar a família e fiz questão de conhecer uma biblioteca pública. Era quinta-feira. Fui no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade, onde tem uma biblioteca no quinto andar. Fiquei maravilhada com o espaço! Tudo tão novo, tão arrumado! Tão diferente da minha biblioteca universitária na Escola de Comunicação da Praia Vermelha.

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Tive que deixar bolsas na entrada, mostrar identidade e tudo. Sinceramente? Achei que isso já era a primeira barreira para o uso da biblioteca. Entendo a questão da segurança, mas devia haver outra forma de evitar roubo sem ter que obrigar os usuários a deixar seus pertences na porta. (Não preciso nem dizer que isso não existe aqui no Canadá, né? Com exceção de bibliotecas de coleções especiais e materiais raros, claro).

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Fiquei encantada com a biblioteca infantil! Adorei a parede com lombadas de livros, coisa mais linda! Entrei no espaço infantil e encontrei apenas uma mãe com um menino de uns 7 anos talvez. O menino pedia pra mãe ler pra ele. A mãe estava ocupada no seu celular, sem dar atenção ao menino, ignorando o seu pedido. Aquilo me cortou o coração! Uma criança estava ali, sedenta pela leitura, e justamente a pessoa que deveria mais incentivá-lo estava desperdiçando esta oportunidade. Então foi na biblioteca pra quê, alguém pode me explicar?

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Saí de lá e fui ver as outras estantes, com material de pesquisa. Adorei ver o catálogo de fichas, coisa que não vejo mais por aqui, que só consultamos o acervo digitalmente. Vi algumas pessoas estudando em salas de leitura, mas a biblioteca estava bem vazia. Não contei mais de 20 pessoas por lá.

Bem, numa quinta-feira, de manhã, no centro da cidade, como é que eu poderia esperar uma biblioteca cheia, não é mesmo?

Depois do almoço, no mesmo dia, na mesma quinta-feira, eu passei pela porta da Livraria Cultura, na rua Senador Dantas, também no centro da cidade.

A livraria estava LOTADA!

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Na parte infantil tinham algumas famílias com crianças de várias idades, passando pelas estantes e escolhendo livros. Outras sentavam no chão com seus filhos no colo e folheavam livros juntos. Em todos os andares, muita gente. Os caixas, com fila.

E a pergunta: se tem um lugar onde as pessoas podem ter acesso a livros sem pagar um tostão, por que é que preferem gastar dinheiro com os livros em vez de pegar emprestado nas bibliotecas públicas?

Posso imaginar algumas respostas:

1) O acervo das bibliotecas públicas não é adequado e não atende à necessidade do público
Eu sinceramente não tenho ideia de como é feito o gerenciamento do acervo de bibliotecas públicas no Brasil. Elas compram materiais publicados recentemente? Você pode encontrar os best sellers por exemplo? Pelo que vi na biblioteca do CCBB, pelo menos na parte infantil, o acervo não era muito grande. Vi alguns títulos novos, mas a maioria não era. O estado físico das obras também era ruim, com aspecto velho, folhas amareladas, lombadas machucadas. O leitor tem prazer em ler um livro em bom estado. Se o leitor quer ler Nicholas Sparks e não encontra na biblioteca, claro que tem que comprar na livraria (não procurei por este autor naquela biblioteca, então é só um exemplo mesmo).

2) O público não tem conhecimento das bibliotecas públicas
Voltemos ao início do texto, lá quando eu era criança e não tinha a mínima ideia de que poderia existir um espaço de livre acesso aos livros. Biblioteca pra mim era algo que existia na escola e em lugares bem longe da minha casa. Biblioteca pra mim era um lugar onde não se podia falar alto. Biblioteca pra mim era um lugar onde encontrávamos livros velhos, muito antigos, empoeirados e com cheiro de mofo. A minha geração, que teve a mesma experiência que eu tive, provavelmente não vai pensar na biblioteca como opção cultural para levar seus filhos. Esses vão associar livros à livrarias imediatamente.

3) O acesso a bibliotecas é dificultoso
Essa e a última questão estão ligadas. É a questão da escassez. Provavelmente há mais livrarias do que bibliotecas públicas em cidades grandes do Brasil.

Acredito que o acervo deficiente seja uma das principais razões pelas quais o brasileiro prefere comprar o livro do que pegar emprestado. Porque talvez o livro que ele queira ler não esteja na biblioteca. Ou se está, o acesso não é facilitado ou o livro não está em condições boas de uso. Posso estar totalmente enganada, afinal estou longe e não tenho como avaliar essa questão de perto.

Sei que minha amostragem é muito pequena. Eu só visitei uma biblioteca pública. Mas no meu círculo de amizades vejo que essa hipótese não é tão absurda assim. Pouquíssimas pessoas que eu conheço no Brasil, em várias cidades até, têm o hábito de frequentar bibliotecas. Muito mais gente compra livros em livrarias, das pessoas com que me relaciono.

Mas vocês aí, me digam, por que o povo prefere livrarias a bibliotecas? E como podemos inverter essa situação no nosso papel de bibliotecários?

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Quem frequenta biblioteca?

Se eu fosse dono de alguma loja que atendesse diretamente ao público, de roupas, carros, livros, qualquer coisa, eu despediria todos os meus vendedores forçadamente simpáticos e contrataria bibliotecárias(os) de referência. Nunca vi nenhum atendente melhor do que nós. Sério. E mais: fazemos isso sem levar comissão por empréstimo de livro.

É por isso que acho ridícula e criminosa essa substituição do “usuário” por “cliente” na literatura biblioteconomia. Vejo colegas mostrarem todos os dentes para dizer que tem clientes. Clientes? Onde já se viu uma biblioteca pública ou escolar ou universitária ter clientes? Tem usuários, alunos. Lembro que no inglês o termo usado para usuários em bibliotecas públicas (não sei dizer se somente nelas) é patron, que é cidadão e falso cognato de patrão no português. Já pensou se no lugar de cliente utilizássemos patrão? Já fazemos isso com nossos usuários. Tratamos como patrão, independente de cor, credo, time de futebol e conta bancária.

Os usuários não deixam nada na biblioteca além da satisfação de ser bem atendido. Por isso não são clientes.

Outros termos também são usados na literatura para quem usa bibliotecas, como leitor, que é clássico, consulente (na minha opinião má tradução).

Particularmente eu gosto de usuário. Mas gostaria de chamar de amigo. Amigo da biblioteca.

E-books para bibliotecas – curso a distância

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Só se fala deles: e-books. O mesmo trabalho, um novo suporte. E os bibliotecários querendo saber como integrar esse recurso aos seus serviços e acervos.

O livro em papel não morreu, nem morrerá, fiquem tranquilos. Embora essa discussão pra gente não faça sentido, justamente porque se trata apenas de mais um formato, por outro lado, temos a responsabilidade da guarda e atender a demanda dos usuários, então é importante que estejamos atentos às mudanças de padrões tecnológicos (a escrita sendo a primeira tecnologia, os ebooks a mais recente). O que os bibliotecários não podem fazer é argumentar que não estão preparados para a mudança.

Já escrevi algumas coisas sobre ebooks, vocês podem ler aqui:
Alguma biblioteca brasileira já faz *empréstimo* de ebooks?
O que os bibliotecários precisam saber sobre ebooks?

Daí, o pessoal da ExtraLibris e eu decidimos criar um curso online pra oferecer uma visão introdutória ao universo dos livros eletrônicos, apresentando as alternativas disponíveis em termos de formatos, dispositivos e fornecedores no Brasil e no exterior, provendo aos participantes os conhecimentos necessários para avaliar, planejar e implementar o uso de e-books em sua biblioteca.

Vai ser mais um boa oportunidade de trocar experiências e trabalharmos juntos para preparar o terreno para os livros eletrônicos.

No site da ExtraLibris vocês encontram todas as informações sobre o curso a distância, que começa dia 28 de abril.

OBJETIVO
O curso tem como objetivo aportar conhecimentos teóricos e práticos sobre a implementação e uso de livros eletrônicos em bibliotecas, que permitam ao profissional preparar-se para introduzir ou otimizar esse tipo de recurso em seu acervo.

Ao final do curso, os participantes deverão conhecer e estar familiarizados com:
Formatos de e-books e dispositivos de leitura disponíveis no mercado brasileiro e internacional;
Principais modelos para aquisição e assinatura de e-books;
Critérios para avaliação e comparação de coleções eletrônicas e interfaces de acesso;
Estratégias para a disseminação e promoção do catálogo de e-books na biblioteca;
Tendências futuras na área dos livros eletrônicos em relação ãs bibliotecas.

INSTRUTOR
Moreno Barros
Bibliotecário do centro de tecnologia da UFRJ. Mestre em Ciência da Informação. Têm longa experiência em projetos de digitalização e curadoria digital. Participou de editais públicos de fomento e processos de aquisição de livros eletrônicos. É um dos editores do blog Bibliotecários Sem Fronteiras, foi organizador do primeiro BiblioCamp e já ministrou dezenas de palestras e cursos sobre cultura digital em bibliotecas e universidades ao redor do país.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Módulo I – Introdução aos e-books
Definição e conceitos dos e-book
Principais formatos de publicação
E-readers e outros dispositivos de leitura
Vantagens e desvantagens para os usuários e a biblioteca

Módulo II – Tipos de e-books e fontes de aquisição
Mercado editorial de e-books
Modelos de negócio para aquisição de e-books
Repositórios de livros eletrônicos e fontes de acesso aberto
Fornecedores ativos no Brasil e no exterior (distribuidores, agregadores, editoras, etc.)

Módulo III – Critérios de avaliação de e-books
Critérios de avaliação para aquisição de e-books
Comparação de plataformas e interfaces de acesso
Avaliação de necessidades dos usuários
Boas práticas de negociação com fornecedores

Módulo IV – Como implementar o uso dos e-books com sucesso
Acesso local e remoto aos e-books
Empréstimo de e-books e e-readers
Otimização do uso de e-books nas bibliotecas e em sala de aula
Estratégias para promoção do acervo eletrônico (usando as ferramentas disponíveis na biblioteca)

Módulo V – Desafios e novas tendências
Principais desafios para a implementação de e-books
Questões éticas no uso dos e-books
Tendências futuras dos e-books em relação às bibliotecas
Revisão dos temas abordados

METODOLOGIA
O curso requer aproximadamente 6 horas de participação por semana, no horário de sua preferência. Não há sessões ao vivo, e todas as atividades estão disponíveis para consulta no site do curso. Espera-se dos participantes que leiam os textos recomendados, assistam ao conteúdo online das aulas, participem ativamente das discussões nos fóruns, e completem as tarefas e atividades propostas para a semana. As aulas em vídeo e outros materiais de apoio de cada módulo serão liberados para acesso no início de cada semana. O instrutor irá monitorar regularmente as discussões nos fóruns, propor novos tópicos de discussão e responder a perguntas individuais e do grupo.

AVALIAÇÃO
O curso é totalmente online. Cada módulo conta com tarefas e exercícios para fixação de conteúdo dos conceitos apresentados e discutidos em aula que vão sendo computados continuamente no decorrer do curso. O aluno tem permissão de cópia do material didático escrito.

CARGA HORÁRIA
40 Horas

O curso tem carga horária de 40 horas que poderão ser desenvolvidas em até 60 dias corridos, a partir da data de início do curo. O curso fica disponível 24 horas, 7 dias da semana. Você pode acessar o conteúdo em qualquer hora ou lugar, no seu tempo disponível, sem horários fixos, de forma simples e prática. Após o encerramento do curso, o aluno poderá acessar o conteúdo do curso por mais 30 dias.

PERÍODO DE INSCRIÇÕES
24/03/2014 a 26/04/2014

PERÍODO DE REALIZAÇÃO
De 28/04/2014 a 20/06/2014

VALORES
PROMOCIONAL (PESSOA FÍSICA)
R$ 249*
* O valor promocional é para estudantes e profissionais que se inscrevem com CPF e pagam através do PagSeguro.
* O valor pode ser parcelado no cartão em até 12x com adicional ou no boleto bancário, através do Pagseguro.
* O curso inicia no dia 28/04/2014, portanto, se o pagamento for feito através de Boleto Bancário, o banco pode demorar até 2 dias úteis para processar o pagamento. Desta forma, pode haver um atraso pra aqueles que pagarem por boleto depois do dia 25/04/2014. Assim que o pagamento for liberado pelo banco, a matrícula é liberada no sistema automaticamente.

OFICIAL (PESSOA JURÍDICA)
A ExtraLibris pratica valores promocionais para democratizar o acesso a formação para estudantes e profissionais liberais que queiram investir por contra própria em sua formação. Para consultar o valor integral de cada curso com a emissão de notas fiscas ou notas de empenho para pessoa jurídica entre em contato com a empresa responsável no email: caruso@personates.com

VAGAS
60 (mínimo 20 inscritos)

TIPO DE CURSO
Ensino a distância (EAD) / Moodle : extralibris.com

CERTIFICADO
Serão emitidos certificados para os alunos que tiverem o aproveitamento mínimo de 70%. Consta no certificado: a carga horária do curso, os conteúdos ministrados, a marca da ExtraLibris e assinatura tanto do professor quanto do organizador do curso. Os certificados serão enviados para o e-mail do aluno ao fim do curso.

CONTATO
contato@extralibris.org

Outras informações sobre a ExtraLibris e a plataforma você encontra clicando aqui.

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Qual é o futuro do catálogo das bibliotecas?

Catálogos de biblioteca não são esteticamente atraentes (embora gosto e bunda…), mas o problema mais crítico é que, em muitos casos, eles são impossíveis de usar, especialmente para as pessoas que tentam usá-los pela primeira vez. Daí a necessidade constante de oferecer treinamentos aos usuários sobre o uso do catálogo e demais recursos da biblioteca, como a minha e muitas outras bibliotecas fazem.

Murakami já divagou sobre o catálogo, eu tive algumas ideias sobre a interface dos OPACs, e o próprio conceito de catálogo 2.0 já vem sendo abordado há algum tempo, mas nenhuma proposta que eu conheça envolve diretamente o design a partir da demanda dos usuários. Na evolução do catálogo sob a ótica do usuário temos muito a aprender com o Google em termos de usabilidade e apresentação dos resultados de busca. Claro que como um sistema de recuperação o Google funciona de maneira diferente, porque a representação de páginas web não é feita da mesma maneira como nós descrevemos registros bibliográficos (e o investimento em user experience é infinitamente maior, porque o produto deles afinal são os usuários).

A discussão técnica entre bibliotecários deveria sugerir um catálogo de biblioteca que altera seu foco sobre a informação bibliográfica (metadados) para o foco no desempenho da busca realizada pelo usuário em relação ao item de biblioteca. O catálogo funcionaria mais como uma ferramenta que auxilia as pessoas a realizar suas tarefas, e os dados bibliográficos existiriam silenciosamente em segundo plano, expostos somente quando necessário (mais necessário em uma biblioteca acadêmica do que em uma biblioteca pública, por exemplo).

Um outro aspecto é que os vendedores de software estão cada vez mais aprimorando e cobrando caro por sistemas de “discovery e delivery” (Primo da ExLibris, Chamo da VTLS, por ex), quando na verdade os usuários estão encontrando seus caminhos em sistemas de busca abertos (Google Scholar, por ex). Nesse sentido, a segunda discussão técnica deveria sugerir que as bibliotecas não devem investir em novas ferramentas de descoberta, porque o benefício para os usuários é marginal. Em vez disso, poderíamos nos concentrar em melhorar a entrega dos materiais comprados e licenciados para usuários, permitindo que os metadados sejam rastreados e anexados pelos sistemas que os usuários costumam utilizar (google, facebook e wikipedia, por exemplo).

Entendo que existe uma resistência por parte da classe em liberar seus dados, já que delegar essa função a outros players pode eliminar nosso status de guardiões. Mas se isso já é feito sem qualquer problema com os atuais provedores de software de bibliotecas (Pergamum, Sophia, Aleph, etc), pagando caro por isso, e os resultados, em termos de aceitação e apreciação estética por parte dos usuários não são satisfatórios, temos que repensar e redesenhar a maneira que nós oferecemos nossos serviços e produtos para o acesso à informação bibliográfica (e em paralelo, no curto prazo, cobrar dessas empresas que contratem designers front end, porque a interface é pífia).

Muita coisa ainda precisa ser discutida, mas por enquanto, tomando o texto da Mariana Mathias como partida, gostaria de me concentrar nos aspectos estéticos e de design dos catálogos, sob a ótica do usuário final. Assim como eu fiz anteriormente na compilação dos melhores design e usabilidade de sites de biblioteca (que aliás sofrem a maioria do mal de não contar com um catálogo que seja integrado ao próprio site ou que junte as coleções de ebooks, de periódicos e de livros), percorri alguns sites e sistemas de apresentação de livros (catálogos de bibliotecas ou não) que operando no modelo de “estante virtual” com ênfase nas capas dos livros, representam um salto qualitativo enorme na perspectiva estética de busca e recuperação.

Quando teremos catálogos de biblioteca que se pareçam com os exemplos abaixo?

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Bibliotecas fora de moda

Por R$138 (mais o frete) você pode ter um capinha de iphone que parece ter sido tirada de uma biblioteca que não respeita a privacidade de seus usuários.

Por mais que eu adore a ideia de que as pessoas estariam pegando emprestado um livro de Shakespeare quase semanalmente (em 2014! Ele está disponível na internet) e, pessoalmente, gostar da iconografia dessas fichas antigas, é sempre intrigante vê-los por aí apropriados como um objeto da moda.

Kate Spade lançou uma coleção que celebra a “sagacidade literária” e um monte de itens com temática de biblioteca, o que deve significar que, pelo menos em algum lugar, as bibliotecas são vistas como algo que vale a pena investir.

Curiosamente, as assinaturas na ficha do livro são nomes de funcionários da Kate Spade. Hester Sunshine é um blogueiro da Kate Spade. Erin Graves trabalha no marketing, assim como Noura Barnes, Sophia Smith e Wendy Chan. Julie Ly é do RP e Suzanne Schloot trabalha no marketing de mídia social. Outras pessoas possuem assinaturas que são difíceis de ler (jogada inteligente) ou nomes que são demasiado gerais para rastrear.

Então, isso é legal e um monte de gente compartilhou a capinha no facebook. Ao mesmo tempo, isso meio que fetichiza a biblioteca (e faz dinheiro para os criadores do produto) sem realmente passar qualquer desse entusiasmo à própria biblioteca.

Eu tenho sentimentos semelhantes sobre as chamadas Pequenas Bibliotecas Livres. Eu gosto delas. Elas são divertidas e uma ideia elegante para as pessoas conseguirem outras pessoas interessadas em leitura e no poder de construção de uma comunidade em torno de livros. Eu sou a favor de ambas as coisas. Mas já que elas são chamadas de bibliotecas, as pessoas olham para mim e meus colegas de trabalho e dizem: “Ei, você curtiu essas bibliotecas? Não acha que deveria ter pensado nisso antes?” E minha resposta, que eu tento oferecer sem soar mal humorada, é que eu amo essas coisas, mas eu não sei por que elas são chamadas bibliotecas, em vez de estantes comunitárias, que é o que realmente elas são.

Exceto que eu sei por quê. Porque a palavra biblioteca é evocativa de um monte de coisas, de agora se estendendo profundamente no passado. Tem seriedade e vem com um monte de associações que você pode de certa forma obter gratuitamente, ligando as suas coisas com bibliotecas. Exceto que as bibliotecas têm um custo. E o trabalho exigido para mantê-las em funcionamento (o que é muito mais do que manter uma estante abastecida) é complicado, às vezes ingrato e sob o ataque de pessoas que acham que de alguma forma as bibliotecas não estão na moda o suficiente, não são maneiras ou atuais o suficiente, que o nosso dia passou. Então, sinta-se livre para deixar de me enviar esta capa de iPhone, por mais que eu tenha achado bacana, e pense sobre o porquê de as pessoas adorarem esse tipo de coisa e ao mesmo tempo não darem a mínima para as bibliotecas de sua cidade.

[tradução de unfashionable libraries]

Biblioteconomia Pop

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