Como fazer pesquisa em bibliotecas especializadas ou de obras raras

É muito comum pesquisadores e entusiastas de bibliotecas especializadas e de obras raras se deslocarem muitos kilômetros e dedicarem muitos dias em busca dos seus materiais de pesquisa. Qual é a maneira mais eficiente então de visitar essas bibliotecas, ter acesso ao acervo, consultar os materiais e atender as expectativas dos bibliotecários?

Tendo trabalhado em bibliotecas especializadas e sempre relatando e acompanhando essas visitas (no Caçadores de Bibliotecas e de pesquisadores como o Fabiano Cataldo e a Claudiane Weber, por exemplo), acho que seria interessante oferecer algumas dicas para pesquisadores ou pessoas em geral que precisam consultar algum acervo raro, manuscritos ou materiais especializados. Vamos lá.

Conheça a biblioteca

Antes de visitar uma biblioteca especializada (inclua aqui bibliotecas nacionais, universitárias, religiosas, de obras raras, etc) é importante contactá-la para confirmar que o material que você pretende examinar está disponível nas datas que deseja visitar. Isso é crucial especialmente para quem viaja para visitar bibliotecas de outras cidades e países. Os itens podem algumas vezes estar em exibição em uma exposição, emprestados, passando por algum tipo de conservação ou no estúdio fotográfico. Não tem nada mais simples do que dar um telefonema ou mandar email pra confirmar. Outra coisa importante é verificar se a obra já não foi digitalizada, já que as bibliotecas estão disponibilizando novos materiais online todos os dias.

Especialmente durante viagens, certifique-se que a biblioteca não estará fechada para algum feriado ou evento local. Algumas bibliotecas menores fecham para uma pausa do almoço. Lembre também que muitas vezes você vai ser convidado a deixar o ambiente de pesquisa alguns minutos antes do horário de fechamento indicado.

A maioria das bibliotecas exige que você solicite os itens com antecedência, que deve ser feito pelo menos um dia antes da visita. Isso agiliza a pesquisa porque você não vai precisar ficar esperando as obras serem encontradas nos armazéns e estantes, elas já estarão lá separadas quando você chegar. Provavelmente será necessário obter um passe de leitor ou visitante para a maioria das bibliotecas, ou até mesmo atender requisitos incomuns para entrar em certas bibliotecas especializadas. Tente resolver de antemão, para não correr o risco de chegar lá e descobrir que você não trouxe identificação suficiente para ser admitido.

Tenha sempre em mãos:

1. comprovante de residência
Já que você estará trabalhando com alguns materiais considerados valiosos, vai ser preciso uma prova oficial de endereço para obter o acesso.

2. uma carta de referência ou recomendação
A maioria das bibliotecas especializadas exige que você traga uma carta de recomendação recente indicando brevemente qualquer filiação institucional que você possua e comprovação de experiência com manuseio de materiais e coleções especiais. Ela deve ser impressa em papel timbrado oficial. Leve sempre um original e uma cópia para cada biblioteca que visitar.

3. foto 3×4
Algumas bibliotecas possuem câmeras e tiram sua fotografia na hora. Mas outras bibliotecas menores podem pedir-lhe para trazer uma ou duas fotos para anexar a um cartão de visitante. Se a biblioteca for em outro país procure saber qual é o tamanho exato da foto de identificação que eles exigem.

4. dinheiro vivo e moedas
Normalmente você não pode entrar com bolsas ou mochilas e precisa deixá-los no guarda volumes. Mas na maioria das bibliotecas (fora do país), você recebe uma chave de armário, em troca de uma moeda. Não se preocupe: é um depósito, você vai recebe-la de volta quando retornar a chave. Além disso, as bibliotecas podem cobrar taxas por reprodução de imagens (fotografias, reprografias, microfilmes) e outros serviços, como o próprio cafezinho. Leve dinheiro.

Ao planejar sua visita, não se esqueça de cuidar de si mesmo: algumas bibliotecas podem ser muito frias (bibliotecas de faculdades e catedrais antigas especialmente durante o inverno no hemisfério norte). As grandes bibliotecas nacionais e universitárias tem restaurantes e cafés no local, mas em outros casos você vai querer trazer um estoque suficiente para garantir o dia, sem perder tempo à procura de comida.

Traga os instrumentos certos

Pense cuidadosamente sobre suas necessidades de pesquisa antes de ir à biblioteca, e o que você vai precisar para respondê-las. Muitas viagens bem-sucedidas para a sala de leitura podem ser feitas com nada mais do que um método para tomar notas. Mas tudo pode ficar mais fácil com algumas ferramentas simples:

1. uma régua
Esta é a parte mais importante do kit de ferramentas do pesquisador especializado. É bem difícil encontrar uma régua específica para o trabalho codicológico. Os manuscritos são sempre medido em milímetros, independentemente da sua dimensão; isto significa que você quase nunca vai precisa se preocupar com números decimais ou frações para chegar a um nível adequado de precisão, poupando tempo. Infelizmente, a maioria das réguas são marcadas apenas em centímetros, o que torna difícil para ler as inscrições menores. As réguas mais precisas numeram os milímetros individualmente. Ainda melhor é uma régua que marca metade dos milímetros. Como o pergaminho raramente é plano, uma régua flexível é o ideal para trabalhos que avaliam o layout da página ou caligrafia. Uma régua de cerca de 500 milímetros de comprimento é o suficiente para a maioria dos manuscritos.

2. lápis e papel
Bibliotecas com coleções especiais proibem canetas. Muitos emprestam lápis, mas às vezes um lápis emprestado não é o suficiente para a escrita mais estendida; traga os seus próprios lápis, além de um apontador. Mesmo se você estiver usando um laptop, não quer ficar preso se a bateria morrer de repente.

3. uma câmera
Às vezes é mais rápido tirar uma foto e fazer anotações mais detalhadas em casa. Reconhecendo que isso reduz o desgaste das coleções, um número crescente de bibliotecas permite a fotografia de seus itens. Mas não conte somente com isso: muitas salas de leitura tem luz demasiado fraca para obter uma imagem clara de uma página de texto escrito à mão, com uma câmera point-and-shoot ou smartphone tradicional. Mesmo com uma câmera sofisticada o texto pode estar ilegível, necessitando de outra visita. Muitas vezes a opção mais rentável é (quando existir) solicitar uma cópia ao serviço oferecido pela própria biblioteca, que produz fotografias mais claras e profissionais; e se você pedir um manuscrito inteiro, você também vai estar fazendo um favor ao mundo, uma vez que isso permite que as bibliotecas tornem o material disponível através da digitalização das obras. Se você está determinado a tirar suas próprias fotos, esteja ciente de que muitas bibliotecas proibem câmeras SLR que emitem ruidos. A câmera ideal para a maioria dos pesquisadores é uma câmera semiprofissional. Busque a câmera que ofereça maior sensibilidade de captura, já que esta é a chave para obter fotografias nítidas de texto (um sensor APS-C é uma expectativa razoável com a tecnologia de hoje e com o orçamento de um pesquisador). Também é útil ter uma capa de lente, para reduzir o brilho das luzes fluorescentes e garantir que você não fique muito perto do livro.

4. uma lupa
Opcional, dependendo de sua visão e da especificidade da pesquisa. Muitas vezes pode ser emprestada nas salas de leitura.

5. uma pequena lanterna elétrica
Ao estudar uma superfície de escrita, seja em pergaminho ou uma página impressa, um feixe de luz pode revelar muitos detalhes. Certifique-se de usar uma luz LED, uma vez que estas produzem menos calor; e tenha cuidado para não cegar outros leitores.

Seja bonzinho com as obras raras

A manipulação de um manuscrito ou obra rara é como cuidar de uma criança pequena. Eles às vezes podem ser surpreendentemente resistentes, mas também podem fazer coisas inesperadas quando não estamos atentos e se machucar facilmente.

Utilize sempre os apoios apropriados para as obras: em geral as bibliotecas disponibilizam apoiadores em cada mesa. As almofadas de espuma em formato triangular estão se tornando comuns e vêm em tamanhos diferentes. Se você não encontrar o que precisa, ou você não tem certeza de como usar os apioadores corretamente, a equipe da sala de leitura está lá para dar uma mão.

A Biblioteca Britânica oferece uma série de filmes que mostra como usar os itens especiais corretamente; mesmo pesquisadores experientes às vezes são surpreendidos ao descobrir que estavam utilizam as obras incorretamente durante décadas. Procure saber na sua biblioteca de preferências se eles oferecem orientações específicas sobre a utilização e conservação das obras.

[artigo original Tips for a Manuscripts Road Trip]

O futuro dos serviços de biblioteca em 3 visualizações

1. A Biblioteca do Futuro é um lugar onde nem livros, nem mesmo informação, estão no centro, mas as pessoas

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As pessoas desejam espaços onde elas podem se reunir, onde podem aprender, onde possam viver e se divertir. A biblioteca do futuro está equipada para capacitar as pessoas para o conhecimento.

“O conhecimento é mais importante do que o espaço” – Edward Glaeser

Através de amenidades tecnológicas, espaços culturais e de exposições organizados, e uma abordagem de uso misto para a aprendizagem que incorpora tudo desde empreendedorismo e makerspaces até salas de aula no modelo “flipped” e cadeiras especiais para tirar uma soneca, os serviços de biblioteca do futuro vão encontrar as pessoas onde elas estão – e transformar-se em muitas outras possibilidades. Mas o que isso significa para os livros?

2. A Biblioteca do Futuro revive as suas origens como uma grande democratizadora do conhecimento

As bibliotecas antigas foram formadas para democratizar artefatos culturais e conhecimentos – a grande biblioteca de Alexandria, com seus extensos volumes, era um edifício icônico que honrou o compartilhamento do conhecimento. Hoje, as bibliotecas universitárias são confrontadas com as exigências da alta despesa que seus espaços impõem, e demandam novas soluções.

“Uma biblioteca é um lugar onde as pessoas interagem com a cultura” – Edmund Klimek

Ao realocar materiais para fora do campus e usando o capital imobiliário crucial dentro da universidade para fornecer espaços de interação, as bibliotecas podem oferecer um nível inteiramente novo de serviço. Ferramentas como digitalização e catálogos on-line são apenas a ponta do iceberg – com inovações em serviços de biblioteca, as bibliotecas podem reunir as pessoas em torno de um hub de conhecimento, ao mesmo tempo preservando seus ativos para melhorar a longevidade das obras.

3. Para alcançar essas oportunidades de engajamento, a Biblioteca do Futuro deve funcionalmente preservar seus ativos

Para que as bibliotecas funcionem eficazmente, elas precisam ser construídas em torno dos mesmos serviços e processos que suportam. Para as universidades Emory e Georgia Tech, que estavam combinando suas coleções em um único acervo compartilhado, a empresa KSS concebeu um Centro de Serviços de Biblioteca, onde cada metro quadrado é dedicado a um processo contínuo. Este passo na preservação de artefatos culturais da biblioteca é crucial, não só para proteger os bens culturais de valor inestimável, mas também – e talvez contraintuitivamente – para torná-los mais utilizáveis. Ao melhorar a preservação destes materiais, eles estarão disponíveis para as futuras gerações de alunos, avançando o valor e a longevidade da biblioteca por séculos.

A abordagem da “Centro de Serviços de Biblioteca” [eu prefiro a tradução de Library Service Center como “Biblioteca Central de Atendimento”] é fundamental para cumprir o papel da biblioteca do futuro: ao criar uma poderosa instalação fora do campus, uma coleção compartilhada com muito mais materiais do que qualquer uma das instituição tiveram acesso antes, o Centro de Serviços de Biblioteca abre espaço no coração do campus para a aprendizagem compartilhada, reunindo espaços e estudos com alta tecnologia e pesquisa.

“Sua biblioteca é o seu retrato” – Holbrook Jackson

O poder do mundo dinâmico em que vivemos está na quantidade de engajamento que experimentamos diariamente – experiências que são memoráveis, pessoais, sensoriais. A economia da experiência percebe o poder do engajamento – pessoas que se deslocam através e além das comunidades. Para a biblioteca aproveitar esse movimento ela precisa transformar-se, tornando-se uma instituição que serve tanto seus usuários como a sociedade como um todo.

O caminho para a Biblioteca do Futuro é claro – ao preservar artefatos culturais em espaços intencionalmente concebidos, as instituições podem maximizar a longevidade funcional, oferecendo oportunidades para o engajamento que moldam um modelo novo do futuro. Bibliotecas tornam-se mais dinâmicas, mais democratizadas, mais acessíveis, mais centradas nas pessoas. Elas percebem seu potencial como lugares emblemáticos na junção de conhecimento e cultura.

[tradução do texto original The future of library services in 3 visualizations publicado pela KSS Architects]

O fantasma da visita do MEC

Desde que comecei a tag ‘Fala, Bibliotecária!’ um dos temas mais pedidos é ‘visita do MEC’. Eu sempre disse que não faria, afinal minha proposta é divulgar a área, mas depois de insistidas sem fim resolvi dar o braço a torcer e aproveitar para ajudar quem trabalha com educação em geral.

Então habemus vídeo de visita MEC.

*Spoiler: todo mundo sobrevive no final.

 

19 segredos que os bibliotecários nunca revelam

1. A gente não enjoa dos livros

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A maioria de nós têm sido sempre, e provavelmente sempre será, leitor. Nós adoramos discutir todas as coisas relacionadas a livros dentro e fora da biblioteca.

2. Mas nós ficamos irritados quando as pessoas dizem coisas como: “Então o seu trabalho é só ler livros o dia inteiro, deve ser bom!”

Nós coletamos materiais (livros, revistas, filmes, bases de dados, etc), oferecemos programação para todas as idades e grupos demográficos, vamos até as nossas comunidades para mostrar como a biblioteca pode beneficiá-las, oferecemos aulas, etc.

3. Não é incomum encontrarmos “surpresas” dentro dos livros devolvidos – alimentos, mofo e alguns livros encharcados

Cuide das suas coisas! A gente também vê livros com páginas arrancadas, manchas estranhas em algumas páginas e livros completamente arruinados.

4. Pegar no flagra pessoas tentando cumprir a fantasia sexual da bibliotecária sexy

Muitos de nós já empatamos alguns amassos entre as estantes. Isso acontece graças ao nosso terreno, especialmente se a biblioteca tiver cantos escondidos e mobiliário confortável. Ouve-se falar que acontece mais frequentemente em bibliotecas de universidades.

5. A gente não liga muito se os livros estão um pouco atrasados

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A vida é dura, e a gente sabe que às vezes você precisa de um pouco mais de tempo com um livro.

6. No entanto, é irritante quando um livro fica muito atrasado

Nós bibliotecários não gostamos quando um livro está extremamente atrasado, até o ponto onde os outros leitores ficam esperando um longo tempo para obtê-lo, ou pior, se o livro nunca mais for devolvido.

7. O pior é quando os usuários negam de pé juntos que não estão com o livro

Pô, cara, faz isso não. Apenas devolva o livro secretamente na queda da noite e ninguém vai dizer nada.

8. Diferente do que a mídia retrata, nós não passamos o dia fazendo shiii para as pessoas

Nós apenas monitoramos o nível de ruído em zonas de silêncio. Nesses locais, a gente têm de fazer calar algumas pessoas às vezes, o que não é divertido. As bibliotecas são espaços incrivelmente multifacetados que refletem as suas comunidades e não são mais lugares onde todos precisam ficar calados.

9. Nós não ficamos irritados quando os usuários fazem barulho nas áreas não-silenciosas

As bibliotecas públicas tem um monte de programas barulhentos (por ex: atividades infantis são quase sempre barulhentas). As bibliotecas são mais do que as pessoas costumavam pensar delas. Há experiências científicas e filmes e música e muitas outras coisas incríveis acontecendo nelas!

10. Mas nós não gostamos de ter que chamar a atenção dos outros

Só siga as regras, por favor.

11. A gente adora dar recomendações de livros, por isso não tenha medo de perguntar

Nós adoramos dar recomendações de leituras. É sinceramente uma das partes favoritas do trabalho. Se você está procurando um novo livro pra ler, pergunte ao seu bibliotecário!

12. Um grande desafio para os bibliotecários em bibliotecas públicas é proporcionar diversão e coisas engenhosas com um orçamento apertado

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Ter um orçamento limitado ou pequeno e querer fornecer TODAS AS COISAS é difícil. Felizmente, os bibliotecários são engenhosos, e muito sagazes em seu desejo de promover o conhecimento e acesso à informação para todos.

13. Nada é melhor que descobrir que nós ajudamos alguém a ter sucesso

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Certa vez uma bibliotecária tinha um usuário frequente que passou em um concurso importante depois de meses estudando para a prova. Daí o usuário pediu pra ela ler a tela do computador, mostrando que ele passou. Foi muito emocionante para a bibliotecária fazer parte daquilo, embora a uma certa distância, apenas fornecendo um lugar seguro e confortável e a tecnologia e ferramentas para que ele pudesse estudar.

14. Se o livro que você quer não está lá, nós podemos obtê-lo em outro lugar para você

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Nós podemos tentar pedir emprestado o livro de uma biblioteca diferente (pergunte ao seu bibliotecário sobre empréstimos entre bibliotecas!), ou, se o orçamento e a demanda permitirem, vamos considerar a compra do livro para adicionar à coleção.

15. Nós realmente gostamos de ajudar as pessoas

Isso poder ser tanto ajudar uma criança a encontrar livros que irão incentivar o seu amor pela leitura, mostrar a alguém como usar computadores para conseguir um emprego, fornecer ferramentas para ajudar alguém a voltar para a escola, ou indicar qual abrigo público um morador de rua pode utilizar naquela noite.

16. A gente também *ama* organizar eventos para a comunidade

A photo posted by Leanne Oliveira (@comicfairy) on

Ver a comunidade se envolver e desfrutar dos programas é um êxtase para muitos de nós. Além disso, nós costumamos criar atividades que nós queremos participar, então é um duplo benefício!

17. Nós não ficamos ofendidos com o estereótipo nerd

A photo posted by Allison (@howifeelaboutbooks) on

Na maioria dos casos, nós bibliotecários somos rebeldes e guerreiros da justiça com muito boas habilidades de pesquisa e organização.

18. A gente não se importa em tentar nosso melhor para ajudar a encontrar um livro baseado apenas na capa, mas ajuda muito se você tiver mais informações

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Não é fácil, mas a gente tenta.

19. Nós gostamos quando os usuários fazem coisas boas pra gente, mas a principal forma de manter sua biblioteca preferida é deixar o governo local saber que ela é importante pra você

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Nós já recebemos notas de agradecimento, flores, etc., e sempre aprecimos o carinho, mas também tentamos dizer às pessoas para apoiar seus bibliotecários usando a biblioteca e deixando o governo local saber que você ama a biblioteca e deseja ver mais dinheiro investido na compra de livros e novos recursos.

[post original publicado no BuzzFeed: 19 Secrets Librarians Will Never Tell You]

Altmetria para bibliotecários

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Saiu o aguardado livro da Andréa Gonçalves sobre altmetrics. O livro é resultado da pesquisa dela no mestrado e é ótimo porque mostra vários exemplos de aplicação de altmetria na prática, diferente da maioria dos artigos acadêmicos que apresenta somente o conceito.

O livro não foi escrito somente para bibliotecários, mas acho que nós temos aqui uma chance enorme de aprofundar ainda mais nessa coisa de métricas acadêmicas alternativas.

A gente acaba atuando mais ou menos como consultores dentro das discussões institucionais sobre a comunicação científica e a definição do impacto da pesquisa, os professores estão sempre tirando dúvidas com a gente sobre os indicadores de impacto, não é verdade? Quem também lida diretamente com assinaturas de periódicos e hospedagem de conteúdo em repositórios, por exemplo, vai começar a pautar as decisões de aquisição e renovações de assinaturas a partir do volume de conteúdo compartilhado e reverberado na web. Além disso, nós normalmente somos os responsáveis pelas atividades de mediação e treinamento dos usuários em gestão de informação científica e sobre mídias sociais e ferramentas como Mendeley, Google Scholar, YouTube, Slideshare e blogs. Por isso que a Altmetria pode e deve tornar-se uma parte mais comum do ferramental das bibliotecas acadêmicas e especializadas.

O ebook está disponível nas principais lojas online. Vejam aqui o release completo: Altmetria para bibliotecários Guia prático de métricas alternativas para avaliação da produção científica

Como largar um livro

Sou uma leitora constante e esfomeada, ou seja, tenho necessidade de estar sempre lendo um livro ou, como nem sempre consigo controlar a impaciência para começar o próximo da fila, às vezes leio dois ao mesmo tempo. E quando digo “livro” pode ser uma coisa impressa em papel ou uma coisa digital, tanto faz, desde que seja ficção ou qualquer texto sobre assuntos que me interessam: arte, cinema, fotografia, história, política, literatura, mitologia grega.  Também leio textos de interesse profissional, mas esses entram no departamento das obrigações. Ler por obrigação é outro tipo de leitura,  não vale.

Mas também sou uma leitora completamente indisciplinada, caótica e sem-vergonha, do tipo que pula páginas, lê o final antecipadamente e desiste da leitura sem piedade se o livro não está agradando.

Um dia desses escrevi no Facebook sobre como larguei o 1Q84, do Haruki Murakami, no meio do segundo volume, porque o besta do livro abusou da minha paciência, e a amiga Ana Carolina Biscalchin sugeriu que eu fizesse um tutorial de como desistir de livros mainstream sem culpa! Como a culpa é algo que não me atinge facilmente quando se trata de coisas que me aborrecem, levei a sério a brincadeira. Por que não?

O tutorial poderia ser resumido a algo extremamente simples, assim:

Se um livro te aborrecer ou irritar, feche-o e abra de novo no dia seguinte. Pode ser que você apenas esteja num dia ruim. Se continuar te aborrecendo ou irritando, feche-o para sempre, jogue fora ou passe pra frente.

Mas resolvi caprichar para não dar margem a dúvidas, então leiam aí:

Como largar um livro

Muito fácil, não? Se alguém ainda estiver vacilando, faça aí um comentário e eu ajudo a destruir seus escrúpulos.

Eu também, na verdade, tenho os meus. Por hábito e gosto, prefiro não largar um livro só porque a leitura está difícil. Nesses casos eu insisto bastante, e costuma valer a pena, mesmo que demore para terminar e que seja necessário intercalar com outras leituras mais leves. Alguns dos livros que eu mais amo são um tanto difíceis de assimilar e precisam ser lidos várias vezes, em momentos distintos da vida. Ler Guimarães Rosa e Machado de Assis na adolescência é uma coisa, ler depois dos 30 ou 40 é outra. Do Ulisses eu só li uns trechos, porque além de difícil o desgraçado é muito chato, mas ainda mora na minha estante, querendo uma segunda chance. Vou pensar no caso.

Aplicativos mobile em bibliotecas brasileiras – parte 2

Eu quis dar uma atualizada neste post de 2012 depois de constatar duas coisas. A primeira é que cerca de 20% dos acessos ao catálogo da UFRJ são via mobile (smartphones ou tablets). A segunda é que as buscas por “biblioteca” nas lojas de aplicativos (appstore e google play) trazem quase nada relacionado à bibliotecas propriamente.

Ou seja, a primeira preocupação é saber quantos de nossos sistemas (pergamum, aleph, sophia, etc) foram atualizados nos últimos anos para oferecer aos usuários pelo menos um design responsivo do catálogo. A maioria desses OPACs já conta com a possibilidade de fazer reservas e renovação online, o que é ótimo, mas poucos ainda são otimizados para mobile.

Não sei qual é a impressão de vocês, mas a mim, 20% de acessos, 1 a cada 5 usuários acessando o catálogo, é bastante. Essa estatística é proveninente de um grande sistema de bibliotecas universitárias, talvez não seja a realidade de vocês, mas aqui está se tornando cada vez mais comum os usuários chegarem com os números de chamada a partir de telas ou prints que eles tiram acessando o catálogo direto no celular, mesmo quando a biblioteca oferece computadores dedicados para isso. Acabou aquela história de anotar número de chamada no papelzinho.

Pois bem, a solução para o primeiro problema (um número cada vez maior de usuários acessando o catálogo da biblioteca via mobile) seria oferecer um aplicativo da biblioteca, algo simplificado que permitisse a consulta ao acervo, ou algo mais elaborado que permitisse o login a partir do app, para fazer reservas e renovações. Se desenvolver apps é complicado, então que pelo menos o design do catálogo seja responsivo.

Vejam a diferença entre um site responsivo e outro não. A tela de USP aparece limitada, o site é visto exatamente como na tela do desktop, você precisa usar o scroll horizontal. Não é o fim do mundo, mas é chato.

USP

Já a tela do MIT é responsiva, o conteúdo do site se adequa ao espaço da tela do celular. Bem melhor.

mit

O catálogo da USP em si não é responsivo, utilizei apenas como exemplo. Mas o problema foi resolvido com a criação de um app. Conversando com o Murakami sobre o aplicativo deles, que é um dos poucos na app store que contêm essas especificações elaboradas que mencionei acima, ele explicou que o app utiliza uma parte do X-Services no Aleph, uma parte do Restfull do Primo, mais uma parte da autenticação na USP. Ou seja, é uma adaptação, mas inteiramente funcional. Se as estatísticas servem de estímulo, o aplicativo das bibliotecas da USP é bastante usado, com mais de 5000 instalações em cada plataforma (android e ios).

Sobre o segundo problema (buscas por “biblioteca” nas lojas oferecem resultados de diferentes aplicativos, mas poucos diretamente vinculados à bibliotecas), acho que seja um reflexo do primeiro (baixa oferta de apps). Então fica a expectativa de que nós bibliotecários podemos fazer melhor no futuro.

Dentre os aplicativos de biblioteca que podem servir de exemplo estão o da USP, Unesp, Unicamp, Uenf, UCS e Univates.

Home da Unicamp

unicamp

App da UFRGS que inclui a biblioteca dentre todos os serviços da universidade

UFRGS

App da Univates que mostra a localização do livro nas estantes

univates

App da USP que mostra a geolocalização das setoriais

USP