Você é bonito, gostoso e prático!

Por Sibele Fausto

Não, não é do Júlio Rei que estamos falando!

“Bonito, gostoso e prático” é o título de um artigo do Ruy Castro publicado na Folha de São Paulo de ontem, 16/09, em que o escritor comenta a Bienal do Livro, que está rolando no Rio. E aborda a velha questão se o livro impresso vai ou não desaparecer, em função das novas tecnologias.

O discurso do autor é claramente encomiástico ao formato papel. Mas afinal ele é suspeito, não? É um escritor…

Confiram!

Bonito, gostoso e prático

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO – Um dos temas mais momentosos da Bienal do Livro, em cartaz no Riocentro, é se o livro impresso, de papel, corre o risco de desaparecer, fulminado pelas novas tecnologias. Eu próprio, zanzando entre os stands no último domingo, fui perguntado várias vezes sobre isso.

Curiosamente, quem olhasse ao redor diria que a pergunta não fazia sentido e que a indústria do livro nunca esteve tão robusta neste país. Era um domingo de escandaloso azul, com as praias, os passeios e todas as formas de lazer grátis no Rio convidando o povo a estar em qualquer lugar, menos ali, num conjunto de pavilhões em Jacarepaguá, a mais de uma hora de Ipanema, e tendo de comprar ingresso para entrar.

Pois essa pergunta estava sendo feita em meio a montanhas de livros expostos e 125 mil pessoas, número de visitantes que, segundo a Bienal, compareceu no fim de semana. Gente que não pagou para ver malabaristas, engolidores de fogo ou artistas globais, mas romancistas, biógrafos, poetas ou autores de livros para crianças.

Respondi que, como formato, o livro é difícil de ser superado – porque já nasceu perfeito, e não é de hoje. E é bonito, gostoso e prático. É também portátil: pode ser levado na mão, na mochila ou na bolsa, e lido no sofá, na cama, no banheiro, na mesa do jantar, no bonde, no ônibus, no jardim, na praia, na banheira, onde você quiser. E também barato: quem não tiver dinheiro para comprar livros novos, encontrará farta escolha nos sebos e até na calçada da rua.

Um livro pode nos alimentar por uma semana, um mês ou o resto da vida. E, ao contrário do CD e do DVD, não precisa de uma máquina para tocar. Basta ser aberto para poder ser lido. Na verdade, o livro só precisa de nós.

Neste momento, mais do que nunca, talvez.

Fonte: Folha de S. Paulo, 16 de set. 2009. Caderno Opinião. Ruy Castro, p. A2.

Em tempo

: No mês passado, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, houve a sessão de autógrafos do lançamento do novo livro de Ruy Castro: “O Leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur”. Recomendo, para todos os apaixonados por leitura…
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7 pensamentos em “Você é bonito, gostoso e prático!”

  1. artigo meio reaça, claro, escrito por uma das partes interessadas… prático é o e-book! contudo, como nos lembrou o umberto eco-eco-eco, para fins de preservação, o papel ainda parece mais seguro. bonito? bem, só se for com fotos de mulheres… e gostoso… bem, gostasa é outra coisa…

  2. Pois é, Chris… Lembra do post sobre se a Wiki fosse impressa? Nada prático…

    Rafa, devemos sempre lembrar da grande lição do Tio Albert: tudo é relativo! 😉

  3. podi crê, ‘bele. let the music do the talk:

    “[ . . . ] Tudo é tão relativo, prá sempre foi tão relativo/ Pra sempres erá relatvo/
    Fale mais alto Albert Einstein/
    Quanto mais alto eu grito mais eu posso ouvir [ . . . ]”

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