O que fazer com disquetes velhos

Até poucos anos atrás muitos livros eram publicados tendo como parte integrante um disquete. Normalmente eram discos que ofereciam algum conteúdo adicional, gráficos ou exercícios. Ainda é possível ver em alguns livros bolsos especiais que serviam para guardar tais disquetes, mas se tornou comum a migração do disquete para os cds, dvds, até o conteúdo adicional estar disponível inteiramente online, como é feito hoje.

Junte isso ao fato de que os computadores recentes não possuem entrada para disquete, ou sequer entrada para cds e dvds, e surge a dúvida: o que os bibliotecários fizeram ou fazem com os disquetes antigos? Estou interessado em ouvir as respostas sobre isso, pois certamente muitos colegas (re)descobriram um baú de tesouro cheio de disquetes e ainda não decidiram o que fazer com eles.

Claro que do ponto de vista da história da computação, quando não outros, os disquetes devem ser preservados. E o método mais adequado é transferi-los para uma mídia de arquivamento atual. Mas sabemos que os bibliotecários se borram com a obsolescência dos suportes e se fosse possível, alguém iria prontamente sugerir que os disquetes fossem transferidos para tábuas de argila ou algo do tipo.

Bem ou mal, grande parte dos próprios livros os quais os disquinhos estavam associados já foram descartados, e os disquetes sempre obtiveram pouco uso. É importante acrescentar que a principal razão por trás desta questão é que os disquetes não eram prontamente emprestados junto aos livros. Durante anos eles foram mantidos como itens de reserva, de modo que os usuários só tinham acesso ao disquete quando expressamente o solicitavam junto ao livro texto. Um bibliotecário das antigas me explicou que os velhos sistemas de segurança de bibliotecas, baseados em fitas magnéticas, eram capazes de desmagnetizar e consequentemente apagar o conteúdo dos disquetes. No ato do empréstimo, algum bibliotecário poderia não notar a presença do disco no bolso do livro e passá-lo através da máquina, destruindo o disco. Essa é uma das razões pela qual os discos permaneciam separados dos livros.

Mas você pode simplesmente dar uma olhada quantas vezes os discos foram solicitados para empréstimo. Se eles não tiverem sido verificados em vários anos, existe ainda uma necessidade de mantê-los? Sabemos que é uma má ideia para fins de arquivamento, mas tenho quase certeza que ninguém vai sentir falta deles.

Se você de alguma forma possuir a tecnologia necessária para obter as informações sobre os disquetes, ainda há chance. Por sorte, ainda tenho aqui na minha biblioteca dois computadores antigos que possuem entrada floppy disk e outros computadores recentes com leitores de cd. Mas tivemos que considerar seriamente alguns disquetes e cds que simplesmente não eram possíveis de ser lidos em função de oxidação e mofo. Nesse caso, não há muita solução a não ser descartá-los. Além disso, embora obter uma unidade que possa ler um disquete não seja um problema (entradas externas de disquetes que usam uma conexão USB ainda estão disponíveis e podem ser encontradas em lojinhas de informática), você pode acabar descobrindo que todos os programas que estão nos discos não são compatíveis com os sistemas operacionais atuais. Este problema pode ser resolvido através da criação de uma máquina virtual que emula um sistema mais antigo, mas a esta altura muitos usuários já desistiram do conteúdo dos disquetes.

No final das contas, tudo dependerá da política de sua instituição. Para uma biblioteca pública a resposta provavelmente será o descarte, já que não faz parte da sua missão fornecer materiais desatualizados em longo prazo. Algumas bibliotecas universitárias podem ter a capacidade e compromisso de fornecer o acesso à informação sobre os discos. Quando não o fazem, vale a pena ver se talvez este material foi convertido ou está facilmente acessível na web. Se os dados existem em outros lugares (banco de dados, website) fica mais fácil se livrar dos discos.

Mesmo arquivos especializados estão percebendo o problema do esgotamento de seus espaços físicos, e para sair dessa, eles devem decidir sua estratégia e passar adiante coleções que não se ajustam a sua missão. Estamos sendo encurralados em nossos bibliotecas físicas e tentando cada vez mais nos livrar dos itens sub-utilizados. Uma questão interessante é que as bibliotecas estão mais propensas a reter os livros por mais tempo, em função do seu tipo de suporte. Será que elas manteriam os materiais de disquetes se eles fossem impressos?

Vocês bibliotecários, mantêm os disquetes no caso de alguém precisar deles? Jogam fora? Alguém tem políticas sobre isso?

3 pensamentos em “O que fazer com disquetes velhos”

  1. Ocasionalmente bibliotecas universitárias recebem doações de bibliotecas valiosas de professores da instituição que se aposentaram ou faleceram. Pode haver, no acervo, disquetes e outras mídias obsoletas, com dados primários de pesquisas. Em tais casos, a preservação requer que os conteúdos sejam transferidos para mídias atuais, sendo necessário que as bibliotecas possuam máquinas que possam le-los.

  2. Nas bibliotecas que coordeno propus o descarte à direção, visto que os conteúdos deles eram relacionados a livros muito antigos, a maior parte sobre linguagens de programação que não são mais utilizadas há anos. ..e eles concordaram. Desta forma, descartamos não apenas disquetes como também as fitas de vídeo.
    Quando se tem um espaço limitado é preciso reavaliar sempre o que é importante.

  3. Tudo o que não tem mais utilidade para a instituição e seus usuários, nem mesmo interesse histórico, deve ser descartado. Disquetes, fitas magnéticas de áudio e vídeo e todas as mídias que podem se perder por deterioração ou impossibilidade de leitura requerem agilidade na tomada de decisão. Se não selecionarmos rápido, se ficarmos nessa neurose de querer guardar tudo, corremos o risco de não dar tempo de migrar para tecnologias mais atuais, e isso não acaba nunca. Na Biblioteca da ECA, mal terminamos de copiar as fitas de vídeo para DVD e já precisamos pensar no destino dos DVDs. Também é preciso pensar em não descartar os suportes que já sabemos como conservar, como matrizes para futuras cópias (no caso de documentos importantes, claro). E é legal manter sempre um exemplo da tecnologia obsoleta pra mostrar pros jovens que vão perguntar que diabos era um disquete.

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