Por que leitores brasileiros preferem livrarias a bibliotecas?

Quando criança, eu não tinha o hábito de frequentar bibliotecas. Até porque elas não existiam no meu bairro, ou nas redondezas onde eu morava. Mas eu amava ler! Adorava bancas de jornal e livrarias, que eram os lugares onde eu encontrava livros e revistas e podia saciar minha sede de leitura. Depois descobri a biblioteca da escola e passava alguns recreios lá dentro, já que não podia levar os livros pra casa. Lembro de uma excursão da escola à Biblioteca Pública Municipal do Rio de Janeiro, que era muito longe da minha casa. Só me restava comprar os livros mesmo. Passeios a livrarias eram – e ainda são – os meus favoritos!

Foi só depois que me mudei para o Canadá que passei a frequentar bibliotecas públicas e me apaixonei. Tantos livros, tantos recursos disponíveis gratuitamente para o público! Sou frequentadora assídua e sempre trago pra casa mais livros do que posso ler dentro do prazo de entrega.

Como expatriada, comecei a questionar sobre os hábitos de leitura dos brasileiros, em especial sobre o uso de bibliotecas públicas. Depois de muita pesquisa, vi que há sim várias bibliotecas públicas em todo o Brasil. Sim, são escassas, e talvez o acervo não seja o dos mais atraentes ou relevantes, mas o recurso está lá. A pergunta então era: será que o povo usa?

No ano passado, em março, fui ao Rio de Janeiro visitar a família e fiz questão de conhecer uma biblioteca pública. Era quinta-feira. Fui no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade, onde tem uma biblioteca no quinto andar. Fiquei maravilhada com o espaço! Tudo tão novo, tão arrumado! Tão diferente da minha biblioteca universitária na Escola de Comunicação da Praia Vermelha.

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Tive que deixar bolsas na entrada, mostrar identidade e tudo. Sinceramente? Achei que isso já era a primeira barreira para o uso da biblioteca. Entendo a questão da segurança, mas devia haver outra forma de evitar roubo sem ter que obrigar os usuários a deixar seus pertences na porta. (Não preciso nem dizer que isso não existe aqui no Canadá, né? Com exceção de bibliotecas de coleções especiais e materiais raros, claro).

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Fiquei encantada com a biblioteca infantil! Adorei a parede com lombadas de livros, coisa mais linda! Entrei no espaço infantil e encontrei apenas uma mãe com um menino de uns 7 anos talvez. O menino pedia pra mãe ler pra ele. A mãe estava ocupada no seu celular, sem dar atenção ao menino, ignorando o seu pedido. Aquilo me cortou o coração! Uma criança estava ali, sedenta pela leitura, e justamente a pessoa que deveria mais incentivá-lo estava desperdiçando esta oportunidade. Então foi na biblioteca pra quê, alguém pode me explicar?

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Saí de lá e fui ver as outras estantes, com material de pesquisa. Adorei ver o catálogo de fichas, coisa que não vejo mais por aqui, que só consultamos o acervo digitalmente. Vi algumas pessoas estudando em salas de leitura, mas a biblioteca estava bem vazia. Não contei mais de 20 pessoas por lá.

Bem, numa quinta-feira, de manhã, no centro da cidade, como é que eu poderia esperar uma biblioteca cheia, não é mesmo?

Depois do almoço, no mesmo dia, na mesma quinta-feira, eu passei pela porta da Livraria Cultura, na rua Senador Dantas, também no centro da cidade.

A livraria estava LOTADA!

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Na parte infantil tinham algumas famílias com crianças de várias idades, passando pelas estantes e escolhendo livros. Outras sentavam no chão com seus filhos no colo e folheavam livros juntos. Em todos os andares, muita gente. Os caixas, com fila.

E a pergunta: se tem um lugar onde as pessoas podem ter acesso a livros sem pagar um tostão, por que é que preferem gastar dinheiro com os livros em vez de pegar emprestado nas bibliotecas públicas?

Posso imaginar algumas respostas:

1) O acervo das bibliotecas públicas não é adequado e não atende à necessidade do público
Eu sinceramente não tenho ideia de como é feito o gerenciamento do acervo de bibliotecas públicas no Brasil. Elas compram materiais publicados recentemente? Você pode encontrar os best sellers por exemplo? Pelo que vi na biblioteca do CCBB, pelo menos na parte infantil, o acervo não era muito grande. Vi alguns títulos novos, mas a maioria não era. O estado físico das obras também era ruim, com aspecto velho, folhas amareladas, lombadas machucadas. O leitor tem prazer em ler um livro em bom estado. Se o leitor quer ler Nicholas Sparks e não encontra na biblioteca, claro que tem que comprar na livraria (não procurei por este autor naquela biblioteca, então é só um exemplo mesmo).

2) O público não tem conhecimento das bibliotecas públicas
Voltemos ao início do texto, lá quando eu era criança e não tinha a mínima ideia de que poderia existir um espaço de livre acesso aos livros. Biblioteca pra mim era algo que existia na escola e em lugares bem longe da minha casa. Biblioteca pra mim era um lugar onde não se podia falar alto. Biblioteca pra mim era um lugar onde encontrávamos livros velhos, muito antigos, empoeirados e com cheiro de mofo. A minha geração, que teve a mesma experiência que eu tive, provavelmente não vai pensar na biblioteca como opção cultural para levar seus filhos. Esses vão associar livros à livrarias imediatamente.

3) O acesso a bibliotecas é dificultoso
Essa e a última questão estão ligadas. É a questão da escassez. Provavelmente há mais livrarias do que bibliotecas públicas em cidades grandes do Brasil.

Acredito que o acervo deficiente seja uma das principais razões pelas quais o brasileiro prefere comprar o livro do que pegar emprestado. Porque talvez o livro que ele queira ler não esteja na biblioteca. Ou se está, o acesso não é facilitado ou o livro não está em condições boas de uso. Posso estar totalmente enganada, afinal estou longe e não tenho como avaliar essa questão de perto.

Sei que minha amostragem é muito pequena. Eu só visitei uma biblioteca pública. Mas no meu círculo de amizades vejo que essa hipótese não é tão absurda assim. Pouquíssimas pessoas que eu conheço no Brasil, em várias cidades até, têm o hábito de frequentar bibliotecas. Muito mais gente compra livros em livrarias, das pessoas com que me relaciono.

Mas vocês aí, me digam, por que o povo prefere livrarias a bibliotecas? E como podemos inverter essa situação no nosso papel de bibliotecários?

Por que desenvolver atividade editorial na biblioteca

Por que um projeto editorial seria interessante para bibliotecas públicas e comunitárias?  Como poderia contribuir para a relação da biblioteca com a comunidade e dos indivíduos e grupos da própria comunidade entre si?

Poucos duvidam do valor dos livros e da leitura na transformação das vidas das pessoas. Seja através de um programa formal de educação, seja por interesse pessoal autodidata, livros, revistas, bibliotecas, enfim, a leitura ocupa um espaço de destaque no imaginário de como se aprende alguma coisa.

As bibliotecas públicas e comunitárias (as demais também, até certo ponto) têm por missão principal a disseminação dos livros e o estímulo da leitura.

Fazem isso através de suas coleções, formadas a partir do estudo dos interesses, hábitos e outras características que formam os perfis de seus usuários e também por meio do serviço de referência, marketing, cursos de formação de leitores, eventos e outras atividades desenvolvidas, a partir desses estudos, para aproximar a comunidade dos livros e da leitura.

Fazem isso para oferecer aquilo que o usuário quer e precisa, assim respondendo às 3 primeiras leis de Ranganathan e, por esse trabalho, são as instituições culturais mais lembradas quando se fala em leitura. Entretanto, algumas questões podem ser colocadas ao tipo de contato e serviços oferecidos pelas bibliotecas às suas comunidades:

Quem decide o que o usuário ou a comunidade precisa? Até que ponto nossos estudos de comunidades conseguem identificar desejos e necessidades? Com que frequência superamos o questionário e a análise de dados do censo para determinar esses valores? Quanto de contato real com as pessoas das comunidades para aprofundar as informações quantitativas? E com as pessoas que não frequentam a biblioteca?

Mais importante (e com mais potencial revolucionário): Supondo que realmente sabemos os interesses e desejos de nossos usuários, que os estudamos ao nível do convívio, da conversa, será que os livros que selecionamos correspondem a esses interesses e desejos? Será que são o suficiente?

A verdade é que, por mais que nos esforcemos por compreender o que o usuário pensa e o que ele quer, ainda assim seremos pessoas tentando adivinhar o que os outros precisam e oferecendo acervos e serviços baseados nessa presunção.

Uma biblioteca que planeja seus recursos tendo por base apenas os estudos de usuário, por mais fiéis que sejam, e apenas seleciona um acervo entre as opções oferecidas pelo mercado editorial, está fadada a funcionar como o panóptico de Foucault: um centro que exerce controle a partir da informação que irradia para a periferia* .

A cultura assim difundida não leva em conta a visão de mundo, as criações e potenciais existentes em cada comunidade e em cada indivíduo isoladamente. E isso se torna mais verdadeiro conforme nos aproximamos das periferias das cidades, da pobreza e da exclusão social.

Nesses redutos, onde a presença da cidadania, na forma de serviços públicos, de participação nos processos políticos, e mesmo de condições básicas de existência é precária, produz-se muita cultura, a cultura verdadeiramente popular, riquíssima! Mas essa cultura fica restrita aos becos, vilas e favelas, não é conhecida e nem se demonstra interesse em conhecê-la nos círculos menos precarizados da sociedade. É uma cultura que não tem voz na mídia, que não tem vez nos centros culturais. De tão calada, nem mesmo os atores que a protagonizam valorizam o que fazem. E é justamente nesses locais em que as bibliotecas são mais necessárias. Exatamente para resgatar a identidade, a confiança e a autodeterminação desses sujeitos, através da ação cultural.

Para que uma revolução, que possibilite às pessoas a garantia efetiva de seus direitos e condições de igualdade, aconteça, é necessário que todos e cada um tenham consciência de seu lugar no espaço e no tempo. No espaço, sabendo situar-se em todos os níveis, da comunidade local ao contexto global, de forma política cultural e econômica. E no tempo, reconhecendo a história de sua própria vida, das pessoas de sua família, do seu bairro, cidade, estado, país, continente, mundo… Saber reconhecer o contexto em que se está inserido, os eventos que o levaram a tal situação e as relações entre sua comunidade e as outras forças em jogo é condição sine qua non para o exercício pleno da cidadania. E para adquirir essa consciência e tornar-se então governante de seu próprio destino, o indivíduo precisa reconhecer e valorizar sua própria identidade cultural.

Isso implica reverter o processo elitizante da cultura. Nas periferias, onde a cultura popular é efetivamente produzida, a ideologia dominante distorce a visão dos indivíduos sobre sua própria identidade e vivências, fazendo com que considerem seus próprios feitos como desimportantes ou mesmo repudiem completamente a própria cultura, já que essa não é valorizada, não está nas lojas, nem na televisão, nem nos jornais.

O reconhecimento do valor das experiências de cada um é necessário para a existência de um ambiente criativo e estimulante, apto a resgatar a auto-estima da comunidade e capaz de transformar aquilo que hoje é considerado marginal em um ativo cultural complexo e próspero e, final e idealmente, conduzir à libertação cultural dos sujeitos.

A ação cultural nas bibliotecas, geralmente é vista como a promoção de atividades culturais com o intuito de difundir a “cultura”, tornar as pessoas “cultas”, “levar” até o público-“alvo” os prestigiados valores culturais da sociedade. As atividades são cursos, clubes de leitura, palestras, feiras de troca, peças teatrais, espetáculos de música, entre outras. Todas essas atividades são excelentes para atrair público, divulgar os serviços e ampliar a relação da biblioteca com a comunidade. Elas comprovadamente causam impacto nos hábitos de uso da biblioteca e de leitura dos usuários.

Mas não cruzam a linha da cultura estabelecida. Com raras exceções, essas atividades são planejadas e executadas por pessoas de fora da comunidade. São convidados escritores para falar sobre seus livros, artistas para cantar suas músicas, professores para ensinar suas especialidades, mas, muito raramente, essas pessoas vivem e compartilham os valores e a identidade da própria comunidade. Uma biblioteca popular que realmente queira promover a ação cultural não pode se limitar a divulgação do acervo e a “trazer atividades”.

É preciso enxergar os ativos da própria comunidade, enxergar as pessoas como o acervo. Uma vez li sobre uma ação na qual frequentadores de uma biblioteca sentavam diante de uma pessoa, entre algumas que se podia escolher, e essa pessoa contava a sua história (se alguém lembrar do link, posta nos comentários e eu atualizo depois). Um acervo de pessoas! Mas como seria isso?

Numa proposta de biblioteca popular, os livros poderiam ser as cabeças das pessoas e o acervo a comunidade. O catálogo representaria a ação cultural nessa alegoria. Então catalogamos “cabeças”, tornamos “recuperável” o material que surge espontaneamente no cotidiano das pessoas, buscamos as associações entre essas e outras ideias, registramos, preservamos e promovemos o acesso a essa coleção.

Cada vila, cada favela tem sua história, tem seus velhos griôs, contadores de história**, verdadeiros compêndios de sabedoria popular, cheios de causos e lendas de sua juventude (e das múltiplas juventudes anteriores que, pela oralidade, transmitiram a eles o compromisso de contar). Tem seus moradores antigos, que estavam lá na primeira invasão, que têm fotografias e histórias para contar sobre esse processo.

As coleções também podem ser formadas pelo padre; pelo pai de santo; pela benzedeira e pela parteira; pelo clube de mães; pelo presidente da associação de moradores; pelo time de futebol de várzea, que nunca ganhou um campeonato, mas conta com uma torcida fiel; pelo MC e pelo DJ; pelo grafiteiro; pela costureira; pela cozinheira que carrega seu livro de receitas, passadas a ela por sua avó, que foi escrava; pelo filho do carteiro, que desenha bem…

Assim, catalogamos, indexamos e buscamos (um serviço de referência) material que complemente e reviva essas narrativas. No caso dos griôs: a música da época de suas histórias, fotografias antigas dos lugares, a literatura, as roupas, os relatos de outros menestréis, etc.

Essa é a matéria que deve compor as bibliotecas populares. Os livros nas estantes devem ser o espelho dessas vivências, que são o verdadeiro acervo. Assim valorizamos o que surge espontaneamente (a verdadeira cultura) e não empurramos algo que muitas vezes é até antagônico aos interesses das comunidades.

O resultado esperado é a valorização dos indivíduos pelo que já são e não mais como seres que precisam atingir um modelo de realização que está distante (não raro inalcançável) e é indiferente a eles.

Nenhuma dessas ideias é realmente nova. Diversos pensadores e educadores, como Ferrer y Guardia, João Penteado e Paulo Freire já lançaram propostas semelhantes. O conceito de ação cultural, como defendido por Luís Milanesi, compartilha desses ideais de cultura popular e do papel das bibliotecas nesse contexto.

Muitas iniciativas já obtêm resultados impressionantes partilhando essas ideias. Dentre essas, destaco a que considero mais próxima do modelo ideal de biblioteca popular: as bibliotecas parque. O conceito, maravilhoso em múltiplos aspectos, surgiu na Colômbia e coloca a biblioteca no centro do projeto urbanístico dos bairros e, mais importante, posiciona bibliotecas muito bem equipadas no coração de zonas de risco social. O Brasil já tem suas primeiras experiências do conceito, nas favelas do Rio de Janeiro. Na favela de Manguinhos o espaço foi rapidamente apropriado pela população, que utiliza e conserva o prédio, os equipamentos e os livros.

Mas então, como identificar, incentivar, registar, editar e publicar esse acervo riquíssimo? Primeiramente é necessário que o bibliotecário deixe o conforto de suas atividades tradicionais e inicie o flerte com a antropologia e com as relações públicas, que se empenhe em participar das entidades comunitárias: associações de bairro, de mães, paróquias, congregações, terreiros, clubes, escolas, etc, e nesses ambientes identifique os potenciais novos “livros” para o acervo.

A partir desse mapeamento, pode se projetar atividades, entrevistas, apresentações. Convidar artistas (de preferência da própria comunidade) para ilustrar a história de algum morador, registrar em vídeo, transcrever em texto. Muitos escritores, podem se interessar por registrar as narrativas recolhidas, universidades podem incentivar programas de extensão para auxiliar nos projetos.

As eventuais publicações dos materiais coletados podem ser financiadas por meio de leis de incentivo, ou (melhor ainda!) de maneira autônoma, por crowdfunding ou arrecadação com eventos e doações espontâneas. E publicações não precisam ser necessariamente caras, podem ser feitas de forma artesanal, com material reciclável, inclusive envolvendo a própria comunidade no processo de confecção dos livros.

Nas próximas postagens pretendo explorar o universo dessas práticas. Abordar o fenômeno das editoras cartoneras, os fanzines e outras modalidades editoriais que podem inspirar ações culturais efetivas para nossas bibliotecas. Conto com o apoio dos leitores para sugestões e críticas!

 

* Não estou propondo que essa cultura, ou esses livros, não tem valor. Mas não deveriam ser o único valor considerado.
** Preferi aqui o termo “contadores de história” a “contadores de estórias” por acreditar que as possibilidades semânticas do primeiro destaquem a relevância do resgate histórico presente nas narrativas desses menestréis contemporâneos.

A imagem do post é dos livros da Eloísa Cartonera, de Buenos Aires

Empréstimo ilimitado

Li no bom blog Bibliobsession 2.0

um post em que é ele comenta uma experiência das bibliotecas do município de Albi na França de fazer uma experiência no mínimo, diferente. Durante um ano, emprestar itens impressos (livros e periódicos) sem data limite de devolução e sem limite na quantidade de empréstimos.
Minha opinião é a mesma do blog. Eliminar os entraves SIM, mas esvaziar as bibliotecas NÃO!

O que vocês pensam sobre isso?Buster video

Uma visão errada do que é uma biblioteca… mas qual é a certa?

Acabo de ler a seguinte matéria no G1: “Com ‘escola da vida’, ex-feirante ajudou a criar mais de 10 bibliotecas em SP”. Foi uma matéria feita em razão do Dia Mundial do Livro e traz a história de superação de um ex-feirante que hoje atua na formação de bibliotecas em bairros periféricos. Sinceramente, ele tem todos os méritos e de ser aplaudido.
Mas (sempre tem um mas), eu ainda acredito que o papel que ele está desempenhando é do Estado (seja ele Federal, Estadual ou Municipal). Acesso à uma biblioteca deveria ser um direito do cidadão. Temos que acreditar nisso. Mas ai volto a uma questão anterior. Há alguma biblioteca que possa ser encarada de exemplo de serviço adequado ao cidadão? Que seja apoiada pelo Estado e que este dê condições para que funcione plenamente e possa criar serviços relevantes. A grande maioria das bibliotecas, tem bons profissionais, mas não condições adequadas de funcionamento. Então pergunto como a população poderia brigar para ter algo que não conhece?
O caminho é longo. Mas é acredito que precisamos vender a imagem de biblioteca mantida pelo poder público e não apenas as bibliotecas criadas bravamente por algum esforço individual.