Deixem que leiam. Esse é meu tipo

Não sou de fazer resenhas, mas recentemente li dois livros que eu acho que são de serventia para muitos bibliotecários.

O primeiro é “Deixem que leiam“, da bibliotecária francesa Geneviève Patte. O original é de 1978, mas a versão traduzida é atualíssima. Ela conta suas experiências com bibliotecas infantis e o processo de imersão infantil na leitura, comum à qualquer país do mundo acredito (ela trabalhou em diversas cidades além de Paris). A primeira linha do livro é “isto não é um manual”, mas quase serve como um.

Nunca trabalhei em biblioteca infantil, não tenho dúvidas que é o maior desafio, ainda mais se for em bairro periférico. No tempo da faculdade eu sempre passeava por uma biblioteca legitimamente infantil que existe em Niterói, Biblioteca Infantil Anísio Teixeira, mas era quase constrangedor estar naquele espaço que era inteiramente voltado pras crianças. Uma lindeza que só.

Foi inevitável confrontar o “Deixem que leiam” com dois outros livros categóricos sobre leitura na infância, o “Miséria da biblioteca escolar” do Waldeck e o capítulo do Freakonomics sobre ter livros em casa.

A senhora Geneviève já esteve no Brasil várias vezes, algumas pessoas devem ter conhecido pessoalmente.

O outro livro que eu recomendo, embora não seja um livro sobre biblioteca, é um livro sobre livros. Ou melhor, um livro sobre letras. Ou melhor, um livro sobre fontes. “Esse é meu tipo” de Simon Garfield, explica com detalhes as histórias dos desenhos das letras e fundição dos tipos. Pensem nos tipos móveis de Gutenberg e vocês vão entender melhor. Gutenberg usou nas bíblias uma fonte chamada Textura que se parecia com letras escritas à mão “em parte porque era o que as pessoas estavam acostumadas e em parte porque ele acreditava que essa seria a única maneira de seus livros alcançarem o mesmo preço de mercado daqueles que estavam substituindo”.

Uma vez, também nos tempos de faculdade, a turma fez uma visita à uma editora em Petrópolis (Vozes) e lá havia um exemplar, ainda em funcionamento, de uma prensa de tipos móveis 🙂

Tem uma passagem do livro que indica que tal tipógrafo é a pessoa mais lida do mundo, porque foi um dos criadores de uma das fontes que a gente mais usa na internet e que é distribuída em livros, jornais e revistas. Tipo de coisa que a gente nem se dá conta, mas é verdade.

Fica a explicação também do por que da antipatia com a Comic Sans (ei colega, não use comic sans nos seus ppts).

* os livros ainda não estão disponíveis para empréstimo nas redes do RJ e SP. Em breve doarei meus exemplares. Assim que estiverem livres eu atualizo aqui.

3 pensamentos em “Deixem que leiam. Esse é meu tipo”

  1. Oi Moreno!!
    Agradeço muitíssimo a dica do livro, vou correr atrás dele.
    Sou bibliotecária na periferia de Guarulhos e tenho certeza de que será útil.
    Um abraço!

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