Relato de visita à Bienal do Livro

Passar um dia na Bienal é total perda de tempo. Você irá se irritar facilmente com as milhares de crianças correndo e gritando nos corredores, não encontrará nenhum livro decente mais barato do que na livraria correspondente ao stand ou do que na internet, se sentirá rejeitado por não ser autorizado a participar das atividades elitistas que envolvem grandes escritores e celebridades e escritores-celebridades e terá de desembolsar uns R$5 pra comer um cachorro quente murcho, sem molho.

bienal

Mas ainda assim, eu gosto muito de livros e só acontece uma vez a cada dois anos, eu me permito perder algumas horas ali dentro.

Acho legal essa renovação do engajamento bombástico que o Crepúsculo (e afins) promove no público infanto-juvenil, assim como tivemos com Harry Potter (e afins) nos anos anteriores e tantas outras coisas que fazem a experiência da Bienal valer a pena

E eu estava muito ansioso em ver como ia funcionar a proposta da Estante Virtual.

O Estante Virtual todo mundo conhece. A proposta foi divulgada no blog deles:

Embalada pelo sucesso na 1ª Bienal de Curitiba, a Estante Virtual inovou mais uma vez. Montamos nosso stand na Bienal do Rio com uma estante gigante, simbolizando a materialização do site.

Fizemos uma coisa inédita na história da Bienal do Rio: na estante gigante, estão 2000 livros disponíveis para troca de 1 por 1, ou seja, você pode levar seu livro à bienal e trocar por outro livro em nosso stand. Esse acervo inicial, composto por ótimos livros, foi enviado de todas as partes do Brasil pelos livreiros do Portal.

* Para evitar congestionamentos, há uma limitação de 10 livros por pessoa.

Se você não está no Rio, acompanhe o stand ao vivo por este link!

http://www.livestream.com/estantevirtualnabienal

E, após a bienal, veja os vídeos que colocamos no youtube!

http://www.youtube.com/results?search_query=estante+virtual+bienal&search_type=&aq=f

Peguei 4 livros aqui e levei na mochila. Cheguei lá, troquei os 4 livros por uma vale-troca e esperei cerca de 1 hora na fila. Entravam grupos de 15 pessoas por vez, com permanência de cerca de 10 minutos lá dentro do stand. A maioria das pessoas levou o limite de 10 livros, foram espertas. Quando havia livros novos e bons disponíveis estes eram logo trocados. Tinha gente que já ia trocando entre si na própria fila antes de entrar no stand. As atendentes recebiam os livros e já de pronto faziam uma separação simples e os colocavam nas estantes. Como o tempo era curto, a seleção tinha que ser rápida. Então eu por exemplo, levei 4 livros, tive direito a escolher 4 livros de minha preferência, mas só teria 10 minutos pra fazer isso. Então tem que ter olho clínico e sorte, exatamente como nos sebos.

estante virtual

Os quatro livros que escolhi me agradaram, especialmente pelo fato de eu ter trocado por outro livros que já não me serviam, mas que poderão servir a outras pessoas. E um sentimento de como se eu tivesse ganhado ou comprado mais 4 livros novos.


Essa experiência é bastante interessante, a proposta final da Estante Virtual não é essa, claro, mas a iniciativa poderia ser incorporada por outras frentes. E claro também que não há nada de novidade aí: clubes de livros, feiras de trocas de livros são tão velhos quanto Gutenberg, mas algo nesses moldes poderia ser promovido pelas prefeituras, por entidades maiores, sistematizados, com calendários fixos, com promoção compatível com o valor da proposta e tudo mais.

Eu comentei com a minha irmã e ela foi bem ríspida, dizendo que “se tivesse uma coisa dessa numa praça pública (como na Praça XV ou na Sé) as pessoas não se interessariam. Só entram no clima porque está na Bienal e tal”. Pode ser verdade e é bom perceber o ponto de vista de um leitor comum. Mas daí seria um problema de estratégia, nada que com um planejamento sério pudesse ser bem feito e surtir efeito.

A internet é um grande alavancador dessas iniciativas, não só de troca de livros, mas especialmente de conectar pessoas em torno dos livros. Que é praticamente o mesmo que dizer que essa é a função primordial das bibliotecas.

Além disso, achei total excelente a relação de mídias sociais da organização da Bienal, que foi feita pela agência Fagga. Podiam ter feito bem melhor, eu acho, mas de modo geral, executaram um bom trabalho e serve de exemplos pra outras.

5 pensamentos em “Relato de visita à Bienal do Livro”

  1. Mês que vem tem a Bienal do Livro de Pernambuco. Não sei se vai ter algo parecido, mas a idéia é fantástica. Quem é bibliotecário leva vantagem pelo olho clínico, grande conhecimento das capas e lombadas, e capacidade de ler na vertical tanto pra cima quanto pra baixo.

    Fiquei curioso pra saber quais os títulos que tu pegou. Conseguiu completar tua coleção da Sabrina?

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