Dra. Hannelore Vogt (diretora da Biblioteca Pública Municipal de Colônia, Alemanha)
Palestra
Segunda-feira, dia 26 de abril de 2010, às 10h
UFRJ (Campus Praia Vermelha)
Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Av. Pasteur, 250 – Praia Vermelha
Alemão com tradução simultânea
Entrada franca
Mais informações: Tel.: 3804 8204 / 3804 8203
bibl@rio.goethe.org
“Bibliotecas como fator de imagem!” é o slogan da Dra. Hannelore Vogt, diretora da Biblioteca Pública Municipal de Colônia. Quais abordagens, oportunidades e desafios para os bibliotecários se escondem por trás dessas palavras, serão apresentados e discutidos nessa palestra.
Trata-se da influência, persuasão e participação proativa dos bibliotecários nos âmbitos local, regional e internacional. Trata-se de fortalecer a percepção que se tem das bibliotecas através de suas ofertas. O que podemos fazer para promover essa influência, esse trabalho de lobby? Que possibilidades existem de fortalecer a posição das bibliotecas através da cooperação e do trabalho de lobby?
A palestrante apresenta uma introdução ao trabalho de lobby, discorre sobre a importância da imagem e sobre a construção de uma marca “Branding – a biblioteca, uma marca poderosa”. Aborda também temas como orientação ao usuário e ao funcionário, campanhas da biblioteca, criação de redes, cooperação entre os mais distintos parceiros, patrocínio, assessoria de imprensa e propaganda para a biblioteca. Apresenta uma visão prática dos serviços das bibliotecas públicas de Colônia e Würzburg, complementada com inúmeras sugestões, incluindo também o público de forma ativa.
Pra quem queria saber se eu ainda estava vivo, estou.
Menção honrosa na minha saga pelas chuvas do Rio e Niterói vai para uma noite na biblioteca do CCMN (Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza) da UFRJ.
Na impossibilidade de voltar pra casa na segunda feira a noite por estar literalmente ilhado na ilha universitária, decidi me juntar aos bibliotecários que também ficaram e fui dormir nos confortáveis sofás dos usuários no salão da biblioteca. Não tinha comida, não tinha cobertor ou travesseiro, mas tinha internet, livros e fantasmas. Eu estava seguro.
Esse era o panorama:
No crepúsculo seguinte, essa era a visão da Biblioteca do Centro de Tecnologia, onde eu trabalho:
Mas já está tudo bem. Os fantasmas tiveram a sua cota de diversão, eu tive a minha. As bibliotecas retomaram as suas atividades normais.
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Eu sou residente de Niterói. Tudo bem comigo. Mas me senti um pouco como “A estrada”, do Cormac Mccarthy.
Não tenho notícias de bibliotecas no Rio ou Niterói terem sido afetadas pelas chuvas.
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Alguém sabe de alguma lei, alguma norma que trata de danos à bibliotecas causados por chuvas, fenômenos naturais? [Falta pouco pra 2012], é bom os bibliotecários ficaram cada vez mais atentos à isso.
Quanto ao serviço prestado à comunidade, como as bibliotecas (públicas) devem se portar nesses casos? Que tipo de assistência elas podem e devem oferecer (abrigo, coleta de donativos, informações topográficas, informações históricas, informações jurídicas, etc) ?
Em tempos de chuvas e mortes e investimentos em bibliotecas públicas, a Biblioteca Pública do Rio (“biblioteca do Brizola”) prepara o seu redesign.
Eu tentei encontrar alguma informação sobre a reforma, eu lembro de ter visto em algum jornal da cidade, mas não consegui resgatar. Não sei nada sobre a obra, não sei nada sobre o projeto.
A única coisa que eu sei é que a biblioteca já está fechada há um bom tempo e está cercada por tapumes que contêm algumas imagens de como a biblioteca ficará, depois de reaberta.
Eu só consegui uma foto, essa aí de baixo.
Pelos outros croquis nos tapumes, tem um quê de espaço multimídia no redesign. Quem sabe vem uma versão carioca da Biblioteca do Carandiru por aí.
Alguém sabe alguma coisa sobre a nova biblioteca pública do Rio?
A Prefeitura de São Bernardo do Campo e o Ministério da Cultura estabeleceram uma parceria para a formação de agentes de leitura.
O que são os agentes de leitura?
Formação de agentes de leitura com ensino médio completo e idade entre 18 e 29 anos, para atuarem na democratização do acesso ao livro e formação leitora, por meio de visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literários abertos para as comunidades. Serão capacitados no ano de 2010, cerca de 5 mil jovens agentes, para o atendimento a mais de 200 mil famílias, grande parte oriunda do Programa Bolsa Família.
Benefício
Cada agente de leitura receberá kit contendo livros, mochila, uniforme, meio de locomoção e bolsa mensal de R$ 350. Os agentes de leitura estarão integrados às bibliotecas públicas municipais e escolares, bem como aos Pontos de Leitura e ao projeto Arca das Letras do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Achei a palestra do alemão fodona, muita coisa que a gente já tá cansado de saber, especialmente em termos de ferramentas, mas coisas interessantes também, abordagens que eu não conhecia.
O que me chamou atenção foi ele ter resgatado um artigo publicado no Library Journal em 2008, que foi mega citado entre os bibliotecáros na época e apresenta os indicadores de uso da base BISON da Universidade de Buffalo, em comparação com o uso do Google Books. A pesquisa dos bibliotecários de lá mostra que somente a partir do momento em que abraçassem a tecnologia disruptiva do Google, em vez de tratá-lo como competidor, utilizando APIs e convergência para fazer com que os materiais das bibliotecas da universidade fossem plenamente rastreáveis, o número de hits para buscas no catálogo local aumentaria. Graças a possibilidade de integração do catálogo com os APIs do Google Books e do World Cat.
Esta história sintetiza o que pra mim foi mais importante e resume toda a palestra, a idéia de que os serviços da biblioteca precisam se tornar invisíveis e a biblioteca física, visível.
Se por um lado de que adianta investir em catalogação, indexação, digitalização se o resultado desse esforço não é visível aos usuários comuns, dentro das ferramentas que eles usam naturalmente, como o Google, por outro lado bastaria que os serviços de bibliotecas fossem acoplados ao movimento natural dos usuários nas diferentes tecnologias pervasivas (google, iphone, youtube, facebook, twitter, etc) para os serviços se tornarem invisíveis – ao mesmo tempo em que os acervos ganham destaque, sem ter que necessariamente obrigar o usuário a associar o material que precisa à uma biblioteca específica. Todo o processo de consulta aos materiais da biblioteca se dá exatamente aonde os consulentes estão (no google, facebook, mobile, etc), de forma natural, imperceptível, invisível.
Isso é crucial para a nossa realidade, pois no Brasil esse tipo de abordagem JAMAIS vai se tornar realidade. E basta um exemplo para justificar o meu ceticismo: por que não existem catálogos integrados no Brasil? Por que eu não consigo fazer uma pesquisa com base no meu CEP, rastreando o acervo de várias ou todas bibliotecas simultaneamente? Por que o Estante Virtual conseguiu fazer isso em poucos anos e as grandes bibliotecas públicas e universitárias não conseguiram fazer em décadas? (e não precisam me dizer que existem catálogos integrados, que existe CCN, porque eu sou usuário desses sistemas e posso dizer com firmeza que eles são importantes mas não são satisfatórios. E isso sem dizer que não são rastreáveis, o que já de cara entra em conflito com a possibilidade de os serviços se tornarem invisíveis. Não podem se tornam invisíveis enquanto forem obrigatórios)
A razão dessa inviabilidade é política. Grandes bibliotecas não querem dissociar as suas coleções dos seus produtos, porque são esses produtos (catálogos particularmente), insatisfatórios que sejam, que justificam a existência e manutenção do status das pessoas que os conceberam. Então, sob o ponto de vista do usuário comum, ainda que fosse muito mais lógico realizar uma pesquisa global e obter resultados locais, sob o ponto de vista do gestor da biblioteca, essa prática tornaria o seu catálogo invisível e nivelaria a sua biblioteca com todas as outras (e se o pensamento do gestor for de que a sua biblioteca é a melhor, ele não teria que se agrupar com outras que não realizam trabalho qualitativo à altura).
Eu posso estar inteiramente equivocado, mas essa é a única resposta que encontrei para a não existência de um catálogo coletivo nacional nos moldes da Estante Virtual, do WorldCat, do Google Books, Google Scholar. E a única resposta para o fato de as bibliotecas não aderirem ao WorldCat, não liberarem os seus XML para que o Google rastreie as coleções. Se isso fosse implementado, como já foi em vários sistemas (Flickr, LibraryThing) e bibliotecas, eventualmente quando eu for buscar por um título na ferramenta de busca que é natural para mim (Google e não o catálogo da biblioteca, vide artigo sobre o BISON), o material que eu preciso, associado a uma biblioteca próxima da minha residências, apareça na lista de resultados.
Serviços de biblioteca invisíveis no Brasil? Acho que não…
O Klaus explicou que quando o projeto do Google Books a qual eles e outras bibliotecas européias e americanas estão vinculados estiver funcionando plenamente, não haverá identificação do livro em relação a biblioteca em que está depositado. Ou seja, os bibliotecários estão dispostos a abrir mão dos seus acervos assim, em pról do livre e amplo acesso aos materiais, ou vão continuar querendo que as consultas estejam presas aos seus produtos e serviços, justificando e mantendo o seu status de guardiãos dos registros do conhecimento?
Quanto às bibliotecas físicas se tornarem cada vez mais visíveis, ele enalteceu a idéia de ter a arquitetura como um fator de venda. Se o ambiente físico é atraente, as pessoas se sentirão compelidas a interagir. E a biblioteca física precisa ser visível o tanto quanto for necessário para promover o intercâmbio cultural dos cidadãos.
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Concordando ou em contraponto ao post original do Tiago, a minha percepção é de que a mentalidade da pessoas aqui no Brasil, de um modo geral, quando se confrontam com iniciativas e resultados de países desenvolvidos ainda é a síndrome de vira lata e invejinha: “ah, mas o cara tem um orçamento de 40 milhões de euros, fica fácil falar”. Claro, mas a gente poderia oferecer serviços aqui muito melhores sem que o dinheiro fosse empecilho. Apenas a guisa de exemplo, perguntem ao André Garcia do Estante Virtual, quanto que ele gastou para criar um catálogo coletivo entre mais de 1600 sebos, 24 milhões de livros, pra perceber que boas iniciativas independem de orçamentos milhonários. Isso sem falar no papel do Estado (a culpa é sempre do Estado…), como o Tiago corretamente apontou.
Eu fiquei esperando o alemão falar sobre como a biblioteca se torna autosustentável, mas ele falou apenas brevemente sobre captação de recursos alugando o espaço da biblioteca para eventos de grandes empresas e casamentos. O tipo de coisa que no Brasil não funcionaria por causa da burocracia ou porque os bibliotecários iam se preocupar demais com a preservação do acervo (embora eu ia achar sensacional ir em um casamento em uma biblioteca).
Outro ponto no discurso dele que eu não concordei muito é que os bibliotecários prafrentex encaram os nativos digitais como se fossem apenas criancinhas. A minha geração é de nativos digitais e o que eles estão fazendo por mim? Enquanto que aos nativos digitais, millenials, que talvez ainda nem sejam capazes de discernir sobre o tipo de informação que realmente precisam, é oferecida uma gama de produtos e serviços apenas com base em dedução. Isso já foi pauta de discussão no post sobre reconstrução da biblioteca 2.0 e no vídeo da Abbey.
As bibliotecas tendem a assumir que sabem o que eu preciso, mas eu nunca fui perguntado. Isso resulta em fracassos como twitter em bibliotecas, second life, erros que eu mesmo enfrentei enquanto bibliotecário e precisei reavaliar. De qualquer forma o Klaus insistou que os erros ensinam. Então mesmo que a Bayerische Staatsbibliothek no Second Life tenha sido um fracasso total, o investimento realizado é redirecionado para outros tipos de produtos e serviços, como modelagem 3D para realidade aumentada, por exemplo.
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A biblioteca é gigante porque é all in one, cumpre todos os serviços de biblioteca na Baviera, é uma fusão de biblioteca pública, universitária e especializada, se considera centro de pesquisa internacional. Tem 773 funcionários, tem curso de formação em bibioteconomia. Antes mesmo do contrato com o Google eles já tinham um parque tecnológico animal, com scanners de prisma para as digitalizações e tudo mais.
Eles tem um grupo usuário alvo (primary target group) e uma abordagem de internet como o único mercado, pois só por meio dela é possível atender esse target group, alunos e pesquisadores em escala mundial.
A visão pessoal dele para o futuro das bibliotecas é sobre conteúdo e serviços mobile. Na Bayerischen Staatsbibliothek eles criaram um Itunes app para o catálogo da biblioteca, ca-ra-le-ou.
Tratando-se da área jurídica, é notória a escassez de literatura que oriente o profissional da informação no manuseio e organização dos documentos legais, principalmente no que se refere à leitura técnica e análise documental e, também, de cursos de especialização que ofereçam conhecimentos básicos da terminologia do Direito. Partindo deste pressuposto, este livro pretende auxiliar os profissionais bibliotecários no entendimento dos conceitos da área jurídica e demonstrar estratégias de leitura técnica, fornecendo elementos importantes para a identificação e seleção dos conceitos existentes na documentação jurídica.
Murilo se perguntou o que fazer quando os catálogos manuais de fichas catalográficas se tornam obsoletos e pediu sugestões. Como as minhas sugestões são muitas, segue aqui:
quem quiser comprar para fins de decoração, procure uma biblioteca que esteja se desfazendo dos catálogos. Nas bibliotecas privadas pode ser mais fácil conseguir do que nas públicas.
A primeira e o foco da palestra foi a enfase de que tudo é digital, tudo vai ser mobile e se a biblioteca não for assim, irá desaparecer. E que “information literacy” é ultrapassado. Eu particularmente não concordo com esta visão apresentada por ele. É claro que a realidade alemã é muito distinta da realidade nacional, mas afirmar que o futuro somente digital para mim é um erro. Mas para contestar tudo isso me faltam argumentos claros.
A segunda é uma reflexão sobre o papel do Estado como mantenedor de serviços de informação, ou seja, a importância do investimento no conhecimento pelo Estado. A biblioteca da Baviera tem, se não me engano, 30 millhões de euros de orçamento anual ( e ainda conta com um substancial complemento por meio de acordos com empresas privadas ). E só para ter como dado, o Estado da Baviera tem um PIB de U$ 600 bilhões. O PIB de São Paulo é de aproximadamente U$ 400 bilhões e a tão falada Biblioteca São Paulo custou R$ 12 milhões, cerca de U$ 7 milhões ( contando ainda com uma parte do governo federal ) e deve ter um orçamento ridículamente menor que isso. E um agravante, é a única biblioteca estadual. O que ficou para mim é que estamos encantados com uma biblioteca que na verdade teria que estar fazendo muito mais do que está hoje. Não culpo os funcionários ou gestores da BSP, mas o Estado por não dar a devida importância para as bibliotecas. Devemos cobrar o Estado para fazer mais e investir mais para a educação da população, pois é seu dever.
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