Lista com todas as revistas científicas de biblioteconomia e ciência da informação – atualização 2016

Atualizando a lista do Murilo, da Dora e tentando acompanhar a profusão de periódicos vinculados aos programas de pós-graduação em ciência da informação e correlatas. Serve pra quem quer seguir as publicações na área e pra quem deseja submeter artigos. Ao lado do nome está a classificação conforme webqualis/sucupira.

Analisando em Ciência da Informação (RACin) B5
AtoZ B5
Biblionline B1
Biblioteca Escolas em Revista
Bibliotecas Universitárias
Biblos B3
Brazilian Journal of Information Science B1
Cadernos BAD B2
Ciência da Informação B1
Ciência da Informação em revista
Conhecimento em ação
CRB-8 Digital B5
Datagramazero B1
Em Questão B1
Encontros Bibli B1
Folha de rosto
InCID B1
Informação@Profissões
Informação & Informação B1
Informação & Sociedade A1
Informação & Tecnologia
Informação em Pauta
Liinc em Revista B1
Múltiplos Olhares
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia B1
PontodeAcesso B1
RECIIS: Comunicação, Informação e Inovação em Saúde
Revista ACB B2
RBBD Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação B1
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação B1
Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação
Revista Informação na Sociedade Contemporânea
Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação B1
Perspectivas em Ciência da Informação A1
Perspectivas em Gestão & Conhecimento
Rebecin
Transinformação A1

Todos os assuntos descritos nos Artigos de Revistas da área de CI e disponíveis em OAI-PMH

Assuntos

A computação permite que a gente consiga fazer coisas que antes demorariam muito tempo, em alguns minutos. Com isso, consegui levantar todos os assuntos das revistas de CI que tem OAI, em 2015-06-10, seguindo os seguintes passos:

– Harvesting do OAI utilizando o CATMANDU com output em JSON (Utilizei como base a lista “Revistas Brasileiras em Ciência da Informação” do Laboratório de Tecnológias Intelectuais – LTi” por dica do Prof. Ronaldo Araújo da UFAL.

– Inclusão dos registros (em um total de 15354) na base MONGODB.

– Extração das colunas URL e Assuntos em JSON.

– Tratamento desses dados no OpenRefine.

– Criação de visualização teste usando o Tableau Public.

Vocês podem acessar as visualizações aqui (Está dando problema no Chrome, só estou conseguindo acessar pelo Firefox)

Assuntos – 2015-06-10

Utilizem a vontade, mas será bacana se citarem a fonte.

Datagramazero: um presente

Comecei a pesquisar sobre periódicos científicos e Open Access em 2008, assim que comecei o curso de biblioteconomia. Tudo pra mim era novo, mas a discussão naquela época já era antiga. Ao longo do curso, tendo feito 2 iniciações científicas, peguei certa intimidade com os periódicos da área. Mas desde antes de entrar na biblioteconomia, eu já conhecia o Datagramazero. Não tem como fugir: é um periódico pioneiro e muito prestigiado na nossa área.

São 15 anos de publicações, com 474 artigos interdisciplinares, mas com um foco imprescindível em Ciência da Informação, Conhecimento, Sociedade da Informação, Inovação e Gestão. A revista é um referencial de valor inestimável para a área de Biblioteconomia como um todo e também para as Ciências Sociais Aplicadas no Brasil.

No entanto, eu e – imagino que – outros pesquisadores sempre tivemos que utilizar certos truques para pesquisar na revista: ou se conhece o periódico muito bem e se tem uma memória muito boa acompanhando cada publicação, ou realizamos um truque de pesquisa via Google usando “site:dgz.org.br” + “palavra chave” para que possamos recuperar todas as páginas indexadas com o conteúdo desejado. Ainda assim, pessoalmente também não considero esse último um método de pesquisa ideal em termos de eficiência.

Já em 2011 eu pensava em criar uma plataforma, no WordPress mesmo, para que a revista pudesse contar com um sistema de busca, mas na época eu estava muito ocupada com outras coisas que eram prioridade para mim (TCC, mestrado), não tive tempo e sequer sabia como faria isso. Ano passado na pós, tive uma disciplina de Gestão de Conteúdo que abordava exatamente esse projeto que eu tinha em mente e a ideia foi voltando, aos poucos.

Este ano preciso entregar o meu TCC da pós e esbarrei novamente nessa limitação. Também comecei a trabalhar com taxonomia e tudo foi se organizando a ponto de eu começar, em janeiro desse ano, um projeto de plataforma de redirecionamento para a revista. É em WordPress e tudo o que fiz até então foi redirecionar, na medida do possível, todos os artigos da Datagramazero desde 1999 até os dias de hoje. Terminei sexta passada.

Essa é a primeira fase do projeto, mas ainda existem muitas melhorias a serem feitas. A normalização das palavras-chave, por exemplo, não foi feita. A intenção com a fase dois do projeto é de posteriormente criar uma estrutura de categorização que permita que o usuário recupere artigos por área temática de estudo, mantendo também as tags (palavras-chave utilizadas em todos os artigos). A partir daí será feito o estudo das palavras-chaves para a criação da taxonomia do site – que estou começando, aos poucos, agora.

Minha intenção ao fazer esse projeto foi ultrapassar essa limitação para continuar o meu TCC e beneficiar também a comunidade científica como um todo, que utiliza a revista como fonte para suas pesquisas e levantamento de referências.

Caso encontrem erros e inconsistências, sugestões e correções são bem vindas.

Espero que esta plataforma possa ajudar outros pesquisadores!

A SABESP e o descaso com a informação

Depois de alguns dias com sérios problemas ligados à informação, eu não poderia deixar de publicar o ocorrido neste blog, afinal, acredito que problemas de informação em serviços públicos nos interessam bastante e essa bagaça é sem fronteiras.

E o caso é bem grave. Trata-se do descaso da SABESP, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, empresa que talvez seja a maior distribuidora de água do Brasil, com a divulgação de informações ao cidadão, que no caso é um mero reles bibliotecário, que há seis dias sofre com a falta de água em uma bairro da cidade de Jandira na região Metropolitana do futuro deserto chamado São Paulo.

Em primeiro lugar, o primeiro sinal de descaso com a informação, ou melhor, com a divulgação de informações sobre os serviços prestados pela empresa. No segundo dia de falta de água, o cidadão, que acredita na comunicação via tecnologia, entrou no site da empresa (www.sabesp.com.br), localizou facilmente (um ponto positivo) a área onde estão os Canais de Atendimento e o Atendimento Online. Lá ele preencheu os dados, localizou sua residência, informou seu telefone e e-mail e ficou aguardando algum contato da empresa.
E lá se foram dois dias e nenhum retorno.  O descaso com a informação tomou forma, pois não é correto você solicitar uma informação e não utilizá-la para nada, e neste caso, foram solicitados dados para contato e nenhum contato foi feito. Acabo de olhar na caixa de e-mails e no aparelho celular e não consta nenhum sinal de vida da SABESP.

No final do terceiro dia tive que fazer uma ligação para a central de atendimento de voz da empresa. Para conseguir falar com um atendente a espera foi muito longa, mas finalmente o contato foi feito, a reclamação da falta de água foi repetida e para surpresa do cidadão, o atende informou que não havia problema de fornecimento de água na região há exatos três dias. Foi preciso argumentar que aquela informação não estava correta, afinal, as torneiras estiveram sem água o tempo todo. Mais um erro! Ao final da conversa, o atendente disse que abrira um chamado e que em 24 horas uma equipe iria ao local para verificar o que estava acontecendo.
Muito bem, se passaram 24 horas, nenhuma equipe apareceu e mesmo após confirmar telefone fixo, celular e e-mails não houve nenhum retorno da parte da SABESP para informar o motivo da falta de água. Nesse meio tempo, a caixa de água já havia se esvaziado, o número de roupas para lavar já se acumulava, os desinfetantes já não suportavam o cheiro ruim e a família foi tomar banho à noite na casa de amigos.

Enquanto aguardava o retorno do site e da central de atendimento de voz, o cidadão tentou contato através das redes sociais (Twitter e Facebook) da SABESP.
No Twitter, a resposta para a reclamação não demorou, e logo depois da publicação da mensagem, foi solicitado o endereço da residência sem água. O endereço foi enviado e há três dias espera-se um retorno com informações e nada até agora.
Já no Facebook parece que ninguém da comunicação da empresinha olha as notificações, pois nenhuma resposta ou pedido de informação foi solicitado. E pensar que as redes sociais servem para fins de comunicação, não é? Mas parece que o Facebook é utilizado apenas para marketing….

Por fim, mais uma vez, na tarde do quinto dia o cidadão entrou em contato com a central de atendimento de voz. O leitor deve estar pensando, mas que cidadão chato! Porque ele insiste em pedir informações para a SABESP?!?! Acontece que a situação se tornou insustentável, pois para comer, vários galões de 20 litros de água foram comprados e até água de um caminhão pipa foi preciso para encher a caixa de água que já acumulava pó. E nada disso foi de graça ou enviado pela concessionária de serviço público, foi comprado! Ou seja, além da falta de respeito e de ao menos uma informação do problema que leva à falta de água, há prejuízos financeiros.
Voltando à ligação, a atendente informou que na tarde daquele dia, os técnicos estavam  na região verificando o ocorrido, e que se a situação continuasse da forma que estava, seriam enviados caminhões pipa para realizar o abastecimento de emergência.
Um sinal de alívio, ufa!
Mas mesmo assim, algumas informações importantes não foram dadas: qual o motivo da falta de água e qual a previsão de data de retorno da mesma.

E assim, ao final do dia, ao chegar em casa, o cidadão é informado pela irmã que um vizinho havia ligado para a SABESP e a mesma informou que a previsão de retorno de água seria para o dia 22/01! Hoje é madrugada do dia 16/01. Ou seja, a previsão de retorno é daqui há seis dias. Ou seja, mais um desencontro de informação, pois um atendente não informou nada sobre previsão de retorno e outro informou para outro cidadão que entrou em contato.

Enfim, como bibliotecário estou horrorizado com o descaso da SABESP com a informação e principalmente com os cidadãos a quem ela tem o dever de atender e manter informados quando não consegue realizar a sua tarefa, tarefa que é remunerada via impostos pagos por todos.

Será que a SABESP não precisa de um bibliotecário para organizar o fluxo de informação entre os atendentes, sites, redes sociais e entre suas equipes a fim de prover informações de qualidade a quem ela atende?

Alguém libera um chuveiro aí?

Eleições 2014 e o desenvolvimento de competências em informação

midia[1]Nunca se falou tanto em informação como nas eleições de 2014. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Tudo! Principalmente pelas fontes de informação usadas pelas pessoas para a escolha do seu candidato. Mas isso por si só já daria um bom estudo sociológico e político.  Entretanto, o mais triste é ver que as pessoas não sabem de onde vem a informação e vão atrás “apenas” do que a mídia divulga. E sabemos que muitas vezes os meios de comunicação mascaram a informação  de acordo com seus interesses e rios de informações falsas são transmitidos e replicados pela televisão, mídias sociais e bate-papos (ou seriam bate-bocas) nos barzinhos, cafés e esquinas das terras tupiniquins. Não basta mais só desenvolver a competência em debater, discutir, dirigir… É preciso também ser competente em informação.

O termo Competência em informação (information literacy) é algo que surgiu na década de 70 nos Estados Unidos e vem ganhando novos significados, finalidades e está ampliando sua abrangência frente às diferentes habilidades e necessidades no uso de informação, conhecimentos em fontes, recursos, suportes de informação para aplicação na compreensão e disseminação da informação visando à construção e compartilhamento do conhecimento.

A ALA (2000), Caregnato (2000), Dudziak (2003), Campello (2003), IFLA (2008), UNESCO (2008), Vitorino e Piantola (2009), Belluzzo (2010), Gasque (2013) são algumas referências nacionais e internacionais que apresentam reflexões, discussões e diretrizes sobre competência em informação.

Mas o que isso tem a ver com as eleições e atual movimento político do nosso país? É premente observar que a IFLA responsabiliza os bibliotecários ao propor que devemos planejar e implementar ações que desenvolvam a competência nas pessoas. “O desenvolvimento da competência em informação deve ter um lugar durante toda a vida dos cidadãos e, especialmente, em seu período de educação, momento em que os bibliotecários, como parte da comunidade de aprendizagem e como especialistas na gestão da informação, devem ou deveriam assumir o papel principal no ensino das habilidades em informação” (IFLA, 2008, p. 4).

Porém, eu vou além, defendo que pensar e planejar ações que visam desenvolver a competência (CONHECIMENTO + HABILIDADE + ATITUDE) em informação deve ser de responsabilidade dos bibliotecários em conjunto com seus pares, entidades de classe, educadores e outros profissionais afins. Desta forma, a população estaria preparada para saber buscar/usar/avaliar/selecionar uma informação em tantas fontes e recursos disponíveis para poder interpretar, sintetizar, resumir, construir novos conhecimentos e mudar o contexto em que vivem e as mudanças que desejam para sua vida, sua família, seu bairro e seu país.

Neste bojo, se apresenta a necessidade da aprendizagem contínua que Dudziak (2003), Gasque (2013) e outros pesquisadores defendem baseados nos quatro pilares da Educação para o século XXI “aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer, aprender a ser” publicadas no relatório “Educação: Um tesouro a descobrir” organizado por Jacques Delors (1996) a pedido da UNESCO.

Mas por que as pessoas precisam saber buscar/usar/ avaliar/selecionar uma informação?  Para ter o PODER. Simples assim. O poder de conhecer para fazer escolhas. O poder de avaliar para discernir o que é verdade e o que é falso. O poder de saber para ter argumentos. Desde antes do tempo do “guaraná de rolha” se ouve por aí que “informação é poder”. Vários autores da Ciência da Informação tratam disso no livro “Informação, conhecimento e poder: mudança tecnológica e inovação social” organizado por Maria Lucia Maciel e Sarita Albagli (2011) demarcados pela “Sociedade da Informação e do Conhecimento”.

Escritores, médicos, pensadores, filósofos, sociólogos, administradores, professores, jornalistas também retratam a importância do PODER e da INFORMAÇÃO. Gilberto Diemstein uma vez falou em uma palestra “Só existe opção quando se tem informação… Ninguém pode dizer que é livre para tomar o sorvete que quiser se conhecer apenas o sabor limão”. Na mesma linha John Naisbitt  defende que “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”. Conan Doyle dizia “É um erro terrível teorizar antes de termos informação”. E pra finalizar Peter Drucker afirma que “O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores desses recursos são as pessoas”.

É nesta conjectura estratégica que enquanto cidadãos precisamos estar atentos. É necessário conhecer e buscar a informação em FONTES FIDEDIGNAS E CONFIÁVEIS baseadas nos FATOS e na HISTÓRIA para votar e eleger nossos representantes políticos. Afinal de contas, somos responsáveis não somente por quem votamos, mas em acompanhar e cobrar as ações propostas depois da eleição também. Daí a importância do PODER e de buscar informações confiáveis antes, durante e depois das eleições.

Por isso, nós bibliotecários temos uma responsabilidade grande em desenvolver ações em nossas escolas, universidades, comunidades, instituições, etc. para que as pessoas desenvolvam as competências em informação necessárias para refletir, decidir, escolher seus representantes nestas eleições, mas baseados em fontes de informação e fatos verídicos que permeiam a história política do país e devem sedimentar nossas escolhas. Afinal de contas, o PODER está em nossas mãos (ou dedos nas urnas).

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Open Access Button: artigos científicos num clique

Obter acesso a artigos científicos pode ser um desafio, especialmente se você não pertence a uma instituição de ensino e pesquisa vinculada ao Portal de Periódicos da CAPES. Moreno já nos deu dicas valiosas para driblar o desafios – a principal, claro, é procurar a sua bibliotecária de fé, irmã camarada. Hoje, aproveitando que estamos em plena Semana Internacional do Acesso Aberto, apresento a vocês mais um aliado na luta contra as paywalls: o Open Access Button (Botão do Acesso Aberto).

O Open Access Button foi criado em 2013 por David Carroll e Joe McArthur, e teve seu lançamento oficial em 21 de outubro de 2014. O projeto é mantido por uma equipe de estudantes e jovens pesquisadores, com apoio da Medsin-UK e da Right to Research Coalition. O botão foi desenvolvido em parceria com a Cottage Labs, com financiamento de Open Society Foundations, Jisc, Mozilla Science, PLOS e 68 colaboradores individuais via crowdfunding.

Para usar o Botão é preciso se cadastrar no site. Toda informação gerada pelo uso do Botão é pública, por isso a necessidade do cadastro – mas você pode escolher um pseudônimo se preferir o anonimato. Não se assuste se aparecer uma mensagem de erro, isso aconteceu comigo também. Tente atualizar a página; se tudo deu certo, a aba laranja no canto superior direito da tela (onde está escrito “Download”), será substituída por uma aba menor com o ícone de uma engrenagem. Clicando aí, aparecem duas opções – “Your account” e “Logout”. Clique em “Your account” para ver a sua página pessoal, é lá que você encontra o bookmarlet (que funciona em qualquer navegador) e os links para baixar o Botão no Chrome, Firefox, ou Android (a versão para iOS ainda está em desenvolvimento). É só instalar a versão que preferir, e pronto.

Da próxima vez que você der de cara com uma paywall, aquela página exigindo o pagamento de uma taxa para ler/baixar um artigo, é só clicar no bookmarlet ou na extensão do Open Access Button em seu navegador. Na prática, o que o Botão faz é automatizar o processo que o Moreno descreveu.  Primeiro, ele busca por versões gratuitas do artigo desejado no Google Scholar e no CORE (um agregador de repositórios em acesso aberto). Se isto não funcionar, eles mandam um email para os autores do artigo solicitando uma cópia – que será salva e enviada a qualquer outra pessoa que precisar daquele material. Entre os planos futuros está a criação de páginas específicas para cada artigo, com informações adicionais, comentários de leitores, e até resumos simplificados para facilitar o entendimento da pesquisa. Outro objetivo do projeto é reunir histórias sobre como as barreiras à informação científica dificultam o avanço do conhecimento, gerando mais pressão em prol do acesso aberto.

Para saber mais, baixar e quem sabe colaborar (ajudando com o código, por exemplo, ou com as futuras traduções), é só visitar a página do Botão.

O desenvolvimento do Open Access Button é uma amostra da força dos estudantes e jovens pesquisadores no movimento pelo acesso livre à informação científica, em todo o mundo. Afinal, a responsabilidade de melhorar o sistema de comunicação científica também é nossa!

Identificadores de fragmento e DOIs

Antes do conteúdo (ou quase tudo nessa vida) se tornar digital, nós utilizávamos números de página para descrever uma seção específica de um livro ou documentos longos (antes disso, os manuscritos antigos usavam o folio). Os números das páginas migraram para os livros eletrônicos, e leitores como o Kindle oferecem algum tipo de suporte à paginação e sequência de páginas.

folio

Para conteúdo na web, podemos usar o identificador de fragmento #, por exemplo, https://en.wikipedia.org/wiki/Fragment_identifier#Proposals para visualizar uma seção específica de uma página web. Como a ligação a este fragmento é tratada depende do tipo MIME do documento, e será, por exemplo, feita de formas diferentes para uma página de texto e um vídeo – YouTube entende minutos e segundos em um vídeo como identificador de fragmento, por exemplo, https://www.youtube.com/watch?v=0UNRZEsLxKc#t=54m52s. Identificadores de fragmento não são úteis apenas para linkar a uma subseção de um documento, mas, claro, também para a navegação dentro de um documento.

Tudo isso é, naturalmente, muito relevante para o conteúdo acadêmico, que normalmente é muito mais estruturado, com a maioria dos artigos de periódicos seguindo o formato IMRD – introdução, métodos, resultados e discussão – geralmente com seções adicionais, tais como resumo, referências, etc. Uma abordagem para a ligação de figuras e tabelas dentro de artigos acadêmicos é o uso de componentes DOIs, por exemplo, DOIs específicos para partes de um documento maior. A editora PLOS vêm utilizando-os por um longo tempo, o número de componentes DOIs está aumentando, mas a maioria dos artigos de periódicos acadêmicos ainda não utilizam componentes DOIs. E embora os componentes DOIs sejam um grande conceito para conteúdo como figuras (nos permitindo descrever o tipo MIME e outros metadados relevantes), eles provavelmente não são a melhor ferramenta de ligação para uma seção ou parágrafo de um documento acadêmico.

Acontece que já temos uma ferramenta para isso, visto que o servidor proxy DOI encaminha identificadores de fragmentos. Podemos, portanto, usar um DOI com um identificador de fragmento para:

Seção de resultados: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0103437#s2
Referências específicas: http://dx.doi.org/10.12688/f1000research.4263.1#ref-7
Decisão editorial: http://dx.doi.org/10.7554/eLife.00471#decision-letter

Obviamente, isso só funciona se o DOI é resolvido para o texto completo, e não uma página de destino. E a maneira como os identificadores de fragmentos são nomeados e implementados é uma decisão do editor, o resolvedor DOI não possui nenhuma informação sobre eles. Esses links específicos são particularmente úteis para as discussões de um artigo, seja no Twitter ou em um fórum de discussão. Parece que, pelo menos, o encurtador de links do Twitter mantém o identificador de fragmento (o link para a carta de decisão da eLife é encurtado para http://t.co/URWaYmGHnY). Esse tipo de vinculação funciona particularmente bem se o editor está usando um sistema refinado de identificadores de fragmentos. A editora PeerJ por exemplo, permite ligações a um parágrafo específico – por exemplo, http://dx.doi.org/10.7717/peerj.500#p-15 – e permite que os usuários façam perguntas ao lado daquela seção.

Todos exemplos acima usam o tipo MIME texto/html, pois esse é o que os DOIs de exemplo resolvem por padrão. Não sei se e como os editores têm implementado identificadores de fragmentos de outros formatos, como PDF ou ePub, e o que acontece se você combinar identificadores de fragmentos com negociação de conteúdo. O serviço shortDOI também trabalha com identificadores de fragmentos: http://doi.org/pxd#decision-letter. Outra questão interessante seria como identificadores de fragmentos são tratados pelos conjuntos de dados. Normalmente DOIs separados são atribuídos para vários conjuntos de dados relacionados, mas poderia também haver um lugar para identificadores de fragmentos, bem como, por exemplo, para especificar um subconjunto através de um intervalo de datas. A solução depende de novo sobre o tipo de conteúdo, e o popular texto/csv infelizmente não é bem adequado para isto, enquanto o JSON – usando JSON Pointer – funcionaria bem.

Além disso, manusear o identificador de fragmento é uma opção do cliente e o identificador de fragmento não é enviado para o servidor. O Acrobat Reader, por exemplo, suporta o identificador de fragmento #page=. Também há uma RFC7111 para identificadores de fragmento para o tipo de mídia texto/csv – browsers no futuro podem aceitar algo como http://example.com/data.csv#linha=5-7.

via Martin Fenner