Semana de Biblioteconomia da ECA – USP | 2009

Moreno Barros 16.10.2009 5 comentários

Acho que toda escola deveria ter uma semana de biblioteconomia por semestre, promovida pelos alunos – e de preferência, valorizar e dar visibilidade aos trabalhos dos alunos, e não só os professores, que já tem as suas salas de aula e seus periódicos acadêmicos para falar a vontade.

A ECA vai promover mais uma das suas:
semana de biblioteconomia

Na programação, curso sobre software livre com o onipresente Tiago Murakami. Software livre aliás é um belo caminho para ser criativo, para se criar ou hackear coisas relevantes para as bibliotecas. Se eu estivesse por São Paulo, faria o curso : )

Todas as informações sobre a Semana de Biblioteconomia da USP estão no blog: http://semanabiblioeca.blogspot.com/

* ei organização da semana, eu ficaria muito feliz se vocês filmassem todas as apresentações e disponibilizassem tudo no youtube. Parabéns e boa sorte!

Biblioteconomia 2.0 no Brasil – bibliocast Tiago Murakami e Gustavo Henn

Moreno Barros 13.10.2009 8 comentários

Bibliotecária: a melhor namorada

Moreno Barros 12.10.2009 8 comentários

Fizeram uma pesquisa sobre as melhores profissionais para se namorar. As bibliotecárias estão bem cotadas:

Ela vai saber sobre muitos assuntos, ótima com o Google e uma boa conexão para livros grátis. Bônus: nunca mais pague multas. E além disso, todo mundo sabe que as bibliotecárias são um dínamo sexual pronto para explodir. Certo?

madonna

* sim, é a Madonna.

Referência digital online via msn, gtalk e meebo – "fale com a bibliotecária"

Moreno Barros 08.10.2009 13 comentários

Em 2003 eu escrevi um trabalho sobre referência digital online, explicando a diferença entre processos de referência online assíncronos (email, blog) e síncronos (chat, skype). Desde aquela época e antes, várias bibliotecas de outros países passaram a adotar algum serviço de chat para ampliar o serviço de referência. Eu tentei acompanhar o oferecimento do serviço de referência por meio de chat no Brasil – lugar onde as pessoas usam muito chat (chat uol, mirc, icq, msn) – mas não encontrei nada de interessante.

A ausência de um serviço de referência online síncrono na biblioteca gera para mim dois impasses: o primeiro, enquanto pesquisador, é que eu não tenho como me comunicar com a biblioteca de maneira simples e veloz, para resolver questões elementares, de uma maneira natural para o meu perfil de usuário. A segunda, enquanto bibliotecário, é que por diversas vezes ao longo do dia, eu tenho a necessidade de entrar em contato com outros bibliotecários, para pedidos, intercâmbios e resolução de problemas, e não tenho uma maneira rápida e direta de fazer isso.

Partindo dessa premissa estritamente pessoal, mas que se enquadra em uma escala muito mais ampla, eu sugeri que a biblioteca em que trabalho instituisse um serviço de chat na intenção de resolver ou equilibrar os dois impasses mencionados acima: oferecer um novo, porém trivial serviço simples da biblioteca, que se adequa a um determinado perfil de usuário pesquisador, e garantir agilidade e flexibilidade no trabalho diário dos bibliotecários de referência.

Na prática, o que eu fiz foi apenas observar ao longo desses anos como as bibliotecas estavam utilizando o serviço de referência online via chat e que tipo de ferramental estava sendo aplicado. Não houve nenhuma surpresa ao constatar que as bibliotecas usam as mesmas ferramentas mais comumente utilizadas por seus usuários – no Brasil hoje, poderíamos dizer MSN e Gtalk. Em outros países, além do MSN e do Gtalk, IM da AOL, Yahoo messenger e Skype, variando de país para país.

Entretanto, a solução mais adequada encontrada pelos bibliotecários, e abraçada pela própria comunidade desenvolvedora do produto, foi o widget do Meebo, o Meebo Me.

Pra quem não sabe, o Meebo é um cliente de chat web based, que agrega diversas contas em um único local. Então digamos que você tenha uma conta do msn, uma do gtalk e uma do icq. Em vez de ter que ter os três softwares instalados localmente e ter que se logar nos três para poder conversar com seus amigos, o meebo agrega todos as contas em um único lugar, e melhor, acessível de qualquer computador. (Depois que começaram a bloquear o msn nas escolas e nas empresas, as pessoas passaram a usar esses clientes. Além do meebo existem vários. Em casa mesmo eu uso o digbsy, que além dos serviços tradicionais, agrega o chat do facebook).

Mas o widget do meebo foi um pouco além. Depois que você cria uma conta no meebo, você pode solicitar a geração de um widget, que é um código em flash que pode ser acoplado em qualquer página de site e funciona como uma janela de mensagens instantânea. O Meebo Me trabalha como um conector entre a página em que está instalado e qualquer pessoa que visite esta mesma página, seja um website, um blog, etc. Tudo o que o visitante precisa para conversar com você é um browser com suporte a Flash (e a maiora dos browsers hoje possui).

Não há nenhuma exigência prévia para poder se comunicar. Nas contas do msn ou do gtalk por exemplo, você tem que autorizar a pessoa como sua amiga/contato antes de conversar com ela. No ambiente da biblioteca, isto não faz muito sentido se a idéia é apenas oferecer uma solução rápida e simples. Mas ainda assim, nada impede que se ofereça múltiplas formas de contato. Se o usuário for assíduo e quiser ter a biblioteca em sua lista de contatos do msn ou do gtalk, lá está o email, basta incluí-lo. No caso do meebo, a diferença é que qualquer pessoa pode estabelecer uma conversa com a bibliotecária sem qualquer exigência de identificação (o que levanta argumentos em relação à segurança e alcance da ferramenta, mas tudo isso já foi exaustivamente discutido).

Existe uma vasta literatura sobre o uso do widget do meebo como ferramenta de referência online em bibliotecas e eu não preciso me estender.

Em poucos minutos eu configurei a conta, gerei o widget, entreguei o código para o responsável pela página da biblioteca, instalei um notificador no meu browser, e pronto, o serviço está no ar.

Existem prós e contras, mas no geral, é um bônus.

Eu redigi um documento simples para utilização interna do widget do meebo na nossa biblioteca, que na verdade é um bootleg de outros documentos tratando do mesmo assunto, que encontrei disponível na web. Vocês podem ver, e entender um pouco melhor a proposta por trás do uso da ferramenta Hannah Montana: The Movie movie download . E estou disposto a ajudar quem tiver interessado a fazer o mesmo em sua biblioteca, e por acaso, encontrar alguma dificuldade.

E bibliotecários, eu sugiro que ofereçam alguma ferramenta de chat em seus sites, porque isso certamente facilitaria a nossa vida enormemente (eu por exemplo trabalho com acervo de engenharia e tecnologia, essencialmente digital, pesquisa e solicitação de artigos, e as vezes preciso entrar em contato rápido com bibliotecários da USP, do ITA, da UFRGS, da UFPE, e a única forma é enviar emails, que demoram no mínimo algumas horas para serem respondidos).

Infelizmente em uma pesquisa recente que fiz, não encontrei nenhuma biblioteca no Brasil utilizando msn, gtalk ou meebo como um serviço do estilo “fale com a bibliotecária”. Talvez existam, e eu espero que existam, mas precisam ser melhor divulgadas e evidenciadas.

Aqui está um vídeo explicativo sobre o uso da ferramenta na biblioteca do Centro de Tecnologia da UFRJ:

Então, caso vocês precisem, podem visitar a página da Biblioteca do Centro de Tecnologia da UFRJ, e falar com a bibliotecária. A bibliotecária no caso, sou eu. Eu ainda não fiz minha operação de mudança de sexo, mas por enquanto, achei melhor utilizar o termo no feminino, já que é naturalmente mais aceito pelos usuários da biblioteca.

O nosso gtalk é: bibliotecactufrj@gmail.com
e o msn é : bibliotecactufrj@gmail.com (gmail mesmo, não hotmail)

Biblioteconomia 2.0 no Brasil

Moreno Barros 04.10.2009 28 comentários

futuro das bibliotecas

Na discussão sobre o post das “iniciativas de bibliotecários brasileiros que estão ajudando na divulgação da biblioteconomia e de suas atividades no bojo da Web 2.0” eu mencionei que não (re)conheço cursos de biblio no Brasil que estejam oferecendo disciplinas que ensinem os alunos a criar veículos de comunicação interprofissional, e melhor ainda, se esses cursos são capazes de explicar a importância de se fazer isso dentro do escopo da formação de um bibliotecário.

Supondo que os blogs e iniciativas de divulgação fazem completo sentido para a evolução profissional, o que eu questionava é se essa perspectiva está sendo ensinada ou compartilhada dentro dos cursos de biblio.

Alguma disciplina de biblioteconomia no Brasil ensina a construir e a importância de se ter um blog interprofissional, ensina a usar twitter e a sua importância para o corpo profissional bibliotecário? Ferramentas como wordpress, drupal, delicious, google reader, wiki, twitter, entre outros, é que são, quando bem aplicadas, no meu entender, “iniciativas que estão ajudando na divulgação da biblioteconomia e de suas atividades no bojo da Web 2.0″. [Três parágrafos redundantes, apenas para me certificar que as pessoas compreendam o que eu escrevi].

Certamente existem disciplinas que tratam do assunto. Mas elas precisam ser evidenciadas. Eu joguei a provocação no ar, e a Ana Patrícia do curso de CI da UFMG indicou o conteúdo programático de algumas das suas disciplinas. Ótimo, excelente. Marcelo Bax já é velho conhecido de todos nós e sempre esteve na vanguarda. Eu também citei Roosewelt, que ministra disciplinas de automação na UFMA focadas no uso de ferramentas e conceitos emergentes.

Mas quanto mais claro e divulgados esses conteúdos programáticos forem, melhor pra comunidade.

Também tive uma troca de mensagens com a Carol Fraga, que estava as voltas com a reforma curricular do curso de biblio na UnB. Nesse caso parece ser recorrente: muda a nomenclatura da disciplina para algo mais pomposo e “2.0″, mas o conteúdo e os professores continuam os mesmo. Então, efetivamente, pouca coisa muda além da fachada.

O trabalho de casa dessa vez então é que vocês indiquem quais são os cursos de biblioteconomia no Brasil que estão oferecendo disciplinas que estejam no “bojo da Web 2.0″, não somente em termos de iniciativas de divulgação interprofissional, mas em termos globais de uma frente 2.0, pautada nos propósitos clássicos da Web Squared do O’Reilly.

Lembram que eu citei as tendências em bibliotecas? Quais cursos e disciplinas estão de alguma forma encarando seriamente essas tendências, garantindo uma formação que contemple também todas essas coisas que fazem parte da vida (de uma grande parte hoje) das pessoas que lidam com livros, com bibliotecas, e como outros preferem, com informação?

Eu poderia citar pelo menos 10 coisas que considero altamente relevantes para a formação de um bibliotecário hoje, no “bojo da web 2.0″ (e o meu entendimento de web 2.0 segue a definição do O’Reilly, então quando eu mencionar RFID ou design por exemplo, saibam o que eu quero dizer), mas que não tenho conhecimento, não tenho certeza de que estão sendo ensinadas nas escolas de biblio:

- classificação social (social tagging, flickr commons)
- recuperação por relevância (google, encore)
- dados abertos (liberação do controle bibliográfico, library thing)
- cloud computing (liberação dos catálogos, worldcat)
- RFID (automação de bibliotecas)
- direitos autorais associado aos processos de digitalização de acervos (google books)
- social media (presença online, facebook, orkut, twitter)
- convergência (web mobile, ubiquidade, padronização)
- design (OPAC, sites, biblioteca física)
- impressão/circulação sob demanda (armazenamento digital, espresso machine, kindle)

Se você é aluno de biblio ou bibliotecário e não sabe do que se trata metade das coisas nessa listinha acima, você já me respondeu.

Então me mostrem o contrário. Me mostrem quem está no tal bojo.

Viola ou guitarra: that's the question!

Maria Clara Assunção 01.10.2009 2 comentários

.!.
«Na Biblioteca Nacional de Portugal guarda-se a maior colecção musical dedicada aos cordofones de mão, nomeadamente violas, guitarras e bandolins. Deste riquíssimo e diversificado repertório, que se inicia no séc. XVI e vai até ao XX, escolhemos para tema da nossa apresentação o cordofone de mão de caixa em forma de oito, e intitulámo-la Viola ou guitarra? That’s the question!.

«Em Portugal, desde os finais do séc. XVIII, o mencionado cordofone de mão aparece algumas vezes escrito indistintamente (sobretudo em manuscritos portugueses, nunca nas obras impressas), umas vezes com a grafia de viola e outras com a de guitarra, embora na realidade se trate do mesmo instrumento músico, de caixa em forma de oito e braço longo, montado com cinco ordens de cordas (duplas ou algumas triplicadas) ou, desde os inícios de oitocentos, com seis cordas simples. Se por um lado, o uso do vocábulo guitarra é tomado no séc. XVIII do nome com que este instrumento era designado em Espanha (Violas de mão que em Espanha chamaõ Guitarra, Morato, 1762), por outro (sobretudo desde o séc. XX) a hegemonia da língua inglesa vem contaminar a terminologia musical portuguesa, sobretudo no que respeita à designação deste instrumento, daí que tenhamos acrescentado, ao título da apresentação, um subtítulo em inglês.
«Questões da correcta terminologia musical a usar em português, são uma preocupação constante para quem tem a responsabilidade de catalogar e indexar muitas das obras contidas neste acervo. Para os técnicos da Área de Música da BNP estas questões de organologia e terminologia musical portuguesa são uma preocupação candente quando se deparam perante o dilema de saber qual o verdadeiro vocábulo a empregar na identificação das peças para os cordofones de mão.
«Este evento é acompanhado de uma exposição temática onde são mostradas algumas das mais significativas peças musicais e métodos do séc. XVII ao início do séc. XX (portuguesas e espanholas) tanto impressas como manuscritas e complementada com três instrumentos originais: uma viola francesa (ou violão) de meados do séc. XIX, uma guitarra portuguesa construída no Funchal por Matheus Januário da Silva (s.d., c. 1900) e um bandolim de inícios do séc. XX. Também se usaram duas gravuras (uma do séc. XVII e outra do início do séc. XIX) e um guache de c. 1832, provenientes da Área de Iconografia desta instituição.
«Para complementar a nossa apresentação, que se insere no programa Música na Biblioteca, faremos ouvir gravações pelos “Segréis de Lisboa”, de algumas das músicas expostas, sobretudo Modinhas e Lunduns dos finais do séc. XVIII e inícios do seguinte, para uma e duas vozes, acompanhadas pela viola de cinco ordens e pela viola francesa ou violão.»
MANUEL MORAIS (Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal) голова болит секс голова болит секс

download Hannah Montana: The Movie

голова болит секс

Adote um parágrafo – versão biblioteconomia

Moreno Barros 27.9.2009 20 comentários

Eventualmente eu me dou o trabalho de traduzir coisas em inglês que encontro na internet e considero interessantes o suficiente a ponto de merecerem uma tradução para o português – textos realmente bons a ponto de eu achar que todos os meus amigos deveriam ter a oportunidade de ler.

É mais ou menos assim que tem funcionado o processo de edição do BSF (em doses mais simples e dinâmicas) e na ExtraLibris (em doses mais acadêmicas). Como eu não tenho saco nem postura ideológica de ficar escrevendo coisas elementares em blogs ou enviando artigos para periódicos da nossa área, eu acabo me atendo a tradução de idéias e inovações (e neste caso, coisas que são realizadas em outros países) que podem servir de inspiração e estímulo para a comunidade no Brasil.

Eu resolvi então caçar algumas pessoas que consigam traduzir em português, espanhol e francês (ou qualquer outra língua) pra criar uma força tarefa de tradução colaborativa para textos com ênfase em biblioteconomia e coisas de interesse coletivo.

Existem iniciativas parecidas (como as traduções colaborativas do TED e do adoteumparágrafo do Jasper, das quais eu faço parte).

Então a idéia é seguir essas boas práticas e fazer algo que tenha mais a ver com os nossos interesses profissionais.

Não pensei em uma metodologia bem elaborada porque não sei exatamente quantas pessoas estarão capacitadas e dispostas a colaborar. Vamos fazer de maneira simples então: quem quiser participar de alguma forma, seja traduzindo de qualquer língua para o português, ou revisando os textos já traduzidos, coloquem o nome e email para contato aí nos comentários que eu envio um email mais detalhado explicando o processo de tradução.

Esses textos traduzidos serão publicados ou no BSF ou na ExtraLibris, dependendo do caráter do texto. Os tradutores levam crédito. Como vocês sabem, nem BSF, nem ExtraLibris possuem fins lucrativos. Então o projeto é completamente filantrópico mesmo, bottom up, sem interesses comerciais. É apenas para dar uma chance a outros colegas de lerem coisas legais em outras línguas, simples assim. E fugir um pouco das bibliografias seculares encontradas nas xerox das escolas.

Quem topa?

Se você entender do que se trata a imagem abaixo, eu vou considerar você como um potencial tradutor.

lost in translation

Fala comigo. Me mande um email ou deixe seus contatos nos comentários abaixo.

Rabo de Palha, livro infantil

Moreno Barros 26.9.2009 3 comentários

Gustavo Henn, um dos poucos bibliotecários que publicam livros, está lançando o livro Rabo de Palha. Contrariando a sua pão-durisse pernambucana, vai ter comes e bebes e tudo mais no dia 10 de outubro de 2009, no estande da Bagaço na Bienal do Livro de Pernambuco no Centro de Convenções em Olinda – Pernambuco.

Rabo de Palha é uma fábula e conta a aventura de um ratinho em busca de um pedaço de queijo – com direito a um gato astuto e um grilo sábio. É o primeiro livro infantil de Gustavo e foi baseado em uma das milhares de historinhas que ele já inventou para os filhos.

Quem quiser saber mais, fala com o cara.

Doação à BNP de parte do espólio de Luís de Freitas Branco e do espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas

Maria Clara Assunção 23.9.2009 comente


«No dia 23 de Setembro, pelas 15H30, terá lugar na Sala do Conselho da Biblioteca Nacional de Portugal a assinatura do Termo de Doação de parte do acervo documental do compositor Luís de Freitas Branco e do Espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas, doados à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) pelo compositor Alexandre Delgado

«Figura incontornável na história da música portuguesa, Luís de Freitas Branco (1890-1955) nasceu em Lisboa e recebeu de seu tio João de Freitas Branco os primeiros ensinamentos literários e musicais. Revelando um talento precoce, estudou composição, primeiro com Augusto Machado e Tomás Borba, depois com Désiré Pâque e Luigi Mancinelli.

«Entre 1910 e 1915 deslocou-se algumas vezes ao estrangeiro, completando a sua formação com Humperdinck, em Berlim, e com Gabriel Grovlez, em Paris. Datam deste período algumas composições que reflectem a influência das mais modernas correntes da música europeia, como o impressionismo francês e o atonalismo schoenberguiano, entre elas o poema sinfónico Paraísos artificiais, inspirado na obra homónima de Baudelaire (1913), e Vathek: Variações Sinfónicas sobre um tema oriental (1914). Desenvolveu uma importante acção pedagógica, colaborando com Viana da Mota na reforma do Conservatório Nacional, tendo sido seu subdirector entre 1919 e 1924. Esta reforma englobou medidas como a adopção exclusiva de solfejo entoado, a criação de cadeiras de cultura geral e a inclusão da classe de Ciências Musicais, dividida em Acústica, História da Música e Estética Musical que o próprio Freitas Branco passou a leccionar, entre 1916 e 1939. Como professor denotou uma atitude pedagógica voltada essencialmente para a orientação de vocações, tendo um papel importante na preparação de uma nova geração de compositores, destacando-se de entre os seus discípulos António Fragoso, Armando José Fernandes, Joly Braga Santos e Fernando Lopes Graça, a que se juntaram, na qualidade de seguidores, António Nuno Barreiros, Maria Helena de Freitas e José Atalaya.

«Como compositor, o período seguinte é marcado por algumas obras de carácter nacionalista, de que são exemplo as duas Suites Alentejanas, e de outras de raiz neoclássica e inspiração renascentista como os Madrigais Camonianos.

«Autor com importante produção ensaística, escreveu, entre outros títulos, A Música em Portugal (1927), Vida de Beethoven (1943) e D. João IV, Músico (publicado postumamente), sem esquecer, no âmbito da pedagogia, Elementos de Ciências Musicais (1922), Acústica e História da Música (1930) e Tratado de Harmonia (1930), livros que durante largos anos fizeram parte da bibliografia adoptada nos cursos de música do Conservatório Nacional. Exerceu também a actividade de crítico musical em periódicos como Diário Ilustrado, Monarquia, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e o Século. Em 1929 fundou a revista Arte Musical, da qual foi director até 1948.

«António Nuno Barreiros (1928-2001), musicógrafo, crítico e profissional de Rádio, nasceu em Castendo (actual Penalva do Castelo). Fez estudos de composição, instrumentação, estética e história da música com Luís de Freitas Branco, de quem se tornou incondicional seguidor. Em 1959, ingressou como assistente musical na antiga Emissora Nacional, ali ocupando sucessivamente os cargos de realizador, chefe do sector de música erudita, chefe de programas nacionais e director do Programa 2. Foi crítico musical permanente do Diário Ilustrado, do Diário de Lisboa e do Jornal do Comércio, além de colaborador assíduo noutros periódicos como a Gazeta Musical, Vértice, Boletim da Juventude Musical Portuguesa, Diário de Notícias, O Século e Comércio do Porto. Além de vasta produção escrita, de que se destacam ainda os artigos que escreveu para a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, proferiu inúmeras conferências e palestras sobre música e músicos portugueses.

«Maria Helena de Freitas (1913-2004) pianista e crítica musical, comentou ao vivo concertos e espectáculos de ópera. Manteve na Emissora Nacional, mais tarde RDP, um programa de grande longevidade dedicado fundamentalmente ao canto lírico, O canto e os seus intérpretes, emitido de 1959 a 2000. Muitas pessoas foram conquistada através desse programa para o prazer da ópera e para o conhecimento dos seus intérpretes mais significativos. Escreveu em jornais como A Voz, Diário Popular e Diário de Notícias.

«O conjunto documental agora doado à BNP pelo compositor Alexandre Delgado é constituído por manuscritos (autógrafos e cópias) de obras de Luís de Freitas Branco, bem como por textos e documentação variada de e sobre o compositor (programas, críticas e correspondência), reunidos pelo casal Nuno Barreiros/ Maria Helena de Freitas, e, ainda, por documentos relacionados com Freitas Branco produzidos por estes dois melómanos.

«Importa salientar que a BNP já integra no seu Arquivo de Música Portuguesa, os espólios de muitos dos grandes compositores citados na presente nota, designadamente Augusto Machado, Viana da Mota, Armando José Fernandes ou Joly Braga Santos.»

(Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal)

Não deixa de ser uma forma de reconhecimento

Tiago Murakami 21.9.2009 27 comentários

Estava eu fazendo a prova para bibliotecário da UNIFESP e me deparei com a seguinte questão:

29 . Algumas iniciativas de bibliotecários brasileiros estão ajudando na divulgação da biblioteconomia e de suas atividades no bojo da Web 2.0. Entre elas, podemos citar:

a) Bibliotecários Sem Fronteiras e ExtraLibris
b) CFB e International Librarians
c) Bibliotecários Anarquistas e BiblioLoucos
d) IBICT e Bibliotecários Anarquistas

Era uma questão fininvest (crédito fácil), mas fiquei feliz com o reconhecimento.

Dá para baixar a prova inteira aqui.

Tagged in

Páginas: Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 ...76 77 78 Próxima