10 coisas que aprendi depois de 40 congressos

Acabei de dar uma olhada na programação do SNBU, que vai acontecer na próxima semana, em Manaus. Gostaria muito de ir, mas por motivo de força maior não irei. De qualquer forma, estive presente em várias outras conferências e congresssos nos últimos anos. Fossem elas em nível local, estadual, nacional, internacional, especializada, estudantil, não importa, eu estive lá. Até conseguei montar um “kit de sobrevivência para congressos”, que inclui as roupas certas para cada evento e cidade, os materiais de divulgação ou de apresentação (caso eu fosse dar uma palestra ou curso) e o controle da programação dos grandes congressos, que normalmente colocam apresentações interessantes acontecendo simultaneamente ou em intervalos de tempo muito curtos (o que exige um planejamento para maximizar a grade de horários).

Por mais que a gente às vezes fique irritado com a profissão, no fundo no fundo sempre que participei de um evento da área foi pra ver se eu conseguia recapturar a emoção e crença nas bibliotecas que me fez permanecer na profissão depois desses anos todos. Foi por essa mesma razão que eu resolvi organizar o primeiro bibliocamp, uma conferência para me fazer acreditar de novo, naquilo que eu realizo todos os dias e no que eu dediquei minha vida a concretizar profissionalmente. Spoiler alert: deu certo.

então…o que eu aprendi depois de ter participado de tantos SNBUs, CBBDs, ENEBDs, colóquios, encontros, palestras, etc?

Lição 1: Uma paixão sincera pelo trabalho permeia tudo que os bibliotecários fazem

As principais apresentações e conversas nos eventos levam a esse ponto. Os colegam falam sobre seus projetos bem sucedidos (ou não), discutem entre si o que estão fazendo naquele momento, os esforços em grande parte centrados em seus usuários, com um entusiasmo geralmente reservado a shows do Wesley Safadão. A gente passa horas ou dias rodeados por pessoas sorridentes e orgulhosas sobre o trabalho que elas fazem diariamente. Soraia foi a primeira a dizer que a biblioteconomia é uma profissão de apaixonados. Quem sou eu pra discordar?

Lição 2: Os bibliotecários formam um grupo forte

Mesmo que o número de participantes oscile entre um evento e outro, não deixa de ser surpreendente pensar que todas aquelas pessoas que estão ali, andando pelos corredores, pegando seus brindes nos stands, sentadas assistindo uma palestra, é uma pessoa que trabalha ou trabalhou com bibliotecas. Há tantos de nós e todos nós estamos, em nosso próprio caminho, trabalhando pra caramba para tornar nossas bibliotecas melhores e mais relevantes pros nossos usuários. Falamos muito sobre nosso sentimento marginalizado, como nossas instituições não ligam pra gente, ou como não somos reconhecidos como classe profissional. Pode não parecer na primeira impressão, mas existem muitos de nós, muitos mesmo. Com os esforços de grupos como a ABRAINFO e dos próprios CRBs e associações, podemos continuar a melhorar nossos números, a nossa paixão e nossa ética, para realizar uma mudança positiva em níveis locais e nacional.

Lição 3: Pessoas incríveis fazem coisas incríveis todos os dias e não recebem prêmios por isso

Para cada mil pessoas que trabalham em bibliotecas fazendo coisas inovadoras, oferecendo soluções criativas, além de todo o resto, talvez uma só receba algum tipo de reconhecimento. Prêmios são bons, mas eles não representam todos, nem necessariamente o melhor, dentre todos os bibliotecários que estão dando seu sangue nas bibliotecas. Por favor, lembre-se de dizer obrigado para as pessoas com quem trabalha. Diga obrigado também às pessoas aleatórias em outros lugares que você vê fazendo coisas boas. Não existem certificados suficientes, troféus, medalhas para reconhecer o bom e necessário trabalho por tudo o que fazemos.

Lição 4: O trabalho dos bibliotecários é muitas vezes difícil devido a fatores fora do nosso controle

Nenhum trabalho em biblioteca, orçamento, chefe, estrutura política institucional, estrutura, população, apoio ou prédio vai ser perfeito para todos. Há muita coisa que tem o potencial de causar enormes quantidades de estresse. A realidade é que esses elementos são parte do trabalho, parte do serviço público. Há trabalhos que se encaixam melhor ou pior com uma pessoa e comunidades que se encaixam melhor ou pior com um bibliotecário. É nosso trabalho descobrir onde podemos encaixar para que possamos continuar fazendo um bom trabalho.

Lição 5: O trabalho dos bibliotecários é muitas vezes difícil devido a fatores completamente fora do nosso controle

Há algumas coisas que podemos controlar. Podemos optar por não trabalhar horas insanas e dar o nosso sangue de graça. Podemos cuidar de nós mesmos simplesmente aproveitando nossos intervalos (*suspiro*) e dar uma caminhada fora da biblioteca durante o almoço. Podemos dar prioridade ao desenvolvimento profissional. Podemos optar por não permitir que os pequenos dramas (e vamos ser honestos, eles são pequenos dramas) no local de trabalho tornem-se crises completas que nos levam ladeira a baixo. Podemos optar por gastar o nosso tempo e energia com os membros da equipe que trabalham como nós e que compartilham conosco os objetivos e a ética, e que são agradáveis de estar ao redor, minimizando assim o impacto e a influência das poucas maçãs podres que podem existir em qualquer organização.

Lição 6: Dinheiro, tipo de biblioteca e tipo de posição afetam significativamente a realidade de um bibliotecário

Um bom número de comentários que ouvi, tanto em sessões formais e conversas informais, refletia um viés pessoal e experiência limitada do palestrante. Nem todo mundo tem um smartphone. Talvez na sua comunidade, mas não na minha. Nem toda biblioteca pode ter um espaço “makerspace”. Nem todo bibliotecário pode pagar um hotel de luxo. Nem todos os usuários da biblioteca podem ler. Nem todo usuário da biblioteca se sente seguro na biblioteca. Nem todo bibliotecário tem suporte para publicar ou buscar o desenvolvimento profissional. Não toda escola possui um bibliotecário. Lembre-se que sua própria situação é apenas isso: a sua própria. Ouça as histórias dos outros e amplie sua compreensão do grande fluxo de nosso trabalho, bibliotecas e comunidades que servimos.

Lição 7: Existe um grupo de bibliotecários mais jovens que estão deixando os mais antigos orgulhosos

Percebi um tempo atrás que eu não faço mais parte da geração dos mais novos. Eu já sou bibliotecário por mais de 10 anos e trabalho em bibliotecas há mais de 15. Muitos novos bibliotecários, e, definitivamente, não apenas os bibliotecários, mas pessoas que trabalham diretamente com bibliotecas, estão fazendo coisas ótimas. A energia, inovação e perspectiva que eles trazem para os seus postos de trabalho me traz esperança de que nossas bibliotecas têm um futuro decente.

Lição 8: Questões de justiça social importam muito para os bibliotecários

Tenho visto exemplos lindos de pessoas que se juntam para aprender, mostrar solidariedade para com, e promover várias questões de justiça social. A localização de algumas conferências nas principais capitais, por exemplo, ampliou muito a consciência sobre a violência urbana, da população de rua, racismo e questões LGBT. A desigualdade social, o racismo, o sexismo, a disparidade de renda, intolerância e ódio de todas as formas não são tolerados nas bibliotecas ou pelas bibliotecas. As resoluções dos conselhoes e associações, que apelam para bibliotecas mais inclusivas, é um bom exemplo deste trabalho. Precisamos nos comprometer a fazer mais em nossas próprias bibliotecas e carreiras daqui para frente para defender estes valores essenciais. É muito fácil ter medo de tomar uma posição política e colocar a sua organização ou seu emprego em risco, em detrimento dos interesses da comunidade. É muito mais fácil ter medo e seguir as políticas e procedimentos e seguir a linha da sua instituição, esquecendo quem você é e qual é a sua ética profissional. Sou grato aos meus colegas por me lembrar a todos nós deste importante elemento do nosso trabalho.

Lição 9: As nossas histórias são mais importantes do que as nossas estatísticas

Você pode contar os seus livros, o número de visitantes, os seguidores no facebook. Ou você pode contar histórias, pode causar um impacto em outras vidas, e compartilhar essas histórias com as pessoas que tomam decisões orçamentais e políticas sobre a sua biblioteca. Tudo o que eu ouvi nas principais conferências tinha mais ênfase na segunda ação do que na primeira.

Lição 10: Ajudar as pessoas ainda me traz mais alegria do que qualquer outra coisa

Este último ponto pode parecer óbvio, mas não é. Os momentos nos congressos que me fizeram sorrir, que me energizaram e me animaram, todos tinham a ver com alguém ajudando alguém ou eu ajudando outra pessoa. Eu fico completamente entusiasmado pela profissão ao ver um impacto positivo a partir do intercâmbio de conhecimentos, uma mão amiga, uma dica simples ou uma experiência compartilhada.

Portanto, todos vocês vão ter que me aturar por mais um tempinho. Esta coisa de “ser bibliotecário” parece estar incorporada profundamente no meu ser para me levar a continuar a trilhar este caminho. Eu prometo fazer o meu melhor e sei que vocês vão prometer fazer os seus. Obrigado a todos por serem da minha tribo.

[artigo original Who We Are: Lessons from ALA Annual Conference 2016]

Como fazer pesquisa em bibliotecas especializadas ou de obras raras

É muito comum pesquisadores e entusiastas de bibliotecas especializadas e de obras raras se deslocarem muitos kilômetros e dedicarem muitos dias em busca dos seus materiais de pesquisa. Qual é a maneira mais eficiente então de visitar essas bibliotecas, ter acesso ao acervo, consultar os materiais e atender as expectativas dos bibliotecários?

Tendo trabalhado em bibliotecas especializadas e sempre relatando e acompanhando essas visitas (no Caçadores de Bibliotecas e de pesquisadores como o Fabiano Cataldo e a Claudiane Weber, por exemplo), acho que seria interessante oferecer algumas dicas para pesquisadores ou pessoas em geral que precisam consultar algum acervo raro, manuscritos ou materiais especializados. Vamos lá.

Conheça a biblioteca

Antes de visitar uma biblioteca especializada (inclua aqui bibliotecas nacionais, universitárias, religiosas, de obras raras, etc) é importante contactá-la para confirmar que o material que você pretende examinar está disponível nas datas que deseja visitar. Isso é crucial especialmente para quem viaja para visitar bibliotecas de outras cidades e países. Os itens podem algumas vezes estar em exibição em uma exposição, emprestados, passando por algum tipo de conservação ou no estúdio fotográfico. Não tem nada mais simples do que dar um telefonema ou mandar email pra confirmar. Outra coisa importante é verificar se a obra já não foi digitalizada, já que as bibliotecas estão disponibilizando novos materiais online todos os dias.

Especialmente durante viagens, certifique-se que a biblioteca não estará fechada para algum feriado ou evento local. Algumas bibliotecas menores fecham para uma pausa do almoço. Lembre também que muitas vezes você vai ser convidado a deixar o ambiente de pesquisa alguns minutos antes do horário de fechamento indicado.

A maioria das bibliotecas exige que você solicite os itens com antecedência, que deve ser feito pelo menos um dia antes da visita. Isso agiliza a pesquisa porque você não vai precisar ficar esperando as obras serem encontradas nos armazéns e estantes, elas já estarão lá separadas quando você chegar. Provavelmente será necessário obter um passe de leitor ou visitante para a maioria das bibliotecas, ou até mesmo atender requisitos incomuns para entrar em certas bibliotecas especializadas. Tente resolver de antemão, para não correr o risco de chegar lá e descobrir que você não trouxe identificação suficiente para ser admitido.

Tenha sempre em mãos:

1. comprovante de residência
Já que você estará trabalhando com alguns materiais considerados valiosos, vai ser preciso uma prova oficial de endereço para obter o acesso.

2. uma carta de referência ou recomendação
A maioria das bibliotecas especializadas exige que você traga uma carta de recomendação recente indicando brevemente qualquer filiação institucional que você possua e comprovação de experiência com manuseio de materiais e coleções especiais. Ela deve ser impressa em papel timbrado oficial. Leve sempre um original e uma cópia para cada biblioteca que visitar.

3. foto 3×4
Algumas bibliotecas possuem câmeras e tiram sua fotografia na hora. Mas outras bibliotecas menores podem pedir-lhe para trazer uma ou duas fotos para anexar a um cartão de visitante. Se a biblioteca for em outro país procure saber qual é o tamanho exato da foto de identificação que eles exigem.

4. dinheiro vivo e moedas
Normalmente você não pode entrar com bolsas ou mochilas e precisa deixá-los no guarda volumes. Mas na maioria das bibliotecas (fora do país), você recebe uma chave de armário, em troca de uma moeda. Não se preocupe: é um depósito, você vai recebe-la de volta quando retornar a chave. Além disso, as bibliotecas podem cobrar taxas por reprodução de imagens (fotografias, reprografias, microfilmes) e outros serviços, como o próprio cafezinho. Leve dinheiro.

Ao planejar sua visita, não se esqueça de cuidar de si mesmo: algumas bibliotecas podem ser muito frias (bibliotecas de faculdades e catedrais antigas especialmente durante o inverno no hemisfério norte). As grandes bibliotecas nacionais e universitárias tem restaurantes e cafés no local, mas em outros casos você vai querer trazer um estoque suficiente para garantir o dia, sem perder tempo à procura de comida.

Traga os instrumentos certos

Pense cuidadosamente sobre suas necessidades de pesquisa antes de ir à biblioteca, e o que você vai precisar para respondê-las. Muitas viagens bem-sucedidas para a sala de leitura podem ser feitas com nada mais do que um método para tomar notas. Mas tudo pode ficar mais fácil com algumas ferramentas simples:

1. uma régua
Esta é a parte mais importante do kit de ferramentas do pesquisador especializado. É bem difícil encontrar uma régua específica para o trabalho codicológico. Os manuscritos são sempre medido em milímetros, independentemente da sua dimensão; isto significa que você quase nunca vai precisa se preocupar com números decimais ou frações para chegar a um nível adequado de precisão, poupando tempo. Infelizmente, a maioria das réguas são marcadas apenas em centímetros, o que torna difícil para ler as inscrições menores. As réguas mais precisas numeram os milímetros individualmente. Ainda melhor é uma régua que marca metade dos milímetros. Como o pergaminho raramente é plano, uma régua flexível é o ideal para trabalhos que avaliam o layout da página ou caligrafia. Uma régua de cerca de 500 milímetros de comprimento é o suficiente para a maioria dos manuscritos.

2. lápis e papel
Bibliotecas com coleções especiais proibem canetas. Muitos emprestam lápis, mas às vezes um lápis emprestado não é o suficiente para a escrita mais estendida; traga os seus próprios lápis, além de um apontador. Mesmo se você estiver usando um laptop, não quer ficar preso se a bateria morrer de repente.

3. uma câmera
Às vezes é mais rápido tirar uma foto e fazer anotações mais detalhadas em casa. Reconhecendo que isso reduz o desgaste das coleções, um número crescente de bibliotecas permite a fotografia de seus itens. Mas não conte somente com isso: muitas salas de leitura tem luz demasiado fraca para obter uma imagem clara de uma página de texto escrito à mão, com uma câmera point-and-shoot ou smartphone tradicional. Mesmo com uma câmera sofisticada o texto pode estar ilegível, necessitando de outra visita. Muitas vezes a opção mais rentável é (quando existir) solicitar uma cópia ao serviço oferecido pela própria biblioteca, que produz fotografias mais claras e profissionais; e se você pedir um manuscrito inteiro, você também vai estar fazendo um favor ao mundo, uma vez que isso permite que as bibliotecas tornem o material disponível através da digitalização das obras. Se você está determinado a tirar suas próprias fotos, esteja ciente de que muitas bibliotecas proibem câmeras SLR que emitem ruidos. A câmera ideal para a maioria dos pesquisadores é uma câmera semiprofissional. Busque a câmera que ofereça maior sensibilidade de captura, já que esta é a chave para obter fotografias nítidas de texto (um sensor APS-C é uma expectativa razoável com a tecnologia de hoje e com o orçamento de um pesquisador). Também é útil ter uma capa de lente, para reduzir o brilho das luzes fluorescentes e garantir que você não fique muito perto do livro.

4. uma lupa
Opcional, dependendo de sua visão e da especificidade da pesquisa. Muitas vezes pode ser emprestada nas salas de leitura.

5. uma pequena lanterna elétrica
Ao estudar uma superfície de escrita, seja em pergaminho ou uma página impressa, um feixe de luz pode revelar muitos detalhes. Certifique-se de usar uma luz LED, uma vez que estas produzem menos calor; e tenha cuidado para não cegar outros leitores.

Seja bonzinho com as obras raras

A manipulação de um manuscrito ou obra rara é como cuidar de uma criança pequena. Eles às vezes podem ser surpreendentemente resistentes, mas também podem fazer coisas inesperadas quando não estamos atentos e se machucar facilmente.

Utilize sempre os apoios apropriados para as obras: em geral as bibliotecas disponibilizam apoiadores em cada mesa. As almofadas de espuma em formato triangular estão se tornando comuns e vêm em tamanhos diferentes. Se você não encontrar o que precisa, ou você não tem certeza de como usar os apioadores corretamente, a equipe da sala de leitura está lá para dar uma mão.

A Biblioteca Britânica oferece uma série de filmes que mostra como usar os itens especiais corretamente; mesmo pesquisadores experientes às vezes são surpreendidos ao descobrir que estavam utilizam as obras incorretamente durante décadas. Procure saber na sua biblioteca de preferências se eles oferecem orientações específicas sobre a utilização e conservação das obras.

[artigo original Tips for a Manuscripts Road Trip]

O futuro dos serviços de biblioteca em 3 visualizações

1. A Biblioteca do Futuro é um lugar onde nem livros, nem mesmo informação, estão no centro, mas as pessoas

future

As pessoas desejam espaços onde elas podem se reunir, onde podem aprender, onde possam viver e se divertir. A biblioteca do futuro está equipada para capacitar as pessoas para o conhecimento.

“O conhecimento é mais importante do que o espaço” – Edward Glaeser

Através de amenidades tecnológicas, espaços culturais e de exposições organizados, e uma abordagem de uso misto para a aprendizagem que incorpora tudo desde empreendedorismo e makerspaces até salas de aula no modelo “flipped” e cadeiras especiais para tirar uma soneca, os serviços de biblioteca do futuro vão encontrar as pessoas onde elas estão – e transformar-se em muitas outras possibilidades. Mas o que isso significa para os livros?

2. A Biblioteca do Futuro revive as suas origens como uma grande democratizadora do conhecimento

As bibliotecas antigas foram formadas para democratizar artefatos culturais e conhecimentos – a grande biblioteca de Alexandria, com seus extensos volumes, era um edifício icônico que honrou o compartilhamento do conhecimento. Hoje, as bibliotecas universitárias são confrontadas com as exigências da alta despesa que seus espaços impõem, e demandam novas soluções.

“Uma biblioteca é um lugar onde as pessoas interagem com a cultura” – Edmund Klimek

Ao realocar materiais para fora do campus e usando o capital imobiliário crucial dentro da universidade para fornecer espaços de interação, as bibliotecas podem oferecer um nível inteiramente novo de serviço. Ferramentas como digitalização e catálogos on-line são apenas a ponta do iceberg – com inovações em serviços de biblioteca, as bibliotecas podem reunir as pessoas em torno de um hub de conhecimento, ao mesmo tempo preservando seus ativos para melhorar a longevidade das obras.

3. Para alcançar essas oportunidades de engajamento, a Biblioteca do Futuro deve funcionalmente preservar seus ativos

Para que as bibliotecas funcionem eficazmente, elas precisam ser construídas em torno dos mesmos serviços e processos que suportam. Para as universidades Emory e Georgia Tech, que estavam combinando suas coleções em um único acervo compartilhado, a empresa KSS concebeu um Centro de Serviços de Biblioteca, onde cada metro quadrado é dedicado a um processo contínuo. Este passo na preservação de artefatos culturais da biblioteca é crucial, não só para proteger os bens culturais de valor inestimável, mas também – e talvez contraintuitivamente – para torná-los mais utilizáveis. Ao melhorar a preservação destes materiais, eles estarão disponíveis para as futuras gerações de alunos, avançando o valor e a longevidade da biblioteca por séculos.

A abordagem da “Centro de Serviços de Biblioteca” [eu prefiro a tradução de Library Service Center como “Biblioteca Central de Atendimento”] é fundamental para cumprir o papel da biblioteca do futuro: ao criar uma poderosa instalação fora do campus, uma coleção compartilhada com muito mais materiais do que qualquer uma das instituição tiveram acesso antes, o Centro de Serviços de Biblioteca abre espaço no coração do campus para a aprendizagem compartilhada, reunindo espaços e estudos com alta tecnologia e pesquisa.

“Sua biblioteca é o seu retrato” – Holbrook Jackson

O poder do mundo dinâmico em que vivemos está na quantidade de engajamento que experimentamos diariamente – experiências que são memoráveis, pessoais, sensoriais. A economia da experiência percebe o poder do engajamento – pessoas que se deslocam através e além das comunidades. Para a biblioteca aproveitar esse movimento ela precisa transformar-se, tornando-se uma instituição que serve tanto seus usuários como a sociedade como um todo.

O caminho para a Biblioteca do Futuro é claro – ao preservar artefatos culturais em espaços intencionalmente concebidos, as instituições podem maximizar a longevidade funcional, oferecendo oportunidades para o engajamento que moldam um modelo novo do futuro. Bibliotecas tornam-se mais dinâmicas, mais democratizadas, mais acessíveis, mais centradas nas pessoas. Elas percebem seu potencial como lugares emblemáticos na junção de conhecimento e cultura.

[tradução do texto original The future of library services in 3 visualizations publicado pela KSS Architects]

19 segredos que os bibliotecários nunca revelam

1. A gente não enjoa dos livros

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A maioria de nós têm sido sempre, e provavelmente sempre será, leitor. Nós adoramos discutir todas as coisas relacionadas a livros dentro e fora da biblioteca.

2. Mas nós ficamos irritados quando as pessoas dizem coisas como: “Então o seu trabalho é só ler livros o dia inteiro, deve ser bom!”

Nós coletamos materiais (livros, revistas, filmes, bases de dados, etc), oferecemos programação para todas as idades e grupos demográficos, vamos até as nossas comunidades para mostrar como a biblioteca pode beneficiá-las, oferecemos aulas, etc.

3. Não é incomum encontrarmos “surpresas” dentro dos livros devolvidos – alimentos, mofo e alguns livros encharcados

Cuide das suas coisas! A gente também vê livros com páginas arrancadas, manchas estranhas em algumas páginas e livros completamente arruinados.

4. Pegar no flagra pessoas tentando cumprir a fantasia sexual da bibliotecária sexy

Muitos de nós já empatamos alguns amassos entre as estantes. Isso acontece graças ao nosso terreno, especialmente se a biblioteca tiver cantos escondidos e mobiliário confortável. Ouve-se falar que acontece mais frequentemente em bibliotecas de universidades.

5. A gente não liga muito se os livros estão um pouco atrasados

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A vida é dura, e a gente sabe que às vezes você precisa de um pouco mais de tempo com um livro.

6. No entanto, é irritante quando um livro fica muito atrasado

Nós bibliotecários não gostamos quando um livro está extremamente atrasado, até o ponto onde os outros leitores ficam esperando um longo tempo para obtê-lo, ou pior, se o livro nunca mais for devolvido.

7. O pior é quando os usuários negam de pé juntos que não estão com o livro

Pô, cara, faz isso não. Apenas devolva o livro secretamente na queda da noite e ninguém vai dizer nada.

8. Diferente do que a mídia retrata, nós não passamos o dia fazendo shiii para as pessoas

Nós apenas monitoramos o nível de ruído em zonas de silêncio. Nesses locais, a gente têm de fazer calar algumas pessoas às vezes, o que não é divertido. As bibliotecas são espaços incrivelmente multifacetados que refletem as suas comunidades e não são mais lugares onde todos precisam ficar calados.

9. Nós não ficamos irritados quando os usuários fazem barulho nas áreas não-silenciosas

As bibliotecas públicas tem um monte de programas barulhentos (por ex: atividades infantis são quase sempre barulhentas). As bibliotecas são mais do que as pessoas costumavam pensar delas. Há experiências científicas e filmes e música e muitas outras coisas incríveis acontecendo nelas!

10. Mas nós não gostamos de ter que chamar a atenção dos outros

Só siga as regras, por favor.

11. A gente adora dar recomendações de livros, por isso não tenha medo de perguntar

Nós adoramos dar recomendações de leituras. É sinceramente uma das partes favoritas do trabalho. Se você está procurando um novo livro pra ler, pergunte ao seu bibliotecário!

12. Um grande desafio para os bibliotecários em bibliotecas públicas é proporcionar diversão e coisas engenhosas com um orçamento apertado

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Ter um orçamento limitado ou pequeno e querer fornecer TODAS AS COISAS é difícil. Felizmente, os bibliotecários são engenhosos, e muito sagazes em seu desejo de promover o conhecimento e acesso à informação para todos.

13. Nada é melhor que descobrir que nós ajudamos alguém a ter sucesso

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Certa vez uma bibliotecária tinha um usuário frequente que passou em um concurso importante depois de meses estudando para a prova. Daí o usuário pediu pra ela ler a tela do computador, mostrando que ele passou. Foi muito emocionante para a bibliotecária fazer parte daquilo, embora a uma certa distância, apenas fornecendo um lugar seguro e confortável e a tecnologia e ferramentas para que ele pudesse estudar.

14. Se o livro que você quer não está lá, nós podemos obtê-lo em outro lugar para você

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Nós podemos tentar pedir emprestado o livro de uma biblioteca diferente (pergunte ao seu bibliotecário sobre empréstimos entre bibliotecas!), ou, se o orçamento e a demanda permitirem, vamos considerar a compra do livro para adicionar à coleção.

15. Nós realmente gostamos de ajudar as pessoas

Isso poder ser tanto ajudar uma criança a encontrar livros que irão incentivar o seu amor pela leitura, mostrar a alguém como usar computadores para conseguir um emprego, fornecer ferramentas para ajudar alguém a voltar para a escola, ou indicar qual abrigo público um morador de rua pode utilizar naquela noite.

16. A gente também *ama* organizar eventos para a comunidade

A photo posted by Leanne Oliveira (@comicfairy) on

Ver a comunidade se envolver e desfrutar dos programas é um êxtase para muitos de nós. Além disso, nós costumamos criar atividades que nós queremos participar, então é um duplo benefício!

17. Nós não ficamos ofendidos com o estereótipo nerd

A photo posted by Allison (@howifeelaboutbooks) on

Na maioria dos casos, nós bibliotecários somos rebeldes e guerreiros da justiça com muito boas habilidades de pesquisa e organização.

18. A gente não se importa em tentar nosso melhor para ajudar a encontrar um livro baseado apenas na capa, mas ajuda muito se você tiver mais informações

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Não é fácil, mas a gente tenta.

19. Nós gostamos quando os usuários fazem coisas boas pra gente, mas a principal forma de manter sua biblioteca preferida é deixar o governo local saber que ela é importante pra você

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Nós já recebemos notas de agradecimento, flores, etc., e sempre aprecimos o carinho, mas também tentamos dizer às pessoas para apoiar seus bibliotecários usando a biblioteca e deixando o governo local saber que você ama a biblioteca e deseja ver mais dinheiro investido na compra de livros e novos recursos.

[post original publicado no BuzzFeed: 19 Secrets Librarians Will Never Tell You]

Altmetria para bibliotecários

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Saiu o aguardado livro da Andréa Gonçalves sobre altmetrics. O livro é resultado da pesquisa dela no mestrado e é ótimo porque mostra vários exemplos de aplicação de altmetria na prática, diferente da maioria dos artigos acadêmicos que apresenta somente o conceito.

O livro não foi escrito somente para bibliotecários, mas acho que nós temos aqui uma chance enorme de aprofundar ainda mais nessa coisa de métricas acadêmicas alternativas.

A gente acaba atuando mais ou menos como consultores dentro das discussões institucionais sobre a comunicação científica e a definição do impacto da pesquisa, os professores estão sempre tirando dúvidas com a gente sobre os indicadores de impacto, não é verdade? Quem também lida diretamente com assinaturas de periódicos e hospedagem de conteúdo em repositórios, por exemplo, vai começar a pautar as decisões de aquisição e renovações de assinaturas a partir do volume de conteúdo compartilhado e reverberado na web. Além disso, nós normalmente somos os responsáveis pelas atividades de mediação e treinamento dos usuários em gestão de informação científica e sobre mídias sociais e ferramentas como Mendeley, Google Scholar, YouTube, Slideshare e blogs. Por isso que a Altmetria pode e deve tornar-se uma parte mais comum do ferramental das bibliotecas acadêmicas e especializadas.

O ebook está disponível nas principais lojas online. Vejam aqui o release completo: Altmetria para bibliotecários Guia prático de métricas alternativas para avaliação da produção científica

Aplicativos mobile em bibliotecas brasileiras – parte 2

Eu quis dar uma atualizada neste post de 2012 depois de constatar duas coisas. A primeira é que cerca de 20% dos acessos ao catálogo da UFRJ são via mobile (smartphones ou tablets). A segunda é que as buscas por “biblioteca” nas lojas de aplicativos (appstore e google play) trazem quase nada relacionado à bibliotecas propriamente.

Ou seja, a primeira preocupação é saber quantos de nossos sistemas (pergamum, aleph, sophia, etc) foram atualizados nos últimos anos para oferecer aos usuários pelo menos um design responsivo do catálogo. A maioria desses OPACs já conta com a possibilidade de fazer reservas e renovação online, o que é ótimo, mas poucos ainda são otimizados para mobile.

Não sei qual é a impressão de vocês, mas a mim, 20% de acessos, 1 a cada 5 usuários acessando o catálogo, é bastante. Essa estatística é proveninente de um grande sistema de bibliotecas universitárias, talvez não seja a realidade de vocês, mas aqui está se tornando cada vez mais comum os usuários chegarem com os números de chamada a partir de telas ou prints que eles tiram acessando o catálogo direto no celular, mesmo quando a biblioteca oferece computadores dedicados para isso. Acabou aquela história de anotar número de chamada no papelzinho.

Pois bem, a solução para o primeiro problema (um número cada vez maior de usuários acessando o catálogo da biblioteca via mobile) seria oferecer um aplicativo da biblioteca, algo simplificado que permitisse a consulta ao acervo, ou algo mais elaborado que permitisse o login a partir do app, para fazer reservas e renovações. Se desenvolver apps é complicado, então que pelo menos o design do catálogo seja responsivo.

Vejam a diferença entre um site responsivo e outro não. A tela de USP aparece limitada, o site é visto exatamente como na tela do desktop, você precisa usar o scroll horizontal. Não é o fim do mundo, mas é chato.

USP

Já a tela do MIT é responsiva, o conteúdo do site se adequa ao espaço da tela do celular. Bem melhor.

mit

O catálogo da USP em si não é responsivo, utilizei apenas como exemplo. Mas o problema foi resolvido com a criação de um app. Conversando com o Murakami sobre o aplicativo deles, que é um dos poucos na app store que contêm essas especificações elaboradas que mencionei acima, ele explicou que o app utiliza uma parte do X-Services no Aleph, uma parte do Restfull do Primo, mais uma parte da autenticação na USP. Ou seja, é uma adaptação, mas inteiramente funcional. Se as estatísticas servem de estímulo, o aplicativo das bibliotecas da USP é bastante usado, com mais de 5000 instalações em cada plataforma (android e ios).

Sobre o segundo problema (buscas por “biblioteca” nas lojas oferecem resultados de diferentes aplicativos, mas poucos diretamente vinculados à bibliotecas), acho que seja um reflexo do primeiro (baixa oferta de apps). Então fica a expectativa de que nós bibliotecários podemos fazer melhor no futuro.

Dentre os aplicativos de biblioteca que podem servir de exemplo estão o da USP, Unesp, Unicamp, Uenf, UCS e Univates.

Home da Unicamp

unicamp

App da UFRGS que inclui a biblioteca dentre todos os serviços da universidade

UFRGS

App da Univates que mostra a localização do livro nas estantes

univates

App da USP que mostra a geolocalização das setoriais

USP

Pokémon Go em bibliotecas – uma péssima ideia?

Essa é a parte 2 sobre Pokémon Go em bibliotecas. A parte 1 está aqui.

Pokémon Go já causou várias tretas e episódios policiais bizarros, como isso aqui:

Departamentos de polícia ao redor do mundo e funcionários de diversos locais públicos foram obrigados a publicar avisos, lembrando os usuários #pokemongo a fazer coisas simples como olhar para os dois lados antes de atravessar a rua e não passear em áreas escuras e desconhecidas à noite. Já teve caso de gente tendo seus celulares roubados e até mesmo quem levou tiro por ter entrado sorrateiramente na casa dos outros.

Na maioria das cidades os jogadores de Pokémon Go estão aparecendo nas bibliotecas, mas segundo alguns bibliotecários isso só levou a um aumento no lixo nas cercanias. Como era de se esperar, nem todo mundo está impressionado com o cruzamento improvável entre livros e jogos de smartphones.

Embora a gente ache importante ter pessoas entrando e frequentando a biblioteca, a maioria dos que vão até lá em busca de Pokemon não se envolveram com atividades das bibliotecas em nenhum momento. Essa é uma das principais frustrações dos bibliotecários quando tentam realizar iniciativas que fogem das atividades tradicionais da biblioteca. Afinal, onde está a linha que separa aquilo que é conveniente dentro dos preceitos de uma biblioteca (pública ou escolar, especialmente) e algo que pode ser entendido como uma “forçação de barra” no desejo dos bibliotecários de ter mais gente frequentando as bibliotecas?

No caso do Pokémon Go, ele pode ser uma grande distração para aquelas pessoas que não são jogadoras. Imagine que um usuário, daqueles que tá sempre na biblioteca, está sentado fazendo sua pesquisa ou leitura sossegado, e de repente ele sente uma pessoa, que ninguém nunca viu frequentando a biblioteca, de pé a seu lado, os olhos fixos na tela do celular (psico). Ele pode até ignorá-la, mas daí ouve gritinhos, perturbando sua paz mesmo através dos fones de ouvido. É meio chato mesmo. No final das contas, o que deveria ser bom para a abertura das bibliotecas, pode terminar sendo prejudicial se os espaços são preenchidos com jogadores de Pikachu que estão lá mais para atrapalhar do que curtir.

Um outro problema é que o aplicativo tem o potencial para ser um pesadelo da privacidade. Além do acesso completo à conta do Google, o aplicativo pode rastrear e armazenar dados de localização e GPS do telefone dos usuários, permitindo que os desenvolvedores vejam fisicamente onde cada um dos jogadores esteve. A empresa de desenvolvimento de aplicativo comentou sobre as preocupações dos usuários e afirmou que a solicitação de acesso total à conta foi um descuido. Recentemente, eles lançaram uma atualização para reduzir as permissões dos pedidos do aplicativo.

Algumas bibliotecas podem não ficar muito satisfeitas em ter um bando de jogadores de Pokémon no caminho da sua clientela habitual, mas o lance é, pelo menos, alguns desses jogadores entrariam na biblioteca de qualquer maneira. Vamos acreditar que a maioria dos jogadores de Pokémon Go são relativamente tranquilos e educados, e querem fazer nada mais do que sentar ou ficar em um lugar seguro por um tempo e olhar atentamente para os seus telefones. Fazê-los sentir-se em casa pode levá-los a retribuir de algum modo e fazer o seu melhor para ficar fora do caminho dos outros usuários. Além disso, eles não vão jogar Pokémon o todo o tempo, especialmente depois que a moda passar, mas eles poderão se lembrar que as bibliotecas foram legais e fez senti-los bem-vindos naquele momento.

Ou seja, muitas bibliotecas e outras instituições estão tentando lucrar com a mania. Será que a sua biblioteca deve fazer o mesmo? Há um equilíbrio a ser alcançado, mas se conseguirmos atrair mais visitantes sem quebrar muito a nossa rotina, pode ser uma boa iniciativa. As bibliotecas devem decidir se têm os espaços e recursos adequados para gerenciar o tráfego de pessoas que pode vir com a permissão ao jogo.

A gente pode até ficar meio puto com a zueira, o barulho, o lixo, mas também não devemos nos importar com os viciados congregando por pouco tempo dentro ou fora da biblioteca. Certamente é um grupo que não tem má intenção, eles estão apenas perseguindo Pokémons, ora bolas.

A Niantic deu a entender que o aplicativo continuará a ser desenvolvido para oferecer possibilidade de negociação entre os jogadores e mais modalidades de competições, o que pode ser benéfico para as bibliotecas.

Cafés e livrarias se enchem de jogadores do Pokémon Go, e isso pode atrapalhar a dinâmica das lojas junto aos seus clientes consumidores. Mas, para lugares como as bibliotecas, que tem mais dificuldade em atrair os clientes normalmente, Pokemon Go pode ser uma janela de oportunidade.

Pokémon Go em bibliotecas – sugestões de atividades

Com o lançamento do Pokémon Go, o mundo oficialmente perdeu o senso do ridículo. #pokemongo. Vou pular a parte que explica o que são os pokemon ( “pocket monsters”, “monstros de bolso”) e tentar, de alguma forma, pensar como o Pokémon Go pode ser importante para as bibliotecas. Essa é a parte 1 dessa empreitada.

Vamos ter em mente que o foco do Pokémon sempre foi o trabalho em equipe, a amizade, a dedicação e a determinação. Coisa [infantilizada que japonês] que crianças e jovens adoram. E que o jogo original foi seguido por uma franquia que inclui graphic novels, filmes, cards e outros vídeo-games, conteúdo que se encaixa em qualquer biblioteca moderna.

A mais recente adição à marca Pokémon, o Pokémon Go, é um aplicativo gratuito que utiliza mapas em tempo real para criar um “mundo” onde os jogadores podem explorar e capturar os Pokemon. O jogo foi lançado nos Estados Unidos e outros países, mas ainda não no Brasil. A expectativa é que o nosso país entre na lista em breve, abraçando a febre #pokemongo e trazendo sentido de existência a este singelo post.

COMO #pokemongo FUNCIONA

Pokémon são criaturas com vários poderes especiais e ataques, e no jogo, você é seu treinador. O objetivo é coletar o máximo de bichinhos (usando um dispositivo chamado Pokéball), treiná-los para ser mais fortes e vencer as batalhas contra outros treinadores em troca de pontos, emblemas e dinheiro.

Na versão Go você tem que caminhar fisicamente pelo bairro/cidade para encontrar os Pokémon e suprimentos, a fim de se manter no jogo. Para reunir suprimentos, você tem que andar até os PokeStops. Isto é o que está acontecendo quando você vê no youtube um monte de gente vagando em conjunto com os olhos fixos no telefone.

Depois de atingir certo nível os usuários podem escolher equipes, lutar pelo controle dos “gyms” e definir a localização de “iscas” específicas, que servem também para atrair os Pokémon que beneficiam os usuários próximos daquele local. Essa é uma tática que as bibliotecas podem usar para chamar jogadores.

Atualmente, os usuários têm pouco controle sobre como são designados os PokeStops e os gyms. No entanto, mesmo que sua biblioteca não tenha sido designada ou não está localizada próxima de um Pokestop, você pode colocar essa “isca” para atrair outros Pokemon durante um período de tempo (custam mais ou menos R$5 nas lojas de aplicativos).

Nem todas as bibliotecas vão ter a sorte de ter essa parada/stop na sua vizinhança, e a empresa que criou o jogo ainda não tem uma maneira 100% efetiva para que as empresas solicitem se tornar um Pokéstop. Mas é aqui que as bibliotecas têm uma vantagem fundamental, porque o banco de dados de localizações de objetos Pokémon foi importado a partir de locais que concentram um grande número de transeuntes, e que estão abertos a maior parte do tempo, como por exemplo praças, monumentos, parques e edifícios públicos.

Como posso fazer minha biblioteca se tornar uma parada ou usar iscas no Pokémon GO? Isso ainda não é possível porque o jogo não foi lançado no Brasil. Mas queremos estar prontos, e quando chegar o momento, você pode enviar um pedido através do site do criador do jogo, Niantic – embora a lista de pedidos seja bastante longa a essa altura.

VANTAGENS PRA BIBLIOTECA

A franquia do Pokémon inclui livros, mangás, séries. O componente de alfabetização e leitura está lá. Mas acima de tudo, é nada menos do que uma forma divertida de se relacionar com alguns dos nossos usuários.

Pokémon Go pode ser uma boa estratégia para promover a sua biblioteca, mas principalmente, uma oportunidade para a socialização e minimizar o choque de gerações, promovendo os conceitos de espaços físicos de interação e mobilidade, tanto humana quanto digital. Os jogos baseados em localização representam um grande potencial para locais como bibliotecas e museus, e devemos olhar com carinho para essas tecnologias digitais interativas que podem dar vida às nossas coleções e espaços.

É também a chance de ter pessoas que normalmente não frequentam bibliotecas entrar e olhar por cima de seus smartphones por um momento e perceber que as bibliotecas mudaram muito nos últimos dez anos, pra melhor.

E a gente gosta de ficar por dentro do que está acontecendo e é novidade, não é verdade?

Provavelmente dentro de poucas semanas #pokemongo já vai estar saindo de moda, mas se a gente conseguir entrar no fenômeno cultural na hora certa, quem sabe conseguiremos melhorar a credibilidade da biblioteca na praça, por assim dizer.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES

Qualquer biblioteca que queira transformar essa moda em vantagem pode elaborar as seguintes atividades:

+ Sinalização de boas-vindas

+ Postagens sobre Pokémon Go no Facebook da biblioteca

+ Fazer uma exposição de livros e/ou lista de leitura sobre Pokemon

+ Solicitar um stop/gym para a biblioteca

+ Oferecer uma isca

+ Programas pokemon, tais como encontros na biblioteca e caminhadas no bairro

+ Decoração Pokémon, com banners e folders

+ Criar um time da biblioteca

Os bibliotecários são bons em encontrar respostas para perguntas difíceis. Se os usuários da biblioteca precisam de conselhos sobre como jogar, como encontrar PokéStops e ginásios na área, como definir iscas, como se engajar na conversa de mídia social sobre Pokémon Go e como sugerir uma localização de Pokéstop ou gym, o pessoal da biblioteca pode ajudá-los.

Já existe um grupo no facebook só para trocar informações de Pokémon Go em bibliotecas. Vocês podem acompanhar lá as novidades e sugestões de atividades: facebook.com/groups/pokelibrary

Por que bibliotecário?

– Todos os bibliotecários possuem formação universitária em Biblioteconomia, com algumas variações em nível de graduação para Documentação, Gestão da Informação e Gestão de Unidades de Informação. Outros podem ser considerados, ainda, cientistas da informação, já que além da graduação em biblioteconomia, fizeram mestrado ou doutorado em Ciência da Informação.

– Há um milhão de bibliotecários no mundo. Um milhão de especialistas em informação não podem ser deixados de lado.

– Os bibliotecários são uma parte essencial da gestão de ativos digitais, da arquitetura de informação e da recuperação do conhecimento estratégico para aqueles que disso necessitam.

– Os bibliotecários leem e analisam mais livros do que qualquer outro grupo no planeta. Os bibliotecários são uma fonte confiável de recomendações de livros e treinados para assessorar o leitor.

– Para os autores, os bibliotecários são um recurso indispensável para a divulgação e venda de seus livros.

– Os bibliotecários têm trabalhado durante décadas na estruturação da informação e do conhecimento, e identificado tudo através de metadados.

– Os bibliotecários são especialistas na recuperação de informação e podem recomendar informação personalizada adequada para o usuário.

– Os bibliotecários fazem a conexão entre as pessoas e as informações que elas estão procurando, e as informações que elas nem sequer sabem que estão procurando.

– Os bibliotecários são treinados para pensar na relação entre um leitor e qualquer pesquisa que ela ou ele esteja fazendo, seja uma busca inconsciente ou algo objetivo, e direcionar tanto a pessoa para a informação como a informação para o leitor.

– A consciência das bibliotecas por justiça social e a atenção para com os carentes só faz aumentar o seu valor. Os bibliotecários são defensores da redução da exclusão digital.

Sempre haverá fontes de informação para organizar. Sempre haverá pessoas que precisam de informações. Sempre haverá a necessidade de bibliotecários digitais. Sempre haverá a necessidade de bibliotecários.

[tradução de Why Librarians? de Michelle Zaffino]