USP, greve e bibliotecários

Neste momento preciso de minha vida profissional, sou uma bibliotecária em greve. Não é a primeira vez – na verdade deve ser a trigésima primeira greve da minha carreira – e duvido muito que seja a última.

Quem nunca fez greve na vida e morre de curiosidade para saber como é a coisa, ou simplesmente tem interesse acadêmico específico nos mecanismos que regem as greves na Universidade de São Paulo, pode encontrar informações acuradas dignas da bibliotecária que sou no meu blog,  Dia de Greve, Dia de Trabalho. Comecei esse blog na greve de 2010 da USP e não parei mais.  Mas não escrevo apenas sobre greve, até porque nossas greves, afortunadamente, não duram tanto assim.

Neste momento as três universidades estaduais paulistas estão em greve, basicamente por reajuste salarial,  mas não só por isso. Nunca é só por isso, mas geralmente é assim que começa: funcionários e professores reivindicam X de reajuste, recebem metade de X ou não recebem nada, como aconteceu conosco desta vez. Reajuste zero. Tudo sobe, o plano de saúde, a escola das crianças, o aluguel, a prestação da casa etc. Mas o salário permanece igual.

De acordo com o Conselho dos Reitores das Universidades Paulistas, que chamamos pela simpática sigla CRUESP, o reajuste não é possível porque não há dinheiro. A principal culpada pela dureza acadêmica é a assim chamada crise financeira da USP, cuja folha de pagamento estaria consumindo 105 por cento de sua receita. Portanto, a USP estaria  vivendo de suas reservas que, obviamente, teriam data certa para acabar: depois que acabar a água da represa da Cantareira, destruída pela sinistra incompetência do governo paulista, o mesmo que escolhe os reitores das universidades. A água dizem que vai acabar em agosto, as reservas da USP ainda duram mais um pouco.

A Folha de São Paulo, mais do que depressa, já vem com a eterna solução: cobrar mensalidades dos alunos, acabando de vez com qualquer chance de um jovem de família pobre entrar na preciosa Universidade de São Paulo, para todo sempre destinada a ser propriedade da elite.

A Folha, assim como uma assombrosa quantidade de seres humanos e veículos de comunicação, apresenta como verdade inquestionável a sangria de 105 por cento que ocorre segundo quem? Ora, segundo a Reitoria da mesma instituição na qual se dizia, até o ano passado, que “a USP tem dinheiro sobrando”, “dinheiro não é problema” e até mesmo “vocês precisam gastar mais dinheiro”, uma instituição cujo discurso dominante fazia o funcionário que não “gastava dinheiro” sentir-se incompetente, porque se as coisas não iam bem, certamente não era por falta de verba. O atual reitor culpa a gestão anterior que, de fato, não primava pela sobriedade, mas não podemos esquecer que é a mesma universidade. As pessoas que a dirigiam antes não morreram todas de repente e foram substituídas por alienígenas criados em vagens gigantes, certo?

Então, como saber se realmente a folha de pagamento está consumindo 105 por cento da verba e se a USP está à beira da catástrofe? Simplesmente não dá para saber, porque não temos acesso às contas da Universidade. E se não temos como contestar, também não vejo motivos para acreditarmos piamente.

Neste vídeo de um debate com representantes da Associação dos Docentes da USP sobre os números divulgados pela Reitoria, os professores Otaviano Helene e Ciro Teixeira Correia questionam as vozes oriundas do Olimpo com informações que jamais aparecem na grande imprensa. O vídeo é longo e não está editado, por isso vou destacar alguns trechos. De acordo com esses docentes rebeldes:

  •  tivemos perdas reais de poder aquisitivo de 7 por cento, contando apenas os efeitos da inflação (03:05);
  • os números do crescimento do ICMS não indicam a catástrofe financeira que está sendo anunciada (05:36);
  • O gráfico distribuído pela Reitoria que mostra a diminuição das reservas da USP contém um erro que faz a situação parecer pior do que é de fato (11:28).
  • se os gastos excessivos da gestão anterior forem contidos, a situação financeira da USP estará equilibrada em um ou dois anos, sem necessidade de arrochar salários (12:55).
  • o impacto do reajuste salarial sobre as contas da USP não é tão grande quanto dizem (13:50).
  • na proposta orçamentária para 2014 aprovada pelo Conselho Universitário da USP já estava previsto o reajuste dos professores e funcionários (23:17).
  • dados da reitoria sobre a “queima orçamentária” não consideram rendimentos de aplicação das reservas e nem as receitas próprias da Universidade (28:50).
  • despesas com obras em andamento – que ninguém sabe o que são e porque foram feitas – e “restos a pagar de 2013” presentes na previsão orçamentária para 2014 equivalem a quase duas folhas de pagamento (30:54).
  • O comprometimento da verba com a folha de pagamento não é o que está sendo dito (36:00).
  • Contribuição previdenciária é o que pode estar aumentando o comprometimento da verba, e não os reajustes salariais, mas os dados sobre isso não estão abertos para a comunidade (38:15).
  • O governo não repassa todos os recursos que são arrecadados com fonte ICMS: os juros de refinanciamento de pagamentos atrasados, por exemplo, não entram na conta; para as prefeituras o repasse é feito, mas não para as universidades (45:30).

Muito do que se diz nos meios de comunicação sobre a USP é engolido com facilidade pela população, graças à fama de elitista e arrogante que a instituição carrega, fama até certo ponto justificada. Em todas as nossas greves, quando somos invariavelmente atacados pelo discurso contrário à universidade pública que domina a imprensa, discutimos a necessidade de ações que mostrem para a população a real importância da Universidade e do conhecimento que ela produz. Mas isso nunca acontece. Parece que a questão só interessa à parcela da população uspiana que faz greve, e essa turma não manda nada. E os poucos que passam eventualmente a mandar, mudam rapidamente suas prioridades.

Bibliotecários poderiam ter um papel importante nessa briga, considerando nossa habilidade para buscar, analisar e transmitir informações, além do fato de ocuparmos posição privilegiada entre o universo do trabalhador “peão” e o mundo dos pesquisadores. Somos funcionários, vivemos com os pés no mundo real, sabemos o que é uma licitação e porque demora tanto para comprar um livro ou consertar uma janela, mas também circulamos com tranquilidade no espaço onde se produz o conhecimento acadêmico, sabemos de onde sai uma tese e temos um papel claro bem claro nesse processo. Além disso, somos muitos: cerca de 400, se não estou enganada.

Mas também não mandamos nada. Vivemos condicionados pela “mecânica de obediência vertical ao poder central”, expressão usada pelo professor Andrian Pablo Funjul na Folha de São Paulo que explica maravilhosamente as relações de poder na USP. Temos nossas chefias de biblioteca, que só não decidem tudo sozinhas se não quiserem, porque nada as impede, e o Departamento Técnico do Sistema de Bibliotecas, cujas prioridades podem ser decididas pela vontade de quem o chefia, sem que exista nenhum mecanismo institucional eficiente para evitar isso.

Bibliotecários não costumam atuar politicamente enquanto categoria dentro da USP, a não ser em questões bastante pontuais, como o movimento que fizemos há alguns anos para barrar a imposição de um software para o Banco de Dados Bibliográficos da USP.

Muitas bibliotecas da USP estão fechadas por causa da greve. Não dá para saber quantos bibliotecários estão em greve, porque algumas bibliotecas fecham porque os técnicos entram em greve. Tenho visto muitos bibliotecários participando das atividades de greve, mas ainda são poucos em relação à quantidade de bibliotecas que está fechada. Dizem alguns colegas que muitos estão trabalhando atrás das portas fechadas de suas bibliotecas e outros, provavelmente, foram para suas casas. É uma pena, porque um momento de greve seria uma excelente oportunidade para nos encontrarmos, discutirmos nossos problemas específicos e encontrar uma forma de atuarmos politicamente na Universidade. E fazer nossa voz ser ouvida, para variar um pouco. Mas, lamentavelmente, nem temos uma liderança capaz de articular o pessoal.

Mas esta greve ainda não terminou. Nem a USP. Nem as bibliotecas. Ainda temos algum tempo.

31 pensamentos em “USP, greve e bibliotecários”

    1. Não que eu saiba, Alberto. De qualquer forma, tivemos perdas. E se não tivermos reajuste neste ano e não brigarmos, a tendência é que no próximo ano o arrocho continue. O poder aquisitivo despenca, bons funcionários e professores vão embora, não se consegue contratar gente boa. É assim que funciona.

    2. Porque os funcionários da USP sofreram arrocho salarial por vinte anos e só agora teve uma recomposição nos seus salários. Números são ótimos, mas deve-se ter um certo cuidado e não muita pressa ao analisá-los.

    1. Sim, Ricardo. Claro que a falta de reajuste é uma motivação forte, mas o que precisamos discutir seriamente é, além da questão do repasse das verbas, é a democratização da Universidade. Enquanto as decisões forem tomadas por tão poucos, sem transparência alguma, as crises não vão ter fim.

  1. Engraçado a relação que o texto parece fazer entre “greve” e “atuação política”. Greve, na melhor da hipóteses, é um instrumento de chantagem política – geralmente para benefício de poucos e em detrimentos de muitos. Toda “luta social” através de greves é uma farsa, porque greve é o cúmulo do comportamento antissocial. Não se trata de o patrão estar descumprindo a sua parte do contrato de trabalho, mas de uma ideologia revolucionária que não serve para mais nada além de fomentar a discórdia, a rebeldia e corromper o tecido social. O maior problema da USP é a hegemonia do marxismo, isso sim!

    1. Catuí Côrte-Real Suarez: falou e disse! Parabéns pelo comentário e pela coragem de dizer isso!

  2. Seu comentário é a melhor peça de humor que já li em muitos anos. Vou ler nas nossas reuniões para divertir o pessoal. Marxistas também precisam dar risada de vez em quando!

    1. Muitos, obviamente! Quem está desempregado precisa de emprego e, provavelmente, preferiria ter um salário sem reajuste a não ter salário algum. Quem não sabe disso? Mas não podemos esquecer o quanto de conformismo e submissão carregam essas comparações entre empregados insatisfeitos e desempregados. Profissionais e cidadãos conscientes não baixam a cabeça porque existe gente em situação pior. Na verdade, se hoje até muita gente empregada gostaria de estar no meu lugar é porque eu e muitos outros brigamos a vida toda para termos bons salários na USP. Arriscamos nossa pele enfrentando tropa de choque pela autonomia universitária, implantação de carreira, aumento de verbas para as universidades. Pessoas perderam seus empregos ou comprometeram suas carreiras para que hoje bibliotecários disputem vagas em concursos da USP. Espero que a USP volte a contratar e que esses desempregados todos venham trabalhar conosco, mas dispostos a lutar de cabeça erguida pela Universidade.

  3. Uma pena o desrespeito a opinião do colega Catui. Seria mais apropriado o blog se chamar Bibliotecários com Fronteiras Bem Demarcadas, pois quem não tiver ideologia política idêntica igual a dos redatores êh ridicularizado e desrespeitado gratuitamente. Lamentável. Estou me desligando deste site . Medíocre e nada profissional.

  4. Oi Yara, tudo bem?

    Queria dizer que a troca de idéias e um pouco de humor com respostas jocosas não é desrespeito. O Catui poderia ter respondido na mesma altura discordando da Marina.

    Eu não sou marxista e sou favorável às greves.

    Já sofri em uma empresa cujos donos estavam enriquecendo à vista de todos (os três diretores e seus assessores todos trocaram seus carrinhos por carrões) e a mão-de-obra estava há 2 anos sem aumento algum, e a saída para dividirmos os lucros, fruto do trabalho de todos, foi entrarmos em greve.
    Após a greve, passamos a ganhar quando a empresa ganhava, pois além da reposição da inflação (em pleno governo Sarney… lembra?) conseguimos participação nos lucros.
    Nada mais justo justas greves, não?

    Enfim, não podemos deixar de discutir, portanto, espero novos argumentos.

    Abraços!

  5. Sou aluno da USP e posso dizer que essa greve possui apenas motivos políticos por estarmos em ano de eleição. Enquanto as universidades publicas continuarem reféns desses pequenos partidos de extrema esquerda será assim.

    1. Uma boa parcela dos alunos da USP, formada principalmente pela vanguarda do pensamento crítico estudantil, já entendeu a dimensão da crise que afeta a Universidade e a importância da mobilização atual para enfrentar essa crise. Outros vão continuar procurando explicações mais confortáveis e simplezinhas para a greve. As coisas são assim.

  6. Simples assim, você deveria ir para iniciativa privada ou, que tal a prefeitura da cidade de São Manoel, o salário inicial la é de $1.336,45, leu certo, um mil trezentos e trinta e seis reais e quarenta e cinco centavos, já o salário inicial de bibliotecária na USP em 2013 era de:
    $6.336,11, leu certo, seis mil trezentos trinta e seis reais e onze centavos, fora os benefícios, por exemplo o vale refeição é de $29,00 vinte nove reais por dia, mais ajuda alimentação que é quase isso ou mais que isso. (fonte site Infohome).
    Cara colega imagina quantas bibliotecárias desempregadas gostaria de estar no seu lugar…ah!!! tenha dó!!!!

    1. Cara Marta, é simples assim: não aceito salários aviltantes nem aviltar meu salário. Eu luto sempre, por mim e pela Universidade. Ficar quieta porque existem profissionais em situação pior? É esse tipo de pensamento conformista que mantém os salários baixos, sustenta a exploração do trabalhador e desvaloriza a profissão. Mas não se preocupe. Nenhum bibliotecário que tenha condições de estar no meu lugar e fazer o que eu faço está desempregado. Eu, pelo menos, não conheço nenhum!

      1. Marina,

        Por que você não expõe os seus rendimentos aviltantes….

        Salário base Superior 1: R$ 6.336,11 (para iniciantes) +
        06 Quinquênios: R$ 1.900,33 +
        01 Sexta Parte: R$ 1.056,18 +
        Vale Alimentação: R$ 690,00 +
        Vale Refeição: R$ 29,00 por dia trabalhado

        Total: R$ 9.982,62 (sem contar o vale refeição)

        Isso sem mencionar que o seu salário pode ser muito maior se você for nível Superior 2 ou Superior 3. Como a promoção das carreiras na USP leva em consideração o “compadrio companheirista”, suponho que você deve ser no mínimo S2, cujo salário base é
        R$ 7.369,57 (S2) e R$ 8.531,20 (S3).

        Vamos conversar com o pessoal aqui do site para fazer uma vaquinha e ajudar você a recompor seus rendimentos de bibliotecária explorada.

  7. Cara Marina, pelos seus dados no Linkedin, você está na USP há 31 anos e o seu texto diz que esta é a 31ª greve da qual participa. Isso significa que há 3 décadas que as bibliotecas da USP deixam os usuários na mão pelo menos uma vez por ano?!? Greve é um direito e um recurso para melhorias na profissão, mas não deve ser feita indiscriminadamente.

    Quanto ao salario, pesquisando na internet ou conversando com pessoas que já moraram em países como EUA e Inglaterra, você verá que o salario INICIAL de 6.000 da USP é condizente até mesmo com a remuneração de bibliotecários em países desenvolvidos.

    Quanto a decisão de alguns de deixar de frequentar o site, acho um pouco radical e precipitado. Mas os responsáveis pela página deviam tomar mais cuidado com o que é publicado, pois o site sempre me pareceu mais voltado para discutir questões sobre os serviços bibliotecários e não para questões sindicais e individuais como foi o texto da Marina Macambyra.

    1. Joaquim, o fato de eu ter participado de 31 greves não quer dizer que todas as bibliotecas da USP fecharam em todas essas greves, OK? Não sou a única bibliotecária da USP. E creia-me, os usuários são deixados na mão por outros motivos com muito mais frequência do que por greves. Quanto ao salário ser bom ou não, se não for reajustado vai pro vinagre rapidinho. E se vc acha que meu texto é sobre questões sindicais, sugiro nova leitura.

  8. A cada 5 anos na USP é incorporado no salário um quinquênio
    Pelo suposto Marina vc soma 6 quinquênios, incorporados ao salários e muito outros benefícios.
    Nem um executivo ganha esse salário.
    Toda vez que o sindicato(leia-se PSOL, PSTU , CUT e outros assemelhados) juntos com os alunos e funcionários entram em greve na USP e quebram a reitoria, o reitor sede e eles conseguem mais e mais benefícios.
    Até quando???

    1. Marina,

      Por que você não expõe os seus rendimentos aviltantes….

      Salário base Superior 1: R$ 6.336,11 (para iniciantes) +
      06 Quinquênios: R$ 1.900,33 +
      01 Sexta Parte: R$ 1.056,18 +
      Vale Alimentação: R$ 690,00 +
      Vale Refeição: R$ 29,00 por dia trabalhado

      Total: R$ 9.982,62 (sem contar o vale refeição)

      Isso sem mencionar que o seu salário pode ser muito maior se você for nível Superior 2 ou Superior 3. Como a promoção das carreiras na USP leva em consideração o “compadrio companheirista”, suponho que você deve ser no mínimo S2, cujo salário base é R$ 7.369,57 (S2).

      Vamos conversar com o pessoal aqui do site para fazer uma vaquinha e ajudar você a recompor seus rendimentos de bibliotecária explorada.

      1. Que tal praticar um pouco de interpretação de texto? Eu disse que não aceito salário aviltante. Logo, é óbvio que não recebo um salário aviltante, certo? E não se preocupem, eu ganho bem mais do que vocês imaginam, mas nem por isso vou me tornar uma pessoa passiva e conformada, até porque não brigo só por mim.

    2. Bem, talvez eu seja melhor do que muitos executivos. Nosso sindicato não tem nada a ver com o PSOL nem com o PSTU, e é filiado à Conlutas, não à CUT. E greve é assim mesmo: se a categoria é organizada e consegue fazer uma greve forte, o patrão tem que ceder. É assim que funciona. Formação política aí, pessoal …

  9. Concordo com o José Dias, vamos passar a sacolinha para arrecadar dinheiro e ajudar a bibliotecária explorada, Coitadinha!!!

  10. Fico triste ao ler os comentários, vejo que muitos aqui estão perdendo tempo para questionar a Marina (ah, só para lembrar, também trabalho na USP) ao invés de utilizar este esforço na melhoria da classe como um todo. Vim de biblioteca pública e convivi com uma estrutura muito precária de trabalho, que de certa forma foi criada pela apatia profissional que foi aceitando desmandos da gestão.

  11. É estarrecedor como grande parte daqueles que se dizem “de esquerda” só pensam em si mesmos.
    Estou na USP (graças a DEUS me formo esse ano e minha faculdade não aderiu à greve) há 5 anos e TODO ano tem greve. Sempre sabemos que haverá em algum momento.
    De certa forma apoio essa greve pois acho coerente que haja mais transparência na administração da Universidade, já que é mantida com os impostos que TODOS nós pagamos.
    Não considero de forma algumas os salários dos funcionários ruins. Faço uma graduação bem difícil na USP e não há tanta perspectiva de salário tão bom quanto os deles…
    Muitas vezes na biblioteca da minha faculdade, não consegui estudar porque os funcionários falam alto e preciso me deslocar pra biblio da FFLCH onde há mais silêncio.
    Não respeitam alunos que estão ali pra estudar.
    Concordo que a greve é um direito de todos, e é prevista, inclusive pela nossa Constituição.
    Tantos funcionários do setor privado recebem reajuste abaixo da inflação!
    Acho que ninguém entendeu a “esquerda” melhor que George Orwell em “A Revolução dos Bichos”…
    Todos criticam o poder, mas o que fariam se lá estivessem??
    Nós sabemos a resposta…

  12. E não é engraçado como aqueles que são de direita, mas não dizem, acham que todo mundo deve pensar neles? Karin, as greves acontecem quando a reivindicação da categoria não é atendida. No nosso caso, estamos em greve porque não tivemos reajuste algum, entre outras coisas. Mesmo quem ganha bem precisa de reajuste salarial, e na USP é assim: sem briga, sem reajuste. Só temos os atuais níveis salariais porque brigamos pela autonomia universitária, depois brigamos pela implantação da nossa carreira, voltamos a brigar quando tentaram atacar a autonomia. Todos os funcionários da USP são ótimos? Claro que não. O sujeito que é incompetente ou safado não vai melhorar se aumentarem o salário dele, isso é um outro problema. Mas já vi funcionários medíocres melhorarem quando passam a ganhar mais, porque começam a investir na sua formação. E salários razoáveis atraem gente mais qualificada, pessoas ótimas entraram nos últimos concursos. E não se esqueça de que os alunos podem e devem brigar para serem bem atendidos. Funciona.

  13. Pois é…
    Não sou de direita, não. Você só disse isso porque não me conhece… É simplista e ingênuo demais dividir o mundo entre esquerda e direita.
    Acho, sim, a greve, de certa forma justa…
    Mas o que mais vejo é falarem de salário! Convenhamos, não ganham tão mal. No setor privado é ainda pior. Não que uma desgraça justifique a outra, mas… E a USP, sua qualidade? A USP é um dos poucos órgãos públicos que podemos ter orgulho no país, somos responsáveis por 25% de toda produção científica do país sem termos 25% dos investimentos de todas as universidades do país. Não é para se orgulhar?
    Apoio a greve no que tange a transparência na gestão, prestação de contas e melhorias no ensino.
    Contrataram mais funcionários do que professores nas últimas gestões. E aliás, diga-se de passagem, indicação do governador e sua trupe que está no poder há 20 anos!
    A USP tem sua função principal em formar cientistas, profissionais competentes e não, ser cabide empregos. Há anarcoloucos que levantam bandeiras até pro fim do concurso. Non sense…
    Há PÉSSIMOS funcionários na USP. Descaso e falta de comprometimento não são algo raro por lá. E também acho que muitos dos grevistas usam alunos de marionete. Partidos também deveriam ficar de fora. Sou apartidária, inclusive.
    Corremos o risco da USP ser sucateada pois perdeu seu foco, que é e sempre deveria ser o ensino e a pesquisa de ponta e não palanque para ideologias.
    Quero que entenda que sou totalmente a favor que lutem por seus direitos, a greve é legitimamente uma conquista da democracia. Mas deve ser feita com fins claros, sem “trancaços”, destruição de patrimônio público, de forma pacífica e com discurso coerente. Quem faz isso perde a credibilidade e o respeito de quem está de fora. Não entraria no seu blog pra ser mal educada nem ridicularizar ninguém. Quem tem razão e discernimento não precisa fazer uso de sarcasmo pra se defender, concorda? A defesa racional se baseia em argumentos sérios e respeitosos e não em comentários jocosos.
    Não intencionei isso de forma alguma. Apenas quis expressar minha indignação, o que também é um reflexo democrático. Falar e ouvir.

  14. Que moral tem uma bibliotecária que, em 2014, recebia salário de avultosos R$17 mil reais (sem contar “benefícios”) pagos por uma instituição pública, sendo que o salário no mercado de trabalho para esta carreira é de 1/4 disso, mesmo quando a pessoa já ocupa o cargo há muitos anos? Como essa pessoa pode querer “recuperar perdas” se quando entrou na USP, trocentos anos atrás, o salário ao qual se sujeitou era uma fração deste, em valores correntes, o que significa ganho real enorme ao longo dos anos? Como essa pessoa, que se diz “de esquerda”, tem a audácia de cobrar DA SOCIEDADE maiores salários num momento em que a sociedade sofre com perdas de emprego e seu salário é pago também pelo pobre desempregado que vai ao supermercado comprar arroz e feijão para os filhos, mesmo sem ter de onde tirar?

    É de um egoísmo social absurdo, uma falta de amor ao próximo que chega a causar nojo. “Ai, não vou aceitar queda de salário!”. Oras, então pega seu bonezinho, passe no RH e vá procurar um emprego que lhe pague mais! “Ai, temos direito à greve!”. Sim, mas tbm poderiam ter compaixão com o coitado que acabara de perder emprego e precisa pagar ICMS se quiser comer!

    A falta de moral e ética de um pedido de aumento de salário numa situação como a atual é de cair o cu da bunda!

    Ah, sim, e se disser que era justo receber TAMANHO aumento de salário comparando-se com o momento em que entrou, diga-nos: onde esta no contrato de trabalho que VOCÊ assinou – mesmo que simbolicamente – que você teria aumentos REAIS de salário conforme ficasse na USP até morrer? E onde esta escrito que você deveria ganhar mais do que um professo que passou a vida se matando de estudar em lugares como Harvard, ou França, Alemanha ou mesmo Japão, que é contratado hoje com salário miserável de menos de 9k?
    POR FAVOR, vocês querem tudo para si e consome todos os recursos da sociedade. O nome disso é EGOÍSMO!

  15. Oi Fábio, fique calmo, releia o que eu escrevi e minhas respostas a todos os comentários agressivos e deselegantes que recebi. Creio que devo ter esclarecido todas as suas dúvidas, mas, como o post já tem uns dois anos, posso ter esquecido alguma coisa. Quanto a esse seu problema físico, que você curiosamente relaciona à minha moral e ética, procure um proctologista. Isso deve ser grave!

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