XVII Encontro Nacional do Sistema de Bibliotecas Públicas e o V Simpósio Latino-Americano de Bibliotecas Públicas

Divulgo a chamada de trabalhos:

Chamada de Trabalhos

A Coordenação Geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas – CGSNBP, da Fundação Biblioteca Nacional – FBN, realizará no período de 9-12 de novembro de 2010, no Auditório Machado de Assis da FBN, Rio de Janeiro, o XVII Encontro Nacional do Sistema de Bibliotecas Públicas e o V Simpósio Latino-Americano de Bibliotecas Públicas.
O evento anual do SNBP/FBN, congrega bibliotecários, profissionais das áreas afins, professores, pesquisadores, estudantes e usuários interessados na temática.
A programação aborda diversas atividades, tais como: conferências proferidas por professores estrangeiros convidados; apresentação de trabalhos; lançamento de livro; e reunião com os(as) Coordenadores(as) dos Sistemas Estaduais de Bibliotecas Públicas.
No período de 19 à 25 de agosto do corrente, a CGSNBP/FBN estará recebendo trabalhos voltados para o tema central do evento: “ A Biblioteca Pública e a diversidade cultural”, contendo os subtemas: 1) Gestão da Informação; 2) Padrões para Bibliotecas Públicas; 3) Tecnologia da Informação e Comunicação; 4) Usuários; 5) Academia e Biblioteca Pública. Remeter trabalho para o e-mail: cgsnbp@bn.br e por sedex para: Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas/Fundação Biblioteca Nacional, Rua da Imprensa, nº16, 11º andar, Centro – Rio de janeiro, RJ, 20030-120.
O resultado será divulgado no dia 15 de setembro, no site do SNBP/FBN – http://www.bn.br/snbp/ e remetido e-mail para os autores.

Algumas constatações sobre bibliotecas públicas e muitas dúvidas que surgem delas

Nesses dois últimos anos trabalhei em 2 bibliotecas públicas e visitei muitas outras. Neste período surgiram muito mais dúvidas do que respostas. Tentarei compartilhar minhas dúvidas com vocês, que podem estar com dúvidas parecidas.

Minha primeira constatação é que eu particularmente nunca vi as bibliotecas tão valorizadas como agora. Há diversas mobilizações para a melhoria das bibliotecas públicas, muitas passaram por reformas ou estão com projetos de modernização, algumas novas foram inauguradas e há um grande investimento nas bibliotecas por parte do governo federal e dos municípios.

Outra constatação é que as bibliotecas públicas não são mais a melhor opção para se fazer pesquisas escolares. Mas ainda grande parte dos recursos das bibliotecas estão mobilizadas para atender a esse público, que é cada vez menor. Com isso fica claro a necessidade de se estabelecer um novo conceito de biblioteca pública, que norteie a atuação da maioria dos profissionais que atuem nessa área. Sonho com um conceito trabalhado colaborativamente e com bibliotecários engajados, mas sei que a realidade atual não é bem essa.

Uma constatação minha é que muitos estão realizando atividades muito bacanas nas bibliotecas, mas elas são muito pouco divulgadas e os bibliotecários não se preocupam em escrever sobre suas experiências. Vi atividades de grande impacto sendo realizadas, mas como são pouco divulgadas, não serão reproduzidas por outros em outras partes e com isso, ficam limitadas a região que são realizadas.

E o contrário também é verdadeiro. Vi experiências pobres, com pouco conteúdo e pouco impacto serem muito divulgadas e copiadas.

Dessas constatações, surgem muitas dúvidas em relação a como melhorar as bibliotecas. Acho que esse é um bom início para uma troca de idéias, conforme a discussão começar a ocorrer, surgirão outros posts. Por isso, gostaria de saber um pouco da experiência de vocês. Abusem dos comentários.

Biblioteca Parque de Manguinhos

Medellín, na Colômbia, era uma cidade marcada pelo narcotráfico e pela violência. Mas a partir de 2006, com a inauguração de Bibliotecas Parque – uma biblioteca com um parque para que os leitores possam usufruir da leitura ao ar livre – a cidade elevou o seu nível educacional, fator que contribuiu para a diminuição do índice de violência.

Inspirando-se nesse projeto, foi implantada em Manguinhos, no Rio de Janeiro, a primeira Biblioteca Parque brasileira, em um espaço de 3,3 mil m², que sediava o antigo Depósito de Suprimento do Exército (1º DSUP). Essa área foi totalmente urbanizada, e se transformou no local de maior concentração de equipamentos sociais em uma comunidade carente da cidade, um complexo com ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, acervo digital de música, cineteatro, cafeteria, acesso gratuito à Internet e uma sala denominada Meu Bairro, para que os usuários façam reuniões da comunidade.

Em entrevista ao blog Acesso, a secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e coordenadora do Programa Mais Cultura, Silvana Meirelles, explica melhor o projeto.

biblioteca parque de manguinhos

A Biblioteca Parque de Manguinhos será equipada com 40 computadores para internet livre, livros eletrônicos da Gato Sabido, 3 milhões de música em arquivo digital (do Imusica), 700 filmes em dvd, uma vasta coleção de quadrinhos e, sem esquecer dos livros, claro – são 25 mil títulos, pra começar.

O visual ganha ares modernos com o grafite digital da Superuber. Ou seja, vale a pena conhecer e apresenta um conceito que a gente já sabe, mas que pouca gente lembra: o de que bibliotecas são também espaços culturais. E o de que a leitura não precisa, necessariamente, ser em papel.

Todos os 28 funcionários da biblioteca são moradores da região e contratados pela Secretaria estadual de Cultura. Eles foram treinados para atender à todas as pessoas que visitarem o local.

via Literatura Infantil e Juvenil e @liaamancio

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O projeto piloto colombiano humilha a humanidade. As fotos da Biblioteca Parque Espanã falam por si. Se a Biblioteca Parque de Manguinhas chegar perto do projeto colombiano, estamos bem.

Assim que aparecem as fotos e infos, eu atualizo aqui.

via plataforma arquitectura

Dicas para uma biblioteca comunitária

Recebi um email e decidi publicar aqui, pois em vez de uma pessoa só ajudar, e eu não sendo nenhum consultor e nem ter autoridade para tanto, quanto mais dicas várias pessoas incluirem nos comentários, melhor.

“…desenvolvo com uns amigos um projeto denominado “Ler para crescer” e fomos premiados pelo Ministério da Cultura com um maravilhoso acervo, de 500 livros, incluindo muitos para pesquisa escolar, portanto, agora, somos uma biblioteca comunitária.

Então preciso organizá-la para viabilizar o empréstimo. Porém, como é um projeto com poucos recursos, gostaria de dicas de como implementar (devo fazer fichas, como identificar por assuntos sem ser com aqueles inúmeros códigos) e se conheces algum software de baixo custo, já que junto com o acervo ganhamos também um computador.”

Esse aqui é o blog da biblioteca: Projeto Ler para Crescer na Amazônia

Então é simples. Coloquem em prática tudo o que vocês aprenderam em 4 anos de faculdade. Presentem bastante atenção nas premissas. Não viagem muito, é um projeto simples que requer soluções simples. O blog da biblioteca já apresenta um pouco o perfil da comunidade.

Se fosse com você, uma biblioteca comunitária, poucos recursos, 500 livros, o que você faria?

biblioteca comunitaria

Chuvas no Rio e Niterói – Uma noite na biblioteca

Pra quem queria saber se eu ainda estava vivo, estou.

Menção honrosa na minha saga pelas chuvas do Rio e Niterói vai para uma noite na biblioteca do CCMN (Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza) da UFRJ.

Na impossibilidade de voltar pra casa na segunda feira a noite por estar literalmente ilhado na ilha universitária, decidi me juntar aos bibliotecários que também ficaram e fui dormir nos confortáveis sofás dos usuários no salão da biblioteca. Não tinha comida, não tinha cobertor ou travesseiro, mas tinha internet, livros e fantasmas. Eu estava seguro.

Esse era o panorama:

biblioteca ccmn

No crepúsculo seguinte, essa era a visão da Biblioteca do Centro de Tecnologia, onde eu trabalho:

biblioteca do ct ufrj

Mas já está tudo bem. Os fantasmas tiveram a sua cota de diversão, eu tive a minha. As bibliotecas retomaram as suas atividades normais.

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Eu sou residente de Niterói. Tudo bem comigo. Mas me senti um pouco como “A estrada”, do Cormac Mccarthy.

Fotos do fim do mundo

Não tenho notícias de bibliotecas no Rio ou Niterói terem sido afetadas pelas chuvas.

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Alguém sabe de alguma lei, alguma norma que trata de danos à bibliotecas causados por chuvas, fenômenos naturais? [Falta pouco pra 2012], é bom os bibliotecários ficaram cada vez mais atentos à isso.

Quanto ao serviço prestado à comunidade, como as bibliotecas (públicas) devem se portar nesses casos? Que tipo de assistência elas podem e devem oferecer (abrigo, coleta de donativos, informações topográficas, informações históricas, informações jurídicas, etc) ?

Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro em obras

Em tempos de chuvas e mortes e investimentos em bibliotecas públicas, a Biblioteca Pública do Rio (“biblioteca do Brizola”) prepara o seu redesign.

Eu tentei encontrar alguma informação sobre a reforma, eu lembro de ter visto em algum jornal da cidade, mas não consegui resgatar. Não sei nada sobre a obra, não sei nada sobre o projeto.

A única coisa que eu sei é que a biblioteca já está fechada há um bom tempo e está cercada por tapumes que contêm algumas imagens de como a biblioteca ficará, depois de reaberta.

Eu só consegui uma foto, essa aí de baixo.

Pelos outros croquis nos tapumes, tem um quê de espaço multimídia no redesign. Quem sabe vem uma versão carioca da Biblioteca do Carandiru por aí.

Alguém sabe alguma coisa sobre a nova biblioteca pública do Rio?

Biblioteca de São Paulo – Carandiru

Para quem procurou pela biblioteca no google e caiu aqui, a Biblioteca de São Paulo fica localizada na Av. Cruzeiro do Sul, 2630, no bairro Santana, ao lado da estação Carandiru do metrô. veja o mapa

Funciona de terça a sexta das 9 às 21 horas. Sábados, Domingos e Feriados das 9 às 19 horas.

O telefone da biblioteca é (11) 2089-0800

A biblioteca possui um site oficial, um blog oficial, album de fotos no flickr e uma página no facebook.

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Acabou de cair várias lágrimas de emoção vendo estas fotos. Nem preciso explicar.

Design. Ahhh, o design.

biblioteca são paulo carandiru

biblioteca são paulo carandiru

biblioteca são paulo carandiru

biblioteca de são paulo carandiru

biblioteca de são paulo carandiru

biblioteca de são paulo

Estas e outras fotos estão no flickr oficial da BSP

Texto da Folha:

Novo espaço cultural da zona norte de SP começa adaptado para pessoas com deficiência e se aproxima do conceito das grandes livrarias para atrair leitores

No próximo dia 8, a capital paulista ganhará um novo espaço de cultura: a Biblioteca de São Paulo. Instalada no parque da Juventude, na área da antiga Casa de Detenção do Carandiru, a nova biblioteca pública se inspirou no conceito das grandes livrarias da cidade para conquistar seus leitores.

“A ideia é que ela pareça uma “megastore” pública”, explica o Secretário de Estado da Cultura de São Paulo, João Sayad. “Ela deve ter tudo aquilo que essas lojas oferecem, mas estará aberta para atender a todos.”

A biblioteca custou cerca de R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do Estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura). E, para atrair seus futuros usuários, não investiu apenas no acrevo de 30 mil livros.

Estratégia de sedução

A Biblioteca de São Paulo dedica grande parte de seus 4.200 m2 aos mais jovens. Todo o andar térreo está divido em alas para três faixas etárias: de zero a três anos, de quatro a 11 anos e de 12 a 17 anos. Ali, poltronas coloridas e pufes dividem espaço com estantes baixas -projetadas sob medida- nas quais livros, discos e filmes ficam misturados e expostos diretamente ao público.

Também estarão à disposição cem computadores, com livre acesso à internet, dezenas de jogos eletrônicos e um aparelho Kindle, o livro digital da Amazon. “É uma tentativa de atrair o não leitor”, afirma Sayad. “Se o hábito de ler voltar a ser moda algum dia, podemos fazer uma biblioteca escura, austera. Hoje, para conquistar o público de não leitores, ela precisa ser assim.”

O esforço para seduzir os frequentadores pautou a escolha do espaço -próximo ao metrô- e o projeto arquitetônico, que contemplou um café, uma varanda com espaço para shows e saraus e um auditório.

“Teremos uma programação de cursos e oficinas, voltada inclusive para temas que não estão ligados à literatura, como o grafite”, conta a diretora da biblioteca, Magda Montenegro.

Ela também promete um horário expandido de atendimento – até as 21h de segunda a sexta, e até as 17h, aos sábados, domingos e feriados. “Não dá para fechar na mesma hora da repartição pública. A intenção é que as pessoas venham para cá depois do trabalho”, afirma.

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biblioteca são paulo carandiru

Cada município, uma biblioteca

Eu levanto e vocês chutam: quero ver quantos #mimimi sobre a presença ou não de bibliotecários em cada uma dessas bibliotecas…

Vídeo da campanha “Cada município, uma biblioteca”. De acordo com o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, 661 municípios ainda não têm esses equipamentos. A idéia é zerar o número de municípios sem bibliotecas em 2009.

Doações e a política de formação de acervo em bibliotecas públicas

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Nesses últimos dias participei de algumas discussões interessantes sobre aceitar ou não doações em uma biblioteca pública. Eu particularmente acredito que as bibliotecas públicas NÃO deveriam aceitar doações. É uma atitude extrema, mas acredito que é uma forma de demonstrar que a responsabilidade de se manter a qualidade da biblioteca é do poder público, seja federal, estadual ou municipal. Aceitar que as bibliotecas públicas sobrevivam de doações seria aceitar que as bibliotecas públicas não valem nada e não tem função nenhuma na sociedade.

Para complementar a discussão, vale a pena ler um texto do Ricardo Queiroz Pinheiro sobre formação de acervo: Acervo como fio condutor Walking Tall ipod

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