Entrevista com Edilson Damasio

Edilson Damasio é Bibliotecário Mestre, e atualmente trabalha na Biblioteca Central da Universidade Estadual de Maringá – UEM e nos concedeu uma interessante entrevista sobre Softwares Livres e o Gnuteca. Segue a entrevista:

Sobre Software Livre:

Como você tomou conhecimento do movimento de Software Livre?

Tomei conhecimento através da própria Internet, surgindo com a discussão sobre o sistema operacional Linux, das licenças GNU; através de e-mails em listas de discussões da área de Ciência da Informação, Biblioteconomia, Softwares para bibliotecas, entre outras. Tenho também parcerias com diversos colegas analistas de Informática, que já atuam com softwares proprietários e que viram a demanda e o aumento da utilização e desenvolvimento de softwares com “código fonte” aberto.

Quais os principais benefícios de um Software Livre em relação a um proprietário?

O principal seria o que a própria filosofia do Software livre implantou imediatamente, o acesso ao “código fonte” dos softwares. Através desta disponibilidade estes ficaram livres para o desenvolvimento, alterações, adaptações e infinidades de recursos. Outra seria o custo de licenças ser zero, é disponibilizado sem custos para a aquisição de licenças e/ou novas versões que estejam disponíveis. Utilizar sistemas operacionais e softwares livres deixa a organização sem ter despesas para a aquisição de licenças, podendo utilizar estes recursos para outros destinos. Outro benefício é o constante desenvolvimento nas versões, sendo desenvolvido em cooperativa o proprietário do software, ou que centraliza o desenvolvimento recebe contribuições de melhorias já desenvolvidas e também novos aplicativos no próprio software, desta forma sendo constantemente melhorado, não necessitando da aquisição de novas versões do software como é utilizado no proprietário, as novas versões também estarão disponíveis livremente. Desta forma, quem utiliza o software livre poderá desenvolvê-lo ou aguardar novas versões disponíveis.

Que ligações você faz entre Software Livre e Biblioteconomia?

A Biblioteconomia e Ciência da Informação tem linhas de pesquisa e disciplinas voltadas ao planejamento de sistemas de informação e também no planejamento da programação de bases de dados como é o caso do Winisis, teve sempre esta proximidade com o planejamento de sistemas, voltados ao gerenciamento de dados e informações bibliográficas principalmente. Como início, tivemos a grande utilização do software CDS-ISIS que é um software Freeware, sem custos de licença, mas com código fonte fechado. Este foi utilizado e melhorado desde a década de 1980 com o desenvolvimento de aplicativos na mesma linguagem de programação e neste ritmo para as bibliotecas que não tinham recursos para a aquisição de softwares proprietários, sempre iniciaram com a utilização do CDS-ISIS que ainda hoje é muito utilizado. Surge então a necessidade de softwares melhores e com módulos para a automação de todos os processos de serviços das bibliotecas, o CDS-ISIS responde a estas necessidades superficialmente e o softwares proprietários foram se desenvolvendo neste aspecto de vários módulos de serviços. Com o surgimento do software livre para automação de bibliotecas como o Gnuteca, estes módulos de serviços que eram sempre dos softwares proprietários começaram a ser incorporados com o recursos considerados indispensáveis para um software. Outro motivo também é a utilização de sistemas operacionais livres, pacotes para Office como o BfOffice, pelas instituições de ensino visando não pagar mais licenças de softwares proprietários, neste caso os softwares livres já foram desenvolvidos nestas plataformas.

Quais softwares livres você recomenda que os bibliotecários olhem com mais atenção?

Existem poucas opções disponíveis, mas como qualquer novo projeto tem que ser planejado sua aquisição de acordo com os interesses da Biblioteca e também da Instituição. A maioria dos softwares de Biblioteca tem uma peculiaridade, não tem interoperabilidade com outros sistemas da Instituição, como o Financeiro e Acadêmico, que contém informações essenciais para a Biblioteca, que preferencialmente tem que ter dados de seus usuários na Instituição atualizados em tempo-real através da interoperabilidade. Uma vantagem do Gnuteca é que ele faz parte de um pacote de softwares para o gerenciamento Acadêmico e Financeiro, utiliza linguagem de programação muito comuns aos desenvolvedores como o PHP, e utiliza como banco de dados o PostGres, sistema de gerenciamento de bancos de dados, possibilitando o relacionamento entre as bases de dados. Estes também softwares livres e muito utilizado no mundo todo. Outro software também utilizado seria o OpenBiblio, este desenvolvido no exterior, mas com tradução para o português. Existe um artigo que estará sendo apresentado no SNBU2006 de minha autoria com outro bibliotecário Antonio Marcos Amorin USP, comparando o Gnuteca e o OpenBiblio.

Em que casos você recomenda o uso de Software Livre e em quais casos não recomenda?

Uma grande questão que aflige os bibliotecários é a definição de qual software utilizar, existem software de todos os tipos e preços, existem diversas opções. Para a utilização do Software Livre o bibliotecário deve priorizar os seguintes planos: – a sua instituição tem alguma política de aquisição de softwares para todos os serviços? – estes serviços deverão ter interoperabilidade dos dados entre os sistemas? – o software para a Biblioteca, livre ou proprietário terá necessidade de interoperabilidade com os demais sistemas da instituição? – se a sua instituição exige que o software tenha esta interoperabilidade, o bibliotecário já não terá poucas opções no mercado, tanto livre como proprietário. Porque? A resposta é bem simples, os sistemas para Bibliotecas muitas vezes tem um alto nível de desenvolvimento voltado para os serviços bibliotecários, mas são desenvolvidos em plataformas que não são compatíveis com os demais sistemas da Instituição, para serem compatíveis e ter a interoperabilidade a Instituição terá que adquirir licenças de sistemas de gerenciamento de bancos de dados. Resumindo terá que adquirir além do sistema para a Biblioteca, também um sistema de gerenciamento das bases de dados, ter suporte e pagamento de licenças anuais como o Oracle. Acho que estas informações são muito importantes antes de planejar a aquisição de softwares. Agora respondendo: se adquirir um Software Livre não terá custos na licença, se os demais sistemas da instituição tiverem licenças GNU ou GPL a interoperabilidade será feita facilmente com outros softwares livres e tudo funcionará bem. Mas para isso, o Software Livre, apesar de não ter custos de licença tem custos no suporte, que se a Instituição tiver pessoal capacitado em Softwares Livres não terá problemas, mas senão terá que contratar suporte. O Gnuteca ou os demais Software Livres, por terem os códigos abertos, dependem de suporte capacitado. Nestes caso se a Instituição não tem, é melhor adquirir um proprietário, onde o suporte e o desenvolvimento já estará nos custos da licença e manutenções.

Na área de biblioteconomia, que instituições podes nos dar como exemplo de uso de software livre?

Os softwares livres estão sendo utilizados amplamente nas instituições públicas, nas particulares também. Na biblioteconomia temos o exemplo de instituições como o PUC-SP que utiliza o Gnuteca, a Univates que é uma pioneira na utilização de softwares livres para todos os serviços da Universidade, e também de onde iniciou-se o desenvolvimento do Gnuteca. Aqui no Estado do Paraná, na UEM já existe uma política de utilização de softwares livres para os sistemas operacionais e o pacote Office, mas a biblioteca utiliza o VTLS proprietário, na verdade depende muito do planejamento de cada biblioteca ou instituição de acordo com suas estratégias para o futuro. Temos também os exemplos das inciativas do IBICT, como as BDTD Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações, onde todos os aplicativos são softwares livres, também o IBICT tem inciativas como o SEER-Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas, e o OCS- Open Conference System para conferências, que no momento está sendo utilizado para o evento SNBU2006. Existem inúmeras iniciativas e a nossa área de biblioteconomia é uma grande usuária delas, e outras ainda vão surgir, como os repositórios institucionais, os repositórios de literatura cinzenta, onde o desenvolvimento destes projetos estão todos em softwares livres.

Sobre o GNUTEca:

Quais os principais recursos do GNUTeca?

Diversos, por ele ser um sistema de gerenciamento de Bibliotecas está planejado e sendo atualizado constantemente. Primeiramente utiliza uma interface Web para o gerenciamento, registro dos materiais, catalogação, e demais recursos, quando utiliza-se esta interface tem-se a possibilidade de utilizar além da rede interna (Intranet) para o gerenciamento dos serviços como também a rede Internet, possibilitando vários recursos, mas o principal é trabalhar com bibliotecas em campus ou locais diferentes, com a integração dos acervos em um Sistema de Bibliotecas, os demais seriam os serviços aos usuários como: acesso a opções de busca simples e avançada, serviços de recentes aquisições, possibilidade de renovação e reserva de materiais pela Internet. E para o bibliotecário catalogar sua biblioteca com registros em MARC21, lista de assuntos padronizada, links para documentos digitais, entre outros. Na verdade ele é um software que tem grande parte dos recursos e módulos essenciais ao sistema de Bibliotecas. A vantagem de ser software livre, que pode-se desenvolver novos módulos também quando necessário, adaptá-los ou alterá-los.

Quais os principais exemplos de instituições que usam?

Univates, PUC-SP, Universidade do Estado do Mato Grosso do Sul, Uninorte – Faculdade Norte Paranaense, entre outras iniciativas como projetos de outras instituições que não são de ensino, na verdade não se tem um número preciso de Instituições que o utiliza.

GNUteca tem facilidades para migração de outros sistemas integrados de gerenciamento de bibliotecas?

Ele foi idealizado para migrar dados do CDS-ISIS em ISO2709, tem um aplicativo denominado ImportaISO para isso. Mas também pode importar os dados de outros sistemas, pois, os dados ficam do banco de dados em forma de tabelas, o que precisa-se é trabalhar com os dados antes da importação para o Gnuteca, criar um default em MARC21 e importar os registros. Também está previsto um módulo para importação e exportação de registros no formato MARC21, ainda não implementado.

Existe casos gerais em qual você não recomenda o uso do GNUTeca?

Existem sim, o Gnuteca é um sistema de gerenciamento dos serviços de biblioteca, programado em uma linguagem livre, e aberto para atualizações e alterações. Neste caso deverá ter suporte na Instituição ou terceirizado tanto para a instalação e configuração, sempre acompanhado pelo bibliotecário.

Quem fornece suporte ao GNUTeca?

A própria cooperativa de softwares livres que centraliza o desenvolvimento pode oferecer suporte a SOLIS. Também tem iniciativas como do Instituto Cidade Verde, uma Ong de parcerias em softwares livres que também dá suporte. Ou analistas ou técnicos em informática que dominam as linguagem de programação do sistema.

Gerais:

Gostaria de deixar uma mensagem para os visantes do “Bibliotecários sem fronteiras”?

Sim, a principal que nós bibliotecários e profissionais que atuam em sistemas de bibliotecas temos uma vasta variedade de softwares para utilizar. Dependem de avaliações dos profissionais, principalmente que este software responda às necessidades do planejamento da Instituição onde ele será instalado. Existem software de todos os tipos e custos, vale avaliar, seguindo padrões e critério adotados na literatura em Biblioteconomia e Ciência da Informação, aliado às reais necessidades das Biblioteca e da Instituição onde ela está. Sempre procure conversar ou trocar idéias com outras Bibliotecas, principalmente com relação à adoção ou não de softwares e outros serviços. Entre sempre em contato com Instituições que tenham um bom suporte de informática, muitas vezes o fracasso na utilização de um sistema está na falta de suporte, este é um quesito importantíssimo. Nunca duvide de algum sistema, peça uma demonstração, vá in-loco às Instituições que utilizam-no, desta forma, você terá importantes informações antes de avaliar a aquisição de softwares. Lembrem-se, software livre é uma filosofia em constante crescimento, principalmente no ambiente científico e de gerenciamento de informação. Muito obrigado pela atenção, decidi escrever este texto sem muita linguagem técnica, desta forma que as pessoas que não conheçam, possam compreender estas informações. Estou à disposição. Um abraço a todos.

Os nomes de futuros bibliotecários mais bizarros conforme a lista do ENADE

Logicamente, eu não posso falar dos outros com um nome como o meu, mas talvez por isso mesmo, vamos nos divertir um pouco. (colegas citados não se sintam ofendidos, é apenas um levantamento de cunho biblioteconômico…)

ABELANDIA MARIA
ABSON SANY
ADEILDNA
AIRTIANE FRANCISCA
ALA DE JESUS SACRAMENTO
ANDRELINO DA SILVA
ARILMES
BAURILENE
BELIJANE
CAACI (Seria Centro Acadêmico de Arquivologia e CI?)
CÁLICA ANANIAS
CAUÊ MARURI DALLE MOLLE
CELANDRO
CHERLLS GARDENIA
CLAUDEVANE NERIS
COMLAN MARCELINO
CRISELEN JARABIZA
DEUSILENE
DEUSIMÁ
ESTELAMAR
ETCHEILE
GEDEÃO ESCÓSSIA
JOELKSON
JOHN KENEDY
LITYERSSE JESUINO
OGNA
OSMÉLIA OLINDA
RITCHELLY
ROXANA MARIA
SERVULO
ULANA MARIA
USTANA
WALGNEIA
WILLIAM HELMUT
YOHRRANNA KELLY
ZEANIEIDE MARIA
ZIZIL ARLEDI

Biblioteconomia do possível vs. Biblioteconomia das possibilidades

Como disse em um post anterior, a Biblioteconomia tem diversos entraves que podem até impedir a inovação. Todo o nosso trabalho está voltado para organizar algo que já existe, e tudo o que fazemos está diretamente associado às características já existentes nesse objeto. Por isso, sempre seremos a Biblioteconomia do possível e isso em questão de matéria de sobrevivência é muito ruim.

E o porque da sobrevivência?

O problema da nossa área, a meu ver, não é “se o livro vai ou não deixar de existir”, ou “as pessoas não leem mais”… O problema é que estamos competindo pelo tempo escasso dos nossos usuários. Todos nós temos um tempo limitado no dia a dia e pela primeira vez na história, uma abundância de oportunidades de entretenimento e informações, com grandes players na concorrência, e além disso, temos um modelo de negócios estremamente ultrapassado, que poderia ter sido causa de nosso desaparecimento, caso dependessemos apenas de nós mesmos (com algumas exceções, é claro, mas grandes empresas competidoras já estão falindo. Ex: Blockbuster).

Mas então, o que nos tornaria a Biblioteconomia das possibilidades?

Se encarassemos como o foco nosso a divulgação do conhecimento (o que fatalmente ocasiona na preservação da memória) e projetassemos serviços que teria como base esse objetivo, fatalmente seriam diferentes de hoje, pois estamos focados na “recuperação da informação”.

Além disso, em algumas oportunidades, pensar em possibilidades se torna um grande diferencial. Acostumamos a lidar com o presente e acreditamos que é só isso que existe. Coisas podem ser feitas de modo diferente. Um exemplo disso, é o computador pessoal:

“A contracultura se responsabilizou por trazer o computador do plano industrial-militar para o plano do uso pessoal, quebrando o monopólio da IBM na área da computação. O escritor Pierre Lévy falou, corretamente, em desvio contracultural da alta tecnologia, em “bricolagem high tech” em meio a grupos da “nebulosa underground”, observando que “uma pitoresca comunidade de jovens californianos à margem do sistema inventou o computador pessoal.

Do mesmo modo, aconteceu uma espécie de migração contracultural das viagens de LSD para os laboratórios de alta tecnologia e para o sonho da realidade virtual. A Califórnia era, naquele momento, um centro da viagem contracultural e um centro de alta pesquisa tecnológica. E tudo se misturava: Janis Joplin e engenharia eletrônica, alteradores de estados de consciência e programadores de computador. Foi assim que Stewart Brand, organizador do grande festival psicodélico de 1966 em São Francisco, acabou indo parar no “Media Lab” do Instituto de Tecnologia de Massachussets, trabalhando ao lado de Nicholas Negroponte.

A verdade é que, naquela época, alguns militantes da contracultura passaram a ver, no computador, um instrumento revolucionário de transformação social e cultural. Podemos falar até mesmo de uma espécie de contraculturalismo eletrônico, onde se inclui um livro como “Computer Lib” de Ted Nelson, um jovem criado nas águas do rock e do underground. A supracitada vitória contra a centralização tecnológica em mãos da IBM se deu nesse contexto. Foi uma conquista da cidadania. E foi também nesse contexto impregnado de utopismo contracultural que surgiu o “Apple”, o modelo por excelência do computador pessoal. (GIL, 2003)

A tecnologia não é o principal diferencial, mas sim o uso que se faz dela:

“Em uma analise mais fria, a grande “rede mundial” nada mais é que uma série de computadores de grande porte interconectados, transmitindo informações para bilhões de terminais inteligentes ao redor do mundo, estejam eles em microcomputadores caseiros ou sistemas de orientação de barcos por satélite. O que faz dessa rede de infra-estrutura algo realmente significativo não é o poder das máquinas que as compõem, mas sim o uso que se faz delas, ao transformar a miríade de dados disponíveis em matéria compreensível e utilizável.” (ANTUNES, 2001)

Portanto, cabe a nós refletirmos sobre o nosso real papel na sociedade e quais contribuições poderemos dar.

Referência:

ANTUNES, Luiz Guilherme. Cyrano digital: a busca por identidade em uma sociedade em transformação. Tese de doutorado: Escola de Comunicações e Artes – São Paulo. 2001.

II Semana de Biblioteconomia da ECA / USP e XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

Dois eventos interessantes na área:

A Semana de Biblioteconomia é um evento acadêmico promovido pelos estudantes de Biblioteconomia da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Serão promovidas palestras e mesas-redondas com convidados, alunos e ex-alunos do próprio curso. As atividades ocorrerão entre 4 e 7 de outubro de 2006, nos períodos matutino e noturno.

Ao reunir a comunidade bibliotecária, aproximando-a da Universidade de São Paulo, as atividades pretendem estimular e promover o espírito crítico em relação à formação e à atuação do profissional bibliotecário.

Outro objetivo é divulgar o curso de Biblioteconomia na ECA e na USP, notabilizando a multiplicidade de atuações do bibliotecário e a interdisciplinaridade da carreira com outras áreas.

O evento é voltado para estudantes de Biblioteconomia e Ciência da Informação; profissionais da informação; pesquisadores; e comunidades da Escola de Comunicações e Artes e da Universidade de São Paulo.

E

SNBU

O XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias ocorrerá em Salvador e terá como tema: ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Bibliotecas Digitais e a visualização das informações

Uma das principais barreiras para o acesso a Bibliotecas Digitais é o modelo adotado para a visualização das informações.

O modelo está baseado em recuperação das informações, através de texto completo ou por catálogo (metadados). Porque não funciona?
O Alain Jacquesson diz que o problema é que as Bibliotecas Digitais estão baseadas nos modelos dos já complicados cátalogos.
E além disso, as bibliotecas digitais são sistemas de informação limitados e normalmente frustarão qualquer usuário, pois fatalmente não possuem as respostas para tudo.

Qual a solução?

Não há uma solução, mas há idéias interessantes. O Figoblog, no post Il y a un livre dans mon moteur propoe a adoção de “ferramentas de consulta” para bibliotecas digitais ao invés de motores de busca.
Ele diz assim:

Pour moi un outil de consultation de bibliothèque numérique devrait se constituer de plusieurs couches qui, loin de s’opposer, se combinent. Parmi elles

  • une couche de butinage (par carte, par thème ou par facettes)
  • une couche qui exploite toute la richesse des données structurées
  • une couche de fouille au coeur du texte.
  • Fica bem complicada uma tradução, mas seria algo como no primeiro caso uma lugar para procura, outro para explorar a riqueza dos dados estruturados e outro para explorar o coração do texto.

    Pelo visto, cada vez mais as perspectivas estão se abrindo positivamente para o desenvolvimento de Bibliotecas Digitais efetivamente úteis.

    Mas ainda há a necessidade de muita pesquisa em relação a visualização de grandes quantidades de informações em bibliotecas digitais

    Referências

    JACQUESSON, Alain. De la difficulté à utiliser les bibliothèques numériques. Bulletin d’informations nº188, 3e trimestre 2000. Association des Bibliothécaires Français: Paris, 2000.

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    Acabei de ler uma matéria chamada: 18 razões por que as tecnologias falham e tem muitas que se aplicam a Bibliotecas Digitais como:

    1) Não funcionam (ou não funcionam bem)
    2) São vendidas em excesso
    3) Não são confiáveis
    4) Falham em atingir massa crítica
    5) São lançadas precocemente
    6) São lançadas tardiamente
    7) Demandam vastos investimentos
    8) Caem em desuso rapidamente
    9) São deficientes em sua visão comercial
    10) Falham em ganhar momento no mercado
    11) São superadas logo por outro produto
    12) Não são práticas
    13) Falham em estabelecer um padrão
    14) Falham em atender aos padrões emergentes
    15) Têm design fraco
    16) Arrastam legados
    17) Ficam famosas por seus problemas
    18) Não atendem a reais necessidades