Quando menos é mais

Sempre gostei muito da revista Documentaliste – Sciences de l’information que é publicada pela ADBS na França.
A melhor característica da revista a meu ver é ter uma editoração ativa, isto é, ela desenvolve um tema e chama especialistas da área para criar um número específico sobre este tema, quando não promove eventos para discussão desses temas e publica os relatórios desses eventos. É uma forma condensar o conhecimento e buscar o crescimento desse conhecimento. As nossas publicações são passivas, isto é, criam chamadas de trabalhos genéricas e esperam que os pesquisadores escrevam artigos e publicam uma lista de artigos que não tem nenhuma relação entre si. Isso faz com que quem queira acompanhar as publicações da área tenha que ler tudo e mesmo assim, achar inúmeros artigos falando a mesma coisa, não por plágio, mas por falta de comunicação mesmo. Seria interessante mudar esse quadro.

Confiram o sumário da última edição da documentaliste sobre Web 2.0 & information-documentation. Pena que a assinatura online seja muito cara.

3 pensamentos em “Quando menos é mais”

  1. Nunca tinha visto desta forma, mas concordo totalmente. Acho que o papel do Editor seria justamente esse, organizar a revista ativamente, escolhendo temas e escolhendo os especialistas. Vez ou outra as revistas fazem isso. Encontros-bibli e DGZ. Mas mesmo nos números especiais encontramos algo que dá a impressão de ser um estranho no ninho. Mas são iniciativas louváveis.

  2. É um ponto de vista interessante… agregar uma temática específica por publicação. A dificuldade que vejo nessa proposta é justamente o fato da nossa área ser tão abrangente, e uma temática específica, se interessante para uma parcela dos leitores, pode não o ser para outras, enquanto que temáticas variadas num mesmo número publicado atingiriam um público maior.

    Uma alternativa poderia ser publicações especializadas em determinados temas da área.

    E já comentei em off com o Tiago, e repito aqui: essa revista Documentaliste – Sciences de l’information está na contramão dos atuais movimentos de acesso livre a publicações científicas. Embora eu acredite que ela não possa ser considerada a priori científica… será que os artigos assinados por especialistas de determinada área, convocados para publicar naquele número específico, passam pelo famoso peer review?

    E sobre os “inúmeros artigos falando a mesma coisa, não por plágio, mas por falta de comunicação mesmo”, creio que isso é mais influência da chamada Mainstream Science, a corrente principal na área, que invariavelmente é norte-americana. Se os que escrevem artigos baseiam-se na mesma literatura, está claro que haverá uma certa unanimidade nos escritos… e aí entra a questão apontada pelo Antônio… “Pena mesmo é ser em francês”… isso porque nos acostumamos à literatura em inglês, já que esta é a língua franca da ciência e tb da internet, e esquecemos que há mais sob o sol. O nosso Nelson Rodrigues já dizia que toda unanimidade é burra…

    O que será que os colegas franceses pensam a respeito do que eles chamam de “deuxpointzéro”? (neste número específico da Documentaliste sobre web 2.0). E os espanhóis? Holandeses? Alemães? Ou mesmo Croatas, por que não? O fato é que a língua é uma barreira ao acesso ao conhecimento, e nós, acostumados que estamos àquela Mainstream Science, ainda não discutimos essa problemática com a devida atenção, num mundo em que a internet possibilitou o acesso a todas as línguas do mundo.

    Por falar em croata… o link neste post para os quadrinhos “Todos os livros do mundo, menos um” é bem um exemplo da possibilidade de acesso a outros idiomas na net. E os quadrinhos foram traduzidos do croata para o inglês, e deste para o português…

Deixe uma resposta