Lista com todas as revistas científicas de biblioteconomia e ciência da informação – atualização 2016

Atualizando a lista do Murilo, da Dora e tentando acompanhar a profusão de periódicos vinculados aos programas de pós-graduação em ciência da informação e correlatas. Serve pra quem quer seguir as publicações na área e pra quem deseja submeter artigos. Ao lado do nome está a classificação conforme webqualis/sucupira.

Analisando em Ciência da Informação (RACin) B5
AtoZ B5
Biblionline B1
Biblioteca Escolas em Revista
Bibliotecas Universitárias
Biblos B3
Brazilian Journal of Information Science B1
Cadernos BAD B2
Ciência da Informação B1
Ciência da Informação em revista
Conhecimento em ação
CRB-8 Digital B5
Datagramazero B1
Em Questão B1
Encontros Bibli B1
Folha de rosto
InCID B1
Informação@Profissões
Informação & Informação B1
Informação & Sociedade A1
Informação & Tecnologia
Informação em Pauta
Liinc em Revista B1
Múltiplos Olhares
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia B1
PontodeAcesso B1
RECIIS: Comunicação, Informação e Inovação em Saúde
Revista ACB B2
RBBD Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação B1
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação B1
Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação
Revista Informação na Sociedade Contemporânea
Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação B1
Perspectivas em Ciência da Informação A1
Perspectivas em Gestão & Conhecimento
Rebecin
Transinformação A1

Todos os assuntos descritos nos Artigos de Revistas da área de CI e disponíveis em OAI-PMH

Assuntos

A computação permite que a gente consiga fazer coisas que antes demorariam muito tempo, em alguns minutos. Com isso, consegui levantar todos os assuntos das revistas de CI que tem OAI, em 2015-06-10, seguindo os seguintes passos:

– Harvesting do OAI utilizando o CATMANDU com output em JSON (Utilizei como base a lista “Revistas Brasileiras em Ciência da Informação” do Laboratório de Tecnológias Intelectuais – LTi” por dica do Prof. Ronaldo Araújo da UFAL.

– Inclusão dos registros (em um total de 15354) na base MONGODB.

– Extração das colunas URL e Assuntos em JSON.

– Tratamento desses dados no OpenRefine.

– Criação de visualização teste usando o Tableau Public.

Vocês podem acessar as visualizações aqui (Está dando problema no Chrome, só estou conseguindo acessar pelo Firefox)

Assuntos – 2015-06-10

Utilizem a vontade, mas será bacana se citarem a fonte.

Datagramazero: um presente

Comecei a pesquisar sobre periódicos científicos e Open Access em 2008, assim que comecei o curso de biblioteconomia. Tudo pra mim era novo, mas a discussão naquela época já era antiga. Ao longo do curso, tendo feito 2 iniciações científicas, peguei certa intimidade com os periódicos da área. Mas desde antes de entrar na biblioteconomia, eu já conhecia o Datagramazero. Não tem como fugir: é um periódico pioneiro e muito prestigiado na nossa área.

São 15 anos de publicações, com 474 artigos interdisciplinares, mas com um foco imprescindível em Ciência da Informação, Conhecimento, Sociedade da Informação, Inovação e Gestão. A revista é um referencial de valor inestimável para a área de Biblioteconomia como um todo e também para as Ciências Sociais Aplicadas no Brasil.

No entanto, eu e – imagino que – outros pesquisadores sempre tivemos que utilizar certos truques para pesquisar na revista: ou se conhece o periódico muito bem e se tem uma memória muito boa acompanhando cada publicação, ou realizamos um truque de pesquisa via Google usando “site:dgz.org.br” + “palavra chave” para que possamos recuperar todas as páginas indexadas com o conteúdo desejado. Ainda assim, pessoalmente também não considero esse último um método de pesquisa ideal em termos de eficiência.

Já em 2011 eu pensava em criar uma plataforma, no WordPress mesmo, para que a revista pudesse contar com um sistema de busca, mas na época eu estava muito ocupada com outras coisas que eram prioridade para mim (TCC, mestrado), não tive tempo e sequer sabia como faria isso. Ano passado na pós, tive uma disciplina de Gestão de Conteúdo que abordava exatamente esse projeto que eu tinha em mente e a ideia foi voltando, aos poucos.

Este ano preciso entregar o meu TCC da pós e esbarrei novamente nessa limitação. Também comecei a trabalhar com taxonomia e tudo foi se organizando a ponto de eu começar, em janeiro desse ano, um projeto de plataforma de redirecionamento para a revista. É em WordPress e tudo o que fiz até então foi redirecionar, na medida do possível, todos os artigos da Datagramazero desde 1999 até os dias de hoje. Terminei sexta passada.

Essa é a primeira fase do projeto, mas ainda existem muitas melhorias a serem feitas. A normalização das palavras-chave, por exemplo, não foi feita. A intenção com a fase dois do projeto é de posteriormente criar uma estrutura de categorização que permita que o usuário recupere artigos por área temática de estudo, mantendo também as tags (palavras-chave utilizadas em todos os artigos). A partir daí será feito o estudo das palavras-chaves para a criação da taxonomia do site – que estou começando, aos poucos, agora.

Minha intenção ao fazer esse projeto foi ultrapassar essa limitação para continuar o meu TCC e beneficiar também a comunidade científica como um todo, que utiliza a revista como fonte para suas pesquisas e levantamento de referências.

Caso encontrem erros e inconsistências, sugestões e correções são bem vindas.

Espero que esta plataforma possa ajudar outros pesquisadores!

A SABESP e o descaso com a informação

Depois de alguns dias com sérios problemas ligados à informação, eu não poderia deixar de publicar o ocorrido neste blog, afinal, acredito que problemas de informação em serviços públicos nos interessam bastante e essa bagaça é sem fronteiras.

E o caso é bem grave. Trata-se do descaso da SABESP, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, empresa que talvez seja a maior distribuidora de água do Brasil, com a divulgação de informações ao cidadão, que no caso é um mero reles bibliotecário, que há seis dias sofre com a falta de água em uma bairro da cidade de Jandira na região Metropolitana do futuro deserto chamado São Paulo.

Em primeiro lugar, o primeiro sinal de descaso com a informação, ou melhor, com a divulgação de informações sobre os serviços prestados pela empresa. No segundo dia de falta de água, o cidadão, que acredita na comunicação via tecnologia, entrou no site da empresa (www.sabesp.com.br), localizou facilmente (um ponto positivo) a área onde estão os Canais de Atendimento e o Atendimento Online. Lá ele preencheu os dados, localizou sua residência, informou seu telefone e e-mail e ficou aguardando algum contato da empresa.
E lá se foram dois dias e nenhum retorno.  O descaso com a informação tomou forma, pois não é correto você solicitar uma informação e não utilizá-la para nada, e neste caso, foram solicitados dados para contato e nenhum contato foi feito. Acabo de olhar na caixa de e-mails e no aparelho celular e não consta nenhum sinal de vida da SABESP.

No final do terceiro dia tive que fazer uma ligação para a central de atendimento de voz da empresa. Para conseguir falar com um atendente a espera foi muito longa, mas finalmente o contato foi feito, a reclamação da falta de água foi repetida e para surpresa do cidadão, o atende informou que não havia problema de fornecimento de água na região há exatos três dias. Foi preciso argumentar que aquela informação não estava correta, afinal, as torneiras estiveram sem água o tempo todo. Mais um erro! Ao final da conversa, o atendente disse que abrira um chamado e que em 24 horas uma equipe iria ao local para verificar o que estava acontecendo.
Muito bem, se passaram 24 horas, nenhuma equipe apareceu e mesmo após confirmar telefone fixo, celular e e-mails não houve nenhum retorno da parte da SABESP para informar o motivo da falta de água. Nesse meio tempo, a caixa de água já havia se esvaziado, o número de roupas para lavar já se acumulava, os desinfetantes já não suportavam o cheiro ruim e a família foi tomar banho à noite na casa de amigos.

Enquanto aguardava o retorno do site e da central de atendimento de voz, o cidadão tentou contato através das redes sociais (Twitter e Facebook) da SABESP.
No Twitter, a resposta para a reclamação não demorou, e logo depois da publicação da mensagem, foi solicitado o endereço da residência sem água. O endereço foi enviado e há três dias espera-se um retorno com informações e nada até agora.
Já no Facebook parece que ninguém da comunicação da empresinha olha as notificações, pois nenhuma resposta ou pedido de informação foi solicitado. E pensar que as redes sociais servem para fins de comunicação, não é? Mas parece que o Facebook é utilizado apenas para marketing….

Por fim, mais uma vez, na tarde do quinto dia o cidadão entrou em contato com a central de atendimento de voz. O leitor deve estar pensando, mas que cidadão chato! Porque ele insiste em pedir informações para a SABESP?!?! Acontece que a situação se tornou insustentável, pois para comer, vários galões de 20 litros de água foram comprados e até água de um caminhão pipa foi preciso para encher a caixa de água que já acumulava pó. E nada disso foi de graça ou enviado pela concessionária de serviço público, foi comprado! Ou seja, além da falta de respeito e de ao menos uma informação do problema que leva à falta de água, há prejuízos financeiros.
Voltando à ligação, a atendente informou que na tarde daquele dia, os técnicos estavam  na região verificando o ocorrido, e que se a situação continuasse da forma que estava, seriam enviados caminhões pipa para realizar o abastecimento de emergência.
Um sinal de alívio, ufa!
Mas mesmo assim, algumas informações importantes não foram dadas: qual o motivo da falta de água e qual a previsão de data de retorno da mesma.

E assim, ao final do dia, ao chegar em casa, o cidadão é informado pela irmã que um vizinho havia ligado para a SABESP e a mesma informou que a previsão de retorno de água seria para o dia 22/01! Hoje é madrugada do dia 16/01. Ou seja, a previsão de retorno é daqui há seis dias. Ou seja, mais um desencontro de informação, pois um atendente não informou nada sobre previsão de retorno e outro informou para outro cidadão que entrou em contato.

Enfim, como bibliotecário estou horrorizado com o descaso da SABESP com a informação e principalmente com os cidadãos a quem ela tem o dever de atender e manter informados quando não consegue realizar a sua tarefa, tarefa que é remunerada via impostos pagos por todos.

Será que a SABESP não precisa de um bibliotecário para organizar o fluxo de informação entre os atendentes, sites, redes sociais e entre suas equipes a fim de prover informações de qualidade a quem ela atende?

Alguém libera um chuveiro aí?

Eleições 2014 e o desenvolvimento de competências em informação

midia[1]Nunca se falou tanto em informação como nas eleições de 2014. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Tudo! Principalmente pelas fontes de informação usadas pelas pessoas para a escolha do seu candidato. Mas isso por si só já daria um bom estudo sociológico e político.  Entretanto, o mais triste é ver que as pessoas não sabem de onde vem a informação e vão atrás “apenas” do que a mídia divulga. E sabemos que muitas vezes os meios de comunicação mascaram a informação  de acordo com seus interesses e rios de informações falsas são transmitidos e replicados pela televisão, mídias sociais e bate-papos (ou seriam bate-bocas) nos barzinhos, cafés e esquinas das terras tupiniquins. Não basta mais só desenvolver a competência em debater, discutir, dirigir… É preciso também ser competente em informação.

O termo Competência em informação (information literacy) é algo que surgiu na década de 70 nos Estados Unidos e vem ganhando novos significados, finalidades e está ampliando sua abrangência frente às diferentes habilidades e necessidades no uso de informação, conhecimentos em fontes, recursos, suportes de informação para aplicação na compreensão e disseminação da informação visando à construção e compartilhamento do conhecimento.

A ALA (2000), Caregnato (2000), Dudziak (2003), Campello (2003), IFLA (2008), UNESCO (2008), Vitorino e Piantola (2009), Belluzzo (2010), Gasque (2013) são algumas referências nacionais e internacionais que apresentam reflexões, discussões e diretrizes sobre competência em informação.

Mas o que isso tem a ver com as eleições e atual movimento político do nosso país? É premente observar que a IFLA responsabiliza os bibliotecários ao propor que devemos planejar e implementar ações que desenvolvam a competência nas pessoas. “O desenvolvimento da competência em informação deve ter um lugar durante toda a vida dos cidadãos e, especialmente, em seu período de educação, momento em que os bibliotecários, como parte da comunidade de aprendizagem e como especialistas na gestão da informação, devem ou deveriam assumir o papel principal no ensino das habilidades em informação” (IFLA, 2008, p. 4).

Porém, eu vou além, defendo que pensar e planejar ações que visam desenvolver a competência (CONHECIMENTO + HABILIDADE + ATITUDE) em informação deve ser de responsabilidade dos bibliotecários em conjunto com seus pares, entidades de classe, educadores e outros profissionais afins. Desta forma, a população estaria preparada para saber buscar/usar/avaliar/selecionar uma informação em tantas fontes e recursos disponíveis para poder interpretar, sintetizar, resumir, construir novos conhecimentos e mudar o contexto em que vivem e as mudanças que desejam para sua vida, sua família, seu bairro e seu país.

Neste bojo, se apresenta a necessidade da aprendizagem contínua que Dudziak (2003), Gasque (2013) e outros pesquisadores defendem baseados nos quatro pilares da Educação para o século XXI “aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer, aprender a ser” publicadas no relatório “Educação: Um tesouro a descobrir” organizado por Jacques Delors (1996) a pedido da UNESCO.

Mas por que as pessoas precisam saber buscar/usar/ avaliar/selecionar uma informação?  Para ter o PODER. Simples assim. O poder de conhecer para fazer escolhas. O poder de avaliar para discernir o que é verdade e o que é falso. O poder de saber para ter argumentos. Desde antes do tempo do “guaraná de rolha” se ouve por aí que “informação é poder”. Vários autores da Ciência da Informação tratam disso no livro “Informação, conhecimento e poder: mudança tecnológica e inovação social” organizado por Maria Lucia Maciel e Sarita Albagli (2011) demarcados pela “Sociedade da Informação e do Conhecimento”.

Escritores, médicos, pensadores, filósofos, sociólogos, administradores, professores, jornalistas também retratam a importância do PODER e da INFORMAÇÃO. Gilberto Diemstein uma vez falou em uma palestra “Só existe opção quando se tem informação… Ninguém pode dizer que é livre para tomar o sorvete que quiser se conhecer apenas o sabor limão”. Na mesma linha John Naisbitt  defende que “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”. Conan Doyle dizia “É um erro terrível teorizar antes de termos informação”. E pra finalizar Peter Drucker afirma que “O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores desses recursos são as pessoas”.

É nesta conjectura estratégica que enquanto cidadãos precisamos estar atentos. É necessário conhecer e buscar a informação em FONTES FIDEDIGNAS E CONFIÁVEIS baseadas nos FATOS e na HISTÓRIA para votar e eleger nossos representantes políticos. Afinal de contas, somos responsáveis não somente por quem votamos, mas em acompanhar e cobrar as ações propostas depois da eleição também. Daí a importância do PODER e de buscar informações confiáveis antes, durante e depois das eleições.

Por isso, nós bibliotecários temos uma responsabilidade grande em desenvolver ações em nossas escolas, universidades, comunidades, instituições, etc. para que as pessoas desenvolvam as competências em informação necessárias para refletir, decidir, escolher seus representantes nestas eleições, mas baseados em fontes de informação e fatos verídicos que permeiam a história política do país e devem sedimentar nossas escolhas. Afinal de contas, o PODER está em nossas mãos (ou dedos nas urnas).

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Open Access Button: artigos científicos num clique

Obter acesso a artigos científicos pode ser um desafio, especialmente se você não pertence a uma instituição de ensino e pesquisa vinculada ao Portal de Periódicos da CAPES. Moreno já nos deu dicas valiosas para driblar o desafios – a principal, claro, é procurar a sua bibliotecária de fé, irmã camarada. Hoje, aproveitando que estamos em plena Semana Internacional do Acesso Aberto, apresento a vocês mais um aliado na luta contra as paywalls: o Open Access Button (Botão do Acesso Aberto).

O Open Access Button foi criado em 2013 por David Carroll e Joe McArthur, e teve seu lançamento oficial em 21 de outubro de 2014. O projeto é mantido por uma equipe de estudantes e jovens pesquisadores, com apoio da Medsin-UK e da Right to Research Coalition. O botão foi desenvolvido em parceria com a Cottage Labs, com financiamento de Open Society Foundations, Jisc, Mozilla Science, PLOS e 68 colaboradores individuais via crowdfunding.

Para usar o Botão é preciso se cadastrar no site. Toda informação gerada pelo uso do Botão é pública, por isso a necessidade do cadastro – mas você pode escolher um pseudônimo se preferir o anonimato. Não se assuste se aparecer uma mensagem de erro, isso aconteceu comigo também. Tente atualizar a página; se tudo deu certo, a aba laranja no canto superior direito da tela (onde está escrito “Download”), será substituída por uma aba menor com o ícone de uma engrenagem. Clicando aí, aparecem duas opções – “Your account” e “Logout”. Clique em “Your account” para ver a sua página pessoal, é lá que você encontra o bookmarlet (que funciona em qualquer navegador) e os links para baixar o Botão no Chrome, Firefox, ou Android (a versão para iOS ainda está em desenvolvimento). É só instalar a versão que preferir, e pronto.

Da próxima vez que você der de cara com uma paywall, aquela página exigindo o pagamento de uma taxa para ler/baixar um artigo, é só clicar no bookmarlet ou na extensão do Open Access Button em seu navegador. Na prática, o que o Botão faz é automatizar o processo que o Moreno descreveu.  Primeiro, ele busca por versões gratuitas do artigo desejado no Google Scholar e no CORE (um agregador de repositórios em acesso aberto). Se isto não funcionar, eles mandam um email para os autores do artigo solicitando uma cópia – que será salva e enviada a qualquer outra pessoa que precisar daquele material. Entre os planos futuros está a criação de páginas específicas para cada artigo, com informações adicionais, comentários de leitores, e até resumos simplificados para facilitar o entendimento da pesquisa. Outro objetivo do projeto é reunir histórias sobre como as barreiras à informação científica dificultam o avanço do conhecimento, gerando mais pressão em prol do acesso aberto.

Para saber mais, baixar e quem sabe colaborar (ajudando com o código, por exemplo, ou com as futuras traduções), é só visitar a página do Botão.

O desenvolvimento do Open Access Button é uma amostra da força dos estudantes e jovens pesquisadores no movimento pelo acesso livre à informação científica, em todo o mundo. Afinal, a responsabilidade de melhorar o sistema de comunicação científica também é nossa!

Identificadores de fragmento e DOIs

Antes do conteúdo (ou quase tudo nessa vida) se tornar digital, nós utilizávamos números de página para descrever uma seção específica de um livro ou documentos longos (antes disso, os manuscritos antigos usavam o folio). Os números das páginas migraram para os livros eletrônicos, e leitores como o Kindle oferecem algum tipo de suporte à paginação e sequência de páginas.

folio

Para conteúdo na web, podemos usar o identificador de fragmento #, por exemplo, https://en.wikipedia.org/wiki/Fragment_identifier#Proposals para visualizar uma seção específica de uma página web. Como a ligação a este fragmento é tratada depende do tipo MIME do documento, e será, por exemplo, feita de formas diferentes para uma página de texto e um vídeo – YouTube entende minutos e segundos em um vídeo como identificador de fragmento, por exemplo, https://www.youtube.com/watch?v=0UNRZEsLxKc#t=54m52s. Identificadores de fragmento não são úteis apenas para linkar a uma subseção de um documento, mas, claro, também para a navegação dentro de um documento.

Tudo isso é, naturalmente, muito relevante para o conteúdo acadêmico, que normalmente é muito mais estruturado, com a maioria dos artigos de periódicos seguindo o formato IMRD – introdução, métodos, resultados e discussão – geralmente com seções adicionais, tais como resumo, referências, etc. Uma abordagem para a ligação de figuras e tabelas dentro de artigos acadêmicos é o uso de componentes DOIs, por exemplo, DOIs específicos para partes de um documento maior. A editora PLOS vêm utilizando-os por um longo tempo, o número de componentes DOIs está aumentando, mas a maioria dos artigos de periódicos acadêmicos ainda não utilizam componentes DOIs. E embora os componentes DOIs sejam um grande conceito para conteúdo como figuras (nos permitindo descrever o tipo MIME e outros metadados relevantes), eles provavelmente não são a melhor ferramenta de ligação para uma seção ou parágrafo de um documento acadêmico.

Acontece que já temos uma ferramenta para isso, visto que o servidor proxy DOI encaminha identificadores de fragmentos. Podemos, portanto, usar um DOI com um identificador de fragmento para:

Seção de resultados: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0103437#s2
Referências específicas: http://dx.doi.org/10.12688/f1000research.4263.1#ref-7
Decisão editorial: http://dx.doi.org/10.7554/eLife.00471#decision-letter

Obviamente, isso só funciona se o DOI é resolvido para o texto completo, e não uma página de destino. E a maneira como os identificadores de fragmentos são nomeados e implementados é uma decisão do editor, o resolvedor DOI não possui nenhuma informação sobre eles. Esses links específicos são particularmente úteis para as discussões de um artigo, seja no Twitter ou em um fórum de discussão. Parece que, pelo menos, o encurtador de links do Twitter mantém o identificador de fragmento (o link para a carta de decisão da eLife é encurtado para http://t.co/URWaYmGHnY). Esse tipo de vinculação funciona particularmente bem se o editor está usando um sistema refinado de identificadores de fragmentos. A editora PeerJ por exemplo, permite ligações a um parágrafo específico – por exemplo, http://dx.doi.org/10.7717/peerj.500#p-15 – e permite que os usuários façam perguntas ao lado daquela seção.

Todos exemplos acima usam o tipo MIME texto/html, pois esse é o que os DOIs de exemplo resolvem por padrão. Não sei se e como os editores têm implementado identificadores de fragmentos de outros formatos, como PDF ou ePub, e o que acontece se você combinar identificadores de fragmentos com negociação de conteúdo. O serviço shortDOI também trabalha com identificadores de fragmentos: http://doi.org/pxd#decision-letter. Outra questão interessante seria como identificadores de fragmentos são tratados pelos conjuntos de dados. Normalmente DOIs separados são atribuídos para vários conjuntos de dados relacionados, mas poderia também haver um lugar para identificadores de fragmentos, bem como, por exemplo, para especificar um subconjunto através de um intervalo de datas. A solução depende de novo sobre o tipo de conteúdo, e o popular texto/csv infelizmente não é bem adequado para isto, enquanto o JSON – usando JSON Pointer – funcionaria bem.

Além disso, manusear o identificador de fragmento é uma opção do cliente e o identificador de fragmento não é enviado para o servidor. O Acrobat Reader, por exemplo, suporta o identificador de fragmento #page=. Também há uma RFC7111 para identificadores de fragmento para o tipo de mídia texto/csv – browsers no futuro podem aceitar algo como http://example.com/data.csv#linha=5-7.

via Martin Fenner

Como obter acesso a artigos científicos

Sempre que alguém não vinculado a instituições associadas ao consórcio do Portal de Periódicos da Capes tenta acessar um artigo de periódico online, o acesso ao RESUMO do texto é geralmente livre, mas a leitura de um artigo na ÍNTEGRA só é possível mediante pagamento. Os artigos científicos publicados por um dos periódicos da Elsevier custa 31,50 dólares (aproximadamente 68 reais), a Springer cobra 34,95 dólares (aproximadamente 75 reais) e Wiley-Blackwell, 42 dólares (aproximadamente 93 reais).

Então as grandes questões são: como obter acesso aos artigos científicos na íntegra, sem ter que pagar questionáveis 60,70,80 reais por algumas páginas, sem pertencer a uma instituição acadêmica (desvinculada do Portal Capes)? Como ter acesso aos artigos originais na íntegra de maneira legal, sem infringir os direitos das editoras e autores?

Partindo da minha experiência diária lidando com esse tipo de demanda, quero deixar 10 dicas à vocês, pesquisadores desse meu Brasil varonil:

1) procure uma bibliotecária, preferencialmente de uma biblioteca universitária ou instituição de pesquisa e converse com ela sobre a possibilidade de obter acesso aos artigos na íntegra, mesmo não tendo vínculo com a instituição consultada. Alguns artigos são realmente muito fáceis de conseguir, desde que a biblioteca tenha o acesso via Portal Capes. Você pode levar um pen drive para copiar os arquivos dos artigos ou solicitar que eles sejam enviados ao seu email.

2) Quase todos os pesquisadores estão autorizados a colocar em seus sites pessoais ou institucionais uma versão em PDF dos textos que foram aceitos para publicação em periódicos. O caminho mais curto para encontrar a produção de um determinado autor é via Google Acadêmico. Então vá ao scholar.google.com e procure o título do artigo, o nome do autor ou o tópico de pesquisa.

Por exemplo, aqui está a página para um artigo publicado por um grupo de biólogos da UFRJ, no periódico Evolution, v.53, n.5, 1999. “Does Cosmopolitanism Result from Overconservative Systematics? A Case Study Using the Marine Sponge Chondrilla nucula“:

O primeiro resultado é o artigo procurado. Notem que na sinopse há a indicação de que ele está vinculado à base de dados JSTOR (notem também que já de cara há um link para o pdf, mas vamos fingir, para este exemplo, que ele não estivesse ali). Abaixo da sinopse está:
Citado por X Artigos relacionados Todas as Y versões

Clicando no link do título propriamente, você é levado à página do editor>periódico e verá um link para download do artigo na íntegra por módicos 14 dólares.

Mas se clicar no link “Todas as Y versões“, você verá todas as versões indexadas pelo Google. No nosso exemplo, a segunda versão é um PDF do artigo na íntegra que está hospedado no site do departamento da UFRJ o qual estão vinculados os autores do artigo.

3) em alguns casos, usar o parâmetro “filetype:pdf” no Google Acadêmico também ajuda. Vejam esse exemplo para um busca sobre pré-sal e águas profundas. Basta substituir o assunto ou incluir o nome do autor, mantendo o parâmetro de tipo de arquivo.

4) Se você precisa de muitos artigos sobre determinado tópico, é melhor seguir os passos anteriores. Mas se você só precisa de um ou poucos artigos e for capaz de encontrar um meio de contato com o autor, você pode pedir diretamente à ele. Geralmente os autores são solícitos e gostam de ter seus trabalhos reconhecidos. Basta você se identificar como pesquisador, do Brasil (ajuda sempre) e solicitar uma versão digital.

Para encontrar os emails dos autores (melhor forma de contato) busque pelo nome deles, associados às suas instituições de origem (universidades, departamentos, centros de pesquisa). Geralmente os resumos dos artigos contêm essas informações, mesmo em bases de acesso restrito.

5) Em muitas áreas é comum o uso de servidores pré-publicação (pre-print), que oferece acesso na íntegra aos artigos que já foram aceitos pelos periódicos, mas que ainda aguardam os trâmites de publicação. Um dos mais conhecidos é o Arxiv.org (pronunciasse ar-cai-ve mesmo) que têm grande concentração na área de física, mas engloba outras áreas do conhecimento também.

Recentemente no Facebook, Tiago Murakami solicitou esse artigo, bloqueado pela sua editora, acessível somente mediante pagamento. Mas o mesmo artigo está disponível na íntegra no Arxiv, provavelmente meses antes de ter saído na versão impressa/digital do periódico.

Outros servidores de preprints que valem menção são viXra, nature precedings, sciencepaper china e philica.

Não confundir os servidores pre-print com os servidores open acces (como o PLOS ONE, por exemplo). Os preprints são em geral de artigos aceitos para publicação em periódicos mediante avaliação por pares. Funcionam como um espelho grátis dos periódicos de acesso restrito e pago.

6) algumas bases de dados e de periódicos oferecem a opção de “trial”, JSTOR sendo um bom exemplo. Se você se registrar pode ler até 3 artigos na íntegra online, na tela do computador (sem opção de download grátis). Você pode armazenar até 3 artigos e mantê-los em um arquivo pessoal por 14 dias. Após esse período, você pode pesquisar por três novos artigos.

7) as bibliotecas ainda possuem coleções impressas dos periódicos. Isso significa que se você descobrir precisamente a edição do periódico onde foi publicado o artigo e descobrir qual biblioteca possui o exemplar impresso, você pode solicitar uma cópia simples (xerox). Isso vale especialmente para revistas antigas, algumas delas com suas edições retrospectivas não digitalizadas, não encontráveis na internet. As bibliotecas possuem sistemas de intercâmbio entre si, facilitando a troca de materiais mesmo entre diferentes e distantes cidades.

No Brasil, você pode consultar o Catálogo Coletivo Nacional, que não tem uma interface legal, mas que é um instrumento ultra útil pra saber quais bibliotecas, separadas por estados, possuem a revista que você procura.

Basta incluir o título da revista no campo de busca, clicar no “executar busca”, aparecendo os registros clicar em “visualizar consulta”, selecionar o título, clicar em “visualizar registros” e percorrer a lista das bibliotecas que possuem tal revista em suas coleções. Repare que a lista contêm exatamente a indicação de quais edições a biblioteca possui (a biblioteca pode ter a coleção integral ou parcialmente).

Feito isso, você pode ir até a biblioteca fisicamente ou entrar em contato por telefone ou email. Se você estiver em outra cidade e a burocracia não permitir a cópia ou scaneamento do artigo e envio por email, você pode solicitar à bibliotecária o envio por Correios, pela modalidade “COMUT”. Ela vai te explicar melhor os procedimentos.

8] nós bibliotecários possuímos fóruns privados de trocas de artigos. Eu participo e gerencio alguns fóruns de intercâmbio de artigos, que não são divulgados publicamente para evitar problemas com as editoras. É certo que não baixamos volumes gigantescos de artigos para imprimí-los e vendê-los em uma banquinha na esquina, mas os contratos editoriais são tão rígidos que não podemos nos expor muito, mesmo querendo somente o melhor e o mais rápido meio de fazer o artigo chegar até nossos usuários.

Eu sou feliz por ter um acesso VPN a uma das grandes universidades americanas, o que me permite uma gama maior de revistas do que o Portal Capes oferece. E conto com a ajuda sensível e inestimável dos colegas bibliotecários de outras instituições, no Brasil e no exterior.

Por isso, considere sempre falar com um bibliotecário quando empacar em suas pesquisas acadêmicas. A gente salva vidas. É o que eu faço, todos os dias 🙂

9) Se por acaso você estudou em alguma universidade americana ou européia, verifique a possibilidade de conseguir acesso aos recursos das bibliotecas e bases de dados por meio das associações de alumni. Converse com a bibliotecária de lá.

10) se você estuda ou tem vínculo com alguma universidade ou instituição de ensino, público ou privada, procure saber com a bibliotecária como você pode obter o acesso remoto ao Portal Capes, que te garante acesso aos artigos na íntegra em seu computador pessoal, sem precisar se deslocar até a biblioteca.

Quem tiver qualquer dúvida, pode falar comigo. Quem tiver qualquer solicitação de artigo, procure a bibliotecária mais próxima!

Lançamento de livro: Fontes de Informação Jurídica – Conceitos e técnicas de leitura para o profissional da informação

Queria parabenizar a Andréia pelo livro. Vi uma apresentação dela da sua dissertação sobre o tema e foi muito bom. Recomendo.

Capa

Fontes de Informação Jurídica – Conceitos e técnicas de leitura para o profissional da informação

Autor(es): Andréia Gonçalves Silva

Tratando-se da área jurídica, é notória a escassez de literatura que oriente o profissional da informação no manuseio e organização dos documentos legais, principalmente no que se refere à leitura técnica e análise documental e, também, de cursos de especialização que ofereçam conhecimentos básicos da terminologia do Direito. Partindo deste pressuposto, este livro pretende auxiliar os profissionais bibliotecários no entendimento dos conceitos da área jurídica e demonstrar estratégias de leitura técnica, fornecendo elementos importantes para a identificação e seleção dos conceitos existentes na documentação jurídica.

ISBN: 9788571932265

1a. edição , 2010
Formato: 16x23cm , Brochura – 228 páginas
Peso: 400g

Valor: R$ 50,00

“Como elaborar Projetos Culturais para Literatura: orientações e dicas”

Durante a Bienal do Livro de Pernambuco tive a oportunidade de assistir ao curso: “Como elaborar Projetos Culturais para Literatura: orientações e dicas” ministrado por Osmar Barbalho. Nele ele deu dicas importantes de como elaborar projetos que efetivamente possam ser contemplados em editais de promoção a leitura. E agora ele me enviou o material do curso e me permitiu divulgá-lo.

Espero que seja útil para vocês.

Download da apresentação