Imagens de arte e a arte de trabalhar com imagens

Comecei a trabalhar com organização de imagens de obras de arte na Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP ainda no tempo em que o melhor suporte para esse tipo de acervo eram os slides, no início dos anos 1980. E não me refiro ao power point, mas a fotografias em suporte transparente, montadas em molduras de plástico ou papelão, próprias para serem projetadas. Para quem não lembra, ou só nasceu muito depois:

Antes da internet e dos sites de museus, os professores usavam slides para mostrar e discutir obras de arte em sala de aula, e as bibliotecas de instituições que ofereciam cursos de artes precisavam se virar para formar coleções.

Como praticamente não existiam, no Brasil, esse tipo de material disponível para compra, a solução era obter doações com os próprios artistas e produzir artesanalmente nossos próprios slides. Inicialmente atendíamos às demandas específicas dos professores, que solicitavam imagens de obras de um determinado artista, por exemplo. Com o tempo e a experiência adquirida, chegamos a estabelecer uma política de desenvolvimento de acervo: já sabíamos que material fotografar, quais  slides deveríamos descartar etc.

Não era fácil. Precisamos aprender a  localizar e escolher as ilustrações, fotografar da melhor forma possível, iluminar,  analisar a qualidade das imagens depois de prontas, montar os slides etc. Isso tudo se passou em eras pré-internet e câmeras digitais –  quem nasceu depois disso tudo não tem ideia da pauleira que era montar uma coleção de imagens naquela época. Mas era bem divertido, devo admitir.

Nossa pequena coleção de slides, que não chegou a ultrapassar 25.000 itens, era bastante usada pelos professores da Escola e pelos alunos que davam aula em outras instituições, até ser engolida pela evolução tecnológica.

Quando projetores de slides entraram para a lista de espécies em extinção e os professores se convenceram de que outros brinquedos eram necessários,  começamos a digitalizar os itens da coleção que ainda tinham relevância: slides de obras que não estavam disponíveis na internet, geralmente doados pelos próprios artistas ou reproduzidos de catálogos de exposições brasileiros. Infelizmente, as imagens digitalizadas não chegavam aos usuários, porque o único catálogo disponível era uma base de dados em rede local – praticamente o mesmo que não ter catálogo.

Enquanto a coleção de slides perdia a relevância e o público, outro acervo de imagens crescia e adquiria cada vez mais importância na instituição: os trabalhos acadêmicos dos cursos de graduação e pós-graduação em Artes Visuais que se expressam fundamentalmente em imagens, ou que são trabalhos artísticos originais. Nos cursos da ECA, principalmente na área de concentração em Poéticas Visuais da Pós-Graduação, é possível apresentar  gravuras, desenhos, esculturas, objetos, livros de artista etc como trabalho final do curso.

A escultura monumental Lugar com Arco, por exemplo, que enfeita o jardim da Escola, é resultado da tese de doutorado da escultora Norma Grinberg, docente aposentada da instituição.

Regina Silveira, Ana Tavares, Evandro Carlos Jardim, Carmela Grosz, Dora Longo Bahia, Carlos Fajardo, Geraldo de Souza Dias Filho, Henrique de Souza Oliveira e Leda Catunda são alguns dos artistas brasileiros que deixaram trabalhos acadêmicos no acervo da Biblioteca da ECA. Em alguns casos são obras originais, como o álbum de gravuras Anamorfas, de Regina Silveira, em outros são trabalhos de reflexão  – com muitos registros fotográficos- do artista sobre a própria obra, ou ensaios fotográficos resultantes do processo de pesquisa. Um acervo belíssimo catalogado em sistemas que, por serem concebidos para registrar documentos textuais, não dão a necessária visibilidade à sua dimensão  mais importante: a imagem.

Fotos de alguns trabalhos do acervo

DTEEP: dinâmicas e trocas entre estados de performance, de Yiftha Peled

A pesquisa de mestrado da minha colega Sarah Lorenzon Ferreira constatou que nossos professores e alunos das artes visuais precisam de um catálogo de imagens acessível pela internet, com imagens de alta qualidade técnica, boa resolução e diferentes opções de visualização, e que contenha, prioritariamente: criações artísticas dos professores; obras resultantes de pesquisas de mestrado e doutorado; trabalhos de conclusão de curso de graduação; registros do processo criativo dos artistas da ECA. Ou seja, o mínimo que uma biblioteca de uma escola que forma artistas e pesquisadores da área de artes deveria poder oferecer aos seus usuários.

O projeto começou a se tornar viável quando o Tiago Murakami veio para o Departamento Técnico do nosso Sistema Integrado de Bibliotecas e nos apresentou ao Omeka, software open source desenvolvido para exibir coleções digitais em bibliotecas e museus. O Omeka tem instalado um plugin para os metadados VRA Core, desenvolvidos pela Visual Resources Association para descrição conjunta de obras de artes e suas imagens.

O VRA Core, usado com o Cataloging Cultural Objects – CCO é uma solução muito boa para bases de dados de imagens. Resolve bem a questão de catalogar os dados da obra e de suas imagens em registros diferentes, relacionando os dois tipos de registros, sem misturar e confundir as informações como faz o insuportável formato MARC, por exemplo. Tentei explicar essas  todas paradas neste texto aqui.

Além disso, o Omeka tem plugins para aplicações do International Image Interoperability Framework (IIIF), um conjunto de protocolos para visualização de imagens criado em 2001 por um consórcio internacional de bibliotecas. Eis aí uma ferramenta muito legal que precisa ser urgentemente pesquisada no Brasil, porque permite visualização de imagens em alta resolução com carregamento rápido e possibilidade de fazer anotações, além de ter recursos de edição básica, zoom profundo etc. Tudo isso sem precisar carregar várias imagens de tamanhos diferentes na base de dados, basta uma única em alta resolução. Melhor ainda: o freguês consegue compartilhar, editar  e comparar imagens de bases de dados diferentes numa mesma interface online, sem precisar baixá-las. Vejam 0 que dá pra fazer nesse demo do Projeto Mirador

O IIIF tem um canal no Youtube com apresentações muito interessantes de instituições que fazem parte da comunidade de usuários da coisa. Em breve a Biblioteca da ECA  estará lá, aguardem. Já colocamos o Brasil na comunidade e a Sarah está na equipe do código de conduta .

Falta mais gente no Brasil usando e interessada na discussão. Também falta um jeito brasileiro de pronunciar a sigla IIIF, que os falantes do inglês pronunciam “triple I F“. Em português não temos o hábito de dizer “i triplo”, mas repetir a letra “i” na fala vai ficar estranho por excesso de iiis. Sem contar que pode virar  piada…

O protótipo da nossa Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP já existe e está sendo testado. Funciona, mas ainda temos muito o que resolver. Precisamos customizar o Omeka para melhorar a navegação entre registros da obra e suas imagens, criar um tema mais agradável e outras coisinhas.  Com relação ao conteúdo, temos que encontrar um curador entre os docentes de artes visuais, escolher as imagens, digitalizar ou fotografar os trabalhos, entrar em contato com os artistas para obter sua autorização para divulgação das images, catalogar etc. Os “etcs” são muitos, na verdade. Nossa professora Vânia Lima, que voltou de suas andanças por instituições de arte dos Estados Unidos com as primeiras notícias que ouvimos sobre o IIIF (ó, tá todo mundo usando isso aqui, estudem), já está pensando em projetos e tentando contratar bolsistas.  Nossa Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP promete ser um laboratório interessante para os alunos de biblioteconomia.

Já apresentamos alguns trabalhos em eventos da área. Vejam aí:

V Seminário de Informação em Arte da Redarte -RJ

https://doity.com.br/anais/seminario-de-informacao-em-arte

Colóquio de Dados, Metadados e Web Semântica

https://cdmws.isci.com.br/ocs/index.php/cdmws/home/paper/view/13

I Seminário de Humanidades Digitais – IV Congresso Internacional em Tecnologia e Organização da Informação

https://prezi.com/h2smfyo-5zl7/biblioteca-digital-da-producao-artistica-da-ecausp/?utm_campaign=share&utm_medium=copy

Assim que os testes estiverem concluídos e a Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP tiver seu endereço definitivo, divulgaremos o link.

O futuro dos serviços de biblioteca em 3 visualizações

1. A Biblioteca do Futuro é um lugar onde nem livros, nem mesmo informação, estão no centro, mas as pessoas

future

As pessoas desejam espaços onde elas podem se reunir, onde podem aprender, onde possam viver e se divertir. A biblioteca do futuro está equipada para capacitar as pessoas para o conhecimento.

“O conhecimento é mais importante do que o espaço” – Edward Glaeser

Através de amenidades tecnológicas, espaços culturais e de exposições organizados, e uma abordagem de uso misto para a aprendizagem que incorpora tudo desde empreendedorismo e makerspaces até salas de aula no modelo “flipped” e cadeiras especiais para tirar uma soneca, os serviços de biblioteca do futuro vão encontrar as pessoas onde elas estão – e transformar-se em muitas outras possibilidades. Mas o que isso significa para os livros?

2. A Biblioteca do Futuro revive as suas origens como uma grande democratizadora do conhecimento

As bibliotecas antigas foram formadas para democratizar artefatos culturais e conhecimentos – a grande biblioteca de Alexandria, com seus extensos volumes, era um edifício icônico que honrou o compartilhamento do conhecimento. Hoje, as bibliotecas universitárias são confrontadas com as exigências da alta despesa que seus espaços impõem, e demandam novas soluções.

“Uma biblioteca é um lugar onde as pessoas interagem com a cultura” – Edmund Klimek

Ao realocar materiais para fora do campus e usando o capital imobiliário crucial dentro da universidade para fornecer espaços de interação, as bibliotecas podem oferecer um nível inteiramente novo de serviço. Ferramentas como digitalização e catálogos on-line são apenas a ponta do iceberg – com inovações em serviços de biblioteca, as bibliotecas podem reunir as pessoas em torno de um hub de conhecimento, ao mesmo tempo preservando seus ativos para melhorar a longevidade das obras.

3. Para alcançar essas oportunidades de engajamento, a Biblioteca do Futuro deve funcionalmente preservar seus ativos

Para que as bibliotecas funcionem eficazmente, elas precisam ser construídas em torno dos mesmos serviços e processos que suportam. Para as universidades Emory e Georgia Tech, que estavam combinando suas coleções em um único acervo compartilhado, a empresa KSS concebeu um Centro de Serviços de Biblioteca, onde cada metro quadrado é dedicado a um processo contínuo. Este passo na preservação de artefatos culturais da biblioteca é crucial, não só para proteger os bens culturais de valor inestimável, mas também – e talvez contraintuitivamente – para torná-los mais utilizáveis. Ao melhorar a preservação destes materiais, eles estarão disponíveis para as futuras gerações de alunos, avançando o valor e a longevidade da biblioteca por séculos.

A abordagem da “Centro de Serviços de Biblioteca” [eu prefiro a tradução de Library Service Center como “Biblioteca Central de Atendimento”] é fundamental para cumprir o papel da biblioteca do futuro: ao criar uma poderosa instalação fora do campus, uma coleção compartilhada com muito mais materiais do que qualquer uma das instituição tiveram acesso antes, o Centro de Serviços de Biblioteca abre espaço no coração do campus para a aprendizagem compartilhada, reunindo espaços e estudos com alta tecnologia e pesquisa.

“Sua biblioteca é o seu retrato” – Holbrook Jackson

O poder do mundo dinâmico em que vivemos está na quantidade de engajamento que experimentamos diariamente – experiências que são memoráveis, pessoais, sensoriais. A economia da experiência percebe o poder do engajamento – pessoas que se deslocam através e além das comunidades. Para a biblioteca aproveitar esse movimento ela precisa transformar-se, tornando-se uma instituição que serve tanto seus usuários como a sociedade como um todo.

O caminho para a Biblioteca do Futuro é claro – ao preservar artefatos culturais em espaços intencionalmente concebidos, as instituições podem maximizar a longevidade funcional, oferecendo oportunidades para o engajamento que moldam um modelo novo do futuro. Bibliotecas tornam-se mais dinâmicas, mais democratizadas, mais acessíveis, mais centradas nas pessoas. Elas percebem seu potencial como lugares emblemáticos na junção de conhecimento e cultura.

[tradução do texto original The future of library services in 3 visualizations publicado pela KSS Architects]

A primeira numeração impressa

tradução do original The First Printed Page Numbers

A imagem abaixo é a digitalização de uma folha impressa por Arnold Ther Hoernen, Colônia, 1470 (segundo impressor de Colônia depois de Ulrich Zel). O livro, Sermo em festo praesentationis beatissimae Mariae Virginis, é especial pois trata-se do primeiro livro (sobrevivente) a incluir paginação impressa (números de página*), visto abaixo impresso nas margens, na metade da página.

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Numeração impressa de páginas (algo que parece bastante necessário e óbvio hoje) só se tornou prática tipográfica comum a partir do final do século XVI. E antes do livro impresso, a paginação permaneceu rara até o fim da Idade Média**, e de uso indicial ou citacional limitado, já que os manuscritos eram muito raramente idênticos.

Hoje é difícil imaginar livros sem paginação. Os números de página tornam mais fácil mencionar, citar e cruzar referências – que por sua vez tornam o acesso, estudo e comparação de textos muito mais fácil.

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Talvez você tenha notado que os algarismos arábicos – 4, 5 e 7 – na imagem composta diferem daquelas que usamos hoje. Estas formas eram comuns em manuscritos medievais (o J é simplesmente o numeral romano 1.)

arabic-numerals-evolution Figura traçando a evolução parcial de algarismos arábicos. Fonte: The Development of Arabic Numerals in Europe Exhibited in Sixty-Four Tables.

Não foi até o século X que algarismos arábicos chegaram a Espanha, embora eles não tenham sido usados ​​até o século XIV. A partir do final do século XV, os números 4, 5, 7 começaram a assumir as formas que estamos familiarizados hoje.

Referências:
*Paginação é a numeração sequencial de páginas.

** The Palaeography of Gothic Manuscript Books, p. 33

Margaret M. Smith. “Printed foliation: forerunner to printed page-numbers?” — Gutenberg Jahrbuch 63 (1988), pp. 54–57

Introduction to Manuscript Studies — Clemens & Graham, pp. 92–94

Latin Palaeography: Antiquity and the Middle Ages — Bernhard Bischoff, p. 132

The Development of Arabic Numerals in Europe Exhibited in Sixty-Four Tables (Oxford, 1915) [available at archive.org]

The Oxford Companion to the Book , Vol. 2, p. 726 & 994

Livro que veste permite experimentar emoções do seu personagem favorito

Já quis experimentar as emoções do seu personagem favorito do livro? Agora você pode, graças ao “livro vestível” criado por pesquisadores do laboratório de mídia do MIT.

Chamado Ficção Sensorial, trata-se de um livro que os leitores literalmente podem vestir. Equipado com sensores e motores, produz sensações físicas que imitam as emoções dos personagens, conforme a trama se desenrola.

Por exemplo, se o protagonista está se sentindo triste ou deprimido, a capa do livro se acende, criando a iluminação do ambiente para refletir o humor. Sente medo? O colete vai apertar ao redor do peito do leitor. Para empolgação, padrões de vibração que influenciam a frequência cardíaca fazem o coração bater mais rápido.

Com a tecnologia em seu estado atual, veremos mais livros vestíveis no futuro? É este o futuro da leitura do livro?

Assista ao vídeo abaixo para saber mais:

via Taxi

As novas funções dos bibliotecários na era digital

Não dá pra concordar com tudo do infográfico porque a realidade é americana, mas a parte sobre as novas funções dos bibliotecários chama atenção. Embora sejam apenas novas nomenclaturas para velhos cargos, traduzem bem o modo como o trabalho vem sendo desenvolvido nos últimos anos, pelo menos nas bibliotecas universitárias brasileiras. Ainda não é uma realidade local plena, mas certamente é tendência. E serve como boa atualização na resposta para a clássica pergunta, “afinal, o que faz um bibliotecário?”

O infográfico original é do curso de biblioteconomia da Universidade de Sul da California. Aqui está a versão ampliada traduzida ao português.

Aplicativo android de realidade aumentada para estantes

Se você já trabalhou em uma biblioteca sabe como é problemática a reposição de livros nas estantes. É quase regra geral solicitar que os usuários NÃO reponham os livros de volta às estantes, pois uma vez mal localizados, dificilmente serão reencontrados.

O grupo de pesquisa em realidade aumentada da Universidade de Miami, liderada pelo professor Bo Brinkman, desenvolveu um aplicativo para Android que ajuda os bibliotecários a resolver esse tipo de problema. Usando a câmera de um aparelho com Android (no caso do vídeo ele tá usando um Sansung Galaxy), o aplicativo “lê” uma estante, e com uma sobreposição de RA, rapidamente indica aqueles livros que estão fora de lugar. Ele também irá apontar para o local correto na estante, para que o livro possa ser facilmente relocalizado corretamente.

O aplicativo também pode ajudar a realizar os inventários, gerando um relatório do que uma biblioteca realmente possui em suas prateleiras.

Existem alguns inconvenientes. Livros finos, tais como aqueles encontrados nas seções infantis, são difíceis de marcar. Além disso, o protótipo utiliza apenas 16 bits nas etiquetas, mas Brinkman diz que o grupo está trabalhando em uma versão que lhes permita colocar em torno de 72 bits nas etiquetas, permitindo que o sistema tenha escalabilidade para trabalhar com acervos de grande porte (ver comentários no youtube).

O aplicativo foi desenvolvido pela assistente de pesquisa de graduação Matt Hodges, e será apresentado no próximo mês na conferência Association of College and Research Libraries.

via ReadWriteWeb

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Não é a primeira que eu vejo um protótipo como esse. Mas um app do android é uma solução mais simples e barata.

Realidade aumentada na biblioteca por morenobarros no Videolog.tv.

Rumo a um Historiográfico das àreas de Informação – Os 927 primeiros nós

Navegue pelo: GEXFExplorer ou Seadragon Export

Este é um resultado inicial da representação das relações entre citações na área. O objetivo será a criação de primeiramente uma metodologia de representação bibliográfica usando redes e em segundo momento um grande historiográfico das áreas de Informação (Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação).

Eu particularmente acredito que esta forma de representação traz diversos benefícios para a representação de dados bibliográficos de uma determinada área e para pesquisas em geral. Estamos (inicialmente eu e o Luiz) tentando escrever um artigo descrevendo as possibilidades desta ferramenta.

Este modelo traz algumas inovações em relação a tradicional forma de representação:

  • Representação visual de todo ou parte do conjunto representado
  • A representação da dimensão tempo como variável
  • Possibilidade de uso de filtros e clusterização

Já dá para perceber algumas potencialidades de aplicação:

  • Bibliometria: É a aplicação mais óbvia do modelo. A partir das relações entre as bibliografias, dá para criar cálculos bibliométricos de citação
  • Pagerank: Uma aplicação do valor de uma obra baseada em um algoritimo utilizando as relações entre elas. É uma ruptura com o atual modelo dos catálogos de “recuperação da informação” que pregava a neutralidade (os valores eram precisão e revocação).
  • Auto-organização: Possibilita uma nova forma de organização da informação. O Fernando Pires bem observou em seu TCC que nossas classificações são “agrárias” e estáticas. Cada novo nó na rede altera a sua configuração e consequentemente sua organização. E ainda, em grandes redes, é possível a criação de clusters de obras afins, que se considerarmos o principio de que a classificação “junta pela semelhança e separa pela diferença”, cada cluster é uma nova classe dinâmica. O interessante, é que com o passar do tempo, uma obra pode passar de um cluster para outro.
  • Historiográficos como definidos por Eugene Garfield: Os historiográficos foram criados por Eugene Garfield na década de 60 e são uma ferramenta muito útil para a história da ciência, pois possibilitam mapear as influências das idéias em uma determinada área.
  • Estudo da influência de uma obra ou de um autor específico baseado em na rede de obras que os citam

E outras possibilidades a explorar…

Software utilizado: Gephi

Download:

Estou compartilhando com vocês o arquivo historiográfico.gexf ( cliquem com o segundo botão e escolham salvar como ) que vocês podem importar no Gephi e testar a ferramenta. A idéia é a mesma do Creative commons, use, mas caso forem apresentar algo, citem a fonte 😉

Agentes de leitura

A Prefeitura de São Bernardo do Campo e o Ministério da Cultura estabeleceram uma parceria para a formação de agentes de leitura.
O que são os agentes de leitura?

Agentes de Leitura Mais Cultura

Formação de agentes de leitura com ensino médio completo e idade entre 18 e 29 anos, para atuarem na democratização do acesso ao livro e formação leitora, por meio de visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literários abertos para as comunidades. Serão capacitados no ano de 2010, cerca de 5 mil jovens agentes, para o atendimento a mais de 200 mil famílias, grande parte oriunda do Programa Bolsa Família.

Benefício

Cada agente de leitura receberá kit contendo livros, mochila, uniforme, meio de locomoção e bolsa mensal de R$ 350. Os agentes de leitura estarão integrados às bibliotecas públicas municipais e escolares, bem como aos Pontos de Leitura e ao projeto Arca das Letras do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Para saber mais sobre o programa em São Bernardo do Campo, clique aqui.

Computação em nuvem e os softwares de gerenciamento de Bibliotecas

Ontem ao acompanhar um seminário de cloud computing: “A Internet como plataforma” oferecido pela IBM percebi que existe espaço para um modelo novo de gerenciamento de softwares de Biblioteca usando cloud computing de uma forma que o software seria comercializado como serviço.

As perguntas que vem a cabeça: qual a diferença para o modelo antigo e o que é cloud computing?

Eu confesso que não consigo explicar toda a complexidade de cloud computing, mas esses links podem ajudar: Cloud Computing , Computação em nuvem.

O que muda em relação aos softwares é a forma com que nos relacionamos com ele. Atualmente, compramos o software de biblioteca através de uma licença de uso, que pode ou não ter uma periodicidade. Ou o uso de softwares livres ou gratuitos (existem muitas diferenças entre esses dois modelos). Porém para todos, é necessário que a biblioteca monte e mantenha uma infraestrutura para que seja instalado o software. Então, nas grandes instituições, ficamos refens da disponibilidade da TI e nas pequenas instituições está refens de softwares de pouca qualidade que rodem nos computadores limitados delas.

Software de Biblioteca na Nuvem: Escalabilidade e confiança

Por software de Biblioteca na nuvem entende-se este software como um serviço a ser prestado para as bibliotecas. Na núvem, se mantem toda a infraestrutura necessária do sofware e a Biblioteca então se torna usuária de um serviço web, em que pode gerenciar o catálogo por meio de um navegador web. O modelo de negócio aqui é o que deve ser discutido. Vejo como possibilidade de uma empresa vender acesso ao serviço já configurado, como uma assinatura, por exemplo. A Biblioteca economizaria muito em infra estrutura e pagamento de funcionários e teria como garantia um backup semanal ou diário, garantindo que não perderia nada caso não queira mais continuar neste serviço. O modelo só funcionaria em escala, isto é, quanto mais bibliotecas, menores serão os valores cobrados e permite a cobrança por uso, isto é, paga mais quem usa mais, tornando um modo justo de cobrança.

Eu acho que temos condições de montar uma empresa para oferecer esse serviço. O que vocês acham? Vi que já tem colegas interessados, vamos estudar essa possibilidade?