O futuro das bibliotecas e livrarias

Máquina de impressão sob demanda Espresso. Não precisa entender o que se fala no vídeo, apenas assista. E acompanhe o relógio.

Essa é a solução conveniente para o mundo de bits em que vivemos, em contraposição ao mundo de átomos em que Dewey vivia. Não precisamos mais de acervo físico. Isso vale tanto para livrarias como para bibliotecas. Livrarias podem oferecer impressão sob demanda. Bibliotecas podem emprestar Kindles. Hoje parece impossível, mas quando um leitor digital de livros custar o mesmo preço de um livro impresso comum (e isso é bem possível dentro de 5-10 anos), pode-se eliminar acervos físicos e investir pesadamente em coleções digitais. A biblioteca passaria a ser apenas um espaço vazio de interação de pessoas com outras pessoas (e eventualmente, autores), mais do que a interação entre pessoas e livros.

Pensem em como nós comprávamos discos no passado e hoje em dia simplesmente baixamos discografias completas em mp3. Meu ipod é capaz de armazenar mais de 25 mil músicas. Não caberiam tantos discos no meu quarto. E talvez eu nem tenha mesmo tempo de ouvir todas as músicas. Mas a minha experiência com a música e com os músicos e outros amantes de música não se alterou. Na verdade ela só se ampliou.

Isso reflete uma economia de abundância, não uma economia de escassez. As bibliotecas ainda vivem na mentalidade da escassez.

Argumentos mais detalhados sobre o assunto estão em:

A nova desordem digital
Cauda Longa e Free
Reflexões sobre a vida da mente na era da abundância

33 pensamentos em “O futuro das bibliotecas e livrarias”

  1. a comparação da indústria editorial com outras indústrias é evidente.

    Mas entendo, nesse caso aqui a minha preocupação são as bibliotecas, assim, não entra essa cogitação porque não se trata de propostas similares ou paralelas, mas sim de uma transposição de uma proposta arcaica com outra moderna. Se a biblioteca é sobre um depósito de livros (etimologicamente) e os livros físicos tendem a deixar de existir em abundância como conhecemos hoje, então a biblioteca se transformará num museu de livros. Isso é o que você visiona?

  2. Isso só aconteceria (rá) se as pessoas deixassem definitivamente de ler livros e estes se tornassem uma coisa do passado.

    O problema na comparação entre o fim dos discos e o fim dos livros é que são conteúdos diferentes e experiências diferentes. Então qualquer comparação é equivocada.

    Todavia, concordo com um futuro próximo no qual as bibliotecas e livrarias imprimam livros on demand (isso já existe) e bibliotecas emprestem kindles aos necessitados, sim, pq se o kindle vai ser tão barato assim só quem não tiver 30 reais não vai ter um. Mas veja só, não dava pra baixar e ler no meu MP15 não? Sim, pq eu tenho vídeo, foto, música, celular, skype, e mais um monte de coisa em um aparelho só, mas tenho que ter um outro só pra ler livro?

    Chama Cauê pra te ajudar a responder essa 😀

  3. assim como não deixarão de existir relações interpessoais, não deixarão de ler livros, mas deixarão de ler livros impressos, assim como deixam de ler jornais impressos, revistas impressas. TODAS as pesquisas atuais apontam nesse sentido. A indústria está quebrada. Você ganha mais dinheiro com o BPC do que com a Baluarte, não há nada mais óbvio.

    Imagine se eu imprimisse tudo o que eu li nos últimos 12-14 anos na internet e colocasse na minha casa, ocuparia no mínimo uns 2 quartos.

    Nós ainda guardamos livros em casa e em bibliotecas por uma questão de tangibilidade. Mas a mídia impressa (e as bibliotecas como são hoje) tá com o pé na cova, porque é baseada em uma economia de escassez. E nós vivemos numa era de abundância, de barateamento dos materiais necessários para tornar o formato abundante, ilimitado.

    O Kindle só é um leitor de livros exclusivo por questões comerciais da Amazon. Claro que se fosse pra apostar em uma tecnologia, não seria nem um mp27, nem um laptop holográfico. Basta ter um óculos tipo Exterminador do Futuro (a startup do O’Reilly está desenvolvendo isso, é rocket science, mas não é science fiction, fica pronto dentro de poucos anos).

  4. Todo mundo quer ser “o cara que previu o fim do livro”, no entanto preste bem atenção no que você anuncia aqui neste post: livro sob demanda. Cara, enquanto se desenvolve os óculos do Terminator, tem gente desenvolvendo máquinas para se imprimir livros mais rápido e mais barato. Ou isso está claramente na contramão do futuro, ou então está de acordo com nossa sociedade de informação abundante – GLUT. Eu fico com a segunda.

    JK Rowling, Stephanie Meyer, Paulo Coelho, B. Cornwell, Stephen King, Gustavo Henn estão todos muito preocupados com a “falida” indústria do livro. Os herdeiros de Tolkien estão se descabelando. Eles ganham muito mais com seus blogs do que com seus livros impressos. Será que é mesmo? Claro que não.

    A cada lançamento de Harry Potter tinha filas enormes madrugada a dentro pra comprar um livro impresso. Aí você diz: mas eram pessoas que nasceram na cultura do livro e tal. Não. Eram jovens que nasceram com Internet, computador, videogame e possuem caligrafia péssima pois não escrevem com lápis e papel. E estavam lá pra comprar um livro de papel.

    Vai entender.

  5. Para citar você mesmo:

    “Essa é a solução conveniente para o mundo de bits em que vivemos, em contraposição ao mundo de átomos em que Dewey vivia.”

  6. Cara!
    Preciso estudar engenharia para criar soluções para bibliotecas para disponibilização de livros e capítulos para as pessoas….

    O livro tem o seu valor, mas é claro, nem tudo está nos livros.

    Esse futuro está longe…longe da realidade do Brasil, e livros? serão lidos pelo menos nos próximos 30 anos, enquanto isso, fico com o livro da cabeceira!

  7. Gugay, a discussão tá boa, quem sabe daqui não sai finalmente o livro embate. Mas então, vejamos: no post eu escrevi sobre não precisarmos mais de acervos físicos, de livros físicos depositados em um prédio, o que a partir daí nos leva para a discussão do conceito etimológico de biblioteca.

    Em nenhum momento eu falei que os livros físicos irão acabar, você que está distorcendo a minha fala. O que evidenciei é 1) uma reavaliação do espaço físico e dos processos da biblioteca tendo em conta o advento de tecnologias que eliminam a necessidade de se ter acervos físicos (e isso se aplica também a acervos pessoais, guardados nas nossas casas); 2) a indústria editorial em declínio (basta ler qualquer dado estatístico atual sobre o tópico); 2)economia de escassez versus economia de abundância – e aqui fica muito fácil pra você pegar exemplos polarizados como Harry Potter e Paulo Coelho e livros preparatórios para concursos públicos no Brasil. Não vejo filas enormes de crianças querendo comprar livros sobre o Michael Jackson na mesma proporção em que consomem o Michael Jackson em mídias online, por exemplo.

    Acho que um problema técnico do livro é exatamente a incapacidade de se ter várias mídias dentro daquele único formato. E a tendência é sempre de convergência, de ubiquidade. A não ser que o livro, o livro de entretenimento, queira permanecer como um bem tangível 1.0, onde a pessoa que o tem nas mãos queira estabelecer uma relação única e exclusiva com aquele formato.

    Se o formato do livro em um Kindle por exemplo, permite que você estabeleça links de citações diretamente no browser do aparelho, ou que você prefira ouvir o autor narrando trechos (como eu terminei de ouvir o Free inteiro agora) e que o livro do Harry Potter projete em realidade aumentada insertos dos filmes, esse tipo de coisa só é possível em um aparato tecnológico convergente.


    O disco vinil também não acabou. Nem o cd, nem o vhs. Sempre haverá mercado pros saudosistas. São eles que definem o tipo de experiência que querem ter, e se o mercado acha que vale a pena investir nesse nicho (quando deixa de ser mainstream e se torna um nicho).

    No seu caso, você prefere livros na estante, ocupando espaço físico. Eu prefiro um óculos do terminator, todos os livros do universo em um HD de 3 petabytes que eu carrego no meu bolso, um leitor de livros holográfico, e uma sala com sofás que se chama biblioteca que eu irei visitar pra poder encontrar com você e trocar idéias e baixar (sob um determinado contrato) os livros que quero emprestado dentro de um prazo determinado.


    Uma passagem do Chris Anderson é: qualquer tópico que pode dividir os críticos igualmente em dois campos opostos – “totalmente errado” e “tão óbvio” – certamente é um bom tópico a se discutir.

  8. Eu não distorci, to apenas criticando um dos pontos por onde passa essa sua visão de biblioteca que é o livro cada vez mais suportado digitalmente e o livro impresso como objeto de admiração de saudosistas.

    Agora me diz uma coisa, se o empréstimo é uma coisa da economia da escassez, e seu kindle/mp200 tem 5 petabytes, pq vc acha que será necessário ficar com algo durante um determinado período de tempo?

    Me responde outra coisa: pq os livros digitais possuem páginas? (uma das novidades do novo kindle é que ele muda de página mais rapidamente)

    O que quero dizer com isso é que o futuro que imaginamos (ou pelo menos o que estamos conseguindo visualizar hoje) também é baseado na economia da escassez por um lado, e no livro impresso, por outro. É por isso que se investe em máquina de impressão sob demanda. Estaríamos olhando pra trás e projetando o “futuro”?

    Estamos realmente neste ponto em que ou estamos totalmente errados ou estamos com o óbvio sob nosso nariz. Sem meio termo.

  9. fico pensado em algo… se estamos pensado no futuro economico ou na informação? e se tiver disponivel nao tem outrod gasto nao. e a comodidade para a leitura

  10. o empréstimo não é escassez, ao contrário, vide google. Escassez é o sistema de organização da informação física com base em noções binárias (zero ou um, um único livro não pode ocupar duas estantes diferentes – Weinberger). Quando você investe em noções digitais (um único livro pode ocupar milhares de estantes, porque basta que você crie cópias dele. Poderia fazer o mesmo no mundo físico, perfeitamente possível, mas teria que arcar com os custos)então você acaba com a economia da escassez.

    Agora, a questão dos empréstimos por período determinado eu só coloquei por razões jurídicas. Num universo plenamente digital você perde esse controle. É mais uma noção a ser abandonada pelas bibliotecas, o controle. Mas isso passa sobre questões jurídicas (Lessig) que é muito mais complicado. Então teria que se pensar em alternativas ao empréstimo padrão.

    livros digitais possuem páginas por uma questão “estética” acredito. É pelo charme. No ipod tem o coverflow, é praticamente a mesma coisa. Você tem um aparelho de mp3 (digital), mas ainda assim consegue navegar pela “capinha” dos “discos” (analógico). Talvez os designers queiram minimizar o impacto de dizer que você simplesmente não precisa mais de elementos lineares para a leitura.


    Eu acho que as máquinas de impressão resolvem um problema de demanda, enquanto que leitores eletrônicos resolvem o problema de estoque.

    As bibliotecas executam esses dois procedimentos (demanda e estoque) hoje mal e porcamente: sistemas de recuperação da informação que não atendem plenamente as necessidades customizadas, acervos desatualizados, desqualificados, restritos sob o ponto de vista legal, ambientes físicos desestimulantes (em uma perspectiva de bibliotecas públicas e universitárias, salvo raras excessões).

    Eu não teria uma máquina de impressão em casa, porque pra mim já não é mais necessário possuir um acervo físico.

    Compreende como que isso não tem a ver com um discurso que prega o fim dos livros, mas sim um discurso que enaltece o quanto os livros físicos se tornam desnecessários?


    Baluarte a publicar em livro impresso e digital “um breve histórico do fracasso da biblioteconomia” Caruso et al 🙂

  11. Empréstimo não é escassez? Se eu te empresto é pq eu quero que você me devolva. E se quero que você me devolva é pq não tenho de onde tirar outro.

    Eu compreendi desde o começo que n se prega o fim dos livros. Perfeito. Concordo em parte. Mas achei engraçado se anunciar que as bibliotecas vão emprestar kindle ao mesmo passo em que vão imprimir livros.

    Quanto às páginas, não sei se é só questão estética. Acho que, mas isso já foi depois de estar lendo o Glut, que as pessoas de alguma forma não suportam ler algo que rola infinitamente e isso tem algo a ver com a evolução do pergaminho pro códex. E tirar a página agora seria, de certa forma, um retorno ao pergaminho e sua leitura scroll sem fim. Mas isso já é viagem minha.
    __________________________________

    Cara, se isso acontecer a Baluarte vai ter o canto do Cisne que merece. Aliás, canto de um Cisne Negro.

  12. o sistema de empréstimo existe basicamente pra poder dar a chance de que todos tenham acesso à obra. Nesse sentido sim, a oferta é escassa.

    Mas eu estava falando justamente o contrário, que em um universo em que se pode ter a quantidade de réplicas de livros que você quiser (mundo digital), então o empréstimo deixa de ser uma economia de escassez.

    E consequentemente requer um novo entendimento acerca das modalidades de distribuição das unidades materiais digitais, já que você não tem como controlar milhões de cópias em circulação.

    As bibliotecas cumpririam o seu “papel social” oferecendo aos usuários o modelo de distribuição unitária que eles desejarem, seja imprimindo um livro e cobrando pelos devidos direitos de uso ou liberando uma cópia digital de quaisquer documentos, dentro de um acordo jurídico digital (algo mais bem específico do que o CC).

    Em um primeiro momento, não haveria nenhum momento oferecer livros impressos e leitores digitais. Essa seria a fase de transição.

    A medida que os livros impressos se tornem desnecessários (obsoletos), daí as máquinas de impressão podem ser descartadas também. E isso acabaria completamente com o conceito etimológico de biblioteca (caixa de livros).

    Todos os processos de consumo de informação registrada poderiam ser executados online, sem intermédio de pessoas. Apenas seguindo regras bem definidas (por pessoas e leis, claro).

    Nessa perspectiva, as bibliotecas então, caso fosse de interesse da sociedade, poderiam ser estabelecidas em qualquer ponto de uma cidade, onde as pessoas iriam somente para interagir com obras, autores e outros usuários. Exatamente como um museu é hoje. Um espaço de contemplação da produção intelectual e artística da humanidade.

    para nós ocidentais parece óbvio que o códex é melhor que o pergaminho. Mas um árabe ou um chinês pode não achar o mesmo. A escrita e leitura em scroll permanece conveniente, mesmo sabendo que se poderia usar códex. Por isso que talvez seja mais um problema de senso estético do que de restrição tecnológica. Da mesma forma que tem gente que gosta de vinil, outras de mp3. Ou livros e kindles.

  13. Sim, mas aí é distribuição e não empréstimo. A não ser que se mude o significado do verbo emprestar.

    Muito legal essa visão de bibliotecas “estabelecidas em qualquer ponto de uma cidade, onde as pessoas iriam somente para interagir com obras, autores e outros usuários.”

  14. se eu te empresto um livro digital, não há razão nenhuma para querê-lo de volta. Porque no momento do empréstimo eu posso lhe entregar simplesmente uma cópia. E você mesmo a partir daí criar milhares de cópias (caso não haja restrições legais). Ou seja, é distribuição mesmo. O conceito de empréstimo morre. Você não pega mais nada emprestado (escassez) você pega uma réplica (abundância).

    Essa visão de biblioteca pode parecer tola, mas tem que ser bastante realista para perceber a diferença sutil quando se diz “interação com autores e outros usuários”, porque a maioria das bibliotecas hoje só promove a interação usuário x acervo. Poderia-se oferecer muito mais do que isso.

  15. é a velha história do editor (gustavo)querendo ganhar $$ com seus livros, e do tiozinho (moreno) que tem uma “lojinha” na universidade que oferece cópias dos livros sem permissão dos autores. Aos poucos, os leitores vão copiando as obras sem pagar pelos livros…

  16. Pô, refletindo sobre tudo o que foi dito, percebo que se discute sobre a eficiência ou não de um modelo, empréstimo x cópias, mas não vi uma solução baseada no contexto digital. Por que não se cria uma forma de remunerar o autor por quantidade de uso da sua obra, ao invés do número de cópias? E ainda, por que o estado não banca isso, assim como banca as bibliotecas (tsc tsc). É apenas uma alternativa em muitas que poderiam ser propostas. Emprestar documentos digitais é manter toda a relação de poder do modelo vigente. A discussão juridica só se mantém por que não houve um modelo que consiga ser aceito como melhor. E concordo com o Moreno, as bibliotecas tem que ser um espaço público de interação entre pessoas, autores e obras. Seria muito mais útil a sociedade do que temos hoje. As livrarias estão se tornando esse espaço, mas seu intuito comercial permite apenas que uma parte da sociedade usufrua dessa interação.

  17. Concordo com o Moreno, vislumbro uma biblioteca bem diferente num futuro próximo. Não acredito que os livros irão acabar (e num futuro longo – para isto existem os museus), o mundo hj é muito diferente e estamos precisando cada vez mais mudar conceitos. Os bibliotecários e vários outros profissionais terão que analisar como montar as “NOVAS BIBLIOTECAS”, estou me preparando, lendo e investigando para encontrar soluções, principalmente para ambiente escolar e universitário (onde atuo).
    Em relação aos números de páginas no livro é para facilitar a citação da ABNT (brincadeira Gustavo, já participei do seu curso, tenho seus livros e sei o quanto vc é bacana).
    Att…

  18. Acabei de ler tudo as 3 da manhã. Comento mais tarde.

    Gustavo persistindo no erro. A paixão cega o sujeito.

  19. colocando fogo na fervura, arrisco: quem gosta do livro impresso tem de fazer museologia. em breve, só haverá material impresso em arquivos deslizantes e museus. desde que ingressei na biblio, há mais de 10 anos, só penso em informação, de fato, o termo curricular correto seria informacinomia – teríamos então o informacioacessário (o profissional que proporciona o acesso à informação)!

  20. Não é um serviço de futorologia ser atento a tendências de migração de suportes de informação(no caso da discussão, o livro), e tampouco nas relações que surgem da convergência, conectividade e interoperabilidade de ferramentas e mecanismos cada vez mais habituais.

    A AT&T fez isso em 1993 baseada em tendências, e acertou praticamente tudo que estaria sendo disponibilizado em 2009. Não é tão misterioso assim.

    Justificar o livro impresso, em uma sociedade de informações em bits é colocar o cavalo pra montar em você e gritar “vai pangaré!”.

    Venderia Barsa de porta em porta? telefonia fixa?e olha que isso nem é a longo prazo como tem sido tratado aqui o “fim” do livro impresso.

    A analise sobre o suporte parece ficar distante quando o discurso torna-se uma defesa de uma paixão. Porem tudo conspira e mostra-se claramente que o livro como conhecemos hoje, será artigo de saudosistas que querem sentir o papel assim como aqueles que querem ouvir o ruído do vinil.

    Google books não é projeto mais, é uma realidade, os valores de um e-reader são cada vez menores, e a concorrência trata de fazer o resto.

    Procuro uma vantagem em ter-se um livro impresso frente a um e-reader(ou qualquer mecanismo com mesmos propósitos), onde tenho tudo que quero em um único suporte, e repetindo, em um mundo de bits. Livro não deixa de ser acesso, memória, então tratemos dele dessa maneira, sem paixões.

    Ah! bibliotecas são praticamente todas institucionais, e pra existir depende de…? no momento que deixar de ser interessante e o gasto de manutenção de um lugar vazio não compensar mais…fim.

  21. Extraído de: http://extralibris.org/2009/09/reinventando-a-publicacao-academica-online-parte-i-rigor-relevancia-e-pratica/

    O Google, com sua simplória tela branca e um retângulo para inclusão de texto “dominou” o mercado dasmáquinas de busca, e não o Yahoo, com seus gráficos multimídia. Pessoas que investiram em banda larga esperando um aumento da demanda por multimídia perderam dinheiro, assim como aqueles que investiram em capacetes multimídia para jogos de realidade virtual. Os videofones não estão varrendo o mundo, apesar da tecnologia e do marketing, mas ao contrário, já que as mensagens de texto se tornam mais populares do que as conversas telefônicas.
    Certamente a riqueza da mídia é importante, mas quem previu os jogos em rede, onde a “riqueza” é criada pela interação humana e não o meio em que ocorre? As teorias de usabilidade daquela época, junto com 25.000 horas de testes de usuários, previram que os gráficos amigáveis do Mr. Clippy [o boneco em forma de clipe no Microsoft Word] seriam um enorme sucesso (Horvitz, 2004), mas na verdade foi um dos maiores fracassos dos softwares em 2001 (PC Magazine, 2001). Quando perguntados por que produtos baseados em texto como os blogs e e-mail foram bem sucedidos enquanto produtos multimídia e amigáveis como o Mr. Clippy falharam, os principais expoentes teóricos dos SI se mantêm estranhamente silenciosos. A Microsoft ainda parece não estar ciente ser do problema (Pratley, 2004) de que o Mr. Clippy é socialmente indesejado (Whitworth, 2005).

  22. Continuando…

    Se serve de consolo, a máxima que diz “a prática floresce aonde a teoria enfraquece” tem uma longa história na computação. Mais de 25 anos atrás críticos proclamaram que o papel estava morto e que seria trocado pelo “escritório sem papel” eletrônico (Toffler, 1980), mas apesar disso hoje nós usamos mais papel do que nunca. James Martin previu que os geradores de programa tornariam os programadores obsoletos, e apesar disso a programação permanece como uma próspera indústria. Supôs-se que uma semana com só três dias de trabalho se tornaria real na “sociedade do ócio” no momento em que as máquinas realizassem todo o trabalho humano, mas os trabalhadores de hoje estão muito mais ocupados do que jamais estiveram (Golden and Figart, 2000). Supôs-se que o e-mail serveria apenas para tarefas de rotina, que a Internet entraria em colapso sem um controle central e que a Inteligência Artificial tomaria o lugar das pessoas, e por aí vai.

  23. olha, pessoal, se tudo o que é publicado em meio eletrônico fosse impresso, como nos idos anos de exclusividade impressa, perceberíamos que, hoje, utilizamos, proporcionalmente, pouco papel, pouquíssimo, de fato.
    se formos analisar a biblioteca pela sua função, com papel ou não, com átomos ou bits, ela perdurará.

  24. t’aí, patentiei: “informacessário”, “infoacessário”, novas denominações para um profissional da informação. em breve… nos melhores periódicos da área.

    de fato, essa questão do futuro do livro, da biblioteca, já há muito, instiga. estamos, há tempo, em pleno olho do furacão. como tão bem ilustra mr. weinberger, no seu, já clássico [sic], “everything is miscellaneous”, “a nova desordem digital” – por aqui, adentramos um novo paradigma, acima de tudo, um paradigma pós-moderno.

  25. Por falar em futuros de bibliotecas, pq não pensamos em serviços biblioteconômicos? Afinal, eles ainda são necessários. Senão, vejamos:

    Com as mudanças paradigmáticas influenciadas pelas novas tecnologias, a Classificação é um dos fazeres da Ciência da Informação que mais podem sofrer. Os aportes tecnológicos levam os processos técnicos para novos conceitos de catalogação. Nesse sentido, os recursos digitais (entre eles, os livros eletrônicos), estão mudando as características de se catalogar, indexar e classificar.

    1. A catalogação (ou representação descritiva): Desde as fichas catalográficas (ainda remanescente em alguns processos técnicos), passando pelo formato MARC com a AACR2 (desde a década de 60 e até hoje na informatização da catalogação e recuperação da informação), e chegando no RDA com o modelo FBRB, e na atualidade das novas linguagens de programação (XML, RDF), e formatos (Dublin Core);

    2. A Indexação, desde os tesauros do século XIX, também se reinventando nas ontologias para a Web Semântica e nas folksonomias para as tag clouds.

    3. Mas e a Classificação em códigos? Desde o Pinakes, passando pelas classificações decimais e de autorias, a classificação em códigos (CDD, Cutter, etc.) basicamente se preocupa com códigos para guarda e recuperação de livros nas estantes. Haverá uma possível reabilitação com o sistema Scorpions da OCLC e LC? Acredito que não. Códigos não são suficientes para se acompanhar o avanço do conhecimento simultaneamente à sua fragmentação. E, além do mais, livros eletrônicos não são guardados em estantes físicas!!

    Em diretórios hierárquicos, onde se representam domínios do conhecimento, a classificação é construída sem códigos. Um conceito ganha significação com a relação com os outros conceitos.

    Por falar em diretórios e folksonomias, faz-me pensar que, além, das classificações, os sistemas estruturados e ‘fixos’ das linguagens documentárias também podem estar perto do fim.

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