Datagramazero: um presente

Comecei a pesquisar sobre periódicos científicos e Open Access em 2008, assim que comecei o curso de biblioteconomia. Tudo pra mim era novo, mas a discussão naquela época já era antiga. Ao longo do curso, tendo feito 2 iniciações científicas, peguei certa intimidade com os periódicos da área. Mas desde antes de entrar na biblioteconomia, eu já conhecia o Datagramazero. Não tem como fugir: é um periódico pioneiro e muito prestigiado na nossa área.

São 15 anos de publicações, com 474 artigos interdisciplinares, mas com um foco imprescindível em Ciência da Informação, Conhecimento, Sociedade da Informação, Inovação e Gestão. A revista é um referencial de valor inestimável para a área de Biblioteconomia como um todo e também para as Ciências Sociais Aplicadas no Brasil.

No entanto, eu e – imagino que – outros pesquisadores sempre tivemos que utilizar certos truques para pesquisar na revista: ou se conhece o periódico muito bem e se tem uma memória muito boa acompanhando cada publicação, ou realizamos um truque de pesquisa via Google usando “site:dgz.org.br” + “palavra chave” para que possamos recuperar todas as páginas indexadas com o conteúdo desejado. Ainda assim, pessoalmente também não considero esse último um método de pesquisa ideal em termos de eficiência.

Já em 2011 eu pensava em criar uma plataforma, no WordPress mesmo, para que a revista pudesse contar com um sistema de busca, mas na época eu estava muito ocupada com outras coisas que eram prioridade para mim (TCC, mestrado), não tive tempo e sequer sabia como faria isso. Ano passado na pós, tive uma disciplina de Gestão de Conteúdo que abordava exatamente esse projeto que eu tinha em mente e a ideia foi voltando, aos poucos.

Este ano preciso entregar o meu TCC da pós e esbarrei novamente nessa limitação. Também comecei a trabalhar com taxonomia e tudo foi se organizando a ponto de eu começar, em janeiro desse ano, um projeto de plataforma de redirecionamento para a revista. É em WordPress e tudo o que fiz até então foi redirecionar, na medida do possível, todos os artigos da Datagramazero desde 1999 até os dias de hoje. Terminei sexta passada.

Essa é a primeira fase do projeto, mas ainda existem muitas melhorias a serem feitas. A normalização das palavras-chave, por exemplo, não foi feita. A intenção com a fase dois do projeto é de posteriormente criar uma estrutura de categorização que permita que o usuário recupere artigos por área temática de estudo, mantendo também as tags (palavras-chave utilizadas em todos os artigos). A partir daí será feito o estudo das palavras-chaves para a criação da taxonomia do site – que estou começando, aos poucos, agora.

Minha intenção ao fazer esse projeto foi ultrapassar essa limitação para continuar o meu TCC e beneficiar também a comunidade científica como um todo, que utiliza a revista como fonte para suas pesquisas e levantamento de referências.

Caso encontrem erros e inconsistências, sugestões e correções são bem vindas.

Espero que esta plataforma possa ajudar outros pesquisadores!

Bibliotecários lato e strictu sensu

Sempre tive probleminhas com denominações e definições das coisas. Acho que esse foi um dos motivos que me levou a fazer biblioteconomia e também faz parte de uma busca pessoal por um certo senso de identidade – que hoje reconheço como ilusório. De uns tempos pra cá aprendi que a minha identidade pode ser fluída e essa questão não tem mais me angustiado tanto. Mas volta e meia me pego pensando no tema. A minha dúvida não é mais “o que é um bibliotecário” ou “o que faz um bibliotecário”, mas mudou para “onde está o bibliotecário?”. Já passei do “quem sou eu?”, hoje questiono “onde estou?” e daqui alguns tempos devo me perguntar de novo “pra onde vou?”.

Me formei em 2011 em Biblioteconomia e eu deveria ter feito mestrado. Contra tudo o que todos diziam, não fiz. Não sei dizer se foi a melhor escolha, só sei dizer que foi uma escolha minha. Da mesma forma que me diziam pra jamais fazer biblioteconomia e eu fui teimosa, insisti e fiz. Não me arrependo de nenhuma das decisões que tomei até hoje pois elas não me inviabilizaram nada, muito pelo contrário: me ensinaram muitas coisas. E depois da graduação fui fazer o que eu fui formada pra fazer: ser bibliotecária. Mas foi tudo muito diferente do que eu esperava. Eu achava que ia conseguir um emprego e ficar nele por um bom tempo até ir para outro e assim por diante. Mas não foi assim que a vida funcionou (pra mim ao menos).

Jamais considerei tentar concursos – mas sempre tentei e sempre falhei. Apesar de ser uma das opções mais interessantes para se ter estabilidade, acredito que me desmotivaria gradualmente por uma série de outros motivos. Pra mim seria morte em vida permanecer em um lugar apenas pelo dinheiro. Sim, eu sei, dinheiro é muito importante sim, mas existem outras coisas que me interessam mais. Ainda entendo que dentro da biblioteconomia o campo é vasto e que há de fato muito a ser feito. E eu nunca soube exatamente que tipo de bibliotecária eu seria. E ainda não sei se hoje tenho certeza – e não acho isso nada ruim, pelo contrário, o leque de possibilidades continua aí para que eu possa explorá-lo até onde for possível.

Ano passado recebi 3 ligações me oferecendo vagas pra trabalhar com a mesma coisa em lugares diferentes de São Paulo. Recusei cada uma delas, mas me interessava em saber sobre os detalhes à título de curiosidade do quanto o mercado está aquecido por aqui (São Paulo, capital). Até que um dia me chamaram pelo LinkedIn e me fizeram uma proposta que mudaria tudo – mas não muito. A vaga era para Analista de Produto, para trabalhar com taxonomia e catalogação em uma multinacional. Me interessei na hora, pois sempre quis trabalhar com isso tudo. Fui nas três entrevistas e então me chamaram.

Complicou um pouco pois eu estava exatamente na metade da pós, moro no centro e a empresa é em outra cidade e aí mudou tudo: horários, lugares, tudo aqui é longe e difícil. Mas coloquei na balança e decidi que eu queria passar por essa experiência acima de qualquer coisa e que queria o cargo. Valia o sacrifício. Mudar de cargo pra mim foi aceitar um desafio e tanto, pois até o momento tinha trabalhado apenas em frentes que podem ser consideradas strictu sensu na área de biblioteconomia e arquivologia: em uma biblioteca corporativa especializada e em um arquivo de uma construtora e incorporadora. Eu precisava e queria dar esse salto.

Sempre tive facilidade e curiosidade em lidar e aprender a mexer com algumas tecnologias, mas não entendia – diferente de vários dos meus colegas – como isso podia se encaixar na profissão que escolhi pra mim: a de bibliotecária. Há algum tempo eu achava que tinha escolhido biblioteconomia apenas para aprender as técnicas. Hoje acredito que minha relação com a área tem mais a ver com o fato de eu ter ‘aprendido’ ou melhor, vivenciado o mindset bibliotecário, que é diferente sim dos outros profissionais. É uma questão de mentalidade mesmo, da forma que enxergamos as coisas como estão ou podem estar no mundo.

Hoje eu entendo que num nível bem pessoal e particular, biblioteconomia para mim se aproxima mais disso mesmo, da estrutura, da forma que pensamos a informação – independente do contexto e de qualquer tipo de apego a normas e regras – sejam elas criadas há muito tempo atrás ou até mesmo as recentes, pois as regras do jogo estão mudando o tempo todo, constantemente. Acredito sinceramente que, pelo menos os bibliotecários do que posso chamar de nova geração (de 2000 pra cá) pensam a organização e representação da informação, suas estruturas e fluxos de modo específico, com foco no usuário. Ao menos quero ter essa fé..

Acredito também que a nossa área nos permite essa flexibilidade de poder trabalhar em diferentes tipos de ambientes de acordo com nossas habilidades. Nessa época em que o e-commerce é uma tendência cada vez mais em evidência, a forma de pensar do bibliotecário – trabalhando com uma equipe multidisciplinar, juntamente com arquitetos de informação e programadores – é primordial para o andamento do negócio. Neste tipo de ambiente em específico onde a experiência do usuário é altamente priorizada e privilegiada, a organização das informações e sua estruturação é o core, uma vez que não estamos mais lidando com objetos físicos e não podemos ver efetivamente o que se está comprando. A partir daí podem surgir N questões, nas quais já estou pensando para o meu TCC.

Trabalhando com taxonomia, indexação e catalogação, basicamente o que eu e minha equipe fazemos hoje consiste em: receber demandas dos departamentos da empresa, planejar e sugerir soluções levando em conta a taxonomia pré-existente do site (suas categorias, subcategorias, facetas e limitações da ferramenta); Analisar criticamente padronização das fichas de produtos disponíveis (seus atributos e valores, algo muito próximo de catalogação), avaliando as mudanças pretendidas e sugerindo implementações; E também estar em contato com o modelo de taxonomia da matriz, pensando numa possível migração e adaptação do modelo de negócio americano para o Brasil.

Como Analista de Produto trabalhando com taxonomia em ambiente de Internet, posso dizer que hoje sou uma bibliotecária lato sensu, que não trabalha com um cargo convencional ou tradicional na área. Mas basta observar as atividades realizadas que fica difícil dizer que “isso não tem nada a ver com biblioteconomia”. Tem sim. E tem muito. O que percebo é que apenas troquei livros e papéis por estruturas em árvores de links, mas a ideia da coisa toda é muito parecida contendo apenas nomes diferentes. Esse mundo de links parece muito distante de livros e papéis, mas a verdade é que pensar em planejamento e estratégia de organização da informação para o digital é bastante similar, com a diferença que as coisas acontecem muito mais rápido.

A tônica é de mudança constante. E isso requer um determinado tipo de perfil muito flexível, resiliente e adaptável – o que tradicionalmente não faz parte de um perfil da nossa área que seja mais conservador e avesso à mudanças (ainda mais constantes!). Geralmente as mudanças não ocorrem do dia pra noite: ocorrem de hora em hora, e das formas mais inesperadas possíveis… Linkagem, relinkagem, categorização, recategorização e migração são palavras de uso diário. Mas é só mais um jeito diferente de permanecer fazendo a mesma coisa. Este mês fazem três meses e nenhum dia tem sido igual ao outro…

Espero aprender tudo o que posso aprender por aqui.   

Tendências em bibliotecas – user experience

google suggest

Eu acho que o Google suggest é um bom detector de tendências, pois dá as sugestões com base no que as pessoas estão buscando na máquina, procurando saber, o que é hype no momento.

Fui ver o que o Google me sugeria para “bibliotecas usando…”. Claro que não dá pra fazer essa busca em português, porque bibliotecas usando tendências no Brasil, affff.

Alguns resultados são óbvios. Há uma clara indicação que as pessoas estão correndo atrás de ferramentas “2.0”, apesar de que Drupal, Facebook, Twitter, Delicious, WordPress, mashups, Joomla e o próprio conceito de ferramentas “2.0” (um peteleco na orelha pra cada vez que alguém falar 2.0) já estarem circulando por aí há anos.

Kindle talvez seja a única novidade recente, digamos assim, pois a medida que o aparelho (e o conceito por trás dele) impacta na razão de ser das bibliotecas, elas começam a ficar preocupadas e buscar uma adequação.

Agora, a sugestão mais interessante pra mim é exatamente aquela que talvez tenha mais relação direta com a biblioteconomia hard-core, clássica: o Encore.

O Encore é uma interface de resultados de busca que apresenta os registros num estilo mais Amazon de ser, com navegação intuitiva e aqueles fru-fru participativos 2.0 (peteleco), tag cloud, comentários, estrelinhas, revisões.

Clique sobre a imagem para versão ampliada
encore

O grande lance é que o Encore pode (e deve) ser utilizado em paralelo ao sistema de automação tradicional utilizado pela biblioteca. O que ele faz na verdade é uma busca por palavras-chave sobre os registros bibliográficos usados no catálogo tradicional, mas recupera informação e a apresenta de maneira mais amigável. Ele funciona exclusivamente com palavras-chave e termos de busca. Mais ou menos como a busca do Google (veja aqui a página de busca do Encore). Então se o usuário quiser pesquisar pelo ISBN, número de chamada, etc, ele tem que usar o catálogo tradicional.

A meu ver, não se trata de uma duplicação dos serviços simplesmente porque a maioria dos catálogos tradicionais robustos está muito atrás ainda na questão da experiência do usuário e não disponibiliza os resultados de busca decentemente. O que o Encore fez foi incorporar alguns quesitos de navegabilidade e interação utilizados em sistemas emergentes (delicious, twitter, wordpress, etc) e aplicar ao catálogo da biblioteca.

E para bibliotecas em que a situação do catálogo é crítica, talvez seja melhor chutar o balde, jogar tudo pro alto e investir em um modelo paralelo, inteiramente novo, que faça mais sentido para o usuário.

Na verdade eu ainda tenho outras preferências de resultados de busca e apresentações de catálogos. Mas é interessante ver que algumas soluções estão caminhando cada vez mais em direção ao alinhamento das necessidades dos usuários e os serviços que a biblioteca pode oferecer, fazendo uso dessas tecnologias “2.0” (peteleco).

Dêem uma olhada na tela de resultados de busca no catálogo.

O site oficial é esse: Encore Innovative Interfaces

Sugestões aos bibliotecários


SIBI USP – Dia do Bibliotecário 2009 publicado por Fabiano Caruso no Vimeo.

Fabiano Caruso disponibilizou o vídeo na íntegra da nossa apresentação no evento do SIBI USP pelo dia do Bibliotecário. O vídeo é looongo, nós falamos demais, mas aí está.

Eu falei na condição de alto consumidor de informação, dando sugestões aos bibliotecários sobre como eu gostaria que os serviços de bibliotecas me fossem oferecidos.

Fabiano explicou como passou a inserir as tecnologias que faziam parte do seu cotidiano, em projetos relacionados a biblioteconomia no decorrer da sua formação.

Enjoy!

update: pra quem quiser ver os vídeos em partes menores, aí está


SIBI USP – Parte 2 – Moreno Barros from ExtraLibris on Vimeo.


SIBI USP – Parte 3 – Fabiano Caruso from ExtraLibris on Vimeo.


SIBI USP – Parte 4 – Perguntas from ExtraLibris on Vimeo.

Tim Berners Lee, Interoperabilidade e dotSub

Incrível como uma coisa puxa a outra. Estava no site do Caruso e vi um vídeo interessante sobre blogs. Melhor, esse vídeo estava traduzido, e consegui mudar o idioma da legenda enquanto assistia. Aí fui atrás do site onde está hospedado e conheci o dotSub, um site onde qualquer pessoa pode ajudar a traduzir um vídeo. Muito intessante.

Visitando o dotSub, descubro o video abaixo:

Esse ai acima é Tim Berners Lee. O Criador da Web e um dos caras que mais admiro e gosto de citar nos meus trabalhos. No video acima ele enfoca a interoperabilidade e neutralidade como características essenciais para a Web.

Sobre arquitetura da informação, usabilidade e acessibilidade

Acabo de participar do 1º WAIU (Workshop de Arquitetura de Informação, Acessibilidade & Usabilidade), que valeu ao menos para abrir um pouco a leque de visão de mercado para os bibliotecários.

Bibliotecários são os mais indicados para serem arquitetos de informação?

NÃO!

Mas arquitetura da informação é para apaixonados por web e por organização da informação! E isso pode incluir bibliotecários… É um mercado em formação e por isso ainda exige muito dos que atuam nele a mostrar o seu valor. Mas está se mostrando com um potencial de crescimento.

Organizar a informação na Web é normalmente um serviço prestado, que objetiva o crescimento do uso do serviço de comunicação (website e sim, comunicação e não informação) por meio da criação de uma experiência positiva para o usuário. O foco é claro não é o usuário, mas isso não é ruim. Eu achei muito interessante.

Sobre usabilidade, é uma ferramenta interessante para melhorar a experiência do usuário. É algo que podemos usar melhor em nossos serviços.

Acessibilidade eu achei complicado. O PNE (pessoa de necessidades especiais) necessita de um serviço que ele possa usar e isso reflete na melhoria para todos. O desafio não é somente adaptar o conteúdo ao PNE, que é necessário, mas também criar um serviço que melhore a experiencia deles. Um desafio grande demais.. mas que dará um bom retorno, não apenas aos PNEs.

UPDATE: Vale a pena dar uma olhada: Will Universal Accessibility at Libraries Even Be Possible in 10 Years?

Minha visão pessoal do workshop é que ele me mostrou um mercado carente de profissionais e que há espaço, mas exige dedicação e empreendedorismo. Não sei se é para mim, mas sei que há uma geração de informações muito interessantes e podemos aprender muito com eles, e ainda, deveriamos mostrar conhecimentos da área de maneira mais incisiva e mostrar mais força nesse mercado.

Slides das apresentações do EBAI

Para quem não conseguiu ir (assim como eu), estão disponíveis os slides das apresentações do EBAI (Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação).

Via: Planta Baixa

PS. Será que alguém que lê o blog foi?? Fiquei curioso para saber como foi.

UPDATE: Outra oportunidade:

WAIU

Objetivos
O que se espera com este evento

O objetivo deste workshop é apresentar os principais conceitos sobre o assunto Arquitetura da Informação, Usabilidade e Acessibilidade, desde apresentações teóricas, até apresentações práticas como testes de usabilidade de sites, testes de sites com deficientes físicos ou visuais usando a internet, mostrando como é a dificuldade enfrentada e qual a solução proposta para navegação na web, discussão entre palestrantes e público.

Dessa forma, disseminando o conhecimento e criando uma necessidade de especialização de profissionais e busca pelo aumento do conhecimento nessa área.

Via: Planta Baixa, de novo