Altmetria à brasileira em 2016

Para fechar o ano, resolvi fazer um post recapitulando a produção científica sobre métricas alternativas no Brasil em 2016 (mas se você estiver de férias, recomendo que só leia isso em 2017).

2016 foi um ano bom para a altmetria.

As métricas alternativas deixaram de ser tão alternativas, com um aumento significativo no número de pesquisas publicadas sobre o assunto, a consolidação de serviços como Altmetric e Plum Analytics e, principalmente, com a publicação das recomendações de melhores práticas de uso da altmetria pela NISO.  E a altmetria ganhou até uma entrada (ainda que tímida) na Wikipedia em português.

No Brasil, tivemos uma boa safra de pesquisas sobre altmetria publicadas por autores brasileiros nesse ano, entre artigos, dissertações, livros e trabalhos apresentados em congressos. A lista não pretende ser completa, e se me esqueci de algum trabalho, fique à vontade para incluir nos comentários desse post.

ARAÚJO, Ronaldo, & FURNIVAL, Ariadne. (2016). Comunicação científica e atenção online: em busca de colégios virtuais que sustentam métricas alternativas. Informação & Informação, 21(2), 68-89. http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2016v21n2p68
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. (2016). Presença online de pesquisadores na web: indícios para as métricas em nível de autores. Anais do XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, BA. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/4123
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira, CARAN, Gustavo Miranda, & SOUZA, Iara Vidal Pereira de. (2016). Orientação temática e coeficiente de correlação para análise comparativa entre altmetrics e citações. Em Questão, 22(3), 184-200. http://dx.doi.org/10.19132/1808-5245223.184-200
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira , & MURAKAMI, Tiago Rodrigo Marçal. (2016). Atenção online de artigos de Ciência da Informação: análise a partir de dados altmétricos do Facebook. Anais do 5o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria. São Paulo, SP. http://www.ebbc.inf.br/ebbc5/index.php/main/download/111
BORBA, Vildeane da Rocha Borba, & CAREGNATO, Sonia. (2016). Análise do termo 'repositório institucional' no Twitter: um estudo altmétrico. Anais do 5o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria. São Paulo, SP. http://www.ebbc.inf.br/ebbc5/index.php/main/download/89
BORBA, Vildeane da Rocha Borba, & CAREGNATO, Sonia. (2016). A repercussão de autores estrangeiros em Ciência da Informação no Twitter: uma visão altmétrica. Anais do XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, BA. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/4089
GOUVEIA, Fábio Castro. (2016). A altmetria e a interface entre a ciência e a sociedade. Trabalho, Educação e Saúde, 14(3), 643-645. https://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sip00126
GOUVEIA, Fábio Castro. (2016). Altmetria institucional: uma análise dos trabalhos publicados pela Fundação Oswaldo Cruz. XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/3720
NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do. (2016). Métricas alternativas para a avaliação da produção científica: um guia básico para o uso de altmetria para bibliotecários (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).  https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.3409846.v1
NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do. (2016). Altmetria para bibliotecários: Guia prático de métricas alternativas para avaliação da produção científica. Porto Alegre: Revolução eBook. http://revolucaoebook.com.br/ebook/altmetria-para-bibliotecarios-isbn-9788569333821/
NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do, & ODDONE, Nanci Elizabeth. (2016). Métricas alternativas para a avaliação da produção científica: a altmetria e seu uso pelos bibliotecários. Anais do XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, BA. http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/view/3701
REIS, José Eduardo dos, SPINOLA, Adriana Tahereh Pereira, & AMARAL, Roniberto Morato do. Visualização de indicadores bibliométricos e altmétricos: uma análise dos Repositórios Institucionais brasileiros. Anais do 5o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria. São Paulo, SP. http://www.ebbc.inf.br/ebbc5/index.php/main/download/73
VANTI, Nadia, & SANZ-CASADO, Elias. (2016). Altmetria: a métrica social a serviço de uma ciência mais democrática. Transinformação, 28(3), 349-358. https://dx.doi.org/10.1590/2318-08892016000300009

O tema também foi discutido em blogs científicos e editoriais:

E pra quem se interessou, vale a pena lembrar de alguns artigos interessantes sobre o tema publicados no Brasil em 2015:

ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de. (2015). Marketing científico digital e métricas alternativas para periódicos: da visibilidade ao engajamento. Perspectivas em Ciência da Informação, 20(3), 67-84. https://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/2402
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de. (2015). Da altmetria à análise de citações: uma análise da revista Datagramazero. Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, 10(1). http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/pbcib/article/view/23163
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de. (2015). Estudos métricos da informação na web e o papel dos profissionais da informação. Bibliotecas Universitárias: pesquisas, experiências e perpectivas, 2(1). https://seer.lcc.ufmg.br/index.php/revistarbu/article/view/1119
BARROS, Moreno. (2015). Altmetrics: métricas alternativas de impacto científico com base em redes sociais. Perspectivas em Ciência da Informação, 20(2), 19-37. https://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/1782
NASCIMENTO, A., & ODDONE, N. (2015). Uso de Altmetrics para Avaliação de Periódicos Científicos Brasileiros em Ciência da Informação. Ciência da Informação em Revista, 2(1), 3-12. https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1402366.v1
SOUZA, Iara Vidal Pereira de. (2015). Altmetria: estado da arte. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, 7(2). http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci/article/viewArticle/164
SOUZA, Iara Vidal Pereira de. (2015). Altmetria ou métricas alternativas: conceitos e principais características. AtoZ: novas práticas em informação e conhecimento, 4(2), 58-60. http://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/44554/27146

É isso. Um bom 2017 para vocês!

 

Facebook Top10: artigos mais “populares” de 2016

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O ano de 2016 está quase no fim e o Repertório da Produção Periódica Brasileira de Ciência da Informação (RPPBCI), desenvolvido no Laboratório de Estudos Métricos da Informação na Web (Lab-iMetrics), conta com quase 11.300 registros de artigos de 36 periódicos da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação.

Já divulgamos um post sobre o RPPBCI por aqui e ressaltamos seu diferencial de ordenar os resultados de busca por altmetrics do Facebook, ou seja, pelas interações (curtidas, comentários e compartilhamentos) que os artigos recebem na rede social. A partir desses dados elaboramos um ranking com os 10 artigos publicados no ano de 2015 com mais interações no Facebook (veja aqui).

Agora fizemos o mesmo para os artigos publicados em 2016 (n=874 em 22 dez., 2016). Caso queira fazer consultas similares para outros anos, basta aplicar o filtro ano de seu interesse e ver a listagem.

Então com vocês, eis o Facebook Top10: artigos mais “populares” de 2016.

2015 SUMÁRIO – RPPBCI
     10 top artigos.
     21 autores.
     1,878 interações.
     6 periódicos.

 

# Artigo Autores Periódico              Score* 
1 The trajectory of the university library in Brazil in the 1901-2010 period (2016) Cunha, Murilo Bastos da, Diógenes, Fabiene Castelo Branco Encontros Bibli 412

 

2 The librarian and the scientific journals editing (2016) Santana, Solange Alves, Francelin, Marivalde Moacir Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentacao 196
3 O papel dos bibliotecários na gestão de dados científicos (2016) Corrêa, Fabiano Couto Revista Digital de Biblioteconomia e Ciencia da Informacao 193
4 The solution to SUS is not a Brazilcare (2016) Santos, Isabela Soares RECIIS 177
5 Promotion or prevention? Analysis of the communication strategies carried out by Brazilian Health Ministry from 2006 to 2013 (2016) Vasconcelos, Wagner Robson Manso de, Oliveira-Costa, Mariella Silva de, Mendonça, Ana Valéria Machado. RECIIS 173
6 História do papel: panorama evolutivo das técnicas de produção e implicações para sua preservação (2016) Fritoli, Clara Landim, Krüger, Eduardo Leite, Carvalho, Silmara Küster de Paula. Revista Ibero Americana de Ciencia da Informacao 157
7 Use of social media by university libraries with focus on relationship marketing (2016) Araújo, Walqueline Silva, Pinho Neto, Júlio Afonso Sá, Freire, Gustavo Henrique Araújo Encontros Bibli 153
8 Use of social network to support visually impaired people: A Facebook case study (2016) Caran, Gustavo Miranda, Santini, Rose Marie, Biolchini, Jorge Calmon de Almeida Transinformacao 148
9 The Trojan Horse: the story of the united front against the SUS (2016) Silva, Thiago Henrique. RECIIS 136
10 The evolution of the topic of Information literacy in Brazil: a bibliographic study from 2006 to 2013 (2016) Trein, Juliane Marlei, Vitorino, Elizete Vieira Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentacao 133
*valor referente a soma das interações.

Veja esses e outros artigos publicados no ano de 2016 com dados altmétricos que obtiveram atenção online e foram curtidos, comentados ou compartilhados no Facebook, confira a lista.

Facebook Top10: artigos mais “populares” de 2015

O Repertório da Produção Periódica Brasileira de Ciência da Informação (RPPBCI), desenvolvido no Laboratório de Estudos Métricos da Informação na Web (Lab-iMetrics), está sendo atualizado constantemente e conta com quase 11.000 registros de 36 periódicos da área.

Um dos diferenciais do RPPBCI é que o resultado de busca é ordenado por altmetrics score do Facebook, ou seja, ele apresenta os resultados em ordem decrescente em termos de dados da atenção online que os artigos recebem no Facebook.

Já tivemos postagens aqui no BSF escritas pela Andrea, Moreno, Iara, Tiago e por mim abordando vários aspectos sobre o emergente campo da altmetria, um dos tópicos mais atuais no âmbito da comunicação científica na atualidade (corre lá pra ver).

Diferente de métricas de citação que levam mais tempo para se acumular, os dados do RPPBCI para altmetria, como esperado, só começam a ficar legal para publicações recentes não fazendo muito sentido ser aplicado para artigos com mais de dois anos. Sendo assim resolvi fazer um pequeno levantamento dos 10 artigos publicados no ano de 2015 com mais interações no Facebook.

Coisa simples de fazer na verdade, basta aplicar o filtro ano “2015” e ver a listagem. Então com vocês, eis o Facebook Top10: artigos mais “populares” de 2015.

2015 SUMÁRIO – RPPBCI
     10 top artigos. 
     16 autores. 
     1,547 menções. 
     7 periódicos.

 

# Artigo Autores Periódico Score
1 The popular claim and Congress rumors: a recent conjuncture analysis of health in Brazil (2015) Magno, Liz DuquePaim, Jairnilson Silva RECIIS

 

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2 A brief history of academic libraries automation in Brazil and some future perspectives (2015)

 

Viana, Michelângelo Mazzardo Marques Revista Ibero Americana de Ciencia da Informacao 178
3 Políticas de preservação digital para documentos arquivísticos (2015) Santos, Henrique Machado dos; Flores, Daniel. Perspectivas em Ciencia da Informacao 151
4 O papel dos arquivos das instituições federais de ensino superior e a experiência do Arquivo Central da Universidade de Brasília (2015) Roncaglio, Cynthia Revista Ibero Americana de Ciencia da Informacao 137
5 Marketing científico digital e métricas alternativas para periódicos: da visibilidade ao engajamento (2015) Araújo, Ronaldo Ferreira. Perspectivas em Ciencia da Informacao 128
6 Da necessidade de princípios de Arquitetura da Informação para a Internet das Coisas (2015) Lacerda, Flavia; Lima-Marques, Mamede. Perspectivas em Ciencia da Informacao 117
7 Mediation and information literacy: propositions for the construction of a protagonist librarian profile (2015) Farias, Maria Giovanna Guedes InCID 107
8 A gestão de documentos nos arquivos acadêmicos e a portaria MEC n°. 1.224/2013 (2015) Santos Neto, João Arlindo; Santos, Rosana Pereira dos. Informacao@Profissoes 89
9 The privacy issue: a look at the Information Science publications (2015) Bembem, Angela Halen ClaroSantana, Ricardo César GonçalvesSantos, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa. Encontros Bibli 89
10 Web Social Semântica: uma proposta para a representação da inteligência coletiva (2015) Bembem, Angela Halen Claro;  Santos, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa; Santarém Segundo, José Eduardo. Folha de Rosto 85

Veja esses e outros artigos publicados no ano de 2015 com dados altmétricos que obtiveram atenção online e foram curtidos, comentados ou compartilhados no Facebook, confira a lista.

Passo-a-passo para promover sua pesquisa online

Qualquer pessoa que conclua um trabalho acadêmico hoje em dia (seja o seu TCC, a dissertação de mestrado, um artigo em periódico ou apresentação em congresso) deveria saber que não basta simplesmente concluí-lo, mas é preciso também divulgá-lo entre seus pares e a qualquer pessoa que possa ter interesse nos resultados.

Felizmente, já existem ferramentas online que podem nos ajudar nessa tarefa. Por outro lado, já existem *tantas* ferramentas, que muitas vezes não sabemos para que serve cada uma ou por onde começar.

Então, aí vai um passo-a-passo das principais etapas para divulgar o seu trabalho acadêmico (ou ajudar os seus usuários a fazê-lo) na web:

 

1 – Publique seu trabalho em um repositório

O primeiro e mais importante passo é publicar o texto completo do seu trabalho online, para que as pessoas possam recuperar e ler o conteúdo. Assim, você já terá um link para onde direcionar os interessados quando quiser divulgar o trabalho.

Dê preferência a um repositório conhecido e gratuito, como o Figshare (para artigos, dissertações, posters, imagens, códigos de programação e qualquer outro tipo de produção), que além disso atribui um DOI (Digital Object Identifier, ou identificador único) ao seu trabalho e mostra estatísticas de uso, download e repercussão do seu trabalho nas mídias sociais, através dos dados do Altmetric.

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Você vai precisar do DOI para registrar seu trabalho em outras plataformas (ver passos seguintes), de forma a direcionar todos os acessos para um único lugar e poder coletar estatísticas de acesso e uso consistentes.

Você também pode optar por publicar sua produção em outros repositórios específicos, como o Slideshare (para apresentações) ou o Dryad (para conjuntos de dados).

Não se esqueça também de depositar uma cópia no repositório institucional da sua universidade ou instituto de pesquisa, se tiver essa opção.

 

2 – Registre seu identificador único de autor

O segundo passo é criar o seu identificador único de autor, sob o qual você poderá reunir os todos os seus trabalhos (publicados online ou não) e dados sobre o seu histórico acadêmico e profissional.

O ORCID é uma espécie de plataforma Lattes internacional e já se tornou o identificador padrão para autores usado nas demais plataformas acadêmicas, permitindo importar e sincronizar dados entre vários provedores. O registro é gratuito.

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O ORCID também permite conectar sua conta a outros identificadores únicos, como o Research ID da Web of Science e o Scopus ID.

 

3 – Participe das redes sociais acadêmicas 

Agora que você já tem links para os seus trabalhos e para o seu perfil acadêmico, é hora de socializar. Mas, por enquanto, esqueça o Facebook, cujo alcance acadêmico é mais limitado, e vá para onde a patota da pesquisa se encontra.

Uma das redes mais populares é a Academia.edu, que tem mais de 38 milhões de membros, e cujo foco principal é compartilhar artigos acadêmicos. Após se registrar, você pode subir o texto completo de seus artigos ou somente indicar a referência e o DOI ou link para o trabalho. Conecte-se com pesquisadores da sua área para ficar a par do que eles estão publicando e para que eles te acompanhem também.

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O ResearchGate é outra rede social para pesquisadores, com mais de 9 milhões de membros. Além de compartilhar sua produção acadêmica e se conectar com outros pesquisadores, o ResearchGate tem um espaço onde qualquer um pode fazer uma pergunta ou responder a questões de outros membros, compartilhando conhecimento.

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Outra sugestão é o Mendeley, um híbrido de rede social, repositório e gestor de referências bibliográficas, o que (a meu ver) pode torná-lo um pouco confuso no início. Assim como nos demais, no Mendeley você pode subir o texto completo ou DOI de seus trabalhos e seu histórico acadêmico e profissional, conectar-se com outros pesquisadores e também participar de grupos de interesse.

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O grande diferencial do Mendeley é o gestor de referências bibliográficas, uma “biblioteca” (menu Library) onde você reúne todas as referências e documentos de seu interesse, incluídos a partir das recomendações do próprio site, manualmente, de pesquisas em bases de dados ou importando referências da web. O Mendeley também tem uma versão desktop com plugin para o Word, que permite inserir citações e referências bibliográficas da sua “biblioteca” diretamente no texto que você estiver escrevendo.

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4 – Divulgue sua produção acadêmica

Ao colocar seu trabalho nas redes acadêmicas, ele já ganha em visibilidade, mas se realmente quer torná-lo conhecido online, você vai ter que divulgá-lo ativamente.

Alguns trabalhos mostram que o Twitter é a fonte mais significativa de menções de trabalhos acadêmicos na web, seguidos do Facebook e do Mendeley [1, 2, 5]. Se você ainda não usa o Twitter, comece abrindo uma conta e seguindo outros pesquisadores da sua área. Vale mandar mensagem enviando o link para o seu trabalho e pedindo para que retuítem, sobretudo se for da área de interesse deles e se eles tiverem muitos seguidores. Se o artigo foi publicado em um periódico, veja se é possível que a própria revista poste o link no Twitter.

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Divulgar seu trabalho no Facebook também pode dar bons resultados em termos de visualizações e downloads, sobretudo se você tem muitas conexões profissionais lá.

E não deixe de colocar seu trabalho também no Mendeley. Alguns estudos sugerem que há uma relação entre a quantidade de leitores de um artigo no Mendeley e o número de citações recebidas por esse artigo no futuro [3, 4, 6, 7].

Se você tem um blog, escreva sobre o seu trabalho, ou mande uma sugestão de “pauta” para autores de blogs que escrevem sobre a sua área.

 

5 – Verifique o alcance e a influência do seu trabalho

Depois de tanto trabalho, o mínimo que você vai querer é saber qual foi o resultado disso tudo. Algumas das ferramentas usadas permitem medir imediatamente alguns aspectos do alcance do seu trabalho, como o número de visualizações e downloads no Figshare, Academia.edu e ResearchGate.

O Figshare também mostra diretamente na página do seu artigo as métricas produzidas pela Altmetric. Basta clicar no altmetric score para ver detalhes sobre menções no Twitter, Facebook, blogs e sites de notícias, entre outras fontes.

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Mas se você quer visualizar o desempenho do toda a sua produção de forma centralizada, você pode usar o ImpactStory. Para se inscrever, basta ter cadastro no ORCID. O ImpactStory sincroniza os dados do seu perfil e produção acadêmica e coleta menções aos seus trabalhos em redes sociais, blogs, Mendeley e Wikipedia, com detalhes sobre onde, quando e quem mencionou cada item.

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Bibliotecários também podem solicitar acesso gratuito à ferramenta Altmetric Explorer e consultar todo o conteúdo da base de dados da Altmetric, usando filtros por palavra-chave, data de publicação, periódico, instituição, autor, época e fonte da citação, entre outras opções mais específicas, como prefixo do DOI, registro no ORCID, assunto do Medline ou estratégia de busca no Pubmed.

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Outras dicas gerais:

  • Sempre inclua o link para o identificador único do seu trabalho (seja o DOI, ISBN, Pubmed ID) no corpo da página web, para que as ferramentas como Altmetric e ImpactStory possam identificar a menção ao trabalho.
  • Procure usar sempre o mesmo nome de autor nos trabalhos publicados, e certifique-se de registrar todas as suas variações de nome no ORCID.
  • Verifique se as fontes onde seu trabalho foi ou pode ter sido citado são monitoradas pelas ferramentas de métricas alternativas, como Altmetric e ImpactStory.

 

Referências:

[1] ALPERIN, Juan Pablo. Exploring altmetrics in an emerging country context. In: altmetrics14 workshop, 2014, Bloomington, Indiana. Anais… Bloomington, Indiana, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1041797>. Acesso em: 20 fev. 2016.

[2] ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. Cientometria 2.0, visibilidade e citação: uma incursão altmétrica em artigos de periódicos da Ciência da Informação. In: Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, 4., 2014, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1047057>. Acesso em: 20 jan. 2015.

[3] HAUSTEN et al. Coverage and adoption of altmetrics sources in the bibliometric community. Scientometrics, v. 101, n. 2, p. 1145-1163, nov. 2014.

[4] MOHAMMADI et al. Who reads research articles? An altmetrics analysis of Mendeley user categories. Journal of the Association for Information Science and Technology, v. 66, p. 1832–1846, 2015. Disponível em: <http://dx.doi.org/doi: 10.1002/asi.23286>.

[5] NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do; ODDONE, Nanci. Uso de indicadores altmetrics na avaliação de periódicos científicos brasileiros em Ciência da Informação, In: Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, 4., 2014, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2014. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1146279.v1>.

[6] THELWALL et al. Do Altmetrics Work? Twitter and Ten Other Social Web Services. PLoS ONE v. 8, n. 5, p. e64841, 2013. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0064841>.

[7] LI, Xuemei; THELWALL, Mike; GIUSTINI, Dean.  Validating online reference managers for scholarly impact measurement. Scientometrics, v. 91, n. 2, p. 1–11, 2012. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1007/s11192-011-0580-x>.

 

Porque demoramos tanto para considerar outras métricas?

BSF

Os estudos bibliométricos são os mais frequentes entre as pesquisas no campo da comunicação científica na área da Biblioteconomia e Ciência da Informação e a análise de citação, por sua vez, a técnica mais recorrente dentro desses estudos, sendo a preferida pelos pesquisadores (URBIZAGÁSTEGUI, 1984; MOSTAFA, 2002; VANZ, 2003),

Os primeiros trabalhos sobre métricas e indicadores de citação datam as décadas de 1950 e 1960, e mesmo com muitas críticas quanto ao peso quantitativo em detrimento aos aspectos subjetivos da comunicação científica, tais indicadores moldaram a forma de se avaliar a ciência e o desenvolvimento científico, sendo adotados internacionalmente (Impact factorCitation impactH-index or Hirsch numberScience Citation Index ).

Mesmo considerando a atividade científica como atividade social e sabendo que da data de publicação de um artigo científico até o momento dele ser citado podem se passar anos, só agora, mais de 5 décadas depois, que surge e ganha um corpo de estudos e pesquisas o emergente campo o Article-Level Metrics  (NEYLON & WU, 2009) que considera, por exemplo, outros indicadores de impacto que vão desde o uso (visualizações, downloads), leituras (itens adicionados a bibliotecas como Mendeley), discussões (avaliações e comentários), circulação na web social, ou de altmetria (blogs e mídias sociais como Facebook, Twitter e Wikipedia), além das citações.

Claro que a maioria desses indicadores só podia ser incorporada e objetivamente operacionalizada a partir da revolução na comunicação científica presenciada pela publicação eletrônica, ocorrida por volta da década de 1980. Ainda assim, parece ter havido um silêncio por parte dos pesquisadores que, por tanto tempo, consentiram com uma avaliação pontuada apenas nos estudos métricos tradicionais de citação.

Essas questões me fizeram escrever esse post e me perguntar: “Porque (será que) demoramos tanto para considerar outras métricas?”

MOSTAFA, Solange Puntel. Citações Epistemológicas no Campo da Educomunicação. Comunicação & Educação, São Paulo, v. 8, n. 24, p. 15-28, maio/ago. 2002.

NEYLON, C.; WU, S. Article-Level Metrics and the Evolution of Scientific Impact. PLoS Biol , v.7, n.11, 2009. Disponível em: < doi:10.1371/journal.pbio.1000242>. Acesso em 19, ago., 2010.

URBIZAGÁSTEGUI, Rubén. A Bibliometria no Brasil. Ci. Inf., Brasília, DF, v. 13, n. 2, p. 91-105, jul./dez. 1984

VANZ, Samile Andréa de Souza. A Bibliometria no Brasil: análise temática das publicações do periódico Ciência da Informação (1972-2002). In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2003, Belo Horizonte. Anais… Belo Horizonte: ANCIB, 2003. 1 CD-ROM

Atuação de editores científicos nas mídias sociais: Elsevier e a cor do vestido

Já discutimos aqui o quanto as novas métricas são úteis para análise do impacto social e mensuração da atenção online que artigos científicos recebem nas mídias sociais e como os bibliotecários podem atuar auxiliando pesquisadores e instituições de pesquisa na coleta e análise desses dados.

Os editores científicos também estão cada vez mais presentes nas mídias sociais e venho observando a atuação de alguns que considere que estão realmente entendendo bem como é esse novo contexto dinâmico da web social e como usá-lo a seu favor, na promoção dos seus produtos e serviços científicos e no engajamento com o público, atuando no marketing científico digital.

Assim como empresas e marcas com bom desempenho na rede irão se destacar editores que já entenderam que não basta apenas as triviais postagens  a cada novo fascículo de suas revistas científicas, ou a divulgação de seus artigos transcritos unicamente pelo título seguido do link de acesso.

Uma boa maneira de atuar e mostrar que está “imerso” na rede é procurar, por exemplo, dialogar com temas e assuntos que alcançam popularidade na rede e viralizam e se apropriar de suas hashtags e expressões e vinculá-los a áreas de pesquisa, fascículos especiais de revistas ou postagens com contribuição de especialistas sobre o assunto.

Na semana passada o fato marcante na internet foi “a cor do vestido”, com inúmeras matérias em jornais e portais de notícia. De acordo com o G1 a foto do vestido foi postada no Tumblr por um usuário chamado “swiked” na quarta-feira (25/02) e após o site de entretenimento Buzzfeed perguntar a opinião dos leitores, na quinta-feira, a publicação foi visualizada quase 22 milhões de vezes até a manhã da sexta-feira (27/02).

O assunto encabeçou o Topic Trends do Twitter no Brasil e no mundo. No Brasil o caso chegou ao Trends do Twitter pela hashtag #PretoEAzul e no mundo como #TheDress. O pessoal da #interagentes fez uma coleta massiva dos dados de compartilhamento e apresentaram uma visualização georeferenciada de sua evolução na rede de hora-a-hora (vale muito a pena conferir).

Tão logo alcançava maior audiência em viralização a Elsevier por meio do seu Blog Elsevier Conect publicou um post sobre o assunto e convidou um Neurocientista (pesquisador colaborador) para relacionar a curiosidade de maior buzz da semana com aspectos da “ciência da ilusão”. E utilizou sua conta do Twitter para divulgar a postagem:

elsevier dress tweet

Acho que esse tipo de percepção de criação e aproveitamento de contexto contribui e muito ara atuação nas mídias sociais e deve ser melhor aproveitado, por editores, ou mesmo por perfis de bibliotecas. E aí, conhece algum outro insight bacana de editores científicos? Compartilha com a gente aí nos comentários 😉

Visibilidade das revistas de CI nas mídias sociais

Contribuição do Ronaldo Ferreira de Araújo:

Sabemos que aspectos de visibilidade e impacto são questões centrais na comunicação científica, praticamente indissociáveis, especialmente quando se fala em avaliação de periódico científico. A primeira geralmente está associada ao reconhecimento da revista e a qualidade e credibilidade que obtém em determinada comunidade científica e CLARO, estar indexada em bases/índices de prestígio nacionais e internacionais. A segunda, por sua vez, é pensada nas tradicionais métricas de citação.

Mas pensando nos rumos de uma ciência aberta ou ciência 2.0 já não estaria na hora de repensar tais critérios, e porque não, incluir as novas maneiras que a informação científica passa a circular na websocial? Já tivemos aqui postagens do Moreno, Andréa e Iara sobre altmetrics (métricas alternativas) para artigos, buscando compreender a atenção online que estes alcançam. Mas e a atenção que as revistas recebem?

Aqui, com uma metodologia duvidosa e um pouco de ócio de férias, levantamos por meio de parametrizações em Application Programming Interface – APIs das mídias sociais Facebook e Twitter o alcance de 28 (URLs) revistas da área de CI. Os dados podem ser visto na Gráfico 1 (até 100) e no Gráfico 2 (acima de 100).
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Gráfico 1 – Revistas por mídia social (até 100)

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Gráfico 2 – Revistas por mídia social (mais de 100)

Se olharmos os gráficos vamos perceber que umas revistas tem melhor desempenho em determinada mídia social que outra. Não há aqui nenhuma análise profunda, o intuito mesmo era passar o tempo. Mas achei interessante notar que, no geral, revistas com avaliação mais elevadas, recebem menos atenção online. O que acham?

Relação das revistas

  • R1 BIBLOS – Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação
  • R2 Brazilian Journal of Information Science
  • R3 Em Questão: Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS
  • R4 Informação & Tecnologia
  • R5 Informação Arquivística
  • R6 Bibliotecas Universitárias: pesquisas, experiências e perspectivas
  • R7 Informação & Informação
  • R8 RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde
  • R9 Perspectivas em Ciência da Informação
  • R10 Revista ACB
  • R11 Intexto
  • R12 Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação
  • R13 A. to. Z. Revista Eletrônica
  • R14 Comunicação e Informação
  • R15 Informação@Profissões
  • R16 Múltiplos Olhares em Ciência da Informação
  • R17 Ciência da Informação
  • R18 InCID: Revista de Ciência da informação e Documentação
  • R19 Transinformação
  • R20 Biblionline
  • R21 Informação & Sociedade: Estudos
  • R22 Ponto de Acesso
  • R23 Liinc em revista
  • R24 DataGramaZero
  • R25 Tendências de Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação
  • R26 Revista Biblioo
  • R27 Perspectivas em Gestão & Conhecimento
  • R28 Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação