As mulheres brasileiras e sua literatura gostosa… de ler!

Desculpem o trocadilho, mas o assunto é sério: a literatura produzida pelas mulheres brasileiras atualmente é muito gostosa de ler! Ela é tão, tão, tão gostosa que não queria parar de ler, situação que motivou o atraso desta postagem que deveria ter sido feita no Dia Internacional da Mulher.

Ficou para os últimos minutos do mês da mulher.

A ideia de escrever sobre o tema estava em mente desde o ano passado, mas como havia lido um número pequeno de romances ou livros de contos de “novas” autoras nacionais, nada aconteceu, mas o fato que deu início à saga foi a leitura de um artigo no blog de literatura Posfácio, onde o colunista falou da campanha mundial traduzida aqui com o horroroso #LeiaMulheres2014.

Não estou menosprezando autoras consagradas como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Raquel de Queiroz, Maria José Dupré, Ana Maria Machado, Lygia Fagundes Telles, Maria Carolina de Jesus ou autoras com obras já consolidadas e amadas como Martha Medeiros, Cíntia Moscovich e Lya Luft ou mesmo a multimidiática Thalita Rebouças e a Paula Pimenta, estas últimas best-sellers infantojuvenis.

Meu objetivo é tornar mais conhecidas entre os profissionais (torço para que conheçam!) e leitores do blog algumas boas escritoras que podem ser indicadas e lidas, ampliando o leque de leituras para além das autoras internacionais que infestam o mercado literário nacional.

Antes de começar, eu admito, eu sou muito influenciado por aquele maldito discurso do Ortega y Gasset a respeito da Missão do Bibliotecário….

De antemão, informo que as escolhidas escrevem de forma um tanto diferente uma das outras, com estilos bem diferentes e humores idem. Mas vamos a quem interessa: elas e suas obras!

Começo com uma escritora que conheci pessoalmente em meados de 2005, mas cujo primeiro foi lido somente agora.

Ana Paula Maia, nascida no Rio de Janeiro, é autora dos romances O habitante das falhas subterrâneas (7 letras, 2003) e A guerra dos bastardos (Língua geral, 2007). Em 2006 publicou o primeiro folhetim pulp da Internet brasileira em 12 capítulos. Tem contos publicados em diversas antologias, entre elas 25 Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004) e Sex´n´Bossa (Mondadori, Itália, 2005).

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De gados e homens (Record, 2013), é seu último romance (é uma novela, pois tem apenas 124 páginas) e é simplesmente devastador. Ana Paula conta o dia-a-dia de trabalhadores em um abatedouro em algum canto do país (o local me lembra muito o interior de Mato Grosso do Sul, lugar onde tenho um primo que trabalha em um abatedouro) sem fazer concessões. É um livro para os fortes e depois de lê-lo você vir a desistir de comer um bom hambúrguer!

[Pô, tive de comprar]

 

Tatiana Salem Levy, é escritora, tradutora e doutora em Estudos de Literatura. Publicou o livro A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze (Relume Dumará) e contos na revista Ficções 11 (7Letras) e nas antologias Paralelos (Agir) e 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record). A chave de casa, seu romance de estréia, foi publicado primeiramente em Portugal, pela editora Cotovia.

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A chave da casa (Record, 2007) foi seu romance de estréia e já chegou provocando. Composto de pequenos capítulos (moda na literatura brasileira atual) em narrativa não linear, este livro de tom autobiográfico consegue ser terno, histórico e radical, pois cada em capítulo um momento da vida da personagem é contado, e ela passeia por Portugal, Turquia, Rio de Janeiro, Estados Unidos e por sua cama…. e por falar em cama há trechos quentes, que podem interessar àqueles que curtem uma pegada mais sensual. Mas também há um trecho de tortura (sim, a mãe da personagem viveu a Ditadura brasileira).

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo e Biblioteca de Niterói]

 

Carola Saavedra nasceu em Santiago do Chile, em 1973, e veio com a família para o Brasil três anos depois. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e também na Espanha e na França. Hoje vive no Rio de Janeiro e é escritora e tradutora. Em 2005, publicou o livro de contos Do lado de fora (7Letras, 2005). Recebeu o prêmio APCA de melhor romance pelo livro Flores azuis (2009). Está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros escolhidos pela revista Granta.

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Toda terça (Companhia das Letras) é um livro escrito a partir de um Divã, local onde dois personagens, uma mulher e um homem, contam seus encontros e desencontros amorosos. Ou seja, aparentemente um livro simples e tradicional mas muito bem escrito.

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo e Biblioteca Parque de Manguinhos]

 

Adriana Lisboa começou oficialmente sua carreira em 1999, com a publicação do romance Os fios da memória, ao qual se seguiram outros quatro: Sinfonia em branco (2001), que a levou a ser apontada pela crítica como uma das mais importantes revelações da nova literatura brasileira, Um beijo de colombina (2003), Rakushisha (2007) e Azul-corvo (2010). Em 2004 lançou uma coletânea de contos curtos e poemas em prosa, Caligrafias, com desenhos originais de Gianguido Bonfanti. Em 2007 publicou a novela O coração às vezes para de bater, adaptada para o cinema por Maria Camargo. Sua obra se completa com três livros infanto-juvenis: Língua de trapos (2005), A sereia e o caçador de borboletas (2009), ambos ilustrados por Rui de Oliveira, e Contos populares japoneses (2008), ilustrado por Janaína Tokitaka.

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Sinfonia em branco (Alfaguara, 2011) se encontra entre os livros mais belos e trágicos que já li. Do ponto de vista de beleza ele me lembrou muito alguns trechos de “Reparação” do Ian McEwan um dos livros que indiquei outro dia como um dos dez melhores que já li. Alguns silêncios parece que gritavam mil palavras enquanto lia. Já o trágico lembrou-me “Os sofrimentos do jovem Werther” do Goethe. Me recuso revelar a história, mas apesar da leveza da escrita o livro é tão pesado quanto o da Ana Paula Maia.

[Disponível na Mário de Andrade e Biblioteca de Niterói]

 

Luisa Geisler nasceu em Canoas (RS), mas passa dois terços de seu tempo em Porto Alegre, estudando Relações Internacionais. Contos de mentira é seu livro de estreia, mas conquistou o prêmio Sesc de literatura. Para alguém que nasceu em 1991, não é pouco o que já fez: ganhou prêmios literários, publicou contos em antologias, revistas e na internet, traduziu, lecionou inglês, arrancou os sisos, tentou fugir de casa, estudou cinco idiomas estrangeiros e somou outros tantos feitos afins.

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Quiçá (Record, 2013) é o segundo livro da jovem autora e nele ela demonstra muita habilidade para misturar vários momentos em um único capítulo do livro, ou seja, ela utiliza a narrativa não linear que cai muito bem nos dois jovens personagens principais, os primos Clarissa, de 11 anos, e Arthur de 18 anos, onde o segundo, após uma tentativa de suicídio, vai morar com a família da garota. Mas o grande problema de convivência não será entre os dois jovens tão diferentes entre si, mas sim com seus pais, família e porque não com a sociedade. Vale muito a pena ser lido!

[Disponível na Mário de Andrade – Circulante, Biblioteca de São Paulo e Biblioteca de Niterói]

 

Vanessa Bárbara nasceu em 1982, é jornalista e escritora. É colunista do International New York Times e da Folha de S.Paulo. Publicou o romance Noites de alface (Alfaguara, 2013), a graphic novel A máquina de Goldberg (Quadrinhos na Cia., 2012, em parceria com Fido Nesti), o livro-reportagem O livro amarelo do terminal (Cosac Naify, 2008, Prêmio Jabuti de Reportagem), o romance O verão do Chibo (Alfaguara, 2008, em parceria com Emilio Fraia) e o infantil Endrigo, o escavador de umbigo (Ed. 34, 2011). É também tradutora e preparadora da Companhia das Letras. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.

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Noites de alface (Alfaguara, 2013) é delicioso. A história dos dois velhinhos do bairro do bairro do Mandaqui em São Paulo (não, o livro não se passa no Mandaqui, mas tudo leva a crer que sim, pois é o bairro onde a autora mora e idolatra) me fez rir à toa em vários momentos. Em seguida, com um deles sozinho após a partida de um deles, certa melancolia toma conta da obra, mas mesmo assim o humor (mesmo que negro) é visível a cada momento até o desfecho inesperado. Recomendo, e dou meu exemplar de presente para quem lembrar de algo que ligue ela aos bibliotecários e bibliotecas…. (risos sarcásticos).

[Pô, tive que comprar] 

 

Beatriz Bracher nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em Letras, foi editora da revista 34 Letras, de literatura e filosofia, e uma das fundadoras da Editora 34, onde trabalhou por oito anos. Sua experiência com cinema inclui o argumento do filme Cronicamente inviável (1994), co-autora do roteiro premiado do longa-metragem Os inquilinos (2009), pelo o qual ganhou o prêmio de “Melhor Roteiro do Festival do Rio”, ambos em parceria com Sérgio Bianchi e co-autora do roteiro de O abismo prateado (2011), longa-metragem de Karim Aïnouz, selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Sua estréia como escritora de livros foi em 2002, com o romance Azul e dura. Em 2009, lançou seu primeiro livro de contos, Meu amor, vencedor do Prêmio Clarice Lispector, da Biblioteca Nacional.

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Meu amor (34, 2009) é a obra da autora mais experiente da lista, mas não a considero tão conhecida, por isso, entrou na lista. Também a conheço, pois fiz uma visita monitorada especial para ela na Biblioteca Mário de Andrade quando trabalhava lá, e admito que parecia que andava com uma nobre de alguma corte inglesa ao mesmo tempo que ela ria de alguns comentários deste bobo. Mas deixemos minha paixão platônica de lado: a obra traz alguns contos de alguém com severo olhar crítico e ao mesmo tempo amoroso sobre o viver no Brasil hoje. Do ponto de vista privilegiado de alguém ligado a famosa classe média brasileira é incrível a sensibilidade para escrever algo como o trecho abaixo:

Estava parada em um engarrafamento, no final de um dia poluído. O homem surgiu e bateu na janela com uma arma preta. O movimento de sua boca berrava e a voz chegava baixa. Passa o dinheiro, passa o dinheiro ou vai morrer. Agora, abre a janela, agora, agora, ou vai morrer, ou vai morrer. Olhava louco para mim, olhava louco para mim. Ou vai morrer, ou vai morrer. Olhava sua boca, seus olhos, a arma preta, a aflição e a raiva e me convencia que era cinema. Não tentei explicar-lhe, ele entenderia. O vidro blindado transformava sua ação, eu podia olhar, observar os detalhes de sua roupa, a língua escura e o tamanho pequeno das mãos agarrando a arma preta. A arma preta apontada contra meus olhos, o canal oco da arma preta tremendo, argumento claro, abre, sua vaca, eu vou atirar. Minha curiosidade apática minava sua decisão, o argumento oscilava.
O rapaz entendeu sua impossibilidade, titubeou, apoiou as mãos no vidro, uma fechada na arma, aproximou o rosto e cuspiu minha morte mais uma vez. Eram de um animal os olhos, a palma da mão suada e a saliva. Furioso, enjaulado, um fila brasileiro latindo e pulando atrás das grades enquanto caminhamos na calçada. Ele segurou a arma com as duas mãos e mirou meu rosto. Eu mirava calma e hipnotizada, intrigada com o fim.
Um frio monstruoso me sobe do estômago e para meu coração. Hoje é dia de rodízio, eu não estou no blindado. Meus olhos pulam de horror, as mãos crispadas na boca aberta e hirta, sem qualquer possibilidade de voz, pedi piedade. Ele entendeu e riu. Num só golpe, quebrou o vidro com a mão da arma, esmurrou meu rosto e sumiu deixando o revólver de brinquedo no meu colo manchado com o nosso sangue.

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo, Biblioteca de São Paulo e Bibliotecas Parque de Manguinhos e Niterói]

 

Natércia Pontes é uma escritora nascida em Fortaleza, filha de Augusto Pontes, ex-secretário da Cultura do Ceará. Estudou Radialismo no Rio de Janeiro. Mudou-se em 2007 para São Paulo.

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Copacabana Dreams (Cosac Naify, 2013) é o primeiro livro oficial da Natércia e é outra daquelas obras que te faz rir sozinho, mas não só, pois há alguns contos, todos ambientados no Rio de Janeiro (de novo!), trágicos ou que demonstram algumas realidades deste lugar emblemático da cidade maravilhosa. Recomendo a leitura de um conto interessante sobre culinária (spoiler: a personagem frita uma parte de seu próprio corpo). O design do livro também se destaca, pois todos os textos são acompanhados por letras e formatação individualizadas! Acompanho a autora no Twitter e suas tuitadas também são bem humoradas, como são muitas das postagens e textos da Vanessa Bárbara que sigo no Facebook.

[Disponível na Mário de Andrade – Circulante]

 

Veronica Stigger, gaúcha radicada em São Paulo desde 2001, é doutora em história da arte, crítica de arte e professora universitária. Defendeu tese sobre a relação entre arte, mito e modernidade, enfatizando as obras de Kurt Schwitters, Marcel Duchamp, Piet Mondrian e Kasimir Malevitch. Em seu pós-doutorado estudou, entre outros, os artistas brasileiros Maria Martins e Flávio de Carvalho. Seu primeiro livro, O trágico e outras comédias, foi publicado pela editora portuguesa Angelus Novus, em 2003 e, no Brasil, pela 7Letras, em 2004. Pela Cosac Naify, publicou Gran cabaret demenzial (2007) e Os anões (2010). Alguns de seus contos foram traduzidos para o catalão, o espanhol, o francês e o italiano.

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Os anões (Cosac Naify, 2010) deve ser o mais radical dos livros indicados até aqui. Os pequenos textos, pequenos como a própria obra, são repletos de violência, como o conto do título que pode ser lido online (aqui). Apesar da forma literária de escrever os textos deixam bem claro como a violência está em todo lugar no mundo contemporâneo.

[Disponível na Biblioteca de São Paulo e Mário de Andrade – Circulante]

 

Helena Terra é jornalista e escritora, ilustradora e artista plástica. Nasceu em Vacaria (RS), mas mora em Porto Alegre. Participou de oficinas literárias e publicou contos.

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A condição indestrutível de ter sido (Dublinense, 2013) é a estréia da autora na narrativa longa. Última obra descoberta e lida em algumas horas de tão instigante e trata de uma blogueira que se apaixona desesperadamente por um comentarista de seu blog. O grande mérito do livro é sua atualidade, pois via literatura nos faz pensar sobre as novas formas de conhecer e amar, mas que mantem os mesmos problemas de sempre: pode dar certo ou pode ser uma grande ilusão. Há trechos de poesia pura, e momento interessantes onde os personagens parecem se transformar em textos, como no último trecho que transcrevo, veja:

Em menos de um mês, de blogueira passei a ser o mais colorido, incomensurável e perfumado vaso humano.

Escapavam-me doses extravagantes e tumultuadas de ciúmes pelos dedos.

Na primeira vez em que ele escreveu Nós vamos nos misturar feito letras em uma palavra, vi os seus dedos, as falanges, as suas unhas em ação.

[tive de comprar o livro eletrônico na Amazon, saiu por R$13,00 contra R$29,90  em papel e mesmo assim teria que trazer de outro Estado]

 

O fato triste na coisa toda é que alguns destes livros não fáceis de encontrar em Bibliotecas Públicas, tanto que não encontrei o livro que queria de outra autora nova, a Carol Bensimon. Isso é um grande problema, principalmente para quem não tem recursos, e infelizmente acredito que esse problema vá continuar, pois ainda não se aprendeu a comprar com diversidade ou não há recursos mesmo nas Bibliotecas. Pode ser que alguns destes títulos venham a ser comprados, mas só chegam depois de meses ou até anos, se chegarem, mais um problema, a lentidão.  E por fim, que falta faz um catálogo nacional de  acervos de Bibliotecas Públicas, facilitaria minha vida e evitaria a impressão de bairrismo meu ao colocar só livros encontrados no Rio de Janeiro e São Paulo (deu preguiça de abrir outros catálogos!).

Enfim, pretendo continuar lendo sempre que possível alguma nova autora brasileira, agora de preferência de fora do eixo sul-sudeste e também das quebradas (ou periferias), e claro, aceito dicas.

Informação: não me abandone jamais

Vivemos de informação. Não importa aonde ela esteja, ela te encontra e ao te encontrar algo novo ela pode te trazer.

Estava a navegar na Internet há algumas horas atrás, quando me lembrei que havia deixado uma janela aberta com um vídeo onde uma garota portuguesa falava em seu canal de Booktube.

Não sabe o que é um Booktube? Pois é. Eu só soube há algumas semanas o que era: trata-se de um canal onde uma pessoa, normalmente jovens,  posta vídeos sobre livros no Youtube, e nesse canal, além de postar resenhas de livros, acaba falando também dos melhores livros que leu no ano e até mostra, livro-a-livro, sua estante de livros! [Pura loucura, admito, mas muito divertido e interativo. Acredito que as bibliotecas públicas e escolares deveriam atentar para esse formato de divulgação de suas coleções. Alguém da equipe, poderia pegar as últimas aquisições e produzir um vídeo falando delas ou mesmo disponibilizar câmeras ou um canal no Youtube para os usuários publicarem suas resenhas ou indicações. Fica a dica.]

E voltando à minha história, logo depois de ver o vídeo Os (meus) melhores de 2013 do Inês Book, canal de uma simpática portuguesa que elegeu como um dos melhores livros do ano a obra “Jesus Cristo Bebia Cerveja“.

Ines

Depois, vi outros Booktubes e comecei a navegar até chegar ao canal  “Lendo & Comentando – Amanda“, onde uma leitora brasileira, além das resenhas, apresentava um tal de Bookshelf tour (um passeio por suas estantes de livros!) de apenas 36 minutos de duração!

Como bom nerd velho, vi todo o vídeo, passei a conhecer novos autores e títulos que a galera anda lendo e depois de tanta informação só me lembrei de um livro: “Não me abandone jamais”, do escritor britânico-japonês Kazuo Ishiguro, cuja história conta a trajetória de três crianças até a sua juventude, período em que se tornam automaticamente doadores de órgãos, pois são clones, e tem como futuro certo a morte. Claro que a morte deles traz como benefício a possibilidade de pessoas doentes viverem mais. Ou seja, pura ficção científica!

Nao-me-abandone-jamais all pop stuff

 

Como não me lembrava do livro, fui ao Google e vi que realmente não o conhecia, apesar de já conhecer o trabalho do autor através de uma adaptação para o cinema do livro “Os vestígios do dia”, que resultou em um ótimo filme com o Anthony Hopkins e a Emma Thompson como protagonistas. Foi ali também que vi que o livro citado pela Amanda também havia sido adaptado para o cinema e optei por ver o filme primeiro. Coloquei o Torrent em ação e vi o filme.

E assim, depois de ser levado de um lugar a outro pela curiosidade e por informações contidas nesses benditos Booktubes e a escolher aleatoriamente um filme mais uma informação surgiu, mas desta vez ela surgiu de minhas próprias leituras: lembrei-me de um conto de um autor brasileiro cujo tema também fala de doação involuntária de órgãos. O nome do conto é “O índio no abismo sou eu”, de autoria do Luís Brás e foi publicado na coletânea de autores “odiados” pela crítica chamada “Geração SubZero” (Record, 2012). Neste conto, um sujeito acorda em um hospital e percebe que despertou no futuro, e apesar disso, logo terá seus órgãos retirados. Quem pagou espera pela doação, mas há uma multidão revoltada em volta do hospital que também quer parte do corpo dele…..

Clique para ampliar

 

Enfim, o livro do Kazuo (ou o filme, que tem belíssima trilha sonora e atuações sensíveis e emotivas – não vá chorar!) e o conto do Luís  possuem tom bastante melancólico, são belas obras e fazem pensar, por isso, são imperdíveis (em tempo, eu não curti a maioria dos textos do Geração Subzero, desculpa aí!).

 

Segue dois trechos das obras citadas:

Somos todos mortais. Talvez nenhum de nós realmente entenda o que passamos ou sinta que tivemos tempo suficiente.

O futuro jamais é para todos. O futuro é apenas para quem pode pagar.

Encontro marcado com alguns livros

Depois de tirar da fila de leitura alguns livros, consegui visitar a Biblioteca Pública mais próxima (a Mário de Andrade lá no centro de São Paulo) e a livraria preferida (a Livraria Cultura do Conjunto Nacional na avenida Paulista) e voltar a ampliar a lista de livros para ler.

E tendo como pano de fundo essas visitas, gostaria de deixar as impressões sobre alguns livros. Não se tratam de resenhas, pois não li todos, mas acredito que possa ser uma forma de dar uma visão parcial aos colegas de profissão e leitores de algumas publicações disponíveis nas livrarias e boas bibliotecas (chamo de boas aqui aquelas que obtêm o beneplácito, segundo os governantes, de adquirir livros com recursos próprios).

Primeiro, fui até  a Biblioteca Mário de Andrade e renovei a reserva do livro “Sinfonia em branco” da Adriana Lisboa (mas só falarei dele em uma próxima postagem sobre autoras mulheres em comemoração ao Dia Internacional da Mulher) e aproveitei para pegar o “Quiça” da jovem Luisa Geisler. Fiquei vidrado em pegar uma outra autora nova, a Laura Erber e algum outro livro do Joca Reners Terron ou um clássico, mas só posso pegar dois livros por vez (Mário, aumenta ao menos para 3 vai!).

O fato engraçado foi que acabei atendendo involuntariamente um pesquisador em busca de obras sobre erotismo e prostituição em São Paulo. Não foi difícil falar de obras como “Pornopopéia” do Reinaldo Moraes, “Zero” do Loyola Brandão, “Eles eram muitos cavalos” do Luiz Ruffato ou mesmo do velho João Antônio e seu “Malagueta, Perus e Bacanaço”, além dos livros sobre prostituição em São Paulo ali disponíveis.

No dia seguinte, mais uma sessão de encontros e lá estava eu carregando uns 10 livros em busca de um lugar confortável para ler na Livraria Cultura. Depois de selecionar os livros que era possível carregar fui me abrigar no salão de música da Livraria, e ali, ao som de música clássica comecei a leitura de trechos, introduções e orelhas dos livros que vou apresentar.

São os seguintes:

De gados e homens – Ana Paula Maia
Pequena novela de não mais que 130 páginas que narra o dia-a-dia de trabalhadores em um matadouro de gado em algum lugar do país. Simplesmente poderoso e leitura só para os fortes! Li em algumas horas, mas falarei dele na postagem citada há pouco.

 

É isto um homem? Primo Levi
Trata-se de um clássico da literatura mundial. Nele o italiano Primo Levi, um dos três sobreviventes do campo de concentração de Auschwitz, narra sua experiência de forma belíssima nessa reedição brasileira. Copio um trecho da poesia de abertura da obra:

É isto um homem?

Vocês que vivem seguros

em suas cálidas casas, vocês que, voltando à noite,

encontram comida quente e rostos amigos,

pensem bem se isto é um homem

que trabalha no meio do barro,

que não conhece paz,

que luta por um pedaço de pão,

que morre por um sim ou por um não.

Pensem bem se isto é uma mulher,

sem cabelos e sem nome, sem mais força para lembrar,

vazio os olhos, frio o ventre,

como um sapo no inverno.

 

Você vai voltar para mim e outros contos – Bernardo Kucinski
Um livro de amor? Não. Inspirado em depoimento da Comissão da Verdade Paulista, a obra retrata 28 histórias que têm a ditadura militar como pano de fundo.  O autor, que é jornalista e cientista político, publicou outro romance que vale a pena ler chamado “K”. E em ambos os livros histórias ternas e chocantes para não nos esquecermos do quão triste e revoltante é qualquer regime de exceção!

 

Fim – Fernanda Torres
Apesar de não confiar muito nas críticas dos grandes jornais e nas indicações do onipresente Jô Soares, a atriz realmente escreveu uma obra contundente. Cheia de sexo e ambientada no Rio de Janeiro, a obra me agradou. Só não me agradou o agradecimento à Rede Globo, mas não vou perseguir ninguém aqui….

 

Pulp Head: o outro lado da América – John Jeremiah Sullivan
Fazia um bom tempo que não tinha coragem de pegar um livro de ensaios, mas depois de ler em alguns blogs sobre este não via a hora de pegá-lo. Foi paixão imediata e olha que li apenas o hilário capítulo onde o Sullivan destaca como foi sua cobertura no maior evento de música gospel dos Estados Unidos. Uma beleza! Uma visão sem preconceitos apesar da extrema discordância dele em relação ao que aconteceu no tal Festival. E ainda citou aquelas bandas que eu tanto ouvia nos anos 1990 (Jars of Clay e Petra estão lá) e umas novas dos anos 2000 que não curto nada… Os tempos mudam!

(Disponível na Biblioteca Mário de Andrade e Centro Cultural São Paulo)

 

31 songs – Nick Hornby
Trata-se de um livro delicioso para quem curtiu ou curte a cultura pop musical, feita pelo britânico especialista em listas (autor do memorável e clássico Alta Fidelidade). O momento especial foi verificar que, assim como eu, ele considera a canção Rain dos Beatles como uma das melhores dos caras de Liverpool!
Não posso me esquecer da Aimee Mann, aquela linda criatura que praticamente deu origem ao roteiro do filme Magnólia (sim, velharia de 1999, assista e ouça esse trecho!). Uma pena não ter sido traduzido para o português ainda (ou nunca).

O frio aqui fora – Flávio Cafiero
Um executivo deixa uma corporação para se tornar escritor. Essa é a história do autor. Confuso? Pois é, nesse livro realidade e ficção se misturam (no que chamam de autoficção e onde o Ricardo Lísias autor de “O céu dos suicidas” e “Divórcio” é mestre) nesse livro lançado no ano passado e cujo conteúdo é bem interessante para reconhecer e ver com outros olhos esse mundo hoje tão distante deste funcionário público….

 

A contadora de filmes – Hernán Rivera Letelier
Este livrinho do chileno que também é roteirista é surpreendentemente gostoso e de cara me fez lembrar do filme “Cinema Paradiso” do Giuseppe Tornatore. Tenho certeza que em breve vira um filme, por isso, fica a dica, leia antes!

(Disponível em quase todo as bibliotecas públicas de São Paulo, menos nas duas centrais: Mário e Lobato. Vai entender!)

 

Por enquanto, são esses os achados! Estou com três deles em casa (A contadora de filmes, De gados e homens e É isto um homem) e posso compartilhar o uso, principalmente entre os paulistanos….

Pô, espero que não esteja desvirtuando o blog! hahaha

Liderança por conhecimento: o modelo da Dona Benta

Todos conhecemos o velho conceito de Liderança e seus estilos ou  tipos: a Autocrática, a Democrática e a Liberal. Também já ouvimos falar sobre a Liderança por Influência e ultimamente se fala também em Liderança por Conhecimento, afinal, vivemos na era da informação e do conhecimento.

Há também uma teoria que divide a liderança em seis perfis que podem ser utilizados dependendo da situação: Afetivo, Democrático, Modelador, Treinador, Dirigente e Coercitivo (tabela legal aqui). Uma evolução, afinal, as pessoas e as situações não são sempre as mesmas.

Mas gostaria de abordar uma ideia um pouco diferente de liderança, ela se baseia na leitura de um dos livros do Monteiro Lobato que mais gosto, “A reforma da natureza”.

Neste livro delicioso, tudo começa com o convite dos líderes mundiais em guerra para que a Dona Benta e a Tia Anastácia fossem até a Conferência de Paz de 1945 que está sendo realizada na Europa (cabe lembrar que a obra foi lançada em 1941 e reeditada em 1944, ou seja, anos antes o autor já previa a criação da ONU, pelo menos é o que diz um amigo estudioso da obra Lobatiana). As duas partem acompanhadas do Visconde, Narizinho e Pedrinho, deixando a Emília com um plano maquiavélico de reforma da natureza.

E o “Modelo de liderança da Dona Benta” surge logo nas recomendações dadas pela tia Nástacia, sua colaboradora mais próxima, antes da saída. Vejam:

– Não se ponham a ajudar os pintinhos a sair da casca senão eles morrem – disse ela. – Pinto sabe muito bem se arrumar sozinho. E não esqueçam de molhar as mudinhas de couve lá na horta.
Ouvindo aquelas recomendações tão sensatas, os homens da comissão entreolharam-se, como quem diz:
Com pessoas de tão belo espírito prático, e tão cuidadosas de tudo, a Conferência vai ser um verdadeiro triunfo para a humanidade (e não erraram).

A velha senhora tinha conhecimento de causa, ou como dizem por aí, utilizou-se de seu capital intelectual e experiência para repassar conhecimento a quem permaneceria no Sítio em sua ausência.

Mas com a ida de todos para a Europa, a Emília deitou e rolou, e as reformas foram todas colocadas em prática sem muito planejamento ou nada.

O estilo de liderança da Dona Benta é desafiado por um grande problema e depois de ver toda a desgraça realizada e ouvir reclamações de todos os lados, inclusive das jabuticabas zangadinhas, é preciso resolver um problema, situação que exige sangue frio das lideranças e ela quase sucumbe. Vejam a cena toda:

Dona Benta – disseram elas muito zangadinhas – viemos queixar-nos da peça que a Emília nos pregou. Imagine que nos transferiu dos nossos galhos na mamãe-jabuticabeira para um pé de abóbora – uns talos molengões que andam pelo chão. E ficamos presas ali, encostadas à terra, a nos sujar de pó e ciscos. Ora, isso é um despropósito, porque somos frutas de galho e não do chão, como certos porcalhões que conhecemos.
(A Rãzinha cochichou para a Emília: Isso deve ser indireta para os morangos”.)

– Vocês tem razão, jabuticabinhas – disse Dona Benta – e vou repô-las todas no lugar certo. Impossível admitir que umas criaturinhas delicadas como vocês andem pelo chão. Chão é bom só para abóbora.

E voltando-se para Emília:
– Vá já desfazer o que fez! ordenou rispidamente.

Líder

Pronto! Caiu por terra o regime democrático. Tanto que a reação e resposta da Emília veio no mesmo tom:

Emília fez beicinho e disse para a Rã:
“Ela era democrática quando saiu daqui. Depois que lidou com os ditadores da Europa, voltou totalitária e cheia de “vás”. Pois eu não vou – e não foi!

Mas voltando à razão, como todo bom líder deve agir, Dona Benta explicou:

Emília, eu reconheço suas boas intenções. Você tudo fez na certeza de estar agindo pelo melhor. Mas não calculou uma porção de inconveniências que podiam acontecer – e estão acontecendo. As laranjas, por exemplo: ótimo se pudessem vir já descascadas – mas se fosse assim tornava-se impossível o comércio das laranjas, o transporte de um ponto para outro. E, além disso, descascadas elas ficam muito mais sujeitas aos ataques das aves e insetos. A casca é uma defesa indispensável. Assim também as abóboras na jabuticabeira. São frutas muito grandes para ficarem em árvores; a Natureza sabe o que faz. Põe as frutas grandes no chão e as pequenas em árvores.

Explicar é fundamental. E para explicar é preciso ter conhecimento acumulado. Mas mesmo assim, há ocasiões em que a equipe tem gente cabeça dura como a Emília, e é preciso paciência e continuar a explicação:

– Isso não! – protestou Emília. – A maior fruta que eu conheço é a jaca, e a jaca é fruta de árvore, ahn!

Dona Benta embatucou.

– Também fiz que as frutas das árvores desses só nos galhos de baixo – continuou Emília, de modo a facilitar a colheita – e quero ver o que a senhora diz a isto.

Dona Benta, teve que rebater:

Dona Benta declarou que essa reforma só era aceitável do ponto de vista humano, mas explicou que as frutas não existiam para que nós as apanhássemos e comêssemos – existiam para o bem da árvore, e apareciam em todos os galhos, tanto os de baixo como os de cima, porque assim ficavam mais bem distribuídas pela árvore inteira, podendo vir em maior quantidade.

– Os galhos de baixo serão só metade dos galhos da árvore toda – disse ela. – Fazendo que as frutas só apareçam nos galhos de baixo, você diminui de metade o número de frutas de uma árvore.

E assim, utilizando de conhecimento e de lógica conseguiu um bom retorno da criaturinha:

Emília concordou que havia errado, e em companhia da Rãzinha foi restabelecer o sistema antigo.

Agora sim – ia dizendo Emília – agora ela deu uma razão boa, clara, que me convenceu e por isso vou desmanchar o que fiz. Mas com aquele “Vá!” do começo, a coisa não ia, não! Vá o Hitler. Vá o Mussolini. Comigo, é ali na batata da convicção, do argumento científico.

E assim, como um perfeito líder como Coach, Dona Benta fez com que a Emília anulasse suas reformas:

… mas nenhuma delas por imposição de Dona Benta. A boa senhora argumentava, provava  o erro – e então a própria Emília se encarregava de restabelecer o velho sistema.

Mas nem todas as reformas foram desfeitas, pois a senhora observou que uma das mudanças era bem vinda, e para o deleite da Emília manteve alguns livros comestíveis… Mas com algumas ressalvas:

– Sim, Emília, esta ideia do livro comestível me parece ótima, um verdadeiro achado. Mas não para todos os livros. O bom é que haja livro de papel e ao seu lado o livro comestível. Quem quiser compra um, quem quiser compra outro.

Para comprovar o dito, logo em seguida chega o Pedrinho desesperado dizendo que o porco Rabicó devorou uma edição da Ilíada de Homero e as obras completas de Shakespeare.

Restou à líder considerar e explicar novamente:

Vê, Emília? – disse Dona Benta. – Nem todos os livos devem ser comestíveis, mas só os de importância secundária, meramente recreativos ou então livros ruins. Um livro que não presta para ser lido, ao menos que preste para ser comido. E agora? Como vou passar sem a minha Ilíada e o meu Shakespeare?

Dona Benta, verdadeira líder acompanhou todas a reformas, acompanhando cada passo.

Enfim, eis alguns exemplos que uma obra dita infantil apresenta sobre como liderar equipes complicadas ou em situação de emergência, algo comum em nossa area onde a necessidade da informação, do conhecimento e da análise do contexto são fundamentais para resolução dos problemas.

É interessante notar que em toda a obra infantil do Lobato há muitas outras passagens que pregam a necessidade de uma liderança que demonstre conhecimento, e antes de tudo, capacidade de diálogo, algo que às vezes vejo faltar (inclusive minha quando era líder).

Por último, fica o trecho final da primeira parte do livro, outra boa dica para os que como eu, trabalham no serviço público:

Emília aprendeu a planejar a fundo qualquer mudança nas coisas, por menor que fosse. Viu que isso de reformar às tontas, como fazem certos governos, acaba sempre produzindo mais males do que bens.

Não sou um estudioso de administração, por isso, posso ter cometido alguns deslizes, por isso, aceito sugestões e adoraria ler textos na nossa area abordando de forma criativa e leve a questão.

Fica o desafio!

Os melhores livros de literatura de 2013

Todo início de ano costumo acompanhar a imprensa e suas listas de melhores livros publicados no ano anterior. Além da imprensa, os prêmios literários e uma porção de blogueiros também divulgam suas escolhas, proporcionando aos interessados um grande painel de obras literárias das mais diferentes linguagens, gêneros e temas.

Acredito que essas listas todas podem ajudar os colegas na hora de escolher um livro na livraria ou na internet e também aqueles que trabalham com desenvolvimento de coleções em bibliotecas públicas, escolares e comunitárias. 

Os links arrolados não compõem um apanhado estruturado (algum maluco com tempo poderia empreender uma pesquisa comparando as listas acadêmicas ou da crítica tradicional com as listas dos blogueiros leitores), portanto, é limitado e corresponde a minha intenção de mostrar boa literatura publicada em 2013 indicada por várias fontes.

É a bibliodiversidade em ação para além das listas de mais vendidos e emprestados.

E como não sou de ferro, faço a indicação dos livros que mais gostei primeiro:

  • Pessoas que passam pelos sonhos – Cadão Volpato
    uma viagem poética que lembra em alguns momentos o realismo fantástico do Gabriel Gárcia Márquez. Da CosacNaify.
  • 1Q84 (3 livros) – Haruki Murakami
    obra mais conhecida do japonês que todo ano está na lista de apostas para ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, mas é muito novo, não vai ganhar tão cedo, exceto se vier a falecer neste momento…. Da Alfaguara.
  • A tristeza extraordinária do Leopardo-das-neves – Joca Reners Terron
    romance tipicamente paulistano que poderia se passar em qualquer centro velho de outras capitais brasileiras onde reina o abandono e o crack. Nesse cenário, o autor consegue criar uma história de suspense com toques de terror!
  • Divórcio – Ricardo Lísias
    biografia ou ficção? Ficção, mas que parece muito realidade parece. Embutido na história uma crítica ácida ao jornalismo cultural (e não cultural) paulista. Da Alfaguara.
  • Amanhã não tem ninguém – Flávio Izhaki
    garoto viciado em videogame rouba a cena do livro. Final incrível! Da Rocco.
  • Gado novo – Guille Thomazi
    uma mesma história vista por vários personagens. Rotineiro, não? Mas muito bem elaborado. Da 7 Letras.
  • Reprodução – Bernardo de Carvalho
    uma crítica voraz ao personagem comum por aqui: o comentarista de blogs e portais da internet. Sabe aqueles energumenos que xingam, escrevem asneiras e tal pela internet? Há um nessa obra. Da Companhia das Letras.
  • Meu coração de pedra-pomes – Juliana Frank
    A personagem principal, uma faxineira de hospital, é de morrer de rir. Ao final do livro saiba o porque. Da Companhia das Letras.
  • Um útero é do tamanho de um punho – Angélica Freitas
    Um dos melhores livro de poesia que li nos últimos tempos. Feminismo de verdade está nessa obra. Da CosacNaify.
  • Barba ensopada de sangue – Daniel Galera
    Quero ir para a praia de Garopaba, em Santa Catarina, local onde se passa boa parte deste já premiado livro. Da Companhia das Letras.
  • Sentimental: poemas – Eucanaã Ferraz
    Poeta sentimental mas não melodramático. Da Companhia das Letras.

 

Outras listas de melhores livros:

Espanadores (os maníacos das listas literárias, segue a lista de uma das colaboradoras)

iBahia

Blog do André Barcinski (jornalista autor do meu best-seller predileto: Guia da culinária ogra)

Prêmio Portugal Telecom 2013

Paraná online

Blog Viagem literária (a colega bibliotecária deve ter lido 170 livros no ano. Incrível!!)

Os melhores livros de 2013 segundo os prêmios – Estadão

Prêmio AGES – Associação Gaúcha de Escritores

Prêmio 30 melhores livros infantis do ano – Revista Crescer

Blog Lendo nas Entrelinhas

55º Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro

Melhores do ano da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte

Quais são os livros de sua lista?

O que acha de uma lista de livros de não-ficção e da área de biblioteconomia e afins?