BiblioCamp

Murakami levantou a bola e eu chutei.

Dia 10 de dezembro, na Biblioteca Parque de Manguinhos, Rio de Janeiro, vai ser realizado o BiblioCamp, uma desconferência ad-hoc que nasceu do desejo de um grupo independente de bibliotecários de compartilhar e aprender em um ambiente aberto.

O BiblioCamp surge a partir da licença livre do BarCamp, uma rede internacional de conferências onde a organização e o conteúdo são oferecidos pelos próprios participantes. E aqui eu faço mea culpa porque fugi da idéia original do BarCamp, de ter o painel de apresentações elaborado no dia do evento, abrindo margem para que qualquer pessoa pudesse ser um apresentador. Por conta do limite de espaço onde será realizado, o evento só comporta 40 pessoas e por ser um projeto piloto sem saber se haveria adesão, optei por escolher a dedo alguns participantes-chave, mas ainda assim oferecendo a qualquer pessoa interessada em participar a possibilidade de submissão de propostas de apresentação, que seriam votadas pelos participantes.

A grade de apresentações será composta por cerca de 15 de apresentadores mais 25 ouvintes, todos ocupando o mesmo espaço.

Infelizmente (ou felizmente) a submissão de propostas foi alta e o número de participantes já atingiu o limite, então a única forma de participar presencialmente é entrar na lista de espera.

O BiblioCamp é um projeto completamente experimental, despretensioso. Eu quis promover algo que fosse uma mistura de TED, BarCamp, Ignite e SXSW Interactive. Pode ser um fracasso total, pode ser um sucesso.

A proposta é ter uma sequência de apresentações performáticas que não excedam 15 minutos. Performática e de curta duração porque a idéia é que as apresentações sejam filmadas e posteriormente veiculadas em sites como YouTube (exemplos de apresentações decentes em 3 minutos, 6 minutos, 8 minutos, 10 minutos, 12 minutos, 15 minutos). Então as idéias tem que ser boas o suficiente para serem apresentadas em speed talking porque é o tempo máximo que as pessoas estão dispostas a oferecer hoje em troca de um produto intelectual na web.

A discussão é um elemento importante, obviamente. Mas o que eu quero em um primeiro momento é garantir a visibilidade dessa cultura marginal/criativa/intelectual de biblioteconomia, bibliotecas e bibliotecários. As pessoas interessadas poderão recorrer aos diversos meios para ampliar a discussão durante e depois do evento.

Se a idéia der certo na prática, por que não levar o BiblioCamp para outras cidades? Acho perfeitamente viável que o BiblioCamp possa ser transferido para outros lugares, em outros momentos. A parte logística exige muito pouco.

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Se é possível criar eventos mais relevantes eu não sei. O que eu acho é que existe uma separação entre o difícil trabalho de mapear as pessoas que estão fazendo coisas interessantes e pensando coisas interessantes e colocá-las em um único lugar, e o trabalho secundário de estimular a atividade de criação e garantir que esse momento de criatividade entre pessoas com interesses e habilidades comuns possa se estender para além dos eventos propriamente.

A primeira parte é o que os congressos de qualquer área científico-profissional vêm fazendo há séculos. A segunda parte é o que os cientistas e profissionais devem fazer a partir da primeira etapa.

Se existe uma frustração, ela não está relacionada com à organização e dinâmica de eventos tradicionais da nossa área, mas talvez à ausência de uma incubadora de projetos que tenha como base a cultura criativa que emerge a partir desses eventos.

Essa incubadora está transvestida nas escolas de biblio, nas associações profissionais, nos movimentos sociais. Mas além das habilidades individuais dos bibliotecários e estudantes de estabelecerem contatos e proporem projetos a partir dos encontros em eventos, nada muito nos resta, além de continuar participando de eventos, apenas para descobrir que a felicidade e motivação para continuar comprando o sonho de uma biblioteconomia ideal acontece uma vez por ano (intercalando SNBUs, CBBDs, ENEBDs, ENANCIBs, IFLAs etc).

Então o desafio é continuar o trabalho de mapeamento de boas práticas, o compartilhamento de modelos que podem ser replicados dentro de contextos e realidades específicas e nutrir o potencial criativo que resulta em abordagens para a real aplicação.

É por isso que surge um “qual é o bibliotecário mais foda que você conhece?“, para evidenciar ao mesmo tempo o potencial criativo e a dificuldade de mapeamento desse potencial. Para mostrar que a maioria dessas pessoas está fora do circuito performático de palestras e apresentações em eventos, mas que são pessoas-chave para a área e manutenção do status profissional.

É por isso que surge um BiblioCamp, que não é para competir com conferências tradicionais (afinal, é uma desconferência), mas mais uma oportunidade de ter pessoas com idéias e trabalhos interessantes no mesmo lugar e torcer para que elas se conectem e se tornem capazes de criar coisas.

Lendo a biografia dos próprios participantes desse primeiro BiblioCamp dá pra perceber e identificar que poucas são as pessoas que realmente fizeram ou fazem coisas relacionadas ao campo de atuação profissional.

Então vamos criar coisas. Acho que o BiblioCamp serve pra isso, mesmo que espontâneamente, sem essa exigência.

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Quem quiser ir, não esqueça que a lotação está esgotada. Mas existe uma lista de espera e eu tentarei fazer o máximo para colocar o maior número de pessoas interessadas para dentro.

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O BiblioCamp é uma desconferência realizada por voluntários sem nenhum custo para os participantes. Graças a generosidade de parceiros e patrocinadores conseguimos manter o evento inteiramente grátis e melhorar a experiência da participação.

Patrocinar o BiblioCamp é uma ótima maneira de valorizar um ambiente de aprendizagem, promover a colaboração entre profissionais, bem como estabelecer contato com algumas das pessoas mais dedicadas e empreendedoras do mundo das bibliotecas.

Saiba como ser um parceiro ou patrocinar o BiblioCamp, aqui.

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