BIBLIOTECÁRIOS SEM FRONTEIRAS / Design e Inovação

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Tiago Murakami


Tiago Murakami

Graduado em biblioteconomia e documentação pela Universidade de São Paulo e estudante de Administração pública na Universidade Federal de Ouro Preto. Nas horas vagas, gosta de gerenciar o RABCI e ainda arruma tempo para jogar bola com o Iuri


Moreno Barros


Moreno Barros

Graduado em biblioteconomia e documentação pela Universidade Federal Fluminense e mestrando do PPGCI do IBICT em convênio com a UFF. É um dos caras responsáveis pela ExtraLibris. Já zerou Mario Kart 18 vezes jogando com o Bowser


Vivi


Viviane Silva

Bibliotecária graduada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Especialista em Educação pela Universidade Cândido Mendes. Está sempre pronta para uma boa partida de jogos de tabuleiros


Diego Abadan


Diego Abadan

Bibliotecário formado pela UFSC. Muito tímido, não possui descrição personalizada


Maria Clara Assunção


Maria Clara Assunção

Nasceu em Lisboa. Mestre em Ciências Documentais pela Universidade de Évora, integra o quadro da Biblioteca Nacional de Portugal, na Área de Música. Tem desenvolvido a sua investigação no âmbito da biblioteconomia e arquivologia musical, com particular incidência nos aspectos normativos. É editora do blogue sobre documentação musical Paper Music e autora do blogue A biblioteca de Jacinto. Ainda vai arranjando tempo para estudar na Academia de Amadores de Música e para cantar no Grupo Vocal Arsis. Adquiriu o hobbie de cozinhar quando estava a escrever a dissertação e nunca mais o perdeu. Até hoje ninguém se queixou...





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Jimmy Wales no Brasil 11.11.08

jimmy-wales

Jimmy Wales, o fundador do Wikipedia, está aqui no Brasil participando de uma série de eventos, e ontem eu, Tiago Murakami, Cauê Araújo e Gerlandy Leão fomos prestigiar.

Não dá pra nem pra assimilar direito, mas o cara é o promotor da maior enciclopédia do mundo, idéia que está diretamente relacionada com os preceitos da biblioteconomia, levantando a bandeira de todas as questões de acesso à informação, construção do conhecimento, participação colaborativa, democratização da informação, etc.

Tem alguns textos falando sobre o debate de ontem, vale mencionar:

O embate entre o mundo acadêmico formal e o processo de aprendizado na internet elevou o tom da discussão no debate. Gilson Schwartz, professor da USP (Universidade de São Paulo), questionou a validade das informações presentes da Wikipédia e da obtenção de dados pela rede.

“Será que esse processo é de aquisição de conhecimento mesmo ou é só a difusão de algo que não passa por um critério que ainda existe na universidade, que é passar por uma avaliação, pela crítica de seus pares?”, disse. “É a mesma coisa ler algo de um físico especializado ou de um ‘zé mané’ blogueiro?” A fala do professor sofreu vaias da platéia e os gritos de “Jimmy, Jimmy”.

Os desafios e oportunidades para produções colaborativas de conhecimentos livres no Brasil foi o tema de debate no Centro Cultural São Paulo, que contou também com a participação de Gilberto Dimenstein, Gilson Schwartz, Karen Worcman, Ladislau Dowbor, Lala Deheinzelin, Reinaldo Pamponet e Renato Rovai.

Eu fiz anotações de alguns pontos importantes. Não dá pra destrinchar todos, mas vejamos:

# acesso ao conhecimento deve ser encarado como um direito humano fundamental
# todos os valores estão sendo transportados para o que é intangível

Direitos autorais, pirataria

#direito autoral está caminhando na direção errada; certifique que a legislação atenda o direito das pessoas de compartilharem
# a base jurídica está no Séx. XIX
# professores autores se preocupam com seus livros, mas obrigam os alunos a tirar xerox
# livros grátis representam um consumo que não reduz o estoque
# o conhecimento é base do enriquecimento (Lawrence Lessig)
# o livro é reprodutível ao infinito (mais fácil de se concretizer no mundo digital)
# uma pessoa que consegue ler um livro inteiro na tela do computador, merece a cópia digital
# pirataria muitas vezes se trata de pessoas que querem ter acesso ao conhecimento. Isso não é legítimo?

Wikipedia

# por que o Wikipedia tem incidência baixa na produção acadêmica? (possíveis respostas: 1. não é respeitado; 2. é pouco estudada, apesar de ser um fenômeno da web)

Educação

# a academia diz que o que vale é revisão por pares, p2p
# será que a universidade e a educação não está perdendo sua relevância?
# formatos e modelos pedagógicos risíveis
# a educação tem como base formar quadros para preencher demandas existentes. Qual é o papel da educação?

Autonomia, sustentabilidade

# a tecnologia em si não necessariamente é um processo de construção do conhecimento
# explosão de aprendizagem informal, o que não reduz o valor do aprendizado formal
# a gente nunca teve a oportunidade de tantas pessoas mostrarem o que sabem

Modelo de negócio

# vender informação para pessoas é um modelo de negócios extremamente raro (exemplo, Wall Street Journal)
# o site, ou blog, ou twitter de uma biblioteca na internet não deve ser uma fonte de renda e sim um mecanismo promocional

Futuro

# democratização da informação não representa transformação social
# estamos na fase do pós-conceito…de refletir sobre aquilo que vai ser, repensando os pré-conceitos e os conceitos

Rolou um atrito entre a defesa dos cânones colaborativos acadêmicos, e o processo da Wikipedia ou de produção em blogs (Cláudia, a questão da relevância: é ou não é relevante, e quem vai julgar?).

Sobre colaboração acadêmica, a defesa foi sobre o método p2p, de que muitos dos conceitos utilizados pelas comunidades colaborativas na web, tem suas raízes na comunicação científico-acadêmica. E que na academia, o processo peer to peer, tem seu valor.

Daí eu me pergunto, como é o processo de publicação em uma revista como a Ciência da Informação por exemplo? Eu submeto meu artigo e ele é avaliado por uma comissão de pares, algo em torno de 5 pessoas. Isso é avaliação p2p? Isso é o suficiente para garantir que meu trabalho tem relevância para a área e garantir o status de ser publicado em um periódicos qualis A?

A outra questão importante, é sobre a irrelevância da wikipedia para a academia. Os professores repudiam wikipedia, repudiam o copiar-colar, mas o que quer dizer tudo isso? Será que a didática não deveria estimular melhores questionamento que não fossem completamente preenchidos por simples verbetes na wikipedia? E será que somente o conhecimento produzido em centros de excelência elitistas é relevante?

Muito do que foi discutido ontem me fez lembrar uma palestra do Ken Robinson no TED, onde ele diz que o modelo de educação global é o de formar professores universitários. Tá errado, tudo errado.

Update:


WikiBrasil - Mutirão de conhecimentos livres 1/4 from Web Radio TV CCSP on Vimeo.

jimmy wales brasil

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Gostaria de saber, por favor, como faço para inserir o livro no blog do wordpress. Muito obrigado, Augusto

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Essa palestra do Ken é incrível, me identifiquei bastante. Acho que os vídeos tratam das mesmas coisas: limitações em geral e excesso de limites, embora o problema todo seja bem mais amplo, quase que sociológico mesmo. E isso não é algo específico, mas um problema de época e "costumes", que acontece por uma série de fatores que a gente 'nem percebe' que existem, como o Cortella explicou com detalhes bastante pertinentes (não vi todo o vídeo, vejo depois qdo chegar em casa). Por isso tb acho mto simplista querer acreditar que apenas disciplina, remédio ou, no caso do blog de Avaliação dos Professores da UFRGS, censura, resolva um problema que é bem mais sensível do que se imagina. As coisas não funcionam dessa forma. Por mais contraditório que isso pareça, mesmo estando na 'sociedade da informação' estamos lidando com uma sociedade decadente por dentro e sem valores fortes. Essa ausência de virtudes, de identidade, de união, afeta pais, professores / profissionais e estudantes que se vêem limitados em vários sentidos. Pra algumas pessoas, o objetivo de qualquer criação / pesquisa / trabalho, há muito tempo já deixou de ser ajudar a uma comunidade e às pessoas e voltou-se pra alguns vícios, como a vaidade, ganância, avareza, mesquinhez mesmo. Esses vícios são tão intrínsecos à 'personalidade' das pessoas que elas não os reconhecem como vícios, e também faz com que fique difícil acreditar que ocorra mudança em um curto período de tempo. As situações até podem mudar, mas é impossível fazer isso sem que muitas pessoas se envolvam e sem que ocorram 'perdas e danos' a ninguém. Enfim.. Acredito (e espero) que as novas tecnologias - no mais, as colaborativas - e principalmente _as pessoas_ que as entendam como aliadas (e não o inverso), ajudem a mudar esse quadro um pouco..


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