Informática

Na discussão sobre o Winisis, a Luana levantou questões interessantes: “alguém aqui chegou a aprender pelo menos o básico de SQL na disciplina de Bases de Dados…ou mesmo a criar uma BD com o Winisis…alguém pelo menos tem ou teve a disciplina de criação de BD durante o curso?!?!”

Sempre afirmei que a matéria mais importante que tive durante a graduação foi Elementos de Lógica para Documentação. É uma matéria que serviu de base para todas as matérias técnicas mais abstratas como por exemplo representação temática. Uso isso para argumentar que não deveriamos ter matérias de criação de bancos de dados no curso. Das matérias que tive de informática, tive Representação descritiva I, matéria em que conheci o Winisis ( inclusive ele roubou um pouco o foco, pois seria mais importante aprender a teoria de catalogação ) e depois Documentação e informática, matéria que aprendi a analisar o mercado de automação de bibliotecas, estudar os produtos disponíveis e nos relacionar com os vendedores de software. Hoje vejo a importância de ter aprendido isso, ao invés de aprender a criar bases de dados ou algo parecido. Como bibliotecários, acredito que temos que conhecer como descrever o nosso negócio de maneira mais clara e lógica possível e aprender a conversar com o pessoal de informática. Há casos em que pegamos bibliotecas com menos infraestrutura, aí o caso é aprender a usar frameworks em que se possa moldar a sua realidade ao software.
Além disso, acredito que uma das matérias que mais me ampliou os meus horizontes foi Comunicação Digital, em que aprendi a compreender melhor a cultura informacional na pós-modernidade.
Tudo isso se liga a uma outra discussão, e minha visão é que o papel da Universidade é formar pessoas capazes de resolver questões complexas, não aplicar modelos.

10 pensamentos em “Informática”

  1. Concordo contigo, Tiago. O meu caso foi ridículo. “Aprendi” Winisis na disciplina de disseminação da informação. E “aprendi” html na disciplina de automação. Até hoje me pergunto como criar uma base de dados para automatizar minha biblioteca em html. E até hoje tento disseminar informação com o Winisis. Vai entender. Nossa geração tem muito trabalho pela frente.

  2. Primeiro erro: Ensinar Winisis. Tecnologia defasada, não é multiplataforma e muito distante da atual necessidade de gerenciamento de bibliotecas, pois é reduzido a gerenciamento de dados bibliográficos. Segundo erro: SQL é para DBAs e não para bibliotecários. Tive a experiência de ministrar a Disciplina Geração e Uso de Base de Dados na UFC. Muito complicado, pois a literatura é da computação, alunos não querem apreender algo de cunho “complexo” no contexto da informática, essa área é muito mais a nível de modelagem do que implementação física e ai que está o erro. As pessoas tem uma visão operacional da informática, querem criar um BD, mas não querem ter o nível de abstração para que possam teoricamente propor um modelo conceitual de dados. O bom dessa disciplina foi que enfoquei como funcionam algumas aplicações que utilizam backend, mostrei o básico de SQL e modelagem de dados, depois fomos mexer com MySQL através do phmyadmin e isso foi necessário para entenderem como se instala aplicações web como wordpress, openbiblio, tematres. etc. Mas mesmo assim são vejo tanta relevância ensinar BD, no contexto da biblioteconomia, o que devemos apreender é como definir requisitos no contexto das bibliotecas, criar projetos de informatização, entender protocolos e ferramentas para gerenciamento de informações, se inserir na cultura digital, etc.

  3. Tiago…
    Discordo que seja irrelevante ter um conhecimento mais aprofundado sobre Bases de Dados … o problema é que muitas pessoas crêem que formadas vão trabalhar numa biblioteca prontinha, bonitinha, informatizada…mas existe um mercado de trabalho tb fora das bibliotecas…sem nenhuma estrutura…que não vai contratar um programador ou seja lá o que for para desenvolver um sistema de gerenciamento para o CEDOC ou o que seja…
    Falo isso por experiência própria…me formei e cai numa empresa onde a “Base de dados” herdada da bibliotecária anterior era um planilha no excel . Acho sim que o currículo de biblioteconomia precisa dar uma remexida e dar mais atenção a parte de informática….aparentemente a USP tem um currículo mais bem trabalhado no que se refere a esse assunto… acredito que não seja o caso da maioria dos cursos pelo que se observa da resistência ou medo que boa parte dos profissionais tem de aprender, ou pelo menos tentar aprender, novas tecnologias…Isso nos leva a outro problema, existe um mercado enorme dentro de empresas que os bibliotecários não conseguem ocupar justamente por não conseguirem moldar o que aprendem na faculdade para o mercado que seja fora de uma biblioteca!!
    Alguém acha realmente que seja mais importante passar um semestre inteiro aprendendo a usar o AACR(pelo amor de deus!!é só ler e seguir o que está escrito!!!) do que ter uma boa base sobre tecnologias que podem ser aplicadas em uma Unidade de informação???… Me formei em 2004. e essa era realidade do meu curso naquela época..espero que tenha mudado embora não acredite nisto …Ninguém espera que vá sair alguem capaz de desenvolver um software do curso de biblioteconomia…mas um conhecimento mais aprofundado e um contato mais direto durante a graduação poderia desmistificar um pouco o uso da tecnologia…

  4. Tive a disciplina de base de dados no terceiro período. Para mim foi muito proveitosa! Aprendi a usar o Winisis e ter uma noção de toda a arquitetura de sistemas de informação. Posso dizer até que tive muita prática e pouca teoria. Posso dizer que adorei meu professor, e olha que ele só tem a graduação (Evaldo é bolsista do CNPq, se não me engano).Sou graduanda da Universidade Federal de Pernambuco.

  5. Nem mesmo na informática deveríamos ter tanta ênfase em disciplinas técnicas. Graduação deveria formar critérios e ensinar conceitos, as técnicas deveriam ser tratadas como técnicas, em disciplinas curtas e claramente separadas. Os melhores cursos de TI tiram a ênfase da programação e colocam sobre as teorias e métodos.

  6. Um relato. Ano passado, no segundo semestre, o Prof. Marcos Mucheroni da ECA/USP (novo prof. de Documentação e Informática) apresentou alguns comandos básicos do MySQL. Chegamos a criar umas tabelas e fazer consultas nas bases de dados do sistema. Fiquei contente com isso, pois sei da resistência dos profs. em utilizar os softwares que estão no mercado. Nas aulas ele deixou bem claro que a intenção era apenas apresentar o recurso, não formar programadores. As exposições das aulas dele foram mais conceituais e teóricas, nem tão práticas. Considero esse método mais importante, pois é a partir da reflexão dos produtos e serviços que podemos discutir propostas e projetos com os agentes envolvidos em uma unidade de informação.

    Leonardo Assis
    http://www.minhascitacoes.org
    http://www.minhascitacoes.org/leonardoassis

  7. Olá!!
    Fiquei interessada no Open Biblio, mas na pagina do projeto não tem nenhum manual ou ´tutorial que permita visualizar quais os recursos que ele possui.Só encontrei o manual de instalação e uma avaliação um blog de uma pessoa que tentou utilizar no seu acervo particular. então antes de baixar Se puderem tirar algumas dúvidas: Ele roda tranquilo no Windows?? Tem como fazer entrada por artigos? Tem como cadastrar fotos, mapas, DVS, imagens? Tem como utilizar apenas o módulo de emprestimo?
    Obrigado!

  8. Oi! Sou estudante de biblioteconomia (Univ Est. Piauí/ UESPI) e entusiasta com assuntos relacionados à informática. No contexto tecnológico em que vivemos, com as infinitas possibilidades que as tics proporcionam, aumentam também os campos para o bibliotecário enveredar pelo empreendedorismo digital e não ficar “preso” apenas à bibliotecas ou centros de documentação. Infelizmente essa abordagem ainda é muito tímida e “conflituosa” dentro da graduação o que me fez buscar informação e aprendizados em outras áreas. Tudo sobre criação de bases de dados, desenvolvimento de aplicativos e relacionado com a gestão informacional me interessa. Quero solicitar ao autor e também aos demais colegas informações sobre cursos na área da informática que estejam relacionados a esta temática de desenvolvimento de tecnologias (relevantes para nossa área de atuação), além de livros ou sites que “abram a mente” (de maneira didática com linguagem acessível) de estudantes da área para esse mercado de trabalho! Não que eu queira “mudar de profissão” mas acredito que o conhecimento sobre os produtos e serviços de TI adequados à gestão da informação é fundamental para quem deseja ir mais além na profissão!

    Obrigada =)

Deixe uma resposta