Algumas constatações sobre bibliotecas públicas e muitas dúvidas que surgem delas

Nesses dois últimos anos trabalhei em 2 bibliotecas públicas e visitei muitas outras. Neste período surgiram muito mais dúvidas do que respostas. Tentarei compartilhar minhas dúvidas com vocês, que podem estar com dúvidas parecidas.

Minha primeira constatação é que eu particularmente nunca vi as bibliotecas tão valorizadas como agora. Há diversas mobilizações para a melhoria das bibliotecas públicas, muitas passaram por reformas ou estão com projetos de modernização, algumas novas foram inauguradas e há um grande investimento nas bibliotecas por parte do governo federal e dos municípios.

Outra constatação é que as bibliotecas públicas não são mais a melhor opção para se fazer pesquisas escolares. Mas ainda grande parte dos recursos das bibliotecas estão mobilizadas para atender a esse público, que é cada vez menor. Com isso fica claro a necessidade de se estabelecer um novo conceito de biblioteca pública, que norteie a atuação da maioria dos profissionais que atuem nessa área. Sonho com um conceito trabalhado colaborativamente e com bibliotecários engajados, mas sei que a realidade atual não é bem essa.

Uma constatação minha é que muitos estão realizando atividades muito bacanas nas bibliotecas, mas elas são muito pouco divulgadas e os bibliotecários não se preocupam em escrever sobre suas experiências. Vi atividades de grande impacto sendo realizadas, mas como são pouco divulgadas, não serão reproduzidas por outros em outras partes e com isso, ficam limitadas a região que são realizadas.

E o contrário também é verdadeiro. Vi experiências pobres, com pouco conteúdo e pouco impacto serem muito divulgadas e copiadas.

Dessas constatações, surgem muitas dúvidas em relação a como melhorar as bibliotecas. Acho que esse é um bom início para uma troca de idéias, conforme a discussão começar a ocorrer, surgirão outros posts. Por isso, gostaria de saber um pouco da experiência de vocês. Abusem dos comentários.

6 pensamentos em “Algumas constatações sobre bibliotecas públicas e muitas dúvidas que surgem delas”

  1. O grande problemas dos órgãos públicos, nos quais estas bibliotecas estão inseridas, é a falta de comunicação interna o que ocasiona a falta de comunicação/ divulgação para o público geral. Pelo menos é assim q acontece na SMC em SP…

  2. Na minha cidade a Biblioteca Pública caminha na contra-mão do progresso, enquanto o Governo Federal oferece condições para modernização e atualização do acervo, por aqui a biblioteca mais parece uma bola de ping-pong entre as Secretarias da Cultura e a da Educação, assim tiram todas as possibilidades da Biblioteca melhorar a oferta de serviços à comunidade.Itapuranga – GO

  3. Concordo plenamente contigo Murakami, que temos que estabelecer um novo conceito de biblioteca pública, pelo próprio desenvolvimento da sociedade, das tecnologias e das práticas culturais.
    Nestes últimos tempos vi a “provocação” da FoxNews (http://www.myfoxchicago.com/dpp/news/special_report/library-taxes-closed-20100628) e a notícia de que a biblioteca da área de engenharias da Universidade de Stanford irá transferir o seu acervo físico para um acervo digital, “uma biblioteca sem livros”, entre tantas outras notícias pelo mundo afora.
    As coisas estão mudando, e o que a gente está fazendo com isso? Na faculdade, ainda não conseguimos sair do discurso “só vou trabalhar em um lugar x se pagar bem”, enquanto isso, o ideal realmente não existe…
    Mesmo os colegas que falam sobre trabalhar em biblioteca escolar e blábláblá, quando você vê estão prestando os concursos que mais pagam bem (bibliotecas universitárias e especializadas).
    Temos que pensar em projetos inovadores… e mais que isso, aplicar e divulgar!
    O problema é que conseguimos apenas ver os defeitos das práticas da biblioteconomia e não sugerimos nada para mudar…
    Quando começarmos a falar menos e agir mais, quem sabe as coisas não mudam…

    Aí fica realmente uma dúvida minha: o que aconteceria com o mundo se não mais existissem as bibliotecas?

    1. “A história mostra-nos que as civilizações
      que abandonam a demanda do conhecimento
      estão condenadas à desintegração”
      Bernard Lovell
      The Observer, ‘Sayings of the Week’,
      14 de Maio 1972

      creio que é uma resposta muito valida para o que aconteceria ao mundo sem bibliotecas…

  4. Trabalho em biblioteca pública a 1 ano e meio muitas coisas ainda me pergunto como mudar um conceito tão “entranhado” de que a biblioteca pública só existe para a pesquisa escolar, são poucos os munícipios que realmente apoiam este departamento, em grande maioria a biblioteca é utilizada como “castigo’ para o funcionário que não foi aceito em nenhum outro setor, sendo assim com funcionários insatisfeito , uma população que não vê a biblioteca como um local prazeroso, ainda levaremos muitos anos de luta e briga para transformar as nossas bibliotecas públicas em locais essenciais para vida de um município. MAs concluo o meu comentário com uma certeza eu jamais vou desistir de mudar esta realidade.

  5. A valorização não é tão recente, embora agora constatemos os efeitos na prática: o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), de 2005, já previa em seus quatro eixos temáticos – democratização do acesso, fomento à leitura, valorização da leitura e economia do livro – a participação das bibliotecas públicas para o desenvolvimento das ações. O governo federal tem desencadeado um programa poderoso de criação e de modernização de bibliotecas públicas em todo país. Infelizmente, a descentralização ao longo das esferas inviabiliza muitas das ações que esbarram em obstáculos políticos locais: Brasília envia equipamentos para telecentro, mas o município não providencia que a biblioteca sob sua responsabilidade tenha a infraestrutura predial adequada; livros são enviados, mas em certas bibliotecas municipais o processamento técnico não é realizado; bibliotecas são criadas, mas bibliotecários não são contratados pela administração local. Falta articulação e pensamento em rede, muitos sistemas estaduais de bibliotecas públicas no país, que poderiam prover certas demandas regionais, estão sucateados ou defasados em recursos humanos.

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