Qual é o futuro do catálogo das bibliotecas?

Catálogos de biblioteca não são esteticamente atraentes (embora gosto e bunda…), mas o problema mais crítico é que, em muitos casos, eles são impossíveis de usar, especialmente para as pessoas que tentam usá-los pela primeira vez. Daí a necessidade constante de oferecer treinamentos aos usuários sobre o uso do catálogo e demais recursos da biblioteca, como a minha e muitas outras bibliotecas fazem.

Murakami já divagou sobre o catálogo, eu tive algumas ideias sobre a interface dos OPACs, e o próprio conceito de catálogo 2.0 já vem sendo abordado há algum tempo, mas nenhuma proposta que eu conheça envolve diretamente o design a partir da demanda dos usuários. Na evolução do catálogo sob a ótica do usuário temos muito a aprender com o Google em termos de usabilidade e apresentação dos resultados de busca. Claro que como um sistema de recuperação o Google funciona de maneira diferente, porque a representação de páginas web não é feita da mesma maneira como nós descrevemos registros bibliográficos (e o investimento em user experience é infinitamente maior, porque o produto deles afinal são os usuários).

A discussão técnica entre bibliotecários deveria sugerir um catálogo de biblioteca que altera seu foco sobre a informação bibliográfica (metadados) para o foco no desempenho da busca realizada pelo usuário em relação ao item de biblioteca. O catálogo funcionaria mais como uma ferramenta que auxilia as pessoas a realizar suas tarefas, e os dados bibliográficos existiriam silenciosamente em segundo plano, expostos somente quando necessário (mais necessário em uma biblioteca acadêmica do que em uma biblioteca pública, por exemplo).

Um outro aspecto é que os vendedores de software estão cada vez mais aprimorando e cobrando caro por sistemas de “discovery e delivery” (Primo da ExLibris, Chamo da VTLS, por ex), quando na verdade os usuários estão encontrando seus caminhos em sistemas de busca abertos (Google Scholar, por ex). Nesse sentido, a segunda discussão técnica deveria sugerir que as bibliotecas não devem investir em novas ferramentas de descoberta, porque o benefício para os usuários é marginal. Em vez disso, poderíamos nos concentrar em melhorar a entrega dos materiais comprados e licenciados para usuários, permitindo que os metadados sejam rastreados e anexados pelos sistemas que os usuários costumam utilizar (google, facebook e wikipedia, por exemplo).

Entendo que existe uma resistência por parte da classe em liberar seus dados, já que delegar essa função a outros players pode eliminar nosso status de guardiões. Mas se isso já é feito sem qualquer problema com os atuais provedores de software de bibliotecas (Pergamum, Sophia, Aleph, etc), pagando caro por isso, e os resultados, em termos de aceitação e apreciação estética por parte dos usuários não são satisfatórios, temos que repensar e redesenhar a maneira que nós oferecemos nossos serviços e produtos para o acesso à informação bibliográfica (e em paralelo, no curto prazo, cobrar dessas empresas que contratem designers front end, porque a interface é pífia).

Muita coisa ainda precisa ser discutida, mas por enquanto, tomando o texto da Mariana Mathias como partida, gostaria de me concentrar nos aspectos estéticos e de design dos catálogos, sob a ótica do usuário final. Assim como eu fiz anteriormente na compilação dos melhores design e usabilidade de sites de biblioteca (que aliás sofrem a maioria do mal de não contar com um catálogo que seja integrado ao próprio site ou que junte as coleções de ebooks, de periódicos e de livros), percorri alguns sites e sistemas de apresentação de livros (catálogos de bibliotecas ou não) que operando no modelo de “estante virtual” com ênfase nas capas dos livros, representam um salto qualitativo enorme na perspectiva estética de busca e recuperação.

Quando teremos catálogos de biblioteca que se pareçam com os exemplos abaixo?

Representatividade dos trabalhos apresentados no CBBD 2011

Depois do Post bacana da Vivi, e do post 1 e post 2 do Tiago temos uma impressão de como o CBBD 2011 foi bom e dos bons trabalhos e profissionais que o evento reuniu. Mas particularmente senti falta de uma visualização geral dos trabalhos, que pudesse representar tematicamente o que foi apresentado. Sendo assim fiz um experimento no Manyeyes.com inserindo os títulos, palavras-chave e resumo de todos os trabalhos submetidos no evento (mais de 600). Só foi possível obter esses dados com a ajuda do Diego, a quem eu desde já agradeço. Tenho minhas impressões sobre as representações a seguir, mas prefiro me expressar nos comentários para não tendenciar opiniões. Mas claro, deixo com as figuras algumas perguntas: o que você achou das representações? Sentiu falta da ocorrência de quais termos? Quais termos você podia jurar que teria maior representatividade e não teve?

Fig.1: Nuvem de tags dos termos mais recorrentes nos títulos
Fig.2: Conexões entre os termos mais recorrentes nos titulos e resumos
Fig.3: Nuvem de tags dos termos mais recorrentes nos títulos e resumos

Por @ronaldfar

Twitter data + Gephi

Este é o resultado de um interessante exemplo de uso da ferramenta de redes complexas: A visualização de uma rede de bibliotecários no twitter.

Foi criado a partir dos “seguidos” (friends ou following) obtidos usando o Twitter API e formatados usando o Gephi.

Amostra:

28 twitter de bibliotecários listados no post Bibliotecários no twitter. Procurei seguir uma ordem alfabética, mas inclui alguns que não seguiram essa ordem. Os cobaias foram: @apocrypha, @amandafranco, @beten, @bibliotecaita, @brunadj, @cabufsc, @gledsonsilva, @julianasantiago, @moreno, @refazioli, @trmurakami, @weblibrarian, @cabam, @carlacastilhos, @carlosfaccion, @carolkonig, @ckokumai, @caue_ce, @ccadalso, @danyduarte, @dgcunha, @LuisMilanesi, @__biaah__, @abrapira, @Airtiane, @aldoibct, @alexpantera e @almadospampas

Alguns resultados

6678 edges ( ligações )
Maior distância entre os nós: 4
Média de distância entre os nós: 2.42

Próximos passos

– Separar os twitters pessoais e institucionais.
– Incluir todos os perfis de bibliotecários brasileiros.

Outros usos imaginados

Gostaria de usar este tipo de gráfico para representar ligações entre as bibliografias da área. Daria para identificar quais são as mais influentes, alguns “grupos de obras”, e mais um monte de coisas.

Marketing de bibliotecas no mundo da Web 2.0 – IFLA 2010

Semana passada eu fiz uma apresentação sobre como os bibliotecários brasileiros estão utilizando o twitter. A apresentação fez parte de uma pré-conferência da IFLA sobre marketing em bibliotecas no mundo da web 2.0 e eu era um dos representantes das “perspectivas internacionais”. O programa completo do evento vocês podem ver aqui, apenas pra ter uma idéia do que foi apresentado lá.

Sobre o lance de apresentar um trabalho na IFLA, que talvez seja o maior evento internacional da nossa área, as pessoas vieram dar felicitações e tal, como se eu fosse um exemplo, e eu acho legal, até porque talvez ninguém melhor do que eu pra tratar desse tipo de tema, mas os procedimento em si são bem simples: eu mandei um resumo, eles aceitaram e por conseguinte me perguntaram se eu estava disposto a fazer uma apresentação sobre o panorama brasileiro. E eu disse que sim.

Eu tô falando isso porque eu acho que vale MUITO a pena o investimento pessoal em participar de um evento como esse. Todo bibliotecário que se preze deveria tentar participar de alguma forma, até porque os procedimentos são simples, como eu disse acima. Qualquer pessoa pode participar, não precisa ser expert, nem ter dinheiro sobrando, nem saber falar inglês. É um network incrível, são centenas, milhares de bibliotecários que fazem as mesmas coisas que você faz e estão discutindo as mesmas coisas, os mesmos problemas e soluções.

A minha apresentação é resultado das minhas impressões como bibliotecário sobre tudo o que aconteceu no twitter nesses últimos 2 anos. Me parece que nós ficamos muito bons em conversar com outros bibliotecários, mas nada bons em conversar com os usuários. Então agora a gente tá nessa fase de, “implementei mas não vejo os resultados, e agora?” São os questionamentos naturais que qualquer iniciativa inovadora traz consigo. E eu particularmente estou tentando responder essas perguntas pra poder seguir em frente realizando um trabalho que, a gente supõe que possui um potencial, mas não sabe ainda como mensurar e capitalizar isso.

Eu também criei um documento compartilhado e convidei algumas pessoas que considero expoentes do twitter para ajudar a pensar sobre essas coisas, e o documento ficou uma coisa linda. A minha idéia é que dentro dos próximos dias eu publique as respostas que circularem lá em formato de slideshow, sobre o estado da arte da bibliotwittersfera brasileira, algo assim. A seguir.

Perdoem o meu inglês macarrônico, mas aí está um pedaço da apresentação:

e os slides:

nos próximos posts eu vou tentar falar um pouco mais sobre as experiências de redes sociais em outros países, idéias que foram apresentadas lá, bibliotecas que eu visitei e outras coisas mais.

Referência digital online via msn, gtalk e meebo – "fale com a bibliotecária"

Em 2003 eu escrevi um trabalho sobre referência digital online, explicando a diferença entre processos de referência online assíncronos (email, blog) e síncronos (chat, skype). Desde aquela época e antes, várias bibliotecas de outros países passaram a adotar algum serviço de chat para ampliar o serviço de referência. Eu tentei acompanhar o oferecimento do serviço de referência por meio de chat no Brasil – lugar onde as pessoas usam muito chat (chat uol, mirc, icq, msn) – mas não encontrei nada de interessante.

A ausência de um serviço de referência online síncrono na biblioteca gera para mim dois impasses: o primeiro, enquanto pesquisador, é que eu não tenho como me comunicar com a biblioteca de maneira simples e veloz, para resolver questões elementares, de uma maneira natural para o meu perfil de usuário. A segunda, enquanto bibliotecário, é que por diversas vezes ao longo do dia, eu tenho a necessidade de entrar em contato com outros bibliotecários, para pedidos, intercâmbios e resolução de problemas, e não tenho uma maneira rápida e direta de fazer isso.

Partindo dessa premissa estritamente pessoal, mas que se enquadra em uma escala muito mais ampla, eu sugeri que a biblioteca em que trabalho instituisse um serviço de chat na intenção de resolver ou equilibrar os dois impasses mencionados acima: oferecer um novo, porém trivial serviço simples da biblioteca, que se adequa a um determinado perfil de usuário pesquisador, e garantir agilidade e flexibilidade no trabalho diário dos bibliotecários de referência.

Na prática, o que eu fiz foi apenas observar ao longo desses anos como as bibliotecas estavam utilizando o serviço de referência online via chat e que tipo de ferramental estava sendo aplicado. Não houve nenhuma surpresa ao constatar que as bibliotecas usam as mesmas ferramentas mais comumente utilizadas por seus usuários – no Brasil hoje, poderíamos dizer MSN e Gtalk. Em outros países, além do MSN e do Gtalk, IM da AOL, Yahoo messenger e Skype, variando de país para país.

Entretanto, a solução mais adequada encontrada pelos bibliotecários, e abraçada pela própria comunidade desenvolvedora do produto, foi o widget do Meebo, o Meebo Me.

Pra quem não sabe, o Meebo é um cliente de chat web based, que agrega diversas contas em um único local. Então digamos que você tenha uma conta do msn, uma do gtalk e uma do icq. Em vez de ter que ter os três softwares instalados localmente e ter que se logar nos três para poder conversar com seus amigos, o meebo agrega todos as contas em um único lugar, e melhor, acessível de qualquer computador. (Depois que começaram a bloquear o msn nas escolas e nas empresas, as pessoas passaram a usar esses clientes. Além do meebo existem vários. Em casa mesmo eu uso o digbsy, que além dos serviços tradicionais, agrega o chat do facebook).

Mas o widget do meebo foi um pouco além. Depois que você cria uma conta no meebo, você pode solicitar a geração de um widget, que é um código em flash que pode ser acoplado em qualquer página de site e funciona como uma janela de mensagens instantânea. O Meebo Me trabalha como um conector entre a página em que está instalado e qualquer pessoa que visite esta mesma página, seja um website, um blog, etc. Tudo o que o visitante precisa para conversar com você é um browser com suporte a Flash (e a maiora dos browsers hoje possui).

Não há nenhuma exigência prévia para poder se comunicar. Nas contas do msn ou do gtalk por exemplo, você tem que autorizar a pessoa como sua amiga/contato antes de conversar com ela. No ambiente da biblioteca, isto não faz muito sentido se a idéia é apenas oferecer uma solução rápida e simples. Mas ainda assim, nada impede que se ofereça múltiplas formas de contato. Se o usuário for assíduo e quiser ter a biblioteca em sua lista de contatos do msn ou do gtalk, lá está o email, basta incluí-lo. No caso do meebo, a diferença é que qualquer pessoa pode estabelecer uma conversa com a bibliotecária sem qualquer exigência de identificação (o que levanta argumentos em relação à segurança e alcance da ferramenta, mas tudo isso já foi exaustivamente discutido).

Existe uma vasta literatura sobre o uso do widget do meebo como ferramenta de referência online em bibliotecas e eu não preciso me estender.

Em poucos minutos eu configurei a conta, gerei o widget, entreguei o código para o responsável pela página da biblioteca, instalei um notificador no meu browser, e pronto, o serviço está no ar.

Existem prós e contras, mas no geral, é um bônus.

Eu redigi um documento simples para utilização interna do widget do meebo na nossa biblioteca, que na verdade é um bootleg de outros documentos tratando do mesmo assunto, que encontrei disponível na web. Vocês podem ver, e entender um pouco melhor a proposta por trás do uso da ferramenta Hannah Montana: The Movie movie download . E estou disposto a ajudar quem tiver interessado a fazer o mesmo em sua biblioteca, e por acaso, encontrar alguma dificuldade.

E bibliotecários, eu sugiro que ofereçam alguma ferramenta de chat em seus sites, porque isso certamente facilitaria a nossa vida enormemente (eu por exemplo trabalho com acervo de engenharia e tecnologia, essencialmente digital, pesquisa e solicitação de artigos, e as vezes preciso entrar em contato rápido com bibliotecários da USP, do ITA, da UFRGS, da UFPE, e a única forma é enviar emails, que demoram no mínimo algumas horas para serem respondidos).

Infelizmente em uma pesquisa recente que fiz, não encontrei nenhuma biblioteca no Brasil utilizando msn, gtalk ou meebo como um serviço do estilo “fale com a bibliotecária”. Talvez existam, e eu espero que existam, mas precisam ser melhor divulgadas e evidenciadas.

Aqui está um vídeo explicativo sobre o uso da ferramenta na biblioteca do Centro de Tecnologia da UFRJ:

Então, caso vocês precisem, podem visitar a página da Biblioteca do Centro de Tecnologia da UFRJ, e falar com a bibliotecária. A bibliotecária no caso, sou eu. Eu ainda não fiz minha operação de mudança de sexo, mas por enquanto, achei melhor utilizar o termo no feminino, já que é naturalmente mais aceito pelos usuários da biblioteca.

O nosso gtalk é: bibliotecactufrj@gmail.com
e o msn é : bibliotecactufrj@gmail.com (gmail mesmo, não hotmail)