Para descontrair
Via Lolcats
Quer saber o que é o BSF? Aqui. Quer saber o que nós já escrevemos? Arquivos. Quer falar com a gente? Contato.
*o título alternativo não muito SEO-friendly para este post poderia ser “em busca de um modelo de divulgação da biblioteconomia”.
Semana passado eu fiquei acompanhando no twitter os hashtags da conferência Internet Librarian (#il2009): uma sequência de coisas interessantes, outras nada interessantes, muitas replicações (RTs) descompromissadas, mas no geral, um bom volume de compartilhamento de informação entre os bibliotecários, e especialmente bom para aqueles que não estavam participando fisicamente do evento, bibliotecários ou não.
Eu também havia perguntado no início da semana no twitter se não havia um hashtag para o Enancib, que é o encontro nacional de pesquisa em ciência da informação. Bom, não havia hashtag, mas mesmo assim eu tentei acompanhar os poucos tweets que foram publicados e que mencionavam o evento de alguma forma.
Ok, então percebam a grande diferença entre uma conferência qualquer nos EUA (e lá existem essas conferências aos montes, ao longo do ano inteiro) e uma conferência anual considerada a mais importante no Brasil entre os “pesquisadores de informação”. No primeiro caso, existe um interesse intrínseco em se compartilhar informação, em promover a discussão em tempo real em uma esfera que extrapole a conferência física. Um bônus para aqueles que não podem atender ao evento, e eu por exemplo, que estou em outro país, em outro fuso-horário. E o segundo caso, onde não há qualquer notícias sobre o que acontece dentro da conferência (ou conclave). Conferência de pesquisadores de informação, diga-se de passagem, ênfase em informação, com tema central “responsabilidade social da ciência da informação”.
O gancho que eu fiz entre o Internet Librarian e o Enancib foi somente em função dos dois eventos estarem ocorrendo simultaneamente, na mesma semana. Claro que fica difícil comparar uma classe profissional com uma classe científica. Mas eu poderia ter dito exatamente a mesma coisa, comparando qualquer evento, de qualquer área, ou apenas para facilitar a compreensão, o Intercon 2009 e o Enancib 2009, ou o evento anual da ALA e o CBBD, por exemplo, que surtiria o mesmo efeito.
Poderia se discutir a questão do contexto, bla bla bla, mas vejam, estou falando simplesmente que acompanhei novidades pelo twitter e elas fizeram enorme diferença. Seria perfeitamente possível utilizar o mesmo mecanismo (ou qualquer outro que fosse) para divulgar o que se passa em uma conferência desse tipo aqui no Brasil. Não haveria nenhum empecilho.
É um diferencial na postura de “lamento por aqueles que não estão presentes” para algo do tipo “que pena que você não pôde estar conosco, mas em tempos de conectividade, de web em tempo-real, de conteúdo multimídia, de ausência de barreiras geográficas, aqui estão algumas das coisas que você está perdendo por não estar presente fisicamente. E sinta-se a vontade a colaborar, mesmo estando longe. Nós oferecemos a plataforma que permite esse tipo de interação”. No segundo caso, você de pronto não perde praticamente nada. No primeiro caso, resta torcer para que após o evento tenha acesso aos anais, vídeos, comentários, etc.
Peguem exemplos de grandes eventos e conferências ou conferências de nicho ao redor do mundo, e percebam como a circulação de idéias atinge um patamar muito maior simplesmente espalhando o conteúdo da conferência em diversas esferas que não exclusivamente o espaço físico onde está sendo realizado o evento (livestream, youtube, hashtags, blog, etc).
O que eu tô advogando aqui é muito pouco, apenas que se utilizem os mecanismos que estão aí, livres, leves e soltos para serem utilizados para este propósito, de enaltecer o que essas instituições e pessoas tem de melhor.
O engraçado é que algo que deveria ser tão natural e simples, em muitos casos, evidencia o que a gente tem de pior, tanto em termos de instituições como pessoas.
Acho que é falta de percepção mesmo, de interesse, de modelo.
——
Durante o Internet Librarian, foi lançada a nova versão do vídeo Library 101, (a primeira versão foi o Hi-Fi Sci-Fi Library) que é um projeto colaborativo dos bibliotecários Michael Porter e David Lee King. E mais um exemplo de como utilizando as ferramentas disponíveis na web você pode realizar um projeto em escala global, com o mínimo de planejamento e organização.
O vídeo apresenta mais de 500 profissionais bibliotecários do mundo inteiro e pode ser visto no site oficial ou no youtube.
Acho que eu sou o único bibliotecário brasileiro que fez parte do projeto : ) 1′:19”
Outros bibliotecários e personalidades foram convidados para escrever os ensaios da Library 101, articulando o que eles vêem se transformando nas bibliotecas e o que nós precisamos fazer para assegurar que continuaremos relevantes conforme a tecnologia e a sociedade evoluem – os ensaios incluem texto do Obama.
Pra quem não sabe exatamente do que se trata, o título do projeto implica que existe um conjunto fundamental de habilidades e conhecimentos que todos os bibliotecários deveriam ter, e esse projeto é baseado na definição/redefinição desse conjunto.
Eu li um post muito bom sobre o vídeo, e achei melhor traduzir as partes principais porque elas refletem muito bem esse embate entre os bibliotecários que estão dispostos a fazer qualquer coisa para causar algum tipo de mudança ou impacto no ethos da profissão e aqueles que estão bem como estão, por suas próprias razões.
O vídeo certamente reflete a paixão e criatividade de Michael e David (que são bem conhecidos na biblioblogosfera) e certamente é tosco (eu até acho alegre demais, digamos assim), reforçando inclusive alguns estereótipos negativos sobre os bibliotecários serem um pouco disfuncionais nas suas tentativas de serem “moderninhos”, mas ainda assim conseguiu bastante visibilidade sendo inclusive mencionado pelo BoingBoing, que é um dos maiores blogs do mundo.
A letra da música basicamente é uma indicação de que a sociedade mudou, e que os papéis que as bibliotecas exercem na sociedade também mudaram e consequentemente nós precisamos reescrever a nossa “library 101” – isto é, nosso conjunto básico de habilidades, para incorporar elementos como marketing online, desenvolvimento web, etc, de forma a manter a nossa profissão relevante, caso contrário ela será extinta.
O vídeo fica um pouco chatinho depois dos primeiros minutos, é verdade… Mas além dele, temos o que podemos considerar como a parte mais importante do projeto, que é a lista dos 101 recursos ou coisas que você precisa saber. É uma lista interessante.
Pois bem, se essas são as 101 coisas que todos os bibliotecários deveriam saber, porque então elas não estão sendo ensinadas nas escolas que nos qualificam como bibliotecários?
E em termos de desenvolvimento profissional continuado, porque a mensagem está vindo de dois profissionais individuais e não das nossas associações profissionais?
Além disso, se as nossas associações profissionais anunciassem que todos os profissionais teriam um ano para atualizar suas habilidades com o conjunto da “library 101”, ou seus registros profissionais seriam cancelados, então teríamos uma debandada – seja pela incapacidade de adaptação ou por protesto.
E ainda que o mote da “library 101” represente o conjunto básico para pessoas como David e Michael, o fato é que a maioria dos bibliotecários, se são bons no que fazem, já possuem o seu próprio “library 101”. Sim, o conjunto básico sempre se modifica, e nós mudamos junto com ele. Entretanto, nossa profissão é tão diversificada que é injusto que um bibliotecário julgue outros bibliotecários trabalhando em diferentes setores do universo das bibliotecas. Um bibliotecário que é expert em livros ilustrados e psicologia de desenvolvimento infantil não precisa necessariamente saber coisas como usabilidade web, e isso não o torna deficiente no conjunto das habilidades exigidas para executar bem a profissão.
Então, com todo respeito ao David e Michael por sua paixão e desejo de exibir liderança na área, eu gostaria de sugerir um “library 101” alternativo. Um que não tem nada a ver com listas de 23 coisas, ou 101 coisas, ou quantos diplomas universitários você possui. É sobre se preocupar com o que você faz em seu trabalho como bibliotecário, e fazer com competência; exercitando as melhores práticas. Essas melhores práticas irão variar, dependendo do contexto do seu trabalho, e irão se modificar com o tempo.
De todo modo, expanda o seu conhecimento para incluir habilidades valiosas, como desenvolvimento web ou marketing, ou criar apresentações em power point incríveis, ou organizando exercícios em equipe, ou aprender sobre a última tecnologia do google que a maioria das pessoas ainda não conhece. Mas eu digo, até mesmo as habilidade de atendimento ao público somente são fundamentais para aqueles bibliotecários que trabalham no serviço de referência. E existem muitos que não trabalham com referência. Se você possui essas habilidades, você têm um algo a mais. Mas não julgue outros bibliotecários se eles não as possuem – especialmente se eles não necessitam delas para realizar bem seu trabalho. Sinta-se a vontade para compartilhar essas habilidades, mas permita que os bibliotecários se reservem ao direito de rejeitá-las e em vez disso focarem em habilidades tradicionais que os seus tipos de trabalho exigem.
—–
Outra coisa legal que eu vi no Internet Librarian – eles tem uma série de atividades paralelas, e uma das mais legal, que é um exercício que eu já tinha visto no SXSW, e eles copiaram, que é BattleDecks: criam uma comissão para criar slides de power point desconexos, com imagens e textos completamente aleatórios e nada a ver, e as pessoas se voluntariam pra ir lá na frente e fazer uma apresentação, com base nesses slides, que vão sendo trocados a cada 5 segundos. Daí quem conseguir fazer a melhor apresentação, ganha um prêmio.
Muito legal o processo de criação da capa da Library Journal desse mês, via Koren Shadmi:
Mês passado me pediram para desenhar a capa da revista Library Journal. O artigo principal da edição era sobre a reorganização das bibliotecas. A maioria das bibliotecas utilizada o velho método inventado por Melvil Dewey – adequadamente chamado de “Classificação Decimal Dewey”. O novo sistema faria a biblioteca parecer muito mais como uma livraria. A editora queria basicamente mostrar o próprio Dewey em estado perplexo por uma biblioteca que está de acordo com o novo sistema, e não o seu. Eu desenhei alguns esboços indicando as composições possíveis – todas mostrando Dewey espantado pelo biblioteca estranha. A editora decidiu escolher o desenho em que as estantes de livros aparecem por cima de Dewey como arranha-céus enquanto ele permanece sem ação na parte de baixo. Veja como ficou a imagem final:



A história é um pouco longa, mas vale a pena.
Poucos meses atrás eu recebi um email, com assunto “ajuda -aluna de design” e que dizia mais ou menos assim:
Boa tarde, Moreno.
Meu nome é Debora e eu sou aluna do 5º semestre de Design na FAU USP. Temos uma matéria chamada Projeto de Produto 5 – Transporte, e tínhamos que propor uma solução para algum transporte movido a força humana, ou seja, não podemos usar motor e etc.
Eu e meu grupo (Aimeê e André), analisando os problemas envolvendo transporte, percebemos que o transporte de livros dentro das bibliotecas é muito ruim. Conversando com os professores, também concordaram que é um problema a ser resolvido.
Após pesquisarmos um pouco (como se trata de um projeto a ser realizado no período de 1 semestre – que é sempre menos que 6 meses – , não pesquisamos o tanto que gostaríamos de ter pesquisado), chegamos à tal conclusão: para ajudar os bibliotecários a realocarem os livros, tando de devolução quantos os de consulta deixados em cima das mesas, vamos implementar no projeto um sistema de cores. Atualmente, na biblioteca da FAU, quando um professor adiciona um livro às referências de alguma matéria, pode contactar a biblioteca para que coloquem um adesivo vermelho na lombada: dessa forma o livro não pode ser retirado para que todos possam ter acesso a ele. Conclusão: o uso de adesivos na lombada é plausível.
Falando com funcionários de diferentes bibliotecas de dentro e fora da USP, vimos que uma das maiores dificuldades reside no fato do código usado ser muito extenso. Além disso, sua localização e o tamanho da fonte não ajudam. Imaginamos algo que fosse mais imediato para que pudéssemos otimizar o tempo de trabalho do bibliotecários: dividir as seções por cor. Com isso, desenvolveremos um sistema inteiro de sinalização nas prateleiras e na biblioteca para que tudo seja mais dedutivo para o usuário e para o funcionário.
Além disso, estamos estudando em como o RFID (rádio frequência) pode nos ajudar. Anteriormente pretendíamos aplicá-lo a quase tudo, mas observamos que estávamos complicando tudo para poder inserir mais tecnologia dentro da biblioteca. O uso que nos pareceu mais relevante foi o de aplicá-lo nas mesas de estudo pelo seguinte motivo: uma parcela dos usuários pegam livros, os lêem na própria biblioteca e os deixam em cima das mesas. Outros usuários que, talvez queiram esses livros, não os acham nas prateleiras e verificam que não foram retirados ou pela internet (algumas faculdades dão esse tipo de informação pelo dedalus) ou pelo bibliotecário. Consultando o bibliotecário ou um posto de auto-atendimento (similar aos caixas de banco 24 horas), o usuário poderia saber quais livros foram deixados nas mesas.
O RFID é uma tecnologia muito barata. Cada etiqueta (ela possui um chip que armazena informações sobre o objeto) custa menos de 10 centavos. Perceba que buscamos um projeto que possa ser aplicado em bibliotecas públicas, ou seja, visamos qualidade a baixo custo.
O grande problema que enfrentamos mesmo é o carrinho. Reformulamos tudo (na verdade isso só está na fase de ideação. Os desenhos ainda estão em desenvolvimento), mas ainda não temos muitas referências de carrinhos. Muitas bibliotecas fazem uso de carrinho de supermercado por ser mais funcional que o carrinho de biblioteca! Esses são muito barulhentos e as alturas das estantes não são ideais. A pega é ruim… enfim, a ergonomia é péssima.
Estamos tentando melhorá-lo, mas a evolução está sendo bem lenta exatamente pela falta de referência.
Esse texto todo foi só para pedir sua ajuda. Achei o blog Bibliotecários Sem Fronteiras. Li algumas coisas e vi uns vídeos. Por isso acho que você e seus colegas podem, talvez, nos ajudar com esse projeto.
Qualquer referência é bem vinda. E podem criticar o projeto. Toda opinião é válida.
É isso. Perdão pela mensagem longa e espero que eu tenha sido clara.
Grata pela atenção,
Debora Motoki
E eu respondi assim:
Oi Debora
subestimei, e pra caralho, o seu email quando o vi a primeira vez, 3-4 dias atrás. Mas agora que decidi ler o texto longo com mais calma, estou embasbacado. Nem tenho como responder à altura.O projeto é excelente, eu nem sei como exatamente poderia te ajudar, mas quero te ajudar de qualquer forma que for possível.
Apenas pra te situar, toda a teoria clássica da biblioteconomia e gestão de acervos e bibliotecas está pautada na noção de recuperação de informação: a informação é abundante, mas as pessoas precisam dela, então os bibliotecários ao longo dos anos desenvolveram técnicas de organização para recuperar/resgatar/encontrar informação de maneira rápida e eficiente, o que nem sempre significa o mais simples. Sobre biblioteconomia e bibliotecários, é somente isso que você precisa saber.
RFID e modelos de recuperação com base na experiência do usuários são aplicados amplamente em bibliotecas de primeiro mundo. Eu não tenho referências específicas, mas basta fazer uma pesquisa simples pra encontrar boas práticas e usar como modelo para o seu protótipo, talvez.
Tem dois projetos que eu acho legais, que você pode consultar:
todo o processo de redesign da Seattle Public Library (eles usam treadmills e aplicaram um sistema integrado de RFID)
Joshua Prince Ramus no TED
Fotos do flickr – sistema de RFID
vídeo no youtube
site oficiale o projeto de redesign da Carnegie Library feito por uma agência chamada Maya
tem os relatórios em ppt no final da páginaEu particularmente tenho focado mais ultimamente no uso do ambiente de bibliotecas tendo como base a experiência do usuário. Estive aí na USP umas semanas atrás falando sobre isso
vamos conversando
beijos
Tempos depois a Debora me mandou o relatório final. Eu achei sensacional, fiquei muito curioso, tinha muitas dúvidas, mandei email de volta:
lindo, quero comprar um, como faço? : )
o que vocês fazem com o projeto daqui pra frente? eu sei que é relatório final e tudo mais, mas qual é a possibilidade real de comercializar isso? Acho que você poderia investir nesse nicho de design para bibliotecas, existem poucas empresas no Brasil lidando com isso e pouquíssimos profissionais com alguma bagagem de design e arquitetura. A agência que tá coordenando a arquitetura das bibliotecas da (censurado) tem contrato na ordem de milhões de reais. E os caras não sacam nada de biblioteca.
Se você conseguir estabelecer algum tipo de serviço, aliando o que tu sabe de design e projeção, junto com alguém que saque bem de ergonomia, usabilidade e acessibilidade relacionadas às bibliotecas, você vai ficar rica.
muito legal, eu vou ler tudo com calma. Posso divulgar depois nos meus blogs?
A Debora respondeu:
…falei com os meus colegas e claro que adoramos o fato de você ter gostado do nosso projeto : D
bom, o que a gente faz com o projeto? nós o inscrevemos num concurso de design… infelizmente, (a maioria dos) nossos trabalhos começa e termina dentro da sala. confesso que adoraria implementar nosso sistema, porque vimos o quão defasado ele é; o que prejudica tanto bibliotecário como usuário.
mas pra isso teríamos que ter todo o tempo do mundo. ou seja, teríamos que sair da faculdade hehehe. pra vc ter uma noção, temos 9 matérias obrigatórias esse semestre! tá beeeem pesado. junta estágio, projetos na marcenaria… e vira uma loucura só.
teríamos que pesquisar mais, formar dados mais concretos… seria sensacional! mas daí precisamos de dinheiro e etc. bom, pode ser um tfg (trabalho de final de curso) com potencial de virar algo real : D no momento é o máximo que podemos fazer… infelizmente.
pode divulgar, sim!
só peço que mande o link : )
Eu subi o relatório completo na ExtraLibris, vocês podem baixar lá.
Mandem mensagens pra Debora, acho que ela vai gostar (@midori_motoki). O trabalho da equipe ficou muito bom.
Eu fiquei com a consciência meio pesada por ter terminado a faculdade e não ter cursado nenhuma disciplina de design, de ter aula na marcenaria, meter a mão na massa. Uma eletiva seria o suficiente, mas quem sabe, naquela história de um currículo ideal, alguma disciplina não pudesse ser incluída oficialmente nos cursos de biblio.
Eu realmente conheço poucas empresas de design lidando com mobiliário e equipamentos para bibliotecas (Cláudia, ainda tá no mercado?), ou melhor ainda, que executam pesquisas sobre o ambiente de bibliotecas antes de desenvolver os produtos.
Bom, quem tiver precisando comprar alguns carrinhos para a biblioteca (ou solicitar algum outro produto), já sabem a quem pedir.
Alguns croquis e imagens do projeto:



Texto de Ricardo Queiroz Pinheiro
Poderíamos parafrasear o bibliotecário como um profissional a procura de um rótulo. Esse grave problema identitário já foi discutido em diversos textos que propõem fórmulas e receitas para que, em um passe de mágica, a solução, a despeito de qualquer processo, viesse à tona.
Há muito tempo se discute, entre bibliotecários, qual o perfil que deve ter o profissional para ser atuante e protagonista na “era da informação”. E mais: se de fato com o advento da era da informação a nossa área de atuação ganhou maior abrangência e nos tornamos posto chave dentro do quadro de profissões
A mudança de nome dos cursos de biblioteconomia foi um sintoma evidente dessa preocupação, carregada de formalismo e sempre em detrimento de um conteúdo que efetivamente mude o rumo do fazer profissional e da produção cientifica produzida.
Alguns fatores devem ser levados em conta: a relação entre mundialização e o poder e da informação, o deslocamento da produção de conhecimento, as propriedades recombinantes do uso da informação e o impacto que essa incide no indivíduo e nos grupos.
O aumento da circulação de informações dentro das velhas e novas mídias é crescente, mediação e gestão da informação são essenciais, o que não garante que os espaços tradicionais, que supostamente concentram essas informações, sejam o lugar ideal para atender essa demanda.
A partir desse raciocínio, discutir a relevância desses espaços é o primeiro passo para iniciar o diálogo e sua consequente transformação.
A maior procura e utilização da informação, esta provado, não colocou as bibliotecas e os centros de informação automaticamente na ponta de lança de prioridades da sociedade. Quando muito as utilizações destes espaços se diluem em interesses multifacetados, que mais problematizam do que reforçam seu papel como instituição.
O “agente da informação” deve trabalhar com foco nos suportes e conteúdos informativos ou nas pessoas que deles necessitam? Se a resposta for com os dois, onde que se estabelece essa relação de forma concreta? O pilar de um centro de informações é o seu acervo ou são seus usuários?
Aparentemente são esses fatores indissociáveis, e essa pergunta pode soar descabida, mas a prática nos leva a crer que não. A falta de diálogo entre essas partes, não falo aqui de qualidade e totalidade, é causa das maiores distorções e anacronismos presentes, e nem sempre são vistas como um problema objetivo a ser superado.
Em primeiro lugar o que representa a era da informação? A informação e o conhecimento produzido a partir dela, até onde sabemos não é um elemento novo na vida da humanidade.
A distinção entre informação e conhecimento é muito tênue, as informações não ficam soltas no ar e elas são processadas assim que a recebemos. Mas há uma diferença entre ambas nos usos e nas relações que se seguem logo após a recepção.
A produção de conteúdo informativo e a sua relação com a produção de conhecimento é o grande dilema a ser desbaratado sem cairmos nas interpretações mecanicistas e esquemáticas.
O instante exato onde se apresenta a importância de um profissional da informação é justamente o espaço entre a recepção e processamento da informação por parte daquele que a procura, e é ai que ele deve se fixar como agente ativo e participar no processo de construção do conhecimento.
Portanto a mediação da informação deveria ser o principal foco de interesse e expansão do profissional da informação, em detrimento de nomes de prédios, de cursos universitários e de jargões vários criados.
O assunto não encerra nessas premissas, há espaço para várias discussões…
Bibliotecário – Trabalho pela democratização da informação e do conhecimento. Formado em biblioteconomia, 1994 na FESPSP, atuo em biblioteca pública há 15 anos em São Bernardo do Campo.
Publicado em: http://ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=477
Está muito interessante a discussão sobre “Biblioteconomia 2.0 no Brasil“, que chegou a render inclusive uma entrevista comigo feita pelo Gustavo Henn.
Eu fiquei preocupado com uma questão complementar: Onde está o verdadeiro ensino de Biblioteconomia nas Universidades. Em relação às ferramentas sociais na Web, me preocupa o fato que nos tornaremos meros usuários. E ainda, estamos cada vez menos dando importância para um conhecimento consolidado da àrea de Biblioteconomia (estudos de organização da informação e tratamento documentário, estudos consistentes de usuário, planejamento e administração de serviços de informação, etc… ). Acredito que valeria a pena demonstrar como esse estoque de conhecimento que a área construiu possa ser utilizado no novo contexto ao invés de ficarmos tentando adaptar conceitos externos sem nos darmos conta que nossa área acabará perdendo o controle sobre seu próprio futuro.
Além da USP, o pessoal (sempre pro-átivo por sinal, estou de olho) da UFRGS também vai realizar a sua semana de Biblio e correlatas.
Quando: 19 a 23 de outubro de 2009
Onde: Fabico/UFRGS
A II SAIBAM terá, além das palestras:
* II Exposição Fotográfica;
* Apresentação de trabalho dos alunos;
* Oficina de pinlux;
* Eleição para gestão 2009/2010 do CABAM – entre 20 e 22/10, pelo Portal do Aluno;
* IV CABAManguaça: a festa do CABAM – 23/10, entrada franca, DCE-Saúde;
* CineCABAM: Brasil, LGBTT, Musicais – 21 a 23/10, 13h30.
Visitem o site do centro acadêmico para maiores informações:
http://www6.ufrgs.br/cabam/
Galera, faz favor, filmem as palestras, os eventos, e coloquem tudo no youtube depois.
ps* tenho certeza que o colega bibliotecário Rodrigo Galvão iria gostar da sessão LGBTT, já que ele é militante no Recife.
Acho que toda escola deveria ter uma semana de biblioteconomia por semestre, promovida pelos alunos – e de preferência, valorizar e dar visibilidade aos trabalhos dos alunos, e não só os professores, que já tem as suas salas de aula e seus periódicos acadêmicos para falar a vontade.
A ECA vai promover mais uma das suas:

Na programação, curso sobre software livre com o onipresente Tiago Murakami. Software livre aliás é um belo caminho para ser criativo, para se criar ou hackear coisas relevantes para as bibliotecas. Se eu estivesse por São Paulo, faria o curso : )
Todas as informações sobre a Semana de Biblioteconomia da USP estão no blog: http://semanabiblioeca.blogspot.com/
* ei organização da semana, eu ficaria muito feliz se vocês filmassem todas as apresentações e disponibilizassem tudo no youtube. Parabéns e boa sorte!
Fizeram uma pesquisa sobre as melhores profissionais para se namorar. As bibliotecárias estão bem cotadas:
Ela vai saber sobre muitos assuntos, ótima com o Google e uma boa conexão para livros grátis. Bônus: nunca mais pague multas. E além disso, todo mundo sabe que as bibliotecárias são um dínamo sexual pronto para explodir. Certo?
* sim, é a Madonna.
Comentários recentes