Computação em nuvem e os softwares de gerenciamento de Bibliotecas

Ontem ao acompanhar um seminário de cloud computing: “A Internet como plataforma” oferecido pela IBM percebi que existe espaço para um modelo novo de gerenciamento de softwares de Biblioteca usando cloud computing de uma forma que o software seria comercializado como serviço.

As perguntas que vem a cabeça: qual a diferença para o modelo antigo e o que é cloud computing?

Eu confesso que não consigo explicar toda a complexidade de cloud computing, mas esses links podem ajudar: Cloud Computing , Computação em nuvem.

O que muda em relação aos softwares é a forma com que nos relacionamos com ele. Atualmente, compramos o software de biblioteca através de uma licença de uso, que pode ou não ter uma periodicidade. Ou o uso de softwares livres ou gratuitos (existem muitas diferenças entre esses dois modelos). Porém para todos, é necessário que a biblioteca monte e mantenha uma infraestrutura para que seja instalado o software. Então, nas grandes instituições, ficamos refens da disponibilidade da TI e nas pequenas instituições está refens de softwares de pouca qualidade que rodem nos computadores limitados delas.

Software de Biblioteca na Nuvem: Escalabilidade e confiança

Por software de Biblioteca na nuvem entende-se este software como um serviço a ser prestado para as bibliotecas. Na núvem, se mantem toda a infraestrutura necessária do sofware e a Biblioteca então se torna usuária de um serviço web, em que pode gerenciar o catálogo por meio de um navegador web. O modelo de negócio aqui é o que deve ser discutido. Vejo como possibilidade de uma empresa vender acesso ao serviço já configurado, como uma assinatura, por exemplo. A Biblioteca economizaria muito em infra estrutura e pagamento de funcionários e teria como garantia um backup semanal ou diário, garantindo que não perderia nada caso não queira mais continuar neste serviço. O modelo só funcionaria em escala, isto é, quanto mais bibliotecas, menores serão os valores cobrados e permite a cobrança por uso, isto é, paga mais quem usa mais, tornando um modo justo de cobrança.

Eu acho que temos condições de montar uma empresa para oferecer esse serviço. O que vocês acham? Vi que já tem colegas interessados, vamos estudar essa possibilidade?

35 pensamentos em “Computação em nuvem e os softwares de gerenciamento de Bibliotecas”

  1. Existe um grande potencial para o uso do servidor em núvem para o desenvolvimento de serviços. Atualmente utilizo profissionalmente um servidor para implementação de blogs e serviços de informação.

    Mas acredito que o problema na Biblioteconomia é puramente cultural – não tecnológico. Os profissionais recêm formados tendem a rejeitar soluções emergentes que não possuam “referencial teórico”. Por isso para serviços tradicionais da Biblioteconomia (catálogo da biblioteca) é geralmente inviável – é preciso uma força política vindo de cima muito grande para a incorporação.

    A alternativa seria o uso de servidores em núvem (a ExtraLibris está hospedada atualmente em um servidor em núvem) para soluções que não entrem em conflito com a Biblioteconomia clássica. Ou seja, que não envolvam gestão de acervos.

  2. Uma solução para padronização de catálogos tão buscada, o foda é que há pouquíssima personalização das aplicações disponíveis. mas as vantagens de instalação, hospedagem, atualizações e manutenção do software compensaria algumas faltas.

    Como o Caruso falou, pode-se implementar o cloud para serviços menos sensíveis da biblioteca, como backup, armazenamento e acesso de dados bibliográficos e coleções.

    E por que não pensar em serviços em cloud sem precisamente ser para bibliotecas com um bom back office?

  3. Acho que isso de cultura é fácil de mudar, pois a computação cloud é muito mais rápida e interessante. Oferecendo um bom serviço de assistência, bota tudo o que há por aí no bolso. Acho perfeitamente possível, viável e com um amplo mercado. É impressionante o número de bibliotecas particulares e pequenas que usam softwares como o minibiblio e piores, que poderiam muito bem usar uma solução nas nuvens. Acredito totalmente no sucesso de uma iniciativa desse tipo, e quem chegar primeiro vai levar uma vantagem enorme. Se compararmos o que a cloud computing pode fazer com o que os atuais sistemas fazem, daremos gargalhadas. Eu sofro e muito com a lentidão do que uso no meu trabalho pois trabalho em joao pessoa e a base está em brasília…. se tivesse nas nuvens eu n sofreria. Quem apostar nisso vai se dar muito bem. E o bom é que as empresas já consolidadas Pergamum Sophia Siabi, pra citar algumas, n querem mudar seus modelos de negócios. Então quem entrar nisso irá navegar num oceano azul.

  4. Estive lendo sobre o assunto.

    Realmente seria uma revolução, em se tratando de sistemas de biblioteca.

    Acho que os melhores sistemas do Brasil, citados pelo Gustavo, ainda tem muito o que melhorar, principalmente quando se pensa em compartilhamento de conteúdo (nas diversas formas existentes na web2.0).

    Um sistema de biblioteca nas nuvens colocaria todos esses sistemas no bolso tranquilamente.

  5. sobre o modelo de negócios, basta que se mostre a diferença de custos entre ter uma infraestrutura de TI local e o leasing dessa infraestrutura em cloud. E vender o peixe, pegar algum doutor de CI para escrever sobre a viabilidade dos registros bibliográficos e OPACS em cloud e usá-lo como garoto propaganda (não apontem para mim…). SNBU tá aí esse ano pra isso. Vários potenciais compradores.

    Vocês não precisariam nem oferecer o produto (IaaS + SaaS / OPAC + TI), vocês poderiam apenas dar a consultoria, indicando qual é a melhor combinação de software e hardware. Até porque quando as empresas de hardware perceberem que o filão das grandes bibliotecas é altamente rentável, eles vão se aliar ou competir com os vendedores tradicionais de softwares de biblioteca. Os dois operando em cloud. A OCLC já faz isso com o WorldCat, em parceria com uma empresa de e-resources. A Library of Congress também, duraspace.org

    Em uma segunda etapa, que é a minha preocupação maior, o que vocês sabem que eles não sabem é programar os open source pra servir de OPAC. Eu investiria mais nesse nicho. Porque aí sim você consegue independência total de software + hardware. Nada de TI institucional envolvido. Porra, galera nos estados unidos usando SOPAC e WP a rodo. O site da NYPL agora é Drupal. E eu não conheço ninguém que manja mais de Drupal do que Tiago e Roos. Fabiano saca tudo de WordPress.

    Mas, dentro do meu ceticismo (evangelizado pelo Fabiano), quanto às bibliotecas propriamente, pelo menos as brasileiras que eu conheço bem, não vejo muita diferença entre um OPAC instalado em servidor local e outro instalado na nuvem, conquanto que os dados continuarão fechados, não rastreáveis por máquinas de busca, sem interoperabilidade, sem customização, sem personalização, sem crowdsourcing. Ou seja, obviamente isso não tem a ver com o cloud em si, mas com a cultura de oferecimento de serviços, como o Fabiano falou, e não vai ser cloud computing que vai mudar isso. Vão enxergar apenas como mais uma tendência tecnológica e perder outra grande oportunidade de oferecimento melhor de serviços. Pode ter certeza.

    Se a gestão dos acervos continua seguindo o mesmo modelo, não importa que hardware ou software estão usando para difundí-lo, não importa aonde os dados bibliográficos estão se ninguém consegue pegá-los, saca?

    Por outro lado Tiago, como eu falei, talvez você não precise reinventar a roda. Existem experiências antigas e muito interessantes que poderiam funcionar perfeitamente em uma biblioteca de médio porte, que esteja disposta a encarar de frente a ética de liberação dos dados e queira virar web based. Library Thing, Google Appliance, o próprio Flickr. Library Thing for Libraries cara, é amor.

    Você saca de drupal, de softwares de automação open source. Fabiano saca de servidores. Vocês conseguem bolar uma solução para bibliotecas em 30 minutos.

    Quando entrarem pra Camorra das bibliotecas e ficarem milhonários, me paguem um jantar.

  6. Eu discordo desse ceticismo de Moreno e Caruso. Acho que os bibliotecários vão querer entrar nessa logo. Quem fecha os dados não são os bibliotecários, são os sistemas de automação. Vejam bem, eu faço parte da rede pergamum(exemplo), eu compartilho meus dados apenas com quem faz parte dessa rede. Isso interessa a quem, a minha biblioteca? Não, interessa ao pergamum(exemplo). Se a gente apresenta algo bom e barato pros bibliotecários, ganhamos.

    Concordo com Moreno no resto. Inclusive no jantar.

    1. Mas se você é cliente do Pergamum (exemplo), e você paga pelo serviço, e você deseja que os dados sejam abertos, então por que você não solicita isso a eles? Ou simplesmente muda de empresa? A culpa é exatamente dos bibliotecários (clientes): as empresas que deveriam se adequar às exigências deles, e não o contrário.

      É um problema completamente distinto, mas a maioria dos bibliotecários não sabe o que fazer com a tecnologia que dispõem. Eu ouço a maior parte do tempo que “a culpa é do programa, do TI, etc”, enquanto que a grande causa dos problemas são os próprios bibliotecários, que por razões diversas não sabem aproveitar completamente o ferramental que possuem, por mais precário que seja.

      Ganhar o mercado vendendo o que é barato seria muito eficaz, mas mais eficaz seria fazer as pessoas entender que migrando para um modelo que privilegia a liberação dos dados bibliográficos na web, as suas coleções passariam a fazer muito mais sentido num contexto global, e não apenas local, fechado.

  7. O Bibliotecário pode reclamar dos problemas de TI, mas várias esferas de atuação tem problemas com TI em relação a adoção de modelos emergentes.

    O diferencial é que na formação e culturalmente o Bibliotecário não é lá o profissional mais bem preparado para diferenciar-se, pois sua formação ainda é completamente orientada para pesquisa científica (defendê-la com unhas e dentes). Basta dar uma conferida nos maiores eventos de Biblio no país e a cultura de apresentação de trabalhos acadêmicos.

    Caso algum bibliotecário, biblioteca, ou amigo da biblioteca precise de uma solução em Cloud para catalogação, basta dar um alô. O meu desejo por mudança era tanto que até de graça eu estava oferecendo.

    Mas o que enfrentei é um cetiscismo que os professores transferiam aos próprios estudantes: vai acreditar neste cara? ele nem mestrado e produção acadêmica tem…

    De qualquer forma estou a disposição para novas aventuras. Moreno, Thiago, Roosewelt, Gustavo, etc. E caso precisem de alguma empresa, também tenho uma criada prontinha para emitir notas fiscais.

    Apenas não encontrei profissionais dispostos a pagar por produtos e serviços que não venham com um Doutor no pacote.

  8. Acho que temos um caminho agora pela frente. Primeiro analisar os softwares existentes e ver quais se encaixam no modelo ( eu gosto do PMB e vi que o Koha está se encaminhando para o modelo SaaS – http://go-to-hellman.blogspot.com/2010/01/ptfs-to-acquire-liblime-and-move-to.html ). Depois criar um produto usável e bem customizado para bibliotecas. Depois estudar a logistica ( hospedagem ) e só ai começar a convencer os biblitecários que funciona.. hehehe..

  9. então, eu faço minha parte: vou escrever um artigo para a revista Ciência da Informação sobre cloud e esperar 7 meses para a resposta de rejeição, como aconteceu com o Gustavo 😀

  10. Não tem nada de academicismo. Se for bom e melhor do que o que se tem, então será o suficiente para ganhar espaço. Tô dizendo que eu boto o acervo da minha biblioteca lá, já é um início. Vamos deixar o ressentimento de lado e partir pra frente. O sucesso é garantido, tenho dito.

  11. A tecnologia emergente pode ser linda, Cloud Computing, Blogs, Wikis, um novo modelo para recuperação dos registros, etc.

    Mas entregar ferramentas para modelos de gestão, pensamento, técnicas defasadas, simplesmente não é para mim.

    Do que adianta implementar um sistema maneiro, interface bonita, se o fulano vai chegar com a AACR2 e a CDU e começar a perguntar sobre os campos adequados.

    O sonho mesmo é um sistema de catalogação central. Geral das bibliotecas de pequeno e médio porte param com esta coisa de processamento técnico e vão é criar novos serviços e todo o seu acervo pode ser processado por qualquer pessoa com segundo grau incompleto.

    Ou seja, a solução tecnológica tem que vir com uma solução de gestão, design e serviços no pacote.

    1. Olá pessoal,
      Legal este espaço e diálogos assim publicados..talvez Caruso vcs já tenham discutido mais acerca deste tema..mas irei arriscar meu palpite tb… assim como Gustavo tb faço parte da Rede Pergamum. Concordo com parte dos comentários mas acredito também que os bibliotecários são “reféns” digamos assim, do Marc21 , ainda necessário fazer cooperações e inserções mais rápidas. Em um dos encontros da Rede Pergamum já se falava dos Open Arquives…certamente será um tema interessante para discutir no SNBU com o Marcos (gerente da Rede Pergamum)

  12. Se quiser que o leão não te coma, primeiro tente dar carne (que não seja a sua) pra ele. Mas tentar convencê-lo a mudar de dieta…não vai acontecer, ou seja,uma coisa de cada vez.

  13. Acho que entendi o que o Caruso quis dizer: o meteoro, seria as tecnologias. O dinossauro seria o bibliotecário.
    Todos sabemos que muitos bibliotecários não procuram a atualização, e que oferecer um pouco mais de tecnologia para eles é perda de tempo… Mas não sei o que tem a ver com o resto da discussão… Talvez se eu tivesse lido de verdade saberia dizer melhor…
    😛

  14. E o bibliotecário (reacionário que só ele) tem medo que este “meteoro” venha a extinguir sua tão estável profissão.
    Porque usar tecnologia de ponta para armanezar/catalogar/indexar/blablatalar ,fazendo-os em menos tempo e mais velocidade, se eu posso fazer isso com as próprias mãos gastando mais tempo e conseguintemente mais dinheiro ? Ou meu favorito :
    Porque fazer do jeito fácil se eu posso o fazer do jeito difícil ?
    Hahahaha , um viva para a biblioteconomia no país. .
    No três todo mundo pigando o colírio alucinógeno .
    – Três! kkkkkk

  15. Acho que a CC (cloud computing) é uma ferramenta que pode auxiliar os bibliotecários com seus dados. Entretanto não confundam que suas profissões irão sumir: será apenas mais uma ferramenta para o auxilio da catalogação dos seus dados, infomações, etc. Quer entender o processo da CC? Imagine você utilizando o Outlook e após isto usando o GMail + GmailFS. Esta é uma mudança. (Não entendeu os termos? Google) Abraços e sucesso a todos!

  16. Queria acrescentar que esse modelo de negocio já existe em Portugal, para além de passar a responsabilidade da manutenção de hardware para o prestador de serviço é muito interessante a escalabilidade que permite, logo controle de custos.

    Gostaria de pedir a vossa opinião acerca do seguinte site e opac, contem varias bibliotecas publicas e escolares http://www.bibliotecasescolares.net

  17. Nossa, galera vocês foram demais. Posso estar falando besteira, mas acredito que um primeiro passo para se pensar nesse tipo de tecnologia é termos um padrão para os processos, pra daí conseguirmos avançar no sentido de termos uma nova ferramenta para o processo técnico. Eu acredito que há uma possibilidade de uma grande parte dos bibliotecários aderirem, se começarmos a difundir nas redes. Pra que se torne famoso é só ter fazer um marketing legal. Abraços!

  18. Já tem um software brasileiro rodando na nuvem, totalmente WEB 2.0 e com vários recursos de Biblioteca 2.0. Sei que saiu na frente na América Latina e talvez até no mundo. Não sei tudo, mas sei que tem padrão MARC e opção para planilha simplificada, Z39.50 e outras coisas mais que não me lembro. Também sei que têm representação em Portugual e Espanha.

  19. Análise do OPAC. Sistema de Busca. Biblioteca Nacional de España.
    o que pensam ?
    Que elementos são diferentes do opac da biblioteca da australia ?

  20. Um exemplo legalzinho de software editor Marc em ISIS cloud computing. Pena que não tem controle de autoridades
    www2.biblioshop.com.br/demo/
    Usuário: demo
    Senha: demo

    Concília

  21. Isso sim seria a REVOLUÇÃO! Apoio totalmente a idéia, concordo com o Gustavo, com algo pronto seria fácil de conseguir usuários. Faço parte da rede SOPHIA e assim como outros, sofro com a lentidão porque o servidor está em Brasília. Acho que realmente vcs seriam os CARAS pra construir algo do tipo, tem meu total apoio e até financeiramente eu investiria no projeto, se preciso fosse! Não desanimem, pois é realmente uma ótima idéia, tenho certeza.

  22. Olá empresário(a),

    Sou Marcos Gomes Diretor Comercial da Msoft Soluções Web uma empresa que nasceu para fazer a diferença na sua empresa trazendo soluções inovadoras e de alta qualidade em serviços de criação de sites em geral e outros serviços como Otimização de sites para aparecer na 1ª página do Google.

    Sua empresa deseja oferecer um serviço específico na web? Você tem uma grande ideia para colocar na internet? Nós fazemos virar realidade, sempre com muita confiança e agilidade.

    Foi pensando nisso que a MSOFT veio para suprir a necessidade de cada EMPRESA em apresentar, divulgar e ampliar seus negócios, aumentando seu potencial em VENDAS e maior competitividade no mercado.

    Entre em nosso site e solicite seu orçamento personalizado e inteiramente GRATUITO:

    http://www.msoft.com.br
    CNPJ 15.489.960/0001-34

    Att,

    Marcos Gomes
    Diretor Comercial
    (62) 3271-7791 | (62) 8564-4427

Deixe uma resposta