O futuro dos serviços de biblioteca em 3 visualizações

1. A Biblioteca do Futuro é um lugar onde nem livros, nem mesmo informação, estão no centro, mas as pessoas

future

As pessoas desejam espaços onde elas podem se reunir, onde podem aprender, onde possam viver e se divertir. A biblioteca do futuro está equipada para capacitar as pessoas para o conhecimento.

“O conhecimento é mais importante do que o espaço” – Edward Glaeser

Através de amenidades tecnológicas, espaços culturais e de exposições organizados, e uma abordagem de uso misto para a aprendizagem que incorpora tudo desde empreendedorismo e makerspaces até salas de aula no modelo “flipped” e cadeiras especiais para tirar uma soneca, os serviços de biblioteca do futuro vão encontrar as pessoas onde elas estão – e transformar-se em muitas outras possibilidades. Mas o que isso significa para os livros?

2. A Biblioteca do Futuro revive as suas origens como uma grande democratizadora do conhecimento

As bibliotecas antigas foram formadas para democratizar artefatos culturais e conhecimentos – a grande biblioteca de Alexandria, com seus extensos volumes, era um edifício icônico que honrou o compartilhamento do conhecimento. Hoje, as bibliotecas universitárias são confrontadas com as exigências da alta despesa que seus espaços impõem, e demandam novas soluções.

“Uma biblioteca é um lugar onde as pessoas interagem com a cultura” – Edmund Klimek

Ao realocar materiais para fora do campus e usando o capital imobiliário crucial dentro da universidade para fornecer espaços de interação, as bibliotecas podem oferecer um nível inteiramente novo de serviço. Ferramentas como digitalização e catálogos on-line são apenas a ponta do iceberg – com inovações em serviços de biblioteca, as bibliotecas podem reunir as pessoas em torno de um hub de conhecimento, ao mesmo tempo preservando seus ativos para melhorar a longevidade das obras.

3. Para alcançar essas oportunidades de engajamento, a Biblioteca do Futuro deve funcionalmente preservar seus ativos

Para que as bibliotecas funcionem eficazmente, elas precisam ser construídas em torno dos mesmos serviços e processos que suportam. Para as universidades Emory e Georgia Tech, que estavam combinando suas coleções em um único acervo compartilhado, a empresa KSS concebeu um Centro de Serviços de Biblioteca, onde cada metro quadrado é dedicado a um processo contínuo. Este passo na preservação de artefatos culturais da biblioteca é crucial, não só para proteger os bens culturais de valor inestimável, mas também – e talvez contraintuitivamente – para torná-los mais utilizáveis. Ao melhorar a preservação destes materiais, eles estarão disponíveis para as futuras gerações de alunos, avançando o valor e a longevidade da biblioteca por séculos.

A abordagem da “Centro de Serviços de Biblioteca” [eu prefiro a tradução de Library Service Center como “Biblioteca Central de Atendimento”] é fundamental para cumprir o papel da biblioteca do futuro: ao criar uma poderosa instalação fora do campus, uma coleção compartilhada com muito mais materiais do que qualquer uma das instituição tiveram acesso antes, o Centro de Serviços de Biblioteca abre espaço no coração do campus para a aprendizagem compartilhada, reunindo espaços e estudos com alta tecnologia e pesquisa.

“Sua biblioteca é o seu retrato” – Holbrook Jackson

O poder do mundo dinâmico em que vivemos está na quantidade de engajamento que experimentamos diariamente – experiências que são memoráveis, pessoais, sensoriais. A economia da experiência percebe o poder do engajamento – pessoas que se deslocam através e além das comunidades. Para a biblioteca aproveitar esse movimento ela precisa transformar-se, tornando-se uma instituição que serve tanto seus usuários como a sociedade como um todo.

O caminho para a Biblioteca do Futuro é claro – ao preservar artefatos culturais em espaços intencionalmente concebidos, as instituições podem maximizar a longevidade funcional, oferecendo oportunidades para o engajamento que moldam um modelo novo do futuro. Bibliotecas tornam-se mais dinâmicas, mais democratizadas, mais acessíveis, mais centradas nas pessoas. Elas percebem seu potencial como lugares emblemáticos na junção de conhecimento e cultura.

[tradução do texto original The future of library services in 3 visualizations publicado pela KSS Architects]

A primeira numeração impressa

tradução do original The First Printed Page Numbers

A imagem abaixo é a digitalização de uma folha impressa por Arnold Ther Hoernen, Colônia, 1470 (segundo impressor de Colônia depois de Ulrich Zel). O livro, Sermo em festo praesentationis beatissimae Mariae Virginis, é especial pois trata-se do primeiro livro (sobrevivente) a incluir paginação impressa (números de página*), visto abaixo impresso nas margens, na metade da página.

3381695

Numeração impressa de páginas (algo que parece bastante necessário e óbvio hoje) só se tornou prática tipográfica comum a partir do final do século XVI. E antes do livro impresso, a paginação permaneceu rara até o fim da Idade Média**, e de uso indicial ou citacional limitado, já que os manuscritos eram muito raramente idênticos.

Hoje é difícil imaginar livros sem paginação. Os números de página tornam mais fácil mencionar, citar e cruzar referências – que por sua vez tornam o acesso, estudo e comparação de textos muito mais fácil.

composite-page-numbers-first

Talvez você tenha notado que os algarismos arábicos – 4, 5 e 7 – na imagem composta diferem daquelas que usamos hoje. Estas formas eram comuns em manuscritos medievais (o J é simplesmente o numeral romano 1.)

arabic-numerals-evolution Figura traçando a evolução parcial de algarismos arábicos. Fonte: The Development of Arabic Numerals in Europe Exhibited in Sixty-Four Tables.

Não foi até o século X que algarismos arábicos chegaram a Espanha, embora eles não tenham sido usados ​​até o século XIV. A partir do final do século XV, os números 4, 5, 7 começaram a assumir as formas que estamos familiarizados hoje.

Referências:
*Paginação é a numeração sequencial de páginas.

** The Palaeography of Gothic Manuscript Books, p. 33

Margaret M. Smith. “Printed foliation: forerunner to printed page-numbers?” — Gutenberg Jahrbuch 63 (1988), pp. 54–57

Introduction to Manuscript Studies — Clemens & Graham, pp. 92–94

Latin Palaeography: Antiquity and the Middle Ages — Bernhard Bischoff, p. 132

The Development of Arabic Numerals in Europe Exhibited in Sixty-Four Tables (Oxford, 1915) [available at archive.org]

The Oxford Companion to the Book , Vol. 2, p. 726 & 994

Livro que veste permite experimentar emoções do seu personagem favorito

Já quis experimentar as emoções do seu personagem favorito do livro? Agora você pode, graças ao “livro vestível” criado por pesquisadores do laboratório de mídia do MIT.

Chamado Ficção Sensorial, trata-se de um livro que os leitores literalmente podem vestir. Equipado com sensores e motores, produz sensações físicas que imitam as emoções dos personagens, conforme a trama se desenrola.

Por exemplo, se o protagonista está se sentindo triste ou deprimido, a capa do livro se acende, criando a iluminação do ambiente para refletir o humor. Sente medo? O colete vai apertar ao redor do peito do leitor. Para empolgação, padrões de vibração que influenciam a frequência cardíaca fazem o coração bater mais rápido.

Com a tecnologia em seu estado atual, veremos mais livros vestíveis no futuro? É este o futuro da leitura do livro?

Assista ao vídeo abaixo para saber mais:

via Taxi

As novas funções dos bibliotecários na era digital

Não dá pra concordar com tudo do infográfico porque a realidade é americana, mas a parte sobre as novas funções dos bibliotecários chama atenção. Embora sejam apenas novas nomenclaturas para velhos cargos, traduzem bem o modo como o trabalho vem sendo desenvolvido nos últimos anos, pelo menos nas bibliotecas universitárias brasileiras. Ainda não é uma realidade local plena, mas certamente é tendência. E serve como boa atualização na resposta para a clássica pergunta, “afinal, o que faz um bibliotecário?”

O infográfico original é do curso de biblioteconomia da Universidade de Sul da California. Aqui está a versão ampliada traduzida ao português.

Aplicativo android de realidade aumentada para estantes

Se você já trabalhou em uma biblioteca sabe como é problemática a reposição de livros nas estantes. É quase regra geral solicitar que os usuários NÃO reponham os livros de volta às estantes, pois uma vez mal localizados, dificilmente serão reencontrados.

O grupo de pesquisa em realidade aumentada da Universidade de Miami, liderada pelo professor Bo Brinkman, desenvolveu um aplicativo para Android que ajuda os bibliotecários a resolver esse tipo de problema. Usando a câmera de um aparelho com Android (no caso do vídeo ele tá usando um Sansung Galaxy), o aplicativo “lê” uma estante, e com uma sobreposição de RA, rapidamente indica aqueles livros que estão fora de lugar. Ele também irá apontar para o local correto na estante, para que o livro possa ser facilmente relocalizado corretamente.

O aplicativo também pode ajudar a realizar os inventários, gerando um relatório do que uma biblioteca realmente possui em suas prateleiras.

Existem alguns inconvenientes. Livros finos, tais como aqueles encontrados nas seções infantis, são difíceis de marcar. Além disso, o protótipo utiliza apenas 16 bits nas etiquetas, mas Brinkman diz que o grupo está trabalhando em uma versão que lhes permita colocar em torno de 72 bits nas etiquetas, permitindo que o sistema tenha escalabilidade para trabalhar com acervos de grande porte (ver comentários no youtube).

O aplicativo foi desenvolvido pela assistente de pesquisa de graduação Matt Hodges, e será apresentado no próximo mês na conferência Association of College and Research Libraries.

via ReadWriteWeb

—-

Não é a primeira que eu vejo um protótipo como esse. Mas um app do android é uma solução mais simples e barata.

Realidade aumentada na biblioteca por morenobarros no Videolog.tv.

Rumo a um Historiográfico das àreas de Informação – Os 927 primeiros nós

Navegue pelo: GEXFExplorer ou Seadragon Export

Este é um resultado inicial da representação das relações entre citações na área. O objetivo será a criação de primeiramente uma metodologia de representação bibliográfica usando redes e em segundo momento um grande historiográfico das áreas de Informação (Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação).

Eu particularmente acredito que esta forma de representação traz diversos benefícios para a representação de dados bibliográficos de uma determinada área e para pesquisas em geral. Estamos (inicialmente eu e o Luiz) tentando escrever um artigo descrevendo as possibilidades desta ferramenta.

Este modelo traz algumas inovações em relação a tradicional forma de representação:

  • Representação visual de todo ou parte do conjunto representado
  • A representação da dimensão tempo como variável
  • Possibilidade de uso de filtros e clusterização

Já dá para perceber algumas potencialidades de aplicação:

  • Bibliometria: É a aplicação mais óbvia do modelo. A partir das relações entre as bibliografias, dá para criar cálculos bibliométricos de citação
  • Pagerank: Uma aplicação do valor de uma obra baseada em um algoritimo utilizando as relações entre elas. É uma ruptura com o atual modelo dos catálogos de “recuperação da informação” que pregava a neutralidade (os valores eram precisão e revocação).
  • Auto-organização: Possibilita uma nova forma de organização da informação. O Fernando Pires bem observou em seu TCC que nossas classificações são “agrárias” e estáticas. Cada novo nó na rede altera a sua configuração e consequentemente sua organização. E ainda, em grandes redes, é possível a criação de clusters de obras afins, que se considerarmos o principio de que a classificação “junta pela semelhança e separa pela diferença”, cada cluster é uma nova classe dinâmica. O interessante, é que com o passar do tempo, uma obra pode passar de um cluster para outro.
  • Historiográficos como definidos por Eugene Garfield: Os historiográficos foram criados por Eugene Garfield na década de 60 e são uma ferramenta muito útil para a história da ciência, pois possibilitam mapear as influências das idéias em uma determinada área.
  • Estudo da influência de uma obra ou de um autor específico baseado em na rede de obras que os citam

E outras possibilidades a explorar…

Software utilizado: Gephi

Download:

Estou compartilhando com vocês o arquivo historiográfico.gexf ( cliquem com o segundo botão e escolham salvar como ) que vocês podem importar no Gephi e testar a ferramenta. A idéia é a mesma do Creative commons, use, mas caso forem apresentar algo, citem a fonte 😉

Agentes de leitura

A Prefeitura de São Bernardo do Campo e o Ministério da Cultura estabeleceram uma parceria para a formação de agentes de leitura.
O que são os agentes de leitura?

Agentes de Leitura Mais Cultura

Formação de agentes de leitura com ensino médio completo e idade entre 18 e 29 anos, para atuarem na democratização do acesso ao livro e formação leitora, por meio de visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literários abertos para as comunidades. Serão capacitados no ano de 2010, cerca de 5 mil jovens agentes, para o atendimento a mais de 200 mil famílias, grande parte oriunda do Programa Bolsa Família.

Benefício

Cada agente de leitura receberá kit contendo livros, mochila, uniforme, meio de locomoção e bolsa mensal de R$ 350. Os agentes de leitura estarão integrados às bibliotecas públicas municipais e escolares, bem como aos Pontos de Leitura e ao projeto Arca das Letras do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Para saber mais sobre o programa em São Bernardo do Campo, clique aqui.