Participe da OpenCon!

Está aberto até 11 de julho o processo de seleção para participar da edição 2016 da OpenCon, que acontecerá na capital dos Estados Unidos, Washington DC, entre 12 e 14 de novembro. A OpenCon é uma conferência internacional  sobre acesso aberto, educação aberta e dados abertos promovida anualmente, desde 2014, pela SPARC e pela Right to Research Coalition. O público-alvo principal são estudantes, professores, bibliotecários e outros profissionais que estão começando na academia e querem aprender/fazer mais pela ciência aberta. Há espaço pra gente mais experiente também, mas o grande objetivo da OpenCon é dar voz e força à nova geração.

Tive a honra de participar do Comitê Organizador da OpenCon no ano passado, que foi em Bruxelas (escrevi sobre a experiência aqui), e posso garantir que a fama de ser a melhor conferência do mundo não é exagerada. A programação do evento costuma misturar as tradicionais palestras e mesas-redondas com oficinas, apresentações-relâmpago, grupos de discussão e outras atividades que podem ser propostas por qualquer pessoa. A ideia é permitir que todos os interessados tenham oportunidade de compartilhar experiências e promover discussões mais aprofundadas de temas específicos. Na verdade, nem é preciso estar presente na OpenCon para propor uma atividade: desde o ano passado rola, em paralelo à conferência, a OpenCon Live. Além da transmissão ao vivo das sessões, uma teleconferência fica disponível para quem quiser liderar oficinas e discussões virtuais, ou simplesmente conversar.

Outra marca do evento é o Advocacy Day, em que os participantes passam por um rápido treinamento sobre como se comunicar melhor com políticos e tomadores de decisão (o termo advocacy não tem uma tradução exata para o português, mas aqui tem um texto do IPEA explicando). Depois desse treinamento, os participantes formam grupos e se reúnem com legisladores, representantes de ONGs e outros tomadores de decisão.

Participar de um evento internacional como a OpenCon é uma experiência muito valiosa, não só pelos conhecimentos que você adquire, mas principalmente pelas pessoas que você conhece. Só que bancar uma viagem dessas não é fácil – se já é difícil para bibliotecários concursados, imagine para uma bolsista CAPES 😉 Felizmente, uma das grandes preocupações dos organizadores da OpenCon é justamente garantir que os custos da viagem não sejam um obstáculo. A maioria dos participantes selecionados recebe bolsas financiadas pelos patrocinadores do evento, cobrindo os custos de passagem, hospedagem, e alimentação (café da manhã e almoço).

Por conta da distribuição de bolsas, o processo de inscrição para a OpenCon é um pouco diferente do que estamos acostumados em outros eventos. Em vez de se só inscrever e pagar uma taxa, é preciso passar por uma avaliação, contando um pouco sobre você e seu interesse nos temas da conferência. O objetivo dessa seleção não é escolher quem já tem um trabalho sólido na área (até porque isso iria contra o objetivo de fortalecer a nova geração), mas sim garantir a diversidade dos participantes em termos de carreira, interesses, gênero, e até geografia. Sim, pessoas de países periféricos como o Brasil são muito bem-vindas. As inscrições para a seleção deste ano estão abertas até 11 de julho pelo site http://www.opencon2016.org/apply

Além das bolsas de viagem e da OpenCon Live, os organizadores também estimulam a realização de eventos satélite, que podem ser promovidos por qualquer pessoa/organização, em qualquer escala. Pode ser um satélite nacional, regional, local… Ano passado, o encontro do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, uma comunidade de pesquisadores brasileiros, foi realizado em parceria com a OpenCon. Quem se interessar em promover um evento satélite em sua instituição/cidade pode obter mais informações no site www.opencon2016.org/satellite (e entrem em contato comigo se quiserem, ficarei feliz em ajudar no que puder).

A verdade é que a OpenCon é mais que uma conferência, é uma plataforma onde pessoas interessadas na ciência aberta podem aprender e trabalhar juntas para promover ações e mudanças efetivas. Há uma lista de discussão por email, palestras transmitidas online, teleconferências periódicas – incluindo uma só para bibliotecários (a próxima é nesta terça, 14 de junho, às 13h pelo horário de Brasília). Se você se interessa por acesso aberto, educação aberta e/ou dados abertos e o seu inglês é ok (olha o bônus: praticar o inglês com gente do mundo todo!), vale a pena dar uma chance à OpenCon.

Pra dar uma ideia do potencial imenso da verdadeira comunidade que é a OpenCon, estes 2 anos já renderam vários frutos: ferramentas como Open Access Button e Dissem.in, o site WhyOpenResearch?, as organizações Open Access Nepal, Open Access Nigeria, Open Access Sudan, Open Access Academy e OOOCanada Research Network, o Open Research Glossary, e pelo menos um artigo científico investigando os impactos sociais, econômicos e acadêmicos da publicação em acesso aberto.

Para mais informações, cadastre-se para receber atualizações em www.opencon2016.org/updates, siga a OpenCon no Twitter (@Open_Con ou #opencon) e Facebook, assista a vídeos das edições anteriores do evento e tenha acesso a outros recursos no site www.opencon2016.org/resources.

Autor: Iara Vidal

Movida a curiosidade. Bibliotecária não-praticante, acadêmica em construção.

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