Livros que influenciaram a Biblioteconomia

Quais os livros que mais influenciaram a Biblioteconomia? Partindo dessa pergunta, fizemos uma pequena listagem. O critério para seleção foi simples: foi indicado por alguém, entrou! Por que? Por que acreditamos nos nossos visitantes! Se quiser indicar mais livros, deixe um comentário com sua sugestão:

1. Paul Otlet – Traité de Documentation: Le livre sur le livre: Théorie et pratique. 1934.

2. S. R. Ranganathan – The Five Laws of Library Science. Bombay and New York: Asia Publishing House, 1963

3. Gabriel Naudé – Advis pour dresser une bibliothèque, 1627. (Dica do Gustavo Henn)

4. Suzanne Briet – Qu’est-ce que la documentation? Paris: EDIT, 1951. (Dica
do Gustavo Henn)

5. F. W. Lancaster – Indexing and abstracting in theory and practice. 2 ed. Champaign, University of Illinois, 1998. (Dica do Julio Anjos)

6. Vou colocar dois, sendo um só: Anthony Panizzi – Ninety-One Cataloguing Rules, 1858 e Charles Ammi Cutter – Rules for a Dictionary Catalog, 1904 (Dica do Fernando Vilarinho)

7. Theodor P. Loosjes – On documentation of scientific literature. London: Butterworth, 1967.

8. Martin Schrettinger – Versuch eines vollständigen Lehrbuchs der Bibliothek-Wissenschaft oder Anleitung zur vollkommenen Geschäftsführung eines Bibliothekars in wissenschaftlicher Form abgefasst, 1829.

9. José Ortega y Gasset. La misión del bibliotecario. Madrid: Revista de Occidente, 1967. 183 p. (dica de Juan Jose Bellido)

10. Jese H. Shera – Sociological Foundations of Librarianship, 1970 e The Foundations of Education for Librarianship, 1972. (dica de Juan Jose Bellido)

11. Tefko Saracevic – Introduction to Information Science, 1970. (dica de Juan Jose Bellido)

12. Yves-François Le Coadic – A Ciência da Informação. Brasília : Briquet de Lemos/Livros, 1996.

A nossa grande decepção ainda é o problema de acesso a essas obras que estão listadas, pois a maioria não está disponível nem nas bibliotecas dos cursos. Mas felizmente já existem iniciativas que estão mudando esse cenário. A primeira delas é o lançamento da tradução de alguns trabalhos editora Briquet de Lemos, uma das poucas no Brasil a editar livros para a área.

Outra grande iniciativa é o trabalho de digitalização das obras de Ranganathan pela School of Information Resources and Library Science e a disponibilização na dLIST – Digital Library of Information Science and Tecnology. A primeira obra disponibilizada é The Five Laws of Library Science.

E que venham mais iniciativas!

Organização das informações em blogs – 2

No post organização da informação em blogs , listamos e descrevemos os principais tipos de sistemas de organização utilizados em blogs. Agora o objetivo é fazer uma reflexão sobre a organização de informações em blogs.

A organização de conteúdos em blogs não é feita naturalmente. O objetivo do blog é comunicar e seu principal atrativo é a qualidade de suas informações. Mas então, por que organizar?

  • Um blog organizado potencializa a divulgação de suas informações, pois se tornam mais facilmente encontráveis. (Alguém se lembra de “livros são para serem usados”? 😉 )
  • É uma forma de demonstrar que os leitores são pessoas importantes para o blog, e por isso há um trabalho em facilitar a vida deles. (“Poupe o tempo do leitor” 😉 )
  • O blog está em constante crescimento ( 😉 )
  • Parando de brincar com o Ranganathan , mas levando em consideração o que ele disse , podemos perceber que princípios do que ele disse não somem, mas as técnicas para isso sim. Como já dissemos, seria um erro muito grande aplicar as técnicas da biblioteconomia em blogs, mas os princípios da biblioteconomia podem ser bem úteis.

    Um bom método para o criar de um blog organizado é descrever características do publico alvo e criar um sujeito fictício com essas características, e fazer um pequeno teste de como o seu blog deveria funcionar para ele:

    O leitor que visita pela primeira vez o blog: Leitores só visitam blogs por indicação ou porque chegaram através de ferramentas de busca. Se ele chegou por indicação (posts ou links em outros blogs), ele está disposto a conhecer o que o blog tem a oferecer a ele. Além de posts interessantes, uma descrição (sobre) pode ser útil para ele identificar sobre o que fala o blog e para que tipo de pessoas ele foi criado (publico alvo, se houver), uma listagem dos últimos posts pode ser útil para ele saber “o que tá rolando…”, as categorias e a nuvem de tags podem ser úteis para demonstrar o conteúdo total do blog de forma condensada, e listagens de posts mais lidos ou mais comentados demonstra o Zeitgeist do blog. Para o leitor que chegou pela busca, as informações listadas acima servem para chamar a atenção para os outros conteúdos do blog (lembrem se, ele está visualizando somente um post). E além disso, é possível incluir ferramentas que possibilitam demonstrar posts relacionados ao tema que ele busca e também possibilitar ao leitor usar a sua tag como um ponto de acesso para outras tags idênticas através de serviços como o technorati.

    O leitor que visita constantemente: Leitor que visita constantemente tem o seu link direto. O interessante para ele é saber as novidades, o que ele perdeu desde a última visita. É isso que devemos oferecer, e algumas ferramentas interessantes é a listagem dos últimos posts e comentários. Além disso, para ele é interessante a caixa de busca dentro do site e as categorias e tags, pois as vezes ele está interessado em algo que ele leu aqui e não se lembra bem como era. E ter a preocupação de verificar o funcionamento da ferramenta de RSS e se possível oferecer a possibilidade dele receber os posts por e-mail (há sites que oferecem esse serviço como o FeedBurner e o FeedBlitz )

    O leitor blogueiro: Esse deve ser o leitor mais bajulado 😉 . Mas como facilitar a vida dele? Além das ferramentas anteriores, uma que ajuda bastante é a descrição de metadados do blog. Ela não auxilia muito para melhorar os resultados de busca, mas ajuda bastante pois essas informações são incluídas no RSS, que então o blogueiro importará esses dados de maneira mais simples. Além disso, ela ajuda na uniformização da descrição do seu blog publicados em outros blogs. Outra ferramenta é disponibilizar permalinks (links permanentes), a maioria dos softwares atuais permite isso, mas isso vale uma avaliação caso o seu software não permita. Além disso, não custa nada postar o link de outros blogs no seu (é claro que deve ser feita uma seleção em relação à qualidade)

    Além dos usuários, uma informação que ficou jogada lá em cima deve ser levada em consideração: O blog está em constante crescimento. Portanto, é fundamental prever o comportamento do blog em caso de muitos posts e também tomar cuidados em relação a organização em cada post, para que não se tenha que revisar a organização no futuro.

    Há a possibilidade também de utilizar técnicas complexas da biblioteconomia para auxiliar na organização dos blogs como a Classificações Decimais ou os Tesauros. É claro que podem ser úteis, mas só bibliotecários se disporiam a fazer isso e mais importante, é necessário avaliar se vale a pena a relação custo / benefício desse tipo de organização.

    Acho que essa é uma pequena tentativa de demonstrar como o conhecimento da biblioteconomia pode ajudar na organização de sistemas de comunicação.

    Leia também, um ótimo artigo sobre erros de usabilidade que devem ser evitados: Errores de usabilidad em Blogs

    E uma outra dica presente no Veaseademás:

    La web es un espacio social antes que tecnológico.

    Crítica da informação

    O texto Crítica da informação: onde está?, de Jack Andersen que está disponível no ExtraLibris é um daqueles textos que nos permitem uma grande reflexão sobre a nossa profissão. Farei aqui um resumo da reflexão para demonstrar o quanto o texto é importante e vale uma leitura.

    Andersen discute a falta de engajamento dos bibliotecários no discurso público:

    “O discurso de sua bagagem disciplinar, a biblioteconomia, se preocupa mais com problemas prescritos do que problemas descritivos e analíticos. Durante seu treinamento, os bibliotecários não são introduzidos às teorias, escolas de pensamento, disciplinas acadêmicas e conhecimento necessário para engajar no discurso público simplesmente porque a biblioteconomia se coloca distante da sociedade e da cultura através de seu discurso técnico e gerencial, apesar de o campo claramente não hesitar em expor sua significância social e cultural. Dessa maneira, a biblioteconomia falha em produzir críticos da informação e, conseqüentemente, também falha em desenvolver uma posição crítica em razão dos objetos da disciplina.”

    Andersen cita Habermas (1996) ao afirmar que a sociedade é a unidade básica da organização do conhecimento. Possui estruturas e esferas particulares organizadas de acordo com interesses particulares e atividades. E a partir dessa afirmação, cria um esboço das formas de conhecimento organizado e mediado na sociedade:

    Organização social GERA
    Religião, direito, política, ciência, economia, educação, arte, comércio, indústria e administração, que GERA
    Documentos e informação afiliada com instituições que sustentam e mantêm estruturas sociais, poder e influência, que GERA
    Produção e distribuição, através de uma variedade de gêneros: livros, artigos, jornais, leis, reportes, memorandos, propaganda, noticiários, panfletos e diferentes situações comunicativas, que GERA
    Sistemas de organização do conhecimento

    E argumenta:

    A parte da sociedade que mais importa para os bibliotecários é aquela onde o conhecimento ou a informação, materializados em uma variedade de gêneros, circula, e qual papel os sistemas de organização do conhecimento possuem em relação a essa circulação, que implica preocupação com o impacto que a circulação do conhecimento exerce sobre a sociedade. Se esse for o caso, significa que qualquer análise e crítica dos sistemas de organização do conhecimento devem ser direcionadas e compreendidas em relação às formas do conhecimento organizado na sociedade

    Ele nos demonstra que se atuarmos como críticos da informação, poderíamos contribuir para a desmistificação dos sistemas de organização do conhecimento na esfera pública, através da discussão e justificação do porque os sistemas de organização do conhecimento e suas funcionalidades são importantes para o público. E ainda:

    “A biblioteconomia precisa argumentar que esses sistemas fazem uma diferença dentro da sociedade, e também mostrar como eles afetam nossas atividades profissionais e diárias. Bibliotecários podem e deveriam fazer isso ativamente, atuando como críticos das estruturas de comunicação textualmente mediadas da sociedade. Se as pessoas puderem ver que a funcionalidade dos sistemas de organização do conhecimento está conectada com problemas sociais e culturais, então eles poderão compreender porque tais sistemas funcionam da maneira que funcionam, e assim, as pessoas poderão ver que como outros tipos de informação, os sistemas de organização do conhecimento estão sempre fundados em ideologias particulares. Possui uma ideologia particular não é necessariamente ruim. O problema é não ter ciência da presença da ideologia. A responsabilidade social e cultural básica do crítico da informação deve ser informar a sociedade sobre a existência de ideologias implícitas nos sistemas do conhecimento.”

    Leia a tradução em:

    ANDERSEN, Jack. Crítica da informação: onde está?. ExtraLibris, 2006. Disponível em: Extralibris.

    E o original:

    Original: ANDERSEN, Jack. Information criticism: where is it? Progressive librarian, 2005. Disponível em: Libr.org

    E as outras referências citadas:

    Habermas, J. (1996 [1962]). Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry Into a Category of Bourgeois Society. Translated by Thomas Burger with assistance of Frederick Lawrence

    Depois de refletir sobre esse texto, percebi que o post abaixo precisa ser reescrito.

    Organização das informações em blogs

    A organização das informações em blogs é um caso particular devido a sua própria natureza. Os blogs são ferramentas de editoração de sites que utilizam como principal meio de informação os posts. Os posts são informações criadas pelos autores, mas utilizam uma forma de comunicação mais condensada, espontânea e informal. Portanto, não é possível utilizar os sistemas de organização que estamos acostumados a utilizar em bibliotecas. Então, quais são os sistemas de organização utilizados em blogs?

  • Ferramentas presentes em todos os blogs:
    • Ordenação cronológica: O sistema de ordenação mais fácil de identificar em um blog é a ordenação cronológica. Praticamente todos os principais blogs utilizam a ordem cronológica na tela principal para apresentar os seus posts.
    • Busca em texto completo por palavras: As principais ferramentas de publicação de blogs apresentam uma busca simples por palavras. Esse sistema utiliza os textos completos para encontrar as palavras similares dentro dos posts. Sinceramente, considero esse sistema pouco utilizado por visitantes, mas é um item essencial pois disponibiliza a possibilidade de criação de pontos de acesso para cada palavra dentro dos posts. E além disso, possibilita a utilização da lógica booleana.
    • Indexação em máquinas de busca: Os principais sistemas de blogs utilizam bases de dados que são facilmente indexadas por máquinas de busca. Esse normalmente é o principal ponto de acesso ao blog. O grande problema dele é que ele indexa por importância e não por ordem cronológica e o acesso é por similaridade de palavras. Isso pode dar problemas como: O autor do blog criou um post sobre um determinado assunto, mas recebeu alguns comentários ou novas informações e por isso criou um novo post, agora mais completo sobre o assunto. O usuário que acessar por meio de ferramentas de busca normalmente irá encontrar o post anterior, que está indexado a mais tempo e pode ter recebido comentários e links de outros blogs e por isso estar melhor rankeado e por isso não encontrar os posts mais recentes. A solução para esse caso é difícil, e ao meu ver, depende do autor fazer uma remissiva (link) no primeiro post para os posts mais recentes.
  • Outras ferramentas para organização da informação em blogs:
    • download Pulse 3

    • Categorização: Criação de categorias para os conteúdos dos posts. A diferença nesse caso entre a classificação de bibliotecas e a utilizada em blogs é que enquanto as bibliotecas utilizam uma classificação criada anteriormente, os blogs vão criando a estrutura de classificação conforme crescem. É claro que essa estrutura apresenta problemas como a não revisão dos posts anteriores a cada criação de categoria, pois pode acontecer de uma nova categoria abranger assuntos já abordados. E além disso, as categorias podem ser organizadas em ordem hierárquicas. E uma “novidade” e a visualização de nuvens de categorias por peso, salientando as categorias com mais posts das demais.
    • Folksonomia: A utilização de etiquetas (ou tags) para a descrição dos conteúdos dos posts é chamado de folksonomia. As tags são mais informais do que as categorias, mas apresentam o mesmo princípio. A vantagem das tags é a possibilidade de criação de um link automático para quaisquer posts de qualquer blog que utilizam as mesmas tags. Nesse caso, o sistema de tags funciona como um gateway (ponto de acesso ou porta de acesso). As tags possibilitam a visualização da totalidade do conteúdo descrito nessas palavras por meio de nuvem de tags. Elas podem ser ordenadas alfabeticamente (ascendente ou descendente), ou por peso (quantidade de vezes que aparecem) e ainda há um estudo interessante de como melhorar a visualização de nuvem de tags feito por Yusef Hassan Montero. Além disso, poderemos criar buscas específicas para tags, o que pode eliminar bastante ruído na busca. No blog Deakialli há um post interessante sobre a automatização de tags.
    • Outros tipos de ordenação: Outros tipos de ordenações podem ser utilizadas como um pontos de acesso a blogs como posts mais acessados, mais comentados, ou no nosso caso específico, estamos utilizando um sistema de rankeamento que permite aos leitores votarem nos posts e por isso dá para ordenar por maiores notas

    E como sempre: Alguém conhece mais alguns tipos de ferramentas para organização da informação em blogs?

    Bem vindos ao Novo Bibliotecários sem Fronteiras!

    O BSF que vocês estão acostumados a acessar passou por uma total reformulação e com isso podemos apresentar diversas novidades para vocês:

    Novo endereço: http://bsf.org.br.

    Nova organização: Sistema de Tags e Tags Clouds (Etiquetas e Nuvens de Etiquetas) na classificação dos posts, além é claro da categorização.

    Novo Visual: Reformulação visual total, com a ajuda do template Durable e Hemingway para o WordPress.

    Nova estrutura de navegação: Utilização de pequenos aplets em AJAX que permitem maior interatividade do leitor com o layout do blog e separação entre os posts e os sistemas de organização.

    Criação de um agregador de RSS para acompanhar blogs da área (infelimente não funciona com ATOM de alguns blogs, por isso não estão todos).

    Estrutura para utilização de Videos (principalmente You Tube e Google Video).

    O que vocês acharam?