O que faz um bibliotecário “famoso”?

Me foi sugerida a tradução de um post da Jessamyn West, sobre como é ser uma bibliotecária famosa.  Não quero traduzir o post dela na íntegra, mas tentar fazer um post traduzindo e utilizando citações dela, fazendo meus comentários também.

Acho que já teve por aqui um post sobre O melhor bibliotecário que eu conheço, mas a Jessamyn esses dias estava questionando sobre a pessoa mais famosa em cada profissão quando se deu conta de que ela mesma era mais famosa na biblioteconomia nos Estados Unidos. Ela chegou a esta conclusão pois ela aparece nesta lista e também na lista recuperada pelo Google quando procuram pela palavra “librarian”, ou seja bibliotecário/a.

Ela inclusive criticou a definição de “bibliotecários” de acordo com o Google nessa imagem aqui que eu achei bem emblemática pra não traduzir:

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A lista de bibliotecários famosos não é tão longa assim e geralmente é feita de gente que fez coisas com livros em geral e pode ou não pode ter gastado boa parte da vida delas trabalhando em ou para bibliotecas. As pessoas que o Google acha que são bibliotecários em sua maioria tiveram outros trabalhos. Quando a pequena lista de pessoas famosas na sua área inclui Eratóstenes, você percebe que a biblioteconomia não é uma plataforma que apoia o que a maioria das pessoas entende por celebridade. Eu não sou reconhecida quando vou em bibliotecas aleatórias (geralmente) e não usaram meu nome pra batizar nenhuma biblioteca. No entanto eu participei de vários passeios nos bastidores de bibliotecas e vi vários porões incríveis. Você pode gastar sua fama de vários modos diferentes e este é o meu.

A Jessamyn também reconhece que outras coisas fizeram com que ela fosse “famosa” na área como estar na internet desde sempre (não só isso, como também acompanhar de fato as tendências), possuir o domínio librarian.net e também responder e-mails e atender telefonemas. Mas ela apontou uma coisa sobre a qual jamais parei pra pensar: que estamos num mundo onde findability (ou ainda “encontrabilidade”, ou recuperação pelas máquinas de busca) muitas vezes se equivalem à fama. Isso é bastante curioso pois uma pessoa pode ser famosa online e nem tanto na vida real ou o oposto disso. Ou ainda: pode ser famosa apenas em determinados nichos. Em se tratando de Internet, é difícil medir, acho, talvez quem saiba melhor responder isso é o Murakami que é das métricas.

Resumindo, a Jess considera biblioteconomia uma profissão clássica de nerds (e é mesmo, eu também concordo) e não vê nenhum problema em ser considerada “a rainha das nerds”, até acha graça e gosta disso. Mas ela acredita que boa parte de ser bem conhecida é porque ela de fato conhece muita gente, viaja bastante e frequenta muitas conferências de bibliotecários nos EUA. Mas ao mesmo tempo enfrentamos o mesmo problema: a biblioteconomia é uma profissão distribuída (tem no Brasil inteiro), então não existe um lugar específico em que se juntem todos os bibliotecários que não seja “online”. Então se você quiser conhecer colegas pessoalmente, você tem que viajar.

O que é difícil porque a maioria das pessoas que de fato trabalha em período integral em bibliotecas tem poucas oportunidades de viajar por conta de seu trabalho que não sejam as ocasionais conferências estaduais ou nacionais. E ainda assim, elas são as pessoas que estão fazendo o bom trabalho que pessoas como eu apenas falam sobre.

Mas convenhamos: a cultura de bibliotecas por lá é bem mais forte e a classe lá é bem mais unida que a daqui. Os bibliotecários lá não apenas defendem a profissão: eles são militantes. O senso de coletividade deles é muito forte. Ela ainda explica que além das conferências nacionais e estaduais anuais ainda existem encontros consistentes de: bibliotecários jurídicos, bibliotecários de música, bibliotecários públicos, bibliotecários cristãos, bibliotecários progressistas e todo esse pessoal tem seu próprio público e palestrantes. Acho que até hoje nunca vi (ou pelo menos não sei de) encontros de bibliotecários especializados no Brasil.

Eu tive trabalhos de meio período fazendo instrução em tecnologia, respondendo e-mails, escrevendo para publicações sobre biblioteconomia, cuidando de websites e dando palestras em conferências da área, o que significa que eu pude encontrar bibliotecários de todo o país. Eles me encontram mas mais importante que isso: eu os encontro. Saber o que importa para os meus colegas em todo o país me faz sentir que estou fazendo o nosso trabalho quando eu uso a minha mini-fama para ajudar a endereçar as preocupações da nossa profissão para as pessoas que não fazem parte dela.

É uma linda.

E aí ela chegou numa parte que eu vou traduzir na íntegra, simplesmente porque eu achei muito esclarecedor:

O que um bibliotecário famoso faz?

  • Aconselha

Pessoas entrando na profissão acreditando que ela pode ser divertida e criativa é muito mais interessante do que gente achando que é um trabalho limpo de escritório onde você pode ler o dia todo. A nova safra de bibliotecários é tão mais antenada e informada do que quando eu estava no curso de graduação. Vamos manter assim. Trazer gente boa pra área e mantê-las lá.

  • Colabora

Lutar contra o perpétuo problema de imagem por parte dos próprios bibliotecários. Trabalhar a moral e ao mesmo tempo trabalhar a mensagem que passamos. Promover bons trabalhos feitos pelos colegas e dizer “que ótimo trabalho” o quanto for possível. Pessoas te zoam pelo modo que você se veste? Ignore-as e força no coque. Use mesmo. [Traçando um paralelo daqui: As 10 Bibliotecárias Mais Gatas do Brasil | Bibliotecários Tatuados]

  • Traduz

Eu sou boa com tecnologia e em falar com o pessoal da área de tecnologia. Sou boa em entender o que uma biblioteca precisa em seu ambiente tecnológico. Eu geralmente traduzo as necessidades e preocupações de um grupo para o outro e vice-versa e sugiro modos para que esta comunicação seja mais clara no futuro.

  • Inova

Temos uma permissão para compartilhar e é um tempo maravilhosamente fértil para usar a tecnologia para fazer isso. Descobrir qual tecnologia se adapta bem aos propósitos da biblioteca (para uso dentro da biblioteca ou conectar bibliotecários fora da biblioteca) e começar a utilizá-las assim que são lançadas e contar novidades de como outras bibliotecas estão utilizando bem certa tecnologia.

  • Agita

Eu frequentemente relembro as pessoas de que servir todo o público é desafiador de verdade e complexo e que bibliotecas fazem um trabalho muito bom com isso, mesmo a despeito de um mundo cada vez mais privatizado. Reforma de copyright, uso justo, liberdade intelectual e a Library Bill of Rights permanecem como importantes fundações da nossa profissão. Conte aos outros sobre isso.

  • Defende

Pela diversidade e inclusão. Nossa profissão deveria refletir a diversidade de nosso público. Acesso a conteúdo e serviços deveriam ser o quão equitativos pudermos oferecer, para todas as pessoas, especialmente para as mais difíceis de servir. A divisão de empoderamento é real. As bibliotecas e seus apoiantes muitas vezes falam pelas pessoas que não podem ou não falam por si mesmas.

Essas não são bem atividades de alguém que você consideraria famoso. Não tem muito autógrafo não. Raramente apareço em roupas bonitas ou tenho minha foto tirada em público. Em última análise eu sou apenas uma parte de um sistema de pessoas e tecnologia bem amplo e interconectado que administram bibliotecas nesse país. E o nosso pessoal apenas é tão famoso quanto precisa pra fazer seu trabalho.

14 Coisas Que Todo Mundo Entende Errado Sobre Bibliotecários

“Sim, eu posso te ajudar a achar todos os livros.” “Não, eu não passo o dia inteiro lendo todos os livros.”

por Arianna Rebolini, do BuzzFeed

Título original: 14 Things Everyone Gets Wrong About Librarians

Recentemente perguntamos a alguns bibliotecários na comunidade do BuzzFeed quais são as idéias mais erradas que as pessoas tem sobre o seu trabalho. Seguem os resultados esclarecedores!

1. Que no seu trabalho não tem stress nenhum.

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Flickr: pleeker / Creative Commons

“Odeio quando as pessoas dizem, ‘é tão silencioso aqui. seu trabalho deve ser super relaxante’. Ou assumem que você tem três horas no trabalho apenas pra ler qualquer livro que você queira”. —Jackie DeStefano, Facebook

“Especialmente durante o programa de leitura de verão*!” —Maria Slytherinn Hill, Facebook

2. Que a tecnologia faz com que seu trabalho seja redundante.

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Shironosov / Getty Images

“[As pessoas assumem] que bibliotecários e bibliotecas são obsoletos porque ‘você pode achar tudo no Google’. Há tanta informação (eletrônica ou em outro suporte) que não pode ser acessada pelo Google, e nós sabemos encontrá-la.” —AnnaBanana617

3. Que você passa os dias lendo.

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Wx-bradwang / Getty Images

“Pessoas me disseram que elas adorariam ser bibliotecárias porque seria muito bom trabalhar com livros o dia todo. Nada disso. Não é isso que eu faço o dia todo. Eu trabalho com PESSOAS o dia inteiro – referência, programação de ensino. Às vezes isso envolve fazer com que elas encontrem livros, mas se não fosse pelas pessoas, não existiriam bibliotecários.” —Emily Lauren Mross, Facebook

4. Que você ou é assim…

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Valery Seleznev / Getty Images

“[As pessoas acham] que você precisa ser de um certo jeito! Tenho cabelo roxo, tatuagens e um piercing no nariz.” —Maria Slytherinn Hill, Facebook

5. Ou assim:

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google.com

“Todo o combo de ‘bibliotecária sexy’ é realmente tosco.” — saraf45be50781

6. Que se o seu foco é em leitura/literatura para crianças, é sempre brincadeira.

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Purestock / Getty Images

“Detesto quando acham que bibliotecários que se envolvem com crianças (ou escolares) são babás glorificadas que fazem apenas hora do conto. Eu sou responsável por bem mais que isso, incluindo habilidades em tecnologia e ensino” — Jessica Vining Prutting, Facebook

7. Que você só trabalha em bibliotecas ou em escolas.

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Ziviani / Getty Images

“A biblioteconomia é bastante ampla em diversidade. Trabalhamos em organizações, escritórios jurídicos, institutos de pesquisa e laboratórios, no governo e nas forças armadas. Não apenas damos baixa e realocamos livros. Somos pesquisadores, especialistas em computação, desenvolvedores de coleções, arquivistas, especialistas, especialistas em metadados (fazemos com que tudo seja encontrável online e offline) e muito mais” —AnnaBanana617

8. Que você não precisa de diploma pra isso.

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Chad Baker/Jason Reed/Ryan McVay / Getty Images

“As pessoas sempre se chocam quando eu falo pra elas que eu estou me especializando para ser bibliotecária. Acredito que elas pensam que bibliotecários só precisam saber a CDD e talvez como usar o computador, de vez em quando” —Chelsea Phillips, Facebook

9. Que o trabalho é fácil.

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Purestock / Getty Images

“Sou bibliotecária de escola de ensino fundamental e é muito frustrante ouvir, ‘Seu trabalho deve ser tão fácil! Você só lê pra eles o dia todo!’. Sim. E ensino habilidades de pesquisa, de comunicação, de falar em público, entre outras. Sem contar a gestão de classe, orçamento, processamento, auxílio aos professores… Certamente não é tão fácil quanto eu faço aparentar ser!” —brittanyo4910df152

10. Que você tem aversão à tecnologia.

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Cathy Yeulet / Getty Images

“A maioria das pessoas não percebe que nós temos que ter aulas de computação bem intensas para termos um mestrado em biblioteconomia. Muitos de nós entendemos de design de bases de dados, HTML, C++, e outros códigos!” —laureno404824e16

11. Que você precisa ser de uma certa idade.

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John Gomez / Getty Images

“Eu já ouvi isso um monte de vezes: ‘Mas você é tão novinha!’ (Sou uma anomalia. A maioria das bibliotecárias nasce com 60 anos e só fica velha a partir dessa idade.)” —katrinalewine

12. Que vocês são um bando de puritanos.

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Nandyphotos / Getty Images

“O maior erro que já ouvi na vida é o de que bibliotecários são puritanos. Eu amo sexo! Só não curto quando eu tenho que testemunhar isso / mandar as pessoas pararem / limpar depois. Trabalhei numa biblioteca por nove anos e durante esse tempo eu costumava a flagrar pessoas transando e assistindo pornografia no computador O. TEMPO. TODO. Não quero nem começar a falar de todas as camisinhas usadas que eu encontrei entre os livros. *nojinho*” —deejuju

13. Que você é um solitário introvertido.

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Jupiterimages / Getty Images

“[As pessoas pensam] que você quer ser um bibliotecário porque você quer sentar sozinho e ler; bibliotecários sempre tem que estar disponíveis e interagindo com todo mundo desde crianças birrentas até pais e mãe, a pessoas em situação de rua procurando abrigo no inverno e ar condicionado no verão, até idosos tecnofóbicos. Nem todo mundo é bom nisso, bem como em qualquer outra profissão, mas aqueles que começam achando que vão sentar atrás de uma mesa e ler o dia todo são poucos e bem distantes!” —sarahc130

14. Que bibliotecas basicamente são uma espécie em extinção.

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Flickr: drocpsu

“[As bibliotecas] não estão morrendo — elas estão mudando.” —Sara Frye, Facebook

 

*Nos EUA eles tem vários programas extra-curriculares que alunos fazem durante o verão, que é no mês de julho. Aqui seria mais ou menos equivalente à biblioteca de faculdade em época de provas, quando fica cheia de gente e os bibliotecários piram.

Vaga para bibliotecários no Netflix Brasil

Não se falou de outra coisa até agora – pelo menos entre os meus colegas bibliotecários: a vaga do Netflix para tagger. É uma vaga tão boa que parece mentira né? Mas não é mentira não.

O curioso é que as pessoas não tem muita noção do que um “tagger” faz. E isso é, basicamente, catalogação gente. Coisa que a gente ouve desde o início do curso de biblioteconomia.

Eles divulgaram a vaga pelo YouTube ontem, com um vídeo engraçadinho:

É claro que já teve brasileiro levando o vídeo a mal nos comentários. Pois essa vaga é coisa que “nem parece trabalho”. Mas aí é que está…

Nós sabemos que criar categorias, classificações e descrições do que for – de filmes, inclusive Marina que o diga – é trabalho nosso SIM! É nosso trabalho e MUITO! E é inclusive o que fazemos como bibliotecários desde os tempos mais primórdios.

Claro que eles pedem alguém que já tenha familiaridade com a terminolgia cinematográfica, porque aí a curva de aprendizagem é mais rápida para o negócio. Mas a verdade é que qualquer pessoa minimamente interessada pode fazer especificação de produtos facilmente. E como tem muita gente interessada em filmes e séries… Já viram né?

Com certeza vai ter uns 20394820948209389 caboclos tentando essa vaga dos sonhos e eu espero que pelo menos 3 deles sejam bibliotecários. No mínimo.

E aí?

Alguém que é bibliotecário e lyndo já conseguiu se candidatar?

E pra quem acha que essa é a vaga dos sonhos pra assistir todas as séries e filmes preferidos o dia inteiro, eu só vou largar esse Tweet pertinentíssimo aqui:

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A vaga é pra quem tem inglês fluente e segue a descrição traduzida, só pra gente saber um pouco mais do perfil que eles procuram:

Tagger Brasileiro
Empregos em Aprimoração de Conteúdo
São Paulo, SP

Netflix, o principal canal de Internet do mundo para filmes e TV está lançando uma caçada a um tagger que fale português brasileiro para se juntar a sua equipe de Aprimoração de Conteúdo.

Os candidatos aprovados serão responsáveis por assistir e analisar filmes e séries de TV que será apresentadas no Netflix no futuro. O tagger vai desconstruir os filmes e programas de e descrevê-los usando tags objetivas.

Este “processo de marcação” é a primeira etapa do sistema de recomendação Netflix e trabalha em conjunto com algoritmos avançados que geram sugestões altamente personalizados para cada um dos cerca de 60 milhões de usuários da Netflix, oferecendo-lhes um conjunto individual de títulos correspondentes seus gostos.

Outras responsabilidades podem incluir também atuando como um consultor cultural brasileiro, destacando as especificidades culturais e preferências de gosto nacionais.

O papel vai oferecer horários flexíveis de trabalho a partir de casa e se adequaria àqueles com uma paixão por filmes e séries de TV, como pode ser evidenciado por uma licenciatura em Cinema ou História do Cinema e / ou experiência em dirigir, criar roteiros ou cinema. Os candidatos com experiência de análise (por exemplo, como um crítico ou trabalhar em desenvolvimento) também seria adequado.

As competências chave e qualidades para este papel incluem:

– Expertise em Filmes e Conteúdo para TV

– Excelentes habilidades organizacionais

– Persistência em acompanhamento e seguimento em um projeto

– Detalhista

– Inglês fluente

Habilidades técnicas de interesse:

– Experiência com Sistemas de Gestão de Conteúdos ou Ativos

– Excel

Background:

– 1-2 anos de experiência em companias de website/mídia/novas mídias

– Experiência em Cinema ou editorial de TV é desejável

Favor observar: apenas currículos enviados em inglês serão considerados.

Referência, ontem e hoje: conversas de bibliotecária velha

Meu primeiro emprego foi na Filmoteca da Escola de Comunicações e Artes da USP. Na época era uma seção não oficial da biblioteca que abrigava, além dos filmes realizados pelos alunos do curso de cinema da própria instituição, uns 2500 títulos de outras instituições com as quais a ECA mantinha convênios.

Minhas modestas atribuições envolviam a catalogação e cuidados com a conservação da bagaça toda, todos os perrengues de caráter “administrativo” e, naturalmente, atendimento ao público.

Essa parte do trabalho era insana, porque os usuários olhavam pra mim e perguntavam se eu “tinha um filme” sobre os assuntos mais diversos como fabricação de cerveja, profecias de Nostradamus, criação de coelhos, filosofia, equações de segundo grau, o diabo. E todos os dias eu atendia um adolescente querendo filmes sobre as drogas ou sobre o aborto – para os eternos e inúteis trabalhos escolares, claro.

Imaginem tentar responder a essas questões sem ter um catálogo de verdade, apenas umas listas mais ou menos improvisadas. E vejam que estou falando de filmes de rolo que só podiam ser assistidos quando projetados, nada dessa moleza de vídeos em caixinhas, também conhecidos como videocassetes, que a gente enfiava num aparelho e assistia na televisão, podendo voltar, avançar e até parar a imagem quando quisesse. Essa modernidade só apareceu na Filmoteca uns seis anos depois da minha contratação.

Uma das demandas mais frequentes era o filme para substituir a apresentação do trabalho que o aluno não queria fazer ou a aula que o professor não queria dar. Esse substituto, obviamente, precisava ser a encarnação cinematográfica perfeita e literal do tema da aula ou trabalho a ser sacaneado. O filme deveria ser capaz de substituir até mesmo o conhecimento superficial do assunto. Alguém precisava, por exemplo, de um filme sobre a vida e a carreira dos participantes da Semana de Arte Moderna após a semana, mas não conseguia lembrar de um único nome de artista que tenha participado do dito cujo evento.

– Ah, não sei, não tem um filme sobre o que aconteceu com TODOS ELES depois da Semana?

Depois de um tempo, conhecendo melhor o acervo – e isso quer dizer que projetei para mim mesma e assisti a quilômetros de películas de acetato de celulose – comecei a desenvolver técnicas de convencimento de usuários. O papo era mais ou menos assim:

– Bem, não temos um filme assim prontinho sobre as diferenças entre o expressionismo e o impressionismo. Mas temos um sobre o impressionismo e outro sobre o expressionismo, olha que legal! Você pode mostrar os dois e falar sobre as diferenças!

Às vezes dava certo, às vezes não. Alguns usuários até achavam um absurdo que não existisse um filme exatamente sobre o tema de seu trabalho ou aula e me olhavam acusadoramente:

– Vocês deveriam ter, não? Aqui não é uma escola de artes?

Em dias de alto nível de ironia, eu concordava e dizia que eu poderia tentar fazer um rapidinho, mas em geral me limitava a explicar com alguma paciência como funcionavam a vida, o cinema e as bibliotecas. Outra sacanagem que eu gostava de fazer nos dias de ironia era perguntar ao moleque que pedia um filme sobre as drogas (ou o aborto) se ele queria um filme contra ou a favor.

– Huumm, sei lá … Acho que contra, né?

Nos dias mais felizes, eu conseguia convencer alguém a usar o filme não para substituir sua voz e seu pensamento, mas para dialogar e discutir. Por que não exibir um filme que defenda ponto de vista oposto ao seu e aí contrapor seus próprios argumentos? Num desses dias um professor me pediu um filme “sobre o capitalismo”. Sugeri um filminho de propaganda ideológica dos Estados Unidos produzido na época da guerra fria, que defendia galhardamente os dogmas capitalistas. O professor gostou da ideia e voltou dizendo que a discussão na classe foi excelente, muito melhor do que seria se ele passasse um documentário do tipo “o que é o capitalismo”.

Nos dias mais tristes o usuário se recusava a fazer uma simples busca em dicionário do acervo para conhecer melhor o tema do trabalho e, quem sabe assim, conseguir encontrar um bom filme para discutir suas próprias ideias, mesmo que eu indicasse as fontes mais prováveis. Era como se me dissessem, “olha, eu não quero pensar, não me amole”. Nesses dias melancólicos eu descobria que o trabalho encomendado pelo professor se resumia a passar o filme durante a aula. Eu preciso levar um filme, o professor mandou. Alguns alunos até me pediam para fazer um atestado para provar que estiveram na Filmoteca da ECA, mas não encontraram o filme sobre o aborto ou as drogas.

Eu gostava de explicar o quanto era absurdo obrigar um aluno a atravessar a cidade, muitas vezes perdendo horas de trabalho dele mesmo ou dos pais, para procurar um filme que nem existia. Que ele ganharia mais se aproveitasse o tempo estudando o tema, talvez até numa biblioteca pública perto da casa dele. E que ele poderia contar ao professor o que eu disse. Os estudantes vibravam quando eu dizia “fala pro seu professor ligar pra mim”, mas obviamente nunca recebi nenhuma ligação de professor indignado com minha falta de educação.

Durante os 10 anos em que trabalhei atendendo usuários aprendi muito com eles. Descobri, por exemplo, como e por quê as pessoas procuram filmes num acervo (mais ou menos) organizado e como se deve indexar e catalogar esse acervo para que ele faça algum sentido.

No início da década de 1990 saí do atendimento e fui trabalhar no tratamento da informação, catalogando e indexando filmes, imagens fixas, discos e partituras. Foi bom enquanto durou, mas o mundo foi rodando nas teclas do meu computador e acabei voltando à referência em 2013, não por um motivo meu ou de quem comigo houvesse que qualquer querer tivesse. Voltei feliz, porque o contato com o usuário me fazia muita falta.

Voltei para um mundo que todos me diziam que havia mudado. Um mundo onde o usuário busca informação de forma tão diferente que se os bibliotecários não “mudarem seus paradigmas” vão virar sucata. E como não sei que paradigmas são esses e sucata já sou mesmo, lá fui eu, não sem alguma apreensão, encarar esse usuário desconhecido que já nasceu digital.

Dois anos depois, constatei alguns fatos. Não, não fiz pesquisa nem estudo de usuário, por enquanto falo apenas de percepções. A universidade transborda de gente para fazer estudos, façam isso e me deixem trabalhar.

Sim, muita coisa mudou. Hoje a molecada procura “equações de segundo grau” no Youtube e pronto. Na verdade, pode até digitar “equassões” (acabei de testar) que funciona. Só aparece na biblioteca quem é chato e não ficou satisfeito com o resultado ou recebeu do professor ordens expressas nesse sentido. Um diálogo recente:

– Infelizmente não temos, mas olha só, tem no Youtube …

– É que o professor quer que a gente pegue numa biblioteca (expressão de tédio mortal).

-Tá bom, fala que você veio aqui na ECA e uma bibliotecária de 55 anos falou que esse filme do Youtube é muito bom, é um dos melhores sobre o assunto.

Entre os que me pedem auxílio, ainda é muito comum o desejo de encontrar trabalhos prontinhos com exatamente o mesmo tema da pesquisa do sujeito, seja a relação de A com B ou a influência de X em Y, e estou falando de gente fazendo mestrado, não de crianças. A diferença é que o usuário ingênuo de antigamente que pesquisava sobre a influência da invenção da fotografia no desenvolvimento da arte abstrata, por exemplo, procurava “influência” no fichário, não encontrava nada e pedia ajuda para os bibliotecários – se achasse algum por perto. Já o usuário ingênuo de hoje digita a frase no Google e como alguma coisinha sempre encontra, conclui que não precisa de auxílio nem de bibliotecas, certeza essa que uma rápida análise de seus textos acadêmicos pode facilmente desmentir. Do que eles não precisam mesmo, ninguém precisa, é de bibliotecas vagabundas, bibliotecários incompetentes e professores ruins.

Não atendo mais tantas crianças e adolescentes atrás de material para trabalhos escolares e isso tem um lado bom, porque só gosto de crianças a partir dos 18 anos. O lado ruim é que fico me perguntando se tem alguém conversando com eles sobre seleção e uso de filmes em sala de aula.

Antigamente eram poucos os usuários que realmente entendiam bem as ferramentas disponíveis na época, como os catálogos, as bibliografias ou as obras de referência. Hoje, tanto os usuários quanto as ferramentas são mais tecnológicos (digamos), mas o nível de compreensão não mudou significativamente. A maior diferença que percebo nesse embate entre “o que eu sei e o que preciso perguntar para alguém” é que poucos usuários tinham vergonha de não saber usar um fichário, que era entendido como coisa de bibliotecários, enquanto hoje as pessoas costumam escamotear ao máximo suas eventuais dificuldades com uma base de dados ou catálogo online. Ninguém gosta de ser visto como um excluído digital. Os mais jovens, ao contrário do que nós velhinhos gostamos de acreditar, não nasceram sabendo tudo, mas não têm a mínima vergonha de perguntar e aprender. E, para minha surpresa, também adoram ensinar: “ó, faz assim”.

Trabalhar no atendimento é muito mais divertido agora, porque temos infinitamente mais recursos para encontrar informação pro usuário, mas também é mais angustiante porque praticamente não existem mais limites para o que a gente precisa saber. Na década de 1980 eu tinha o acervo da instituição e mais uma listinha de endereços de outras filmotecas que entregava para o usuário que não conseguia atender com os “meus” filmes. Hoje eu tenho, teoricamente, o mundo. Que um dia será Tlön, não podemos esquecer.

A parte chata é que eu passo boa parte do meu tempo justificando erros do sistema, explicando interfaces ilógicas, traduzindo para o usuário termos que não fazem sentido para ele (nem para mim), torcendo para os links abrirem, mostrando caminhos para chegar a um recurso escondido num site mal feito. Antigamente eu só precisava explicar os meus próprios erros e os dos meus colegas bibliotecários. Agora, são os erros dos bibliotecários, dos analistas, dos vendedores de software, dos desenhistas de sites, dos editores de publicações online… de uma multidão sem rosto. Nem sempre sei de quem é o erro e, quando sei, raramente minhas críticas são ouvidas. Algumas coisas não mudam mesmo.

A foto é minha: um rolo de filme 16mm, uma coladeira.

Bibliotecários lato e strictu sensu

Sempre tive probleminhas com denominações e definições das coisas. Acho que esse foi um dos motivos que me levou a fazer biblioteconomia e também faz parte de uma busca pessoal por um certo senso de identidade – que hoje reconheço como ilusório. De uns tempos pra cá aprendi que a minha identidade pode ser fluída e essa questão não tem mais me angustiado tanto. Mas volta e meia me pego pensando no tema. A minha dúvida não é mais “o que é um bibliotecário” ou “o que faz um bibliotecário”, mas mudou para “onde está o bibliotecário?”. Já passei do “quem sou eu?”, hoje questiono “onde estou?” e daqui alguns tempos devo me perguntar de novo “pra onde vou?”.

Me formei em 2011 em Biblioteconomia e eu deveria ter feito mestrado. Contra tudo o que todos diziam, não fiz. Não sei dizer se foi a melhor escolha, só sei dizer que foi uma escolha minha. Da mesma forma que me diziam pra jamais fazer biblioteconomia e eu fui teimosa, insisti e fiz. Não me arrependo de nenhuma das decisões que tomei até hoje pois elas não me inviabilizaram nada, muito pelo contrário: me ensinaram muitas coisas. E depois da graduação fui fazer o que eu fui formada pra fazer: ser bibliotecária. Mas foi tudo muito diferente do que eu esperava. Eu achava que ia conseguir um emprego e ficar nele por um bom tempo até ir para outro e assim por diante. Mas não foi assim que a vida funcionou (pra mim ao menos).

Jamais considerei tentar concursos – mas sempre tentei e sempre falhei. Apesar de ser uma das opções mais interessantes para se ter estabilidade, acredito que me desmotivaria gradualmente por uma série de outros motivos. Pra mim seria morte em vida permanecer em um lugar apenas pelo dinheiro. Sim, eu sei, dinheiro é muito importante sim, mas existem outras coisas que me interessam mais. Ainda entendo que dentro da biblioteconomia o campo é vasto e que há de fato muito a ser feito. E eu nunca soube exatamente que tipo de bibliotecária eu seria. E ainda não sei se hoje tenho certeza – e não acho isso nada ruim, pelo contrário, o leque de possibilidades continua aí para que eu possa explorá-lo até onde for possível.

Ano passado recebi 3 ligações me oferecendo vagas pra trabalhar com a mesma coisa em lugares diferentes de São Paulo. Recusei cada uma delas, mas me interessava em saber sobre os detalhes à título de curiosidade do quanto o mercado está aquecido por aqui (São Paulo, capital). Até que um dia me chamaram pelo LinkedIn e me fizeram uma proposta que mudaria tudo – mas não muito. A vaga era para Analista de Produto, para trabalhar com taxonomia e catalogação em uma multinacional. Me interessei na hora, pois sempre quis trabalhar com isso tudo. Fui nas três entrevistas e então me chamaram.

Complicou um pouco pois eu estava exatamente na metade da pós, moro no centro e a empresa é em outra cidade e aí mudou tudo: horários, lugares, tudo aqui é longe e difícil. Mas coloquei na balança e decidi que eu queria passar por essa experiência acima de qualquer coisa e que queria o cargo. Valia o sacrifício. Mudar de cargo pra mim foi aceitar um desafio e tanto, pois até o momento tinha trabalhado apenas em frentes que podem ser consideradas strictu sensu na área de biblioteconomia e arquivologia: em uma biblioteca corporativa especializada e em um arquivo de uma construtora e incorporadora. Eu precisava e queria dar esse salto.

Sempre tive facilidade e curiosidade em lidar e aprender a mexer com algumas tecnologias, mas não entendia – diferente de vários dos meus colegas – como isso podia se encaixar na profissão que escolhi pra mim: a de bibliotecária. Há algum tempo eu achava que tinha escolhido biblioteconomia apenas para aprender as técnicas. Hoje acredito que minha relação com a área tem mais a ver com o fato de eu ter ‘aprendido’ ou melhor, vivenciado o mindset bibliotecário, que é diferente sim dos outros profissionais. É uma questão de mentalidade mesmo, da forma que enxergamos as coisas como estão ou podem estar no mundo.

Hoje eu entendo que num nível bem pessoal e particular, biblioteconomia para mim se aproxima mais disso mesmo, da estrutura, da forma que pensamos a informação – independente do contexto e de qualquer tipo de apego a normas e regras – sejam elas criadas há muito tempo atrás ou até mesmo as recentes, pois as regras do jogo estão mudando o tempo todo, constantemente. Acredito sinceramente que, pelo menos os bibliotecários do que posso chamar de nova geração (de 2000 pra cá) pensam a organização e representação da informação, suas estruturas e fluxos de modo específico, com foco no usuário. Ao menos quero ter essa fé..

Acredito também que a nossa área nos permite essa flexibilidade de poder trabalhar em diferentes tipos de ambientes de acordo com nossas habilidades. Nessa época em que o e-commerce é uma tendência cada vez mais em evidência, a forma de pensar do bibliotecário – trabalhando com uma equipe multidisciplinar, juntamente com arquitetos de informação e programadores – é primordial para o andamento do negócio. Neste tipo de ambiente em específico onde a experiência do usuário é altamente priorizada e privilegiada, a organização das informações e sua estruturação é o core, uma vez que não estamos mais lidando com objetos físicos e não podemos ver efetivamente o que se está comprando. A partir daí podem surgir N questões, nas quais já estou pensando para o meu TCC.

Trabalhando com taxonomia, indexação e catalogação, basicamente o que eu e minha equipe fazemos hoje consiste em: receber demandas dos departamentos da empresa, planejar e sugerir soluções levando em conta a taxonomia pré-existente do site (suas categorias, subcategorias, facetas e limitações da ferramenta); Analisar criticamente padronização das fichas de produtos disponíveis (seus atributos e valores, algo muito próximo de catalogação), avaliando as mudanças pretendidas e sugerindo implementações; E também estar em contato com o modelo de taxonomia da matriz, pensando numa possível migração e adaptação do modelo de negócio americano para o Brasil.

Como Analista de Produto trabalhando com taxonomia em ambiente de Internet, posso dizer que hoje sou uma bibliotecária lato sensu, que não trabalha com um cargo convencional ou tradicional na área. Mas basta observar as atividades realizadas que fica difícil dizer que “isso não tem nada a ver com biblioteconomia”. Tem sim. E tem muito. O que percebo é que apenas troquei livros e papéis por estruturas em árvores de links, mas a ideia da coisa toda é muito parecida contendo apenas nomes diferentes. Esse mundo de links parece muito distante de livros e papéis, mas a verdade é que pensar em planejamento e estratégia de organização da informação para o digital é bastante similar, com a diferença que as coisas acontecem muito mais rápido.

A tônica é de mudança constante. E isso requer um determinado tipo de perfil muito flexível, resiliente e adaptável – o que tradicionalmente não faz parte de um perfil da nossa área que seja mais conservador e avesso à mudanças (ainda mais constantes!). Geralmente as mudanças não ocorrem do dia pra noite: ocorrem de hora em hora, e das formas mais inesperadas possíveis… Linkagem, relinkagem, categorização, recategorização e migração são palavras de uso diário. Mas é só mais um jeito diferente de permanecer fazendo a mesma coisa. Este mês fazem três meses e nenhum dia tem sido igual ao outro…

Espero aprender tudo o que posso aprender por aqui.   

20 perguntas de entrevista de emprego para bibliotecários

Depois de seis meses de procura, eu finalmente fui contratada numa biblioteca pública como auxiliar, trabalhando em turnos de sobreaviso. Durante a busca por emprego, refiz o meu currículo dezenas de vezes, enviei para diversos lugares e sempre dava com a porta na cara. Até que finalmente fui chamada para uma entrevista! Catei na internet recursos que ajudassem a me preparar para a entrevista e procurei por perguntas específicas para bibliotecários. Como minha experiência profissional prévia não era em bibliotecas, meu desafio seria ainda maior, tentando provar como minhas qualificações e experiência anteriores seriam transferíveis para o ambiente e trabalho numa biblioteca.

Fui mal na entrevista. Assim que terminou, eu sabia que não tinha ido bem. Selecionei várias perguntas e ensaiei minhas respostas antes do dia, mas na hora do “vamo vê”, acabei me enrolando e não respondendo satisfatoriamente às perguntas que me fizeram. A maioria das perguntas eram comportamentais, daquelas que você tem que dizer o que fez (ou faria) em tal situação, ou dando exemplos de eventos que aconteceram na sua vida profissional que demonstrem a sua conduta dentro de situações específicas (as situações de conflito são particularmente complicadas de responder de uma forma que você não fique mal na fita). Não me chamaram de volta.

Felizmente, algumas semanas depois, outra biblioteca me chamou pra entrevista e dessa vez fui bem mais tranquila. Resolvi não ensaiar tanto como na primeira, resolvi seguir meu coração nas respostas. E funcionou! No dia seguinte ao da entrevista, recebi a ligação com a oferta de trabalho!

Hoje, compartilho com vocês algumas das perguntas que me fizeram e outras que encontrei durante minha pesquisa. De repente tem alguém aí do outro lado da tela que está disponível no mercado e tem que se preparar para uma entrevista de emprego.

1. Quais são suas fraquezas?

2. Quando você falhou no trabalho? Explique o que aconteceu e o resultado final.

3. Por que você quer trabalhar nessa biblioteca?

4. Qual é a sua filosofia em relação à biblioteconomia e trabalhar em bibliotecas públicas?

5. Onde você se vê em 5 anos?

6. Se você estivesse sozinho na biblioteca e um usuário estivesse bebendo bebida alcoólica (aqui no Canadá é proibido) enquanto usava o computador, o que você faria?

7. Você está no balcão de informação e duas crianças estão correndo pelas estantes. Alguns usuários já reclamaram do barulho. Você já alertou as crianças a não fazer isso, mas elas continuam. O que você faz?

8. Fale sobre um livro que você recomendaria para adultos e por quê?

9. Se tempo e dinheiro não fossem impedimento, que tipo de projeto você gostaria de fazer na biblioteca?

10. Como você lida diante de mudanças?

11. Como você lidaria com uma pessoa que estivesse fazendo algazarra na biblioteca?

12. Se você não concordasse com uma atitude do seu superior, o que você faria?

13. Dê um exemplo de erro de comunicação entre você e um usuário. O que você fez?

14. Você já entrou em conflito com algum chefe ou colega de trabalho? Como lidou com a situação?

15. Por que a gente deve te contratar?

16. Quais são as habilidades ou experiência que você tem e outros candidatos talvez não tenham?

17. “A referência está morta.” Você concorda ou discorda? Qual é o valor do serviço de referência nos dias de hoje?

18. Você está no balcão de informação atendendo um usuário. Outra pessoa entra na fila. O telefone toca. O que você faz?

19. Quais são seus três recursos mais importantes para uso em bibliotecas públicas?

20. O que você faria se não soubesse responder uma pergunta de um usuário?

Como você responderia a essas perguntas?

Imagem: Flazingo, sob licença Creative Commons

A grande ilusão

Trabalhei com documentação audiovisual durante toda a minha vida profissional. Comecei organizando uma filmoteca, no tempo em que o suporte para o cinema amador ou para filmes destinados ao uso didático era a película em 16 milímetros. Depois veio um caótico acervo de fotografias e slides, mais tarde aprendi a catalogar discos e partituras e quando surgiu o videocassete, criei uma videoteca. Trabalhei com conservação, migração de suportes, digitalização, tratamento da informação, seleção e aquisição, atendimento ao público. Desenvolvi metodologias de tratamento para esses documentos e preparei dois manuais para compartilhar a experiência.

Tive o privilégio de ter sido aluna da Johanna Smit, convivido e trocado ideias com ela ao longo desses anos todos de trabalho na ECA/USP. Lá no início dos anos 80 os professores do curso de biblioteconomia já diziam,  com aquela carinha de professor  que descobriu algo muito importante e está alertando as crianças para o fato , que “bibliotecários não trabalham só com livros, hoje as bibliotecas tem vários tipos de documentos” e que “nós trabalhamos com informação, não com livros”. E provavelmente já diziam coisas assim antes, mas eu não ainda estava lá para ouvir.

O problema é que essas afirmações, que gosto de chamar de “a grande ilusão” por motivos essencialmente cinematográficos, só se tornavam realidade palpável na aula da Johanna, enquanto as demais tratavam mesmo de livros. E lá se foram mais de 30 anos. Suportes que na época ainda não existiam hoje já estão praticamente extintos, e os alunos de hoje continuam reclamando da mesma coisa: por mais que se apregoe o contrário, nos cursos de biblioteconomia só se aprende a trabalhar com livros.

Para suprir as deficiências de sua formação, bibliotecários que trabalham com documentos audiovisuais sempre recorreram à experiência de instituições com tradição na área. Eu fiz isso no início, e quando já estava mais à vontade nesse universo comecei a receber visitas de colegas para conhecer o trabalho da Biblioteca da ECA. Conheci dessa forma muitos bibliotecários preocupados por não saber como tratar o acervo sob sua responsabilidade que, provavelmente, acabaram aprendendo. Também conheci administradores que nem imaginavam que um bibliotecário poderia resolver seu problema, até porque nem sabiam o que era um bibliotecário, e outros que não conseguiam contratar um profissional com experiência ou algum conhecimento na área de audiovisual. Mas o pior foi topar com gente que contratou bibliotecário e se arrependeu, porque o profissional só enxergava uma forma de trabalhar, seguindo aquelas normas que aprendeu na faculdade como se fossem leis de um livro sagrado e teimando em ignorar a opinião do usuário de seus serviços.

Sempre tive a sensação de que estávamos perdendo uma fatia do mercado de trabalho que poderia ser muito promissora para bibliotecários, por culpa, sobretudo, da formação deficiente que recebemos. Já reclamei disso no meu blog Dia de Greve, Dia de Trabalho, onde reclamo o tempo todo.

Fora do discurso vazio, na dura realidade, o status quo da biblioteconomia só se preocupa com documentos textuais e não entende muito outras linguagens e formas de expressão. Reparem que não estou me referindo a simples diferenças de suportes, a coisa não é tão simples como pretendem os que dizem que “é tudo a mesma coisa, só muda o suporte”. Para atender às necessidades de  usuários de acervos de imagens ou de música, por exemplo, é preciso saber um pouco mais do que preencher corretamente os 007 e 300 do MARC. Já escrevi um pouco sobre essa questão em alguns textos de um blog sobre documentação audiovisual, onde também reclamo bastante (porque sou uma bibliotecária muito rabugenta):

http://imagemfalada.wordpress.com/2012/05/14/antes-que-o-diabo-saiba/

http://imagemfalada.wordpress.com/2012/04/07/calma-uma-coisa-de-cada-vez/

http://imagemfalada.wordpress.com/2012/01/11/a-regra-do-jogo/

Um artigo recente da revista El Profesional de la Información, Rasgos y trayetorias de la documentación audiovisual,  coloca em termos bastante concretos os meus receios. O autor observa que ao crescimento da produção e circulação da informação audiovisual não estaria correspondendo um crescimento proporcional da gestão documental desses conteúdos. Muito se produz e se usa, mas pouco se organiza. Uma das razões apontadas no artigo é o fato de que os novos sistemas digitais de produção audiovisual transferem ao próprio produtor-usuário funções antigamente próprias dos arquivos, como a inserção de metadados e a busca. E bota o dedo numa ferida antiga e difícil de curar:

Observa-se que existe uma distância entre os programas acadêmicos das graduações em biblioteconomia e documentação, orientados monograficamente à gestão da informação, e os perfis profissionais demandados em determinados setores, como o multimídia, onde a gestão de informação não ocupa um lugar independente, mas integrado em outras atividades da organização (p. 11).

Resumindo, não conseguimos dar conta do recado, apesar de existir a demanda por um serviço que, em tese, poderíamos oferecer. E a tecnologia veio ajudar os próprios usuários potenciais e negligenciados a se virarem sem nossa preciosa mediação.

Outro ponto interessante do artigo é a constatação de que grandes arquivos audiovisuais analógicos permanecem, na Espanha, à espera de projetos de conservação e digitalização. O risco de perda de documentos é expressivo: gravações em vídeo da década de oitenta, por exemplo, já mostram sinais de deterioração. Uma das dificuldades a enfrentar é a falta de um inventário nacional desses arquivos. Sabe-se que existem talvez milhares, mas não se sabe ao certo o que contêm. Suponho que a situação no Brasil não seja lá muito diferente, embora o autor mencione nosso país como um dos que inseriram “a preservação do patrimônio audiovisual dentro de um conceito mais amplo de identidade cultural” (p. 8), dado sem dúvida positivo.

Minha conclusão pessoal é que  ainda somos necessários, embora a perda de espaço já seja um fato. Ainda existem acervos importantes precisando de tratamento, mercado potencial para profissionais da informação que saibam o que fazer ou aprendam muito rápido.  Mas quanto tempo ainda resta, isso eu não sei.

 

Fora da biblioteca

Passadas as comemorações do Dia do Bibliotecário, acredito que se fizermos um levantamentos dos temas mais abordados nesses eventos, entre os três mais recorrentes vamos encontrar “a atuação do bibliotecário fora da biblioteca” (os outros dois vocês já sabem quais são).

Não é um tema novo. Eu mesma já participei de paineis e projetos sobre o assunto em outros anos. Mas a popularidade desse tema me faz pensar se isso, na verdade, não é um reflexo do temor de estarmos nos tornando obsoletos e termos que encontrar novos espaços e atribuições onde todo esse nosso precioso conhecimento adquirido na graduação possa ser útil e relevante.

Desde que escolhi o curso de Biblioteconomia, nunca tive a pretensão de trabalhar em uma biblioteca. Lembro-me perfeitamente de que quando ainda estava indecisa entre prestar vestibular para Enfermagem, Arquitetura ou Matemática, li a descrição do curso de Biblioteconomia no Guia do Estudante e achei fantástica a ideia de uma profissão criada para organizar informações, e a promessa de que poderia atuar em empresas, escritórios, grupos de pesquisa, etc.

De fato, em mais de dez anos de carreira, nunca cataloguei um livro profissionalmente, só trabalhei no setor de referência por duas semanas (ou cobrindo o horário de almoço de algum colega), e tive uns seis meses de experiência na indexação, mas ainda assim fiquei conhecida como “a bibliotecária que trabalhou na ONU”. Só que o restante do tempo lá, eu estava fazendo outras coisas.

Como bibliotecária, já fui coordenadora de publicação eletrônica, diretora de tecnologia, gerente de marketing, gerente-geral de vendas de publicações, gerente de relacionamento, e especialista em treinamento, entre outras funções. Em algumas delas, a formação em Biblioteconomia foi determinante para conseguir a vaga, em outras foi um diferencial importante, e em todas, os conhecimentos de organização e gestão de informação foram fundamentais para ser bem sucedida.

Aos que pretendem seguir esse caminho fora das bibliotecas, tenho duas recomendações:

Primeira: Cultive habilidades e competências adicionais aos seus conhecimentos básicos. Pode ser em áreas instrumentais, como idiomas ou tecnologia; em áreas afins, como arquitetura da informação ou publicação eletrônica; ou ainda em tópicos totalmente diversos, como economia, finanças, políticas públicas, sustentabilidade, que lhe trarão uma nova perspectiva e podem abrir caminhos para atuar nesses contextos.

Segunda: Não tenha medo de se desapegar da nossa eterna bandeira da informação como bem social. Todos nós temos em nosso cerne bibliotecário o ideal do compartilhamento, da disseminação, da democratização da informação. Mas o mercado não está nem aí para isso. Empresas querem vender produtos, outros grupos querem vender ideias. E você vai ser pago para isso. Mas não se preocupe, pois no meio do caminho, você vai acabar descobrindo maneiras de socializar a informação sem entrar em conflitos com seu empregador.

Resumão do dia do bibliotecário

Introdução da Marcela, que tá mantendo um blog bem legal

Toda profissão deve ser valorizada e datas comemorativas são importantes como marcos em nossas vidas. Servem de guia para refletirmos sobre o que se passou e o que virá a seguir. Por isso, acho que muito mais do que flores e gratificações, o importante mesmo é refletirmos conscientemente sobre o que significa ser um profissional bibliotecário hoje. O que significa em nossas vidas ser um profissional. E o que teremos construído no final dessa jornada

seguido por uma chamada às armas, articulada pela máquina de ideias Jonathas

Na data alusiva ao bibliotecário (12 de março) é muito comum que comemoração e reflexão (esta mais pontual e superficial) seja realidade latente. No entanto, falta o crucial: propor e desenvolver novas ações para o desenvolvimento político da área que, embora crescente, ainda padece de ações mais continuadas e consistentes para/com a sociedade. Esta percepção propositiva e de ação continuada chamarei de “campanhar”.

entremeios, gente que é ao mesmo tempo reconhecidamente bad vibe e as melhores bibliotecárias que eu conheço, achando que não havia nada a celebrar

Marina

Mas que saco de dia de bibliotecário! Coisa mais irrelevante

LuGrings

Sobre o dia de hoje: obrigada pelas lembranças, mas não me sinto com ânimo para comemorar nada. Todo dia me sinto um pouco violentada nesta cidade e neste mundo, tamanha a falta de civilidade, de educação, de respeito à cidade e ao próximo. Todo dia tenho medo de ouvir alguma gracinha indevida e desrespeitosa. Todo dia convivo com dificuldades no trabalho, dificuldades no caminho pro trabalho, vejo gente com dificuldades pessoais oriundas de seus meios de origem. Vejo gente em condições impróprias de sobrevivência, enquanto um bando de corruptos, inaptos, incompetentes e canalhas, eleitos por uma maioria ignorante e vendida por uma cesta básica ganham rios de dinheiros e riem da nossa cara, nós que tocamos esse elefante branco e sem salvação, onde esperto é o babaca que faz uma conversão proibida e otária sou eu que cobro que este merda deveria ser multado.Desculpe, mas não tenho muito o que comemorar.

gente que é too cool to care, feito Dora

Sobre hoje, colegas: whatever

porque a Dora é cool de verdade e pode, eu e o Caruso não, apenas cool wannabes

Passou o dia nacional da vergonha profissional alheia

gente que é reconhecidamente alto astral e que resolveu arregaçar mangas para tornar uma mentira em algo que é possível que se torne uma verdade, como Murakami

Dia do bibliotecário: O resultado que mais gosto da profissão de bibliotecário é saber que aceleramos o desenvolvimento do País, seja colaborando com a ciência, seja incentivando hábitos de leitura ou até acelerando o crescimento econômico por sua atuação em empresas. Gosto de saber que ajudamos a construir uma sociedade mais bem informada e por consequência, melhor para todos viverem.

gente que tem muita história de trabalho pra contar e ofereceu um relato sincero sem tornar tudo uma catarse coletiva,
tipo Soraia

Hoje, Dia do Bibliotecário (a) no Brasil, quis somente destacar que jamais me arrependi da escolha que fiz. A Biblioteconomia me deu muito, apesar de algumas vezes também ter gerado dores. Mas trouxe experiências ricas, trabalhos desafiadores, conhecimento com pessoas e…oportunidades. Por tudo isso sou grata e continuo motivada como a menina que está contida nesta imagem.

e Sandra

Sou Bibliotecária formada, concursada e atuo em uma Biblioteca Pública onde não tenho autonomia para fazer nada, não tenho direito a opinar, não sou ouvida, não sou consultada e fazem o que querem da Biblioteca Municipal, tenho de ver e ouvir passivamente tudo que decidem fazer sem poder intervir ou, evitar que falhas graves sejam cometidas.

gente que pensa antes de falar e fala sem precisar pensar, que decidiu mostrar que os bibliotecários também amam (e me deu a ideia de criar uma série dos momentos mais emocionantes em bibliotecas, em breve), feito Gustavo

Uma das inesquecíveis experiências que tive como bibliotecário foi auxiliar um senhor “que tinha problema de vista” a encontrar a nomeação do filho dele no diário oficial. Ele ficou tão feliz que eu fiquei feliz de contribuir com aquilo.

gente que prefere trabalhar no dia do bibliotecário do que tirar folga, e coberto de razão, tipo Wyse

por um dia do bibliotecário comemorado sem palestras

gente que faz a gente ver que um monte de gente tem o mesmo problema que a gente, tipo Gisela

Inspirado no post de ontem, qual é a frase senso comum que vc mais ouve quando conta a alguém o que vc estuda/trabalha?

e gente que decidiu resgatar sua lembrança mais terna com a bibliotecária de óculos e coque, como o Ruffato

Ao me observar sempre por ali, quieto, sem nada fazer, a mulher de óculos e coque que permanecia sozinha atrás de um longo balcão, rodeada de livros, pensou talvez que eu quisesse fazer um empréstimo, mas que, por algum motivo, timidez talvez, não tivesse coragem de me dirigir a ela. Então, tomando a iniciativa, me chamou, colheu alguns dados, preencheu uma ficha, colocou um livro em minha mão e disse: Leve, leia e devolva daqui a cinco dias… Em pânico, não contestei. Enrubescido, peguei a brochura, coloquei na pasta e deixei rapidamente a biblioteca.

Tudo isso coroado pelas maiores homenagens que poderíamos receber, Armandinho, Cansei de ser gato e The Noite

Cientistas da informação? Mesmo?

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Meme que circulou hoje (18/02/2014) no Facebook.

Quando digo que sou formada em biblioteconomia, as pessoas que não tem muito contato com bibliotecas fazem várias perguntas. A que todo mundo conhece e que todos os estudantes da área já estão cansados de ouvir é o famoso “biblioquê?“. A segunda pergunta é “mas quem se forma nisso faz o quê mesmo?”. A terceira “Ah! Mas então você é biblioteconomista!”, quase, na trave. E os que sabem um pouco mais perguntam “você é bibliotecária onde?”.

Tinha escrito que um nome é só um nome antes. Mas querendo ou não, nomes designam uma série de coisas. Eu não sabia se eu ia, efetivamente, trabalhar como bibliotecária depois de formada. Vários colegas bacharéis se formam e vão trabalhar no mercado de Arquitetura da Informação, por exemplo, ou de Análise/Métricas de Mídias Sociais, ou com estatística de dados. São bacharéis em biblioteconomia, mas que não precisam de CRB. São bibliotecários de alma, mas não de carteirinha.

O que é mais importante?

O contexto é importante. Categorias e classes apenas importam no contexto em que importam. Caso eu fizesse o mestrado, seria apenas uma bacharel em biblioteconomia – pois, para mim, bibliotecário é quem atua e para o CRB é quem tem CRB. Para o mercado, bibliotecário é quem tem experiência ou procedência de uma boa universidade. Caso eu me formasse mestre em Ciência da Informação, me consideraria mestre em Ciência da Informação.

Este ano pretendo fazer uma pós latu sensu e devo me tornar especialista, caso tenha sucesso. A Ciência da Informação é uma grande área, mas vinculada a ela ou não, posso continuar pesquisando ‘a informação’ de modo a melhor se adequar aos meus interesses profissionais no momento. Posso ser pesquisadora vinculada à uma instituição de ensino superior ou pesquisadora independente, que é o que acredito que faço quando traduzo artigos e escrevo posts para o meu blog.

Vejo até hoje muitos graduandos utilizando o termo ‘cientistas da informação’ para se definirem, mas talvez as únicas pessoas que tenham ‘alvará’ para se denominar assim sejam os mestrandos e doutorandos em CI. No Brasil, não há uma graduação em Ciência da Informação propriamente dita, mas em Biblioteconomia apenas (isso explica bem o quadrinho). Há apenas uma graduação em Gestão da Informação na UFPR e ela não forma bibliotecários. Nem cientistas da informação. 

Então: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!

Sobre esse termo, imagino que seja apenas um nome pretensioso demais para definir algo que é muito mais simples: pesquisadores com interesse em informação de uma determinada área; ou com interesse na gestão ou fluxo de informação de um determinado ambiente, serviço ou produto. Particularmente quando leio o termo “ciência” o que me vem imediatamente em mente são as hard sciences: química, física, etc., onde existem os cientistas propriamente ditos.

Vamos pesar um pouquinho no estereótipo agora: aqueles mesmo, que usam jalecos, tem cabelos esquisitos, vivem enfurnados em laboratórios com substâncias raras, utilizadas com propósitos específicos, em ambientes ultra controlados e se comunicam com demonstrações e símbolos. Nem melhores, nem piores, mas bastante diferentes da área de ciências humanas. De qualquer modo o nome – Ciência da Informação – já existe e está consolidado enquanto área dentro da grande área das Ciências Sociais Aplicadas.

Mas sim, é sempre bom lembrar que existem ciências e ciências. 

E fazer ciência, infelizmente, ainda é pra poucos.