Dois irmãos – resenha

Sempre que leio uma graphic novel fico com receio de estar em vivendo um futuro distópico, onde as pessoas deixarão de ler os textos para só consumir pulp e quadrinhos. Quem quando criança nunca mandou um “eu sei ler, mas só as figuras”. Pois é, adultos, sinal dos tempos, de fato não temos muito tempo pra ler. Na versão ilustrada do Fahrenheit 451, que ironia, está uma crítica leve às pessoas que no transporte público só estão lendo fast literature.

Mas as graphic novels estão cada vez mais densas e bem desenhadas, e muitos títulos se tornaram mais do que apenas uma versão ilustrada do original. Eu também prefiro ler graphic novels quando sei que não lerei o original. Ou quando já li o original e quero a versão desenhada, porque quase sempre a visão do desenhista é bem diferente da imagem que eu projetei da trama, então se torna uma troca legal.

Me interessei pelo Dois Irmãos, por já conhecer o histórico de bons livros desenhados pelo Fábio Moon e Gabriel Bá (Daytripper, O alienista), e bem, é um livro sobre dois irmãos, gêmeos, como são na vida real Fábio e Gabriel. O original é obra de Milton Hatoum.

Tramas sobre gêmeos geralmente tem dois caminhos, irmãos que se amam, irmãos que se odeiam. Dois irmãos é sobre o segundo caso, uma história de vingança e drama familiar quase tão intenso quanto OldBoy e Blue Ruin, mas também sobre mães que gostam mais de um filho que de outro (treta), mães que interferem nos relacionamentos amorosos dos filhos (treta), gente que migra para outros países e precisa se encontrar (treta), enfim.

Qualquer coisa que eu falar pode sair como spoiler, porque o livro é emoção do início ao fim. Completei a leitura em um único dia, comecei e não quis mais largar. É um livraço. Tem algumas cenas picantes também, mas nada proibitivo. É uma boa sugestão, também, para bibliotecas infanto-juvenis.

A história se passa em Manaus, tem umas referências bem bonitas da cidade (ei, Soraia, pra vc).

Recomendadíssimo, 5 estrelas: Dois irmãos, Companhia das Letras.

3 pensamentos em “Dois irmãos – resenha”

  1. Eu sei, vc se “retratou” logo de início sobre a complexidade das graphic novels, contudo me pareceu preconceituosa sua opinião acerca das histórias em quadrinhos. Quando você escreveu que as GN “estão mais densas e bem desenhadas” soa como se estivesse desmerecendo o que já foi feito antes, ou ler uma GN é algo mais “baixo” do que ler um livro. Nao concordo com a sua opinião, sou leitor de quadrinhos e não creio que seja uma leitura “baixa”, pode,os citar várias graphics importantíssimas como “Maus” e “Persepolis”, por exemplo. Sem contar outros seguimentos como “Whatchmen” ou “Os invisiveis” em que é possível discutir uma gama de assuntos no decorrer da obra.

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