Estou apaixonado pelo Toppi

Arte é algo que penso ser um entendimento muito pessoal de um produto que procura te tocar os sentidos, seja para o deleite ou mesmo para o asco, mas só se torna, só é, quando te toca de alguma maneira.

Sou um apreciador, um entusiasta da arte, não importa em que pacote me entreguem. Música? tô dentro! Pintura? é nóis! Escultura? manda um Strazza aí e tamo conversados. Teatro? enfim, cês já entenderam. Mas como disse, sou um entusiasta, não consigo produzir nada. Sou aquele crítico frustrado que só restou sorrir com as belezuras.

E dia desses me deparei com uma belezura dessas. Aliás, chamar esta obra de belezura chega a ser uma afronta, um disparate! Peço perdão. Pois bem, esbarrei com uma obra do Sergio Toppi, a magnífica “Sharaz-De: conto de as mil e uma noites”, que acabou de ser publicada aqui no Brasil pela editora Figura. Esta é a primeira publicação da editora, sua estreia. A Figura é uma editora que, como ela mesmo diz, irá se dedicar fundamentalmente à imagem (fotos, quadrinhos, ilustrações e pinturas).

E olha, parabéns pra editora. Chegaram com os dois pés juntos bem no meio dos peito.

Mas vamos falar sobre a obra, né?

Sharaz-De foi publicada por Toppi (estou íntimo) a partir de 1979. É uma novela gráfica que abarca vários contos dentro da narrativa de um rei cheio de cólera devido a traição de sua esposa. Após o chifre, ele decide que vai dormir com uma mulher diferente todas as noites e esta deverá ser morta ao amanhecer. Gente boa, não? Nessas que surge Sharaz-De, que deveria ser um das mulheres que só se deitariam por uma noite com o rei e seria assassinada ao raiar do dia. E ela que de boba não tem nada, entretém o rei com seus contos e vai adiando sua morte na curiosidade que ele tem em ouvir novas e singulares histórias. Ela é boa de papo, vá por mim.

Toppi não economiza genialidade. Cada página é uma obra de arte cheia de textura e profundidade, com personagens que ganham corpo logo ao serem apresentados. O uso do espaço negativo (quando o ilustrador compõem o desenho sem tracejar no espaço), o cuidado documental com suas indumentárias e o surrealismo que, neste caso, nos aproxima mais ainda da narrativa em vez de nos distanciar dela, só mostra que você está diante de uma das obras mais belas já criadas dentro dos quadrinhos (e fora dele). É pra chorar de tanta emoção quando você folheia cada página.

Demorei muitas horas para terminar de ler, não cabia só a leitura, ficava vidrado em cada ilustração, em cada toque genial que Toppi deu para esmiuçar o universo que era apresentado e ir além de ser só o palpável aos olhos. O quadrinho é quase todo em preto e branco, só na meioca ele tem um conto todo colorido. E cara…assim…véi! Quando ele usa as cores, ele esculacha geral. Dá vontade de trazer o cara dos mortos só pra agradecer. Sim, esqueci, ele morreu em 2012. So sad =(. Sorte nossa que antes de morrer ele criou essa obra pra gente babar.

Walt Simonson – criou o desenho clássico do Thor – quando se deparou com uma obra do Toppi  disse “acabei de achar a coisa mais bonita já desenhada pelo homem”. Tem noção? Então, é nesse nível.

No meu caso, digo o mesmo. Foi a minha melhor compra do ano e recomendo a quem gosta de arte e quadrinhos.

Sendo assim, resolvi escrever sobre essa lindeza, pois sei que muitos bibliotecários buscam preencher a sessão de quadrinhos em suas bibliotecas somente com as editoras maiores e que acabam chegando até eles por ter uma maior divulgação. Existem diversas publicações pipocando por aqui que fogem do convencional. Por isso, amiguinhos, corre atrás disso, coloca em destaque na biblioteca, mostra isso pro mundo e chora junto comigo.

Xero no cangote!

Chora

sdr

Chora mais

dav

Me abraça

dav

Eu sei, eu sei

dav

O espaço negativo que falei

dav

Lindo, não?

dav

Não é jaba.
A Figura está com uma promoção de 20% na obra. =)

COMPRE AQUI: https://pag.ae/bhfJnKv

SHARAZ-DE: CONTOS DE AS MIL E UMA NOITES (vol. 1)

Autor: Sergio Toppi

(Capa dura/ formato 21 x 29,7cm/ 160 pgs./ Tradução de Maria Clara Carneiro)

O futuro da biblioteconomia – o livro

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O perigo de escrever um artigo sobre os impactos da inteligência artificial em bibliotecas é que ele pode ao mesmo tempo celebrar o avanço da robotização em nossa atividade profissional e justificar a eventual extinção do bibliotecário. Seria uma contradição acreditar que a IA é uma ameaça para a força de trabalho em geral, mas individualmente nós permanecermos confiantes de que somos insubstituíveis. Então aqui vou eu.

Nas discussões sobre o futuro da biblioteca e da biblioteconomia (que se tornaram livro, falarei sobre ele mais adiante) meu argumento era que a inteligência artificial torna o bibliotecário descartável, e nesse sentido o movimento de IA e robotização poderia representar uma necessidade de mudança de foco na biblioteconomia.

Em termos gerais, a essência do trabalho do bibliotecário (organização de registros do conhecimento para fins de recuperação, que é o que nos difere de outros profissionais) continua sendo importante, mas a maneira como esse processo é realizado está mudando (eu explico essa mudança no meu capítulo do livro). A oportunidade seria que as bibliotecas podem capitalizar sobre o valor da IA para agilizar alguns processos, liberando recursos, que são limitadíssimos, para se concentrar em enriquecer a experiência dos usuários (em suma, digitalizar tudo o que possui sob sua salvaguarda e deixar que profissionais de outras áreas cuidem do resto).

O discurso do humanismo bibliotecário é que, inerente ao nome da IA, a inteligência é artificial. E a grande missão dos bibliotecários é a conexão humana: as bibliotecas podem conectar pessoas à informação e a outras pessoas. Mesmo com os robôs super sofisticados, ainda haverá muitas coisas que só os humanos conseguem oferecer, como a criatividade, a inovação, exploração, arte, ciência, entretenimento e cuidar de outras pessoas.

Certamente eu tenho um pé atrás com esse discurso, que deseja justificar a permanência dos bibliotecários em um mundo robotizado acreditando que estamos completamente de fora das forças capitalistas que promovem as mudanças reais. Além disso, o ponto mais importante a meu ver, é que defender o retardo da mudança tecnológica para preservar postos de trabalho é em certa medida o mesmo que defender uma punição sobre os usuários e a melhoria da experiência de uso de bibliotecas. Porque como consumidores e usuários, nós quase nunca resistimos à mudança de tecnologia que nos fornece melhores produtos e serviços, mesmo quando isso custa empregos.

Se a nossa área ainda não foi afetada seriamente pela robotização, é porque nós custamos pouco, somos baratos. Embora a sofisticação técnica indique o que pode ser automatizado, no entanto, é o quanto os robôs custam em comparação com o trabalho humano que impulsiona quando eles vão ser adotados. A principal razão para utilizar robôs em vez de pessoas é quando o robô pode tornar o custo da atividade menos caro de ser realizada. Mas o inverso também é verdadeiro. Quando as pessoas podem fazer algo que custa mais barato do que os robôs podem fazer, então não faz sentido econômico usar robôs. Esta é a teoria econômica básica aplicada ao trabalho.

Ou seja, podemos acreditar o quanto quisermos no papel humanista da profissão. Mas não podemos depois reclamar que fomos pegos de surpresa pelos robôs.

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O Murakami resgatou ontem o incrível texto da Lydia Sambaquy, escrito em 1972, sobre a biblioteca do futuro. “Como ela descreve como acha que seria a Biblioteca no ano 2000, seria lindo escrever uma resposta para ela, para falar no que nos tornamos.”

Não pretendo escrever a resposta, especialmente porque não há que o responder, ela acertou rigorosamente tudo. Só destaco alguns pontos:
– a preocupação naquela época com a organização da explosão bibliográfica (ou qualquer outro adjetivo catastófrico). Ninguém mais sofre com isso hoje (not information overload, filter failure);
– o medo da destruição universal dos livros (facilmente resolvido com a digitalização e impressão 3D, mas que cria outros problemas como os monopólios de informação com fins lucrativos);
– compreensão enciclopédica sobre os avanços de outras áreas (pra mim, a melhor definição da missão da biblioteconomia especializada: um conjunto de técnicas aplicadas ao implemento de outras áreas);
– a missão da biblioteca maior (pública, nacional) flutua entre o guardião (limitada) e o divulgador (nobre).

A maior assertiva é “A grande e significativa diferença que prevejo, nas bibliotecas do ano 2000, será encontrada na parte relativa ao controle dos assuntos de que trata a documentação reunida.”

Mas a meu ver, o ponto crucial é que ela diz que “Crescendo o registro dos conhecimentos científicos, tecnológicos, artísticos, literários, cresce, consequentemente a dificuldade e a importância da Biblioteconomia e Documentação como profissão”, que eu concordo ipsis litteris, exceto que a transição de um modelo de organização centrado em registros físicos para um modelo baseado em registros digitais, junto da consolidação do Google, nos levou a acreditar que o problema da recuperação estava finalmente resolvido. Obviamente este problema não está resolvido, mas a ideia de um pequeno grupo de autoridades em representações descritivas e temáticas competindo com um algoritmo incrementável é desoladora.

E exatamente este ponto que eu tento destrinchar no meu capítulo do livro: considerando que já contamos com uma base de organização e classificação estabelecida ao longo de anos, em grande parte graças aos próprios bibliotecários, e do constante acúmulo de dados nascidos digitais ou convertidos em digitais, robôs já fazem o trabalho de recuperação e contextualização de modo semelhante e farão melhor do que nós no futuro.

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O LIVRO

Há muito tempo eu tinha o sonho de ter um livro impresso publicado pelo Briquet mas nunca me esforcei para criar algo que estivesse a altura do seu catálogo (quem sabe um dia eu retome a crítica sobre a trilogia do Nitecki). Mas o tempo foi duro com os pequenos editores e o próprio Briquet já havia deixado claro que não pretendia mais publicar livros impressos, apenas e-books. Como os livros digitais são mais fáceis de distribuir eu tomei a liberdade de propor ao Briquet a publicação de alguns textos que haviam circulado por aqui sobre o futuro da biblioteconomia, a partir de uma provocação do Gustavo Henn.

O Briquet topou, e de comum acordo com os autores dos textos, liberamos o valor de capa para ser repartido entre a editora e a ABRAINFO. É um projeto interessante para todos os autores, porque oferecemos mais um material de consulta para as pessoas da área, consolidando textos que ficariam dispersos; a oportunidade de um grupo de pessoas que não escreveria em caráter de monografia ter seu texto publicado por uma editora de renome; a oportunidade de um grupo de pessoas que representa a transição do impresso pro digital trabalhar em cima de uma plataforma exclusivamente digital; a oportunidade de deixar registrado o discurso que marca a época atual e fazer o exercício de futurologia. Pro Briquet, acredito que a vantagem é expandir o catálogo, que também é uma coisa que eu sei que ele ressente, quando comparamos por exemplo a capacidade de produção intelectual de profissionais de outros países. Os bibliotecários brasileiros simplesmente não escrevem livros, tanto quando poderiam, ou preferem publicar apenas os textos acadêmicos que acabam por refletir e repercutir pouco a área, em sua maioria.

Eu ainda gostaria de propor algumas sugestões ao Briquet quanto à distribuição do livro, ou para os seus livros futuros. No nosso caso, não faria sentido ter um livro versando sobre o futuro que não estivesse na vanguarda das modalidades de publicação. Algumas pessoas reclamaram que o livro só é distribuído em pdf, mas eu vou pedir que tenham paciência e tenho certeza que em breve teremos mais opções de comercialização e distribuição de materiais da nossa área.

O livro está sendo vendido por módicos R$10, o preço de menos de duas cervejas. Lembrando que a grana é revertida em parte para o Briquet (ele tem todo o trabalho de revisar, diagramar, site, etc, suas funções como editor e continuar expandindo seu catálogo) e parte para a ABRAINFO (para que possa tocar suas atividades sem fins lucrativos e promover mais deste tipo de iniciativa).

São 6 capítulos divididos em duas grandes seções: utopias e distopias. O prefácio é assinado pelo grande Briquet de Lemos.

Tem o capítulo “O futuro é agora. Peraí… Chegou”, escrito pelo Gustavo Henn, onde ele lança os questionamentos que desencadearam na proposta do livro: O que nos diferencia de uma máquina? O que diferencia o bibliotecário de uma máquina? Ou melhor, o que faz um bibliotecário que uma máquina não pode fazer melhor? Gustavo indica três linhas de atuaçãos em que as máquinas já fazem melhor que os bibliotecários, então ele reflete sobre as atividades que ainda podem nos manter relevantes.

No capítulo 2, “O futuro da biblioteconomia é hoje” escrito pela Dora Steimer, ela traça uma distinção interessante entre o know how e o mindset dos bibliotecários, sobre como nós possuímos a mentalidade necessária para conversar de igual para igual com profissionais de tecnologia, oferecendo elementos que geralmente não são o foco de quem é de tecnologia da informação. Ela põe em xeque o que acontece hoje nas escolas de biblioteconomia, onde o aluno realiza um duplo esforço: aprender apenas a teoria na graduação, aprender sobre tecnologia apenas no mercado e literalmente se virar para fazer a ponte entre estes dois mundos.

Eu assino o capítulo 3, “Biblioteconomia em tempos de robotização”, já adiantei do que se trata acima.

Fabiano Caruso escreveu o capítulo 4, “Qual é a finalidade do trabalho bibliotecário?”, e discute a possibilidade de atualizar o sentido da formação profissional em biblioteconomia para o cenário digital e econômico emergente, em que o objetivo da atuação não tem relação com a disseminação da informação (meios), mas em prover uma experiência intelectual positiva (fins). Nesse sentido existem pelo menos três linhas de atuação profissional possíveis para o futuro: curadoria digital, colaboração e capacitação.

Na parte de distopias, tem o meu texto “O papel da biblioteca em face do apocalipse zumbi”, o título é auto-explicativo.

E pra fechar o texto sensacional da Marina Macambyra, “O apocalipse zumbitecário”. Em uma determinada noite de inverno em São Paulo, Marina sonhou com o futuro distante, e os bibliotecários há muito tido como extintos começaram a voltar. Os zumbitecários — como logo começaram ser chamados — nada faziam de errado ou realmente perigoso. Não atacavam, não mordiam, não tentavam devorar cérebros, apenas gritavam o quanto eram importantes e não reconhecidos, lembravam a todos da importância da padronização.

Espero que gostem. O livro está disponível na editora Briquet de Lemos.

Encontro marcado com alguns livros

Depois de tirar da fila de leitura alguns livros, consegui visitar a Biblioteca Pública mais próxima (a Mário de Andrade lá no centro de São Paulo) e a livraria preferida (a Livraria Cultura do Conjunto Nacional na avenida Paulista) e voltar a ampliar a lista de livros para ler.

E tendo como pano de fundo essas visitas, gostaria de deixar as impressões sobre alguns livros. Não se tratam de resenhas, pois não li todos, mas acredito que possa ser uma forma de dar uma visão parcial aos colegas de profissão e leitores de algumas publicações disponíveis nas livrarias e boas bibliotecas (chamo de boas aqui aquelas que obtêm o beneplácito, segundo os governantes, de adquirir livros com recursos próprios).

Primeiro, fui até  a Biblioteca Mário de Andrade e renovei a reserva do livro “Sinfonia em branco” da Adriana Lisboa (mas só falarei dele em uma próxima postagem sobre autoras mulheres em comemoração ao Dia Internacional da Mulher) e aproveitei para pegar o “Quiça” da jovem Luisa Geisler. Fiquei vidrado em pegar uma outra autora nova, a Laura Erber e algum outro livro do Joca Reners Terron ou um clássico, mas só posso pegar dois livros por vez (Mário, aumenta ao menos para 3 vai!).

O fato engraçado foi que acabei atendendo involuntariamente um pesquisador em busca de obras sobre erotismo e prostituição em São Paulo. Não foi difícil falar de obras como “Pornopopéia” do Reinaldo Moraes, “Zero” do Loyola Brandão, “Eles eram muitos cavalos” do Luiz Ruffato ou mesmo do velho João Antônio e seu “Malagueta, Perus e Bacanaço”, além dos livros sobre prostituição em São Paulo ali disponíveis.

No dia seguinte, mais uma sessão de encontros e lá estava eu carregando uns 10 livros em busca de um lugar confortável para ler na Livraria Cultura. Depois de selecionar os livros que era possível carregar fui me abrigar no salão de música da Livraria, e ali, ao som de música clássica comecei a leitura de trechos, introduções e orelhas dos livros que vou apresentar.

São os seguintes:

De gados e homens – Ana Paula Maia
Pequena novela de não mais que 130 páginas que narra o dia-a-dia de trabalhadores em um matadouro de gado em algum lugar do país. Simplesmente poderoso e leitura só para os fortes! Li em algumas horas, mas falarei dele na postagem citada há pouco.

 

É isto um homem? Primo Levi
Trata-se de um clássico da literatura mundial. Nele o italiano Primo Levi, um dos três sobreviventes do campo de concentração de Auschwitz, narra sua experiência de forma belíssima nessa reedição brasileira. Copio um trecho da poesia de abertura da obra:

É isto um homem?

Vocês que vivem seguros

em suas cálidas casas, vocês que, voltando à noite,

encontram comida quente e rostos amigos,

pensem bem se isto é um homem

que trabalha no meio do barro,

que não conhece paz,

que luta por um pedaço de pão,

que morre por um sim ou por um não.

Pensem bem se isto é uma mulher,

sem cabelos e sem nome, sem mais força para lembrar,

vazio os olhos, frio o ventre,

como um sapo no inverno.

 

Você vai voltar para mim e outros contos – Bernardo Kucinski
Um livro de amor? Não. Inspirado em depoimento da Comissão da Verdade Paulista, a obra retrata 28 histórias que têm a ditadura militar como pano de fundo.  O autor, que é jornalista e cientista político, publicou outro romance que vale a pena ler chamado “K”. E em ambos os livros histórias ternas e chocantes para não nos esquecermos do quão triste e revoltante é qualquer regime de exceção!

 

Fim – Fernanda Torres
Apesar de não confiar muito nas críticas dos grandes jornais e nas indicações do onipresente Jô Soares, a atriz realmente escreveu uma obra contundente. Cheia de sexo e ambientada no Rio de Janeiro, a obra me agradou. Só não me agradou o agradecimento à Rede Globo, mas não vou perseguir ninguém aqui….

 

Pulp Head: o outro lado da América – John Jeremiah Sullivan
Fazia um bom tempo que não tinha coragem de pegar um livro de ensaios, mas depois de ler em alguns blogs sobre este não via a hora de pegá-lo. Foi paixão imediata e olha que li apenas o hilário capítulo onde o Sullivan destaca como foi sua cobertura no maior evento de música gospel dos Estados Unidos. Uma beleza! Uma visão sem preconceitos apesar da extrema discordância dele em relação ao que aconteceu no tal Festival. E ainda citou aquelas bandas que eu tanto ouvia nos anos 1990 (Jars of Clay e Petra estão lá) e umas novas dos anos 2000 que não curto nada… Os tempos mudam!

(Disponível na Biblioteca Mário de Andrade e Centro Cultural São Paulo)

 

31 songs – Nick Hornby
Trata-se de um livro delicioso para quem curtiu ou curte a cultura pop musical, feita pelo britânico especialista em listas (autor do memorável e clássico Alta Fidelidade). O momento especial foi verificar que, assim como eu, ele considera a canção Rain dos Beatles como uma das melhores dos caras de Liverpool!
Não posso me esquecer da Aimee Mann, aquela linda criatura que praticamente deu origem ao roteiro do filme Magnólia (sim, velharia de 1999, assista e ouça esse trecho!). Uma pena não ter sido traduzido para o português ainda (ou nunca).

O frio aqui fora – Flávio Cafiero
Um executivo deixa uma corporação para se tornar escritor. Essa é a história do autor. Confuso? Pois é, nesse livro realidade e ficção se misturam (no que chamam de autoficção e onde o Ricardo Lísias autor de “O céu dos suicidas” e “Divórcio” é mestre) nesse livro lançado no ano passado e cujo conteúdo é bem interessante para reconhecer e ver com outros olhos esse mundo hoje tão distante deste funcionário público….

 

A contadora de filmes – Hernán Rivera Letelier
Este livrinho do chileno que também é roteirista é surpreendentemente gostoso e de cara me fez lembrar do filme “Cinema Paradiso” do Giuseppe Tornatore. Tenho certeza que em breve vira um filme, por isso, fica a dica, leia antes!

(Disponível em quase todo as bibliotecas públicas de São Paulo, menos nas duas centrais: Mário e Lobato. Vai entender!)

 

Por enquanto, são esses os achados! Estou com três deles em casa (A contadora de filmes, De gados e homens e É isto um homem) e posso compartilhar o uso, principalmente entre os paulistanos….

Pô, espero que não esteja desvirtuando o blog! hahaha

Rumo a um Historiográfico das àreas de Informação – Os 927 primeiros nós

Navegue pelo: GEXFExplorer ou Seadragon Export

Este é um resultado inicial da representação das relações entre citações na área. O objetivo será a criação de primeiramente uma metodologia de representação bibliográfica usando redes e em segundo momento um grande historiográfico das áreas de Informação (Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação).

Eu particularmente acredito que esta forma de representação traz diversos benefícios para a representação de dados bibliográficos de uma determinada área e para pesquisas em geral. Estamos (inicialmente eu e o Luiz) tentando escrever um artigo descrevendo as possibilidades desta ferramenta.

Este modelo traz algumas inovações em relação a tradicional forma de representação:

  • Representação visual de todo ou parte do conjunto representado
  • A representação da dimensão tempo como variável
  • Possibilidade de uso de filtros e clusterização

Já dá para perceber algumas potencialidades de aplicação:

  • Bibliometria: É a aplicação mais óbvia do modelo. A partir das relações entre as bibliografias, dá para criar cálculos bibliométricos de citação
  • Pagerank: Uma aplicação do valor de uma obra baseada em um algoritimo utilizando as relações entre elas. É uma ruptura com o atual modelo dos catálogos de “recuperação da informação” que pregava a neutralidade (os valores eram precisão e revocação).
  • Auto-organização: Possibilita uma nova forma de organização da informação. O Fernando Pires bem observou em seu TCC que nossas classificações são “agrárias” e estáticas. Cada novo nó na rede altera a sua configuração e consequentemente sua organização. E ainda, em grandes redes, é possível a criação de clusters de obras afins, que se considerarmos o principio de que a classificação “junta pela semelhança e separa pela diferença”, cada cluster é uma nova classe dinâmica. O interessante, é que com o passar do tempo, uma obra pode passar de um cluster para outro.
  • Historiográficos como definidos por Eugene Garfield: Os historiográficos foram criados por Eugene Garfield na década de 60 e são uma ferramenta muito útil para a história da ciência, pois possibilitam mapear as influências das idéias em uma determinada área.
  • Estudo da influência de uma obra ou de um autor específico baseado em na rede de obras que os citam

E outras possibilidades a explorar…

Software utilizado: Gephi

Download:

Estou compartilhando com vocês o arquivo historiográfico.gexf ( cliquem com o segundo botão e escolham salvar como ) que vocês podem importar no Gephi e testar a ferramenta. A idéia é a mesma do Creative commons, use, mas caso forem apresentar algo, citem a fonte 😉

Um livro em braille sem páginas perfuradas

Capa do livro acessível "Adélia cozinheira"A designer gráfica brasileira Wanda Gomes criou novo método de impressão com imagens e até cheiro Acaba de ser enviado a escolas, bibliotecas e instituições educacionais, um livro em braille diferente. Adélia cozinheira, que lança a Coleção Adélia, é o primeiro título 100% inclusivo. Isso porque permite a leitura simultânea de crianças com e sem deficiência visual, já que o livro não tem suas páginas perfuradas pelo método tradicional. O trabalho é o resultado da união entre as pesquisas da designer gráfica Wanda Gomes, da concepção literária da escritora Lia Zatz e das ilustrações da artista plástica Luise Weiss. Utilizando o mesmo sistema do braille (com as letras resultando da combinação entre seis pontos), o novo processo diferencia-se por não furar o papel, permitindo a edição de grandes tiragens e em conjunto com a impressão offset, o que garante ao material maior durabilidade e a possibilidade de unir o braille a cores e texturas.

Veja notícia completa na PublishNews.

Biblioteca Parque de Manguinhos

Medellín, na Colômbia, era uma cidade marcada pelo narcotráfico e pela violência. Mas a partir de 2006, com a inauguração de Bibliotecas Parque – uma biblioteca com um parque para que os leitores possam usufruir da leitura ao ar livre – a cidade elevou o seu nível educacional, fator que contribuiu para a diminuição do índice de violência.

Inspirando-se nesse projeto, foi implantada em Manguinhos, no Rio de Janeiro, a primeira Biblioteca Parque brasileira, em um espaço de 3,3 mil m², que sediava o antigo Depósito de Suprimento do Exército (1º DSUP). Essa área foi totalmente urbanizada, e se transformou no local de maior concentração de equipamentos sociais em uma comunidade carente da cidade, um complexo com ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, acervo digital de música, cineteatro, cafeteria, acesso gratuito à Internet e uma sala denominada Meu Bairro, para que os usuários façam reuniões da comunidade.

Em entrevista ao blog Acesso, a secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e coordenadora do Programa Mais Cultura, Silvana Meirelles, explica melhor o projeto.

biblioteca parque de manguinhos

A Biblioteca Parque de Manguinhos será equipada com 40 computadores para internet livre, livros eletrônicos da Gato Sabido, 3 milhões de música em arquivo digital (do Imusica), 700 filmes em dvd, uma vasta coleção de quadrinhos e, sem esquecer dos livros, claro – são 25 mil títulos, pra começar.

O visual ganha ares modernos com o grafite digital da Superuber. Ou seja, vale a pena conhecer e apresenta um conceito que a gente já sabe, mas que pouca gente lembra: o de que bibliotecas são também espaços culturais. E o de que a leitura não precisa, necessariamente, ser em papel.

Todos os 28 funcionários da biblioteca são moradores da região e contratados pela Secretaria estadual de Cultura. Eles foram treinados para atender à todas as pessoas que visitarem o local.

via Literatura Infantil e Juvenil e @liaamancio

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O projeto piloto colombiano humilha a humanidade. As fotos da Biblioteca Parque Espanã falam por si. Se a Biblioteca Parque de Manguinhas chegar perto do projeto colombiano, estamos bem.

Assim que aparecem as fotos e infos, eu atualizo aqui.

via plataforma arquitectura

Rabo de Palha, livro infantil

Gustavo Henn, um dos poucos bibliotecários que publicam livros, está lançando o livro Rabo de Palha. Contrariando a sua pão-durisse pernambucana, vai ter comes e bebes e tudo mais no dia 10 de outubro de 2009, no estande da Bagaço na Bienal do Livro de Pernambuco no Centro de Convenções em Olinda – Pernambuco.

Rabo de Palha é uma fábula e conta a aventura de um ratinho em busca de um pedaço de queijo – com direito a um gato astuto e um grilo sábio. É o primeiro livro infantil de Gustavo e foi baseado em uma das milhares de historinhas que ele já inventou para os filhos.

Quem quiser saber mais, fala com o cara.