Doutorado de quê?

Há algum tempo as pessoas me perguntam sobre o que pesquiso no doutorado. Percebi que a curiosidade era grande e decidi aproveitar para divulgar um tema meio ~obscuro da Biblioteconomia.

E aproveitando a deixa do vídeo vou colocar aqui algumas leituras que acho bacanas sobre o tema e que o pessoal já me pediu também! (links abaixo do vídeo!)

DENTON – FRBR AND THE HISTORY OF CATALOGING

MEY – BREVE HISTÓRICO DOS CATÁLOGOS

STROUT – THE DEVELOPMENT OF CATALOG AND THE CATALOGUING CODES

CHANDEL AND PRASAD – JOURNEY OF CATALOG FROM PANIZZI’S PRINCIPLES

CAMPBELL AND FAST – PANNIZZI, LUBETZKY AND GOOGLE

ORTEGA – RELAÇÕES HISTÓRICAS ENTRE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Aplicativos mobile em bibliotecas brasileiras – parte 2

Eu quis dar uma atualizada neste post de 2012 depois de constatar duas coisas. A primeira é que cerca de 20% dos acessos ao catálogo da UFRJ são via mobile (smartphones ou tablets). A segunda é que as buscas por “biblioteca” nas lojas de aplicativos (appstore e google play) trazem quase nada relacionado à bibliotecas propriamente.

Ou seja, a primeira preocupação é saber quantos de nossos sistemas (pergamum, aleph, sophia, etc) foram atualizados nos últimos anos para oferecer aos usuários pelo menos um design responsivo do catálogo. A maioria desses OPACs já conta com a possibilidade de fazer reservas e renovação online, o que é ótimo, mas poucos ainda são otimizados para mobile.

Não sei qual é a impressão de vocês, mas a mim, 20% de acessos, 1 a cada 5 usuários acessando o catálogo, é bastante. Essa estatística é proveninente de um grande sistema de bibliotecas universitárias, talvez não seja a realidade de vocês, mas aqui está se tornando cada vez mais comum os usuários chegarem com os números de chamada a partir de telas ou prints que eles tiram acessando o catálogo direto no celular, mesmo quando a biblioteca oferece computadores dedicados para isso. Acabou aquela história de anotar número de chamada no papelzinho.

Pois bem, a solução para o primeiro problema (um número cada vez maior de usuários acessando o catálogo da biblioteca via mobile) seria oferecer um aplicativo da biblioteca, algo simplificado que permitisse a consulta ao acervo, ou algo mais elaborado que permitisse o login a partir do app, para fazer reservas e renovações. Se desenvolver apps é complicado, então que pelo menos o design do catálogo seja responsivo.

Vejam a diferença entre um site responsivo e outro não. A tela de USP aparece limitada, o site é visto exatamente como na tela do desktop, você precisa usar o scroll horizontal. Não é o fim do mundo, mas é chato.

USP

Já a tela do MIT é responsiva, o conteúdo do site se adequa ao espaço da tela do celular. Bem melhor.

mit

O catálogo da USP em si não é responsivo, utilizei apenas como exemplo. Mas o problema foi resolvido com a criação de um app. Conversando com o Murakami sobre o aplicativo deles, que é um dos poucos na app store que contêm essas especificações elaboradas que mencionei acima, ele explicou que o app utiliza uma parte do X-Services no Aleph, uma parte do Restfull do Primo, mais uma parte da autenticação na USP. Ou seja, é uma adaptação, mas inteiramente funcional. Se as estatísticas servem de estímulo, o aplicativo das bibliotecas da USP é bastante usado, com mais de 5000 instalações em cada plataforma (android e ios).

Sobre o segundo problema (buscas por “biblioteca” nas lojas oferecem resultados de diferentes aplicativos, mas poucos diretamente vinculados à bibliotecas), acho que seja um reflexo do primeiro (baixa oferta de apps). Então fica a expectativa de que nós bibliotecários podemos fazer melhor no futuro.

Dentre os aplicativos de biblioteca que podem servir de exemplo estão o da USP, Unesp, Unicamp, Uenf, UCS e Univates.

Home da Unicamp

unicamp

App da UFRGS que inclui a biblioteca dentre todos os serviços da universidade

UFRGS

App da Univates que mostra a localização do livro nas estantes

univates

App da USP que mostra a geolocalização das setoriais

USP

Passo-a-passo para promover sua pesquisa online

Qualquer pessoa que conclua um trabalho acadêmico hoje em dia (seja o seu TCC, a dissertação de mestrado, um artigo em periódico ou apresentação em congresso) deveria saber que não basta simplesmente concluí-lo, mas é preciso também divulgá-lo entre seus pares e a qualquer pessoa que possa ter interesse nos resultados.

Felizmente, já existem ferramentas online que podem nos ajudar nessa tarefa. Por outro lado, já existem *tantas* ferramentas, que muitas vezes não sabemos para que serve cada uma ou por onde começar.

Então, aí vai um passo-a-passo das principais etapas para divulgar o seu trabalho acadêmico (ou ajudar os seus usuários a fazê-lo) na web:

 

1 – Publique seu trabalho em um repositório

O primeiro e mais importante passo é publicar o texto completo do seu trabalho online, para que as pessoas possam recuperar e ler o conteúdo. Assim, você já terá um link para onde direcionar os interessados quando quiser divulgar o trabalho.

Dê preferência a um repositório conhecido e gratuito, como o Figshare (para artigos, dissertações, posters, imagens, códigos de programação e qualquer outro tipo de produção), que além disso atribui um DOI (Digital Object Identifier, ou identificador único) ao seu trabalho e mostra estatísticas de uso, download e repercussão do seu trabalho nas mídias sociais, através dos dados do Altmetric.

figshare1

Você vai precisar do DOI para registrar seu trabalho em outras plataformas (ver passos seguintes), de forma a direcionar todos os acessos para um único lugar e poder coletar estatísticas de acesso e uso consistentes.

Você também pode optar por publicar sua produção em outros repositórios específicos, como o Slideshare (para apresentações) ou o Dryad (para conjuntos de dados).

Não se esqueça também de depositar uma cópia no repositório institucional da sua universidade ou instituto de pesquisa, se tiver essa opção.

 

2 – Registre seu identificador único de autor

O segundo passo é criar o seu identificador único de autor, sob o qual você poderá reunir os todos os seus trabalhos (publicados online ou não) e dados sobre o seu histórico acadêmico e profissional.

O ORCID é uma espécie de plataforma Lattes internacional e já se tornou o identificador padrão para autores usado nas demais plataformas acadêmicas, permitindo importar e sincronizar dados entre vários provedores. O registro é gratuito.

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O ORCID também permite conectar sua conta a outros identificadores únicos, como o Research ID da Web of Science e o Scopus ID.

 

3 – Participe das redes sociais acadêmicas 

Agora que você já tem links para os seus trabalhos e para o seu perfil acadêmico, é hora de socializar. Mas, por enquanto, esqueça o Facebook, cujo alcance acadêmico é mais limitado, e vá para onde a patota da pesquisa se encontra.

Uma das redes mais populares é a Academia.edu, que tem mais de 38 milhões de membros, e cujo foco principal é compartilhar artigos acadêmicos. Após se registrar, você pode subir o texto completo de seus artigos ou somente indicar a referência e o DOI ou link para o trabalho. Conecte-se com pesquisadores da sua área para ficar a par do que eles estão publicando e para que eles te acompanhem também.

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O ResearchGate é outra rede social para pesquisadores, com mais de 9 milhões de membros. Além de compartilhar sua produção acadêmica e se conectar com outros pesquisadores, o ResearchGate tem um espaço onde qualquer um pode fazer uma pergunta ou responder a questões de outros membros, compartilhando conhecimento.

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Outra sugestão é o Mendeley, um híbrido de rede social, repositório e gestor de referências bibliográficas, o que (a meu ver) pode torná-lo um pouco confuso no início. Assim como nos demais, no Mendeley você pode subir o texto completo ou DOI de seus trabalhos e seu histórico acadêmico e profissional, conectar-se com outros pesquisadores e também participar de grupos de interesse.

mendeley1

O grande diferencial do Mendeley é o gestor de referências bibliográficas, uma “biblioteca” (menu Library) onde você reúne todas as referências e documentos de seu interesse, incluídos a partir das recomendações do próprio site, manualmente, de pesquisas em bases de dados ou importando referências da web. O Mendeley também tem uma versão desktop com plugin para o Word, que permite inserir citações e referências bibliográficas da sua “biblioteca” diretamente no texto que você estiver escrevendo.

mendeley2

 

4 – Divulgue sua produção acadêmica

Ao colocar seu trabalho nas redes acadêmicas, ele já ganha em visibilidade, mas se realmente quer torná-lo conhecido online, você vai ter que divulgá-lo ativamente.

Alguns trabalhos mostram que o Twitter é a fonte mais significativa de menções de trabalhos acadêmicos na web, seguidos do Facebook e do Mendeley [1, 2, 5]. Se você ainda não usa o Twitter, comece abrindo uma conta e seguindo outros pesquisadores da sua área. Vale mandar mensagem enviando o link para o seu trabalho e pedindo para que retuítem, sobretudo se for da área de interesse deles e se eles tiverem muitos seguidores. Se o artigo foi publicado em um periódico, veja se é possível que a própria revista poste o link no Twitter.

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Divulgar seu trabalho no Facebook também pode dar bons resultados em termos de visualizações e downloads, sobretudo se você tem muitas conexões profissionais lá.

E não deixe de colocar seu trabalho também no Mendeley. Alguns estudos sugerem que há uma relação entre a quantidade de leitores de um artigo no Mendeley e o número de citações recebidas por esse artigo no futuro [3, 4, 6, 7].

Se você tem um blog, escreva sobre o seu trabalho, ou mande uma sugestão de “pauta” para autores de blogs que escrevem sobre a sua área.

 

5 – Verifique o alcance e a influência do seu trabalho

Depois de tanto trabalho, o mínimo que você vai querer é saber qual foi o resultado disso tudo. Algumas das ferramentas usadas permitem medir imediatamente alguns aspectos do alcance do seu trabalho, como o número de visualizações e downloads no Figshare, Academia.edu e ResearchGate.

O Figshare também mostra diretamente na página do seu artigo as métricas produzidas pela Altmetric. Basta clicar no altmetric score para ver detalhes sobre menções no Twitter, Facebook, blogs e sites de notícias, entre outras fontes.

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Mas se você quer visualizar o desempenho do toda a sua produção de forma centralizada, você pode usar o ImpactStory. Para se inscrever, basta ter cadastro no ORCID. O ImpactStory sincroniza os dados do seu perfil e produção acadêmica e coleta menções aos seus trabalhos em redes sociais, blogs, Mendeley e Wikipedia, com detalhes sobre onde, quando e quem mencionou cada item.

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Bibliotecários também podem solicitar acesso gratuito à ferramenta Altmetric Explorer e consultar todo o conteúdo da base de dados da Altmetric, usando filtros por palavra-chave, data de publicação, periódico, instituição, autor, época e fonte da citação, entre outras opções mais específicas, como prefixo do DOI, registro no ORCID, assunto do Medline ou estratégia de busca no Pubmed.

altmetric1

 

Outras dicas gerais:

  • Sempre inclua o link para o identificador único do seu trabalho (seja o DOI, ISBN, Pubmed ID) no corpo da página web, para que as ferramentas como Altmetric e ImpactStory possam identificar a menção ao trabalho.
  • Procure usar sempre o mesmo nome de autor nos trabalhos publicados, e certifique-se de registrar todas as suas variações de nome no ORCID.
  • Verifique se as fontes onde seu trabalho foi ou pode ter sido citado são monitoradas pelas ferramentas de métricas alternativas, como Altmetric e ImpactStory.

 

Referências:

[1] ALPERIN, Juan Pablo. Exploring altmetrics in an emerging country context. In: altmetrics14 workshop, 2014, Bloomington, Indiana. Anais… Bloomington, Indiana, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1041797>. Acesso em: 20 fev. 2016.

[2] ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. Cientometria 2.0, visibilidade e citação: uma incursão altmétrica em artigos de periódicos da Ciência da Informação. In: Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, 4., 2014, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1047057>. Acesso em: 20 jan. 2015.

[3] HAUSTEN et al. Coverage and adoption of altmetrics sources in the bibliometric community. Scientometrics, v. 101, n. 2, p. 1145-1163, nov. 2014.

[4] MOHAMMADI et al. Who reads research articles? An altmetrics analysis of Mendeley user categories. Journal of the Association for Information Science and Technology, v. 66, p. 1832–1846, 2015. Disponível em: <http://dx.doi.org/doi: 10.1002/asi.23286>.

[5] NASCIMENTO, Andrea Gonçalves do; ODDONE, Nanci. Uso de indicadores altmetrics na avaliação de periódicos científicos brasileiros em Ciência da Informação, In: Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, 4., 2014, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2014. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.6084/m9.figshare.1146279.v1>.

[6] THELWALL et al. Do Altmetrics Work? Twitter and Ten Other Social Web Services. PLoS ONE v. 8, n. 5, p. e64841, 2013. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0064841>.

[7] LI, Xuemei; THELWALL, Mike; GIUSTINI, Dean.  Validating online reference managers for scholarly impact measurement. Scientometrics, v. 91, n. 2, p. 1–11, 2012. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1007/s11192-011-0580-x>.

 

Repertório da Produção Periódica Brasileira de Ciência da Informação

O Repertório da Produção Periódica Brasileira de Ciência da Informação (RPPBCI) é um coletânea de metadados de artigos de periódicos de Ciência da Informação disponibilizados em OAI-PMH, ou seja, que utilizam o OJS/SEER.

Está sendo desenvolvido no Laboratório de Estudos Métricos da Informação na Web (Lab-iMetrics) na linha de pesquisa Ciência 2.0 e os aportes da altmetria pelo Tiago Murakami
e por mim. Desde o lançamento estamos quebrando a cabeça para melhorar uma coisa ou outra.

Atualmente, contamos com 31 periódicos coletados, 10.031 artigos indexados e 10.106 referências cadastradas. É possível fazer a busca nos campos “Título, Autores e Resumos” ou somente nas Referências.

Recentemente publicamos na Revista Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, como pesquisa em andamento, um artigo que descreve em linhas gerais o RPPBCI. Recomendamos aos interessados nesse serviço de descoberta a leitura do artigo:

Ronaldo Ferreira Araújo, Tiago Rodrigo Marçal Murakami, Robéria Lourdes de Vasconcelos Andrade. Repertório da produção periódica brasileira de Ciência da Informação: indícios embrionários. Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, v. 11, p. 44-53, 2016.  https://doi.org/10.6084/m9.figshare.5829576

E a visita, consulta ao site do RPPBCI e claro, as críticas.

Boas pesquisas!

Por uma pedagogia da descoberta

A escola mata a descoberta. Ela entrega o conhecimento pronto em um currículo, definido de acordo com aquilo que é considerado por autoridades como conhecimento válido, todo o resto é excluído.

O que há nesse “resto”?  Toda  a experimentação, o conhecimento informal, aprendido nas vivências, os saberes tradicionais, transmitidos pelos mais velhos e a descoberta.

A serendipidade (o princípio da descoberta) só existe quando há liberdade de escolha por caminhos diferentes e aleatórios. A descoberta se dá, principalmente, quando não estamos procurando exatamente aquilo. Esse processo, que não pode ser controlado, é inexistente na grade escolar. Na escola somos todos considerados incompetentes para adquirir nosso próprio conhecimento. E nunca somos estimulados à fazê-lo.

A palavra serendipidade surgiu em referência a um antigo conto persa sobre os três príncipes de Serendip. Em suas aventuras eles viviam se deparando com situações inusitadas e fazendo descobertas ao acaso, encontrando respostas para questões que eles sequer haviam feito. Tinha um pouco de sorte envolvida, mas era a sagacidade dos meninos, um toque genial de mentes abertas para a descoberta, que realmente operava a magia.

Essa qualidade da descoberta não é de forma alguma privilégio de mentes superiores. É uma habilidade e um posicionamento, uma forma de ver o mundo, disponível para qualquer pessoa.

Bibliotecas são um excelente lugar para o exercício de serendipidade e nas escolas elas ficam isoladas das pessoas, que mal as frequentam nos intervalos das aulas. Temos alguma contação de história, mas livros previamente escolhidos. Mesmo quando eles não são previamente escolhidos, raramente é o acervo todo ofertado à escolha e, mesmo que fosse, ainda assim seria apenas uma atividade controlada, algum livro teria de ser “o escolhido”, os outros permanecerão inertes nas estantes.

Em geral é proibido (ou vigiado) andar entre as estantes a procura de livros que não se sabe ainda quais são. Isso é feito em nome da “ordem” que sempre vem de cima, e está sempre acima da vivência, pairando sobre ela, limitando suas possibilidades libertadoras.

Há um tipo de acesso à biblioteca, que é transversal, não linear, baseado quase que puramente na serendipidade. Ao conduzir uma leitura, indo de um texto à outro, colecionando trechos diferentes de cada livro sobre determinado assunto, eu estou praticando a descoberta. Aliás foi essa prática que desenvolveu a ciência como hoje a conhecemos e o acesso não linear a uma coleção de livros foi o embrião do hipertexto.

Essa forma de utilizar acervos surgiu lá na antiguidade e se tornou evidente na Biblioteca de Alexandria. Foi responsável pelo desenvolvimento da filologia, da geografia, da matemática, da astronomia, da medicina, da poesia, da filosofia, da história e de muitas outras ciências e saberes.

A serendipidade foi a maior consequência de se acumular livros em uma sala. Isso desenvolveu toda uma economia e ergonomia do saber: o surgimento da paginação, da referência, da citação, da glosa, do colofão, dos sumários, dos resumos, das bibliografias, dos catálogos, das resenhas… Todas essas formas de diálogo entre livros, escritores e leitores.

Uma biblioteca nunca é a mesma para duas pessoas praticando a descoberta. As escolhas, mais ou menos aleatórias, de livros formam caminhos, percursos diagonais, transversais, paralelos, pela coleção toda. O prazer de percorrê-los é como o prazer do desconhecido, é desbravar os universos não domesticados do saber. E é possível reiniciar muitas vezes o processo, sempre com resultados inusitados.

A autonomia de percorrer estantes, pegar livros, ler um trecho, procurar outro livro, compará-lo com um terceiro, pegar uma enciclopédia e, partindo de um verbete qualquer, buscar outras fontes, é o principio do amor pela pesquisa e do autodidatismo. São qualidades fundamentais para o pensamento livre e crítico.

Não provoca nenhum espanto a pouca valorização das bibliotecas e da leitura nos dias de hoje. É um reflexo do que a educação faz com a descoberta. Em tempos em que a homogeneidade de ideias, comportamentos e atividades e a obediência a regras, controles e currículos é o que está nas bases da educação, é bastante esperado que as capacidades revolucionárias e libertadoras das bibliotecas sejam caladas.

A busca por uma forma de educação livre passa pelo resgate da descoberta como veículo da potência humana. A serendipidade em substituição à rigidez curricular. É aí que está a importância esquecida das bibliotecas!

Em uma pedagogia da serendipidade, a descoberta é o centro do aprendizado e  a biblioteca é o coração da escola.

Qual é um bom fator de impacto?

Não há um número de FI bom ou certo. Para saber se uma revista possui “bom” fator de impacto, basta compará-la com outras revistas dentro de sua categoria de assunto. Quanto maior o fator de impacto, mais bem classificada a revista é. Ou seja, o fator de impacto é apenas um cálculo que permite classificar as revistas em um ranking. Ele pode ser visualizado por meio do Journal Citation Reports.

Abaixo está a tabela 2012 para as revistas da categoria “Information Science & Library Science”, classificadas por fator de impacto (embora seja possível visualizar no JCR outras medidas como o número total de citações, FI de 5 anos, meia-vida e Eigenfactor):

ci if

Atenção: o FI não foi concebido para comparação entre disciplinas. Isso ocorre porque cada disciplina tem um tamanho distinto e diferentes comportamentos de citação (por exemplo, os matemáticos tendem a citar menos, os biólogos tendem a citar mais. A revista PLoS biology, periódico com maior fator de impacto na categoria biologia, tem um FI 2012 de 12.690. Já o Journal of the American Mathematical Society, o periódico com maior fator de impacto na categoria matemática, tem um FI 2012 de 3.567). Veja a tabela com os maiores rankings, dentre todas as categorias combinadas da edição “ciências”:

fator de impacto

A tabela abaixo oferece algum contexto, em termos de quantas revistas atingem os vários níveis de classificação. Ela mostra o número e a porcentagem de revistas as quais foram atribuídas fatores de impacto em 2012, que variam em uma escala de 1 a 30, para ambos os períodos de um ano e cinco anos. Como mostrado, apenas 21 títulos de revistas, ou 0,2% das revistas monitorados pelo JCR, tem um fator de impacto 30 referente ao ano 2012. Apenas 158 revistas têm um fator de impacto 2012 igual ou superior a 10, que representa 1,9% das revitas no topo do ranking do fator de impacto. 8217 revistas têm um fator de impacto 2012 abaixo de 10.

JCR impact factor

Ao calcular o fator de impacto de uma revista se leva em conta o número total de citações recebidas por esta publicação em um determinado ano, englobando os dois anos anteriores, e então dividindo-o pelo número de itens “citáveis” publicados por esta revista naqueles dois anos predecessores (a Thomson Reuters, empresa responsável pela confecção do fator de impacto também oferece uma escala de 5 anos, mas o fator de impacto em escala de 2 anos é o mais decisivo).

FI = (citações recebidas em 2013 para artigos publicados em 2012 + 2011) / (nº de artigos “citáveis​​”, publicados em 2012 + 2011)

O Journal Citation Reports abrange cerca de 10 mil revistas em ciência e tecnologia e cerca de 3 mil periódicos em ciências sociais. É um grande banco de dados, mas ainda cobre apenas uma fração das revistas de pesquisa do mundo. Se uma revista não está no banco de dados JCR (como é o caso de muitas revistas brasileiras, em diversas áreas do conhecimento), não só todas as citações a ela não são computadas pelo FI, mas também são perdidas todas as citações em artigos publicados nesta revista concedidos a periódicos pertencentes à base do JCR. Outro problema é que em função da cobertura ter sido criado nos EUA, o JCR tem um viés de língua inglesa bastante influente.

Contagens de citações surgiram na década de 20 do século passado e foram usadas ​​principalmente por bibliotecários acadêmicos que queriam economizar dinheiro e espaço nas estantes, descobrindo quais periódicos representavam o melhor investimento em cada área. Este método teve um sucesso modesto, mas não ganhou muita força até os anos sessenta. Em 1955, Eugene Garfield publicou um artigo na revista Science, onde discutiu pela primeira vez a idéia de um Fator de Impacto com base em citações. Em 1964, ele e seus parceiros publicaram o Science Citation Index (SCI). Mais ou menos no mesmo período, Irving H. Sherman e Garfield criaram o JIF (Journal Impact Factor), com a intenção de usá-lo para selecionar revistas para o SCI.

Não é necessário enfatizar que o FI deve ser apenas um dos indicadores a serem considerados na avaliação de periódicos. Tanto é que nem todas as áreas do conhecimento da CAPES utilizam o indicador FI para estabelecer o Qualis de suas revistas e muitas áreas o utilizam apenas como um dos indicadores, mas não o único.  

O FI (e por extensão o Qualis) vêm há alguns anos sofrendo críticas em relação a funcionar como medida de avaliação da produção de pesquisadores (brasileiros) pelos órgãos de fomento, e nesse sentido as altmetrics aparecem como substituto óbvio capaz de avaliar a qualidade das publicações e pesquisadores.

Como criar um poster para conferências e congressos

Paula Macedo, que é bibliotecária e/ arquiteta de informação compartilhou nas interwebs o poster que apresentará no IA SUMMIT, e eu me recordei que foram poucas as vezes, nos congressos que participei, que vi um poster tão decente e tão bem desenhado quanto o dela.

poster congresso

Como a maioria dos pesquisadores e pessoas que apresentam trabalhos em eventos, não sou designer, nem trabalho com UX (como a Paula), então o que podemos fazer para impedir ou minimizar o impacto dos nossos posters com padrão de apresentação sofrível?

Pois bem, um poster de grande formato nada mais é do que um grande pedaço de papel (ou monitor de tv) que serve para comunicar a sua pesquisa em uma conferência, geralmente composto de um título curto, uma introdução para a questão de pesquisa, uma visão geral de sua (nova) abordagem, os resultados relevantes em forma gráfica, alguma discussão esclarecedora dos resultados acima mencionados, uma lista de artigos previamente publicados que foram importantes para sua pesquisa e um breve reconhecimento da ajuda e apoio financeiro que você recebeu. Se todo o texto for mantido a um mínimo, uma pessoa pode (deve ser capaz de) ler totalmente o seu poster em menos de 5 minutos.

Embora você possa ​​comunicar todos os itens acima através de uma palestra de 15 minutos na mesma conferência, apresentar um poster permite que você interaja mais pessoalmente com as pessoas que estão interessadas em seu tópico. Posters também são úteis porque eles normalmente podem ser vistos mesmo quando você não está nas dependências do congresso, e até depois do término do evento, se você encontrar um bom prego e local onde possa pendurá-lo. Além disso, apresentar um poster é bastante recomendado se você não sabe falar bem em público (evidência bastante comum nos congressos, de diferentes áreas).

O melhor conselho que eu posso dar a quem está criando um poster pela primeira vez é descrever as circunstâncias em que um cartaz será visto: algum espaço ou sala quente, barulhenta, congestionada e com má iluminação. As sessões de pôsteres são muitas vezes concomitante com as palestras principais e ou até os coffee breaks, de modo que os participantes estão muitas vezes mais preocupados com a comida do que os trabalhos dos colegas. Mas pode piorar. Os organizadores dos eventos invariavelmente situam seu poster entre dois outros que são infinitamente mais interessantes e melhor elaborados, e em algum momento você será obrigado a permanecer ereto ao lado do seu poster, aguardando que uma comissão avaliadora julgue a qualidade do seu trabalho. Por causa de todas essas situações, o poster precisa ser visualmente interessante se ​​você quiser atrair apreciadores ou telespectadores.

Se você é um posteiro de primeira viagem é de bom grado gastar alguns minutos navegando por posters disponíveis online, só para ver a diversidade de layouts que as pessoas têm usado. Além de uma pesquisa no Google Images (tente pôster congresso, por exemplo), navegue pela coleção de posters da Faculty of 1000 ou do PhD posters. Mas não imite tudo que você vê – a maioria dos posters na internet são horríveis e alguns são possíveis crimes contra a humanidade. Parte do problema é que a maioria das pessoas que acabam em disciplinas que exigem posters (hard sciences, engenharias, saúde, etc) nunca são devidamente treinadas na maioria dos conceitos básicos de tipografia, escolha de cores e layout de página. Independentemente da causa, evite modelar seu design do poster sobre outros já publicados na internet (veja abaixo alguns posters que eu selecionei como exemplos de design e concepção, e esses sim, podem servir de modelo).

Ao contrário de um artigo, um poster pode adotar uma variedade de layouts, que usam como base gráficos e fotografias. Na verdade, você provavelmente não quer que seu poster se pareça com qualquer outro poster na sala. Enquanto você manter o espaço em branco suficiente, os alinhamentos de coluna de forma lógica e fornecer pistas claras para seus leitores sobre como eles devem percorrer os elementos de seu poster, você pode e deve ser criativo. Como esse aqui abaixo:

poster conferencia

Que seções incluir e o que eles devem conter?

Título: deve transmitir brevemente o “problema”, a abordagem experimental e o sistema em questão (ex. organismo, planeta, serviço, biblioteca, etc). Precisa ser atraente, a fim de cativar transeuntes desligados [aproximadamente 1-2 linhas]

Resumo: não inclua um resumo em um poster. Se por algum motivo você for forçado a incluir um resumo no seu poster, obedeça a essas regras. Mas saiba que o poster é um resumo de sua pesquisa, por isso é um desperdício de espaço ter um resumo do resumo. Mas é comum a confusão sobre isso: se você for apresentar seu poster em um evento, provavelmente será solicitado a enviar um resumo. Mas esse resumo é para inclusão nos anais ou catálogo do congresso e não para aparecer espremido no poster.

Introdução: faça com que o visualizador se interesse no problema ou questão usando o mínimo de informação conceitual e definições. Rapidamente coloque a sua questão no contexto da literatura primária publicada, então apresente uma nova hipótese interessante. Em seguida você pode descrever (brevemente) a abordagem experimental que testou sua hipótese. Ao contrário de um artigo, a introdução de um poster é um lugar apropriado para colocar uma fotografia ou ilustração que comunica algum aspecto de sua pergunta de pesquisa [cerca de 200 palavras].

Materiais e métodos: Faça uma breve descrição dos equipamentos e procedimento experimental, mas não com o detalhamento usado para um artigo. Utilize figuras e fluxogramas para ilustrar o delineamento experimental. Se possível, inclua uma fotografia ou desenho rotulado do organismo ou da configuração. Mencione as análises estatísticas que foram usadas ​​e como isso lhe permitiu abordar hipótese [cerca de 200 palavras]

Resultados: Em primeiro lugar, mencione se o seu procedimento experimental efetivamente funcionou (por exemplo, “90% das aves sobreviveram…”). No mesmo parágrafo, descreva brevemente os resultados qualitativos e descritivos (por exemplo, “as aves sobreviventes apresentaram letargia e tiveram dificuldade em localizar sementes”). Para dar um tom mais pessoal ao seu poster, no segundo parágrafo, comece a apresentação da análise de dados que aborda mais especificamente a sua hipótese. Utilize gráficos ou imagens como apoio. Forneça legendas autoexplicativas para as figuras (ou seja, capazes de transmitir alguma ideia para o leitor mesmo que ele ignore todas as outras seções, o que eles normalmente fazem). Você pode também incluir tabelas com legendas, mas opte por figuras sempre que possível. Esta é sempre a maior seção (exceto se você não possui dados). [cerca de 200 palavras, sem contar as legendas das figuras]

Conclusões: Relembre o leitor do resultado maior e rapidamente indique se sua hipótese foi confirmada. Tente convencer o visitante o por que esse resultado é interessante. Afirme a relevância de seus resultados com outros trabalhos publicados e a aplicação no mundo real. Indique as direções futuras. [cerca de 200 palavras]

Literatura citada: siga o formato descrito por sua área de pesquisa (a polícia bibliográfica de algumas conferências vai encontrar até mesmo as pequenas infrações, fique atento). Procure citar sempre outros trabalhos acadêmicos e publicações de periódicos científicos reconhecidos. [5-10 citações]

Agradecimentos: agradeça indivíduos por contribuições específicas (consultoria estatística, assistência laboratorial, comentários sobre as versões anteriores do poster, etc). Mencione quem concedeu financiamento. Não se exceda nos títulos das pessoas (João da Silva pode funcionar melhor do que Dr. Silva). Também inclua nesta seção divulgações explícitas para quaisquer conflitos de interesse e de compromisso. [cerca de 40 palavras]

Mais informações: se você mandou bem, alguns visitantes vão querer saber mais sobre a sua pesquisa e você pode usar esta seção para fornecer seu endereço de e-mail, o endereço do site, ou talvez uma URL, onde eles podem baixar uma versão em PDF do poster ou dados relevantes. Apenas certifique-se de editar a URL (não precisa ser azulada ou sublinhada. Utilize um encurtador).

Alguns dias antes da apresentação solicite que algumas pessoas critiquem seu poster, preferencialmente quando você não estiver presente (se você estiver por perto elas vão dizer “está muito bom!”). Peça-lhes para deixar as suas sugestões anotadas, levando-os a comentar sobre o conteúdo, contagem de palavras, o fluxo da ideia, a clareza das figuras, o tamanho da fonte, ortografia, etc. Você pode imprimir uma versão em miniatura de seu poster. Se você tiver acesso a um projetor, exiba o seu cartaz em uma tela grande e peça às pessoas para indicar na tela suas sugestões (mais uma vez, você deve estar em outro lugar, elas podem deixar post-its colados).

Outra maneira de solicitar comentários é converter o poster a um JPG e postá-lo no Twitter, Facebook ou no grupo Pimp My Poster do Flickr, e depois esperar pelas sugestões (“queridos amigos, por favor, me ajudem a tornar meu poster menos horrível. Comentários serão apreciados”).

SOFTWARES DE EDIÇÃO
Posters exigem visualização e impressão em grande formato, então você precisará de um programa específico para isso. A melhor saída é encontrar algum amigo designer que fará o processo de criação em softwares gráficos como Corel, Photoshop, Illustrator, Inkscape. Você pode tentar um software exclusivo para confecção de posters, como PosterGenius, Scribus ou até mesmo LaTeX, mas todos são bastante complicados.

Por sorte, a maioria das conferências hoje em dia solicita apenas a versão digital do poster, já que a apresentação deles é feita (horizontal ou verticalmente, verifique antes com a organização do evento) em telas de tv ou monitores de muitas polegadas. Sendo assim, a maneira mais simples é confeccionar o poster no próprio Power Point, Keynote ou Draw.

TEMPLATES
Você pode buscar por templates na internet ou utilizar os modelos abaixo (Microsoft PPT). Basta ajustar as dimensões na área de configuração do Power Point para que você tenha um modelo do tamanho que deseja (as conferências geralmente especificam o tamanho dos posters). Depois que o tamanho for corrigido, basta substituir o “blá, blá, blá” com seu próprio texto, adicionar alguns gráficos e está feito.

Aqui você encontra 5 tipos diferentes de templates, horizontais e verticais. Cada um deles evidencia melhor uma determinada área, alguns com três, outros com mais colunas. Escolha aquele que melhor se adequa ao conteúdo que você pretende apresentar. Clique sobre as imagens para baixar o arquivo template do Power Point.

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O QUE FAZER E O QUE NÃO FAZER
Algumas referências interessantes:
Como fazer um pôster para um Congresso
Como fazer um pôster científico
Preparando um pôster para conferência
Designing conference posters
Michael Barton’s poster tips
Conference posters
Speaking guidelines

INSPIRAÇÃO
Alguns posters que humilham a humanidade científica no quesito design:

Todos os posters acima criação do português Osvaldo Branquinho

Projeto acima de Cátia Costa

[tradução adaptada do post original de Colin Purrington “Designing conference posters“]

Redes sociais para pesquisadores e acadêmicos

Dado o seu potencial para a colaboração, estabelecer conexões e troca de informações e ideias, acadêmicos e pesquisadores podem utilizar as mídias sociais para otimizar seu trabalho, por que não? Algumas redes sociais já existem exclusivamente para conectar acadêmicos e apoiar os esforços, não só dos pesquisadores, mas também dos bibliotecários. Aqui estão algumas delas:

Academia.edu – De acordo com seu website “Academia.edu é uma plataforma para os acadêmicos compartilharem trabalhos de pesquisa”. A missão da empresa é acelerar a pesquisa do mundo. Academia.edu é uma rede bem conhecida, com mais de um milhão de pesquisadores. É muito rápido e fácil criar um perfil, e o site é capaz de extrair informações a partir de outras redes sociais como Twitter e Facebook para criar rapidamente o referido perfil. Um dos grandes benefícios de academia.edu é que os pesquisadores podem fazer upload de vários documentos, incluindo publicações e um CV, participar de conversas em comunidades acadêmicas e escolher entre uma variedade de interesses para seguir. A inscrição é gratuita.

Mendeley – De acordo com sua página de recursos, Mendeley é “um gestor de referências bibliográficas livre e rede social acadêmica que pode ajudá-lo a organizar sua pesquisa, colaborar com outras pessoas online e descubrir as últimas pesquisas.” Seu slogan é “É hora de mudar a forma como fazemos pesquisa”. Mendeley permite aos usuários carregar e compartilhar pdfs e incentiva a colaboração em grupos, onde os membros podem compartilhar documentos, acompanhar as atualizações, fazer comentários e acompanhar o progresso dentro dos grupos que criam. Os usuários também podem procurar artigos no banco de dados crowdsourced do Mendeley, adicionar documentos à biblioteca de seu perfil e comentar sobre os artigos de colegas diretamente. Mendeley não é apenas uma rede social, mas um gerenciador de referências bibliográficas de código aberto que é gratuito para se inscrever e fazer o download para o seu computador.

ResearchGate – O slogan do ResearchGate é “construído por cientistas, para cientistas, com a ideia de que a ciência pode fazer mais quando é impulsionada pela colaboração”. O principal objetivo do ResearchGate é conectar os cientistas, a fim de promover a colaboração. Com mais de 1,5 milhão de usuários, sua comunidade é composta de várias disciplinas. ResearchGate fornece uma plataforma para usuários construirem um portfólio online, apresentar a sua pesquisa, buscar um banco de dados de publicações do usuário e lista de conferências científicas. A inscrição no ResearchGate é gratuita.

Zotero – Enquanto o propósito primordial do Zotero é “ser uma ferramenta de uso fácil para ajudá-lo a coletar, organizar, mencionar e compartilhar suas fontes de pesquisa”, é uma rede bem conhecida e utilizada por uma significativa comunidade. Zotero hospeda grupos que permitem aos usuários se conectar e colaborar com outros cientistas e acadêmicos, e descobrir as obras de outros. Ele contém várias disciplinas através do qual um usuário pode se manter atualizado em e procurar as pessoas a se conectar. É livre para se inscrever e você fazer o download para o seu computador.

Scholastica – É uma start-up relativamente nova iniciada por um grupo de estudantes de pós-graduação na Universidade de Chicago. O objetivo do site é permitir que qualquer pesquisador crie, gerencie e publique em revistas de acesso aberto com revisão por pares online. Scholastica facilita o processo de publicação acadêmica através da conexão dos acadêmicos com revistas em que desejam publicar e conectando os periódicos com candidatos ao papel de revisores. Por ser uma rede nova, as comunidades acadêmicas são pequenas e os fundadores estão em processo de negociação com muitas revistas e editoras.

Os sites acima oferecem funções exclusivamente vantajosas para os pesquisadores, especialmente os programas de gerenciamento de referências, como Mendeley e Zotero. Mas para as mídias sociais acadêmicas obterem sucesso, é preciso criar oportunidades e benefícios que favorecem o conhecimento de maneiras que os métodos tradicionais não conseguem ou que levariam muito mais tempo para fazer.

Sim, existem várias críticas aos sites acima que uma pesquisa no Google pode facilmente descobrir. Os benefícios de tais sites para qualquer pesquisador ou cientista é somente tão grande quanto a comunidade no site de sua disciplina específica. Mas é melhor termos em mente que uma nova geração de estudantes de pós-graduação está entrando na academia tendo construído sua presença online, com habilidades desenvolvidas na navegação online e se conectando nas mídias sociais como Facebook e LinkedIn, e cuja norma é socializar na internet.

Por que esta próxima geração de pesquisadores não usaria tal conjunto de habilidades conforme eles vão avançando em suas carreiras acadêmicas, especialmente tendo em conta o quão competitivo o mundo acadêmico é? Embora seja muito cedo para dizer se redes sociais acadêmicas se tornarão a norma respeitada, especialmente tendo em conta o forte senso de tradição acadêmica, não se pode negar que elas vão exercer algum tipo de papel.

Particularmente, acho que algumas dessas redes oferecem bastante visibilidade aos pesquisadores, especialmente Academia.edu, que costume aparecer bem no ranking de resultados do google. Otimizar a marca pessoal de certo modo é parte do trabalho de comunicação científica.

Quando primeiro tomei conhecimento dessas redes, pensei que o mais interessante seria os próprios acadêmicos possuírem sites pessoais, onde estaria ali abrigada toda a produção intelectual. Algo mais aberto aos parâmetros da web hoje, independente e menos quadrado e institucionalizado como o Lattes, por exemplo. Ainda estou pra ver site mais incrível do que o de Ethan Persltein, pesquisador independente em farmacologia evolucionária.

Fabiano Caruso alertou para o risco que é incluir dados no Lattes ou qualquer outra rede social acadêmica e não saber exatamente como eles gerenciam ou utilizam a informação fornecida pelos pesquisadores. Mais ou menos como funciona a ética do Facebook, os usuários são o produto. Será que essas redes sociais acadêmicas serão capazes de gerar renda e lucro oferecendo os dados de pesquisa para instituição de P&D? Nós não sabemos. Todos os modelos de negócio, em última instância, dependem do trabalho livre dos usuários acadêmicos – um modelo que, pelo menos na área das humanidades e das ciências sociais, tem gerado debate considerável sobre suas dimensões potencialmente exploração. Quem sabe o próprio Facebook um belo dia não decide comprar o Academia.edu. Sinal dos tempos!

No meu caso pessoal, cansei um pouco da ideia de ficar movendo dados de uma empresa para outra, sempre que uma nova atraente aparece no mercado. Hoje é o Mendeley, amanhã poderá ser outra.

Mas talvez seja muito com que se preocupar. Sabemos que somos espionados, por exemplo, mas quem se importa? O risco aparente é menor do que o benefício.

Não deixem de acessar também a lista de ferramentas para organizar citações, compilada pela Marcela.

[tradução adaptada do original Social Networking for Academics and Scholars]

Os artigos mais citados dos periódicos da área da Ciência da Informação

Uma curiosidade antiga que eu tinha era saber quais os artigos da área da ciência da informação eram os mais citados de todos os tempos.

O problema é que as revistas da área não são indexadas na Web of Knowledge, Scopus e PubMed, que é onde normalmente você consegue extrair esses dados bibliométricos.

Então eu comentei com Tiago Murakami sobre a possibilidade de capturar os dados de citações do Google Scholar, já que a indexação lá era livre, e ele resolveu o problema.

Talvez a gente escreva um artigo juntos explicando todas as nuances envolvidas em buscar artigos mais citados e a metodologia empregada, apresentado mais e melhores dados.

Tiago Murakami é a pessoa que melhor entende de sistemas bibliométricos atuais, então se precisarem de consultoria, falem com ele.

Os 10 artigos mais citados da Ciência da Informação

1. Análise de redes sociais: aplicação nos estudos de transferência da informação
Número de citações: 417
Autor: Regina Marteleto
Revista: Ciência da Informação
Ano: 2001

2. Ciência da informação: origem, evolução e relações
Número de citações: 374
Autor: Tefko Saracevic
Revista: Perspectivas em Ciência da Informação
Ano: 2008

3. O papel da informetria e da cienciometria e sua perspectiva nacional e internacional
Número de citações: 296
Autor: Cesar Macias-Chapula
Revista: Ciência da Informação
Ano: 1998

4. Inteligência organizacional e competitiva
Número de citações: 288
Autor: Kira Tarapanoff, José Angelo R. Gregolin
Revista: Ciência da Informação
Ano: 2002

5. Como utilizar a Internet na educação
Número de citações: 279
Autor: José Manuel Moran
Revista: Ciência da Informação
Ano: 1997

6. Da bibliometria à webometria: uma exploração conceitual dos mecanismos utilizados para medir o registro da informação ea difusão do conhecimento
Número de citações: 227
Autor: Nadia Aurora Peres Vanti
Revista: Ciência da Informação
Ano: 2002

7. Bibliometria: evolução histórica e questões atuais
Número de citações: 199
Autor: Carlos Araújo
Revista: Em Questão
Ano: 2007

8. A metamorfose do aprender na sociedade da informação
Número de citações: 195
Autor: Hugo Assmann
Revista: Ciência da Informação
Ano: 2000

9. A natureza interdisciplinar da ciência da informação
Número de citações: 188
Autor: Tefko Saracevic
Revista: Ciência da Informação
Ano: 1995

10. Redes e capital social: o enfoque da informação para o desenvolvimento local
Número de citações: 166
Autor: Regina Maria Marteleto, Antonio Braz de Oliveira e Silva
Revista: Ciência da Informação
Ano: 2004

Estudo de usuários utilizando formulários do google

Nada como um velho e bom estudo de usuários.

Todo bibliotecário que se preza deveria realizar periodicamente um estudo desse tipo, para visualizar os pontos fortes e fracos da biblioteca e o grau de satisfação e necessidades dos usuários.

Usuários são propensos a oferecer respostas sinceras e precisas, mas os bibliotecários por sua vez normalmente não estão dispostos a ouvir o que os usuários tem a dizer.

Entendo que muitos bibliotecários fujam dos estudos de usuários simplesmente porque se sentem ainda mais impotentes ao reconhecer suas fraquezas e serem inteiramente impossibilitados (por razões institucionais e financeiras, maioria das vezes) de sanar o menor dos problemas.

De qualquer modo, um estudo consistente serve de insumo para tomada de decisão firme pautada nos dados oferecidos pelos usuários. Esse dados servem como argumento na captação de recursos e direcionamento no atendimento às demandas.

E uma das maneiras mais simples de confeccionar um estudo é utilizar os formulários do google. Você encontra os questionários no google drive. Recomendo muitíssimo.

Certamente existem tutoriais e manuais de configuração das perguntas, facilmente encontrados em buscas no próprio google. Mas talvez o principal desafio na formulação do questionário é saber o que perguntar e que tipo de resposta você gostaria de ouvir.

Além dos dados demográficos que servem para definir o perfil do público, é interessante coletar dados que informem os interesses desse público, se é um grupo heterogêneo ou se é possível identificar um público alvo, quais são as reclamações mais recorrentes, quais as observações sobre os produtos e serviços oferecidos, dados de utilização do acervo, sobre as instalações físicas e tudo mais passível de análise e interferência.

Por exemplo, dados estatísticos gerados pelo sistema de automação podem indicar quais são os livros mais emprestados e reservados, mas só um questionário aberto pode reconhecer se esses materiais satisfazem a demanda dos usuários. No final das contas, a biblioteca consegue equilibrar dados quantitativos oferecidos automaticamente pelo sistema, com os dados qualitativos obtidos no estudo de usuários.

Existe bastante literatura sobre o assunto, e cada biblioteca saberá elaborar um estudo de acordo com sua especificidade.

O último estudo de usuários realizado na biblioteca onde trabalho foi confeccionado inteiramente no google forms, e depois de compartilhar com os colegas da rede da UFRJ, muitas pessoas se mostraram interessadas não só na aplicação do ferramental de coleta, mas também na própria metodologia de agrupamento de demandas e níveis de sentimento por parte dos respondentes.

Por isso, compartilho com vocês alguns dados e informações coletadas no google forms e que podem servir de inspiração para outros estudos. Gostaria muito de ver os questionários e resultados dos estudos de usuários de vocês.

aqui o link para o questionário
https://docs.google.com/forms/d/1eylC7G564Az

aqui o link para o resumo das respostas
https://docs.google.com/a/ct.ufrj.br/forms/d/1eylC7G564Az

aqui o link para as respostas processadas
https://www.dropbox.com/s/lps0c8520rku4tn/

aqui o link para os problemas apontados a partir das respostas abertas e soluções estratégicas propostas por nós
https://www.dropbox.com/s/47i11xgm6wnxdsy/ – PDF 8MB