Resenha: O nome da Rosa

Terminei esses tempos um livro que há muito estava nas minhas prioridades: O nome da Rosa. Que obra para os bibliotecários, não é mesmo?

Em uma só história temos assassinatos, suspense, intrigas, livros, uma biblioteca proibida e um bibliotecário que cuida dos podes e não podes.

Esse livro me fez pensar um pouco sobre nossa profissão na atualidade. Hoje quase tudo pode, o usuário caminha livre, leva o que quer, escolhe sem restrições e na maioria das vezes sem sequer precisar da ajuda do bibliotecário, mas será que isso tem nos afastado?

Não acho, obviamente, que um acervo fechado e proibido aproxime o bibliotecário e o público, mas acho que é hora de refletirmos se essa relação pode ser mais próxima e melhor. Indicar é um trabalho importante e pode fazer com que aquela pessoa retorne à biblioteca, é um trabalho que não pode ser esquecido pelas facilidades e praticidades com que convivemos.

Deixo aqui a resenha que fiz sobre essa obra fantástica e indico com paixão para aqueles que ainda não leram!

Divulgando a profissão

Os bibliotecários estão em alta! A Universal acaba de divulgar um seriado novo chamado ‘The Librarians’ onde os personagens principais são bibliotecários que protegem antigos tesouros do mundo que estão guardados na Biblioteca Pública Metropolitana de Nova York.

Ainda falando sobre bibliotecários e bibliotecas, esses dias o BSF compartilhou no Facebook esse texto que amei, falando sobre ‘Como é trabalhar numa biblioteca’. Resolvi então aproveitar a deixa para trazer aqui para o blog um vídeo que fiz falando sobre a profissão, graduação e tudo mais. Várias pessoas já haviam me pedido para falar sobre o que eu fazia e como havia sido minha formação, até que achei que era hora e decidi gravar falando apenas disso.

É um vídeo despretensioso, apenas para divulgar um pouco e explicar parte de nosso universo. Nada sério, nada formal. A vida de bibliotecário não é fácil, já ouvi incontáveis vezes: ‘precisa de ensino superior para ser bibliotecário?’; ‘qualquer um faz o que você faz’; ‘você só fica aí sentada no Facebook e coloca os livros no lugar’. E mais infinitas coisas que com certeza não são novidade para nenhum de vocês. Grande parte do que ouço vem dos próprios alunos que eu auxilio no dia a dia, o que acaba sendo mais chato ainda. Mas levo na brincadeira e sempre explico que essa é uma profissão que precisa sim de formação superior e que o trabalho vai muito além do que é visto.

Acredito que para essa situação mudar precisamos cada vez mais falar sobre o que fazemos e mostrar o quão legal é esse universo. Ver seriados, filmes e textos divulgando profissão me deixa muito feliz! Ok, nos seriados e filmes tudo é fantasiado, mas só de ter um bibliotecário ali já acho bacana.

Esse vídeo que fiz circulou entre os alunos do colégio que trabalho e, para minha surpresa, vários vieram conversar e dizer que curtiram e entenderam melhor o que faço.

20 perguntas de entrevista de emprego para bibliotecários

Depois de seis meses de procura, eu finalmente fui contratada numa biblioteca pública como auxiliar, trabalhando em turnos de sobreaviso. Durante a busca por emprego, refiz o meu currículo dezenas de vezes, enviei para diversos lugares e sempre dava com a porta na cara. Até que finalmente fui chamada para uma entrevista! Catei na internet recursos que ajudassem a me preparar para a entrevista e procurei por perguntas específicas para bibliotecários. Como minha experiência profissional prévia não era em bibliotecas, meu desafio seria ainda maior, tentando provar como minhas qualificações e experiência anteriores seriam transferíveis para o ambiente e trabalho numa biblioteca.

Fui mal na entrevista. Assim que terminou, eu sabia que não tinha ido bem. Selecionei várias perguntas e ensaiei minhas respostas antes do dia, mas na hora do “vamo vê”, acabei me enrolando e não respondendo satisfatoriamente às perguntas que me fizeram. A maioria das perguntas eram comportamentais, daquelas que você tem que dizer o que fez (ou faria) em tal situação, ou dando exemplos de eventos que aconteceram na sua vida profissional que demonstrem a sua conduta dentro de situações específicas (as situações de conflito são particularmente complicadas de responder de uma forma que você não fique mal na fita). Não me chamaram de volta.

Felizmente, algumas semanas depois, outra biblioteca me chamou pra entrevista e dessa vez fui bem mais tranquila. Resolvi não ensaiar tanto como na primeira, resolvi seguir meu coração nas respostas. E funcionou! No dia seguinte ao da entrevista, recebi a ligação com a oferta de trabalho!

Hoje, compartilho com vocês algumas das perguntas que me fizeram e outras que encontrei durante minha pesquisa. De repente tem alguém aí do outro lado da tela que está disponível no mercado e tem que se preparar para uma entrevista de emprego.

1. Quais são suas fraquezas?

2. Quando você falhou no trabalho? Explique o que aconteceu e o resultado final.

3. Por que você quer trabalhar nessa biblioteca?

4. Qual é a sua filosofia em relação à biblioteconomia e trabalhar em bibliotecas públicas?

5. Onde você se vê em 5 anos?

6. Se você estivesse sozinho na biblioteca e um usuário estivesse bebendo bebida alcoólica (aqui no Canadá é proibido) enquanto usava o computador, o que você faria?

7. Você está no balcão de informação e duas crianças estão correndo pelas estantes. Alguns usuários já reclamaram do barulho. Você já alertou as crianças a não fazer isso, mas elas continuam. O que você faz?

8. Fale sobre um livro que você recomendaria para adultos e por quê?

9. Se tempo e dinheiro não fossem impedimento, que tipo de projeto você gostaria de fazer na biblioteca?

10. Como você lida diante de mudanças?

11. Como você lidaria com uma pessoa que estivesse fazendo algazarra na biblioteca?

12. Se você não concordasse com uma atitude do seu superior, o que você faria?

13. Dê um exemplo de erro de comunicação entre você e um usuário. O que você fez?

14. Você já entrou em conflito com algum chefe ou colega de trabalho? Como lidou com a situação?

15. Por que a gente deve te contratar?

16. Quais são as habilidades ou experiência que você tem e outros candidatos talvez não tenham?

17. “A referência está morta.” Você concorda ou discorda? Qual é o valor do serviço de referência nos dias de hoje?

18. Você está no balcão de informação atendendo um usuário. Outra pessoa entra na fila. O telefone toca. O que você faz?

19. Quais são seus três recursos mais importantes para uso em bibliotecas públicas?

20. O que você faria se não soubesse responder uma pergunta de um usuário?

Como você responderia a essas perguntas?

Imagem: Flazingo, sob licença Creative Commons

Um epitáfio para bibliotecários

Digam aos espartanos, estranhos que passam, que obedientes às suas leis, aqui jazemos.

Os versos do poeta Simônides, inscritos numa lápide no desfiladeiro das Termópilas, são uma homenagem aos espartanos e seus aliados que lá morreram tentando deter a invasão persa. Um heroico epitáfio, sem dúvida, para soldados que sabiam que iriam morrer e que, no final, com as armas destruídas em combate, continuaram lutando com as mãos nuas (PRESSFIELD).

O que me incomoda é que  a frase também poderia servir, se o pior dos futuros possíveis acabar se confirmando, como epitáfio para bibliotecários e bibliotecas. Tirando os espartanos, claro, que não têm nada com isso. E por que diabos cismei de relacionar uma história de 480 a. C com o presente e o futuro da minha profissão? Não sei, mas as palavras “obedientes às suas leis” gravadas numa lápide sempre me vêm à cabeça quando o assunto é a sobrevivência dos bibliotecários, porque penso que, se alguma característica nossa pode nos destruir é a precisamente a obediência, em suas variantes mais populares entre nós: o apego excessivo a regras e o respeito exagerado à autoridade.

Não, nunca fiz uma pesquisa. Não, não passei questionário. Sim, eu sei que não podemos generalizar e que existem bibliotecários para todos os gostos. Aprendi a ser bibliotecária com mulheres que eram exatamente o oposto da boa menina comportada que não desrespeita regra nenhuma, sobretudo as da catalogação. Profissionais cultas, que gostavam da profissão, mas também se interessavam pelo mundo além da biblioteconomia, politizadas, aguerridas e dispostas a lutar com mãos nuas pelo que acreditavam. Algumas delas, ainda na ditadura, participaram ativamente de greves e de atividades sindicais. Para quem não sabe, era necessária alguma coragem para fazer isso naquela época. Talvez por causa desse bom começo, jamais consegui digerir certos diálogos que ao longo dos meus 30 anos atividade. Como esses:

– Mas por que não podemos mudar isso?
– Porque é a regra!

– E se a gente fizesse de outra forma?
– Mas sempre foi feito assim!

– Essa regra serve exatamente para quê?
– Para ficar padronizado!
– E por que tem que ser padronizado dessa forma?
– Porque existe uma regra, oras!

– Mas por que você faz isso?
– Porque o chefe mandou fazer.

– Por que você aceita esse tipo de coisa?
– Porque ele (ela) é o chefe. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Eu cumpro ordens.

E as “respostas-padrão” nem são o pior. O mais triste é participar de reuniões numa sala cheia de profissionais sérios e competentes que deveriam questionar, ou pelo menos tentar discutir o que está sendo dito pela autoridade de plantão, mas se calam, por indiferença, medo ou por um estranho conceito de “educação” que parte do princípio de que discordar é feio.

Lília Schwarcz, em seu livro sobre D. Pedro II, menciona ensinamentos dos manuais de bons costumes do século 19: “Nunca diga do que gosta e do que não gosta, e evite fazer questões”; “abra mão de suas posições, sempre, e nunca sustente nenhuma discussão, mesmo que tenha certeza de suas convicções.” (SCHWARCZ , p. 201). Talvez esses manuais ainda estejam em vigor e ninguém me avisou.

Tantas demonstrações de conformismo e autoritarismo explícito no meu ambiente profissional me transformaram numa velha senhora pessimista. Teremos massa crítica e criativa suficiente para dar conta das mudanças que precisamos promover para continuar fazendo sentido enquanto profissionais ou vamos mandar recado pros espartanos?

Em meus tempos de estudante de biblioteconomia dividida entre a enormidade do tédio que o curso me provocava e a vontade de ser e fazer algo melhor na profissão que escolhi, meus colegas e eu pensávamos, provavelmente estimulados por alguns professores modernos, que os bibliotecários eram pessoas muito limitadas. E por isso as bibliotecas eram tão ruins. Nós éramos legais, inteligentes, jovens, bonitos e ousados, criativos e radicais. Chamávamos a nós mesmos de “ala punk da biblioteconomia” e estávamos prontos a mudar tudo. As bibliotecas não seriam as mesmas depois que a gente as tomasse de assalto. Posso estar  exagerando um pouco, mas era mais ou menos isso.

E a turma seguinte também pensava assim, as outras turmas também, e isso se repete há uns 30 anos, pelo menos, conclusão à qual cheguei pela observação de várias gerações de estudantes na instituição na qual trabalho desde 1981, a mesma onde me formei no ano seguinte.
Hoje, muitos dos meus colegas daquela época que ainda estão vivos e atuando na área são chefes de bibliotecas, professores de biblioteconomia ou, no mínimo, profissionais experientes. O mundo já virou do avesso várias vezes, muita coisa mudou e nós, de certa forma, tivemos participação nessa mudança, mas também nos tornamos, aos olhos das novas gerações, os velhinhos conservadores e apegados às mesmas regras que tanto criticávamos. Para a molecada que hoje talvez se veja como a “ala funk pancadão da biblioteconomia” ou algo assim, nós somos os bibliotecários obsoletos que só pensam em criar barreiras para impedir a circulação do conhecimento e que serão os únicos responsáveis pela eventual extinção das bibliotecas. E a roda vai continuar girando dessa forma enquanto existirem bibliotecas, bibliotecários, estudantes e professores de biblioteconomia. Digam aos espartanos etc etc …

Mas, de fato, o conformismo dos profissionais é apenas um aspecto do problema. Há mais perigos fora das bibliotecas do que dentro. Nas instituições públicas, entraves de todo tipo criados pela legislação, pela burocracia e por estruturas de poder quase feudais dificultam em níveis deprimentes os processos de mudança e inovação nas bibliotecas. Precisamos melhorar a qualidade dos serviços prestados, mas não podemos escolher pessoal com a qualificação necessária. As instalações físicas precisam ser renovadas, mas não conseguimos comprar mobiliário decente sem os intermináveis pregões ou licitações, cujos resultados muitas vezes são frustrantes. Usuários precisam de acervo atualizado, mas os livros podem levar meses para chegar e não podemos comprar de livrarias virtuais. “Mas esse livro tem na Amazon, é baratinho” quem nunca ouviu essa frase? As bibliotecas precisam de serviços de outros departamentos em suas instituições que desconhecem o conceito de “necessidade do usuário”. E como o conceito de democracia também não é muito popular nas instituições, muitas chefias, bibliotecárias ou não, costumam administrar de acordo com sua conveniência ou gosto pessoal, ou da forma que mais segura sua carreira, contando com a tranquila obediência de seus subordinados. Temos que divulgar nossos serviços e melhorar nossa imagem, mas não podemos contar com um departamento de marketing para nos auxiliar. E aí os usuários concluem que a biblioteca é ruim porque as bibliotecárias- que para eles são aquelas senhoras que guardam os livros na estante ou fazem o empréstimo – são todas umas incompetentes. Olá, espartanos, vocês ainda estão por aí?

Bibliotecas nunca são prioridade real em nenhuma instituição, por mais que se diga o contrário o tempo todo. Bibliotecas não têm presença forte nas comunidades, não fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas, não têm a importância que deveriam ter na sociedade. Se todas as bibliotecas fechassem amanhã, é óbvio que haveria reação, porque existem boas bibliotecas e pessoas que as frequentam. Mas se forem minguando e acabando aos poucos, sem alarde, muita gente nem vai se dar conta, porque nem sabe o que é uma biblioteca.

O artigo do The Guardian traduzido e publicado aqui pelo Moreno Barros sobre bibliotecas ressurgindo das cinzas trata de culturas nas quais as bibliotecas sempre foram importantes. Onde se “entremearam no tecido da vida cotidiana”, nas palavras do autor. Aqui não me parece que seja assim. Nossa história é diferente da desses países educados e cultos que nos colonizaram, exploraram e ajudaram a implantar por aqui ditaduras assassinas para nos manter colonizados e explorados.

Sim, sou pessimista, mas não acho que seja impossível virar o jogo. Existem boas ideias em circulação, como demonstram os textos publicados neste bravo Bibliotecários sem Fronteiras.

Então, estranhos que aqui passam, termino com a palavra de ordem que sempre me manteve em pé, mesmo não acreditando que a vitória seja certa: a luta continua.

PRESSFIELD, Steven. Portões de fogo: um romance épico da batalha das Termópilas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

SCHWARCZ, L. M. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo : Companhia das Letras, 1998.

A foto do Monumento a Leônidas é de Carlos Blanco, publicada no Flickr. http://www.flickr.com/photos/crlsblnc/5650417261/

Dialeto contrata bibliotecários – SP

A Dialeto , empresa moderninha de pesquisa e monitoramento da mídia social, está procurando estudantes ou profissionais com formação em biblioteconomia que tenham experiência pessoal com internet, blogs e comunidades.

Os interessados devem enviar CV para
tereza.candida@dialeto.net

Documentar abre 150 vagas em SP, BH e RJ

Segunda-feira, 19 de novembro de 2007 – 18h02 SÃO PAULO – A empresa de BPO (terceirização dos processos de negócios) Documentar abriu 150 vagas para seus escritórios em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Os interessados precisam ter inglês fluente e conhecimentos em projetos de TI, modelagem de processos, ciência da informação, biblioteconomia e arquivologia.

Outros requisitos são conhecimentos nas tecnologias de ECM (Enterprise Content Management) e GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos).

Os candidatos devem encaminhar currículo para o e-mail recrutamento@documentar.com.br .