Informações falsas: como evitar?

Dando início à série  de divulgação de artigos publicados em periódicos de Ciência da Informação (veja o post A sociedade tem interesse na Biblioteconomia e Ciência da Informação?)

Estudo sobre a desinformação aponta passos básicos para identificar as fake news

Todos os dias um mar de informações são compartilhadas em todo o mundo por meio das redes sociais. Ao mesmo tempo que essa profusão de informações auxilia as pessoas na compreensão do mundo, possibilita também a propagação de informações falsas ou parcialmente falsas. Como identificá-las?

Com o objetivo de apresentar estratégias para avaliar a veracidade das informações que acessamos todos os dias, o artigo “Competência em informação e desinformação: critérios de avaliação do conteúdo das fontes de informação” publicado na Liinc em Revista, da pesquisadora Mariana Zattar, Doutora em Ciência da Informação e Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indica três critérios para avaliação de fontes de informação evitando, assim os usos e compartilhamentos de desinformações.

A autora afirma que o grande volume de notícias falsas e a prática de desinformação atuais são preocupantes, mas esse fenômeno não é uma novidade. As primeiras fake news surgiram ainda no século XVIII com o desenvolvimento da imprensa. Os avanços da tecnologia de informação e comunicação só ampliou as condições de proliferação de informações, tanto as comprovadas quanto as falsas. Atualmente, as redes sociais como o Facebook e o Whatsapp, pela sua própria informalidade se tornaram grandes veículos de propagação de notícias falsas e minam a confiança dos meios de comunicação e das instituições.

De acordo com Zattar a ampliação do acesso à informação é essencial na atualidade, mas “não basta que se tenha acesso a qualquer tipo de informação, pois é necessário qualidade, relevância e veracidade nos mais diferentes contextos, de modo que sejam evitadas desinformações e notícias falsas nas bolhas informacionais em que somos inseridos.”

Para evitar a desinformação, a autora aponta a necessidade da “competência em informação”, que significa o desenvolvimento de um conjunto de habilidades que possibilitam a compreensão da informação de forma ética e crítica.

Competência Informacional

Para combater as fakenews, a “Alternative facts and fake news – verifiability in the information society” da The International Federation of Library Association and Institutions (IFLA), propõe a averiguação das informações, apontando oito passos como critérios de avaliação de fontes das informações e notícias.

Dentre os critérios apresentados, destacam-se aqueles relacionados à autoridade, à atualidade e à precisão. O critério de autoridade aponta quem é o responsável pela informação; a atualidade indica quando essa informação foi disponibilizada; e a precisão refere-se o que e como foi exposto o conteúdo.

Quem disse? – Segundo a pesquisadora é “essencial a identificação dos responsáveis pela criação intelectual ou artística da fonte para entender seus objetivos, suas aspirações, tendências e propósitos quanto à sua motivação na disseminação do conteúdo”.

Quando disse? – Na avaliação do conteúdo, também deve ser considerada a atualidade das informações apresentadas, isto é, se o conteúdo é constantemente atualizado.

O que e como disse? – Zattar alerta que se houver desconfiança na precisão da informação é melhor “recorrer à opinião de um especialista de uma área do conhecimento que comprove a precisão ou a imprecisão da informação.”

A pesquisadora conclui em seu artigo que a prática de avaliação das informações e notícias, além de evitar a desinformação, permite que o indivíduo perceba as oportunidades de aprendizagem que a informação pode proporcionar.

O estudo “Competência em informação e desinformação: critérios de avaliação do conteúdo das fontes de informação” (DOI: 10.18617https://doi.org/10.18617/liinc.v13i2.4075) de Mariana Zattar pode ser lido na Liinc em Revista em http://bit.ly/2QjmSdt

A sociedade tem interesse na Biblioteconomia e Ciência da Informação?

Em tempos de crise de confiança na ciência, a divulgação científica é a chave para conectar a população aos estudos desenvolvidos em universidades, laboratórios e centros de pesquisa do país.

A pesquisa “Wellcome Global Monitor 2018”, levantamento realizado pelo fundo britânico Wellcome em parceria com a Gallup, que envolveu 140 mil pessoas em 144 países, mostrou que 35% dos brasileiros desconfiam da ciência e que um em cada quatro acredita que a produção científica não contribui para o país.

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, coordenado pela Fiocruz, no Rio de Janeiro também divulgou recente estudo de percepção pública da ciência no qual 71% dos 2,2 mil jovens entrevistados concordaram com a afirmação de que o conhecimento confere poderes que tornam os cientistas perigosos. Que medo é esse da ciência? Ou será apenas medo do desconhecido?

Daí a importância fundamental da divulgação científica ao disseminar o trabalho dos pesquisadores e dos resultados das suas pesquisas. Talvez a sociedade mais consciente do trabalho dos cientistas perceba melhor o papel da ciência no desenvolvimento social e econômico do país.

Mas toda e qualquer pesquisa pode ser divulgada para a sociedade? As pesquisas nas áreas de Saúde, Ciências Biológicas e Ciências Naturais certamente são mais acessíveis, dada a relação automática que as pessoas fazem dessas áreas com a ciência. Uma pesquisa sobre questões de saúde feminina impacta diretamente na vida de grande parcela da sociedade, o que gera um maior interesse social.

E na área da Biblioteconomia? Como divulgar as pesquisas em uma área que as pessoas nem conseguem pronunciar o nome?  Esta é uma pergunta muito pertinente, afinal qual o bibliotecário ou pesquisador da área que nunca escutou a indagação cheia de espanto: “Biblio o quê?”

A boa notícia é que na pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, 70% jovens afirmaram ter interesse em ciência e tecnologia, superando o interesse em esporte e religião. Mesmo que haja um interesse maior nas áreas do “núcleo duro” da ciência, podemos pegar uma carona no entusiasmo desses jovens pela ciência e criar caminhos e pontes para alcança-los.

O mesmo estudo revela ainda que a informação deixa de ser “buscada” e passa a ser “encontrada”, além dos jovens reclamarem da dificuldade em identificar o que é verdadeiro nas informações que circulam tanto na grande mídia como na internet. E isso é uma ótima noticia, pois corrobora com a ideia que a informação está no centro das demandas da sociedade. E quem mais do que bibliotecários e pesquisadores em Ciência da Informação entende sobre esse assunto?

No esforço de refletir sobre divulgação científica em Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI), estou iniciando uma série de postagens no BSF que é um espaço de trocas de ideias entre estudantes, profissionais e pesquisadores da área.

Os trabalhos divulgados são essencialmente de artigos publicados em revistas brasileiras de BCI e o critério de escolha seguiu questões relacionadas ao tema e assunto que abordam e/ou apelo social, conforme orientações do Projeto “Monitoramento de Métricas Alternativas e Atenção Online de Artigos de Periódicos da Ciência da Informação” da qual sou bolsista de iniciação científica do CNPq sob coordenação do Professor Ronaldo Araújo (UFAL).