Como publicar seu livro

Treze anos depois da publicação do meu primeiro livro, e alguns anos depois de ter fechado a minha própria editora, a pergunta que mais respondi desde então foi: como consigo publicar um livro? Escutei isso de pessoas de todas as idades, classes sociais e nível de letramento. Fico feliz pois são todos escritores em potencial. Fico triste pois vejo que eles percebem isso de publicar um livro como algo muito distante de sua realidade. Sempre tento contar minha própria história, mas nem sempre se encaixa. Reuni então dois conselhos, que não são diferentes dos que se pode encontrar googleando por aí. Apenas são meus. E apresento alguns caminhos para a publicação. Também é preciso dizer que, curiosamente, o curso de biblioteconomia não ensina ninguém a publicar um livro. Seria interessante se o fizesse, não acham?

1. Tenha um livro. Pode parecer brincadeira, mas a verdade é que a maioria das pessoas que querem publicar um livro na realidade não tem nenhum livro. Senti isso na pele quando tive a editora Baluarte. As pessoas não escrevem livros, até possuem ideias boas, mas escrever, escrever, nada. Assim, você não tem o que publicar e ficará sempre a ver navios quando surgirem as oportunidades. Então, o conselho gratuito é: tenha um livro.

2. Você tem um livro. Acredite no seu livro. Claro que existem livros ruins. Porém, você não vai ficar meses, anos, debruçado em algo que no fim ficará ruim, correto? Então os livros ruins que existem, existem por conta dos seus responsáveis. Não é o caso do seu livro. Ainda assim, os próprios autores nem sempre acreditam no que escreveram. Basta ver que sempre que um grande autor morre saem publicações póstumas que em vida foram rejeitadas pelo próprio autor. Por isso, acredite no seu livro. Ele é fruto do seu esforço, do seu suor. Ele é bom.

Agora que você tem um livro, e acredita nele, sabe que deve publicá-lo. Por que razão guardar só para você? Existem vários caminhos para publicar um livro. Alguns curtos, outros mais curtos ainda, e alguns longos, bem longos. Cabe a você avaliar o que você espera.

1. Auto-publicação. Nunca foi tão fácil e barato se auto-publicar. É o caminho mais rápido para ser publicado. Temos editoras que imprimem por demanda, o que diminui bastante o preço para o autor, embora encareça um pouco o preço do exemplar. Essas editoras também se responsabilizam por vender os livros, o que também ajuda bastante. Outra opção é publicar eletronicamente pela Amazon. Grandes autores já começam a migrar para a Amazon enquanto editora e, quem sabe, em algum tempo ela será também a principal editora de livros do mundo. A facilidade de vender livros é uma vantagem e tanto.

2. Crowdfunding. Financiamento coletivo é algo mais antigo que se pensa. Mas com a possibilidade de se espalhar pela Rede, o negócio ficou sério e temos de atletas a artistas pedindo recursos aos seus fãs e amigos. E isso serve para livros também. É uma boa opção para quem não tem recursos para se autopublicar. É possível através do financiamento coletivo arrecadar uma boa grana e contratar grandes profissionais para trabalhar o livro, desde o design até estratégias de marketing e relacionamento. Essa é a vantagem desse método na minha opinião, porém pode demorar muito para atingir o valor necessario e pode, simplesmente, não atingi-lo. Também, pelo que li, alguns autores que se utilizaram disso comentaram que acabam tendo que complementar os custos com recursos próprios. Então acaba batendo no próprio bolso. Para entrar no crowdfunding de livros, creio que seja interessante apenas com um bom projeto que vá precisar de outros profissionais.

3. Editais Municípios, Estados e a União, por meio de órgãos e fundações, e também empresas públicas e privadas, costumam lançar editais destinados a fornecer recursos para a publicação de obras literárias. É uma forma de se conseguir recursos para fazer um bom projeto. A vantagem é que neste caso é possível arrecadar o suficiente para não precisar tirar muito do próprio bolso. É preciso ficar sempre de olho nos editais e obedecer às regras e burocracia.

4. Concursos literários. É uma forma que considero desgastante. Você submete seu livro para uma comissão que você não sabe se irá ler mesmo ou não. É algo muito subjetivo. Eu como autor nunca participei. Porém vale a pena se você não liga pra isso. Existem vários tipos de concurso para cada tipo de literatura. Até mesmo a FEBAB já realizou um concurso desse tipo. Se quiser ver seu livro publicado, vale a pena participar.

4. Editoras e agentes literários. Não é por acaso que está em último lugar. Para mim, é a forma menos indicada para se publicar um livro, ainda mais nos dias atuais e especialmente se você for um autor iniciante. 99% das editoras sequer olham originais não solicitados. As que olham, é apenas para cumprir tabela. Então para chegar numa editora é preciso ter alguém que faça essa conexão, que são os agentes literários. Que também não são fáceis. A vantagem de se publicar por uma editora é que ela vai fazer de tudo para vender seu livro. E isso para um autor é o máximo. Na nossa área, as editoras praticamente imploram por livros. Basicamente temos dois tipos de livros: coletâneas de artigos e trabalhos acadêmicos. Faltam na nossa área livros mais básicos, introduções, manuais, livros de crítica, livros de reflexão, livros sobre a carreira biblioteconômica. Precisamos escrever mais.

Existem outras formas e meios. Coloquei os que eu considero mais interessantes no momento.

Escrevam. Publiquem.

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