Tipo uma Bibliotecária ou um Bibliotecário sem Fronteiras

Outro dia, me peguei pensando o que seria uma Bibliotecária ou um Bibliotecário Sem Fronteiras? e agora?

Folheando aqui, zapeando acolá, chego à conclusão de que não é categorizável: me parece que é um “tipo”. É um “tipo” que não segue os estereótipos comuns e massivos.

Típico, da mesma raiz de tipo, num dicionário de filosofia, não tem lá um significado muito rigoroso, mas envolve constantemente a referência ao que é comum e geral e que, justamente por isso, é considerado fundamental.

Fundamental! Eis uma boa tag, uma boa palavra-chave, se assim quisermos. Observando suas ações (este tipo não fica parado, estagnado, está em constante ação) é fundamental a curiosidade; é fundamental a criatividade. Isso se nos referirmos a criatividade sob um ponto de vista humanista, como produzir algo a partir do que se tem, achar uma solução positiva que não estava prevista segundo a lógica corrente.

Assim, ser Bibliotecário sem fronteiras pode significar uma estrada, pode ser um caminho, um meio para ampliar horizontes, conhecer e crescer. Parece mesmo fundamental! Um percurso que leve a uma forma mais refinada e autônoma de exercer a própria linha de ação. Caracteriza uma busca intensa por mais saber, e se traduz em mais “poder fazer”. Isso me lembra os bibliotecários de referencia.

Sempre me foi fundamental, e sempre fui fã, dos bibliotecários de referência. Este ser que me parece também um outro “tipo”. Tipo um oráculo; que sabe de um tudo e de todos.

De modo individual, é aquele que, depois de toda a formação técnica, tem na relação externa (espaço, pessoas, modos) a ação como inteligência de serviço. Sabe configurar e homologar a própria oferta à demanda, ou até mesmo, aguçar uma curiosidade, uma novidade que agrade o outro. Sabe vender o serviço. A biblioteca, os livros, a internet… é tudo relativo; primário é o serviço que presta àquele tipo de clientela (os usuários).

E como chegamos a tal nível de refinamento?

É necessário cuidar do próprio tempo e preparar o próprio espaço. Costumamos estar sempre fora de nós mesmos, na praça, na multidão, onde escutamos falar dos outros. Mas se nos voltamos para dentro, voltamos à única casa que temos, onde se pode compreender a própria realidade, conhecer ao próprio modo de conhecer o mundo e o que fazemos.

 Exige uma preparação, como a que para entender Dante Alighieri. Para compreender a Divina Comédia, segundo palavras de um sábio, são necessários conhecimentos prévios de história, teologia, filosofia, lingüística, entre outras. A Divina Comédia,  um grande livro, faz o ciclo do que é o homem.

Este homem, esta história do homem, é passível de ser lida, mas precede a leitura de si mesmo.

Em São Petersburgo, na famosa Avenida Névski.
Em São Petersburgo, na famosa Avenida Névski.

5 pensamentos em “Tipo uma Bibliotecária ou um Bibliotecário sem Fronteiras”

  1. Claudiane, ótimo texto! Resumiu muito bem o que deve ser um bibliotecário de referência (a parte mais interessante da bibliotemia 😀 )

    Também acho que não ter fronteiras é ir além das percepções classificadas da realidade, inclusive de si mesmo. É enxergar a si no outro e o outro em si. Só assim há verdadeiro respeito, verdadeira partilha e só assim conseguimos realmente compreender o que o outro quer ou precisa.

    E foi muito feliz a tua comparação com a divina comédia!! Esse livro é quase um guia do que se pode achar no interior de uma pessoa!

  2. Adorei né…
    Faço todo na biblioteca, tudo mesmo, aquela história de falta de recursos humanos procede demais em bibliotecas municipais, mas minha paixão é a referência, o téte-à-téte com o cliente, a troca de experiências, o chamar o leitor pelo nome, depois de tantas vezes o ver na biblioteca, o encontrar aquilo que ele tanto queria, é o prazer de ajudar e ver a satisfação de ter sido ajudado…

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