Eventos de Biblioteconomia e CI 2017

O povo pediu, então está aí a lista dos eventos (nacionais e internacionais) da área em 2017. Os que já tem datas abertas para envio de trabalhos estão indicados e com sites. Muitos ainda estão com poucas informações, vou atualizando conforme forem anunciando!

MAIO:

Bibliocamp (São Carlos) – 06 de Maio

Seminário de Competência em Informação (Marília, UNESP) – Maio

JUNHO:

35° Painel Biblioteconomia  (Chapecó – SC)-  02 e 03 de Junho – Submissões até 17 de Março.

Erecin Norte Nordeste Abecin (Fortaleza, UFC) – 05 a 07 Junho

Encontro Nacional de Estudos de Usuários (UFC) – 07 a 09 Junho

AGOSTO:

IFLA América Latina (Romênia) – 15 e 16 de Agosto – Submissões até 01 de Março

IFLA Polônia – 19 a 25 de agosto – Ainda com alguns GTs abertos para envio de resumos (as datas são variadas – em inglês apenas)

SECIN – 21 a 23 de agosto – Sem mais informações até o momento

Simpósio Otlet (Udesc) – 23 Agosto

SETEMBRO:

FIEB e Bienal (RJ) – 09 Setembro

Isko Brasil (Recife, UFPe) –  19 a 21 Setembro – Submissões de trabalhos completos até 14/05/17

Cinform (Salvador, Ufba) – Setembro

OUTUBRO:

Confoa (RJ) – 04 a 06 Outubro

CBBD (Fortaleza) – 17 a 20 Outubro – Site disponível com informações de inscrições e submissões de trabalhos.

III Fórum de CoInfo (RJ) – Outubro

Enancib – organizado pela UNESP Marília, mas acontecerá em São Paulo – Outubro – Sem mais informações até o momento

NOVEMBRO: 

Seminário Redarte (RJ) – 10 novembro

ICOM Cuba – 13 a 17 de novembro – Envio de resumos até 15/05/17

EDICIC Portugal – 20 a 22 de novembro – Envio de resumos até 28/02/17

Seminário de Competência em Informação (SC) – Novembro

10 coisas que aprendi depois de 40 congressos

Acabei de dar uma olhada na programação do SNBU, que vai acontecer na próxima semana, em Manaus. Gostaria muito de ir, mas por motivo de força maior não irei. De qualquer forma, estive presente em várias outras conferências e congresssos nos últimos anos. Fossem elas em nível local, estadual, nacional, internacional, especializada, estudantil, não importa, eu estive lá. Até conseguei montar um “kit de sobrevivência para congressos”, que inclui as roupas certas para cada evento e cidade, os materiais de divulgação ou de apresentação (caso eu fosse dar uma palestra ou curso) e o controle da programação dos grandes congressos, que normalmente colocam apresentações interessantes acontecendo simultaneamente ou em intervalos de tempo muito curtos (o que exige um planejamento para maximizar a grade de horários).

Por mais que a gente às vezes fique irritado com a profissão, no fundo no fundo sempre que participei de um evento da área foi pra ver se eu conseguia recapturar a emoção e crença nas bibliotecas que me fez permanecer na profissão depois desses anos todos. Foi por essa mesma razão que eu resolvi organizar o primeiro bibliocamp, uma conferência para me fazer acreditar de novo, naquilo que eu realizo todos os dias e no que eu dediquei minha vida a concretizar profissionalmente. Spoiler alert: deu certo.

então…o que eu aprendi depois de ter participado de tantos SNBUs, CBBDs, ENEBDs, colóquios, encontros, palestras, etc?

Lição 1: Uma paixão sincera pelo trabalho permeia tudo que os bibliotecários fazem

As principais apresentações e conversas nos eventos levam a esse ponto. Os colegam falam sobre seus projetos bem sucedidos (ou não), discutem entre si o que estão fazendo naquele momento, os esforços em grande parte centrados em seus usuários, com um entusiasmo geralmente reservado a shows do Wesley Safadão. A gente passa horas ou dias rodeados por pessoas sorridentes e orgulhosas sobre o trabalho que elas fazem diariamente. Soraia foi a primeira a dizer que a biblioteconomia é uma profissão de apaixonados. Quem sou eu pra discordar?

Lição 2: Os bibliotecários formam um grupo forte

Mesmo que o número de participantes oscile entre um evento e outro, não deixa de ser surpreendente pensar que todas aquelas pessoas que estão ali, andando pelos corredores, pegando seus brindes nos stands, sentadas assistindo uma palestra, é uma pessoa que trabalha ou trabalhou com bibliotecas. Há tantos de nós e todos nós estamos, em nosso próprio caminho, trabalhando pra caramba para tornar nossas bibliotecas melhores e mais relevantes pros nossos usuários. Falamos muito sobre nosso sentimento marginalizado, como nossas instituições não ligam pra gente, ou como não somos reconhecidos como classe profissional. Pode não parecer na primeira impressão, mas existem muitos de nós, muitos mesmo. Com os esforços de grupos como a ABRAINFO e dos próprios CRBs e associações, podemos continuar a melhorar nossos números, a nossa paixão e nossa ética, para realizar uma mudança positiva em níveis locais e nacional.

Lição 3: Pessoas incríveis fazem coisas incríveis todos os dias e não recebem prêmios por isso

Para cada mil pessoas que trabalham em bibliotecas fazendo coisas inovadoras, oferecendo soluções criativas, além de todo o resto, talvez uma só receba algum tipo de reconhecimento. Prêmios são bons, mas eles não representam todos, nem necessariamente o melhor, dentre todos os bibliotecários que estão dando seu sangue nas bibliotecas. Por favor, lembre-se de dizer obrigado para as pessoas com quem trabalha. Diga obrigado também às pessoas aleatórias em outros lugares que você vê fazendo coisas boas. Não existem certificados suficientes, troféus, medalhas para reconhecer o bom e necessário trabalho por tudo o que fazemos.

Lição 4: O trabalho dos bibliotecários é muitas vezes difícil devido a fatores fora do nosso controle

Nenhum trabalho em biblioteca, orçamento, chefe, estrutura política institucional, estrutura, população, apoio ou prédio vai ser perfeito para todos. Há muita coisa que tem o potencial de causar enormes quantidades de estresse. A realidade é que esses elementos são parte do trabalho, parte do serviço público. Há trabalhos que se encaixam melhor ou pior com uma pessoa e comunidades que se encaixam melhor ou pior com um bibliotecário. É nosso trabalho descobrir onde podemos encaixar para que possamos continuar fazendo um bom trabalho.

Lição 5: O trabalho dos bibliotecários é muitas vezes difícil devido a fatores completamente fora do nosso controle

Há algumas coisas que podemos controlar. Podemos optar por não trabalhar horas insanas e dar o nosso sangue de graça. Podemos cuidar de nós mesmos simplesmente aproveitando nossos intervalos (*suspiro*) e dar uma caminhada fora da biblioteca durante o almoço. Podemos dar prioridade ao desenvolvimento profissional. Podemos optar por não permitir que os pequenos dramas (e vamos ser honestos, eles são pequenos dramas) no local de trabalho tornem-se crises completas que nos levam ladeira a baixo. Podemos optar por gastar o nosso tempo e energia com os membros da equipe que trabalham como nós e que compartilham conosco os objetivos e a ética, e que são agradáveis de estar ao redor, minimizando assim o impacto e a influência das poucas maçãs podres que podem existir em qualquer organização.

Lição 6: Dinheiro, tipo de biblioteca e tipo de posição afetam significativamente a realidade de um bibliotecário

Um bom número de comentários que ouvi, tanto em sessões formais e conversas informais, refletia um viés pessoal e experiência limitada do palestrante. Nem todo mundo tem um smartphone. Talvez na sua comunidade, mas não na minha. Nem toda biblioteca pode ter um espaço “makerspace”. Nem todo bibliotecário pode pagar um hotel de luxo. Nem todos os usuários da biblioteca podem ler. Nem todo usuário da biblioteca se sente seguro na biblioteca. Nem todo bibliotecário tem suporte para publicar ou buscar o desenvolvimento profissional. Não toda escola possui um bibliotecário. Lembre-se que sua própria situação é apenas isso: a sua própria. Ouça as histórias dos outros e amplie sua compreensão do grande fluxo de nosso trabalho, bibliotecas e comunidades que servimos.

Lição 7: Existe um grupo de bibliotecários mais jovens que estão deixando os mais antigos orgulhosos

Percebi um tempo atrás que eu não faço mais parte da geração dos mais novos. Eu já sou bibliotecário por mais de 10 anos e trabalho em bibliotecas há mais de 15. Muitos novos bibliotecários, e, definitivamente, não apenas os bibliotecários, mas pessoas que trabalham diretamente com bibliotecas, estão fazendo coisas ótimas. A energia, inovação e perspectiva que eles trazem para os seus postos de trabalho me traz esperança de que nossas bibliotecas têm um futuro decente.

Lição 8: Questões de justiça social importam muito para os bibliotecários

Tenho visto exemplos lindos de pessoas que se juntam para aprender, mostrar solidariedade para com, e promover várias questões de justiça social. A localização de algumas conferências nas principais capitais, por exemplo, ampliou muito a consciência sobre a violência urbana, da população de rua, racismo e questões LGBT. A desigualdade social, o racismo, o sexismo, a disparidade de renda, intolerância e ódio de todas as formas não são tolerados nas bibliotecas ou pelas bibliotecas. As resoluções dos conselhoes e associações, que apelam para bibliotecas mais inclusivas, é um bom exemplo deste trabalho. Precisamos nos comprometer a fazer mais em nossas próprias bibliotecas e carreiras daqui para frente para defender estes valores essenciais. É muito fácil ter medo de tomar uma posição política e colocar a sua organização ou seu emprego em risco, em detrimento dos interesses da comunidade. É muito mais fácil ter medo e seguir as políticas e procedimentos e seguir a linha da sua instituição, esquecendo quem você é e qual é a sua ética profissional. Sou grato aos meus colegas por me lembrar a todos nós deste importante elemento do nosso trabalho.

Lição 9: As nossas histórias são mais importantes do que as nossas estatísticas

Você pode contar os seus livros, o número de visitantes, os seguidores no facebook. Ou você pode contar histórias, pode causar um impacto em outras vidas, e compartilhar essas histórias com as pessoas que tomam decisões orçamentais e políticas sobre a sua biblioteca. Tudo o que eu ouvi nas principais conferências tinha mais ênfase na segunda ação do que na primeira.

Lição 10: Ajudar as pessoas ainda me traz mais alegria do que qualquer outra coisa

Este último ponto pode parecer óbvio, mas não é. Os momentos nos congressos que me fizeram sorrir, que me energizaram e me animaram, todos tinham a ver com alguém ajudando alguém ou eu ajudando outra pessoa. Eu fico completamente entusiasmado pela profissão ao ver um impacto positivo a partir do intercâmbio de conhecimentos, uma mão amiga, uma dica simples ou uma experiência compartilhada.

Portanto, todos vocês vão ter que me aturar por mais um tempinho. Esta coisa de “ser bibliotecário” parece estar incorporada profundamente no meu ser para me levar a continuar a trilhar este caminho. Eu prometo fazer o meu melhor e sei que vocês vão prometer fazer os seus. Obrigado a todos por serem da minha tribo.

[artigo original Who We Are: Lessons from ALA Annual Conference 2016]

Pokémon Go em bibliotecas – sugestões de atividades

Com o lançamento do Pokémon Go, o mundo oficialmente perdeu o senso do ridículo. #pokemongo. Vou pular a parte que explica o que são os pokemon ( “pocket monsters”, “monstros de bolso”) e tentar, de alguma forma, pensar como o Pokémon Go pode ser importante para as bibliotecas. Essa é a parte 1 dessa empreitada.

Vamos ter em mente que o foco do Pokémon sempre foi o trabalho em equipe, a amizade, a dedicação e a determinação. Coisa [infantilizada que japonês] que crianças e jovens adoram. E que o jogo original foi seguido por uma franquia que inclui graphic novels, filmes, cards e outros vídeo-games, conteúdo que se encaixa em qualquer biblioteca moderna.

A mais recente adição à marca Pokémon, o Pokémon Go, é um aplicativo gratuito que utiliza mapas em tempo real para criar um “mundo” onde os jogadores podem explorar e capturar os Pokemon. O jogo foi lançado nos Estados Unidos e outros países, mas ainda não no Brasil. A expectativa é que o nosso país entre na lista em breve, abraçando a febre #pokemongo e trazendo sentido de existência a este singelo post.

COMO #pokemongo FUNCIONA

Pokémon são criaturas com vários poderes especiais e ataques, e no jogo, você é seu treinador. O objetivo é coletar o máximo de bichinhos (usando um dispositivo chamado Pokéball), treiná-los para ser mais fortes e vencer as batalhas contra outros treinadores em troca de pontos, emblemas e dinheiro.

Na versão Go você tem que caminhar fisicamente pelo bairro/cidade para encontrar os Pokémon e suprimentos, a fim de se manter no jogo. Para reunir suprimentos, você tem que andar até os PokeStops. Isto é o que está acontecendo quando você vê no youtube um monte de gente vagando em conjunto com os olhos fixos no telefone.

Depois de atingir certo nível os usuários podem escolher equipes, lutar pelo controle dos “gyms” e definir a localização de “iscas” específicas, que servem também para atrair os Pokémon que beneficiam os usuários próximos daquele local. Essa é uma tática que as bibliotecas podem usar para chamar jogadores.

Atualmente, os usuários têm pouco controle sobre como são designados os PokeStops e os gyms. No entanto, mesmo que sua biblioteca não tenha sido designada ou não está localizada próxima de um Pokestop, você pode colocar essa “isca” para atrair outros Pokemon durante um período de tempo (custam mais ou menos R$5 nas lojas de aplicativos).

Nem todas as bibliotecas vão ter a sorte de ter essa parada/stop na sua vizinhança, e a empresa que criou o jogo ainda não tem uma maneira 100% efetiva para que as empresas solicitem se tornar um Pokéstop. Mas é aqui que as bibliotecas têm uma vantagem fundamental, porque o banco de dados de localizações de objetos Pokémon foi importado a partir de locais que concentram um grande número de transeuntes, e que estão abertos a maior parte do tempo, como por exemplo praças, monumentos, parques e edifícios públicos.

Como posso fazer minha biblioteca se tornar uma parada ou usar iscas no Pokémon GO? Isso ainda não é possível porque o jogo não foi lançado no Brasil. Mas queremos estar prontos, e quando chegar o momento, você pode enviar um pedido através do site do criador do jogo, Niantic – embora a lista de pedidos seja bastante longa a essa altura.

VANTAGENS PRA BIBLIOTECA

A franquia do Pokémon inclui livros, mangás, séries. O componente de alfabetização e leitura está lá. Mas acima de tudo, é nada menos do que uma forma divertida de se relacionar com alguns dos nossos usuários.

Pokémon Go pode ser uma boa estratégia para promover a sua biblioteca, mas principalmente, uma oportunidade para a socialização e minimizar o choque de gerações, promovendo os conceitos de espaços físicos de interação e mobilidade, tanto humana quanto digital. Os jogos baseados em localização representam um grande potencial para locais como bibliotecas e museus, e devemos olhar com carinho para essas tecnologias digitais interativas que podem dar vida às nossas coleções e espaços.

É também a chance de ter pessoas que normalmente não frequentam bibliotecas entrar e olhar por cima de seus smartphones por um momento e perceber que as bibliotecas mudaram muito nos últimos dez anos, pra melhor.

E a gente gosta de ficar por dentro do que está acontecendo e é novidade, não é verdade?

Provavelmente dentro de poucas semanas #pokemongo já vai estar saindo de moda, mas se a gente conseguir entrar no fenômeno cultural na hora certa, quem sabe conseguiremos melhorar a credibilidade da biblioteca na praça, por assim dizer.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES

Qualquer biblioteca que queira transformar essa moda em vantagem pode elaborar as seguintes atividades:

+ Sinalização de boas-vindas

+ Postagens sobre Pokémon Go no Facebook da biblioteca

+ Fazer uma exposição de livros e/ou lista de leitura sobre Pokemon

+ Solicitar um stop/gym para a biblioteca

+ Oferecer uma isca

+ Programas pokemon, tais como encontros na biblioteca e caminhadas no bairro

+ Decoração Pokémon, com banners e folders

+ Criar um time da biblioteca

Os bibliotecários são bons em encontrar respostas para perguntas difíceis. Se os usuários da biblioteca precisam de conselhos sobre como jogar, como encontrar PokéStops e ginásios na área, como definir iscas, como se engajar na conversa de mídia social sobre Pokémon Go e como sugerir uma localização de Pokéstop ou gym, o pessoal da biblioteca pode ajudá-los.

Já existe um grupo no facebook só para trocar informações de Pokémon Go em bibliotecas. Vocês podem acompanhar lá as novidades e sugestões de atividades: facebook.com/groups/pokelibrary

Participe da OpenCon!

Está aberto até 11 de julho o processo de seleção para participar da edição 2016 da OpenCon, que acontecerá na capital dos Estados Unidos, Washington DC, entre 12 e 14 de novembro. A OpenCon é uma conferência internacional  sobre acesso aberto, educação aberta e dados abertos promovida anualmente, desde 2014, pela SPARC e pela Right to Research Coalition. O público-alvo principal são estudantes, professores, bibliotecários e outros profissionais que estão começando na academia e querem aprender/fazer mais pela ciência aberta. Há espaço pra gente mais experiente também, mas o grande objetivo da OpenCon é dar voz e força à nova geração.

Tive a honra de participar do Comitê Organizador da OpenCon no ano passado, que foi em Bruxelas (escrevi sobre a experiência aqui), e posso garantir que a fama de ser a melhor conferência do mundo não é exagerada. A programação do evento costuma misturar as tradicionais palestras e mesas-redondas com oficinas, apresentações-relâmpago, grupos de discussão e outras atividades que podem ser propostas por qualquer pessoa. A ideia é permitir que todos os interessados tenham oportunidade de compartilhar experiências e promover discussões mais aprofundadas de temas específicos. Na verdade, nem é preciso estar presente na OpenCon para propor uma atividade: desde o ano passado rola, em paralelo à conferência, a OpenCon Live. Além da transmissão ao vivo das sessões, uma teleconferência fica disponível para quem quiser liderar oficinas e discussões virtuais, ou simplesmente conversar.

Outra marca do evento é o Advocacy Day, em que os participantes passam por um rápido treinamento sobre como se comunicar melhor com políticos e tomadores de decisão (o termo advocacy não tem uma tradução exata para o português, mas aqui tem um texto do IPEA explicando). Depois desse treinamento, os participantes formam grupos e se reúnem com legisladores, representantes de ONGs e outros tomadores de decisão.

Participar de um evento internacional como a OpenCon é uma experiência muito valiosa, não só pelos conhecimentos que você adquire, mas principalmente pelas pessoas que você conhece. Só que bancar uma viagem dessas não é fácil – se já é difícil para bibliotecários concursados, imagine para uma bolsista CAPES 😉 Felizmente, uma das grandes preocupações dos organizadores da OpenCon é justamente garantir que os custos da viagem não sejam um obstáculo. A maioria dos participantes selecionados recebe bolsas financiadas pelos patrocinadores do evento, cobrindo os custos de passagem, hospedagem, e alimentação (café da manhã e almoço).

Por conta da distribuição de bolsas, o processo de inscrição para a OpenCon é um pouco diferente do que estamos acostumados em outros eventos. Em vez de se só inscrever e pagar uma taxa, é preciso passar por uma avaliação, contando um pouco sobre você e seu interesse nos temas da conferência. O objetivo dessa seleção não é escolher quem já tem um trabalho sólido na área (até porque isso iria contra o objetivo de fortalecer a nova geração), mas sim garantir a diversidade dos participantes em termos de carreira, interesses, gênero, e até geografia. Sim, pessoas de países periféricos como o Brasil são muito bem-vindas. As inscrições para a seleção deste ano estão abertas até 11 de julho pelo site http://www.opencon2016.org/apply

Além das bolsas de viagem e da OpenCon Live, os organizadores também estimulam a realização de eventos satélite, que podem ser promovidos por qualquer pessoa/organização, em qualquer escala. Pode ser um satélite nacional, regional, local… Ano passado, o encontro do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, uma comunidade de pesquisadores brasileiros, foi realizado em parceria com a OpenCon. Quem se interessar em promover um evento satélite em sua instituição/cidade pode obter mais informações no site www.opencon2016.org/satellite (e entrem em contato comigo se quiserem, ficarei feliz em ajudar no que puder).

A verdade é que a OpenCon é mais que uma conferência, é uma plataforma onde pessoas interessadas na ciência aberta podem aprender e trabalhar juntas para promover ações e mudanças efetivas. Há uma lista de discussão por email, palestras transmitidas online, teleconferências periódicas – incluindo uma só para bibliotecários (a próxima é nesta terça, 14 de junho, às 13h pelo horário de Brasília). Se você se interessa por acesso aberto, educação aberta e/ou dados abertos e o seu inglês é ok (olha o bônus: praticar o inglês com gente do mundo todo!), vale a pena dar uma chance à OpenCon.

Pra dar uma ideia do potencial imenso da verdadeira comunidade que é a OpenCon, estes 2 anos já renderam vários frutos: ferramentas como Open Access Button e Dissem.in, o site WhyOpenResearch?, as organizações Open Access Nepal, Open Access Nigeria, Open Access Sudan, Open Access Academy e OOOCanada Research Network, o Open Research Glossary, e pelo menos um artigo científico investigando os impactos sociais, econômicos e acadêmicos da publicação em acesso aberto.

Para mais informações, cadastre-se para receber atualizações em www.opencon2016.org/updates, siga a OpenCon no Twitter (@Open_Con ou #opencon) e Facebook, assista a vídeos das edições anteriores do evento e tenha acesso a outros recursos no site www.opencon2016.org/resources.

Um dia na FELIZS – Feira Literária da Zona Sul de São Paulo

Neste Sábado (19/09), fui no emocionante encerramento da FELIZS – Feira Literária da Zona Sul, uma grande festa literária capitaneada pelo imenso e lindo coletivo que forma o Sarau do Binho.

A festa se realizou na Praça do Campo Limpo, na periferia da zona sul de São Paulo, e destaco abaixo alguns dos momentos que mais curti.

Antes, é preciso dizer que é grande a felicidade de ver que a leitura toma um vulto muito maior que uma atividade ligada apenas ao livro, como por muito tempo ocorreu por aqui, contrariando a citação do mestre Paulo Freire que falava em leitura do mundo, algo muito mais amplo. E esse “povo lindo” (frase ouvida todas as terças-feira no Sarau da Cooperifa) anda lendo de tudo e nessas horas parece que agora, a leitura é educação, é brincadeira, é “evolução para construir uma revolução” (palavras do Binho).

Mas agora vou ao que interessa, algumas das leituras que vi, ouvi e senti:

– na Tenda Conversas Literárias foi ótimo ver a presença das mulheres escritoras da periferia na mesa Palavra de Mulher, com a Jenyffer Nascimento (poeta e articuladora cultural, autora de “Terra fértil” um dos mais belos livros de poesia que li no ano passado), Tula Pilar (poeta), Roberta Estrela D’Alva (atriz, MC e Pesquisadora) mediadas pela poeta organizadora do Sarau da Ademar, Silsil do Brasil. Belo!

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– Ainda na tenda Conversas Literárias, a presença de poetas e organizadores de vários Saraus paulistanos (Perifatividade, Cooperifa, Burro, Elo da Corrento, do Kintal, Preto no Branco, Suburbano Convicto, da Brasa, O que dizem os umbigos e outros) em uma grande roda falando suas melhores poesias foi histórico.

Na mesma tenda, tirando um e outro excesso de blá blá blá a programação foi muito boa, pois o foco a todo momento foi a possibilidade de mudança que a leitura possibilita, e como é importante a apropriação dela por qualquer pessoa e como isso pode modificá-la. O amigo bibliotecário Ricardo Queiroz, que curte um bom debate estava lá e diferente de mim, que admito, tenho certa preguiça em relação à falação e análises mais apuradas, fala muito bem sobre políticas públicas de leitura em seu blog, o KlaxonSBC, e ele acaba de publicar um texto que fala com muita propriedade sobre as Feiras Literárias Periféricas que ocorreram em São Paulo essa semana e o que elas representam. Entrem lá: http://klaxonsbc.com/2015/09/20/muito-mais-do-que-feiras/. 

– as oficinas de xilogravura dos lindos do projeto Xiloidentidade, reuniram tanta gente que em menos de duas horas já não havia mais material para tantos interessados em criar seus próprios textos/mensagens e imagens a partir da gravação em madeira, mantendo viva a chama da cultura nordestina em São Paulo.

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– na Tenda das Crianças, rolaram oficinas de xadrez, de criação de livrinho,  intervenções circenses e uma divertida Oficina de confecção de petecas, orientada pelas meninas-mulheres da Brechoteca – Biblioteca Popular do Jardim Rebouças e do Coletivo Brincantes Urbanos, que além de mostrar como fazer a peteca, contavam as histórias da origem dela e de outros brinquedos criados pelos indígenas.

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Nessa oficina havia a presença maciça de uma molecada de uma escola que veio lá do Guarapiranga até o Campo Limpo trazida pela empolgada professora, uma heroína! 

Enxerido que sou, dei uma aulinha de como brincar de peteca e coordenei um racha de peteca de meninas contra meninos (eu bem que tentei criar times mistos, mas fui vencido pela garotada). O resultado foi tão empolgante que fui chamado pela professora para ir brincar na escola com as crianças outro dia. Pronto, posso pedir demissão da Secretaria de Cultura e virar oficineiro-brincante.

– a Bicicloteca, operada pelo bibliotecário Abraão com apoio de outro bibliotecário, o Tadashi, estava lá e distribuiu muitos livros de graça. 

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Foi sensacional ver algumas crianças saindo com aquele sorriso  e os livros nas mãos. 

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– na Tenda Musical – Jazz na Kombi, rolou muita música, mas a Trupe Lona Preta e seu audaz espetáculo de circo e música “O concerto da lona preta” fez crianças e adultos rirem sem parar, com direito a um trecho onde em menos de dois minutos todos fizeram uma viagem pela história da música no século XX! Um espetáculo daqueles que merecem o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), aquele onde o juri costuma só ver o que acontece de um dos lados das pontes que ligam o centro à periferia.

Em seguida, outra Trupe entrou por lá, a Benkady, e o coletivo apresentou danças e ritmos do oeste da África, cuja base é a música Malinké e Sussu. A interação com o público foi empolgante e até crianças entraram na dança. Segue foto de três integrantes (eram 9: cinco na percussão e 4 dançarinos) e um breve vídeo do ritmo que botou todo mundo para balançar o esqueleto.

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– Como em uma boa feira de livros, haviam os editores. Mas nesse caso, os editores independentes e periféricos, aí incluídos alguns autores que publicam seus próprios livros.

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Como estava sem dinheiro (e há uma fila enorme de livros nas estantes, mesas e racks) comprei apenas um livro de poesia. E por falar em dinheiro, é fundamental que as bibliotecas arrumem formas de adquirir essa produção e a novidade é que o Sistema de Bibliotecas Municipais da Prefeitura de São Paulo em breve terá um Grupo de Trabalho de Desenvolvimento de Coleções composto por gente da sociedade e profissionais de seus quadros para discutir meios de tornar presente toda bibliodiversidade nas bibliotecas, a fim de dar acesso a quem não tem dinheiro para comprar livros.

– e não poderia deixar de fora o cavaleiro-lampião! Ele cavalgou pela praça levando poesias a todos os presentes. Genial!

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Para finalizar, vou repetir algo que parecido com o que já disse no último Bibliocamp que participei: se analisar apenas essas poucas atividades citadas, vejo que todas elas poderiam se realizar em qualquer biblioteca pública que queira seguir o muito citado por aqui, mas pouco seguido (por várias razões que não há espaço para aqui enumerar) Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas , especificamente nos 12 tópicos das Missões da Biblioteca Pública.

Enfatizo também a presença de vários colegas bibliotecári@s na festa e a participação de algumas bibliotecas municipais do entorno na programação e que mantêm contato com os grupos/coletivos culturais da região.

Por fim, acredito que um caminho a trilhar para chegar a uma biblioteconomia social e sem fronteiras seja a RUA, lugar onde estão as PESSOAS. Vamos nessa!

Ebooks em bibliotecas – pergunte ao Moreno

Fui convidado pela organização da Semana de Biblioteconomia da USP a confeccionar um vídeo que seria projetado durante o evento. Eles compilaram algumas perguntas sobre o futuro dos livros, ebooks, e eu respondi:

Fim dos livros?

Uso de ebooks em bibliotecas

Gestão de coleções de ebooks; ebooks em bibliotecas escolares; ebooks em bibliotecas públicas; pirataria de ebooks

lei de universalização das bibliotecas; redes sociais em bibliotecas

Ebooks em bibliotecas: curso em Porto Alegre e Florianópolis

colegas de trabalho, algum tempo atrás em perguntei no facebook: alguma biblioteca no Brasil faz empréstimo de ebooks? E naquele momento as respostas foram insatisfatórias. Hoje, ainda bem, já é possível encontrar alguns exemplos de bibliotecas que emprestam ebooks (com controle de empréstimo, mesmo) e não só isso, uma profusão de empresas e serviços de comercialização e distribuição de livros eletrônicos para bibliotecas, em território nacional.

Apesar do avanço em curto espaço de tempo, ainda estamos engatinhando nesse processo de desenvolver coleções em um novo formato e o que tenho ouvido muito por aí é: “ebooks na biblioteca? legal! mas não sei por onde começar :(”

Por isso decidi compilar tudo o que eu sabia, aprendendo na prática, lendo na internet, acertando e errando, compartilhando com os colegas, sobre o que os bibliotecário precisam fazer para implantar e implementar empréstimo de ebooks em suas bibliotecas.

Tendo já realizado curso online junto da Andréa Gonçalves em parceria com a ExtraLibris e outros dois cursos presenciais bastante proveitosos no Rio, chegou a vez de ir pra região Sul mostrar algumas dessas novidades e trocar ainda mais novas e boas ideias. Vejo vocês lá! Segue a divulgação:

Curso presencial ebooks em bibliotecas
em Porto Alegre, dia 22 de novembro
promoção da ARB – Associação Rio-Grandense de Bibliotecários
em Florianópolis, dia 6 de dezembro
promoção da ACB – Associação Catarinense de Bibliotecários

Ementa: Este minicurso apresenta os e-books e os e-readers, mostrando como eles podem funcionar nas bibliotecas, explorando questões que vão desde o formato de arquivo, aparatos de leitura, contratos de assinatura e o impacto dos livros eletrônicas para as bibliotecas tanto agora como no futuro.

Programa
Introdução aos E-books e aos E-readers
> Definição e contexto;
> Características do livro eletrônico;
> Vantagens e desafios do livro eletrônico;
> Formatos e softwares de e-books;
> E-readers e aparatos portáteis de leitura.

Disponibilidade e publicação de e-books
> Tipos de e-books;
> Modelos de publicação de e-books;
> Livrarias online de e-books;
>Repositórios online de e-books;
> E-books didáticos e contratos com a editora.

E-books em bibliotecas
> Plataformas de e-books para bibliotecas;
> Serviços de assinaturas de e-books;
> Adoção de e-books em bibliotecas infantis, escolares, públicas e universitárias;
> Critérios para aquisição de plataformas de e-books;
> Legislação sobre e-books;
> Ética no uso de e-books

Para se inscrever no curso de Porto Alegre, basta preencher esta ficha de inscrição aqui.

Para inscrição no curso de Florianópolis, basta preencher esta ficha de inscrição aqui.

Valores PoA:
Estudante (da graduação e do técnico): R$80,00
Estudante associado: R$50,00
Profissional: R$150,00
Profissional associado: R$90,00
Técnico: R$120,00
Técnico associado: R$100,00

Valores Floripa:
Estudante: R$100,00
Estudante associado: R$50,00
Profissional: R$150,00
Profissional associado: R$75,00