Altmetria à brasileira em 2016

Para fechar o ano, resolvi fazer um post recapitulando a produção científica sobre métricas alternativas no Brasil em 2016 (mas se você estiver de férias, recomendo que só leia isso em 2017).

2016 foi um ano bom para a altmetria.

As métricas alternativas deixaram de ser tão alternativas, com um aumento significativo no número de pesquisas publicadas sobre o assunto, a consolidação de serviços como Altmetric e Plum Analytics e, principalmente, com a publicação das recomendações de melhores práticas de uso da altmetria pela NISO.  E a altmetria ganhou até uma entrada (ainda que tímida) na Wikipedia em português.

No Brasil, tivemos uma boa safra de pesquisas sobre altmetria publicadas por autores brasileiros nesse ano, entre artigos, dissertações, livros e trabalhos apresentados em congressos. A lista não pretende ser completa, e se me esqueci de algum trabalho, fique à vontade para incluir nos comentários desse post.

ARAÚJO, Ronaldo, & FURNIVAL, Ariadne. (2016). Comunicação científica e atenção online: em busca de colégios virtuais que sustentam métricas alternativas. Informação & Informação, 21(2), 68-89. http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2016v21n2p68
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. (2016). Presença online de pesquisadores na web: indícios para as métricas em nível de autores. Anais do XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, BA. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/4123
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira, CARAN, Gustavo Miranda, & SOUZA, Iara Vidal Pereira de. (2016). Orientação temática e coeficiente de correlação para análise comparativa entre altmetrics e citações. Em Questão, 22(3), 184-200. http://dx.doi.org/10.19132/1808-5245223.184-200
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira , & MURAKAMI, Tiago Rodrigo Marçal. (2016). Atenção online de artigos de Ciência da Informação: análise a partir de dados altmétricos do Facebook. Anais do 5o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria. São Paulo, SP. http://www.ebbc.inf.br/ebbc5/index.php/main/download/111
BORBA, Vildeane da Rocha Borba, & CAREGNATO, Sonia. (2016). Análise do termo 'repositório institucional' no Twitter: um estudo altmétrico. Anais do 5o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria. São Paulo, SP. http://www.ebbc.inf.br/ebbc5/index.php/main/download/89
BORBA, Vildeane da Rocha Borba, & CAREGNATO, Sonia. (2016). A repercussão de autores estrangeiros em Ciência da Informação no Twitter: uma visão altmétrica. Anais do XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, BA. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/4089
GOUVEIA, Fábio Castro. (2016). A altmetria e a interface entre a ciência e a sociedade. Trabalho, Educação e Saúde, 14(3), 643-645. https://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sip00126
GOUVEIA, Fábio Castro. (2016). Altmetria institucional: uma análise dos trabalhos publicados pela Fundação Oswaldo Cruz. XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/3720
NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do. (2016). Métricas alternativas para a avaliação da produção científica: um guia básico para o uso de altmetria para bibliotecários (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).  https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.3409846.v1
NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do. (2016). Altmetria para bibliotecários: Guia prático de métricas alternativas para avaliação da produção científica. Porto Alegre: Revolução eBook. http://revolucaoebook.com.br/ebook/altmetria-para-bibliotecarios-isbn-9788569333821/
NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do, & ODDONE, Nanci Elizabeth. (2016). Métricas alternativas para a avaliação da produção científica: a altmetria e seu uso pelos bibliotecários. Anais do XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, BA. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/3701
REIS, José Eduardo dos, SPINOLA, Adriana Tahereh Pereira, & AMARAL, Roniberto Morato do. Visualização de indicadores bibliométricos e altmétricos: uma análise dos Repositórios Institucionais brasileiros. Anais do 5o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria. São Paulo, SP. http://www.ebbc.inf.br/ebbc5/index.php/main/download/73
VANTI, Nadia, & SANZ-CASADO, Elias. (2016). Altmetria: a métrica social a serviço de uma ciência mais democrática. Transinformação, 28(3), 349-358. https://dx.doi.org/10.1590/2318-08892016000300009

O tema também foi discutido em blogs científicos e editoriais:

E pra quem se interessou, vale a pena lembrar de alguns artigos interessantes sobre o tema publicados no Brasil em 2015:

ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de. (2015). Marketing científico digital e métricas alternativas para periódicos: da visibilidade ao engajamento. Perspectivas em Ciência da Informação, 20(3), 67-84. https://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/2402
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de. (2015). Da altmetria à análise de citações: uma análise da revista Datagramazero. Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, 10(1). http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/pbcib/article/view/23163
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de. (2015). Estudos métricos da informação na web e o papel dos profissionais da informação. Bibliotecas Universitárias: pesquisas, experiências e perpectivas, 2(1). https://seer.lcc.ufmg.br/index.php/revistarbu/article/view/1119
BARROS, Moreno. (2015). Altmetrics: métricas alternativas de impacto científico com base em redes sociais. Perspectivas em Ciência da Informação, 20(2), 19-37. https://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/1782
NASCIMENTO, A., & ODDONE, N. (2015). Uso de Altmetrics para Avaliação de Periódicos Científicos Brasileiros em Ciência da Informação. Ciência da Informação em Revista, 2(1), 3-12. https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1402366.v1
SOUZA, Iara Vidal Pereira de. (2015). Altmetria: estado da arte. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, 7(2). http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci/article/viewArticle/164
SOUZA, Iara Vidal Pereira de. (2015). Altmetria ou métricas alternativas: conceitos e principais características. AtoZ: novas práticas em informação e conhecimento, 4(2), 58-60. http://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/44554/27146

É isso. Um bom 2017 para vocês!

 

Passo-a-passo para promover sua pesquisa online

Qualquer pessoa que conclua um trabalho acadêmico hoje em dia (seja o seu TCC, a dissertação de mestrado, um artigo em periódico ou apresentação em congresso) deveria saber que não basta simplesmente concluí-lo, mas é preciso também divulgá-lo entre seus pares e a qualquer pessoa que possa ter interesse nos resultados.

Felizmente, já existem ferramentas online que podem nos ajudar nessa tarefa. Por outro lado, já existem *tantas* ferramentas, que muitas vezes não sabemos para que serve cada uma ou por onde começar.

Então, aí vai um passo-a-passo das principais etapas para divulgar o seu trabalho acadêmico (ou ajudar os seus usuários a fazê-lo) na web:

 

1 – Publique seu trabalho em um repositório

O primeiro e mais importante passo é publicar o texto completo do seu trabalho online, para que as pessoas possam recuperar e ler o conteúdo. Assim, você já terá um link para onde direcionar os interessados quando quiser divulgar o trabalho.

Dê preferência a um repositório conhecido e gratuito, como o Figshare (para artigos, dissertações, posters, imagens, códigos de programação e qualquer outro tipo de produção), que além disso atribui um DOI (Digital Object Identifier, ou identificador único) ao seu trabalho e mostra estatísticas de uso, download e repercussão do seu trabalho nas mídias sociais, através dos dados do Altmetric.

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Você vai precisar do DOI para registrar seu trabalho em outras plataformas (ver passos seguintes), de forma a direcionar todos os acessos para um único lugar e poder coletar estatísticas de acesso e uso consistentes.

Você também pode optar por publicar sua produção em outros repositórios específicos, como o Slideshare (para apresentações) ou o Dryad (para conjuntos de dados).

Não se esqueça também de depositar uma cópia no repositório institucional da sua universidade ou instituto de pesquisa, se tiver essa opção.

 

2 – Registre seu identificador único de autor

O segundo passo é criar o seu identificador único de autor, sob o qual você poderá reunir os todos os seus trabalhos (publicados online ou não) e dados sobre o seu histórico acadêmico e profissional.

O ORCID é uma espécie de plataforma Lattes internacional e já se tornou o identificador padrão para autores usado nas demais plataformas acadêmicas, permitindo importar e sincronizar dados entre vários provedores. O registro é gratuito.

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O ORCID também permite conectar sua conta a outros identificadores únicos, como o Research ID da Web of Science e o Scopus ID.

 

3 – Participe das redes sociais acadêmicas 

Agora que você já tem links para os seus trabalhos e para o seu perfil acadêmico, é hora de socializar. Mas, por enquanto, esqueça o Facebook, cujo alcance acadêmico é mais limitado, e vá para onde a patota da pesquisa se encontra.

Uma das redes mais populares é a Academia.edu, que tem mais de 38 milhões de membros, e cujo foco principal é compartilhar artigos acadêmicos. Após se registrar, você pode subir o texto completo de seus artigos ou somente indicar a referência e o DOI ou link para o trabalho. Conecte-se com pesquisadores da sua área para ficar a par do que eles estão publicando e para que eles te acompanhem também.

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O ResearchGate é outra rede social para pesquisadores, com mais de 9 milhões de membros. Além de compartilhar sua produção acadêmica e se conectar com outros pesquisadores, o ResearchGate tem um espaço onde qualquer um pode fazer uma pergunta ou responder a questões de outros membros, compartilhando conhecimento.

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Outra sugestão é o Mendeley, um híbrido de rede social, repositório e gestor de referências bibliográficas, o que (a meu ver) pode torná-lo um pouco confuso no início. Assim como nos demais, no Mendeley você pode subir o texto completo ou DOI de seus trabalhos e seu histórico acadêmico e profissional, conectar-se com outros pesquisadores e também participar de grupos de interesse.

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O grande diferencial do Mendeley é o gestor de referências bibliográficas, uma “biblioteca” (menu Library) onde você reúne todas as referências e documentos de seu interesse, incluídos a partir das recomendações do próprio site, manualmente, de pesquisas em bases de dados ou importando referências da web. O Mendeley também tem uma versão desktop com plugin para o Word, que permite inserir citações e referências bibliográficas da sua “biblioteca” diretamente no texto que você estiver escrevendo.

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4 – Divulgue sua produção acadêmica

Ao colocar seu trabalho nas redes acadêmicas, ele já ganha em visibilidade, mas se realmente quer torná-lo conhecido online, você vai ter que divulgá-lo ativamente.

Alguns trabalhos mostram que o Twitter é a fonte mais significativa de menções de trabalhos acadêmicos na web, seguidos do Facebook e do Mendeley [1, 2, 5]. Se você ainda não usa o Twitter, comece abrindo uma conta e seguindo outros pesquisadores da sua área. Vale mandar mensagem enviando o link para o seu trabalho e pedindo para que retuítem, sobretudo se for da área de interesse deles e se eles tiverem muitos seguidores. Se o artigo foi publicado em um periódico, veja se é possível que a própria revista poste o link no Twitter.

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Divulgar seu trabalho no Facebook também pode dar bons resultados em termos de visualizações e downloads, sobretudo se você tem muitas conexões profissionais lá.

E não deixe de colocar seu trabalho também no Mendeley. Alguns estudos sugerem que há uma relação entre a quantidade de leitores de um artigo no Mendeley e o número de citações recebidas por esse artigo no futuro [3, 4, 6, 7].

Se você tem um blog, escreva sobre o seu trabalho, ou mande uma sugestão de “pauta” para autores de blogs que escrevem sobre a sua área.

 

5 – Verifique o alcance e a influência do seu trabalho

Depois de tanto trabalho, o mínimo que você vai querer é saber qual foi o resultado disso tudo. Algumas das ferramentas usadas permitem medir imediatamente alguns aspectos do alcance do seu trabalho, como o número de visualizações e downloads no Figshare, Academia.edu e ResearchGate.

O Figshare também mostra diretamente na página do seu artigo as métricas produzidas pela Altmetric. Basta clicar no altmetric score para ver detalhes sobre menções no Twitter, Facebook, blogs e sites de notícias, entre outras fontes.

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Mas se você quer visualizar o desempenho do toda a sua produção de forma centralizada, você pode usar o ImpactStory. Para se inscrever, basta ter cadastro no ORCID. O ImpactStory sincroniza os dados do seu perfil e produção acadêmica e coleta menções aos seus trabalhos em redes sociais, blogs, Mendeley e Wikipedia, com detalhes sobre onde, quando e quem mencionou cada item.

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Bibliotecários também podem solicitar acesso gratuito à ferramenta Altmetric Explorer e consultar todo o conteúdo da base de dados da Altmetric, usando filtros por palavra-chave, data de publicação, periódico, instituição, autor, época e fonte da citação, entre outras opções mais específicas, como prefixo do DOI, registro no ORCID, assunto do Medline ou estratégia de busca no Pubmed.

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Outras dicas gerais:

  • Sempre inclua o link para o identificador único do seu trabalho (seja o DOI, ISBN, Pubmed ID) no corpo da página web, para que as ferramentas como Altmetric e ImpactStory possam identificar a menção ao trabalho.
  • Procure usar sempre o mesmo nome de autor nos trabalhos publicados, e certifique-se de registrar todas as suas variações de nome no ORCID.
  • Verifique se as fontes onde seu trabalho foi ou pode ter sido citado são monitoradas pelas ferramentas de métricas alternativas, como Altmetric e ImpactStory.

 

Referências:

[1] ALPERIN, Juan Pablo. Exploring altmetrics in an emerging country context. In: altmetrics14 workshop, 2014, Bloomington, Indiana. Anais… Bloomington, Indiana, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1041797>. Acesso em: 20 fev. 2016.

[2] ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. Cientometria 2.0, visibilidade e citação: uma incursão altmétrica em artigos de periódicos da Ciência da Informação. In: Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, 4., 2014, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1047057>. Acesso em: 20 jan. 2015.

[3] HAUSTEN et al. Coverage and adoption of altmetrics sources in the bibliometric community. Scientometrics, v. 101, n. 2, p. 1145-1163, nov. 2014.

[4] MOHAMMADI et al. Who reads research articles? An altmetrics analysis of Mendeley user categories. Journal of the Association for Information Science and Technology, v. 66, p. 1832–1846, 2015. Disponível em: <http://dx.doi.org/doi: 10.1002/asi.23286>.

[5] NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do; ODDONE, Nanci. Uso de indicadores altmetrics na avaliação de periódicos científicos brasileiros em Ciência da Informação, In: Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, 4., 2014, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2014. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1146279.v1>.

[6] THELWALL et al. Do Altmetrics Work? Twitter and Ten Other Social Web Services. PLoS ONE v. 8, n. 5, p. e64841, 2013. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0064841>.

[7] LI, Xuemei; THELWALL, Mike; GIUSTINI, Dean.  Validating online reference managers for scholarly impact measurement. Scientometrics, v. 91, n. 2, p. 1–11, 2012. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1007/s11192-011-0580-x>.

 

Maneiras alternativas de gerar métricas alternativas

O legal de pesquisar um tema de ponta é que tudo muda a toda hora e sempre há algo novo a acrescentar. O lado ruim é que a cada dia surgem novas referências que fazem com que sua bibliografia se transforme em uma espécie de gremlim que não para de se reproduzir.

Como pesquisador, há poucas coisas melhores do que vivenciar o tema da sua pesquisa na prática. E é o que vem acontecendo comigo há alguns dias.

Meu tema de pesquisa atual são as métricas alternativas, um assunto que ao mesmo tempo está na moda e não faz sucesso nenhum, dependendo para quem você pergunta. Também conhecidas como altmetrics, as métricas alternativas surgiram como uma resposta à crise da avaliação da pesquisa, representada, entre outros fatores, pelas críticas ao atual modelo de avaliação e premiação de pesquisadores, à exagerada importância e mal-uso do fator de impacto como elemento de avaliação e às mudanças no processo e velocidade da produção e disseminação de resultados de pesquisa devido ao surgimento de novas tecnologias.

Um dos pontos que procuro abordar na minha pesquisa é a dificuldade de gerar métricas alternativas para os artigos publicados em revistas brasileiras de maneira sistemática. Para se ter uma ideia da dificuldade, para gerar métricas a partir da principal ferramenta em uso, o Altmetric.com, é necessário pelo menos que os artigos tenham um identificador único – como o DOI ou PubmedID –, que sejam rastreados pela ferramenta, e que recebam citações de fontes cobertas pela ferramenta, como sites de notícias, blogs científicos, e redes sociais, quase todos internacionais. Infelizmente, a maioria dos periódicos científicos brasileiros não atende a nenhum dos dois critérios.

Mas há caminhos alternativos para que o pesquisador possa ter acesso a algumas métricas alternativas sem depender dos periódicos científicos em que seus artigos são publicados. Recentemente, publiquei um artigo sobre – adivinhe? – métricas alternativas, no periódico Ciência da Informação em Revista, que não tem DOI, e portanto seus artigos não podem ser rastreados pelo Altmetric.com.

Porém, é claro que eu queria saber quantas pessoas leram meu artigo, quem são essas pessoas e onde estão compartilhando essa informação. Por isso, tive que me virar.

Para começar, subi uma cópia do artigo publicado para o Figshare, que automaticamente atribui um número DOI ao documento: http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1402366. Os trabalhos publicados no Figshare podem ser automaticamente adicionados ao seu perfil do ImpactStory, uma espécie de currículo virtual onde você reúne todos os links a trabalhos seus em vários formatos (apresentações, vídeos, resumos, artigos) e consulta as métricas de uso, download e compartilhamento de cada trabalho.

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Coloquei uma cópia também no academia.edu, onde vários colegas da área e outros pesquisadores interessados podem seguir seu perfil. Infelizmente, os trabalhos postados lá não são contados pelo ImpactStory, mas te dá as métricas de visualização e download no próprio site.

academiaedu

Além disso, o Ronaldo Araújo, que também é pesquisador do tema e editor da Ciência da Informação em Revista, me passou as estatísticas de acesso na plataforma do periódico, que até 1 de junho contava com 53 visualizações, 8 interações no Facebook e 1 tweet.

Nascimento Metrics

Nascimento API Metrics

E a partir do link no ImpactStory, finalmente consigo ver como o score do artigo no Altmetric.com:

altmetricscore

Aproveito para agradecer ao pessoal da Biblioteca Central da UFF que tuitou sobre o artigo. (O outro tuíte foi meu, claro :-).

Presente de natal para bibliotecários – mais 10 dicas de presentes

Nem só de livros vivem os bibliotecários, então aproveitando a deixa do último post do Moreno com sugestões de livros para dar de presente nesse Natal, deixo aqui minha sugestão de otras cositas más que devem agradar os que adoram livros e bibliotecas.

1. Ex-Libris personalizado

Veio na Mala

2. Bibliocanto Fuja!

LightInTheBox

3. Caixa Livro “Hakuna Matata”

Super Decorada

4. Porta-guardanapos Comics Heroínas

Que Cozinha!

5. Almofada Biblioteca

Zazzle

6. Pano de prato “A menina que roubava livros”

Oba!Shop

7. Caneca biblioteca

Etsy

8. Pequena Biblioteca do Vinho

Vinhos e Mais Vinhos

9. Relógio livro

Loja Cordel

10. Capa de livro para iPad

BookBook

Altmetrics: pode ser?

Quando estudamos o surgimento dos periódicos, aquela história do Journal des sçavans, percebemos que as revistas científicas foram criadas para suprir a falta de canais de comunicação entre os pesquisadores, que já contavam com uma comunidade de pares para discutir e selecionar o que lhes parecia mais relevante em suas áreas. Atualmente, o cenário da comunicação científica é praticamente o oposto, dado o inesgotável número de revistas científicas e outros canais de comunicação acadêmica.

Porém, da mesma forma, a comunidade de pares continua sendo fundamental para discutir e selecionar o que merece ser lido. Ou melhor, nesses nossos tempos, o que merece ser curtido, seguido, postado, retuitado, compartilhado.

Os pesquisadores de hoje se comunicam através do Twitter, do Facebook, e de redes sociais acadêmicas que cumprem um papel cada vez mais importante para a construção da ciência. Para dar conta dessa tendência de citações online, fora dos padrões tradicionais de citação de artigos, surgira as altmetrics, sobre as quais o Moreno já falou um pouco aqui.

E seria tudo muito lindo para os pesquisadores e as revistas científicas, um novo caminho, uma alternativa à tirania do fator de impacto, não fosse por um pequeno detalhe: os nossos pesquisadores e as nossas revistas  científicas ainda não estão preparados para produzir esses tipos de métricas.

O Moreno já falou no post dele sobre as dificuldades dos pesquisadores em entender e gerar essas métricas, e como os bibliotecários podem ajudar toda uma geração (ou várias) de pesquisadores a mostrar o valor da sua produção sob a ótica das altmetrics.

E do outro lado estão as revistas científicas, de onde essas métricas deveriam ser extraídas. Se todos os nossos pesquisadores publicassem somente na Nature, PLOS One ou Elsevier, não haveria problema, já que essas publicações já conseguem integrar APIs de medição de atenção online e produzir métricas a nível de artigo, usando o Altmetric, uma das principais ferramentas que coletam dados para a produção dessas métricas.

Os resultados de uma recente pesquisa que apresentei no 4o. Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria sobre os  periódicos científicos brasileiros na área de Ciência da Informação, mostram que somente quatro publicações são rastreadas pelo Altmetric. E a quantidade de menções registradas em redes sociais e acadêmicas é ainda muito baixa.

Vão dizer: “Claro! Porque as nossas revistas não são citadas!”. Mas não é tão simples assim.

Para usar as ferramentas do Altmetric, é necessário pelo menos (1) pagar uma assinatura anual pelo serviço, que custa de 11.000 a 19.000 reais, e (2) prover um DOI ou outro identificador único para que o API retorne todos os dados de menção a um documento, coisa que poucas revistas científicas publicadas no Brasil tem, sendo a grande maioria da coleção SciELO.

Isso é só um exemplo dos desafios econômicos e técnicos que ainda teremos que enfrentar para ver resultados concretos da aplicação das altmetrics no Brasil.

Mas o Altmetric é somente uma das ferramentas que produzem métricas alternativas. E com seu crescimento já passou a oferecer acesso gratuito a algumas funcionalidades a pesquisadores e bibliotecários. A cada dia surgem novas opções de serviços de altmetrics, e certamente haverá iniciativas voltadas para os países periféricos, cuja ciência segue clamando por uma forma alternativa de provar o seu reconhecimento.

Vamos ver.

Fora da biblioteca

Passadas as comemorações do Dia do Bibliotecário, acredito que se fizermos um levantamentos dos temas mais abordados nesses eventos, entre os três mais recorrentes vamos encontrar “a atuação do bibliotecário fora da biblioteca” (os outros dois vocês já sabem quais são).

Não é um tema novo. Eu mesma já participei de paineis e projetos sobre o assunto em outros anos. Mas a popularidade desse tema me faz pensar se isso, na verdade, não é um reflexo do temor de estarmos nos tornando obsoletos e termos que encontrar novos espaços e atribuições onde todo esse nosso precioso conhecimento adquirido na graduação possa ser útil e relevante.

Desde que escolhi o curso de Biblioteconomia, nunca tive a pretensão de trabalhar em uma biblioteca. Lembro-me perfeitamente de que quando ainda estava indecisa entre prestar vestibular para Enfermagem, Arquitetura ou Matemática, li a descrição do curso de Biblioteconomia no Guia do Estudante e achei fantástica a ideia de uma profissão criada para organizar informações, e a promessa de que poderia atuar em empresas, escritórios, grupos de pesquisa, etc.

De fato, em mais de dez anos de carreira, nunca cataloguei um livro profissionalmente, só trabalhei no setor de referência por duas semanas (ou cobrindo o horário de almoço de algum colega), e tive uns seis meses de experiência na indexação, mas ainda assim fiquei conhecida como “a bibliotecária que trabalhou na ONU”. Só que o restante do tempo lá, eu estava fazendo outras coisas.

Como bibliotecária, já fui coordenadora de publicação eletrônica, diretora de tecnologia, gerente de marketing, gerente-geral de vendas de publicações, gerente de relacionamento, e especialista em treinamento, entre outras funções. Em algumas delas, a formação em Biblioteconomia foi determinante para conseguir a vaga, em outras foi um diferencial importante, e em todas, os conhecimentos de organização e gestão de informação foram fundamentais para ser bem sucedida.

Aos que pretendem seguir esse caminho fora das bibliotecas, tenho duas recomendações:

Primeira: Cultive habilidades e competências adicionais aos seus conhecimentos básicos. Pode ser em áreas instrumentais, como idiomas ou tecnologia; em áreas afins, como arquitetura da informação ou publicação eletrônica; ou ainda em tópicos totalmente diversos, como economia, finanças, políticas públicas, sustentabilidade, que lhe trarão uma nova perspectiva e podem abrir caminhos para atuar nesses contextos.

Segunda: Não tenha medo de se desapegar da nossa eterna bandeira da informação como bem social. Todos nós temos em nosso cerne bibliotecário o ideal do compartilhamento, da disseminação, da democratização da informação. Mas o mercado não está nem aí para isso. Empresas querem vender produtos, outros grupos querem vender ideias. E você vai ser pago para isso. Mas não se preocupe, pois no meio do caminho, você vai acabar descobrindo maneiras de socializar a informação sem entrar em conflitos com seu empregador.

O que trabalhar na biblioteca da ONU me ensinou

Há algum tempo, tive uma fala no bibliocamp sobre a minha experiência de 5 anos como bibliotecária na sede da ONU, em Nova York. Fiquei, de certa forma, espantada com a repercussão dessa fala, sobretudo diante de tantos outros projetos e assuntos interessantes que foram apresentados naquele evento.

E fiquei pensando: o que afinal chama tanto a atenção no fato de um profissional brasileiro ter trabalhado em uma organização internacional? No caso dos bibliotecários, talvez a raridade.

Até hoje, além de mim, só conheço dois bibliotecários brasileiros que passaram pela biblioteca da ONU em Nova York: um foi Rubem Borba de Moraes, que a criou, e o outro é Antonio da Silva, formado pela UnB, e que é hoje chefe da área de recursos multimídia da organização. E eu, sou somente uma bibliotecária que decidiu voltar para o Brasil atrás de calor solar e humano, e que sonha em dar aulas para os futuros bibliotecários desse país. Mas continuo sendo uma de três profissionais que fizeram algo extraordinário: trabalhar em uma das principais bibliotecas do mundo.

E não digo isso porque acredito ser alguém especial. Pelo contrário, acredito que qualquer pessoa com sonhos, determinação e esforço poderia chegar lá. Poderia ser você, se esse é o seu objetivo.

A questão é que, mais do que preparo, falta ousadia e confiança para ser mais do que nos contentamos em ser. Chegar lá me ensinou pelo menos 3 coisas que podem ser aplicadas a muitas outras pelo resto da vida:

1) Só ganha quem vai até o final. Quando fui prestar a prova para o concurso da ONU, ao ver a lista de inscritos, me deparei com dois nomes conhecidos de colegas bibliotecários, gente muito capacitada e por quem tenho grande admiração. Quando vi aqueles dois nomes, pensei: “Acabou pra mim. Esses caras vão me deixar na poeira.” Mas fui fazer a prova, mesmo assim. Depois, descobri que nenhum deles foi fazer a prova, porque acharam que “não valia a pena” ou que “esses concursos são só enrolação”. Resultado: eu estava lá, e fui aprovada.

2) Menos é mais. Quando descobri que havia sido chamada para a entrevista na ONU, compartilhei a notícia com o meu empregador na época, pois deveria tirar alguns dias de férias para a viagem a Nova York. Era um acontecimento! Para minha surpresa, o diretor da casa me preveniu: “O que você vai fazer na ONU? Aqui você tem um cargo de gerência, tem status, uma posição. Lá, você vai ser só mais uma bibliotecariazinha”. Eu me lembro de dizer a meus amigos que trabalharia na biblioteca da ONU até limpando as estantes. Não era verdade, claro, e nunca tive que fazê-lo. Mas a bibliotecariazinha aqui trabalhou com gente de todo o mundo, melhorou dramaticamente o inglês, conheceu tecnologias e recursos que ainda nem existiam nas bibliotecas brasileiras, participou de vários congressos internacionais, e ainda apertou a mão do Kofi Annan. Ou seja, valeu a pena.

3) Sucesso é o que te faz feliz. Morei 5 anos em Nova York devido ao meu trabalho, e me apaixonei profundamente pela cidade. Mas durante todo esse tempo, meu coração sempre esteve no Brasil. Sempre soube que iria voltar. Se tivesse ficado lá, hoje seria muito mais “bem sucedida” profissional e economicamente. Mas não seria feliz. Quando decidi voltar para o Brasil, outros planos e rumos foram surgindo, fui encontrando pessoas maravilhosas, e me envolvendo em diversos projetos pessoais e profissionais que me dão enorme satisfação. Isso, pra mim, é sucesso.

Confie no seu taco. Ouse.