O menino que tinha medo de tarefa

Publiquei esta semana o meu segundo livro infantil: O menino que tinha medo de tarefa (ilustrações de Paulo Ricardo). 

O livro nasceu numa situação real de conflito. Como ajudar seu filho de 4 anos a fazer uma tarefa escolar? Meu filho estava chorando sem querer fazer aquilo e eu o entendi rapidamente. Afinal, quem gosta de ter que parar de brincar para fazer uma tarefa, mesmo que seja apenas para colorir ou traçar pontos?

Perguntei se ele estava com medo da tarefa e contei como ele não tinha medo de vampiro nem de lobisomem, então poderia vencer uma tarefa também.  Contei a história várias vezes, claro, e melhorei ao ponto de publicar em livro.

Publiquei apenas na Amazon pois queria uma oportunidade para conhecer melhor o mercado de ebooks. A Amazon oferece 70% do preço de capa para livros exclusivos, e 30% para os que não são. Optei pela exclusividade para não ter tanto trabalho em colocar em outras plataformas e acabar perdendo o controle. E também acho o kindle bem fácil de usar e instalar. Ainda está muito no início para tirar alguma conclusão, mas espero escrever mais sobre publicar na Amazon depois.

O livro é para ser contado por mães, pais e professoras para as crianças a qualquer momento, não apenas na hora da temível tarefa. É uma história que pode ser contada de várias formas e quem gosta de fazer caras, bocas e vozes tem um prato cheio. Mas também pode ser lida pela criança. Meus filhos, que hoje estão com 9 e 7, leram e gostaram da leitura. As ilustrações ajudam muito a compreender a história, por isso creio que crianças em fase de alfabetização também vão curtir passar as páginas do tablet/smartphone.

Gostei muito do resultado final. Espero que o livro possa cumprir sua função artística literária de ajudar a humanidade a melhorar. Se ajudar os adultos a lerem para suas crianças já terá cumprido esse papel.

Sinopse

  

O menino que tinha medo de tarefa é uma fábula sobre coragem, superação e perspicácia. O menino não temia nenhum monstro, porém morria de medo de uma simples tarefa. Quando os monstros descobrem isso, começa uma verdadeira batalha no quarto do menino. Ele então terá a oportunidade de mostrar sua força diante do seu maior medo.

É uma leitura para se divertir em família. Indicada para todas as idades, especialmente os primeiros anos escolares em que as tarefas se apresentam como uma obrigação na vida das crianças que, por serem crianças, querem apenas descobrir o mundo com sua curiosidade.

Resenha: O nome da Rosa

Terminei esses tempos um livro que há muito estava nas minhas prioridades: O nome da Rosa. Que obra para os bibliotecários, não é mesmo?

Em uma só história temos assassinatos, suspense, intrigas, livros, uma biblioteca proibida e um bibliotecário que cuida dos podes e não podes.

Esse livro me fez pensar um pouco sobre nossa profissão na atualidade. Hoje quase tudo pode, o usuário caminha livre, leva o que quer, escolhe sem restrições e na maioria das vezes sem sequer precisar da ajuda do bibliotecário, mas será que isso tem nos afastado?

Não acho, obviamente, que um acervo fechado e proibido aproxime o bibliotecário e o público, mas acho que é hora de refletirmos se essa relação pode ser mais próxima e melhor. Indicar é um trabalho importante e pode fazer com que aquela pessoa retorne à biblioteca, é um trabalho que não pode ser esquecido pelas facilidades e praticidades com que convivemos.

Deixo aqui a resenha que fiz sobre essa obra fantástica e indico com paixão para aqueles que ainda não leram!

13 perfis do Instagram para se seguir!

Eu amo Instagram. Acho que é a rede social mais bacana, principalmente se você for além dos perfis cheios de selfies e comidas! Há um tempo tenho evitado seguir esses perfis pessoais e preferido seguir contas sobre lugares, viagens, editoras e é claro, bibliotecas!

Depois de ver o post sobre a hashtag #marbledmonday feito pelo Moreno aqui para o BSF, eu comecei a ver o que mais os perfis que andavam postando essa hashtag traziam. O resultado é que me apaixonei e passei a seguir vários!

Achei sensacional essas bibliotecas fazerem esse trabalho de divulgação e ao mesmo tempo encher nosso feed de fotos lindas. É aquela modernização que tanto falamos, sabe?

Vou deixar aqui os perfis que estou seguindo e que são de fazer o coração de qualquer bibliotecário parar!

@guildhalllibrary: é uma biblioteca pública de Londres especializada na história da cidade.

@uispeccoll: instagram das coleções especiais e arquivos da Universidade de Iowa, comandado por uma bibliotecária.

@milwaukeepublib: biblioteca pública de Milwaukee

@sfpubliclibrary: biblioteca pública de San Francisco

@uib_ubbspes: departamento de coleções especiais da biblioteca da Universidade de Bergen

@fisherlibrary: insta da Thomas Fisher Rare Book Library, que está na Universidade de Toronto.

@unilib_treasures: coleções especiais e manuscritos da biblioteca da Universidade de Lund.

@americanantiquarian: biblioteca especializada em história, cultura e literatura americana.

Que não são bibliotecas, mas valem igualmente a pena:

@penguinclassics: editora Penguin, nessa conta eles postam apenas livros clássicos! Serve como inspiração de leitura.

@scifibookcovers: para quem curte o estilo, esse insta posta só capas de livros de ficção científica. Na mesma pegada das inspirações literárias.

@mapcenter: não são livros, são mapas, mas olha, que mapas!

@bookdecorbooks: um perfil pessoal cheio de fotos lindas!

@book_historia: mais um perfil pessoal, a dona estuda história dos livros e trabalha em um antiquario de livros!

Para quem não tem conta no Instagram , todos esses perfis são abertos, então é só acessar e suspirar!

Briquet de Lemos em sua felicidade clandestina

Que amante de livros não sonhou em ter sua própria livraria? Muitos com certeza, poucos, porém levaram a cabo projeto que no Brasil pode ser visto como um investimento arriscado. Essas linhas tratam sobre o que vi e um pouco do que ouvi do obstinado Bibliotecário Briquet de Lemos, que não apenas criou uma editora, como também sua própria livraria.

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As imagens aqui contidas datam de abril de 2015 e foram realizadas objetivando proporcionar uma visão do ambiente de trabalho criado por Briquet, que entre outras coisas, tem sido exemplo de empreendedorismo no âmbito de publicações voltadas para o segmento bibliotecário e áreas afins.

O objetivo desse texto é bem mais a apresentação do espaço, por isso oportunamente tomo emprestado à apresentação criada por Moreno Barros (para o Bibliocamp Rio 2015), que definiu em poucas palavras o homem Briquet de Lemos por trás de tantas atividades:

Antônio Agenor Briquet de Lemos tem umas das carreiras mais bonitas e completas da biblioteconomia brasileira. O homem certo, no lugar certo, já fez de tudo nessa vida: bibliotecário, professor, diretor, presidente, fundador, editor, livreiro, pai de rockeiro.

Sobre Briquet povoam muitas curiosidades tendo em vista sua larga experiência em tantos campos, contudo sigamos sobre a sua Livraria, que nasceu em paralelo com a editora, e conforme ele mesmo destaca “foi à editora que nasceu primeiro em 1993 e, somente no ano seguinte deu-se início a formação do estoque da livraria que foi crescendo aos poucos”.

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A livraria foi organizada em um espaço próprio. Ambiente físico que envolve duas lojas no Setor de Rádio e Televisão Sul, de Brasília. A Briquet de Lemos  Livraria de Arte tem o foco de atuação (como o próprio nome aponta) voltada para o segmento especializado.

Nas estantes, se destacam títulos que tratam sobre Fotografia, Dança, Música, Cinema, Literatura, Design e outros. O espaço reúne também (de forma muito restrita) parte da produção da editora que atua com temática especializada em Biblioteconomia, Arquivologia e Ciência da Informação.

A fachada da Livrara pode até ser considerada discreta. Um desavisado pode passar em frente e não perceber que se trata de uma livraria de arte, contudo os tons de  verde, branco e vermelho que emolduram a vidraça e os adesivos coloridos são os elementos chamativos que se integram a iluminação interna e juntos dão um toque de graça ao letreiro que identifica a Briquet de Lemos Livraria de Arte, na parte superior.

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Engana-se quem acredita que a livraria não dispõe de títulos efervescentes do mercado livreiro. Apesar de foco no segmento das artes, estavam em evidências quando lá estive alguns títulos populares, como por exemplo A menina que roubava livros do escritor australiano Markus Zusak, que já conquistou milhões de leitores em várias partes do mundo.

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Outro título que estava também em destaque era o livro Diário da Turma (1976-1986): História do Rock de Brasília, de Paulo Marchetti. É que Briquet tem um pé na história do cenário musical brasileiro por meio de seus filhos Flávio Lemos e Fê Lemos, da Banda Capital Inicial.

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O espaço físico da livraria não é grande, contudo foi muito bem aproveitado, seja no planejamento das estantes, expositores e objetos que compõe a decoração. Há um toque meio desordenado que particularmente gosto muito.

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O ambiente comercial da livraria é agradável, contudo o destaque arquitetônico fica por conta da adoção de um mezanino que trouxe muito charme ao ambiente. Espaço restrito, é no andar de cima que Briquet passa algumas de suas tardes, escrevendo, traduzindo, lendo, recebendo amigos.

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No mezanino também estão contidos parte do estoque da livraria. As estantes seguem o mesmo padrão do andar térreo e o espaço é bem iluminado. O guarda corpo em estrutura metálica oferece uma boa visão da movimentação no andar de baixo.  Sobre o mezanino, Briquet aproveitou para dizer que já ocorreu de algumas pessoas pediram para conhecer um pouco mais o espaço visando fazer um modelo semelhante.

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Ainda no mezanino, não pude deixar de observar o toque de intimidade e carinho contidos em um quadro de aviso em estrutura de madeira e cortiça. I love vovô, em desenho de coração, bem como a capa do livro Levadas e Quebradas de seu filho Fê Lemos, o baterista do Capital Inicial, publicação que conta as aventuras e suas andanças pelos Brasis de 2006 a 2011. A Briquet de Lemos é muito família!

Passei pouco mais de uma hora conversando com Briquet que olhou para uma bolsa em tecido com a estampa da Biblioteca Pública de Estocolmo, na qual usava àquele dia, então, em dado momento comentou que talvez já estivesse chegando a hora de pensar em uma nova aposentadoria e assim ter mais tempo para viajar e quem sabe até, visitar bibliotecas…e foi assim que ele contou que talvez o tempo da Briquet de Lemos Livraria de Arte poderia estar com os dias contados.

Do ponto de vista dos negócios, de forma reflexiva Briquet destacou que o mercado livreiro está em transformação. Houve muitas quedas na procura das livrarias físicas e os antigos consumidores vem abandonando o segmento convencional, ou seja, o hábito de ir à livraria, olhar, manusear e escolher um livro para comprar. A concorrência é grande por conta das facilidades oferecidas pela Internet.

Passados três meses da visita que fiz ao Briquet de Lemos e a sua Livraria, resolvi expressar minhas considerações sobre o momento, contudo antes de escrever essas linhas enviei um e-mail visando saber se havia alguma alteração sobre o futuro da livraria, ao qual Briquet destacou:

Sim, continuamos planejando o encerramento de nossas atividades. Afinal, ninguém é eterno. Ainda não definimos a forma como se dará esse encerramento. O que posso dizer é que está decidido que não faremos mais a edição de livros em papel. O último será o meu, que está na fase final de revisão do índice e feitura da capa. Vai se chamar: De bibliotecas e biblioteconomias: percursos.

Seja como for, a Briquet de Lemos (livraria ou editora) ainda estão em funcionamento e quando já não mais estiverem certamente permanecerão no imaginário de muitos bibliotecários que ainda tomarão em suas mãos, publicações vinculadas ao seu nome. E o bom é saber que Briquet nos regalará com algo mais, ou seja, nos próximos meses teremos a oportunidade de obter aquilo que ele fez por muitos (a edição de livros), sendo que este último, de seu próprio livro que virá recheado de memórias.

Foi um grande prazer visitar a Briquet de Lemos Livraria de Arte, bem como poder conversar com o seu idealizador. Na imagem abaixo meu sorriso expressa a gratidão por esse momento Geralmente quando escrevo textos em meu blog Caçadores de Bibliotecas utilizo imagens minhas como forma de comprovar a estada nos lugares, em outros veículos como a Revista Biblioo, por exemplo, evito fazê-lo, contudo dessa vez posto uma foto junto a Briquet por pura tietagem, afinal não é todo dia que estou  ao lado de um profissional por quem tenho tanta admiração.

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O título dessas linhas faz referência ao conto Felicidade Clandestina de Clarice Lispector, que lido tantos anos atrás, produziu em mim reflexões sobre o quanto deveria ser bom ter um pai dono de livraria. Meu pai era músico, impressões como essas eu não tive, talvez possam ser respondidas por dois de seus filhos que são músicos?

……….

A Briquet Lemos Livros está localizada no Setor de Rádio e Televisão Sul, Quadra 701, bloco O, Loja 7 – Edifício Multiempresarial, Brasília, Distrito Federal. É possível adquirir os livros da livraria e da editora online: www.briquetdelemos.com.br

A livraria do dia dos namorados

Há meses eu passava em frente de uma livraria no bairro das Perdizes (zona oeste da cidade de São Paulo) e queria entrar nela. Lembro-me também de ter lido algo sobre ela nos últimos dias em um artigo sobre livrarias independentes de São Paulo.

Pois bem, no início da noite de sexta-dia do dia 12/06/2015, dia dos namorados, decidi caminhar do morro onde fica Perdizes até os baixos da Barra Funda onde fica o terminal rodoferroviário de mesmo nome.

E no meio do caminho havia a Livraria Zaccara. E é óbvio que não titubeei. Me aproximei primeiro do vidro onde haviam livros excelentes expostos bem à vista de quem passa (1!!!). Em seguida, subi as escadas e me deparei com um espaço clássico de livraria ou biblioteca repleto de estantes, expositores e mesas cheios de livros, quadrinhos, CDs e alguns DVDs.

Fui logo para uma mesa onde haviam vários lançamentos literários. E logo veio a primeira surpresa: os livros estavam dispostos nos famosos montinhos onde normalmente estão 10 ou 20 exemplares do mesmo títulos, mas na Zaccara não. Em vários casos, abaixo de um título do Amós Oz ou do Philip Roth haviam outros títulos do mesmo autor (como acontece normalmente nas estantes das bibliotecas). E para meu prazer, haviam ali vários livros com mulheres na capa (já postei em outro blog várias capas assim que selecionei quando trabalhava na Biblioteca Mário de Andrade).

Depois de alguns momentos, a esposa do dono da livraria se aproximou e perguntou se eu queria algo em especial e começamos a falar sobre alguns autores ali expostos e sobre o Clube de Leitura (ele acontece mensalmente, sempre na segunda segunda-feira do mês).

Após a chegada de outro cliente ela se afastou. O papo inicial já foi bem gostoso. Mas um segundo momento de papear estava por vir.

Após cerca de 20 minutos xeretando o térreo do lugar, e ter selecionado mentalmente uns 20 livros, mas ter levado ao caixa apenas dois (“O muro”, HQ de Fraipont & Bailly e “Submissão” do Michel Houellebecq), encontrei com o Lúcio Zaccara (o dono do negócio) no balcão. Com um suspiro, deixei os livros no balcão, e ele perguntou:
– vi que olhou o “Primeiras vezes” da Sibylline (um HQ adulto bem safadinho!), gostou? Aproveite e veja este daqui…. é um Milo Manara, conheci esses dias.

– sim, achei muito legal ele. É bem forte, não é? Respondi e continuei: e já conheço o Manara….. sabe, quando tinha uns 18 anos sem querer achei o “Perfume do invisível” dele escondido em um arquivo de aço do diretor da empresa onde eu trabalhava. Achei ele muito sacana e anos depois li várias outras obras dele. É um clássico do HQ erótico.

– pois bem, deixa eu te mostrar outra coisa que você vai gostar. O Lúcio foi até a área de quadrinhos e me trouxe outros três HQs da coleção Safadas: Verão, Natal e Encontros (ainda há também Lingeries) e disse-me indo em direção a duas poltronas que ficam num canto do lugar: vamos conversar um pouco.

Ele me falou que o Odilon Moraes (um dos melhores ilustradores brasileiros, recomendo a leitura de “Ismália” que ele ilustrou!) havia indicado a tal coleção. Ele me falou que haviam algumas ilustrações do último livro dele no primeiro andar.

Eu disse que havia conhecido o Odilon quando ele ia até a Biblioteca Monteiro Lobato (BML) pegar livros emprestados.

Falamos sobre a necessidade de diversidade musical e literária e das impressões sobre o tema naquele bairro e nas periferias da cidade.

Fomos interrompidos por uma cliente que estava procurando algo para presentear o filho e lá foi o Lúcio conversar com ela e juntos (3!!!!) selecionaram dois CDs e um livro. Enquanto isso, eu folheei as HQs cheias de sexo e erotismo elevados à vigésima potência e com algumas histórias, muito, muito engraçadas. Ainda li o último número da Granta Brasil com o tema “Infiel”.

Quando ele retornou, fomos até o primeiro andar ver as ilustrações. Lá também haviam algumas ilustrações da Laurabeatriz (que na minha época de BML fez muito sucesso com seus livros de animais brasileiros escritos em parceria com o Lalau).

Em seguida nos sentamos e ele falou dos eventos que acontecem na Livraria, do aluguel (R$300,00 por 4 horas e 2!!!!) para grupos do espaço com aquele imenso e aconchegante sofá onde estávamos naquele momento, que também tem outras poltronas, cadeiras e um conjunto de TV, Caixas de som e Receiver de dar inveja. Perguntei se poderia passar um filme baseado em um livro e discuti-lo e ele disse que alguns grupos já fizeram tal coisa. Também pensei em fazer um encontro de bibliotecários e amigos leitores no lugar (que tem uma cozinha onde são feitos bolos, café e onde há também vinhos!) e ele disse que era só falar com ele etcétera e tal.

Ao descer, com mil idéias na cabeça, ainda papeamos com outra cliente, que por acaso também levou “Submissão” para casa. A esposa (puxa, me esqueci de pegar o nome dela, sorry!) do Lúcio se juntou a nós e falamos sobre o desejo deles de não fazer um Clube do Livro com livros fáceis de ler, não porque eles se acham, mas porque acreditam que histórias complexas ou desafiantes também trazem prazer e estimulam novas ideias e críticas. e finalmente paguei os livros e recebi dois marcadores de páginas iguais. Como sou folgado, pedi para trocar um e disse que era porque colecionava-os. Ganhei de presente uns 20, inclusive um muito fofucho da Peppa Pig!

O atendimento personalizado fez a diferença e pelo país afora há muitas outras livrarias e bibliotecas pequenas como a Zaccara que para sair da crise e para enfrentar os velhos problemas (falta de clientes ou usuários, falta de acervo básico e atualizado, falta de informatização, falta de pessoal e muitas outras faltas) poderiam seguir um caminho semelhante, o caminho da comunicação e empatia.

Foram duas horas dentro da livraria e no dia dos namorados, sai apaixonado pela livraria.

Vocês devem ter visto os número seguidos de exclamações, foi meu jeito de anotar alguns pontos que comento abaixo. O que acham?

1- Exposição de acervo tem que estar na entrada das bibliotecas. A arquitetura, ou o design, das bibliotecas que ainda não são assim, deve mudar radicalmente, exceto em caso de edifícios tombados, mas mesmo assim, outras soluções devem ser tomadas.

2- Se houvessem mais salas aconchegantes nas bibliotecas, elas poderiam ser cedidas gratuitamente (ou não dependendo do status financeiro do grupo a fim de angariar recursos extras?) para grupos interessados.

3- Sinto que a entrevista de referência anda tão fora de moda, pelo menos sinto isso e posso estar errado. E a entrevista de referência do Lúcio foi incrível! Quando o leitor está na biblioteca temos que dar mais atenção a ele para que se sinta atendido e volte querendo mais. Foco nas pessoas é fundamental!

E só para constar, seguem as capas dos livros citados:

Ismália – ilustrado pelo Odilon Moraes

 

Submissão

 

O Muro

 

Safadas: Encontros

 

Safadas: Natal

 

Safadas: Lingerie

 

Safadas: Verão

Guerra santa

No mar tanta tormenta, tanto dano
Tantas vezes a morte apercebida
Na terra tanta guerra, tanto engano
Tanta necessidade aborrecida
Onde pode acolher-se um fraco humano?
Onde terá segura a curta vida ?
Que este céu sereno não se arme
Contra um bicho da terra tão pequeno.
                         (Camões. Os Lusíadas)

Nome vagamente recordado de bolorentas aulas de história do passado, para mim apenas um português que serviu para que Camões escrevesse um poema sobre ele, Vasco da Gama é o personagem principal Guerra Santa: como as viagens de Vasco da Gama transformaram o mundo, de Nigel Cliff, lançado no Brasil pela Globo Livros. Da extensa pesquisa do autor surge uma figura surpreendente: um navegador corajoso, um líder militar competente e um assassino desprezível, capaz de massacrar um navio de pacíficos comerciantes muçulmanos pelo único motivo de carregarem mercadorias a serem pilhadas e, claro, serem muçulmanos.

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De fato, como adianta o título, o que estava em questão na viagem de Gama e outros navegadores portugueses não era apenas a imensa vantagem comercial que significava descobrir uma rota marítima para a Índia, mas exterminar os muçulmanos que encontrassem pela frente. Não bastava que os indianos vendessem as cobiçadas especiarias para os portugueses, o rei Manuel esperava que seus novos “amigos” proibissem os muçulmanos de fazer comércio e os expulsassem de suas terras.

Para Cliff, a guerra santa do rei português ainda repercute em nossos turbulentos dias atuais, com termo “cruzada” brotando com frequência das bocas de tanto de líderes islâmicos quanto de presidentes estadunidenses após o ataque ao World Trade Center.

 Não é preciso dizer – e ainda assim é preciso dizer – que as ações dos            terroristas são uma afronta à corrente principal do Islã. O que é dolorosamente claro é que muitas dessas proclamações [de líderes fundamentalistas islâmicos conclamando os fiéis à violência] são, em essência, reflexos da polêmica cristã nas décadas que precederam a Era dos Descobrimentos. Mais impressionante ainda é a forma preferida pela al-Qaeda de contra-atacar o Ocidente: perturbar seu comércio explodindo aviões e causando ‘uma hemorragia na indústria da aviação que é tão vital para o comércio e o transporte entre os Estados Unidos e a Europa’. Substitua navios por aviões e o oceano Índico pelo Atlântico e estamos de volta quinhentos anos atrás (p. 429-430).

Os melhores momentos do livro são as descrições das incrivelmente difíceis viagens marítimas, baseadas em depoimentos de infelizes cronistas da época, em embarcações frágeis nas quais os homens que o mar não comia morriam às pencas de fome, de sede e de escorbuto, um jeito horrível de morrer. E também as descrições dos primeiros contatos dos europeus com povos desconhecidos, que muitas vezes beiram o cômico, como a história dos portugueses pensando que os indianos eram cristãos, porque gritavam algo que soava como “Cristo, Cristo” e achando meio estranhos os santos de muitos braços nas “igrejas” nativas.

A tremenda arrogância eurocêntrica de Gama e sua turma é muito bem documentada. Não vou contar aqui para não chatear quem gosta de surpresas, mas o ilustre pirata quase botou tudo a perder ao cometer uma gafe inacreditável em seu contato com o primeiro governante indiano amistoso que o recebeu de braços abertos.

O texto de Cliff é fluente e isento de pedantismos, mas não chega a ser leve como esses livrinhos de jornalistas que recontam episódios históricos como se fossem uma coluna de fofocas sobre “celebridades”. É um livro para quem gosta de história e tem paciência para ler. Para acompanhar a leitura, sugiro a belíssima canção Tanta tormenta, do grupo Mawaca, que musicou trechos de Os Lusíadas em seu disco de mesmo nome. Bem, o disco todo vale a pena, escutem.

Sou bastante democrática em meu total desinteresse por religiões, ou seja, não me importo com nenhuma delas, mas depois que conheci a Andaluzia comecei a cultivar algum fascínio por essa incrível civilização que acabou destruída pelo fanatismo religioso. Para quem tem interesse pela temática dos choques entre cristãos e muçulmanos e gosta de romances históricos, tenho algumas sugestões que complementam a leitura de Guerra santa. Os livros de Tarik Ali, principalmente O livro de Saladino, sobre o general curdo que conquistou Jerusalém e ficou famoso por NÃO fazer o massacre que todos esperavam e Sombras da romanzeira, que conta uma pungente história dos últimos dias da Granada muçulmana, o último reino de El Andaluz a ser tomado pelos reis católicos. Este último não recomendo para quem não aguenta finais tristes.

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Sobre o mesmo período, li também Boabdil: tragédia del ultimo rey de Granada, de Magdalena Lasala e El manuscrito carmesí, de Antonio Gala, ambos sobre a tristíssima história do último sultão de Granada, um sujeito que não tinha o mínimo perfil para o cargo que foi forçado a assumir. E por último El Mozárabe, de Jesús Sánchez Adalid, que conta uma movimentada história de aventuras baseada em fatos verídicos e ambientada nos últimos tempos do califado de Córdoba, que produziu a bela mesquita cuja foto encabeça este post. Os livros de Ali saíram no Brasil pela Record, mas parece que estão esgotados. Os demais, todos de autores espanhóis, não me consta que tenham sido traduzidos. Mas deve ser possível encontrá-los por aí.

Resenha: Um corpo na Biblioteca

Bibliotecário não pode ver um livro que fala sobre biblioteca que já fica doido para ler, não é mesmo? Então, foi assim que acabei comprando o ‘Um corpo na biblioteca’ da Agatha Christie.

Fiquei encantada com a possibilidade de um suspense daqueles bem pesados e cheio de reviravoltas se passando dentro de uma biblioteca, cheio de mistérios e livros. Pois bem, que engano! Nada disso aconteceu e de quebra ainda levei um livro cheio de problemas de impressão e edição. Como as editoras ainda são relapsas com essas coisas, não é mesmo? Na pressa do lançamento tenho visto muitos livros serem publicados com erros de digitação e edição. Acho isso muito feio e quase uma falta de respeito com o consumidor leitor, que vai pagar caro por aquele livro.

Enfim, deixo com vocês a resenha completa:

Leia Mulheres!

No início de 2014, a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014), que consistia em incentivar a leitura de mais escritoras. Há algum tempo atrás, o colega William Okubo escreveu aqui no BSF um post sobre literatura de escritoras brasileiras, selecionando alguns livros.

Entendendo que o mercado editorial ainda é muito restrito e as mulheres não possuem a mesma visibilidade que os autores homens, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques decidiram trazer a ideia da Joanna para a Blooks livraria, criando um clube do livro chamado #leiamulheres.

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Encontro do dia 24 de março, na Blooks Livraria.

O encontro é aberto à todos e a intenção é realizar mediações mensais, acompanhando leituras de obras escritas por mulheres, de clássicas a contemporâneas. Acredito que este é o tipo de ação cultural que centros de leitura podem replicar ou ainda facilitar, sempre que possível.

O próximo encontro será na Blooks da Frei Caneca novamente dia 22 de abril e o próximo livro será Reze pelas mulheres roubadas, de Jennifer Clement. Esse clube do livro já possui uma página no facebook, que será atualizada com mais informações sobre os próximos encontros.

Desde a primeira vez que li o título do projeto jamais entendi como imperativo, mas como um convite mesmo a uma forma mais consciente de leitura. Enfim, acessem a página no FB, sejam bem vindos aos encontros e inspirem-se.

Bibliotecários retratados nos quadrinhos

Quem é fã de quadrinhos e graphic novels também é fã de livros, então não é nenhuma surpresa que as bibliotecas e os bibliotecários sejam retratados com bastante frequência em todos os tipos de trabalhos gráficos. Aqui estão alguns quadrinhos que apresentam bibliotecas e bibliotecários e são perfeitos para uma leitura rápida ou para uma exibição na biblioteca.

Americus – MK Reed e Jonathan Hill (Amazon e Livraria Cultura)

Este livro centra-se em um evento que algumas bibliotecas conhecem muito bem – censura de livros. O personagem principal é um adolescente chamado Neal Barton que só quer ler o livro mais recente na sua série de fantasia favorita. Mas, infelizmente para ele, um grupo religioso confronta o conteúdo “herético” do livro e pede que seja removido da biblioteca. Juntamente com um bibliotecário de serviços infanto-juvenis, Neal luta para manter sua série favorita na prateleira e que os leitores tenham o direito de acessar livros de todos os tipos.

Library Wars – Kiiro Yumi (Amazon e Livraria Cultura)

Situado em um futuro distópico do Japão, onde o governo está autorizado a censurar qualquer coisa que achar repudiante, a série de mangá Library Wars segue Iku, uma jovem determinada a servir nas tropas de combate da Força de Defesa da Biblioteca. Os membros deste grupo resgatam materiais da censura e da destruição e os levam para as bibliotecas que podem, legalmente, guardar e protegê-los.

Rex Libris – James Turner (Amazon e Livraria Cultura)

Esta série, que começa com o volume “Eu, bibliotecário”, segue Rex Libris, o bibliotecário-chefe da Biblioteca Pública de Middleton, que deverá confrontar todos os tipos de inimigos – históricos, literários, ficção científica – em sua interminável busca para rastrear livros em atraso e proteger sua biblioteca. A arte estilizada e o tom humorístico permitem Turner zombar tanto dos tropos comuns dos quadrinhos como dos estereótipos dos bibliotecários. Embora as tramas tendem a ser exageradas, a série é uma leitura divertida e rápida.

Unshelved – Gene Ambaum e Bill Barnes (Amazon e Livraria Cultura)

Desde fevereiro de 2006, a tirinha Unshelved narra os altos e baixos da vida em bibliotecas caçoando dos típicos problemas enfrentados pelos bibliotecários e satirizando interações ridículas com os usuários. Nem os funcionários nem os usuários estão a salvo do humor da série. Se você trabalha em uma biblioteca ou apenas as frequenta, provavelmente vai se identificar com alguma coisa nesta série. Todas as tiras Unshelved estão disponíveis online (e bibliotecas e professores podem até mesmo reutilizá-las em alguns casos, como descrito no site), mas os criadores também publicaram dez coleções dos quadrinhos ao longo dos anos.

Batgirl – por vários autores e artistas (Amazon e Livraria Cultura)

Um dos exemplos mais emblemáticos de bibliotecários em quadrinhos tem que ser Barbara Gordon, mais conhecida por seu pseudônimo, Batgirl. Estreando na década de 1960, o trabalho diurno da Batgirl é como bibliotecária-chefe na biblioteca pública de Gotham, mas ela também é uma super-heroína que ajuda Batman em seus esforços de combate à criminalidade. Depois que ela foi baleada e paralisada pelo Coringa no controverso “Batman: The Killing Joke”, de Alan Moore, Barbara Gordon passou a ser Oracle, uma super-heroína que não permitiu que sua deficiência a impedisse de fazer uso do computador e habilidades de busca por informações como parte dos “Birds of Prey”. Em ambas encarnações, ela fez uso das competências que ganhou como bibliotecária para apoiar suas missões como uma super-heroína.

[Texto original Librarians Portrayed in Comics de Carli Spina, publicado no ótimo blog Cosplay, Comics, and Geek Culture in Libraries]

Livros que falam de livros!

Eu, além de bibliotecária, sou apaixonada pelas possibilidades que um livro oferece. Sempre achei fantásticas as histórias em que uma obra é parte central ou muito importante da trama, sempre existe um mistério envolvido que deixa o livro como um objeto precioso e cheio significados ocultos. Há um bom tempo tenho vontade de falar sobre essa temática de leitura tão amada: livros que tem em seu enredo principal livros. Gravei então esse vídeo mostrando os títulos que eu tenho na minha coleção e falei um pouco deles.

Quem souber de outros títulos diga nos comentários!

🙂