O que trabalhar na biblioteca da ONU me ensinou

Há algum tempo, tive uma fala no bibliocamp sobre a minha experiência de 5 anos como bibliotecária na sede da ONU, em Nova York. Fiquei, de certa forma, espantada com a repercussão dessa fala, sobretudo diante de tantos outros projetos e assuntos interessantes que foram apresentados naquele evento.

E fiquei pensando: o que afinal chama tanto a atenção no fato de um profissional brasileiro ter trabalhado em uma organização internacional? No caso dos bibliotecários, talvez a raridade.

Até hoje, além de mim, só conheço dois bibliotecários brasileiros que passaram pela biblioteca da ONU em Nova York: um foi Rubem Borba de Moraes, que a criou, e o outro é Antonio da Silva, formado pela UnB, e que é hoje chefe da área de recursos multimídia da organização. E eu, sou somente uma bibliotecária que decidiu voltar para o Brasil atrás de calor solar e humano, e que sonha em dar aulas para os futuros bibliotecários desse país. Mas continuo sendo uma de três profissionais que fizeram algo extraordinário: trabalhar em uma das principais bibliotecas do mundo.

E não digo isso porque acredito ser alguém especial. Pelo contrário, acredito que qualquer pessoa com sonhos, determinação e esforço poderia chegar lá. Poderia ser você, se esse é o seu objetivo.

A questão é que, mais do que preparo, falta ousadia e confiança para ser mais do que nos contentamos em ser. Chegar lá me ensinou pelo menos 3 coisas que podem ser aplicadas a muitas outras pelo resto da vida:

1) Só ganha quem vai até o final. Quando fui prestar a prova para o concurso da ONU, ao ver a lista de inscritos, me deparei com dois nomes conhecidos de colegas bibliotecários, gente muito capacitada e por quem tenho grande admiração. Quando vi aqueles dois nomes, pensei: “Acabou pra mim. Esses caras vão me deixar na poeira.” Mas fui fazer a prova, mesmo assim. Depois, descobri que nenhum deles foi fazer a prova, porque acharam que “não valia a pena” ou que “esses concursos são só enrolação”. Resultado: eu estava lá, e fui aprovada.

2) Menos é mais. Quando descobri que havia sido chamada para a entrevista na ONU, compartilhei a notícia com o meu empregador na época, pois deveria tirar alguns dias de férias para a viagem a Nova York. Era um acontecimento! Para minha surpresa, o diretor da casa me preveniu: “O que você vai fazer na ONU? Aqui você tem um cargo de gerência, tem status, uma posição. Lá, você vai ser só mais uma bibliotecariazinha”. Eu me lembro de dizer a meus amigos que trabalharia na biblioteca da ONU até limpando as estantes. Não era verdade, claro, e nunca tive que fazê-lo. Mas a bibliotecariazinha aqui trabalhou com gente de todo o mundo, melhorou dramaticamente o inglês, conheceu tecnologias e recursos que ainda nem existiam nas bibliotecas brasileiras, participou de vários congressos internacionais, e ainda apertou a mão do Kofi Annan. Ou seja, valeu a pena.

3) Sucesso é o que te faz feliz. Morei 5 anos em Nova York devido ao meu trabalho, e me apaixonei profundamente pela cidade. Mas durante todo esse tempo, meu coração sempre esteve no Brasil. Sempre soube que iria voltar. Se tivesse ficado lá, hoje seria muito mais “bem sucedida” profissional e economicamente. Mas não seria feliz. Quando decidi voltar para o Brasil, outros planos e rumos foram surgindo, fui encontrando pessoas maravilhosas, e me envolvendo em diversos projetos pessoais e profissionais que me dão enorme satisfação. Isso, pra mim, é sucesso.

Confie no seu taco. Ouse.

Tudo que você sempre quis saber sobre Biblioteconomia

A gente recebe emails. Muitos emails. Muitos emails iguais. Que começam mais ou menos assim: “trabalho em uma biblioteca/sou formado em XYZ, estou considerando entrar pra biblioteconomia”. E segue com as perguntas clássicas que eu nunca sei exatamente como responder [vai que eu influencio alguém a entrar mesmo no curso de biblio].

Eu resolvi escrever esse post, que será editado, tanto perguntas como respostas, conforme as pessoas forem incluindo mais perguntas, respostas e informações nos comentários, ou no facebook [facebook.com/biblioteconomia], ou no twitter [hashtag #biblioque], até que todas as perguntas abaixo sejam decentemente respondidas.

Como está o mercado de trabalho?

Não conheço nenhum bibliotecário minimamente competente desempregado. Tem gente que ganha 500 reais, tem gente que ganha 20 mil. Vai depender mais de você do que do mercado.

E os estágios – têm vagas de estágio – desde o início?

Tem bastante estágio. É mão de obra barata, as empresas adoram.

A partir de quando – em que semestre do curso – se deve procurar estágio?

O quanto antes. Mas em geral as empresas aceitam estagiários a partir do terceiro período/semestre.

Onde, normalmente, se faz estágio?

Em bibliotecas, escritórios de advocacia e arquivos.

Qual a carga horária e o valor recebido?

Os estágios são de 4 ou 6 horas. Desde R$200 até R$2000, dependendo do tipo de empresa, serviço e região.

Como é o salário no início da carreira?

A maioria dos que eu conheço ganha entre R$1500 e R$2500.

Existe pós-graduação na área? Se sim, o que está em evidência hoje, o que seria interessante?

Existe uma série de cursos de especialização e pós lato sensu. Geralmente os bibliotecários escolhem cursos associados a gestão da informação ou documentos. E existe uma série de cursos de mestrado e doutorado, stricto sensu. Geralmente os bibliotecários seguem as linhas de pesquisa da ciência da informação, comunicação, computação, memória social ou engenharia de produção.

E dá para seguir carreira pública, como seria?

Dizem que é o melhor caminho a seguir.

Abrem concursos para a área?

Nas cidades com maior concentração de instituições públicas (Brasília, Rio) os concursos acontecem com maior frequência.

resumindo:
– há 100 anos a biblioteconomia é considerada profissão do futuro e figura nessas listas de profissões
– visite as bibliotecas públicas e privadas perto da sua casa e tente conversar com os profissionais que trabalham lá
– visite bibliotecas, pegue livros emprestados e avalie se o serviço está sendo bem feito
– existem escolas de biblioteconomia nas principais universidades das capitais do País
– a relação candidato vaga e nota de corte do curso de biblioteconomia é bem baixo
– geralmente o pessoal que faz biblioteconomia segue para o mestrado e doutorado em ciência da informação
– eu não conheço nenhum bibliotecário minimamente competente que esteja desempregado
– o salário inicial gira em torno de R$2mil. bibliotecários seniors ganham em torno de R$6mil. mas tem gente que ganha R$20 mil
– quase ninguém entra no curso como uma primeira opção de carreira
– quase todos saem do curso apaixonados pela biblioteconomia

pra quem quer saber mais, indico esses textos legais abaixo:

Edson Nery da Fonesca: Tudo o que no mundo existe começa e acaba em livro

Eliane Serrão Alves Mey: A biblioteconomia envergonhada

Isadora Garrido: Por que escolhi biblioteconomia?

livros legais:

CASTRO, Augusto Cesar. História da biblioteconomia brasileira: perspectiva histórica. Brasília: Thesaurus, 2000.

FONSECA, Edson Nery da. Introdução à Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2007.

LE COADIC, Yves-François. A Ciência da Informação. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2004.

MCGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória. Brasília: Briquet de lemos, 1999.

MILANESI, Luis. Biblioteca. São Paulo : Ateliê, 2002.

ORTEGA Y GASSET, J. Missão do bibliotecário. Brasília: Briquet de Lemos, 2005.

RANGANATHAN, Shiyali Ramamrita. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.

SILVA, Waldeck Carneiro da. A miséria da biblioteca escolar. São Paulo : Cortez, 2003.

SOUZA, Francisco das Chagas. Biblioteconomia, educação e sociedade. Florianópolis UFSC, 1993. 104 p.

Biblioteconomia a distância e sem distância

Usando a ExtraLibris como plataforma e algumas parcerias para ajudar na logística, nós estamos nos dispondo a oferecer cursos de atualização e capacitação com foco temático em biblioteconomia, bibliotequices e correlatas, tão logo pessoas interessadas apareçam.

Os cursos presenciais serão realizados inicialmente no Rio de Janeiro e Recife, mas com a possibilidade de serem oferecidos também em outras cidades, conforme os pedidos forem surgindo. Os cursos EAD seguem o modelo que já vinha sendo utilizado na ExtraLibris, por meio do moodle.

Bolamos um sistema de pré-inscrição e mapeamento de demandas por cursos presenciais de curta duração e curtos modalidade EAD um pouco mais longos. Funciona quase como um mural do Facebook: nós incluimos algumas ofertas de cursos (post) e as pessoas vão indicando se estão dispostas a fazer o curso (curtir). Todos os cursos possuem um número mínimo de interessados para que possam ser realizados (digamos, 20 pessoas). Então assim que esse número de pessoas for alcançado (muitos curtiram), nós agilizamos a realização do curso.

Ou seja, você não precisa pagar de cara. A lista é uma pré-inscrição. Quando a lista estiver completa, os ministrantes entram em contato por email, divulgando a ementa e conteúdo do cursos, e só então as pessoas devem confirmar seus pagamentos, até que se alcance o limite de pessoas que a sala comporte.

Nós ofereceremos certificados, igual a todos esses outros de cursos de curta duração. Mas lembrem-se de que estamos muito mais interessados em vender idéias do que um pedaço de papel com uma assinatura (bonito, muito bonito).

Isso implica que qualquer pessoa pode sugerir cursos novos, temas novos e ministrantes novos, assim como elas próprias podem se candidatar a oferecer um curso, em sua cidade.

Qualquer dúvida, enviem por meio do formulário de inscrição.

ExtraLibris Cursos

Biblioteconomia & Gestão da Informação Audiovisual: Oficinas em 15 de Janeiro, SP

Divulgação:

A proposta é de um debate inter e multidisciplinar sobre a Gestão da Informação Audiovisual (fotografia analógica e digital, imagem em movimento, expressão sonora, música, mídias digitais interativas, imagens médicas, etc.). São oficinas prático-experimentais em que estudantes e profissionais têm a oportunidade de compreender um pouco melhor a área e dialogar sobre as experiências que possuem. O assunto ainda é pouco discutido no âmbito acadêmico e em cursos técnicos, porém cada vez mais requisitado por várias organizações (instituições de ensino, governamentais, agências de comunicação, hospitais, dentre outras).

O instrutor é o Ronni Santos Oliveira, bibliotecário formado pela ECA-USP desde 2000 e consultor em Gestão da Informação Audiovisual há 12 anos.

As informações sobre a data, local, oficinas, horários e inscrição estão abaixo:

Data: 15 Jan. 2011
Local: FIT Impacta – Rua Arabé,71 – Vila Mariana – São Paulo – SP
(Próximo ao Metrô Sta. Cruz)

São elas:

1) Introdução à Informação Audiovisual: Imagens, Epressões Sonoras e Mídias Digitais Interativas
Horário: 8h30 – 12h00
Investimento: R$ 30,00*

2) Imagens Fotográficas: Informação, Análise e Significação
Horário: 13h00 – 16h30
Investimento: R$ 30,00*

Emitimos certificado para cada curso/ oficina.

(*) Participando dos 2 eventos, o participante ganha 16% de desconto. O investimento total, que é de R$ 60,00, passa a R$ 50,00.

Para confirmar presença, o interessado deve enviar os dados abaixo a informacaoaudiovisual@gmail.com:

– Nome completo:
– RG:
– E-mail:
– Tel.:
– Instituição onde estuda ou atua:
– Curso(s)/ Oficina(s) escolhidos(as):

Essas informações são necessárias para reservarmos o local, fazermos o cadastro para a entrada no prédio e elaborarmos os certificados personalizados.

As vagas são limitadas.

O investimento é feito por depósito bancário. (Os dados da conta são encaminhados aos que confirmarem presença). Como a data de realização das oficinas citadas acima está muito próxima e ainda temos algumas vagas disponíveis, caso não haja possibilidade para o interessado efetuar o depósito até o dia 14/01/2011 (sexta-feira), aceitaremos o acerto do investimento na data e local do evento.

Mais informações sobre o objetivo do curso, acesse nosso site [ informacaoaudiovisual.blogspot.com ].

Um livro em braille sem páginas perfuradas

Capa do livro acessível "Adélia cozinheira"A designer gráfica brasileira Wanda Gomes criou novo método de impressão com imagens e até cheiro Acaba de ser enviado a escolas, bibliotecas e instituições educacionais, um livro em braille diferente. Adélia cozinheira, que lança a Coleção Adélia, é o primeiro título 100% inclusivo. Isso porque permite a leitura simultânea de crianças com e sem deficiência visual, já que o livro não tem suas páginas perfuradas pelo método tradicional. O trabalho é o resultado da união entre as pesquisas da designer gráfica Wanda Gomes, da concepção literária da escritora Lia Zatz e das ilustrações da artista plástica Luise Weiss. Utilizando o mesmo sistema do braille (com as letras resultando da combinação entre seis pontos), o novo processo diferencia-se por não furar o papel, permitindo a edição de grandes tiragens e em conjunto com a impressão offset, o que garante ao material maior durabilidade e a possibilidade de unir o braille a cores e texturas.

Veja notícia completa na PublishNews.

PPGCI/USP – processo seletivo 2011

Divulgação:

O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de São Paulo- PPGCI/USP informa que está aberto processo seletivo para ingresso de alunos regulares 2011 e convida para reunião :

Data: 30/09/2010 , das 15:00-17:30h
Esclarecimentos sobre o Programa: área de concentração, linhas de pesquisa, corpo docente.
Processo seletivo para alunos regulares: etapas e critérios de seleção
Critérios para seleção de alunos especiais
Informações sobre bolsas de estudo

Local: ECA – Escola de Comunicações e Artes
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, 2o. andar, sala 260
Cidade Universitária
Butantã, São Paulo, SP.

Asa Fujino
Coordenadora PPGCI/USP

Curso de Técnico em Biblioteconomia

divulgando: nova turma do curso Técnico em Biblioteconomia no Senac Consolação.

A idéia é que o curso seja oferecido a partir do dia 09/08, de 2ª à 6ª feira, das 19 às 22 horas.

É um curso profissionalizante. O aluno aprende como montar, organizar e manter bibliotecas, centros de documentação e informação e como atender os seus usuários.

(Carga horária mínima: 800)

Mercado de Trabalho
O Técnico em Biblioteconomia pode atuar em vários segmentos onde a informação seja absolutamente necessária, tais como: escritórios de advocacia, agências de publicidade, bibliotecas públicas, universitárias, escolares, órgãos públicos, indústrias, hospitais, empresas de comunicação, Ong’s, empresas de auditoria, consultoria etc.

Pré-requisitos
Ter concluído ou estar cursando a 3ª série do Ensino Médio.

Método
O aluno desenvolve cinco grandes projetos de trabalho que integram teoria e prática da profissão.

Clique aqui para conhecer o plano de curso.

Programa
Projeto 1 – Conhecendo a Biblioteca (80 horas)
• Visitas, seminários, oficinas e outras atividades de aprendizagem para integrar os alunos ao mundo da informação e comunicação.

Projeto 2 – Bibliotecando (424 horas)
• Atividades e vivências para desenvolver as competências profissionais ligadas ao cotidiano das Unidades de Informação.

Projeto 3 – Criando e Recriando (76 horas)
• As experiências contidas neste projeto destinam-se a desenvolver competências relacionadas à organização, ao preparo do espaço físico e à comunicação visual das Unidades de Informação.

Projeto 4 – Fazendo e Acontecendo (80 horas)
• As vivências deste projeto permitirão o desenvolvimento de competências de gestão da biblioteca no âmbito do Técnico relacionadas a marketing, trabalho em equipe e cultura organizacional.

Projeto 5 – Deslumbrando o Usuário (140 horas)
• As atividades deste projeto irão garantir o suporte à excelência na prestação de serviços em Unidades de Informação

Certificação
Ao concluir todos os módulos e, comprovando a conclusão do Ensino Médio, o aluno recebe o diploma de Habilitação Técnica de Nível Médio de Técnico em Biblioteconomia, nas áreas de Comunicação e Gestão, válido em todo o Brasil.

Documentos para Matrícula
• Requerimento de Matrícula
• Documento de Identidade (fotocópia) com foto e validade nacional
• Documento que comprove a escolaridade mínima exigida (duas vias, sendo o original ou fotocópia autenticada e fotocópia simples).

As inscrições e as matrículas serão efetuadas conforme cronograma estabelecido pela Unidade, atendidos os requisitos de acesso e nos termos regimentais.

Onde estamos?

Texto de Ricardo Queiroz Pinheiro

Poderíamos parafrasear o bibliotecário como um profissional a procura de um rótulo. Esse grave problema identitário já foi discutido em diversos textos que propõem fórmulas e receitas para que, em um passe de mágica, a solução, a despeito de qualquer processo, viesse à tona.

Há muito tempo se discute, entre bibliotecários, qual o perfil que deve ter o profissional para ser atuante e protagonista na “era da informação”. E mais: se de fato com o advento da era da informação a nossa área de atuação ganhou maior abrangência e nos tornamos posto chave dentro do quadro de profissões

A mudança de nome dos cursos de biblioteconomia foi um sintoma evidente dessa preocupação, carregada de formalismo e sempre em detrimento de um conteúdo que efetivamente mude o rumo do fazer profissional e da produção cientifica produzida.

Alguns fatores devem ser levados em conta: a relação entre mundialização e o poder e da informação, o deslocamento da produção de conhecimento, as propriedades recombinantes do uso da informação e o impacto que essa incide no indivíduo e nos grupos.

O aumento da circulação de informações dentro das velhas e novas mídias é crescente, mediação e gestão da informação são essenciais, o que não garante que os espaços tradicionais, que supostamente concentram essas informações, sejam o lugar ideal para atender essa demanda.

A partir desse raciocínio, discutir a relevância desses espaços é o primeiro passo para iniciar o diálogo e sua consequente transformação.

A maior procura e utilização da informação, esta provado, não colocou as bibliotecas e os centros de informação automaticamente na ponta de lança de prioridades da sociedade. Quando muito as utilizações destes espaços se diluem em interesses multifacetados, que mais problematizam do que reforçam seu papel como instituição.

O “agente da informação” deve trabalhar com foco nos suportes e conteúdos informativos ou nas pessoas que deles necessitam? Se a resposta for com os dois, onde que se estabelece essa relação de forma concreta? O pilar de um centro de informações é o seu acervo ou são seus usuários?

Aparentemente são esses fatores indissociáveis, e essa pergunta pode soar descabida, mas a prática nos leva a crer que não. A falta de diálogo entre essas partes, não falo aqui de qualidade e totalidade, é causa das maiores distorções e anacronismos presentes, e nem sempre são vistas como um problema objetivo a ser superado.

Em primeiro lugar o que representa a era da informação? A informação e o conhecimento produzido a partir dela, até onde sabemos não é um elemento novo na vida da humanidade.

A distinção entre informação e conhecimento é muito tênue, as informações não ficam soltas no ar e elas são processadas assim que a recebemos. Mas há uma diferença entre ambas nos usos e nas relações que se seguem logo após a recepção.

A produção de conteúdo informativo e a sua relação com a produção de conhecimento é o grande dilema a ser desbaratado sem cairmos nas interpretações mecanicistas e esquemáticas.

O instante exato onde se apresenta a importância de um profissional da informação é justamente o espaço entre a recepção e processamento da informação por parte daquele que a procura, e é ai que ele deve se fixar como agente ativo e participar no processo de construção do conhecimento.

Portanto a mediação da informação deveria ser o principal foco de interesse e expansão do profissional da informação, em detrimento de nomes de prédios, de cursos universitários e de jargões vários criados.

O assunto não encerra nessas premissas, há espaço para várias discussões…

Bibliotecário – Trabalho pela democratização da informação e do conhecimento. Formado em biblioteconomia, 1994 na FESPSP, atuo em biblioteca pública há 15 anos em São Bernardo do Campo.

Publicado em: http://ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=477

Biblioteconomia 2.0 no Brasil

futuro das bibliotecas

Na discussão sobre o post das “iniciativas de bibliotecários brasileiros que estão ajudando na divulgação da biblioteconomia e de suas atividades no bojo da Web 2.0” eu mencionei que não (re)conheço cursos de biblio no Brasil que estejam oferecendo disciplinas que ensinem os alunos a criar veículos de comunicação interprofissional, e melhor ainda, se esses cursos são capazes de explicar a importância de se fazer isso dentro do escopo da formação de um bibliotecário.

Supondo que os blogs e iniciativas de divulgação fazem completo sentido para a evolução profissional, o que eu questionava é se essa perspectiva está sendo ensinada ou compartilhada dentro dos cursos de biblio.

Alguma disciplina de biblioteconomia no Brasil ensina a construir e a importância de se ter um blog interprofissional, ensina a usar twitter e a sua importância para o corpo profissional bibliotecário? Ferramentas como wordpress, drupal, delicious, google reader, wiki, twitter, entre outros, é que são, quando bem aplicadas, no meu entender, “iniciativas que estão ajudando na divulgação da biblioteconomia e de suas atividades no bojo da Web 2.0″. [Três parágrafos redundantes, apenas para me certificar que as pessoas compreendam o que eu escrevi].

Certamente existem disciplinas que tratam do assunto. Mas elas precisam ser evidenciadas. Eu joguei a provocação no ar, e a Ana Patrícia do curso de CI da UFMG indicou o conteúdo programático de algumas das suas disciplinas. Ótimo, excelente. Marcelo Bax já é velho conhecido de todos nós e sempre esteve na vanguarda. Eu também citei Roosewelt, que ministra disciplinas de automação na UFMA focadas no uso de ferramentas e conceitos emergentes.

Mas quanto mais claro e divulgados esses conteúdos programáticos forem, melhor pra comunidade.

Também tive uma troca de mensagens com a Carol Fraga, que estava as voltas com a reforma curricular do curso de biblio na UnB. Nesse caso parece ser recorrente: muda a nomenclatura da disciplina para algo mais pomposo e “2.0”, mas o conteúdo e os professores continuam os mesmo. Então, efetivamente, pouca coisa muda além da fachada.

O trabalho de casa dessa vez então é que vocês indiquem quais são os cursos de biblioteconomia no Brasil que estão oferecendo disciplinas que estejam no “bojo da Web 2.0”, não somente em termos de iniciativas de divulgação interprofissional, mas em termos globais de uma frente 2.0, pautada nos propósitos clássicos da Web Squared do O’Reilly.

Lembram que eu citei as tendências em bibliotecas? Quais cursos e disciplinas estão de alguma forma encarando seriamente essas tendências, garantindo uma formação que contemple também todas essas coisas que fazem parte da vida (de uma grande parte hoje) das pessoas que lidam com livros, com bibliotecas, e como outros preferem, com informação?

Eu poderia citar pelo menos 10 coisas que considero altamente relevantes para a formação de um bibliotecário hoje, no “bojo da web 2.0” (e o meu entendimento de web 2.0 segue a definição do O’Reilly, então quando eu mencionar RFID ou design por exemplo, saibam o que eu quero dizer), mas que não tenho conhecimento, não tenho certeza de que estão sendo ensinadas nas escolas de biblio:

– classificação social (social tagging, flickr commons)
– recuperação por relevância (google, encore)
– dados abertos (liberação do controle bibliográfico, library thing)
– cloud computing (liberação dos catálogos, worldcat)
– RFID (automação de bibliotecas)
– direitos autorais associado aos processos de digitalização de acervos (google books)
– social media (presença online, facebook, orkut, twitter)
– convergência (web mobile, ubiquidade, padronização)
– design (OPAC, sites, biblioteca física)
– impressão/circulação sob demanda (armazenamento digital, espresso machine, kindle)

Se você é aluno de biblio ou bibliotecário e não sabe do que se trata metade das coisas nessa listinha acima, você já me respondeu.

Então me mostrem o contrário. Me mostrem quem está no tal bojo.

Monografia de Júlio Rei – histórico dos ENEBDs

Gustavo Henn digitalizou aquela que talvez seja a monografia mais disputada dos encontros estudantis de Biblioteconomia e uma das poucas que tratam diretamente de ENEBD: a monografia do próprio Júlio rei, escrita por ele mesmo.

O movimento estudantil e a formação de uma liderança nacional em Biblioteconomia:a contribuição dos Encontros Nacionais de Biblioteconomia e Documentação (ENEBDs)

Monografia de graduação de Júlio Farias de Souza, apresentada em 2000, na Universidade Federal da Paraíba. Orientação de Jemina Marques de Oliveira.

Resumo:
Em 1967, no auge do regime militar onde a liberdade de expressao de pensamento e de comunicação estavam usurpadas, alguns “heróis” discentes do curso de biblioteconomia e documentação fizeram 0 seu primeiro encontro para talvez discutir a atual conjuntura, ou para definir metas. O tema deste primeiro encontro foi 0 ENSINO DE BIBLIOTECONOMIA, ORGANIZAÇÃO E ATUALIZACAO DOS CURSOS, 1967 (currículos, recursos audiovisuais, formação de professores) muito embora saibamos que os encontros de estudantes na época eram estritamente proibidos e deveriam ter disfarces para a sua realização, possivelmente isso explica 0 tema ser um tanto quanto disperso. De lá até hoje, esse evento ganhou força e destaque em nível nacional de modo que é referência para todas os que estão se formando, quanto aos que estão adentrando na vida acadêmica. Sabemos que se nossa formação profissional for depender somente da sala de aula e da experiencia por ela mesma, haverá muito a desejar, porque só esses fatores não trazem muitas contribuições. Há a necessidade de troca, disseminação e integração com novas formas e meios de execuçã do nosso trabalho enquanto profissionais da informação. E isso se consegue com eventos dessa parte, onde experiências adversas seguem os mesmos objetivos. Esse fator é motivador e principal pilar, a nosso ver, da existencia e continuação dos ENEBDs.

A monografia está na ExtraLibris, link para download

Vida longa ao Rei!

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