Fechar os olhos e viver em um passado de lendárias glórias

A produção de artefatos convencionais de informação cresce em volume, continuamente formando os estoques, os quais representam quantidades estáticas armazenadas com grande custo fixo de produção e manutenção: acervos de livros acabados, figuras, periódicos e sua atualização, etc. Esta condição da informação convencional e provinciana na capacidade de produção ocasiona implicações técnicas econômicas e políticas.

O aumento constante e cumulativo no volume dos estoques desta informação armazenada afetará diretamente a produtividade e o custo dos produtos convencionais devido à sua relação desigual com a demanda por recuperação de itens de informação necessários para distribuição

A situação ilustra a condição técnica em que se configuram os custos nas unidades de informação. O crescimento constante no volume dos estoques de informação irá afetar a capacidade de produção dos artefatos de informação. Este crescimento dos elementos que determinam o custo de produção implicará em um rendimento decrescente na escala de produção, isto é, as unidades de informação produzem mais que o necessário, pois esta ineficiência é necessária para atender aos requisitos de qualidade esperados pelos usuários do sistema de armazenamento e recuperação tradicional. Mas isso acontece com enormes custos crescentes na economia tradicional de produção de informação. Principalmente dos custos fixos associados a capacidade fisica de produção.

Na nova economia da produção da informação digital acabam estes custos fixos relacionados com a necessidade de se produzir dentro de uma capacidade de produção estabelecida por padrões de uma “planta” física de produção. Assim, em condições digitais na rede, tanto faz produzir: dez unidades do produto de informação como mil unidades do mesmo produto, pois o custo de produção será praticamente o mesmo, já que a produção está livre da incidência dos custos fixos,da capacidade de produção, da armazenagem física e distribuição do produto.

Esta nova economia de produção de informação que influenciará intensamente na mudança da tecnologia básica do processo de transformação dos artefatos de informação que, no curto prazo deixarão de ser convencionais para serem quase totalmente digitais.

Isso acontecerá por uma razão econômica, técnica e racional de rendimentos decrescentes; uma decisão do coerente do administrador que de outra forma estaria agindo irracionalmente. Uma decisão que nada tem a ver com a emotividade de se querer acabar ou manter documentos impressos em papel.

Tratar, somente, de organizar e controlar a informação em acervos estáticos de informação, que não geram conhecimento, é uma condição de almoxarifagem de objetos de informação; para isso é uma aprendizagem de curto prazo e em nível não acadêmico. É uma pratica nobre como qualquer ocupação paralela do sistema de produção do conhecimento, mas é marginal a ele.

Contudo, , ainda, não chegou , nos tradicionais cursos de biblioteconomia, os acontecimentos da nova economia de geração de documentos e dos formatos digitais, o novo regime de informação para onde estão indo os usuários.

Oitenta por cento dos currículos de graduação estão dedicados a disciplinas de organização e controle e guarda de insumos de informação como: Métodos e Técnicas de Pesquisa Bibliográfica, Informação Aplicada à Biblioteconomia, Produção dos Registros do Conhecimento, Formação e Desenvolvimento de Coleções, Controle Bibliográfico dos Registros do Conhecimento, etc.. O gerenciamento acadêmico destes cursos não está em foco com sua contemporaneidade.

São desprezíveis, nestes cursos, os créditos exigidos para o estudo da comunicação da informação adequada ao usuário. Quase nada é atribuído ao aprendizado das tecnologias Intensas de informação e sua transferência, quando os documentos estão em formato digital.

O bibliotecário, como diversas outros profissionais, foi atingido pela intensa revolução das novas técnicas de informação e deveria saber que é hora de atravessar de um para outro lado sem desprezar, nesta passagem, seu conhecimento adquirido, mas adaptá-lo a um novo contexto. Ele precisa ir para onde estão indo os seus usuários. Pouco adianta fechar os olhos e viver em um passado de lendárias glórias, mas de um saber suplantado. Infelizmente, há que notar que, o penúltimo trem já partiu e poucos partiram nele.

Aldo de A Barreto

Esse texto tem tudo a ver com o post anterior.. é um texto que o Aldo enviou para a bib_virtual em 11/09/2008.

Deixe uma resposta