Quem frequenta biblioteca?

Se eu fosse dono de alguma loja que atendesse diretamente ao público, de roupas, carros, livros, qualquer coisa, eu despediria todos os meus vendedores forçadamente simpáticos e contrataria bibliotecárias(os) de referência. Nunca vi nenhum atendente melhor do que nós. Sério. E mais: fazemos isso sem levar comissão por empréstimo de livro.

É por isso que acho ridícula e criminosa essa substituição do “usuário” por “cliente” na literatura biblioteconomia. Vejo colegas mostrarem todos os dentes para dizer que tem clientes. Clientes? Onde já se viu uma biblioteca pública ou escolar ou universitária ter clientes? Tem usuários, alunos. Lembro que no inglês o termo usado para usuários em bibliotecas públicas (não sei dizer se somente nelas) é patron, que é cidadão e falso cognato de patrão no português. Já pensou se no lugar de cliente utilizássemos patrão? Já fazemos isso com nossos usuários. Tratamos como patrão, independente de cor, credo, time de futebol e conta bancária.

Os usuários não deixam nada na biblioteca além da satisfação de ser bem atendido. Por isso não são clientes.

Outros termos também são usados na literatura para quem usa bibliotecas, como leitor, que é clássico, consulente (na minha opinião má tradução).

Particularmente eu gosto de usuário. Mas gostaria de chamar de amigo. Amigo da biblioteca.

19 pensamentos em “Quem frequenta biblioteca?”

  1. Eu prefiro chamar os “usuários” de “clientes” ou qualquer outro nome, pois o único produto do mercado cujos clientes são chamados de “usuários” êh a ” droga”.

    1. Chamo de usuários por se tratar de um termo padronizado, mas meu chefe, que não é bibliotecário, concorda com você, Yara! Ele acha que usuário remete a usuário de droga! Mas, como não achamos outro termo para chamar o nosso “público”, continuamos com usuário! rsrs Frequentemente chamo de cliente também, pra dar a ideia de que temos que conquistar o nosso público e vender o nosso “produto”, assim como fazem as lojas comerciais! São várias as analogias que podemos fazer a partir do post do Gustavo, que por sinal, foi muito pertinente! rs

      1. Concordo com Gustavo, acho o termo usuário mais próximo da biblioteca. Cliente remete a lucros, e pra mim na relação do bibliotecário com o leitor não existe espaço para tratamento de negócios. Lembrando que o termo usuário, segundo houaiss, é “aquele que tem o direito de uso, mas não a propriedade”. Acredito que muito bem apropriado na biblioteconomia.

  2. Quando estagiei na biblioteca pública da minha cidade, todos os funcionários tinham mania de chamarem de leitor!!!
    Eu ficava louca da vida, sempre chamei de usuário.
    A biblioteca pública era bastante frequentada por analfabetos que iam buscar livros para seus filhos. E não só os analfabetos, mas muitas pessoas iam retirar livros para outras pessoas e que não necessariamente era lido por eles.

  3. Gostei muito do seu comentário. Sei q meu produto é a informação, o conhecimento, mas a diferença está no conceito, cliente é aquele q consome um produto a venda, e nós não vendemos nada, ao contrário, tudo está ali bem à mão, disponível ao “usuário/cidadão”, e isso não tem preço.
    Abraços

  4. Achei ridículo e criminoso foi o texto publicado pelo colega. É assustador como há, ainda, pessoas que ligam o termo cliente a questão de dar algo em troca de um bem ou serviço. Organizações sem finalidades lucrativas possuem ativos intangíveis e empenham-se em cumprir sua missão, qual o problema em adotar o termo cliente? Na falta de um construto científico claro e com embasamento empírico, qualquer “achismo” se torna um dogma.

    1. Amanda, também não vejo problema no uso do termo cliente. Há bibliotecários que investem tanto tempo no esforço para “criar conceitos” sobre isso ou aquilo, que se esquecem do mais essencial: atingir a missão da biblioteca.

  5. Olá pessoal!
    Nomenclaturas à parte, o que importa é atender bem o cliente/usuário/amigo, de forma a conquistá-lo e fazer com que ele utilize cada vez mais o produto (serviços que a biblioteca oferece) e ainda recomende a outros (marketing). é impressionante a força das palavras, mas o que faz a diferença é a qualidade nesse atendimento.
    Abraços a todos.

  6. Eu só Bibliotecário de uma Faculdade de Direito e gostaria de saber o termo usuário e utentes tem uma relação?

  7. A palavra patron é usada significando “cliente”. Para ser mais específico, esta palavra significa “cliente” quando usada no plural – patrons. É comum os bibliotecários americanos utilizarem tal nomenclatura para seus usuários (vide este texto http://edition.cnn.com/2014/04/14/travel/irpt-library-fascination-travel/index.html). Não é por questão de “copiar tudo o que vem de fora”, mas as bibliotecas brasileiras deveriam seguir o mesmo, e passar a usar a nomenclatura “clientes”.
    Como disse a colega acima, não é só porque o cliente não está pagando da forma convencional pelo serviço prestado, que não mereça ser chamado de cliente. Tudo o que é feito em uma biblioteca, envolve custos (veja a obra de Lancaster “Avaliação e serviços de bibliotecas”).
    Não é somente eu que digo isto, mas uma literatura respeitável de pesquisadores nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação que consideram importante utilizar uma nova abordagem para as pessoas que usufruem dos produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas.

  8. Não vejo qualquer problema em incutir a ideia de cliente naqueles que frequentam a biblioteca.
    A aproximação da Administração e da ideia de monetizar a biblioteca e seu produto, mesmo que seja em seu vocabulário remete a evolução, mesmo que somente em seu jargão, da saída do mercantilismo e do início do pensamento da informação como bem de consumo.

    Querendo ou não, a informação relevante já é monetizada e, portanto, faz a flexão da prática neste sentido.

    Negar ou refutar isto é possível, claro. Mas vejo como inocência e como um comportamento monolítico.

    A adaptação da biblioteca é algo iminente. Quer queira aceitar isto ou não.

  9. Cliente êh todo aquele ao qual se presta um serviço, seja ele pago ou não. Não compreendo porque tamanho horror a tal denominação que na minha opinião e muito menos jocosa que “usuário” que remete ao “cliente” de drogas. Desapega!

  10. Como eu também venho de uma outra área (nutrição) lá independente do serviço prestado pela UAN (Unidade de alimentação e Nutrição) nós tratávamos as pessoas que compravam/utilizavam nossos serviços de consulentes dá mesma forma como o autor desse texto critica por ser uma tradução equivocada, mas acho que o valor desse termo (consulente) deve ser mais explorada na área, diferente por exemplo de cliente, afinal no caso da biblioteca pública e universitária o serviço disponibilizado é essencial e o fato de utilizarmos o termo “cliente” remete a tratar o usuário como duas vezes pagante (de seus impostos e quiçá em um futuro não muito distante tenhamos que pagar mais uma vez para manter tais serviços ou pagar uma mensalidade para usá-los), dessa forma o termo cliente na literatura da área para mim é um começo que poderá nos levar a um caminho difícil de voltar, se queremos renovar o termo usuário deveríamos na minha humilde opinião de graduando em biblioteconomia e técnico em nutrição utilizar o termo consulente (pra mim lembra um pouco consulta, não acham?) e evitar que as pessoas tenham que pagar 2 vezes por um serviço essencial que lhes é devido desde há muito no país.

    “Nem só de pão viverá o consulente”

  11. Na Biblioteca de São Paulo já tivemos esse tipo de discussão, nosso público se incomodava por ser chamado de usuário, analisamos em conjunto com os atendentes as opções já mencionadas nas respostas acima, e acabamos escolhendo “sócio” deu super certo, não tivemos mais problemas com nomenclaturas.

  12. Gostei do “sócio”! Mas sempre pensei que “usuário” é fosse adequado, pena que a cultura e o preconceito se sobrepõem ao uso da língua. São “usuários” de metrô, são “usuários” de transporte público, são “usuários” de plano de saúde…Mas ok. Cliente é que não cabe! Pra mim, isso surgiu no bojo de certas metodologias tiradas de montadora japonesa, como se fosse tudo reduzido a regra da bela instituição capitalista… e aplicada aos serviços diversos…que também acho chatinho. Vou me acostumar com “sócio”. Muito bom!

  13. No meu ambiente algumas pessoas querem recolocar essa questão de nomenclatura “usuário/leitor”. Que eu acho supérflua, por enquanto achamos adequado usuários, mas alguns associam o termo a quem consome drogas, uma visão bastante estreita, né? Um ou outro quer leitor, que é simpático mas passa a ideia de que todos que procuram a biblioteca são leitores, usuários do acervo. Nem sempre. Podem estar procurando outros serviços. A condição de que sejam leitores é serem frequentadores associados.Mas não gosto porém de sócio. tanto sócio quanto cliente dão ideia de uma relação comercial. Mas não é uma questão crucial. É um jargão profissional. Até que surja outro melhor.

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