Google Scholar Metrics: Bibliometria para publicações

O Google em sua perna Acadêmico lançou esses dias uma busca em periódicos e artigos para encontrar o índice h de cada publicação, mas sob uma nova metodologia bibliométrica (ainda não entendi perfeitamente).

[Para entender a dinâmica clássica do fator de impacto do ISI e índice h de Hirsch, eu recomendo essa apresentação da Isabeli Bruno]

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O Google Scholar já oferecia a possibilidade da análise de citação simples, por meio de um perfil individual. Ver exemplo, Moreno Barros.

Ou bastando incluir o nome de um determinado autor ou titulo de artigo pra acompanhar as citações. Ver exemplo, Edson Nery, César Castro, Hagar Espanha Gomes, Aldo Barreto, Luis Milanesi ou o artigo Biblioteca 2.0, da Ursula Blattman.

A grande novidade é que agora é possível navegar pelo ranking das 100 maiores publicações em várias línguas [em português], ordenadas pelo seu índice h-5 e mediano-h (explicação abaixo). Dá também pra pesquisar nas publicações pelos descritores nos títulos, por exemplo biblioteconomia ou ciência da informação. Para ver quais artigos em um periódico foram os mais citados e quem os citou, cliquem sobre o número do índice-h.

O Google Scholar Metrics atualmente cobre (a maioria mas não todos) artigos publicados entre 2007 e 2011. Inclui artigos apenas de sites que seguem a política de inclusão do Google, assim como alguns outros artigos dispersos que permitem a indexação. Mais detalhes aqui.

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O índice-h (de Hirsch) é o maior número h considerando que um certo número h de artigos em um periódico foram citados pelo menos um certo número h de vezes. O índice-h5 (do Google) é o índice-h calculado usando apenas os artigos publicados nos últimos 5 anos completos recentes (2007-2011 nesse exemplo). Então 5 artigos publicados na Encontros Biblio entre 2007 e 2011 foram citados pelo menos 5 vezes. Logo, seu índice-h5 é 5.

O mediano-h5 é o número médio de citações dos artigos incluídos no índice-h5. Isto é, na Encontros Biblio, aqueles 5 artigos receberam uma média de 7 citações. Clicando no número na coluna do índice h-5, você pode ver quais artigos foram incluídos.

Atualmente as discussões sobre bibliometria são dominadas pelo fator de impacto de 2 anos do ISI, igual ao número médio de citações recebidas por artigo publicado em determinado periódico durante os dois anos anteriores completos.

A suposição é que o índice-h5 (5 anos, Google) é uma medida de fator de impacto bem melhor do que a de 2 anos (ISI). Hyndman explica algumas razões por que: 5 anos oferece melhor oportunidade de desempenho do artigo, independente da área; um único artigo citado diversas vezes não dominará o índice-h5, o que pode acontecer no fator de impacto de 2 anos do ISI; é mais difícil burlar o índice h-5 do que o fator de impacto da ISI (por exemplo, alguns periódicos forçam autores a citar em seus artigos originais outros artigos publicados nesta mesma revista, aumentando artificialmente o número de citações. Seria muito mais difícil elevar alguns números no ranking do índice-h5 utilizando essa prática.

Teoricamente, o índice-h5 do Google é simples, difícil de manipular e uma melhoria bibliométrica em relação ao fator de impacto do ISI.

Mas, se você clicar no link do índice-h5 de um determinado periódico, PBCIB por exemplo, dá pra ver que “Comunicação científica” do Kuramato et al foi citado 27 vezes. O problema é que PBCIB é uma fonte secundária, o artigo foi originalmente publicado na revista Encontros Bibli. Ou seja, dá pra inflar o h5 do Google simplesmente criando fontes secundárias. Ou a metria do Google tá abrindo margem para um ranking alternativo à analise de citações tradicional ou simplesmente não fizeram essa distinção entre tipos de fontes na sua política de adesão e ranking.

De cara, dá pra perceber que as publicações open access também tendem a se beneficiar. Eis lá PBCIB e Perspectivas, 66 e 98 no ranking respectivamente (ninguém poderia imaginar revistas de biblioteconomia e CI entre as 100 maiores publicações nacionais, convenhamos), e arXiv em 5º lugar na lista em língua inglesa. O problema é que, de novo, PBCIB e arXiv não são publicações primárias, tradicionalmente.

O arXiv talvez seja um caso ainda mais específico, porque ele funciona como o nosso E-LIS, são repositórios abertos, isto é, os autores podem optar por publicar lá coisas que não foram submetidas a revistas tradicionais ou até mesmo publicar antes do envio para avaliação, uma espécie de repositório pré-print.

No final, a lindeza da coisa é que você pode ter um ranking que inclui publicações “alternativas”, um repositório como o RABCI por exemplo, que não possui nenhum critério prévio para publicação. Mas uma vez publicado, esses documentos podem ser citados e considerados relevantes pela comunidade, garantindo assim status nesse índice. Não publicar, não perecer.

3 pensamentos em “Google Scholar Metrics: Bibliometria para publicações”

  1. Recomendo o tutorial do blog da biblioteca da FEA/USP:
    Como obter o índice h: Google Acadêmico –
    http://bibliotecafea.com/2012/03/08/como-obter-o-indice-h-google-academico/
    Também há tutoriais de como obter o índice h e o levantamento de citações para as bases de dados:
    ISI Web of Knowledge – http://bibliotecafea.com/2011/10/19/como-obter-o-indice-h-e-o-levantamento-de-citacoes-isi-web-of-knowledge/
    SciELO – http://bibliotecafea.com/2011/11/04/como-obter-o-indice-h-e-o-levantamento-de-citacoes-scielo/
    SCOPUS – http://bibliotecafea.com/2011/10/24/como-obter-o-indice-h-e-o-levantamento-de-citacoes-scopus/

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