Crítica da informação

O texto Crítica da informação: onde está?, de Jack Andersen que está disponível no ExtraLibris é um daqueles textos que nos permitem uma grande reflexão sobre a nossa profissão. Farei aqui um resumo da reflexão para demonstrar o quanto o texto é importante e vale uma leitura.

Andersen discute a falta de engajamento dos bibliotecários no discurso público:

“O discurso de sua bagagem disciplinar, a biblioteconomia, se preocupa mais com problemas prescritos do que problemas descritivos e analíticos. Durante seu treinamento, os bibliotecários não são introduzidos às teorias, escolas de pensamento, disciplinas acadêmicas e conhecimento necessário para engajar no discurso público simplesmente porque a biblioteconomia se coloca distante da sociedade e da cultura através de seu discurso técnico e gerencial, apesar de o campo claramente não hesitar em expor sua significância social e cultural. Dessa maneira, a biblioteconomia falha em produzir críticos da informação e, conseqüentemente, também falha em desenvolver uma posição crítica em razão dos objetos da disciplina.”

Andersen cita Habermas (1996) ao afirmar que a sociedade é a unidade básica da organização do conhecimento. Possui estruturas e esferas particulares organizadas de acordo com interesses particulares e atividades. E a partir dessa afirmação, cria um esboço das formas de conhecimento organizado e mediado na sociedade:

Organização social GERA
Religião, direito, política, ciência, economia, educação, arte, comércio, indústria e administração, que GERA
Documentos e informação afiliada com instituições que sustentam e mantêm estruturas sociais, poder e influência, que GERA
Produção e distribuição, através de uma variedade de gêneros: livros, artigos, jornais, leis, reportes, memorandos, propaganda, noticiários, panfletos e diferentes situações comunicativas, que GERA
Sistemas de organização do conhecimento

E argumenta:

A parte da sociedade que mais importa para os bibliotecários é aquela onde o conhecimento ou a informação, materializados em uma variedade de gêneros, circula, e qual papel os sistemas de organização do conhecimento possuem em relação a essa circulação, que implica preocupação com o impacto que a circulação do conhecimento exerce sobre a sociedade. Se esse for o caso, significa que qualquer análise e crítica dos sistemas de organização do conhecimento devem ser direcionadas e compreendidas em relação às formas do conhecimento organizado na sociedade

Ele nos demonstra que se atuarmos como críticos da informação, poderíamos contribuir para a desmistificação dos sistemas de organização do conhecimento na esfera pública, através da discussão e justificação do porque os sistemas de organização do conhecimento e suas funcionalidades são importantes para o público. E ainda:

“A biblioteconomia precisa argumentar que esses sistemas fazem uma diferença dentro da sociedade, e também mostrar como eles afetam nossas atividades profissionais e diárias. Bibliotecários podem e deveriam fazer isso ativamente, atuando como críticos das estruturas de comunicação textualmente mediadas da sociedade. Se as pessoas puderem ver que a funcionalidade dos sistemas de organização do conhecimento está conectada com problemas sociais e culturais, então eles poderão compreender porque tais sistemas funcionam da maneira que funcionam, e assim, as pessoas poderão ver que como outros tipos de informação, os sistemas de organização do conhecimento estão sempre fundados em ideologias particulares. Possui uma ideologia particular não é necessariamente ruim. O problema é não ter ciência da presença da ideologia. A responsabilidade social e cultural básica do crítico da informação deve ser informar a sociedade sobre a existência de ideologias implícitas nos sistemas do conhecimento.”

Leia a tradução em:

ANDERSEN, Jack. Crítica da informação: onde está?. ExtraLibris, 2006. Disponível em: Extralibris.

E o original:

Original: ANDERSEN, Jack. Information criticism: where is it? Progressive librarian, 2005. Disponível em: Libr.org

E as outras referências citadas:

Habermas, J. (1996 [1962]). Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry Into a Category of Bourgeois Society. Translated by Thomas Burger with assistance of Frederick Lawrence

Depois de refletir sobre esse texto, percebi que o post abaixo precisa ser reescrito.

Organização das informações em blogs

A organização das informações em blogs é um caso particular devido a sua própria natureza. Os blogs são ferramentas de editoração de sites que utilizam como principal meio de informação os posts. Os posts são informações criadas pelos autores, mas utilizam uma forma de comunicação mais condensada, espontânea e informal. Portanto, não é possível utilizar os sistemas de organização que estamos acostumados a utilizar em bibliotecas. Então, quais são os sistemas de organização utilizados em blogs?

  • Ferramentas presentes em todos os blogs:
    • Ordenação cronológica: O sistema de ordenação mais fácil de identificar em um blog é a ordenação cronológica. Praticamente todos os principais blogs utilizam a ordem cronológica na tela principal para apresentar os seus posts.
    • Busca em texto completo por palavras: As principais ferramentas de publicação de blogs apresentam uma busca simples por palavras. Esse sistema utiliza os textos completos para encontrar as palavras similares dentro dos posts. Sinceramente, considero esse sistema pouco utilizado por visitantes, mas é um item essencial pois disponibiliza a possibilidade de criação de pontos de acesso para cada palavra dentro dos posts. E além disso, possibilita a utilização da lógica booleana.
    • Indexação em máquinas de busca: Os principais sistemas de blogs utilizam bases de dados que são facilmente indexadas por máquinas de busca. Esse normalmente é o principal ponto de acesso ao blog. O grande problema dele é que ele indexa por importância e não por ordem cronológica e o acesso é por similaridade de palavras. Isso pode dar problemas como: O autor do blog criou um post sobre um determinado assunto, mas recebeu alguns comentários ou novas informações e por isso criou um novo post, agora mais completo sobre o assunto. O usuário que acessar por meio de ferramentas de busca normalmente irá encontrar o post anterior, que está indexado a mais tempo e pode ter recebido comentários e links de outros blogs e por isso estar melhor rankeado e por isso não encontrar os posts mais recentes. A solução para esse caso é difícil, e ao meu ver, depende do autor fazer uma remissiva (link) no primeiro post para os posts mais recentes.
  • Outras ferramentas para organização da informação em blogs:
    • download Pulse 3

    • Categorização: Criação de categorias para os conteúdos dos posts. A diferença nesse caso entre a classificação de bibliotecas e a utilizada em blogs é que enquanto as bibliotecas utilizam uma classificação criada anteriormente, os blogs vão criando a estrutura de classificação conforme crescem. É claro que essa estrutura apresenta problemas como a não revisão dos posts anteriores a cada criação de categoria, pois pode acontecer de uma nova categoria abranger assuntos já abordados. E além disso, as categorias podem ser organizadas em ordem hierárquicas. E uma “novidade” e a visualização de nuvens de categorias por peso, salientando as categorias com mais posts das demais.
    • Folksonomia: A utilização de etiquetas (ou tags) para a descrição dos conteúdos dos posts é chamado de folksonomia. As tags são mais informais do que as categorias, mas apresentam o mesmo princípio. A vantagem das tags é a possibilidade de criação de um link automático para quaisquer posts de qualquer blog que utilizam as mesmas tags. Nesse caso, o sistema de tags funciona como um gateway (ponto de acesso ou porta de acesso). As tags possibilitam a visualização da totalidade do conteúdo descrito nessas palavras por meio de nuvem de tags. Elas podem ser ordenadas alfabeticamente (ascendente ou descendente), ou por peso (quantidade de vezes que aparecem) e ainda há um estudo interessante de como melhorar a visualização de nuvem de tags feito por Yusef Hassan Montero. Além disso, poderemos criar buscas específicas para tags, o que pode eliminar bastante ruído na busca. No blog Deakialli há um post interessante sobre a automatização de tags.
    • Outros tipos de ordenação: Outros tipos de ordenações podem ser utilizadas como um pontos de acesso a blogs como posts mais acessados, mais comentados, ou no nosso caso específico, estamos utilizando um sistema de rankeamento que permite aos leitores votarem nos posts e por isso dá para ordenar por maiores notas

    E como sempre: Alguém conhece mais alguns tipos de ferramentas para organização da informação em blogs?

    Bem vindos ao Novo Bibliotecários sem Fronteiras!

    O BSF que vocês estão acostumados a acessar passou por uma total reformulação e com isso podemos apresentar diversas novidades para vocês:

    Novo endereço: http://bsf.org.br.

    Nova organização: Sistema de Tags e Tags Clouds (Etiquetas e Nuvens de Etiquetas) na classificação dos posts, além é claro da categorização.

    Novo Visual: Reformulação visual total, com a ajuda do template Durable e Hemingway para o WordPress.

    Nova estrutura de navegação: Utilização de pequenos aplets em AJAX que permitem maior interatividade do leitor com o layout do blog e separação entre os posts e os sistemas de organização.

    Criação de um agregador de RSS para acompanhar blogs da área (infelimente não funciona com ATOM de alguns blogs, por isso não estão todos).

    Estrutura para utilização de Videos (principalmente You Tube e Google Video).

    O que vocês acharam?